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A História da Imprensa no Século XVI

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O Nascimento da mídia em perspectiva

histórica
A criação da imprensa e a expansão de formas de popularização da escrita a partir do século XVI até o
século XVIII.
Prof. Luis Henrique Souza dos Santos
1. Itens iniciais

Propósito
Conceber o processo histórico que permeia a criação e expansão de técnicas de impressão, comércio e
circulação de textos é fundamental para a compreensão do desenvolvimento da mídia a partir do século XVI.

Objetivos
• Identificar o processo histórico que permeia a criação e expansão de técnicas de impressão de textos.
• Identificar as formas de proliferação das mídias na Idade Moderna.
• Definir as transformações pelas quais passou a imprensa em Portugal e no Brasil durante os séculos
XVII e XVIII.

Introdução
Atualmente, é comum, ao circular por transportes públicos, cafés e locais de descanso em espaços públicos,
encontrarmos pessoas em posse de celulares e tablets, com seus fones de ouvido lendo ou escutando
notícias, podcasts, filmes, séries ou vídeos dos mais diversos em plataformas de streaming. Esses objetos de
acesso ao mundo virtual criaram a conectividade entre pessoas dos lugares mais distintos, desenvolveram
espaços de interação para populações de várias classes sociais, ao mesmo tempo que construíram canais de
compartilhamento de informações descentralizadas.

Essa realidade só se tornou possível após o advento de novas tecnologias, especialmente aquelas
relacionadas à internet e aos dispositivos móveis. Até então, jornais, livros e folhetos circulavam depois de
impressos em papel. Esse movimento de digitalização do mundo impresso passou por diversas
transformações e, neste conteúdo, entenderemos o processo de surgimento da imprensa, suas implicações e
desenvolvimento até o final do século XVIII, quando um novo estágio se inicia na produção de impressos.
1. Nascimento da imprensa

Circulação de pessoas e informações


O papel da imprensa na circulação de informações
O continente europeu, por meio de um sem-número de estratégias, construiu sua hegemonia sobre o mundo
conhecido, a começar pelo Mar Mediterrâneo e as terras por ele banhadas, desde o período conhecido como
Idade Média.

Muitos séculos depois, partindo dos conhecimentos


náuticos dos mouros recém-expulsos da Península Ibérica,
portugueses e espanhóis se lançam nas Grandes
Navegações, buscando novos trajetos para chegar ao
extremo Oriente com seu comércio lucrativo de especiarias.

As embarcações e os instrumentos de verificação de


posições marítimas foram aperfeiçoados nos muitos anos
que antecederam as tentativas de descobrimento de novas
rotas e de novos espaços geográficos. Ou seja, antes das
Grandes Navegações, já existiam formas de navegar e de se
medir distâncias que não aquelas utilizadas durante os séculos que se seguem ao século XV.

O mesmo é verdade ao olharmos para outra importante inovação tecnológica do século XV: a imprensa.

Antes da invenção de uma forma específica de se imprimir textos no papel, existiam formas conhecidas e
bastante utilizadas de reprodução e circulação de conteúdos. Na realidade, o próprio formato que hoje
conhecemos como livro é produto de séculos de reestruturações nas formas de veiculação de conhecimentos.

Ao tratarmos do mundo da escrita e da leitura, no entanto, é preciso destacar a importância das práticas orais.
Principal forma de compartilhamento de conhecimento entre gerações, a oralidade não se opõe,
necessariamente, à escrita e à leitura.
Comentário
Em verdade, durante a Época Moderna, seja na Europa ou em seus espaços de domínio ultramarino, a
leitura era marcada pelo seu caráter coletivo e em voz alta. Decretos, portarias, pregões e notícias eram
lidos em espaços com grande circulação, ao invés de disseminados individualmente para leitura privada.

Para o historiador francês Frédéríc Barbier, a expansão do formato de leitura em livro obedeceu a três fatores
primordiais:

Fator 1 Fator 2

Uma tendência à especialização de seus A banalização da produção e circulação de


autores e conteúdos. livros.

Fator 3

A conversão do livro em instrumento de


distinção social.

Seja pela categorização como escritor, seja pela posse de exemplares manuscritos decorados produzidos
pelas mãos de muitos artesãos, o livro tronou-se um objeto de desejo que, porém, estava restrito a
bibliotecas, mosteiros, universidades e poucos palácios.

Em contraposição a esse paradoxo da forma de leitura coletiva com a restrição de acesso ao livro, inicia-se no
século XV uma progressiva expansão das formas de cópia e reprodução de textos. Segundo Barbier, aliada à
renovação intelectual proveniente do Renascimento nas repúblicas italianas, estiveram presentes três
inovações técnicas e práticas. Vamos conhecê-las!

1. Primeiro, o autor aponta que dos ambientes universitários, emergiram as divisões em capítulos de livros
antes inteiriços e de difícil locomoção e até mesmo de cópia.
2. Em seguida, o autor aponta a guinada na compilação de exemplares a partir do uso mais alargado do
papel, em contraposição aos outros materiais mais caros e de difícil manuseio, como o papiro e o
pergaminho.
3. Por fim, o autor aponta uma técnica já conhecida dos artesãos da Época Moderna na Europa de modo
a servir ao universo da escrita: as xilogravuras.

A xilogravura é a técnica de gravação de imagens e textos em madeira, ela cumpriu importante papel mesmo
no universo dos manuscritos, especialmente como carimbo e forma de decoração. Na Alemanha e na França,
desde o século XIV é possível encontrar objetos dos mais diversos, como pequenos livros de devoção – que
comumente possuíam orações – e cartas de jogo.

Dessa maneira, podemos perceber que a forma de imprimir letras em folhas de papel, de maneira repetida,
não foi um evento isolado e criado unicamente por Johann Gensfleisch zur Laden no ano de 1439, conhecido
como Gutenberg devido ao seu local de nascimento na cidade de Mainz.
Congregando uma série de inovações que,
como destacamos até aqui, vinham sendo
construídas no período, Gutenberg desenvolveu
um mecanismo capaz de imprimir caracteres
artesanalmente feitos (xilogravuras) e
dispostos de maneira a produzir um texto em
folhas de papel com o uso de tinta à base de
óleo.

Os trabalhadores do
mundo da imprensa
Dos impressores aos livreiros
Assim como muitos trabalhos manuais da Idade Média e da Época Moderna, a tipografia nasceu como uma
arte a ser executada pelos oficiais mecânicos nas cidades europeias. Os oficiais mecânicos eram aqueles
envoltos no processo produtivo das cidades, e ficaram conhecidos principalmente pelas suas organizações de
cunho social e econômico, as corporações.

Tipografia
Tipografia (em latim typographia e derivada do grego typós, impressão, e graphía, escrita) significa a
“impressão dos tipos”, nome mais comum para fontes de letras. Contudo, atualmente este é o nome
dado ao estudo, criação e aplicação de caracteres, estilos, formatos e disposição visual de palavras.
(LEOCÁDIO, 2020)

Uma vez que a confecção de um livro, de panfletos e – mais


tarde – jornais, era um trabalho artesanal, aqueles que
estavam envolvidos na sua produção eram os mestres,
oficiais ou aprendizes do ofício de tipógrafo.

O próprio Gutenberg, que como destacamos desenvolveu


as técnicas que possibilitaram a criação da tipografia, era
um artesão: no seu caso, antes de se envolver com a
fabricação dos caracteres móveis, dedicava-se ao
polimento e manufatura de peças em ouro, assim como o
fez seu pai.

Tratar do nascimento da imprensa, então, é tratar também


do nascimento de novos atores e categorias profissionais,
mesmo que tenhamos consciência da existência de comerciantes, empresários e escribas no comércio e
produção de livros manuscritos. Vejamos algumas novas categorias profissionais que surgiram?

Cartolai (papeleiro)

Nessa transição, Anthony Grafton destaca que os cartolai – que em


português significa papeleiro, ou seja, aquele que vendia e transportava
papel – tiveram uma atuação interessante de se notar na virada do século
XV para o XVI, já que não mais agenciavam puramente o comércio do
papel para livros iluminados; forneciam grandes quantidades de papel
para impressores, o que lhes rendeu grandes quantias.
Impressor

Dessas novas categorias profissionais, a de maior centralidade foi a do


impressor. Seja pelo seu domínio das técnicas manuais para empregar a
impressão, pela montagem e manutenção de sua oficina, com seus
mestres e aprendizes, ou pela necessidade de criação de espaços para
venda dos livros confeccionados, o impressor ocupa uma função
primordial no mundo do livro impresso.

Autor

Outro personagem importante da história do livro é o autor. Em se


tratando da autoria, é preciso, contudo, refletirmos sobre algumas das
principais formas de escrita dos textos que circulavam na passagem da
Idade Média para a Época Moderna na Europa. Como se sabe, o domínio
dos setores religiosos sobre a transmissão do conhecimento tornou-se
praticamente irremediável nesse período. Por diversos motivos, a Igreja
cristã construiu uma hegemonia cultural acerca dos saberes transmitidos
nas sociedades europeias. Assim, muito do que se escrevia e lia nesse
período girava em torno de temas religiosos: a Bíblia, livros de horas,
sermões, tratados.

Paralelamente, muitos dos autores que estavam envolvidos na produção


de textos de cunho religioso também compunham relatos, notícias,
elogios e críticas de autoridades civis. Ou seja, mesmo que o conteúdo
não fosse estritamente religioso, possuía características e traços da
cultura cristã que – já há muito – havia se tornado dominante na Europa.

Diante da realidade que acabamos de ver, a autoridade dos textos que circulavam estava relacionada ao
conjunto de concepções religiosas predominantes. Por sua vez, seus autores, também.

No entanto, era comum – e se tornou mais ainda quando da popularização da imprensa – a disseminação de
textos sem uma autoria expressa. Quando se tratava de livros de conhecida reputação, com conteúdos
igualmente considerados, o leitor sabia se tratar de uma cópia, visto que o plágio não era visto com os maus
olhos dos séculos seguintes.

Outro exemplo são os livros e livretos publicados sob pseudônimos. O que é comum na literatura até
o século XX.

Na ausência, ou pelo menos na menor importância, da pessoa do autor, o impressor toma a dianteira da fama
pela publicação. Assim, foi durante o século XVI e, principalmente, o século XVII que se desenvolvem os
jornais. Em Portugal, são muitos os exemplos de:

Relações
Gazetas
Textos geralmente curtos, que noticiam
alguns eventos considerados importantes e Conjunto de relações reunidas em
na maior parte das vezes sem autoria edições mensais.
expressa.

A primeira gazeta portuguesa nasceu do esforço de publicidade da nova monarquia, os Bragança, que
iniciaram o processo de restauração do trono português, que estava sob o domínio dos espanhóis.
Gazeta portuguesa, de novembro de 1641.

Por fim, na ponta de contato com os leitores, temos os comerciantes de livros e os livreiros. Importante notar
que muitos impressores possuíam lojas, geralmente um balcão em suas oficinas de impressão, como era
característico de outros ofícios mecânicos nas cidades tocadas pela forma de organização social e urbana
europeia.

Quando o impressor não era o vendedor do livro, observam-se os comerciantes, com práticas semelhantes
àqueles que compravam e vendiam os mais variados produtos. Apesar de mais próximo da realidade atual do
comércio de livros, existia outra possibilidade para proporcionar a circulação de textos impressos: os livreiros.
Composta basicamente de pequenos comerciantes e andarilhos, essa forma de negócio penetrava com maior
facilidade em regiões distantes dos grandes núcleos urbanos.

Exemplo
Exemplo interessante dessa prática pode ser observada no livro O queijo e os vermes, do historiador
italiano Carlo Ginzburg. O personagem de sua investigação, o moleiro Domenico Scandella, conhecido
como Menocchio, obtém acesso a livros de autores protestantes e considerados heréticos pela Igreja e
pelo Santo Ofício – que o queimou por heresia em 1599 – por meio de livreiros que passavam por
Montereale, uma aldeia localizada no nordeste da atual Itália.
Livreiros tiveram um papel importante na disseminação da propriedade de livros e folhetos a partir da Época
Moderna. Nesse período, as transformações religiosas e culturais pelas quais a Europa passava,
nomeadamente o Renascimento e as Reformas Protestantes, criaram um novo público para os textos
produzidos. Para além de objeto de desejo pela beleza de sua manufatura, as publicações passaram a assumir
a função de expandir o alvo das letras.

Tecnologias da massificação da imprensa na Época


Moderna
A construção do mundo dos leitores
Livreiros tiveram um papel importante na disseminação da propriedade de livros e folhetos a partir da Época
Moderna. Nesse período, as transformações religiosas e culturais pelas quais a Europa passava,
nomeadamente o Renascimento e as Reformas Protestantes, criaram um novo público para os textos
produzidos. Para além de objeto de desejo pela beleza de sua manufatura, as publicações passaram a assumir
a função de expandir o alvo das letras.

Como já mencionamos, a divisão dos livros em capítulos


facilitou sua comercialização e cópia quando ainda estavam
restritos à circulação manuscrita, foi ponto de mudança
para a organização de obras das mais diversas.

Até os dias atuais adotamos esse tipo de subdivisão interna


na escrita e leitura de exemplares, seja em manuais de
temas complexos e específicos, ou mesmo em textos de
cunho literário.

Outro ponto de inflexão foram as máquinas tipográficas.


Dispor caracteres em um mecanismo fixo, de maneira a
mover somente as folhas para imprimir nestas a maior
quantidade de frases e parágrafos possível, mudou completamente a maneira de escrever livros e panfletos.

Saiba mais
Os tipos móveis não eram uma invenção europeia – seu uso pode ser identificado séculos antes na China
–, porém a apropriação desses recursos em uma escala comercial que alcançou o mundo tem seu
nascimento na Europa moderna (BARBIER, 2005).
Diante do aumento da velocidade no processo de publicação de textos, com oficinas especializadas e que
publicavam dezenas de exemplares para serem comercializados, outra mudança também mencionada foi a
ampliação de espaços para compra e venda de livros.

Lojas e comerciantes especializados tornaram-se comuns ao redor do mundo, realizando o translado


de exemplares entre Europa e os demais continentes.

Na esteira da amplificação de textos publicados, o mercado consumidor de livros manuscritos também se


expande, chegando em locais onde antes os manuscritos não chegavam. As edições impressas também
passaram a adotar línguas vernáculas, ou seja, a gradativamente abandonar o latim, até então língua comum
para a escrita erudita.

Importante notar que até o século XIX era usual a publicação de livros em latim. Porém, os textos passam a
atingir uma quantidade maior de pessoas, e o latim não era a língua de maior contato das populações letradas
e iletradas.

Espelhando a relação que hoje se estabelece


com o texto, ao tratar do mundo impresso
imaginamos grandes bibliotecas, ou gabinetes
de leitura privados, com espaços para o leitor,
em um momento de reflexão ou quase de
oração, ter contato com as letras e ruminar o
conhecimento adquirido.

Durante a Época Moderna, esses espaços


existiam, e esse tipo de relação com a leitura
também existia.

Porém, não era o mais comum para o tipo de produção textual das oficinas de impressores mais
corriqueiros naquele tempo.

Os relatos de viagens, de guerra, de eventos políticos e astrológicos eram compostos de textos pequenos, de
fácil circulação e, geralmente, baratos. Esse tipo de publicação, diferentemente dos livros e tratados, era feito
para a leitura ordinária.

Com frequência, essa leitura não era realizada


individualmente.

À semelhança de decretos reais ou municipais, panfletos e


relatos eram lidos por uma ou mais pessoas em voz alta; ou
seja, até mesmo aqueles que não podiam ou não sabiam ler
tinham algum tipo de contato com aquele impresso.

Em suma, a leitura individual e a leitura em voz alta não


eram concorrentes: ocupavam simultaneamente funções
distintas e similares na apreensão dos conteúdos textuais.
O melhor exemplo para esse tipo de contradição reside nas pregações de padres, párocos e pastores.
Martinho Lutero pregando no Castelo de Wartburg , quadro de Hugo Vogel.

Esses personagens da religiosidade, em seu contato mais direto com os fiéis, antes de realizarem seus
discursos, tinham contato com algum texto que baseasse suas considerações. Após esse contato privado
(mesmo que mediado por alguma outra autoridade religiosa), o sacerdote apresenta à sua congregação suas
opiniões.

Nessa lenta e contraditória relação dos textos e seus leitores, um momento histórico tornou-se importante em
uma maior pessoalidade da leitura, especialmente de textos religiosos: as Reformas Protestantes.

Seja pelas críticas à estrutura da Igreja – e sobre esse assunto muito se publicou no século XVI –,
seja pelas guerras de religião que tomaram conta da Alemanha, Itália e França – não só, mas
principalmente –, as Reformas exerceram um papel crucial na história da imprensa na Europa.

Figuras como Martinho Lutero, o autor das 95


teses contra a Igreja romana, associaram-se a
impressores para espalhar pela população seus
pensamentos. O historiador alemão Aby
Warburg investigou o uso de mapas astrais por
Filipe Melâncton, astrólogo e reformista, para
justificar a procedência e os feitos de Lutero
contra Roma, destacando que modelos de
escrita tradicionais na cultura ocidental
continuaram a ser utilizados na defesa de
transformações sociais e religiosas.

No mesmo passo, textos de cunho religioso Martinho Lutero.

exerceram um papel importante nessas novas


formas de conceber a relação dos homens
entre os homens e destes com o divino.

Gradativamente, segundo Barbier, observa-se um tipo de uso da imprensa para fornecer leituras cada vez
mais pessoais e individualizadas. Acompanhadas pela expansão no comércio de livros, panfletos e notícias, as
religiões reformadas foram um palco importante não só para as guerras de religião na Europa, mas também
para disputas fervorosas na opinião.

O nascimento da imprensa
Fique agora com um debate sobre o nascimento da imprensa. Vamos lá!
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O papel da imprensa na circulação de informações

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Dos impressores aos livreiros

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A construção do mundo dos leitores

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Verificando o aprendizado

Questão 1

A invenção dos tipos móveis, no século XV, trouxe inovações para as formas de reproduzir textos, criando a
imprensa, por meio da atuação de agentes sociais específicos. Ao passo que os autores concebiam e
materializavam em escrita as ideias, os impressores

cumpriam somente a função de imprimir os textos que iriam ser comercializados.

apenas vigiavam o trabalho dos verdadeiros responsáveis por publicar textos, os aprendizes.

eram os responsáveis por imprimir os textos e, em muitos casos, vendê-los em suas oficinas.

lidavam com as editoras que possuíam redes de circulação por todo o mundo desde o século XIV.
E

tinham de construir suas oficinas criando novas formas de imprimir em todas as cidades onde se
estabeleciam.

A alternativa C está correta.


Os impressores eram os responsáveis pela impressão dos textos que circulavam na Europa após a invenção
da imprensa no século XV. Durante muito tempo esses impressores mantinham lojas em suas oficinas,
executando também a função de comércio dos textos.

Questão 2

Segundo o historiador francês Frédéric Barbier, um contexto de mudança generalizada no século XV foi
fundamental para o sucesso da imprensa na Europa. Assinale a opção que sintetize os três fatores que,
aliados à renovação intelectual e cultural do Renascimento, deram base para o surgimento da imprensa.

A divisão de grandes livros em capítulos – Uso mais extenso do papel – A técnica das xilogravuras.

A criação dos tipos móveis – Invenção da tinta a óleo – Aperfeiçoamento dos transportes marítimos.

Aperfeiçoamento dos transportes marítimos – Uso mais extenso do papel – Construção de redes de circulação
de bens úteis.

Uso mais extenso do papel – A criação dos tipos móveis – A existência de redes de aprendizagem profissional.

A técnica das xilogravuras – A existência de redes de aprendizagem profissional – Aperfeiçoamento dos


transportes marítimos.

A alternativa A está correta.


Segundo Frédéric Barbier, aliada à renovação intelectual proveniente do Renascimento nas repúblicas
italianas, estiveram presentes três inovações técnicas e práticas. Dos ambientes universitários, emergiram
as divisões em capítulos de livros antes inteiriços e de difícil locomoção e até mesmo de cópia. Em seguida,
o autor aponta a guinada na compilação de exemplares a partir do uso mais alargado do papel, em
contraposição aos outros materiais mais caros e de difícil manuseio, como o papiro e o pergaminho. Por fim,
uma técnica já conhecida dos artesãos da Época Moderna na Europa foi dilatada, de modo a servir ao
universo da escrita: as xilogravuras. Técnica de gravação de imagens e textos em madeira, a xilogravura
cumpriu importante papel mesmo no universo dos manuscritos, especialmente como carimbo e forma de
decoração.
2. A criação e proliferação das mídias

Os gêneros da comunicação de escala ampliada


Os primeiros gêneros da comunicação de massa
Explicitadas as formas de execução e técnicas aplicadas para a implantação da imprensa no mundo moderno
europeu, torna-se necessário um aprofundamento nos motivos e temas centrais da imprensa a partir dos
séculos XVII e XVIII. Apesar do salto temporal aqui proposto, é fundamental ter em mente que a tipografia e
seus métodos de uso foram sendo expandidos para regiões das mais diversas da Europa. Nesse sentido, seu
emprego também o foi.

Ao passo que o foco inicial da imprensa, tomando como exemplo a própria oficina de Gutenberg, eram os
livros, outros formatos de escrita e de sua veiculação foram explorados.

Relembrando
Já mencionamos panfletos, por exemplo, pela sua facilidade de comercialização, disposição imagética e
com número reduzido de texto, o que otimizava a leitura, especialmente a realizada em voz alta.

Talvez inspirada nessa simplicidade de transmissão de conteúdos é que tenham surgido os primeiros jornais.

As revistas feirais, como as denomina André Gürtler, foram um dos momentos de despertar para o potencial
econômico de publicações periódicas.

Nesse caso, entre os anos de 1579 e 1588, foram


publicados inicialmente quatro volumes da Relatio Historica
(Relação Histórica) do jurista e matemático Michael von
Aitzing.

Apesar de não ser uma novidade a descrição de episódios


recentes de outras localidades, as Messrelation foram um
sucesso quando Aitzing casou suas publicações com as
feiras de Frankfurt e Leipzig. Ou seja, além de informativo,
seus impressos tornaram-se periódicos. Esse tipo de
empreitada tornou-se tão popular e vantajosa, que durou
até, pelo menos, o século XIX, para além do fato de que foi
Messrelation de Frankfurt, ou seja: narrativas modelo para muitos outros periódicos semestrais.
semestrais das últimas histórias do estado e do mundo.
Sob o nome de Nieuwe Tijdinghen (em português, Novas
Notícias), funcionou um periódico, na Antuérpia, entre os
anos 1600 e 1630, sob a direção de Abraham Verhoeven, o primeiro fora do universo linguístico alemão.
Seu principal propósito foi descrever os
sucessos do governador dos Países Baixos
contra as Províncias Unidas, assumindo depois
uma função noticiosa semanal.

Mas será ainda na Alemanha que surgirá uma


nova forma de oferecer notícias a um público
leitor cada vez mais amplo, os diários.

Apesar da intenção de cobrir todos os dias com


notícias, a dependência do serviço postal
Nieuwe Tijdinghen.
tornava a publicação rarefeita.

Contudo, na disposição textual, fazia-se questão de dividir os dias com seus fatos mais notórios.

A partir de 1620, então, publicações diárias, ou quase isso, começaram a aparecer nas ruas das cidades
alemães, não sem levantar uma disputa entre dois setores envolvidos nesses impressos:

1 2

Os responsáveis pelo correio Os impressores

André Gürtler aponta que foi comum, durante o século XVII, encontrar disputas judiciais entre chefes de
serviços de correio e editores de publicações semanais ou diárias. Um dependia do outro, e havia uma
resistência para realizar empreendimentos conjuntos e dividir os lucros.

A criação e proliferação dos jornais, fases da imprensa


Impressos na tarefa de noticiar e informar
A expansão do comércio de notícias só se tornou mais lucrativa com a contínua importância assumida pelas
oficinas de impressores na publicação de textos periódicos.

Em se tratando de gradativas formas de periodicidade noticiosa, o exemplo do mercado de impressos em


Portugal do século XVII é emblemático. Para aquilo que se chama de textos com feições jornalísticas, José
Tengarrinha (1989, p. 27-30) ressalta três publicações de destaque:
As Relações

Publicadas em 1626 e 1628, as Relações são de Manuel Severim de Faria.

A Gazeta da Restauração

Publicado de 1641 a 1647, no contexto da Guerra de Restauração da monarquia portuguesa. Elas são
de fato o primeiro periódico português.

O Mercúrio Português

Editado pelo diplomata e político António de Sousa de Macedo, entre os anos de 1663 e 1666. São o
segundo periódico português.

As Relações tratavam-se de textos curtos, geralmente descrevendo episódios específicos seja ali em Portugal
continental, suas possessões ultramarinas ou em qualquer outra região que importa de alguma maneira aos
portugueses.

Muitas dessas Relações circulavam em manuscritos, como muitas obras do próprio Manuel Severim de Faria
que, pelo menos desde 1606, escrevia notícias que importavam aos portugueses. Outros exemplos podem ser
considerados, como notícias de guerras ou dos feitos de religiosos em outros continentes, como da
Companhia de Jesus, por exemplo. Veja as obras citadas a seguir:
Relação universal de Manuel Severim de Faria.
Relação annval das covsas da Companhia de Jesus.

Apesar de sua menor quantidade de páginas em relação a livros e tratados, as Relações possuíam dezenas de
páginas, concentradas em descrições detalhadas de alguns poucos eventos. As Gazetas tiveram função
distinta.

Qual era a função das Gazetas?

Resposta

Publicadas no contexto da Restauração portuguesa, as Gazetas atendiam à necessidade de informar


e de conciliar os portugueses em torno do tema central que era o financiamento e engajamento dos
súditos na guerra contra seus antigos dominantes, os espanhóis. Ainda que sua periodicidade não
estivesse completamente assegurada, a procura por textos avulsos sobre as novidades de Cortes,
batalhas, acordos, casamentos, catástrofes climáticas etc. era certa.

Em seu estudo sobre essas formas de publicização da informação, Jorge Sousa e Maria Érica Lima detalham
que:

Tanto as Relações quanto as Gazetas, predominantemente, estavam voltadas para temas militares e
conflitos bélicos, e depois seguidos por temas relacionados à vida social e religiosa ou para
questões administrativas e diplomáticas do Estado.
Esforços editoriais da primeira metade do século XVII, essas plataformas de notícias convivem com grandes
inconsistências na maneira de dispor o texto, nos formatos de comercialização, no público-leitor e na
circulação em outras cidades do Império português.

Na década de 1660, o cenário político de Portugal já é outro. Envolvido em uma guerra há 20 anos, era preciso
voltar a engajar a população para os esforços armados contra os espanhóis. O Mercúrio Português – uma
referência ao deus romano, que na Grécia era chamado de Hermes, conhecido por ser o mensageiro dos
deuses –, cumpriu essa função. Veja mais!

Batalhas e combates
O conteúdo do Mercúrio Português se concentrava, sobretudo, nas
batalhas e combates entre portugueses e seus aliados contra os
espanhóis e seus mercenários (detalhe importante para diminuir a
adesão dos súditos espanhóis à guerra).

Tramas políticas
De outra parte, é possível conhecer, ao folhear as páginas do Mercúrio,
algumas das tramas políticas do palácio, já que esse foi um período de
inquietação após a morte do rei D. João IV, aquele que havia iniciado a
restauração do trono.

O caso português permite um olhar mais profundo sobre as estratégias, durante o século XVII, de expansão de
notícias por meio da imprensa. Nesse processo, as transformações técnicas não são as únicas que importam.
Como foi possível observar, alguns elementos de sensibilidade pública mobilizaram tanto os escritores e
impressores, quanto o público-leitor e consumidor desses impressos. Durante o século XVIII, tal processo
levaria em conta não somente os problemas de ordem política, militar e diplomática.

A diagramação de cartazes, o estudo do poder das imagens sobre os sentidos e questionamentos sobre a
habilidade dos signos e seus significados na mente humana foram fundamentais pra transformar a relação do
mundo impresso e o comércio de outros produtos para além de livros e jornais.

A mídia impressa e expansão da fama


As relações da mídia impressa e a expansão da fama
Antes dos outdoors, anúncios personalizados e jingles montados para ficar na memória dos consumidores, a
propaganda se estabeleceu de uma maneira bem mais sutil. Em verdade, desde a invenção da imprensa e da
popularização de seus meios de reprodução atingirem espaços geográficos dos mais distantes, realiza-se
propaganda.

Em seu sentido dicionarizado, “propaganda” significa propagar ideias por meio de expedientes que
influenciarão a opinião das pessoas.

A partir desse sentido, podemos até afirmar que foi com esse propósito que a imprensa foi aperfeiçoada.

Como dissemos, as religiões reformadas, a partir do século XVI, tornaram-se as importantes operadoras do
potencial de alcance dos impressos. Assim, antes de chegar ao mundo comercial de produtos cotidianos –
coisa que só será realidade a partir do século XIX –, a propaganda será utilizada por ideologias políticas e
religiosas.
Os panfletos eram o principal instrumento:

Geralmente uma folha impressa com diferentes usos de


tipografia, em diferentes tamanhos, chamando atenção para
dizeres que facilmente seriam reproduzidos e informações
complementares no resto, às vezes com imagens.

Diferentemente dos livros, os panfletos possibilitavam uma


maior circulação:

Exemplo de panfleto.
• seja pela maior quantidade destes que poderia ser impressa
de uma vez; ou
• seja pela facilidade de dobrá-los e disfarçá-los quando de alguma fiscalização.

Esta última função era importante em contextos de guerra de religião, como ocorreu na Itália, Alemanha e
França no século XVI.

Outro contexto de disputa política e religiosa também permite perceber quão poderosa foi a expansão dos
impressos e de seu impacto imediato: as Revoluções Inglesas do século XVII. Esse longo período, marcado
pela disputa entre o Parlamento inglês – composto por duas Câmaras, a Câmara dos Comuns e a Câmara dos
Lordes – e a Monarquia inglesa, provocou sucessivas mudanças de:

• Dinastia.
• Formas de governo à frente das ilhas britânicas.
• Ideias que circulavam pelo país.

Antes da Guerra Civil instaurada no país entre esses dois poderes, a Inglaterra já era espaço privilegiado de
discussão política e religiosa.

Ao contrário de muitas monarquias na Europa, a Reforma havia se instalado no país, e a defesa da


liberdade religiosa tornou-se um importante estandarte para muitas das religiões que surgiram no
século XVI.

O século XVII foi palco de inúmeras revoltas na Europa, sendo uma destas a Restauração da Coroa
portuguesa, iniciada em 1640 e mencionada no tópico anterior.

Relembrando
Com o apoio da monarquia portuguesa recém-empossada no trono, observam-se algumas iniciativas de
informar e mobilizar a população por meio da comercialização de gazetas.

Nas páginas desses impressos encontramos descrições, geralmente elogiosas, dos feitos portugueses na
guerra contra a Espanha, expandindo para regiões cada vez mais distantes um elemento fundamental da vida
em comunidade: a fama.
Ainda que não tenha sido a primeira vez que esse tipo de recurso era aplicado, as gazetas elevam
alguns personagens da cena política portuguesa ao passo que depreciam outras, seja descrevendo
batalhas ou embaraços na Corte de Lisboa.

Para além de ideias e de concepções filosóficas, a


propaganda também exerce seu papel em criar heróis e
vilões na história política do país, aplicada onde quer que
seja.

Mais à frente na nossa linha temporal, e na virada da Época


Moderna para a Idade Contemporânea, Jacques-Louis
David impõe operação semelhante às suas pinturas.

Em Marat em seu último suspiro (1793), David fixa Jean-


Paul Marat como um mártir, um editor de um jornal de
denúncia dos traidores da Revolução Francesa – iniciada em
A Morte de Marat, 1793. 1789.

Na pintura, assim como nos jornais de Marat, nas gazetas


da Restauração portuguesa ou dos panfletos libertários ingleses do século XVII, sentimos os personagens e
suas mensagens: o poder da imagem e das palavras impressas está em persuadir aquele que vê e lê e
convidá-lo à ação.

Os jornais, a política da Revolução Francesa e o nascimento da imprensa


Fique agora com um debate sobre a Revolução Francesa e os jornais. Confira!

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Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

Os primeiros gêneros da comunicação de massa

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Impressos na tarefa de noticiar e informar

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As relações da mídia impressa e a expansão da fama

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Verificando o aprendizado

Questão 1

Os jornais nascem de uma necessidade de aumento da periodicidade no fornecimento de informações e


notícias para um público-leitor cada vez maior. Segundo o historiador alemão André Gürtler, as “revistas
feirais” foram uma das primeiras iniciativas precursoras dos jornais, já que

eram comercializadas todos os dias nas ruas das principais cidades da Europa.

eram impressos informativos com periodicidade garantida, pois eram comercializados nas feiras semestrais de
Frankfurt e Leipzig.

criaram o gênero jornalístico, com diferenças tipográficas, imagens e dicas culturais.

eram comercializados toda semana nas feiras e mercados que eram comuns nas cidades italianas e alemães.

descreviam os principais eventos a cada mês, quando eram comercializados nas tendas dos impressores que
se reuniam nas feiras urbanas.

A alternativa B está correta.


As "revistas feirais", como as denomina André Gürtler, foram um dos momentos de despertar para o
potencial econômico de publicações periódicas. Nesse caso, entre os anos de 1579 e 1588, foram
publicados inicialmente quatro volumes da Relatio Historica (Relação Histórica; relações eram formas de
publicações de descrição mais curta e direta sobre determinados eventos), do jurista e matemático Michael
von Aitzing. A construção de impressos, de cunho informativo, de formas de difusão de conhecimentos, ou
mesmo de formas de lazer multiplicam-se. Elas não criam ou vendem nada especificamente, mas são um
processo experimental que se torna algo poderoso.

Questão 2
Como circula a informação? A quem interessa? Qual seu meio ou forma? Tudo isso só pode ser explicado pela
relação entre o meio – mídia impressa – e as formas, como a propaganda. Sobre a relação entre a mídia
impressa e a propaganda, a opção que está correta é a seguinte:

A propaganda está presente desde o principio da circulação de impressos, visto que houve um considerável
aumento na compra de produtos de uso cotidiano na Europa a partir do século XV.

Desde o começo da popularização da imprensa as propagandas são utilizadas para promover os eventos das
cortes e festas de príncipes europeus.

Os primeiros jornais contavam com formas sofisticadas de promoção de personagens culturais relevantes.

Um aumento considerável da circulação de impressos promoveu os impressores e suas redes de comércio, o


que contribui para o aumento de suas vendas.

Impressos como as Gazetas do século XVII eram responsáveis por informar, mas também por divulgar ideias e
construir opiniões acerca de personagens políticos.

A alternativa E está correta.


A dinâmica de circulação era intensa a partir do momento em que os meios se transformaram. Papéis,
jornais, divulgação, passam a criar uma nova relação entre as cidades. Nesse sentido, a propaganda, como
forma de propagar ideias, coisas, e valores, passa a ser fundamental.
3. A imprensa no mundo luso-brasileiro na modernidade

A Censura e controle das organizações sobre a Informação


Os censores e o tribunal do Santo Ofício
A expansão da imprensa trouxe uma revolução para as formas de se produzir e veicular ideias, já que não
circulariam somente por meio da oralidade e dos livros, novas formas de escrita passaram a imperar no
mercado de impressos.

Diante desse alargamento nos veículos da informação, e da propagação geográfica de textos editados em
tipografias, como já vimos até então, figuram também algumas ideias que questionam as estruturas legais,
sociais, culturais e religiosas vigentes. O exemplo mais objetivo desse tipo de realidade foi o movimento das
Reformas Protestantes do século XVI em diante.

Apesar da força desses movimentos em territórios como a


atual Alemanha, Itália, Inglaterra e França, em regiões como
Espanha e Portugal as Reformas não conseguiram criar
raízes resistentes.

Isso se deve, sobretudo, à existência de uma instituição


criada no final da Idade Média, mas que teria sua atuação
maior somente na Época Moderna: a Inquisição.

Fundada na perseguição às dissidências religiosas, durante


a Época Moderna o tribunal inquisitorial obedecia às
Execução da protestante Anne Askew em 1546, em autoridades locais, e não à centralidade de Roma.
Londres.
No imaginário sobre a Idade Média, a Inquisição ficou
marcada pela caça às bruxas, com a publicação de manuais para perseguição e eliminação de pessoas
consideradas bruxas, com especial assédio às figuras femininas. No entanto, o tribunal possuía uma
complicada relação com as autoridades civis:

Seja... Seja...

...no recrutamento de inquisidores e o status ...pelas censuras impostas a textos publicados.


social que isso representava.

Esse foi, inclusive, o espaço de atuação mais próspero da Inquisição, com alguns de seus modelos de censura
sobrevivendo até depois da sua própria extinção, no século XIX. Nenhum livro, panfleto ou notícia podia
circular nas ruas das cidades ibéricas sem as autorizações inquisitoriais e da diocese local.

Exemplo
A Gazeta de Lisboa de 1642, o primeiro compêndio noticioso de Portugal, publicado com apoio da Coroa
portuguesa e com interesse das autoridades religiosas, só pôde circular depois de dois meses de
avaliação de seu conteúdo pela Inquisição e pela diocese de Lisboa.
Ou seja, mesmo que houvesse o interesse de colocar um extensivo público-leitor a par das novidades acerca
da monarquia portuguesa e dos rumos do país, havia também a preocupação de controle de quais
informações atingiram esse público.

Dessa maneira, é possível identificar na


Espanha e Portugal uma resistência àquilo que
ganhou o centro dos debates intelectuais
ingleses e franceses no século XVIII:

A liberdade de expressão.

Considerado um dos pilares da mídia


contemporânea, havia instituições
reconhecidas e aceitas pela população,
especialmente por meio da cultura educacional
católica, responsáveis pela fiscalização daquilo
que era veiculado nos impressos.

Para além do papel de censora, a Inquisição também era responsável pelo controle do preço desses
impressos. Juntamente da leitura e do recorte de trechos considerados impróprios à crença cristã – católica –,
os textos eram taxados, e sua circulação monitorada.

Quando um texto era comercializado com um preço acima daquele previamente acordado e
estampado em suas primeiras folhas, ele podia ser retirado de circulação pelos inquisidores e seus
funcionários.

Vejamos a seguir as etapas do processo de análise dos textos submetidos para publicação pelos censores:

Etapa I

Na leitura dos textos submetidos para publicação, os censores procuravam, em primeiro lugar,
apontar passagens que ferissem a moral cristã, os preceitos da ortodoxia e vigiar a quem o texto se
direcionava – seja o público ou se era um texto de ataque a alguma figura pública.

Etapa II

Terminado os apontamentos feitos pelos censores, o texto devia ser revisado pelo autor.

Etapa III

Depois da revisão, passaria novamente pelo tribunal e também por alguma autoridade civil, em
Portugal, geralmente era submetido ao Desembargo do Paço. Nessa etapa, recebia o preço pelo qual
seria comercializado.

Na maioria das publicações desse período em Portugal, é possível acompanhar esse processo pelas primeiras
páginas da publicação, onde estão presentes as licenças de circulação.

Mesmo que acostumado à manutenção da ordem moral e religiosa, o Tribunal do Santo Ofício exerceu a
função de censor das obras que circulariam nos países ibéricos. Esse papel foi empreendido depois pelos
Estados nacionais, seja em contextos de exceção política ou não.
Circulação de notícias e impressos no Brasil do século XVIII
As redes de construção de saberes na colônia brasileira
Durante o período de manutenção do Brasil como colônia de Portugal, e por conseguinte, submisso à direção
do Império português a partir de Lisboa, era proibida a existência de imprensa no território americano. Ou seja,
não era permitida a instalação de oficina para impressores no Brasil. A proibição de instalação, contudo, não
refletia a efetiva inexistência de impressores.

Não fossem as restrições coloniais impostas pela Corte portuguesa, outros fatores se encarregariam de
sufocar as tipografias na América. Inúmeros elementos contariam para a inexistência e, em alguns casos,
falência de impressores:

• O preços dos papeis.


• A escassez de trabalhadores qualificados, sejam alfabetizados ou mesmo conhecedores da arte
gráfica.
• Um parco público-leitor, o que talvez seja o principal motivo.

Para esse cenário de escassez para o mercado livreiro e de impressos em geral, algumas das principais
cidades da América contavam com as Gazetas para manter a sobrevivência de seus impressores, como é o
caso da Gazeta de México, de 1722, e da Gazeta de Lima, de 1744.

Gazeta de México, de 1722.


Gazeta de Lima, de 1744.

Apesar das visíveis adversidades, e pelo aparente desprezo dos moradores da América portuguesa pelo
mercado de livros, em 1747 instalou-se no Rio de Janeiro um dos mais importantes impressores de Lisboa da
época: Antônio Isidoro da Fonseca.

Os motivos para sua mudança para local tão distante da efervescente Corte portuguesa são incertos e
muitos, eles vão:

Desde a...
Até a...
...ameaça de perseguição pelo Tribunal do
...possibilidade de exploração de um
Santo Ofício por supostos envolvimentos
mercado infértil no Brasil.
com judeus.

A motivação mais explícita, contudo, parece ter sido o convite do Governador do Rio de Janeiro e das Minas
Gerais, Gomes Freire de Andrade, para se instalar naquela que se tornaria uma das cidades mais importantes
do Império português. Antes mesmo de Isidoro da Fonseca, a Coroa emitia ordens para a contenção de “letras
impressas” no Brasil, o que reflete a existência, em algum lugar da Colônia, de pessoas que tentavam
implantar tipografias.

A contenção de oficinas, contudo, não representa a inexistência de livros, folhetos e notícias impressas no
Brasil durante seu período colonial, que se estende até, pelo menos, 1808.
Os espaços coloniais, mesmo que de forma reduzida em comparação às metrópoles, também
possuíam leitores. Assim, esse público era atendido pelos livreiros, comerciantes de livros que
realizavam o translado de obras, geralmente encomendadas, do Velho para o Novo continente.

Em alguns espaços, como nas colônias inglesas na América, esse fluxo era recíproco, com publicações na
Europa de autores americanos.

Entre os anos 1770 e 1800, em virtude dos tratados territoriais entre Portugal e Espanha, a América Meridional
foi palco de uma circulação maior de cientistas, especialmente de astrônomos e engenheiros.

Para o exercício de suas funções, precisavam de


instrumentos científicos para suas observações
astronômicas, como:

• astrolábios
• telescópios
• quadrantes

Estes eram responsáveis pela apuração das coordenadas


geográficas que haviam sido delimitadas nos tratados.

E, para além dos instrumentos, amparavam seus cálculos e anotações em livros de referência, para além dos
artigos científicos de autoridades no assunto.

Tanto livros quanto instrumentos eram fruto de encomendas pelos cientistas, que dependiam do comércio
ultramarino, e de intensa troca de correspondências para atender às necessidades dos engenheiros e
astrônomos. Segundo Heloísa Gesteira, esse cenário pode ser observado na atuação de João Jacinto de
Magalhães, filósofo português estabelecido em Londres na segunda metade do século XVIII.

Vamos enteder como João Magalhães atuou neste cenário?

A atuação de João Jacinto de Magalhães

Magalhães teria desenhado um dos instrumentos utilizados nessas viagens de reconhecimento e


apuração nos sertões do Brasil, instrumento este construído por Jeremiah Sisson, por sua vez um
fabricante de instrumentos reconhecido.

A conexão de Magalhães com os demarcadores que iriam percorrer rios e matas no interior do Brasil,
especialmente na Região Sul, também pode ser observada quando o filósofo estabelecido em
Londres foi selecionado para realizar a compra e envio de livros e estes instrumentos de observação
para o Brasil.

Agora que sabemos um pouco mais sobre a autuação de João Magalhães, é possível compreender que a
circulação de saberes não acontecia de maneira espontânea.

Ela dependia da formação de redes de informação, diante de um público restrito.

A produção e circulação de conhecimentos médicos e naturais do Brasil durante o mesmo período passa por
operações semelhantes, com foco em trocas de:

• Livros;
• Artigos;
• Pranchas com desenhos e aquarelas;
• Animais e plantas.
Parte do reformismo ilustrado que predominou na Europa a partir dos anos 1750, o conhecimento acerca do
mundo natural enfrentou grandes transformações, com estratégias e métodos de catalogação cada vez mais
refinadas e com cadeias de troca de informações igualmente aprimoradas.

Nessas trocas, no caso do Brasil, é possível relacionar figuras centrais como o médico português António
Nunes Ribeiro Sanches, que manteve correspondências com personagens fundamentais para a ilustração na
Filosofia Natural.

Resumindo
Mesmo antes da manutenção de uma imprensa que informaria continuamente a população sobre os
assuntos mais diversos, amplas redes de construção de saberes eram sustentadas no Império
português, com espaço para o território colonial brasileiro. Seja por suas características naturais como
formato dos rios, presença de espécies vegetais e seu potencial de exploração, seja pelo
posicionamento dos astros no céu, ou mesmo pelas particularidades de suas populações, a colônia
portuguesa na América produziu novidades que foram comercializadas e intercambiadas em plataformas
das mais distintas, desde manuscritas a jornais de grande circulação científica.

Vamos conversar um pouco mais com Luis Henrique para pensar sobre como esses aspectos foram
importantes no Brasil.

A imprensa no mundo luso-brasileiro


Fique agora com um debate sobre Portugal e Brasil em termos de imprensa até o século XVIII. Vamos lá!

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Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

Os censores e o tribunal do Santo Ofício

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As redes de construção de saberes na colônia brasileira

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A produção e circulação de conhecimentos médicos e naturais do
Brasil

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Verificando o aprendizado

Questão 1

O Tribunal do Santo Ofício, também conhecido por Inquisição, executou importante papel no controle de
textos publicados em países como Portugal e Espanha durante a Época Moderna. Selecione a opção correta
sobre o assunto.

Assim como os editores contemporâneos, os censores contribuíam para o texto, adicionando passagens e
trechos que engajassem mais o público-leitor.

Os inquisidores eram responsáveis pela leitura, censura e acompanhamento dos textos desde sua versão
manuscrita até a versão publicada que seria comercializada.

A Inquisição ficou conhecida pelas torturas e perseguições a pessoas e ideias dissidentes, mas também
executou um importante papel na promoção da leitura na população dos lugares onde atuava.

O principal propósito da Inquisição foi o de contenção a ideias dissidentes da ortodoxia cristã, motivo pelo
qual não vetava nem censurava textos que tratassem de outros temas que não fossem os religiosos.

As Reformas Protestantes tiveram pouco impacto na maneira e na força da Inquisição nos países católicos,
pois não representavam perigo às autoridades civis estabelecidas.

A alternativa B está correta.


A ideia de que a informação é algo importante, e que precisa ser controlada, é marcada a partir do papel da
religião junto ao governo. A Inquisição é um processo que é marcante pelo controle da informação, sendo
assim passa a valer o olhar do divulgado em todas as etapas.

Questão 2
O Brasil, colônia de Portugal até o século XIX, contou com reiteradas restrições à instalação de oficinas
tipográficas em seu território. Isso não impediu, no entanto, a circulação de textos impressos. Assinale como
verdadeiro (V) ou falso (F) nas afirmações sobre as exceções às restrições metropolitanas no que se refere à
imprensa no Brasil Colonial.

( ) Por convite do Governador do Rio de Janeiro e das Minas Gerais, instalou-se na capital fluminense o
impressor António Isidoro da Fonseca, em 1747, onde criou oficina tipográfica e imprimiu poucos livros, até ser
mandado de volta para Portugal dois anos depois.

( ) Apesar do grande público-leitor da América portuguesa, a Coroa não permitia a instalação de oficina para
imprensa pelo receio de diminuição da receita que recebia da exportação de livros da Metrópole.

( ) Devido à baixa alfabetização da população residente no Brasil, muito cedo os impressores abandonaram
qualquer desejo de se estabelecer na Colônia, visto que somente no século XIX nasceram iniciativas de
imprensa.

( ) Durante o século XVIII é possível verificar uma intensa rede de comércio de livros impressos na Europa com
o Brasil, principalmente pelas expedições científicas de Filosofia Natural e topográficas no sertão da Colônia.

( ) O Brasil contou com amplo apoio da Metrópole portuguesa em criar uma indústria gráfica, que pode ser
verificado pelos preços baixos de produtos envolvidos nas tipografias, como o papel, tinta e a mão de obra
especializada.

V-V-F-F-V

F-V-V-V-F

V-F-V-F-V

V-F-F-V-F

F-F-V-V-F
A alternativa D está correta.
Livreiros da Colônia eram figuras importantes. Mantinham relações e buscavam o que mais interessava
localmente e, dessa forma, assuntos como Filosofia e Topografia viravam noda na Colônia. Esse reforço é
marcante para entender as relações locais de poder.
4. Conclusão

Considerações finais
Neste conteúdo, procuramos dar conta das transformações ocorridas na criação, disseminação e circulação
de informações e notícias após a invenção da imprensa no século XV. No primeiro módulo, pudemos verificar
os primeiros empreendimentos da indústria gráfica, por meio da concepção de oficinas com tipos móveis, que
agilizaram a reprodução de textos, criando o que conhecemos como imprensa. Vimos, também, os envolvidos
nessa atividade: autores, impressores, negociantes e livreiros. Assim, observamos desde as diferentes
ocupações no mundo dos impressos, até o impacto social de seus ofícios.

No segundo módulo, atentamos especificamente para as formas de massificação da informação. Ou seja, as


formas e ferramentas utilizadas para a proliferação de textos e para a expansão de um público-leitor.
Analisamos as primeiras tentativas de jornais, bem como suas respectivas estratégias de periodicidade. Por
fim, relacionamos o poder da mídia impressa e sua conexão com a propaganda, chamando atenção para a sua
capacidade de formar opiniões e persuadir o público-leitor para determinadas ideias e a fama de atores
sociais específicos.

No último módulo, o foco esteve na contrapartida da liberdade de imprensa, que será usual a partir do século
XIX: a censura. Colocando em primeiro plano o caso de controle e restrição na circulação de notícias e de
impressos no Brasil, especialmente no século XVIII, observamos as estratégias de censura da Metrópole,
assim como as brechas para manutenção de redes de novidades sobre diversos temas.

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Referências
BARBIER, F. Historia del libro. Madrid: Alianza Editorial, 2005.

BOUZA ALVAREZ, F. Imagen y propaganda. Capítulos de Historia Cultural del reinado de Felipe II. Madrid:
Ediciones Akal, 1998.

CONCEIÇÃO, G. C. da. Ciência, poder e circulação de conhecimentos no século XVIII. Ribeiro Sanches e o
Brasil colonial. Topoi, v. 20, n. 42, p. 818-841, 2019.

DIAS, E. G. Gazetas da Restauração: [1641-1648]. Uma revisão das estratégias diplomático-militares


portuguesas (edição transcrita). Lisboa: Ministério dos Negócios Estrangeiros, 2006.

GINZBURG, C. Medo, reverência, terror: quatro ensaios de iconografia política. São Paulo: Companhia das
Letras, 2014.

GÜRTLER, A. Historia del periódico y su evolución tipográfica. Valencia, Campgràfic, 2005.

HALLEWELL, L. O livro no Brasil: sua história. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1985.

HILL, C. O mundo de ponta-cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640. São Paulo:
Companhia das Letras, 1987.

LEOCÁDIO, R. O que é tipografia? – tudo sobre fontes e estilos tipográficos! Futura Express. Publicado em:
2020. Consultado na Internet em: 31 jan. 2022.

LIMA, V. C. Da nova à velha Inglaterra: circulação de impressos profético-políticos entre a colônia e a


metrópole no século XVII. CLIO: Revista de Pesquisa Histórica, n. 36, p. 66-84, 2018.

SCHAMA, S. O poder da arte. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

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SOUSA, J. P.; LIMA, M. E. de O. Periódicos portugueses do século XVII. Revista Brasileira de História da Mídia,
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STONE, L. Causas da Revolução Inglesa (1529-1642). Bauru: EDUSC, 2000.

WARBURG, A. A profecia da Antiguidade pagã em texto e imagem nos tempos de Lutero. In: ______. Histórias
de Fantasma para gente grande: Escritos, esboços e conferências. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p.
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