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Causas de Invalidade em Tratados Internacionais

esquema resolução de casos de dip- tratados

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Base esquemática- CP invalidades, cessação e

suspensão
Art.42º: princípio da tipicidade -» só se pode falar das causas de invalidade
presentes na convenção
A validade de um tratado, está dependente de 3 condicionantes:
1. Capacidade do sujeito;
2. Existência de um objeto que seja lícito
3. Circunstância do consentimento não se encontrar viciado
Graus de vícios existentes: 3 tipos
-» Ineficácia jurídica: Um tratado pode ser juridicamente ineficaz quando,
mesmo sendo válido, ele não produz efeitos. Isso pode ocorrer por várias
razões, como a ausência de ratificação por uma das partes ou de uma
condição que o tratado exige para entrar em vigor.
Exemplo: Um tratado assinado por dois Estados, mas que prevê como
condição a ratificação por um terceiro Estado para vigorar, permanece
ineficaz até que esse terceiro Estado o ratifique.
-» Inexistência jurídica: A inexistência jurídica ocorre quando um tratado
não chega a ser considerado como um ato jurídico válido desde o início,
geralmente porque falta um requisito essencial para a sua criação. Nesse
caso, o tratado não é apenas ineficaz, mas inexistente juridicamente – ele
nunca teve valor como tratado.
Exemplo: Um tratado celebrado por uma pessoa que não tinha autoridade
para representar o Estado, ou um tratado que nunca foi assinado ou
ratificado por um dos Estados signatários.
-» Os positivados na CV: nulidades absolutas e relativas
Pontos essenciais:
1. Parte-se do prossuposto que se presume a validade das disposições
convencionais (que pode ser afastada claro, pelas causas de nulidade)
2. O facto de existir uma tipicidade das causas de nulidade dos tratados:
estão taxativamente previstas na CV (42º/1). Ou seja, não existem mais
causas de nulidade para além das previstas na CV.
3. Normalmente, são geradoras de responsabilidade internacional (é
imputada a quem provoca o vicio, exceto se for sanável ou poder ser
confirmado- nas relativas)
4. 2 graus de nulidades: absolutas e relativas
2 tipos de vícios: formais e substanciais
Formais: 2 em concreto: ratificações imperfeitas (46º), excesso de poder
(47º)
1. Ratificações imperfeitas- 46º/1 (divergência)
É possível invocar o direito interno para se desvincular de uma convenção
ou fundamentar o não cumprimento da mesma? Em regra, não – artigo 27º
CV
o Regime especial – artigo 46º CV – apresenta um conjunto de regras
que têm de ser cumpridas para o estado poder usar o direito interno para se
desvincular do tratado ao qual se vinculou -» ratificações imperfeitas.
Requisitos:
1. Tem de ser uma disposição do direito interno relativa à competência
2. Essa violação tem de ser manifesta, ou seja, quando é manifestamente
evidente para qualquer estado (nº2)
3. Tem de ser uma norma de importância fundamental
o Divergência doutrinária
Doutrina maioritária – interpretação literal -» não estando verificados os
requisitos o estado não pode desvincular-se. Ou seja, os estados continuam
vinculados, mas o tratado não se aplica na sua ordem interna por
inconstitucionalidade do tratado e pode incorrer em consequências no plano
internacional. Quando um estado não consegue utilizar o artigo 46º CV deve
tentar desvincular-se o mais rapidamente do tratado internacional sendo
que isso só é admissível no âmbito do artigo 56º CV.
Professora Maria Luísa Duarte – interpreta o artigo 46º CV de forma lata
e admite que os estados se podem desvincular, mesmo quando não se
apresente cumpridos todos os requisitos quando ocorra uma violação do
núcleo de proteção dos direitos individuais.
Exemplo: Estado A assina um tratado sem a autorização necessária do
parlamento, o que viola uma norma do seu direito interno. No entanto, a
violação não é óbvia (não é algo evidente para outros Estados).
De acordo com o Artigo 46, a violação só pode ser invocada para invalidar o
consentimento do Estado A se for manifesta. Como a violação não é clara e
evidente, o Estado A pode depois ratificar o tratado e o tornará válido,
mesmo que a assinatura inicial tenha violado sua lei interna.
Resumindo: A ratificação é válida, pois a violação da lei interna não foi
manifesta ou suficientemente grave para invalidar o tratado.

2. Excesso de poder- 47º- Representante excedeu os poderes de


representação concedidos pelo Estado- o representante não pode
invocar o vicio do consentimento que ele provocou, salvo se esta tiver
sido comunicada aos outros estados que tenham participado na
negociação.
-» É frequentemente relacionado à ideia de tratados de forma simplificada
porque se aplica a circunstâncias em que o representante de um Estado
tem um poder limitado para vincular o Estado ao tratado. Essas situações,
muitas vezes, estão associadas a procedimentos de aceitação mais rápidos
ou menos formais, como no caso de acordos que não exigem ratificação
formal por todo o processo legislativo, ou em situações que envolvem uma
forma mais simples de consentimento, como uma assinatura direta sem a
necessidade de um procedimento de ratificação legislativa completo.
Exemplo:
Imagine que o representante diplomático de um país, Estado A, recebe
instruções específicas para negociar um tratado comercial com Estado B,
mas com a condição de que o tratado não inclua cláusulas sobre
propriedade intelectual, por ser um tema sensível para o governo de Estado
A. Essa condição foi imposta pelo governo de Estado A, mas não foi
comunicada a Estado B ou aos demais Estados envolvidos na
negociação.
Durante as negociações, o representante de Estado A, por pressão ou erro,
acaba aceitando incluir uma cláusula de propriedade intelectual no
tratado, violando as restrições que lhe foram dadas pelo governo de seu
país.
Após o tratado ser assinado, Estado A não pode alegar que a inclusão da
cláusula de propriedade intelectual viciou o consentimento do
representante para se desvincular da obrigação. Segundo o Artigo 47.º,
para que Estado A pudesse contestar o tratado com base nessa restrição
especial, ele deveria ter informado os outros Estados sobre essa
condição específica antes da manifestação de consentimento. Como
essa notificação não foi feita, a inclusão da cláusula é válida, e Estado A
permanece vinculado ao tratado como um todo.
Substanciais:
Erro-48º (sobre o conteúdo do acordo!! É diferente do art.79º, que incide
sobre erros ortográficos)
-» O erro, para efeitos de vício do consentimento em relação ao tratado, é
uma falsa representação da realidade.
-» O erro, para ser relevante (no sentido do art.48º), deve respeitar três
condições:
1. Deve incidir sobre um facto ou uma situação, não sendo aceitáveis os
erros sobre uma questão de Direito;
 Ou seja, o erro relevante para invalidar o consentimento de um
Estado deve recair sobre uma realidade objetiva ou circunstancial, e
não sobre uma interpretação jurídica ou entendimento da lei (79º)
2. Essencialidade- O erro tem de incidir sobre um elemento determinante da
vontade de conclusão do tratado, sendo que na ausência do erro o
consentimento não teria sido dado. A falsa representação da realidade
deve, pois, ser anterior à manifestação do consentimento definitivo;
3. O erro deve ser desculpável- Uma entidade para invocar um erro não
pode ter contribuído com a sua própria conduta para o surgimento do erro.
48º/2. Para ser desculpável, é ainda necessário que as circunstâncias não
fossem de ordem a que a entidade devesse ter-se apercebido da
possibilidade de estar em erro.
Exemplo: Dois Estados, A e B, negociam um tratado para dividir a
exploração de uma área submarina que acreditam ser rica em petróleo.
Ambos baseiam a sua decisão em mapas geológicos elaborados por uma
equipa internacional de peritos, que indicam grandes reservas de petróleo
naquela área.
Após a assinatura e entrada em vigor do tratado, descobrem que, devido a
um erro técnico na análise geológica, a área é praticamente desprovida de
petróleo. Esse erro ocorreu na fase de análise prévia, antes da manifestação
do consentimento definitivo, e foi de tal magnitude que, caso os Estados
tivessem conhecido a realidade, não teriam aceitado os termos do tratado.
Análise das condições:
Facto ou situação, não Direito: O erro diz respeito a um fato concreto — a
existência (ou ausência) de petróleo —, e não a uma questão de Direito.
Essencialidade: A presença de petróleo era um elemento determinante para
que ambos os Estados concluíssem o tratado. Sem as reservas de petróleo,
a divisão da área submarina não teria o mesmo valor ou importância, e o
consentimento não teria sido dado nas condições acordadas.
Desculpabilidade: O erro é desculpável porque os Estados confiaram em
especialistas para elaborar os dados geológicos, e não houve negligência ou
conduta de má-fé por parte dos signatários. As circunstâncias não eram tais
que A e B deveriam ter suspeitado do erro.
Dolo-49º: 3 elementos
Elemento material: Este é o ato concreto de engano. O dolo ocorre quando
um Estado pratica uma ação que intencionalmente distorce a realidade ou
esconde informações, enganando o outro Estado. Essa ação deve ser uma
conduta ativa de falsidade, distorção ou ocultação de factos.
Elemento psicológico: O dolo requer que o Estado enganador tenha a
intenção deliberada de induzir o outro Estado a firmar o tratado em
condições que ele não teria aceitado se conhecesse a verdade. O elemento
psicológico, portanto, é a má-fé do Estado que engana.
Resultado concreto: Para que o dolo seja relevante, ele precisa ter um efeito
direto sobre o consentimento do outro Estado. Em outras palavras, o Estado
prejudicado só aceitou o tratado por causa do engano. Sem o dolo, esse
Estado provavelmente não teria consentido ou teria exigido termos
diferentes.
Exemplo: Imagine que o Estado A convence o Estado B a assinar um
tratado sobre a exploração de uma mina que supostamente contém grandes
quantidades de ouro. Durante a negociação, o Estado A apresenta relatórios
falsos e dados manipulados, ocultando que, na realidade, a mina está
praticamente esgotada. O Estado B confia nos dados e consente com o
tratado para dividir a exploração dos recursos minerais.
Após a assinatura do tratado, o Estado B descobre que foi enganado e que a
mina não contém os recursos prometidos. Esse caso apresenta os três
elementos do dolo:
Material: O Estado A apresentou relatórios e dados falsos sobre a
quantidade de ouro.
Psicológico: O Estado A agiu intencionalmente para enganar o Estado B,
com o objetivo de obter seu consentimento para o tratado.
Resultado Concreto: O Estado B só consentiu com o tratado devido ao
engano; se soubesse a verdade, provavelmente não teria assinado.
Corrupção-50º: Requisitos:
-» Corromper significa atribuir vantagens patrimoniais a outro Estado. O
estado que foi corrompido pode invocar essa corrupção como tendo viciado
o seu consentimento em ficar vinculado pelo tratado.
i) Atribuição de vantagens direta ou indiretamente (por meio de
terceiros)
 Deve haver uma oferta, promessa ou entrega de uma vantagem ao
representante do Estado
ii) Atuação fraudulenta.
 A fraude implica que a vantagem oferecida visa influenciar a decisão
do representante, desviando-o de suas obrigações em prol do Estado.
iii) Determinante da decisão de vinculação
 A corrupção deve ser decisiva para a aceitação do tratado. Em outras
palavras, sem essa vantagem oferecida, o representante
provavelmente não teria dado o seu consentimento em nome do
Estado
iv) Entidade participante
 A corrupção precisa envolver uma parte diretamente relacionada ao
tratado. Normalmente, isso ocorre entre Estados, mas pode envolver
empresas ou entidades ligadas a um dos Estados, desde que seja
para garantir que o consentimento ao tratado seja dado de forma
corrompida.
Exemplo: Imagine que o Estado A deseja estabelecer um tratado de
cooperação militar com o Estado B para poder ter acesso a uma base militar
estrategicamente localizada no território do Estado B. Durante as
negociações, o Estado A oferece uma grande quantia de dinheiro
diretamente ao representante do Estado B para garantir que ele aceite os
termos do tratado rapidamente, sem discutir ou impor condições adicionais.
Análise dos requisitos:
Atribuição de Vantagens Direta ou Indiretamente: O Estado A oferece
dinheiro diretamente ao representante do Estado B para garantir o
consentimento.
Atuação Fraudulenta: O representante do Estado B, ao aceitar o suborno, é
levado a tomar uma decisão que não é pautada pelo interesse legítimo de
seu Estado, mas pela vantagem pessoal oferecida.
Determinante da Decisão de Vinculação: O consentimento do Estado B ao
tratado foi influenciado diretamente pela vantagem dada ao seu
representante. Sem essa vantagem, ele provavelmente não teria consentido
com os termos propostos, ou teria exigido condições diferentes.
Entidade Participante: Neste caso, os próprios Estados A e B estão
diretamente envolvidos, sendo o Estado A entidade participante que
promoveu o ato de corrupção.
Coação- 51º e 52º- Moral e Física.
Coação: existe uma ameaça para que o estado se vincule na convenção- por
medo. (Na corrupção é por benefício)
--» Sobre o representante- 51º
--» Sobre o Estado -52º
Diferença entre o artigo 51º CV e o artigo 52º CV
Artigo 51º CV - A ameaça ocorre sobre um representante de um Estado.
Artigo 52º CV - A ameaça ocorre sobre o próprio estado. Divergência
doutrinária: - Para o professor Eduardo Pereira Batista e para o professor
Carlos Blanco Morais este artigo não é aplicável em casos de coação
económica.
 Ex. de coação económica- O Estado A, economicamente poderoso,
ameaça o Estado B, que depende de suas exportações, com sanções
comerciais graves caso não assine um tratado de livre comércio nos
termos de A. Temendo um colapso econômico, o Estado B acaba
cedendo e assina o tratado, embora os termos sejam desfavoráveis.
1. Argumento literal – o artigo só faz menção a ameaça pelo emprego da
força.
2. Argumento histórico – na votação da convenção de Viena foi recusada a
possibilidade de invocar a coação económica para efeitos de nulidade do
tratado.
Para a professora Maria Luísa Duarte temos de fazer uma interpretação
extensiva do artigo – temos de fazer distinção conforme a legalidade ou
ilegalidade do fim a prosseguir com a pressão económica:
1. Se existe coação para prosseguir um fim contrário ao direito internacional
(por exemplo um tratado sobre fronteiras ou alianças militares) então a
professora admite a utilização do artigo 52º CV para a coação económica
2. Se o fim da coação económica não for ilegal e se for desejável no quadro
de DIP então não se pode aplicar este artigo – quando existe uma pressão
no sentido de obter um acordo favorável em matéria de direitos humanos
Regime:
Nulidades absoluta: coação sobre o estado (51º), sobre o representante
(52º) e de ius cogens (53º)
Legitimidade: 65º/1- qualquer sujeito de DIP incluindo os que não integram
o tratado por qualquer dos vícios geradores desta nulidade; pode ser
apreciado oficiosamente, pelo tribunal.
Sanação: 45º-estes vícios não são suscetíveis de sanação. Momento da
declaração da nulidade-» cessa a sua vigência.
Efeitos quanto à extensão: abrange TODO o tratado, não existe
divisibilidade (todas as disposições são afetadas). A nulidade afeta o tratado
inteiro, e não apenas uma parte ou cláusula isolada.
Efeitos quanto à produção de efeitos retroativos (69º): Esta nulidade produz
efeitos retroativos. O tratado é considerado nulo desde a sua origem, com
efeitos retroativos. Ou seja, qualquer ato baseado nele pode ser
questionado ou invalidado (exceto atos de boa-fé protegidos pelo artigo
69º/2).
Efeitos entre as partes: o tratado cessa a vigência. O tratado como um todo
perde a vigência e é como se nunca tivesse existido. O tratado é
considerado nulo desde a sua origem, com efeitos retroativos. Ou seja,
qualquer ato baseado nele pode ser questionado ou invalidado (exceto atos
de boa-fé protegidos pelo artigo 69º/2).
Nulidade relativa:
Legitimidade: Apenas os sujeitos (sujeito que sofreu o vicio) que sejam
afetados pela nulidade relativa, pode ser apreciado ex officio. Somente o
Estado afetado pelo vício relativo pode alegar a nulidade e se desvincular
da obrigação sem comprometer a vigência do tratado para os demais.
Sanação: suscetível de sanação e pode manter a sua vinculação ao tratado.
O Estado afetado pela nulidade relativa pode optar por manter-se vinculado
ao tratado.
Efeitos: é divisível: atinge apenas a totalidade do tratado se se verificarem
as condições do 44º/3.
Divisibilidade das disposições - Artigo 44º- Só se aplica às nulidades
relativas, nos termos do art.44º/5.
Regra geral: 44º/1
Nº2: Amplia o nº1 com a “nulidade” e “cessação”.
- No que toca a dois tipos de vícios (corrupção e dolo - 49º e 50º), o estado
que tem direito de alegar o dolo e corrupção pode fazê-lo quer em relação a
todo o tratado quer em relação apenas às normas afetadas pela conduta
dolosa ou corruptora (44º/4).
- Nos outros casos de invalidade, em regra, a nulidade é parcial (44º/3)
salvo se essas normas foram essenciais para a criação da convenção, não
podendo o tratado sobreviver sem elas, ou se sem estas normas resultar um
prejuízo para uma das partes, ou se na sua execução não se permita que as
normas sejam separadas do tratado.
Retroatividade: 69º/1- efeitos para o futuro não produzem efeitos.
Artigo 69º: os efeitos para o futuro não produzem efeitos, mas e os efeitos
passados? Em princípio devem ser suscetíveis de desaparecer, mas com
certas características
- Artigo 69º/2: os atos praticados de boa-fé podem ser salvaguardados.
-Artigo 69º/3: nos casos de corrupção e dolo o artigo 69º/2 não se aplica à
parte a que é imputável o dolo, ato de corrupção ou coação, pois estes
envolvem a pretensão de prejudicar a outra parte. Estas regras aplicam-se
aos tratados bilaterais e com as respetivas adaptações aos tratados
multilaterais.
Ou seja, conforme o art.69º, os efeitos para o futuro cessam. Quanto ao
passado, atos praticados de boa-fé podem ser preservados, mas atos
decorrentes de dolo ou corrupção (art. 69º/3) não são protegidos.
Relações entre as partes: Não afeta a vigência do tratado nem as relações
com as demais partes, a não ser que seja um tratado bilateral. A nulidade
afeta apenas a parte que sofreu o vício (ou seja, o Estado que foi
diretamente prejudicado), permitindo que o tratado continue em vigor para
as demais partes, salvo se as condições do art. 44º/3 forem atendidas (ou
seja, se a disposição for essencial e o tratado não puder sobreviver sem
ela).

Revisão dos Tratados (39º e 40º CV)


Modificação dos Tratados (41º CV) = Poderá haver uma modificação
parcial de um tratado que só envolve algumas partes do tratado e as suas
relações (artigo 41º), ainda que com certas condições:
1. Não se pode ofender o gozo dos direitos das outras partes do tratado;
2. O tratado tem de prever essa possibilidade ou pelo menos não a proibir,
se nada disser, tem de ser interpretar a sua lógica
3. Não pode esse ato incompatível com o fim ou objeto do tratado.
Cessação e suspensão dos Tratados (54º ao 64º CV)
1. Por acordo entre as partes: As partes celebram um novo tratado que põe
termo ao anterior (ab-rogação- CV Artigo 54º alínea b), podendo este
fenómeno ser feito de forma tácita, havendo uma incompatibilidade do novo
tratado que regula a mesma matéria (CV artigo 59º).
2. Poderá também extinguir-se pela existência de um termo final, isto é,
quando o tratado é concluído por um período fixo ou pela existência de
condição resolutiva.
3. Por vontade unilateral de uma das partes: Ocorre quando um dos Estados
formula uma denúncia (CV artigo 56º), tendo esta de ser prevista pelo
tratado enquanto meio de cessação da vigência do mesmo, sendo ilícita se
assim não for. A denuncia só é admitida quando:
a) As partes estabeleceram a admissão da possibilidade de uma denúncia
ou recesso
b) Se a possibilidade resultar da natureza do tratado
- nesse caso, devem notificar com 12 meses de antecedência a sua
intenção.
Se estivermos a falar de um tratado multilateral, a denúncia pode não
resultar na extinção de todo o tratado, pois só deixa de vigorar quanto à
parte denunciante →Recesso.
Existem tratados insuscetíveis de denúncia, pela sua natureza: os tratados
de integração e concretamente os tratados que criam as Comunidades
Europeias e os modificam.
4. Por circunstâncias Exteriores à Vontade das Partes: Remete para a
questão da caducidade dos tratados que pode ocorrer tendo diversas
fontes:
a. O desaparecimento ou alteração territorial de um dos Estados
contratantes;
b. Impossibilidade superveniente do seu cumprimento (CV artigo 61º);
c. A guerra era considerada como fonte de caducidade de um tratado entre
os 2 estados envolvidos, contudo, a maioria da doutrina considera a guerra
como algo fora do contexto do Direito Internacional, não provocando
qualquer efeito jurídico nesse âmbito. No entanto existem regras
costumeiras que consideram que em tratados bilaterais se as partes
estiverem em guerra, poderão incumprir certos aspetos sem incorrer em
responsabilidade (Os artigos 63º e 75º da CV parecem apresentar que a
rutura de relações diplomáticas ou a abertura de hostilidades não afeta as
relações contratuais);
d. Por desuso.
5. Resta atender ao problema da cláusula rebus sic standibus, isto é, se é
possível que um contrato caduque devido à alteração fundamental das
circunstâncias em que foi celebrado. O TPJI, em 1932, num acórdão sobre
casos de jurisdição em matéria de pescarias, aceitou o princípio de que uma
alteração radical de circunstâncias pode ter efeito sobre a vigência das
obrigações assumidas em tratados, embora a extensão da relevância deva
ser aferida em cada caso.
Artigo 62º da CV: A cláusula só pode ser invocada se a existência das
circunstâncias tiver constituído uma base essencial para as partes
consentirem a ficar vinculadas ao tratado e se, a alteração tiver como efeito
uma modificação radical da natureza das obrigações assumidas no tratado.
No número 2 do artigo retiram-se 2 exceções deste princípio: se o tratado
estabelecer uma fronteira e se a alteração resultar de uma violação de uma
obrigação por parte da parte que a invoca. No número 3 é expresso que a
parte que invoca a cessação, se o puder fazer, pode também optar por
suspender o tratado. Contudo, mesmo que as 2 condições expressas no
número 1 se verifiquem, a parte não pode invocar se tiver expresso ou
tacitamente aceite a alteração fundamental das circunstâncias - Artigo 45º
CV.
O procedimento associado à cessação encontra-se nos artigos 65º a 67º da
CV, podendo as outras partes do tratado fiscalizar os motivos para a
invocação da cláusula, e na falta de acordo, prevê-se o recurso aos meios
indicados no artigo 33º da Carta das Nações Unidas.

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