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Fatores do Teste de Rorschach

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Fichamento da obra Psicodiagnóstico de Hermann Rorschach

Capítulo II
Os fatores do experimento

Quando estamos a avaliar as respostas dadas pelo examinando aos borrões


contidos nas pranchas, segundo o autor, o conteúdo substancial das respostas é o último
fator a ser considerado para fins da avaliação psicológica do teste.

Partindo dessas premissa, o autor ensina que é mais importante a investigação das
funções de percepção e apercepção, ressaltando ainda que o teste depende mais de
padrões do que de qualquer outra coisa.

As perguntas mais relevantes a serem realizadas pelo examinador são as seguintes:

1. Quantas respostas obtive no total do examinando?


2. Qual o tempo de reação médio do examinando?
3. Quão frequente é a resistência ou negação apresentada pelo examinando
quando confrontado com as pranchas?
4. A resposta é dada apenas tendo como critério perceptivo o formato estático
da macha ou foi levado em consideração fatores como cor e movimento
na figura?
5. A figura é interpretada pelo examinando como um todo ou apenas
partes/fragmentos do borrão foram levados em consideração para se
produzir a resposta? Se sim, quais partes?
6. E por último: o que o examinando vê?

O autor ressalta que em médio indivíduos normais costumam dar de 15 a 30


respostas e que o número de respostas costuma depender mais de fatores emocionais do
que propriamente associativos/cognitivos neste grupo. Indivíduos deprimidos ou mau
humorados, no caso, costumam apresentar um número menor de respostas.

Por razões diversas indivíduos que apresentam deficiências cognitivas usualmente


oferecem um número maior de respostas se comparados à amostra normal. O autor
ressalta que isso se dá pois indivíduos deste grupo costumam interpretar o teste como um
todo como uma brincadeira, um jogo, e acabam tendo mais prazer durante todo o
processo.
Indivíduos que apresentam transtornos de humor, classicamente tidos como
‘maníacos’, costumam oferecer um número um pouco maior de respostas, enquanto
depressivos estão usualmente dentro da média de 15 a 30 respostas no total.

O número médio de respostas para o grupo dos psicóticos apresenta considerável


variação dependente de fatores como o tipo de psicose, a duração e a gravidade do quadro
psicopatológico.

Segundo o autor o teste dura em média de 20 a 30 min.

O tempo de reação para o grupo dos psicóticos é consideravelmente menor


segundo Rorschach, i.e, esquizofrênicos em geral costumam dar respostas espontâneas e
rápidas quando confrontados com as pranchas, alguns inclusive oferecendo quatro ou
mais respostas em uma fração de impressionantes cinco segundos. O autor destaca que
quão mais grave for o nível de gravidade da psicose o tempo de reação costuma ser menor.

Indivíduos normais quase nunca falham ou se recusam a responder qualquer uma


das pranchas do teste. Ocasionalmente neuróticos podem falhar em algumas pranchas que
eliciam associações traumáticas (complexos até então inibidos vêm à tona). Já se recusar
a responder é a norma para os psicóticos, o autor explica que eles, quase sempre,
repentinamente se recusam a responder pranchas simples, mesmo que até então tenham
apresentado um bom histórico de associações ao longo do período de aplicação do teste,
sendo que tais barreiras são em muitos casos intransponíveis, ao contrário dos demais
grupos, onde resistências a interpretações podem ser facilmente vencidas através de
persuasão gentil por parte do examinador e paciência.

A maior parte das respostas resultam da interpretação da mancha levando em conta


apenas o formato estático, i.e, desconsiderando fatores como como cor e movimento,
sendo que isso se aplica tanto a examinandos normais quanto anormais.

As respostas de forma são designadas por F, enquanto as de movimento e cor por


M e C respectivamente.

As respostas de cor se dão quando o examinando leva em conta a cor e a forma ou


apenas a cor ao elaborar sua resposta para o examinador quando confrontado com uma
prancha cujo borrão apresente qualquer nível de cromatismo.

A frequência total das respostas F, M e C, bem como a proporção entre elas é


fundamental para a avaliação do resultado final do teste.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

RORSCHACH, Hermann. Psychodiagnostics: A Diagnostic Test Based on Perception. New York: Grune
& Stratton, 1942.

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