Ensecadeiras
UNIP – Universidade Paulista
Obras de Terra
Prof. Danilo Bernardes Lourenço
Definição
Tratam-se de dispositivos utilizados para a contenção
temporária de superfícies escavadas contra a ação de
águas superficiais ou subterrâneas, em terrenos
saturados ou alagados, onde se pretende executar
obras sem a interferência das mesmas.
Podem ser executadas com cortinas de estacas de
madeira ou concreto armado, pranchas metálicas, ou
ainda na forma de maciços formados por sacos de
poliéster, aniagem ou similares, sobrepostos,
preenchidos com misturas de areia e solos argilosos ou
com solo-cimento.
A escolha do tipo de ensecadeira e o seu
dimensionamento dependem de fatores do ambiente -
como topografia, geologia e hidrologia - e de
características da obra ser executada - porte, tipo de
barragem, cronograma, riscos aceitáveis. A análise
desses fatores depende de estudos caso a caso em
modelos reduzidos (protótipos em pequena escala).
Apesar de a função da ensecadeira ser a de criar uma
área estanque para o canteiro de trabalho, a infiltração
de água é admissível e mesmo inevitável.
Método Executivo
Cortinas de Estacas
As estacas constituem um tipo de pilotis cujo corte transversal
permite um entalhe tipo "macho e fêmea" para sua união. Uma
vez fincadas no solo oferecem uma parede quase
hermeticamente fechada, impermeável, dificultando o acesso
das águas à área isolada. Complementa-se a ação dessas
paredes com o uso de bombas submersas ou outros métodos
de esgotamento, quando se deseja que a área isolada
permaneça completamente seca. As estacas podem ser de
madeira ou de concreto armado se prevista sua permanência
no solo, ou metálicas se prevista sua retirada ao final dos
trabalhos.
No alinhamento definido em projeto, ao longo da área
onde serão executadas as obras e onde se deseja
propiciar a estanqueidade necessária, deverão ser
cravadas as estacas de madeira, concreto ou
metálicas, utilizando-se de equipamentos adequados e
observando-se as normas e especificações pertinentes.
Antes da cravação das estacas, é colocado um
gabarito ou guia, composto por duas tábuas dispostas
paralelamente entre si, na horizontal, apoiadas em
pontaletes fincados no terreno, entre as quais serão
colocadas e fincadas as estacas, como mostrado na
figura 01.
As estacas serão cravadas no solo por meio de um
equipamento pneumático que possui um martelo ou pilão
destinado a golpear a cabeça das mesmas, protegidas
com a interposição de um chapéu ou capacete de
fincamento. A extremidade inferior cravada ou fincada no
terreno será cortada em bisel para provocar um auto
aperto das estacas, umas contra as outras.
Se de madeira, as estacas podem ser compostas de tábuas
ligadas entre si em forma de entalhes ou de ranhura e
lingueta ou ainda de tábuas sobrepostas nas suas maiores
dimensões interligadas por parafusos com porcas, conforme
mostrado na figura 2. A extremidade fincada no terreno é
provida de uma ponta metálica que facilita a penetração.
As estacas de concreto armado constituem,
geralmente, um dos elementos das fundações, pelo
que são sempre colocadas de maneira definitiva. Suas
seções e dimensões dependem das condições
estáticas da obra, de acordo com o dimensionamento
do projeto. Sua espessura varia entre 10 e 25cm e sua
largura entre 40 e 80cm.
Podem conter em seu interior um tubo com função de
conduzir, até a ponta superior, a água sob a pressão
produzida durante a cravação nos terrenos moles, para
que o fincamento se proceda sob a ação de seu
próprio peso.
As estacas metálicas são as mais utilizadas. São perfis
de formas e características variadas, que permitem a
construção de paredes estanques provisórias de
elevado momento de inércia. O fincamento e o
arrancamento fazem-se por meio de martelos
pneumáticos que provocam sacudidelas e vibrações
do terreno que está em contato com elas.
Sacos de Areia
Preenchem-se os sacos de poliéster ou similar em
aproximadamente 80 por cento do seu volume, com
uma mistura seca de areia e material argiloso ou areia e
cimento, conforme especificado. O volume vazio
permitirá o amoldamento entre sacos contíguos e uma
perfeita hidratação da mistura, possibilitando a
estanqueidade da estrutura.
A adição de argila ou cimento ao material arenoso na
mistura tem por objetivo proporcionar uma maior
coesão à mesma, e a proporção entre os
componentes, quando indicada, será fornecida pelas
especificações da obra ou pela Fiscalização
Quando utilizado o saibro, o mesmo deverá ser
peneirado em peneiras com malha de 9mm, para
garantir melhor homogeneidade da mistura final.
Os sacos preenchidos serão então lançados
manualmente no local onde se deseja represar a água,
dispostos de maneira que as juntas entre a fiada
superior e a inferior não coincidam. A água, ao
penetrar na mistura seca, além de acomodar o maciço
formado pelos sacos sobrepostos, propiciará a coesão
adequada à mesma, favorecendo a estanqueidade
do sistema.
Execução com blocos de rocha
Para vencer grandes volumes de água - no desvio de rios,
por exemplo -, as ensecadeiras executadas com
enrocamento são as mais indicadas. Nelas, o tipo de rocha a
ser utilizado deve ser resistente às intempéries, como granitos.
São usados caminhões-basculantes e escavadeiras para o
lançamento dos blocos de rocha. O cálculo do volume para
lançamento leva em conta as perdas do material - que
podem ser estimadas por meio dos estudos em modelos
reduzidos. Os diâmetros máximo e mínimo são determinados
de acordo com as características do projeto.
O lançamento e a compressão das rochas, as quais
podem necessitar de rejuntamento com argamassa,
são feitos com tratores de esteiras com lâminas. Por fim,
é executado lançamento de solo sobre a ensecadeira.
Ensecadeiras em pequenos volumes
Em volumes reduzidos de água, para criação de áreas
estanques para execução de obras de pequena
dimensão, podem ser usadas ensecadeiras com
pranchas (de concreto, de madeira ou metálicas) ou
sacos de areia.
Pranchas
Normalmente, as pranchas são cravadas no leito do
curso de água por meio de uma máquina pneumática
popularmente conhecida como bate-
-estaca. As pranchas mais usadas são as metálicas - as
ensecadeiras executadas com pranchas de concreto
armado geralmente são definitivas.
Critérios de Controle
O controle se procederá de forma visual, verificando-se
a estanqueidade e a segurança do sistema
implantado, a verticalidade das pranchas e a
qualidade do material empregado na execução.
Critérios de Medição e Pagamento
A medição do sistema com estacas metálicas, de
concreto ou de madeira será feita por metro quadrado
de superfície de escavação abrangida pelas mesmas.
A medição do sistema com sacos de areia ou mistura de
solos e cimento será feita por metro cúbico de estrutura
acabada, medida no local de implantação. Em casos
onde esta medição se torne impraticável, o volume será
obtido através da contagem dos sacos utilizados,
multiplicando a quantidade apurada por 80% (oitenta por
cento) do volume nominal de cada um deles.
O pagamento será feito de acordo com os respectivos
itens na planilha geral da obra, e nos preços propostos
deverão estar incluídas todas as despesas com
materiais, mão de obra, encargos sociais, impostos e
tarifas, máquinas e equipamentos necessários à
execução dos serviços.
Os serviços de movimento de terra, regularização do
solo e esgotamento mecânico ou manual da área
serão remunerados separadamente.