O que é gestão de risco ou gerenciamento de risco?
A gestão de risco é o conjunto de actividades coordenadas que têm o objectivo
de gerenciar e controlar uma organização em relação a potenciais ameaças, seja qual for
a sua manifestação.
Isso implica no planeamento e uso dos recursos humanos e materiais para minimizar os
riscos ou, então, tratá-los.
É uma estratégia que envolve um trabalho preventivo de se antecipar a possíveis
situações e considerar a prática como parte dos processos da empresa.
Mas inclui também actuar de maneira prescritiva, isto é, quando o risco se manifesta
sem ter sido previsto.
Nesse caso, a gestão de risco busca estimular na empresa um comportamento dinâmico,
para que ela responda com rapidez aos eventos, incertezas e mudanças de cenário.
Para que isso tudo seja possível, é fundamental um bom sistema de monitoramento de
todos os números e acontecimentos relevantes que envolvem a organização.
Tipos de risco
O risco é um efeito da incerteza, um desvio em relação ao curso e objectivos esperados
pelos gestores.
Ele pode ser um evento, uma circunstância ou uma condição futura.
Para entender melhor, veja alguns exemplos:
Acidente de trabalho
Acidente ambiental
Fraude financeira cometida por um parceiro
Perda de funcionário-chave na organização
Evento que virou notícia e fez cair a reputação da marca
Problema na logística de distribuição
Perda de estoque
Dificuldade para obter crédito
Falta de fornecedor
Elevação nos custos de produção
Processos judiciais.
Esses são apenas alguns exemplos de riscos que podem prejudicar uma empresa.
A origem do risco pode ser de ordem financeira (externa ou interna), operacional,
relacionada a falhas humanas, incompetência gerencial ou puro azar.
Reconhecer essa origem é importante, mas a função da gestão de risco não é buscar
justificativas, e sim agir para que esses riscos não se convertam em consequências
negativas para a organização.
Caso já tenham se convertido, o trabalho deve se dar no sentido de amenizar essas
consequências, administrar a possível crise e gerar acções para evitar que o mesmo se
repita no futuro.
Componentes do risco
Um risco costuma ter três componentes: um evento, uma consequência e uma causa.
Veja alguns exemplos que preparamos para você compreender melhor.
Exemplo 1
Imagine que o telhado do depósito de uma fábrica tem um problema e não consegue
impedir que entre água da chuva, molhando os produtos.
Evento: chuva.
Consequência: perda de produtos do estoque.
Causa: falta de manutenção do telhado.
Exemplo 2
Um funcionário do setor de comunicação pediu o desligamento da empresa e
as campanhas de marketing digital que ele planejava deixaram de ser executadas
porque ninguém sabia como fazê-lo.
Evento: desligamento de um colaborador.
Consequência: interrupção no planejamento de comunicação online da
empresa.
Causa: falta de documentação quanto ao processo de criação das campanhas
de marketing digital.
Exemplo 3
Com a alta do dólar, os custos de produção aumentam, e é necessário passar isso para o
consumidor, cobrando mais pelos produtos.
Evento: aumento nos custos de produção.
Consequência: aumento no preço de venda.
Causa: alta do dólar.
Note que a origem do risco pode variar.
Nos exemplos 1 e 2, ele existe por negligência dos gestores, que não fizeram a
manutenção do depósito e não se preocuparam em estabelecer um processo de
documentação das actividades realizadas na empresa.
Já no terceiro exemplo, supõe-se que o preço dos insumos adquiridos para a produção
da empresa variam conforme o câmbio, uma volatilidade (Qualidade do que sofre
constantes mudanças) que não há como impedir.
Isso não significa que não possam ser planejadas ações para evitar a consequência
prevista.
Como procurar alternativas de insumos nacionais, cujo preço não varie de acordo com o
dólar, por exemplo.
A consequência, aliás, pode ser mais de uma, pois uma coisa leva a outra.
Ainda no exemplo 3, o aumento no preço pode resultar em diminuição nas vendas,
entre outras possibilidades.
Como identificar os riscos ocupacionais
Assim como já falado, os riscos ocupacionais são os possíveis acidentes que os
trabalhadores estão sujeitos no ambiente de trabalho. De acordo com o Ministério do
Trabalho, são classificados a partir de suas características: riscos físicos, químicos,
biológicos, ergonômicos e acidentais. Além disso, podem ser divididos em três grupos:
operacionais, comportamentais e ambientais (físicos, químicos ou biológicos,
ergonómicos. todo objecto, condição ou factor no ambiente de trabalho que pode
afectar negativamente a saúde física ou mental dos trabalhadores.).
Dessa forma, qualquer risco dentro do ambiente de trabalho industrial é chamado de
risco ocupacional.
Como classificar os riscos ocupacionais
Os riscos ocupacionais são classificados por cores, como forma de representação gráfica
para garantir que os colaboradores entendam quais são os riscos presentes nos locais de
trabalho. Essa associação dos riscos com as cores permite que as indústrias criem um
mapa de riscos ocupacionais, ou seja, uma planta do local de trabalho com cada
ambiente relacionado à cor ou às cores que representam os riscos do local. Entenda
melhor abaixo.
Riscos físicos – cor verde
Riscos químicos – cor vermelha
Riscos biológicos – cor marrom
Riscos ergonômicos – cor amarela
Riscos de acidentes – cor azul.
O que é avaliação de riscos?
No processo de avaliação de riscos, o usuário analisa sua organização para:
Identificar processos e situações que possam causar danos, principalmente às
pessoas.
Determinar a probabilidade de cada perigo e também a gravidade das
consequências.
Definir quais passos a organização pode dar para impedir que esses riscos ocorram,
ou para controlá-los.
É importante notar a diferença entre risco e perigo. Um perigo é qualquer coisa que
possa causar um dano, como acidentes de trabalho, situações de emergência, produtos
químicos tóxicos, conflitos entre funcionários, estresse e mais. Um risco, por outro lado,
é a chance de um perigo causar danos. Como parte do seu plano de avaliação de riscos,
você identificará os perigos e também calculará o risco ou a probabilidade de o risco
ocorrer.
O objetivo de um plano de avaliação de riscos depende de cada setor, mas, no geral, é
de ajudar as organizações a anteciparem e combaterem riscos. Outros objetivos incluem:
Fornecer uma análise de possíveis ameaças
Prevenir lesões ou doenças
Atender requisitos legais
Informar a todos sobre perigos e riscos
Criar um inventário preciso dos ativos disponíveis
Justificar os custos da gestão de riscos
Determinar o orçamento para solucionar os riscos
Entender o retorno sobre o investimento
As empresas devem fazer uma avaliação de riscos antes de incorporar novos processos
ou atividades, antes de fazer alterações em processos ou atividades existentes (como a
troca de máquinas) ou quando a empresa identificar um novo perigo.
Seguir os passos da avaliação de riscos corretamente é muito importante para o plano de
gerenciamento de saúde e segurança da sua organização, e garante que ela esteja
preparada para lidar com qualquer tipo de risco.
5 passos do processo de avaliação de riscos
Antes de iniciar o processo de gestão de riscos, determine o escopo da avaliação, os
recursos necessários, as partes interessadas envolvidas e as leis e os regulamentos que
você precisará seguir. Em seguida, observe os cinco passos abaixo.
1. Identifique os perigos
O primeiro passo para criar seu plano de avaliação de riscos é determinar quais riscos
seus funcionários e sua empresa enfrentam, como:
Desastres naturais (enchentes, tornados, furacões, terremotos, incêndios etc.)
Perigos biológicos (doenças pandêmicas, doenças transmitidas por alimentos etc.)
Acidentes no local de trabalho (escorregões e quedas, acidentes de transporte,
falhas estruturais, avaria mecânica etc.)
Atos intencionais (greves trabalhistas, manifestações, ameaças de bomba, roubo,
incêndio criminoso etc.)
Perigos tecnológicos (perda de conexão à internet, apagões de energia etc.)
Riscos químicos (amianto, fluidos químicos de limpeza etc.)
Perigos de saúde mental (carga de trabalho excessiva, bullying etc.)
Interrupções na cadeia de fornecimento
Observe seu local de trabalho e descubra quais processos ou atividades poderão causar
danos à sua organização. Considere todos os aspectos do trabalho, incluindo
colaboradores remotos e atividades não rotineiras, como serviços de reparo e
manutenção. Analise também relatórios de acidentes/incidentes para determinar quais
perigos afetaram sua empresa no passado.
2. Determine quem pode ser prejudicado, e como
Ao observar sua organização, considere como seus funcionários podem se machucar
durante atividades comerciais ou por fatores externos. Para cada perigo identificado no
primeiro passo, pense em quem sofrerá caso ele se materialize.
3. Avalie os riscos e tome precauções
Agora que você tem uma lista de perigos potenciais, considere a probabilidade de o
perigo ocorrer, e quão graves serão as possíveis consequências. Isso ajudará você a
determinar onde reduzir o nível de risco e quais perigos deve priorizar primeiro.
Continue lendo para saber como criar um gráfico de avaliação de riscos para ajudá-lo
durante o processo.
4. Registre suas descobertas
Se você tiver mais de cinco funcionários em sua empresa, a lei exige registrar seu
processo de avaliação de riscos. O registro deve incluir os perigos que você encontrou,
as pessoas que seriam afetadas e um plano para reduzi-los. O registro — ou o plano de
avaliação de riscos — deve mostrar que você:
Realizou uma avaliação apropriada do seu espaço de trabalho
Determinou quem seria afetado
Controlou e solucionou os perigos mais eminentes
Tomou precauções para controlar os riscos
Manteve sua equipe envolvida no processo
Para elaborar seu plano de avaliação de riscos, você pode usar o Lucidchart para
visualizar e documentar os processos. Crie uma conta gratuita hoje mesmo!
5. Revise a avaliação e atualize-a se necessário
Seu local de trabalho está sempre mudando, portanto, os riscos para sua organização
também. Novos equipamentos, processos e pessoas também trazem novos riscos e
perigos. Revise e atualize seu processo de avaliação de riscos com frequência para
antecipar novos perigo.