0% acharam este documento útil (0 voto)
23 visualizações77 páginas

Qualidade da Água no Arroio Bagé: Estudo Qual2K

Enviado por

lucas faturi
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
23 visualizações77 páginas

Qualidade da Água no Arroio Bagé: Estudo Qual2K

Enviado por

lucas faturi
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

See discussions, stats, and author profiles for this publication at: [Link]

net/publication/331649220

Avaliação e modelagem da qualidade da água através do modelo Qual2K:


Estudo de caso do Arroio Bagé. Bagé

Thesis · January 2013


DOI: 10.13140/RG.2.2.25438.89926

CITATION READS

1 137

1 author:

Tamiris da Costa
University College Dublin
28 PUBLICATIONS 306 CITATIONS

SEE PROFILE

All content following this page was uploaded by Tamiris da Costa on 11 March 2019.

The user has requested enhancement of the downloaded file.


1

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

TAMÍRIS PACHECO DA COSTA

AVALIAÇÃO E MODELAGEM DA QUALIDADE


DA ÁGUA ATRAVÉS DO MODELO QUAL2K: Estudo de caso do Arroio Bagé.

Bagé
2013
2

TAMÍRIS PACHECO DA COSTA

AVALIAÇÃO E MODELAGEM DA QUALIDADE


DA ÁGUA ATRAVÉS DO MODELO QUAL2K: Estudo de caso do Arroio Bagé.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Curso de Engenharia Química da
Universidade Federal do Pampa, como
requisito parcial para obtenção do Título de
Bacharel em Engenharia Química.

Orientador: Rodolfo Rodrigues

Coorientador: Alexandro Schafer

Bagé
2013
3

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos


não é senão uma gota de água no mar. Mas o
mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”
Madre Teresa de Calcuta
4

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus que, durante toda a minha vida, não deixou que meus ânimos e
minhas esperanças se abalassem pelas dificuldades.
Em especial, aos meus orientadores, Professor Rodolfo Rodrigues e Professor
Alexandro Schafer pelas instruções, paciência, oportunidade e disposição a mim dedicada
durante todo esse período.
Minha terna gratidão à Professora Luciana Rodrigues, que com carinho me ajudou
nesta etapa final.
Ao Professor, Marcílio de Moraes, por ser um exemplo de profissional e por transmitir
em suas aulas paixão em ensinar.
A toda minha família, em especial aos meus pais, Jorge e Marioneida, à minha dinda,
Dioneida e à minha avozinha, Lia. Além de exemplos a serem seguidos, cada um teve, à sua
maneira, participação fundamental neste trabalho, mesmo que inconscientemente. Pelo amor,
pela atenção, pela força e estímulo transmitidos, pela paciência sem fim, pela dedicação e
apoio irrestrito, cada um deles contribui, diariamente, para a minha formação como
profissional e como ser humano.
Ao meu filho Thael, enviado para ser meu anjo da guarda, pela paciência nos
momentos em que estive ausente e por acrescentar razão, doçura e beleza aos meus dias.
Ao meu namorado, Natanael e a todos os meus amigos, pois tornam minha vida mais
agradável, amenizando as dores e trazendo muitos momentos alegres.
5

RESUMO

A gestão ambiental na Região da Campanha e em especial na cidade de Bagé enfrenta alguns


desafios inerentes ao crescente desenvolvimento agropastoril e ao aumento demográfico com
concentrações urbanas sem planejamento prévio, o que torna cada vez mais importante a
gestão dos recursos hídricos. Os modelos matemáticos são uma das ferramentas que podem
ser utilizadas como auxílio na tomada de decisões, pois fornecem informações sobre os
processos e interações que ocorrem em um corpo hídrico, bem como, seu comportamento
atual e futuro frente às diversas situações, permitindo a predição de danos ou melhorias acerca
da qualidade da água. Este trabalho tem como objetivo fazer a modelagem e avaliação da
qualidade de água, usando o modelo computacional QUAL2K, de forma a gerar uma
ferramenta de apoio ao gerenciamento da qualidade da água no Arroio Bagé, principal
afluente do Rio Negro, localizado no Rio Grande do Sul. Para tanto, o modelo foi calibrado
com parâmetros obtidos de cinco campanhas de amostragem de água realizadas do mês de
agosto de 2013 ao mês de dezembro de 2013 para abranger uma maior sazonalidade
pluviométrica. Os parâmetros utilizados na calibração foram: oxigênio dissolvido (OD),
demanda bioquímica de oxigênio (DBO), potencial hidrogeniônico (pH), condutividade
elétrica, temperatura, sólidos dissolvidos totais e coliformes termotolerantes. Depois de
calibrado e validado com as características do sistema em estudo, tornou-se possível fazer
avaliações da qualidade da água por meio da simulação de situações futuras. Foram
estabelecidos dois cenários de simulação: (i) aumento da vazão atual de lançamento de
esgoto, motivado pelo crescimento populacional; (ii) implantação de uma estação de
tratamento de efluente hipotética que trata o efluente atualmente lançado no corpo d’água para
quantificar a capacidade de autodepuração do rio. Para ambos os cenários, os parâmetros de
qualidade de água resultantes das simulações foram comparados com a Resolução CONAMA
nº 357/05, a fim de avaliar a qualidade da água do rio.

Palavras-chave: qualidade da água, modelagem, QUAL2K, avaliação ambiental.


6

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Comportamento do oxigênio dissolvido, da demanda bioquímica de oxigênio e das


comunidades aquáticas a jusante de um lançamento de efluente. ............................................ 23
Figura 2 - Evolução dos modelos de qualidade da água........................................................... 27
Figura 3 - Divisão de um corpo hídrico segundo o modelo QUAL2K. ................................... 28
Figura 4. Balanço de vazão em um elemento i. ........................................................................ 29
Figura 5 - Balanço de massa. .................................................................................................... 30
Figura 6 - Balanço de energia. .................................................................................................. 31
Figura 7 - Desenvolvimento das atividades do trabalho........................................................... 34
Figura 8 - Arroio Bagé na cidade de Bagé-RS. ........................................................................ 35
Figura 9 – Tributários do Arroio Bagé ..................................................................................... 36
Figura 10 - Indicação dos pontos de coleta na cidade de Bagé. ............................................... 38
Figura 11 - Medições locais com trena. .................................................................................... 39
Figura 12 – Medidor de pH. ..................................................................................................... 40
Figura 13 – Medidor de O2 e agitador magnético. ................................................................... 41
Figura 14 - Medidor de DBO. .................................................................................................. 41
Figura 15 - Medidor de condutividade elétrica e sólidos dissolvidos. ..................................... 42
Figura 16 – Medidor de turbidez. ............................................................................................. 42
Figura 17 - Simulação do parâmetro OD. ................................................................................ 45
Figura 18 - Ajuste do modelo QUAL2K para a variável OD. .................................................. 46
Figura 19 - Simulação do parâmetro DBO. .............................................................................. 47
Figura 20 - Ajuste do modelo QUAL2K para DBO. ................................................................ 47
Figura 21 - Simulação do parâmetro pH. ................................................................................. 48
Figura 22 - Simulação do parâmetro temperatura. ................................................................... 49
Figura 23 - Índice de turbidez nos meses de monitoramento. .................................................. 50
Figura 24 - Simulação do cenário 1 para condutividade elétrica. ............................................ 51
Figura 25 - Simulação do cenário 1 para sólidos dissolvidos. ................................................. 52
Figura 26 - Simulação do cenário 1 para coliformes termotolerantes. ..................................... 53
Figura 27 - Dados de DBO experimentais e suas classes. ........................................................ 54
Figura 28 - Simulação do cenário 2 para demanda bioquímica de oxigênio. ........................... 54
Figura 29 - Simulação do cenário 2 para oxigênio dissolvido. ................................................ 55
Figura 30 - Simulação do cenário 2 para coliformes termotolerantes. ..................................... 56
Figura 31 - Local de coleta no Ponto 1..................................................................................... 62
7

Figura 32 - Local de coleta no Ponto 2..................................................................................... 62


Figura 33 - Local de coleta no Ponto 3..................................................................................... 62
Figura 34 - Local de coleta no Ponto 4..................................................................................... 63
Figura 35 - Local de coleta no Ponto 5..................................................................................... 63
Figura 36 - Ponto 1 com estacas de madeira. ........................................................................... 64
Figura 37 - Medição no ponto 1. .............................................................................................. 64
Figura 38 - Medição no ponto 5. .............................................................................................. 64
Figura 39 - Flutuador lançado no ponto 1. ............................................................................... 65
Figura 40 - Flutuador lançado no ponto 4. ............................................................................... 65
Figura 41 - Tubo de ensaio contendo um tubo de Durhan invertido. ....................................... 66
Figura 42 - Tubos de ensaio tampados. .................................................................................... 66
Figura 43 - Pipetas preparadas.................................................................................................. 66
Figura 44 – Balança eletrônica. ................................................................................................ 67
Figura 45 - Tubos contendo caldo lauril. .................................................................................. 67
Figura 46 - Tubos contendo caldo E. coli. ................................................................................ 67
Figura 47 - Tubos contendo água peptonada. ........................................................................... 68
Figura 48 - Autoclave. .............................................................................................................. 68
Figura 49 - Teste presuntivo. .................................................................................................... 68
Figura 50 - Análise presuntiva. ................................................................................................ 69
Figura 51 - Tubo do teste presuntivo negativo e positivo. ....................................................... 69
Figura 52 - Teste confirmativo. ................................................................................................ 70
Figura 53 - Flambagem. ........................................................................................................... 70
Figura 54 - Repicagem. ............................................................................................................ 70
8

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Classificação do CONAMA para águas doces do território nacional brasileiro. .... 24
Tabela 2 - Padrões dos corpos d'água. ...................................................................................... 25
Tabela 3 - Variáveis consideradas pelo modelo QUAL2K, símbolos e unidades. ................... 29
Tabela 4 - Valores típicos dos coeficientes de remoção a 20°C. .............................................. 32
Tabela 5 - Fórmulas empíricas para o cálculo de . ............................................................ 33
Tabela 6 - Localização dos pontos de coleta. ........................................................................... 38
Tabela 7 - Trechos e elementos do arroio................................................................................. 43
9

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANA Agência Nacional das Águas


ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica
CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente
DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio
DBOC Demanda Bioquímica de Oxigênio Carbonácea
ETE Estação de Tratamento de Efluentes
GM Gabinete do Ministério
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INMET Instituto Nacional de Meteorologia
NMP Número Mais Provável
OD Oxigênio Dissolvido
pH Potencial Hidrogeniônico
VA Visualmente Ausentes
10

NOMENCLATURAS

concentração [kg.m-3]
calor especifico [[Link]-1.K-1]
coeficiente de dispersão longitudinal [m².s-1]
carga do coeficiente de dispersão [m².s-1]
número de Froude [-]
profundidade [m]
fluxo de calor [J.m-2.s-1]
coeficiente de reaeração [s-1]
coeficiente de decomposição da DBO no rio [s-1]
taxa específica de decaimento da DBO [s-1]
vazão [m³.s-1]
vazão de lançamento ou captação de constituintes [m³.s-1]
temperatura [K]
tempo [s]
velocidade média [m.s-1]
volume do elemento [m³]
carga externa introduzida por fontes difusas ou pontuais [kg.s-1]
fontes de calor pontuais e não pontuais [J.s-1]
massa específica [kg.m-3]
11

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 13
2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................................. 15
3 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 16
3.1 Objetivo Geral .................................................................................................................... 16
3.2 Objetivos Específicos ......................................................................................................... 16
4 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................. 17
4.1 Aspectos Gerais - Controle Ambiental da Água ................................................................ 17
4.2 Legislação de Recursos Hídricos ........................................................................................ 17
4.3 Poluição das Águas ............................................................................................................. 18
4.4 Parâmetros Indicadores de Qualidade ................................................................................ 20
4.4.1 Parâmetros físicos ............................................................................................................ 21
[Link] Condutividade elétrica .................................................................................................. 21
[Link] Temperatura .................................................................................................................. 21
[Link] Turbidez ........................................................................................................................ 21
[Link] Sólidos dissolvidos ....................................................................................................... 22
4.4.2 Parâmetros químicos ....................................................................................................... 22
[Link] Potencial hidrogeniônico (pH) ..................................................................................... 22
[Link] Oxigênio dissolvido (OD) ............................................................................................ 22
[Link] Demanda bioquímica de oxigênio (DBO) .................................................................... 23
4.4.3 Parâmetros biológicos...................................................................................................... 24
[Link] Coliformes totais e fecais ............................................................................................. 24
4.5 Classificação dos Rios segundo o CONAMA .................................................................... 24
4.6 Modelagem Ambiental ....................................................................................................... 26
4.6.1 Modelo QUAL2K ............................................................................................................ 26
[Link] Balanço de vazão .......................................................................................................... 29
[Link] Balanço de massa.......................................................................................................... 30
[Link] Balanço de energia........................................................................................................ 31
[Link] Constante de decaimento da DBO ................................................................................ 32
[Link] Coeficiente de reaeração ............................................................................................... 32
5 METODOLOGIA .................................................................................................................. 34
5.1 Definição da Área de Estudo .............................................................................................. 35
5.2 Coletas e Monitoramento.................................................................................................... 37
12

5.3 Dados Hidrológicos ............................................................................................................ 39


5.4 Seleção de Parâmetros de Qualidade .................................................................................. 40
5.5 Dados Meteorológicos ........................................................................................................ 42
5.6 Definição dos Trechos e Elementos ................................................................................... 43
5.7 Dados de Entrada no Modelo ............................................................................................. 43
5.8 Calibração do Modelo ........................................................................................................ 44
5.9 Definição dos Cenários....................................................................................................... 44
6 RESULTADOS ..................................................................................................................... 45
6.2 Segundo Cenário Simulado. ............................................................................................... 53
7 CONCLUSÃO ....................................................................................................................... 57
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 59
APÊNDICES ............................................................................................................................ 62
ANEXOS .................................................................................................................................. 72
13

1 INTRODUÇÃO

Desde seus primórdios, a humanidade vem provocando modificações no meio natural


em que vive. Pode-se dizer que há mais de 100 mil anos, época em que o homem conseguiu
dominar o fogo, as atividades por ele desenvolvidas vêm transformando o meio ambiente
(BASSOI e GUAZELLI, 2004).
A partir da Revolução Agrícola, cerca de 8 mil anos a.C., as transformações que de
início eram pequenas se acentuaram ao longo do tempo, se tornando mais intensas a partir do
século XIX, quando o homem passou a utilizar, cada vez mais, a eletricidade e os
combustíveis fósseis.
Desde este momento vem crescendo a preocupação com o meio ambiente,
principalmente nas últimas décadas, após a sociedade ter tomado consciência do impacto das
atividades humanas. Porém no Brasil ainda são muito escassas bibliografias específicas sobre
o importante tema que envolve a gestão de ecossistemas urbanos.
O processo de gestão ambiental inicia-se quando se promovem adaptações ou
modificações no ambiente natural, de forma a adequá-lo às necessidades individuas ou
coletivas, gerando dessa forma o ambiente urbano nas suas mais diversas variedades de
conformação e escala.
A maneira de gerir a utilização dos recursos naturais é o fator que pode acentuar ou
minimizar os impactos. Segundo Bassoi e Guazelli (2004) a apropriação dos recursos naturais
pela cultura humana quase sempre foi feita de uma forma predatória. No Brasil os seguidos
ciclos econômicos sempre estiveram vinculados a algum tipo de recurso natural, tais como:
pau-brasil, a cana-de-açúcar, a pecuária extensiva, a mineração do ouro e de outros metais, o
extrativismo da borracha e das madeiras nobres e a água, nas suas múltiplas utilizações.
Os problemas de gestão dos recursos naturais têm despertado atualmente interesse
público e a preocupação de profissionais de diversas formações dado o crescimento
desordenado na sua utilização e na degradação de sua qualidade. Estima-se que, atualmente,
mais de 1 bilhão de pessoas vivem em condições insuficientes de disponibilidade de água para
consumo e que, em 25 anos, cerca de 5,5 bilhões de pessoas estarão vivendo em áreas com
moderada ou séria falta de água (SETTI, 2000).
O Brasil é um país com grande riqueza hídrica, porém sua distribuição irregular ao
longo do território aliada a um crescimento exagerado de demandas localizadas e a
degradação da qualidade dos corpos d' água caracterizam quadros de escassez, que é agravado
pela ausência de uma gestão quantitativa eficiente (FONSECA, 2008). Como fator de
14

produção de bens, a larga utilização na indústria e notadamente na agricultura mostra a


importância desse recurso natural.
A qualidade da água não resulta apenas dos fenômenos naturais, dependendo também
da atuação do homem. Mesmo podendo afirmar que a precipitação pluviométrica afeta o
escoamento superficial e a infiltração no solo, a interferência causada pelo homem quer de
uma forma concentrada, como na geração de despejos domésticos ou industriais, quer de uma
forma dispersa, como na aplicação de defensivos agrícolas no solo, contribui de maneira mais
significativa para a introdução de compostos na água, provocando sua contaminação e
colocando em risco a qualidade da água que abastece a população (OLIVEIRA, 2004).
Os padrões de qualidade para os corpos de água no Brasil são estabelecidos pela
Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) nº. 357/2005, que
estabelece padrões referentes ao controle e à manutenção da qualidade do corpo receptor.
Avaliar a qualidade da água é fundamental neste conceito, uma vez que resulta na
prevenção dos impactos futuros através do auxílio à tomada de decisões. Assim, a modelagem
da qualidade da água apresenta-se como instrumento para obtenção de informações sobre os
processos e interações que ocorrem no corpo hídrico.
De acordo com Bonganha (2007), modelagem ambiental é a representação matemática
da realidade, obtida através de modelos idealizados com base no levantamento e interpretação
de dados e observações do sistema real. Estes modelos permitem simular condições reais,
dentro de uma faixa de incerteza, de cenário atual ou futuro de um ambiente, avaliando e
comparando alternativas de gerenciamento para tomada de decisões.
Dessa forma, os modelos matemáticos estão sendo cada vez mais utilizados em
estudos ambientais, pois auxiliam na compreensão dos impactos resultantes das mudanças no
uso da terra e na previsão de alterações futuras nos ecossistemas (RENNÓ, 2000; SOARES,
2003). Para este trabalho, foi utilizado o modelo computacional QUAL2K. Este modelo é
amplamente aplicado em gerenciamento de recursos hídricos e para elaborações de propostas
e cenários futuros, portanto este será utilizado para simular a qualidade da água do Arroio
Bagé, localizado no Estado do Rio Grande do Sul, tendo em vista à avaliação dos impactos
causados devido às modificações propostas.
15

2 JUSTIFICATIVA

A água é um elemento necessário para quase todas as atividades humanas, e seus usos
múltiplos pelo homem, através dos séculos, produziu um enorme conjunto de degradação e
poluição, diminuindo sua disponibilidade. Essa degradação, aliada ao crescimento
populacional vem aumentando a demanda pela água, ocasionando problemas de escassez e
conflitos entre usos e usuários (ANA, 2009).
A gestão de recursos hídricos tem sido referência cada vez mais citada na literatura,
como uma área de extenso potencial para práticas de engenharia. Desde o início da década de
80, houve considerado avanço em relação às discussões sobre temas referentes à
sustentabilidade e à preservação ambiental. Através de uma gestão de recursos naturais
eficiente, é possível observar mudanças e avaliá-las, a fim de assegurar à atual e às futuras
gerações a disponibilidade de água em padrões de qualidade adequados.
Neste sentido, a utilização da modelagem da qualidade de água pode ser considerada
como uma importante ferramenta a ser utilizada em estudos de rios, principalmente no que diz
respeito ao atendimento às metas estabelecidas pela Resolução CONAMA nº. 357/05.
Através da modelagem das variáveis relacionadas à qualidade da água pode-se estimar
a condição ideal de pureza desses rios, a fim de garantir a qualidade adequada ao uso a que
essa se destina. Por meio dos modelos matemáticos é possível compreender os principais
mecanismos dos sistemas hídricos e prever suas reações a estímulos. Este método também
permite prever os impactos resultantes dos cenários hipotéticos simulados, podendo auxiliar
na busca de soluções para a minimização dos impactos ambientais.
Por esse motivo, neste trabalho, foi utilizado o modelo computacional QUAL2K
devido à quantidade de informações que o modelo pode gerar e também ao seu
aperfeiçoamento. Além disso, é uma ferramenta de acesso livre, que se aplica a sistemas
fluviais unidimensionais bem misturados e de fluxo constante.
16

3 OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral

Fazer a modelagem matemática da qualidade da água do arroio Bagé, localizado em


Bagé, no Rio Grande do Sul, utilizando o modelo QUAL2K, de forma a gerar uma ferramenta
de apoio à gestão de recursos hídricos da região.

3.2 Objetivos Específicos

Os objetivos específicos deste trabalho são:


Coletar dados existentes na região de interesse (dados hidráulicos e meteorológicos
retirados do INMET);
Obter dados sobre a qualidade da água, através de cinco pontos de monitoramento;
Avaliar o comportamento da qualidade da água entre agosto de 2013 e dezembro de
2013, no Arroio Bagé;
Calibrar o modelo QUAL2K com os dados coletados, possibilitando a estimativa de
oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), potencial hidrogeniônico
(pH), condutividade elétrica, temperatura, sólidos dissolvidos totais e coliformes
termotolerantes, através de simulações;
Fazer estimativas da qualidade da água por meio da simulação de situações futuras;
Simular no modelo calibrado um cenário hipotético relacionado ao aumento
populacional;
Simular um cenário onde haja variação das cargas poluidoras pelo tratamento das
mesmas de forma a identificar os avanços de certas medidas no comportamento do arroio;
Monitorar a evolução da carga de poluentes ao longo do trajeto;
Avaliar o atendimento à legislação ambiental em todos os cenários investigados de
acordo com os padrões exigidos pela Resolução CONAMA nº. 357/2005;
Sugerir propostas de enquadramento do Arroio Bagé, conforme os resultados das
análises das condições do rio, simulações e usos da água, e se necessário, indicar ações para
que este corpo d’água entre em conformidade com os padrões referentes à sua classificação.
17

4 REVISÃO DE LITERATURA

4.1 Aspectos Gerais - Controle Ambiental da Água

A água é um recurso natural essencial, seja como componente de seres vivos, seja
como meio de vida de várias espécies vegetais e animais, como elemento representativo de
valores socioculturais e como fator de produção de bens de consumo (BASSOI e GUAZELLI,
2004).
Utilizados para diversas finalidades, como abastecimento doméstico e industrial,
irrigação de produtos agrícolas, recreação, atividade pesqueira, geração de energia e
disposição de resíduos, nas últimas décadas os recursos hídricos estão sendo cada vez mais
disputados, tanto em quantidade quanto em qualidade, principalmente em razão do acentuado
crescimento demográfico e do próprio desenvolvimento econômico (MINISTÉRIO DO
MEIO AMBIENTE, 2002).
A questão ambiental é extremamente complexa. Alguns autores discutem que os
fenômenos que compõem os sistemas naturais e os antrópicos são em parte determinísticos,
mas as incontáveis interações que acontecem no meio natural e social adicionam um alto grau
de aleatoriedade ao sistema como um todo (SILVEIRA, 1999).
Outros autores, como Philippi et al. (2004), argumentam que os sistemas ambientais
são processos evolutivos, ou seja, não deterministas, não lineares, irreversíveis e com estados
longe do equilíbrio. Esses processos evolutivos, por meio de suas modificações constantes,
estabelecem uma irreversibilidade dos acontecimentos, em direção a uma maior complexidade
do sistema, determinando a ineficiência da abordagem linear e determinista sobre a questão
ambiental.
A gestão ambiental evoluiu como uma área do conhecimento sobre o meio ambiente e
seu objetivo é administrar e coordenar, na medida do possível, toda a complexidade de
fenômenos ecológicos que interagem com os processos humanos, procurando utilizar os
efeitos benéficos dessa evolução para o desenvolvimento sustentável da espécie humana.

4.2 Legislação de Recursos Hídricos

Segundo LEAL (1998), o marco legal fundamental em relação à gestão dos recursos
hídricos no Brasil, é o Código de Águas, estabelecido pelo Decreto Federal n°. 24.643 de 10
de julho de 1934 e ainda em vigor.
18

Após este marco histórico na legislação nacional, inicia em 1990, a promulgação da


Constituição Federal, que previa o estabelecimento de uma Política Nacional de Recursos
hídricos e de um Sistema Nacional de Recursos Hídricos, mostrando o interesse
governamental de sistematizar a utilização dos recursos hídricos da união, que é fator
preponderante no desenvolvimento do país neste início de milênio (SOARES, 2003).
No Brasil, os padrões de qualidade para os corpos de água são fixados pela Resolução
nº. 357/2005 do CONAMA, que trata dos parâmetros de qualidade dos efluentes lançados em
corpos d’ água e a classificação destes quanto ao seu uso preponderante.
A proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer de suas formas é
competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios. Constitui
também competência a essas partes a melhoria das condições ambientais, legislar sobre a
defesa do solo e dos recursos naturais e responsabilizar os envolvidos por dano ao meio
ambiente (SOARES, 2003).
O monitoramento dos parâmetros de qualidade da água também são de suma
importância para políticas de saúde pública, pois eles fornecem meios para identificar e
diagnosticar os fatores que afetam a qualidade da água. Além disso, estas ações podem
auxiliar na prevenção dos impactos futuros decorrentes de determinados eventos através da
implantação de métodos mais eficazes e econômicos no tratamento da água de uma cidade, de
forma que os usos à jusante não sejam comprometidos.

4.3 Poluição das Águas

O conceito de poluição das águas deve associar o uso à qualidade. Portanto, poluição
das águas, é toda alteração de suas características físicas, químicas ou biológicas, que
prejudicam um ou mais de seus usos preestabelecidos. Chamam-se usos preestabelecidos
porque toda a água disponível, para ser utilizada, deve estar associada a usos atuais ou
futuros, que deverão estar compatíveis com a sua qualidade, também atual ou futura (BASSOI
e GUAZELLI, 2004).
Os efeitos dos poluentes sobre o corpo d’água dependerá da natureza do poluente, do
caminho que o mesmo irá percorrer no meio aquático e da utilização do mesmo (ROCHA et
al. 2004). Além desses fatores, a intensidade da poluição também é determinada pela
capacidade de assimilação dos corpos hídricos em relação aos poluentes, a qual depende das
interações entre condições físicas, químicas e biológicas desse ambiente (LIMA, 2001).
19

De acordo com Bassoi e Guazelli (2004) as fontes de poluição das águas podem ser
agrupadas como segue: poluição natural; poluição causada por esgotos domésticos; poluição
causada por efluentes industriais; poluição causada pela drenagem de áreas agrícolas e
urbanas.
A poluição natural ocorre com o arraste, pelas águas das chuvas, de partículas
orgânicas e inorgânicas do solo, resíduos de animais e de folhas, bem como pelas
características do solo por onde percorre o corpo d’água superficial.
Os esgotos domésticos, contribuindo com elevadas cargas orgânicas e os resíduos
indústrias, com uma série de compostos sintéticos e metais (LIMA, 2001).
Segundo Bassoi e Guazelli (2004) quando os esgotos domésticos, tratados ou não, são
lançados num corpo d’água, eles alteram as características físicas, químicas e biológicas desse
corpo. As características básicas dos esgotos que demandam preocupação com o meio
ambiente envolvem principalmente matéria orgânica, microrganismos patogênicos e
concentrações de fósforo e nitrogênio.
Os efeitos causados na qualidade das águas para os diversos usos vão desde a
contaminação microbiológica, que são causadores de doenças como gastrenterite, febre
tifoide, hepatite e cólera até variações imprevisíveis na qualidade das águas. Este é um dos
principais problemas que interferem na qualidade das águas de abastecimento público.
Principalmente as atividades de origem industrial ou agropecuárias podem acarretar
lançamentos imprevistos de poluentes nas águas localizadas a montante de uma captação para
abastecimento público que as unidade de tratamento de água não têm capacidade de remover.
Exemplos desses poluentes são os corantes, os agrotóxicos, os metais pesados e outras
substâncias que podem prejudicar a qualidade da água tratada e pôr em risco a saúde da
população abastecida. O lançamento de esgotos domésticos também pode proporcionar o
crescimento excessivo de algas em reservatórios. Com isso, normalmente ocorre a liberação
de toxinas pelas algas, com efeitos sobre a saúde do homem, e ainda outras substâncias que
passam gosto e odor as águas.
As atividades industriais geram efluentes com características qualitativas e
quantitativas muito diversificadas. Dependendo da natureza da indústria podem conter
elevadas concentrações de matéria orgânica, sólidos em suspensão, metais pesados,
compostos tóxicos, microrganismos patogênicos e substâncias teratogênicas, mutagênicas e
cancerígenas.
20

Os poluentes inorgânicos, principalmente, por metais, possuem altos fatores de


bioacumulação, sendo consideradas substâncias que se preservam no sistema. Por esse
motivo, prejudicam toda cadeia alimentar (BITTENCOURT, 1997).
Entre os poluentes orgânicos de origem industrial encontram-se detergentes,
compostos de nitrogênio e fósforo, fenóis, entre outros. Compostos de nitrogênio e fósforo
alteram o corpo d’água através da proliferação de algas e cianobactérias, uma vez que são
nutrientes básicos para o crescimento destes microrganismos. Os fenóis e os detergentes
prejudicam significativamente a biota aquática, uma vez que são substâncias muito tóxicas
para peixes e outros organismos aquáticos (MAGOSSI e BONACELLA, 2003).
Na poluição produzida por drenagens agrícolas seus efeitos irão depender das práticas
agrícolas utilizadas em cada região e da época do ano em que se realizam a preparação do
terreno para o plantio, a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas e a colheita.
A retirada da cobertura vegetal da área rural também contribui negativamente,
prejudicando os processos de infiltração, percolação e armazenamento da água, além de
aumentar o escoamento superficial (CREPALLI, 2007). Estes por sua vez, causam
assoreamento dos corpos de água, além de alterações nos padrões de vazão e volume dos
recursos hídricos (PINTO, 2007).
Portanto, pode-se dizer que a poluição da água está diretamente associada ao tipo de
uso e à ocupação do solo, uma vez que refletem a relação entre as atividades
predominantemente desenvolvidas na bacia hidrográfica e o tipo de poluição gerada por cada
uma delas (PINTO, 2007).

4.4 Parâmetros Indicadores de Qualidade

Existe um número bastante grande de indicadores de qualidade e eles podem ser


agrupados de modo a caracterizar os diversos tipos de fontes poluidoras.
Os parâmetros indicadores de qualidade da água quando monitorados podem: avaliar a
evolução da qualidade da água dos corpos hídricos; identificam os trechos de rios onde a
qualidade da água está mais degradada e identificam áreas prioritárias para controle da
poluição dos corpos d’água. Deste modo, o monitoramento dos parâmetros de qualidade de
água é uma ferramenta de extrema importância para a gestão de recursos hídricos. A seguir,
serão mostrados de maneira resumida os parâmetros mais utilizados, entretanto, quando há a
necessidade de estudos específicos de qualidade de água em determinados trechos de rios ou
reservatórios, com o objetivo de caracterizá-los mais detalhadamente, outros parâmetros
podem vir a ser determinados.
21

4.4.1 Parâmetros físicos

[Link] Condutividade elétrica

De acordo com a Cetesb (2007), a condutividade elétrica é uma expressão numérica da


capacidade de uma água conduzir a corrente elétrica indicando a quantidade de sais e metais
existentes e, portanto, representa uma medida indireta da concentração de poluentes. Em
geral, níveis superiores a 100 µS/cm indicam ambientes impactados.
Em vista disso, a condutividade elétrica é considerada uma medida indireta de
poluição, pois através dela é possível quantificar os macronutrientes presentes no meio
aquático e identificar fontes poluidoras (PORTO, 2002 apud SARDINHA, 2008).

[Link] Temperatura

A temperatura da água é função direta da velocidade das reações químicas, da


solubilidade das substâncias e do metabolismo dos organismos presentes no meio aquático,
podendo ser influenciada por fatores naturais provenientes geralmente do regime climático da
região, e antrópicos principalmente através de despejos industriais (BÁRBARA, 2006).
De acordo com Derisio (2007) os efeitos danosos à flora e fauna aquática provocados
pelo aumento de temperatura nos corpos d’água são indiretos, já que um aumento de
temperatura implica na maior movimentação dos seres aquáticos, com consequente aumento
no consumo de oxigênio dissolvido e na diminuição do poder de retenção do gás oxigênio
através desse líquido.

[Link] Turbidez

Turbidez é a propriedade da água de desviar raios luminosos devido à matéria em


suspensão, como argila, silte, substâncias orgânicas, organismos microscópicos e partículas
similares. A presença de turbidez pode ocorrer naturalmente em função do processo de erosão
e artificialmente em função do lançamento de despejos domésticos e industriais, (DERISIO,
2007).
Do ponto de vista sanitário, a turbidez poderá afetar esteticamente os corpos d’água ou
ainda encarecer os processos de tratamento para fins de abastecimento. Outro fator importante
é com relação à flora, que não poderá realizar fotossíntese em função da redução em termos
de penetração de luz, que provocará a supressão da produtividade de peixes (CREPALLI,
2007).
22

[Link] Sólidos dissolvidos

Os sólidos dissolvidos são encontrados naturalmente nas águas devido ao desgaste de


rochas e, em grandes concentrações decorrem do lançamento de efluentes domésticos e
industriais. Sendo que o excesso dessas partículas na água pode causar alterações de sabor
(MACIEL, 2000).
Altas concentrações destes sólidos também aumentam a turbidez, prejudicando a
produtividade da biota aquática, provocam alterações de cor e odor da água, atuam como
carreadores de substâncias tóxicas adsorvidas e, em reservatórios aceleram o processo de
assoreamento e bloqueiam as estruturas de captação d’água (GLEBER, 2002).

4.4.2 Parâmetros químicos

[Link] Potencial hidrogeniônico (pH)

Define o caráter ácido, básico ou neutro de uma solução; deve ser considerado, pois os
organismos aquáticos estão geralmente adaptados às condições de neutralidade e alterações
bruscas de pH podem causar o desaparecimento dos seres nela presentes. Valores fora das
faixas recomendadas podem alterar seu sabor e contribuir para corrosão do sistema de
distribuição (BASSOI e GUAZELLI, 2007).
Além disso, este parâmetro atua diretamente nos processos de permeabilidade da
membrana celular da biota aquática, interferindo, portanto, no transporte iônico intra e
extracelular (SARDINHA, 2008).

[Link] Oxigênio dissolvido (OD)


O oxigênio dissolvido é o parâmetro mais importante para expressar a qualidade de
um ambiente aquático, uma vez que é fundamental para a manutenção dos organismos
aquáticos aeróbios. Um adequado fornecimento de oxigênio dissolvido é essencial para a
manutenção de processos de autodepuração em sistemas aquáticos naturais, os níveis de
oxigênio dissolvido também indicam a capacidade de um corpo d’água natural manter a vida
aquática.
Segundo Libânio (2005), normalmente, águas naturais possuem concentração em
torno de 8,0 mg/L a 25 ºC, sendo a concentração mínima para a manutenção da biota aquática
na faixa de 2,0 mg/L a 5,0 mg/L.
Esta concentração pode ser reduzida pelo lançamento de resíduos orgânicos, através
do consumo de OD pelos microrganismos nos seus processos metabólicos de degradação da
matéria orgânica (VON SPERLING, 1996). Assim como a concentração de OD pode ser
23

reduzida, ela também pode ser saturada. Isto é, as saturações de OD podem ser oriundas de
processos fotossintéticos, indicando eutrofização do sistema aquático. Águas eutrofizadas
podem apresentar concentração de OD maiores que 10 mg/L, mesmo em temperaturas
superiores a 20 ºC (CREPALLI, 2007).
De acordo com a ANEEL (1999) os fatores que mais influenciam a concentração
desse gás no ambiente aquático são a temperatura da água (quanto maior, menor será a
concentração de OD presente no meio hídrico), a pressão atmosférica e a salinidade.

[Link] Demanda bioquímica de oxigênio (DBO)


A DBO de uma água é a quantidade de oxigênio necessário para estabilizar a matéria
orgânica através de uma decomposição microbiana aeróbia.
Despejos de origem predominantemente orgânica proporcionam os maiores aumentos
em termos de DBO num corpo d’água. A presença de um alto teor de matéria orgânica pode
induzir à completa extinção do oxigênio na água, provocando o desaparecimento de peixes e
outras formas de vida aquática (BASSOI e GUAZELLI, 2007).
A DBO que ocorre naturalmente nos corpos hídricos em função da degradação de
folhas, animais mortos e excrementos de animais tem níveis reduzidos, com valores de até 2,0
mg/L. A DBO é sempre inversa à quantidade de oxigênio dissolvido presente no meio hídrico,
a Figura 1 apresenta este comportamento frente as comunidades aquáticas.

Figura 1 - Comportamento do oxigênio dissolvido, da demanda bioquímica de oxigênio e das


comunidades aquáticas a jusante de um lançamento de efluente.

Fonte: BRAGA, (2002).


24

4.4.3 Parâmetros biológicos

[Link] Coliformes totais e fecais

De acordo com Derisio (2007), as bactérias do grupo coliforme são consideradas os


principais indicadores de contaminação fecal. Essas bactérias têm se mostrado como bons
indicadores da possível presença de seres patogênicos. A presença de coliformes numa água
por si só não representa um perigo à saúde, mas indica a possível presença de outros seres
causadores de doenças de veiculação hídrica. O uso da bactéria coliforme fecal para indicar
poluição sanitária mostra-se mais significativo que o uso da bactéria coliforme total porque as
bactérias fecais estão restritas ao trato intestinal de animais de sangue quente.

4.5 Classificação dos Rios segundo o CONAMA

No Brasil, a Portaria GM 0013, de 1976 regulamentou inicialmente a classificação dos


corpos d’água superficiais, com os respectivos padrões de qualidade e os padrões de emissão
de efluentes.
Em 1986, a Portaria GM 0013 foi substituída pela Resolução n°. 20 do CONAMA,
que estabeleceu uma nova classificação para as águas doces, bem como para as águas salobras
e salinas do território nacional (CONAMA, 2005). Foram definidas 4 classes para águas
doces, segundo usos preponderantes a que elas se destinam, conforme apresentado na Tabela
1.
Tabela 1 - Classificação do CONAMA para águas doces do território nacional brasileiro.

ÁGUAS DOCES
Classe Especial – água destinada a:
abastecimento doméstico sem prévia ou com simples desinfecção;
preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas.
Classe 1 – águas destinadas a:
abastecimento doméstico após tratamento simplificado;
proteção das comunidades aquáticas;
recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho);
irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam
rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película;
criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação
humana.
25

Classe 2 – águas destinadas a:


abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
proteção das comunidades aquáticas;
recreação de contato primário (esqui aquático, natação e mergulho);
irrigação de hortaliças e plantas frutíferas;
criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação
humana.
Classe 3 – águas destinadas a:
abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
dessedentação de animais.
Classe 4 – águas destinadas a:
navegação;
harmonia paisagística;
usos menos exigentes.
Fonte: Resolução CONAMA nº. 357, (2005).
O fato de um trecho de rio estar enquadrado em determinada classe não significa
necessariamente que esse seja o nível de qualidade que ele apresenta, mas sim aquele que se
busca alcançar ou manter ao longo do tempo.
Para cada uma dessas classes são estabelecidos parâmetros de qualidade físicos,
químicos e biológicos, mostrados na Tabela 2, que devem ser seguidos para assegurar os usos
preestabelecidos das águas.

Tabela 2 - Padrões dos corpos d'água.

PADRÕES Unid Classe 1 Classe 2 Classe 3 Classe 4


Materiais flutuantes - VA VA VA VA
Óleos e graxas - VA VA VA VA
Subst. que insiram gosto e - VA VA VA Tolerável
odor
Coli Termotolerantes – máx NMP/100ml 200 1.000 2.500 Superior
DBO(5,20) – máx mg/L O2 3,0 5,0 10,0 Superior
OD – máx mg/L O2 6,0 5,0 4,0 2,0
26

Turbidez – máx UNT 40 100 100 Superior


pH - 6,0 a 9,0 6,0 a 9,0 6,0 a 9,0 6,0 a 9,0
Sólidos dissolvidos mg/L 500 500 500 Superior
Clorofila  g/L 10 30 60 Superior

Fósforo total em ambiente mg/L P 0,02 0,03 0,05 Superior


lêntico
Nitrogênio Amoniacal Total mg/L N 2,0 2,0 5,6 Superior
onde VA – Visualmente ausentes.
Fonte: Resolução CONAMA nº. 357, (2005).

4.6 Modelagem Ambiental


Modelagem ambiental é a representação matemática da realidade, obtida através de
modelos baseados no levantamento de dados e observações do sistema real. Em outras
palavras, é o conjunto de equações que descrevem os aspectos de um determinado fenômeno
natural (TITO, 2003).
Os modelos matemáticos de qualidade da água são utilizados para auxiliar na gestão,
controle e proteção dos recursos hídricos, permitindo a simulação dos processos hidrológicos,
físicos, químicos e biológicos que acontecem no rio. A utilização desses modelos proporciona
além da simulação de eventos, a simulação das condições futuras, auxiliando na tomada de
decisões referentes ao gerenciamento desses recursos (GASTALDINI, 2001).
A aplicação de modelos hidrológicos envolve: a escolha do modelo, a seleção e análise
dos dados necessários, ajuste e verificação dos parâmetros, definição de cenários de aplicação,
prognóstico e a estimativa das incertezas dos resultados. Assim, em uma primeira etapa o
modelo utilizaria os dados de monitoramento para seu ajuste ao corpo hídrico.
O uso de modelos da qualidade das águas pode fornecer informações úteis sobre o
comportamento dinâmico dos corpos hídricos, permitindo a avaliação e comparação de
diferentes estratégias de gestão, as quais auxiliarão nas possíveis soluções para a minimização
de impactos ambientais (BÁRBARA, 2005).

4.6.1 Modelo QUAL2K

O marco inicial do uso da modelagem nos estudos da poluição dos corpos hídricos foi
em 1925 com o clássico modelo de Streeter-Phelps, o qual foi desenvolvido a partir de
intensos estudos sobre a poluição e seus impactos no rio Ohio, EUA (CHAPRA, 1997).
27

Na Figura 2 é apresentado um resumo da evolução dos modelos de qualidade da água


em rio, de 1925 a 2000.

Figura 2 - Evolução dos modelos de qualidade da água.

Fonte: FONSECA, (2008).

Existem diversos modelos para simulação da qualidade da água, sendo que neste
trabalho será descrito apenas o modelo utilizado para a realização dos estudos aplicados no
desenvolvimento do mesmo.
Segundo Chapra et al. (2008) o QUAL2K é um modelo que simula a qualidade da
água em rios, considerando basicamente processos de transporte, mistura, fontes e
sumidouros.
Neste modelo o rio é dividido em trechos com características hidráulicas semelhantes
(declividade, profundidade, seção transversal, rugosidade, etc), que são divididos em
elementos computacionais de igual comprimento, mostrado na Figura 3. Com isso, o rio é
28

conceituado como sendo uma associação de reatores de mistura perfeita conectados em série
via mecanismos de advecção e dispersão que, se somados, formam um trecho.

Figura 3 - Divisão de um corpo hídrico segundo o modelo QUAL2K.

Fonte: Chapra et al. (2008).

O trecho inicial a ser simulado é chamado de cabeceira e os afluentes podem ser


divididos em trechos assim como o rio principal, ou inseridos no programa como fontes
pontuais.
Segundo Chapra et al. (2008), o QUAL2K é executado dentro do ambiente do
Microsoft Windows. A modelagem matemática é programada em Fortran 90. O Excel é usado
como interface gráfica e todas as operações da relação são programadas em Visual Basic.
O modelo QUAL2K também apresenta as seguintes características:
 Modelagem unidimensional: o canal é considerado como bem misturado verticalmente
e lateralmente, ou seja, a concentração do material em estudo é homogênea numa mesma
seção transversal;
 Fluxo constante: fluxo constante não uniforme é considerado;
 Balanço de energia para um período de variações diárias: o balanço de energia e a
temperatura são considerados em função da meteorologia em condições diurnas;
 Cinética das reações da qualidade da água diurna: todas as variáveis da qualidade da
água também são consideradas em uma escala de tempo diurna;
 Entradas de dados de energia e massa: são consideradas cargas pontuais, não pontuais
e pontos de saída.
29

A Tabela 3 apresenta as variáveis consideradas pelo QUAL2K.


Tabela 3 - Variáveis consideradas pelo modelo QUAL2K, símbolos e unidades.

Variáveis Unidade
Condutividade elétrica mhos
Sólidos dissolvidos mg/L
Oxigênio dissolvido mgO2/L
DBOC reação lenta mgO2/L
DBOC reação rápida mgO2/L
Nitrogênio orgânico µgN/L
Nitrogênio amoniacal µgN/L
Nitrato µgN/L
Fósforo orgânico µgP/L
Fósforo inorgânico µgP/L
Fitoplancton µgA/L
Detritos mgD/L
Patógeno Cfu/100mL
Alcalinidade mgCaCO3/L
Carbono inorgânico total mol/L
Biomassa de algas de fundo mgA/m²

Fonte: Chapra et al. (2008).

[Link] Balanço de vazão

Para cada elemento computacional é feito um balanço de vazão, considerando o


escoamento em regime permanente mostrado na Figura 4. A Equação 1 apresenta o
procedimento para cálculo de vazão da saída i.

Figura 4. Balanço de vazão em um elemento i.

Fonte: Chapra et al. (2008).


30

(1)

onde é a vazão de saída do elemento i e de entrada no elemento i+1; é a vazão de


saída no elemento i-1 à montante; é a vazão de entrada no elemento i por fontes pontuais
e/ou difusas e é a vazão de retirada do elemento i por fontes pontuais e/ou difusas.

[Link] Balanço de massa

O balanço de massa é uma descrição quantitativa de todos os materiais que entram,


saem e se acumulam em um sistema, e é expresso pela Equação 2 que estima toda a
transferência de matéria através dos limites do sistema e todas as transformações que ocorrem
dentro do sistema.
– – –
(2)
Conhecidas as taxas de reação, deve-se avaliar quantitativamente a sua influência
dentro do balanço de massa geral do composto em análise. Isto porque a concentração de um
determinado composto em um reator é função, não apenas das reações bioquímicas, mas
também dos mecanismos de transporte (entrada e saída) do composto (VON SPERLING,
1996).
A expressão básica do balanço de massa deve ser desenvolvida num determinado
volume, que pode ser tanto um comprimento do rio, o rio como um todo, ou qualquer volume
elementar dos mesmos. O balanço de massa no QUAL2K para um constituinte em um
elemento é apresentado na Figura 5.

Figura 5 - Balanço de massa.


31

Fonte: Chapra et al. (2008).


A equação diferencial que expressa o balanço de massa para cada variável simulada
nos elementos é mostrada na Equação 3.
( ) ( )

(3)

onde é a concentração, é a vazão, é o volume do elemento, é o coeficiente de


dispersão longitudinal, é a carga externa introduzida por fontes difusas ou pontuais e são
as vazões de lançamento e/ou captação de constituintes devido a mecanismos de transferência
de massa e reações.

[Link] Balanço de energia

O balanço de energia, mostrado na Figura 6, considera a transferência de calor entre os


elementos, cargas, abstrações, atmosfera e sedimentos.

Figura 6 - Balanço de energia.

Fonte: Chapra et al., (2008).

O balanço de calor pode ser descrito pela seguinte Equação 4.

( ) (4)

onde é a temperatura do elemento i, é o tempo, é a carga do coeficiente de dispersão,


são fontes de calor pontuais e não pontuais, é a densidade da água, é o calor
especifico da água, é o fluxo de calor água-ar e é o fluxo de calor água-sedimento.
32

[Link] Constante de decaimento da DBO

Segundo Chapra (1997), a taxa específica de desoxigenação ou de decaimento da


DBO obtida em laboratório possui valores típicos que variam de 0,05 a 0,5 dia-1 de
acordo com o nível de tratamento do efluente a ser lançado. Entretanto, o coeficiente de
decomposição da DBO no rio , que leva em consideração a degradação da matéria
orgânica pela biomassa suspensa e a contida no lodo de fundo, é maior ou igual a , como
pode ser observado na Tabela 4.
Tabela 4 - Valores típicos dos coeficientes de remoção a 20°C.

Curso d’água (dia-1) (dia-1)


Rios rasos* Rios profundos**
Recebendo esgoto bruto concentrado 0,35 - 0,45 0,50 - 1,00 0,35 - 0,50
Recebendo esgoto bruto pouco concentrado 0,30 - 0,40 0,40 - 0,80 0,30 - 0,45
Recebendo efluente primário 0,30 - 0,40 0,40 - 0,80 0,30 - 0,45
Recebendo efluente secundário 0,12 - 0,24 0,12 - 0,24 0,12 - 0,24
Com águas limpas 0,08 - 0,20 0,08 - 0,20 0,08 - 0,20
Rios rasos*: profundidade inferior a cerca de 1,0 ou 1,5 m;
Rios profundos**: profundidade superior a cerca de 1,0 ou 1,5 m.
Fonte: VON SPERLING, (1996).

[Link] Coeficiente de reaeração

A reaeração atmosférica depende de algumas variáveis como a temperatura e algumas


características do canal. A primeira influencia diretamente o coeficiente de solubilidade do
oxigênio, e a segunda interfere no escoamento das águas, que por sua vez, quanto mais
turbulento for, maior será a transferência de oxigênio à massa líquida.
De acordo com RODRIGUES (2005), o coeficiente de reaeração pode ser obtido por
meio de fórmulas empíricas e semi-empíricas vinculadas a dados hidráulicos do sistema, ou
por técnicas de medição, as quais requerem exaustivos trabalhos de campo e de laboratório,
equipamentos e corpo técnico especializado.
No modelo QUAL2K estão disponíveis seis fórmulas empíricas para o cálculo do
coeficiente de reaeração ( ) a 20 ºC, cada uma com suas particularidades e condições de
aplicação, como pode ser visto na Tabela 5.
33

Tabela 5 - Fórmulas empíricas para o cálculo de .

Equação Referência
U = velocidade média de água O’Connor e
H = profundidade média da água Dobbins (1958)

U = velocidade média de água Churchill et al.


H = profundidade média da água (1962)

U = velocidade média de água Owens et al. (1964)


H = profundidade média da água

U = velocidade média de água Trivoglou e Neal


S = declividade (1976)
Q = vazão
U = velocidade média de água Thackston e
( ) H = profundidade média da água Krenkel (1969)
F = número de Froude
U = velocidade média de água Melching e Flores
( )
S = declividade (1999)
( ) Q = vazão

As fórmulas para o cálculo de são utilizadas para fornecer uma estimativa inicial
de tal parâmetro, de forma a possibilitar o ajuste do modelo com valores mais próximos do
real.
34

5 METODOLOGIA

As fases desenvolvidas durante a execução deste trabalho estão apresentadas no


diagrama na Figura 7.

Figura 7 - Desenvolvimento das atividades do trabalho.

Conceitos sobre recursos


hídricos e qualidade da
água
Contextualização do
problema de qualidade
da água
Conceitos, modelos e
requisitos de aplicação de
dados espaço-temporais

Definição dos
requisitos

Definição da área
de estudo

Coletas e
Saídas a campo
monitoramento

Aplicação do
Análises química,
modelo QUAL2K
físicas e biológicas

Composição da
base de dados

Realização dos testes das


funcionalidades do
modelo proposto

Avaliação dos
impactos
ambientais
35

Para o desenvolvimento deste trabalho adotou-se a metodologia de análise de


informação que busca conhecer e entender as variáveis envolvidas em um problema para
projetar e implementar uma solução.
Os conceitos sobre recursos hídricos, qualidade da água e modelos são apresentados
na revisão bibliográfica e com base neste estudo o problema da qualidade da água de um rio
pode ser contextualizado.
Os requisitos para aplicação do modelo incluem dados sobre a configuração do rio,
parâmetros hidrológicos, vazões de entrada e saída do rio, dados meteorológicos como
cobertura de nuvens, umidade do ar, velocidade do vento, pressão barométrica e as
informações sobre a qualidade da água, fornecidas através dos parâmetros analisados.

5.1 Definição da Área de Estudo

O Arroio Bagé está localizado na Bacia Hidrográfica do Rio Negro e nasce a nordeste
do município de Bagé no Rio Grande do Sul e corre predominantemente para sudoeste até a
sua foz no Arroio Quebrachinho que desaguá no Rio Negro, com uma extensão de 25,83 km.
O rio possui dois afluentes diretos: o Arroio Tábua e o Arroio Gontan. A Figura 8
desenvolvida com o auxílio do Software GVSIG mostra o Arroio Bagé em amarelo localizado
na área urbana da cidade em lilás e seus demais afluentes em azul.
Figura 8 - Arroio Bagé na cidade de Bagé-RS.

Bagé

Segundo Boucinha (2013), a qualidade das nascentes do arroio Bagé apresentam uma
condição boa. Entretanto após a passagem pela cidade de Bagé, a qualidade da água sofre uma
significativa deterioração.
36

Este arroio recebe significativa carga de efluente gerado pela área urbana da cidade,
portanto trata-se do curso de água com maior comprometimento qualitativo comparado aos
demais rios da cidade.
Na área urbana de Bagé identificam-se como pontos críticos as áreas próximas ao
arroio Bagé e seus formadores. Estes cursos d´água, na maior parte do ano, apresentam
pequenas vazões, ficando contidos em suas calhas, porém, por ocasião de chuvas intensas,
suas vazões crescem rapidamente causando enchentes em suas margens e danos à infra-
estrutura urbana. Estas ocorrências se devem principalmente ao fato da confluência do Arroio
Gontan e Arroio da Tábua com o Arroio Bagé ocorrer dentro da malha urbana, em região que
não dispõe de obras hidráulicas de controle de cheias (BOUCINHA, 2013). A união entre
estes arroios na área urbana da cidade é mostrado na Figura 9, também desenvolvida através
do software GVSIG.

Figura 9 – Tributários do Arroio Bagé


37

A captação da água fornecida em Bagé, é feita através de duas barragens: a de Sanga


Rasa e do Piraízinho, ambas estão situadas na zona norte da cidade.
O município de Bagé, conforme estimativa do Censo do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística referente ao ano de 2012, tem uma população de 116.794 habitantes.
Bagé tem uma área 4.095,50 km², constituindo a fronteira do Rio Grande do Sul com o
Uruguai. Seu clima é subtropical e a topografia caracteriza-se como coxil e vegetação
formada por campos. Sua estrutura produtiva é fundamentada no cultivo do arroz irrigado e na
pecuária de corte extensiva e possui índice pluviométrico variando entre 1.200 a 1.500 mm
por ano.
Por sua posição geográfica, desempenhou importante papel na história do Estado,
desde o tempo do Império. Seus campos foram alvo de disputas entre índios, portugueses e
espanhóis. No local onde hoje está Bagé também aconteceram fatos importantes da Guerra
Cisplatina e das Revoluções Farroupilha e Federalista.
A escolha deste objeto de estudo segue a lógica da observação em unidades
representativas de uma região maior, que facilite o controle e obtenção dos dados a serem
utilizados.

5.2 Coletas e Monitoramento

As amostras foram coletadas em cinco pontos do Arroio Bagé, conforme mostra a


Figura 10.
O ponto 1 foi escolhido para que fosse possível conhecer o valor inicial das variáveis,
pois este ainda não recebeu lançamento de esgoto industrial e/ou doméstico.
Nos pontos 2, 3, 4 e 5 o corpo d’ água já recebeu lançamento de esgoto, o que torna
possível a comparação entre as variáveis de qualidade à montante e à jusante dos
lançamentos. Estes pontos foram selecionados por representarem pontos chaves para detectar
influências mais representativas de fontes poluidoras e por terem acesso consideravelmente
facilitado.
Um relatório fotográfico indicando as condições de cada ponto de coleta está
apresentado no Apêndice A.
38

Figura 10 - Indicação dos pontos de coleta na cidade de Bagé.

Fonte: GOOGLE, (2013).


A Tabela 6 apresenta a localização dos cinco pontos de coleta.
Tabela 6 - Localização dos pontos de coleta.

Latitude Longitude Características do fluxo/leito


Ponto 1 31°17'31"S 54°2'5"O Velocidade média com leito uniforme
Ponto 2 31°19'20"S 54°4'30"O Turbulento com leito rochoso
Ponto 3 31°19'27"S 54°5'13"O Muito lento com leito uniforme
Ponto 4 31°19'43"S 54°5'36"O Velocidade média com leito rochoso
Ponto 5 31°21'3"S 54°6'11"O Velocidade alta com leito uniforme

O número de amostras, bem como a frequência da amostragem, estão diretamente


ligados aos objetivos do trabalho de avaliação que se pretende realizar. Desta forma a
obtenção dos dados de qualidade da água será feito através do monitoramento destes cinco
pontos, durante o período de cinco meses compreendido entre os meses de agosto e dezembro
de 2013 de modo a acompanhar a evolução das condições de qualidade da água ao longo do
tempo, fornecendo séries temporais de dados em três estações climáticas do ano. Assim
39

acredita-se ser possível a verificação da influência da vazão pluviométrica e da temperatura


ambiente na qualidade da água deste corpo d’água.
Quanto à coleta, a manipulação correta da técnica de amostragem é de suma
importância. Para águas naturais, geralmente, basta imergir um recipiente de vidro na água,
enchendo-o, entretanto, as concentrações dos constituintes na amostra não devem sofrer
alterações na passagem da superfície do rio para o recipiente. Para isso tomou-se a precaução
de manter as amostras fora do alcance da luz e o frasco foi completamente preenchido, para
evitar acúmulo de ar. A preservação dos recipientes foi feita através de acondicionamento dos
recipientes em isopor contendo gelo.
Quanto ao transporte e preservação da amostra foi necessário assegurar que os
recipientes contendo as amostras não quebrassem durante o transporte do local de
amostragem até o local que foi realizada a análise. Também foi necessário minimizar o tempo
de contato entre a amostra e o recipiente, analisando a amostra o mais breve possível.

5.3 Dados Hidrológicos

Os dados de largura e profundidade do Arroio Bagé nos cinco pontos foram obtidos
através de medições locais utilizando uma trena como mostra a Figura 11.
A velocidade superficial do corpo hídrico foi determinada através do método do
flutuador, citada por Palhares et al. (2007) e apresentada detalhadamente no Apêndice B. Os
resultados obtidos na determinação da velocidade superficial e vazão do arroio estão
apresentados no Anexo A.
Figura 11 - Medições locais com trena.
40

5.4 Seleção de Parâmetros de Qualidade


Existe um número bastante grande de indicadores de qualidade, portanto a seleção
levou em conta os usos previstos para o corpo d’água e as fontes de poluição existentes na
área onde está localizado o arroio estudado.
Sendo assim os parâmetros selecionados para realizar o monitoramento foram
oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), potencial hidrogeniônico
(pH), condutividade elétrica, temperatura, turbidez, sólidos dissolvidos e coliformes
termotolerantes.
A temperatura foi medida em cada local no momento da coleta com termômetro de
mercúrio. Os dados encontrados para este parâmetro estão apresentados no Anexo B.1.
O potencial hidrogeniônico das amostras foi medido através do medidor de pH da
marca Metrohm Swisamade, mostrado na Figura 12, onde primeiramente foi feita a calibração
do aparelho com soluções padrão e em seguida as medições com as amostras do arroio. Antes
de registrar o valor, vale salientar que esperou-se a estabilização do equipamento. Os
resultados desta medida encontram-se no Anexo B.2.
Figura 12 – Medidor de pH.

A determinação do oxigênio dissolvido foi feito através do medidor da marca Hanna


(HI 9146), enquanto esta sofria agitação constante pelo agitador magnético, para simular a
movimentação do rio, como pode ser vista através da Figura 13. Os resultados para oxigênio
dissolvido estão dispostos no Anexo B.3
41

Figura 13 – Medidor de O2 e agitador magnético.

Para determinar a DBO indicou-se o valor esperado de uma gama de resultados afim
de determinar o volume de amostra a utilizar. Decidiu-se utilizar 21,7 mL da amostra para
obter uma maior faixa de medição, entre 0 e 4000 mg/L.
Para obter um valor confiável de DBO a amostra deve estar com pH entre 6,5 e 7,5,
caso haja algum desvio pode-se ajustar o valor de pH utilizando ácido sulfúrico, se a amostra
estiver com pH acima desta faixa, ou soda cáustica, se a amostra estiver com pH abaixo desta
faixa. Foi verificado o valor de pH da amostra, com pHmetro conforme a especificação.
O volume especificado foi inserido nos frascos âmbar, onde foi adicionado 1 gota de
inibidor de nitrificação tiocarbamida de alilo. As garrafas foram tampadas e colocadas no
módulo de medição da DBO, como mostra a Figura 14. Para o controle da temperatura e da
umidade, o medidor de DBO foi inserido em uma incubadora com essas características de
controle. O resultado para o quinto dia de DBO estão mostrados no Anexo B.4.

Figura 14 - Medidor de DBO.


42

A condutividade elétrica e os sólidos dissolvidos foram medidos no equipamento


Hanna Hi 9835 EC/TDS/NaCl, mostrado na Figura 15. As medições foram feitas em triplicata
e em seguida foi feita a média destes valores para obter uma maior precisão entre os valores,
que é mostrada no Anexo B.5 e B.6.

Figura 15 - Medidor de condutividade elétrica e sólidos dissolvidos.

Para a análise de turbidez foi utilizado o medidor de turbidez da marba Dellab DLT-
WV. Foi feita a calibração do aparelho, apresentado na Figura 16, com três soluções padrão e
em seguida foram feitas duas medições com as amostras do arroio, fazendo a média entre
estes valores. Os resultados encontrados são mostrados no Anexo B.7.
Figura 16 – Medidor de turbidez.

A metodologia das análises de coliformes termotolerantes está disposta no Apêndice C


com maiores detalhes. Os resultados das análises encontram-se no Anexo B.8.

5.5 Dados Meteorológicos


43

Os dados de temperatura do ar, precipitação pluviométrica, umidade do ar, pressão


barométrica e velocidade do vento foram obtidos no site do Instituto Nacional de
Meteorologia (INMET) e encontram-se no Anexo C.
5.6 Definição dos Trechos e Elementos

O arroio Bagé possui aproximadamente 25,83 km de extensão. No entanto, para as


simulações foi considerado apenas o trecho fluvial de 12 km iniciais, uma vez que é onde está
localizada a área urbana da cidade de Bagé, ou seja, onde o rio já recebeu todas as cargas de
seus principais afluentes. O trecho fluvial definido foi dividido em cinco. Estes trechos, por
sua vez, foram divididos em elementos de 500 m. A Tabela 7 apresenta a localização e o
número de elementos de cada trecho.
Tabela 7 - Trechos e elementos do arroio.

Trecho Localização no rio (km) Comprimento do trecho (km) Número de elementos


1 12,00 - 9,94 2,06 4
2 9,94 - 7,89 2,05 4
3 7,89 - 5,59 2,30 4
4 5,59 - 4,11 1,48 3
5 4,11 - 3,43 0,68 2
6 3,43 - 0,00 3,43 7

Ao longo do percurso, o rio recebe contribuições de afluentes e de lançamento de


esgotos, ou captações, que podem contribuir no aumento ou diminuição do volume de água no
manancial.
As contribuições dos dois córregos afluentes do arroio Bagé, Tábua e Gontan, foram
tratados como fontes difusas de lançamento. Esses córregos representam importantes fontes
de poluição a montante, contudo existem algumas áreas que não se dispunha de informações
quanto à carga de poluentes e vazão de córregos.

5.7 Dados de Entrada no Modelo

São necessários que alguns dados sejam inseridos no modelo Qual2K para que este
possa realizar as simulações, sendo eles:
 Configuração do rio em trechos, distância entre a foz do rio principal e seus afluentes.
 Informações de qualidade da água: concentração dos constituintes nas nascentes e foz do
rio e a concentração dos constituintes para cada fonte de poluição pontual ou difusa.
44

 Velocidade e profundidade do rio nos pontos de coleta.


 Coeficientes cinéticos, como o coeficiente de remoção global de DBO, coeficiente de
reaeração, taxa de decaimento bacteriano.

5.8 Calibração do Modelo

A calibração consiste em variar os coeficientes do modelo de forma a se obter a


melhor concordância possível entre os valores calculados pelo modelo e os dados coletados
(CHAPRA, 1997).
No presente trabalho, o método de integração escolhido foi o de Euler. A calibração do
modelo foi feita privilegiando-se as variáveis OD e DBO. Para isso, o ajuste foi realizado
variando-se os valores destes coeficientes na guia “Reach Rates” do modelo QUAL2K, de
forma que as diferenças entre os valores medidos de OD e DBO e aqueles estimados pelo
modelo fossem as menores possíveis.
Os coeficientes utilizados como dados de entrada no modelo são provenientes do
manual do próprio modelo, apresentadas no Anexo D.
A calibração do modelo foi realizada a partir da comparação entre a simulação gerada
pelo programa e a média dos valores reais medidos ao longo do arroio e ao longo do tempo.

5.9 Definição dos Cenários

Para a área em estudo foram definidos os seguintes cenários:


i) Simulação da qualidade da água do arroio Bagé após a adição de cargas pontuais a
partir do ponto 3, onde iniciam-se os despejos domésticos, motivado pelo crescimento
populacional em 20%.
ii) Simulação da qualidade da água do arroio Bagé após a implementação de uma ETE
hipotética, localizada a jusante do ponto 3, que trata o efluente atualmente lançado no corpo
d’água com uma eficiência de 60% para quantificar a capacidade de autodepuração do rio;
Como carga pontual foi considerado o efluente doméstico gerado pelo município. O
número de habitantes para fins de cálculo de vazão, corresponde ao ano de 2012,
considerando que uma pessoa produza em média 150 L por dia de efluente doméstico
Os resultados do balanço foram inseridos na planilha “Point Source”, como fonte
pontual, de forma que houvesse uma distribuição constante ao longo do trecho do rio.
45

6 RESULTADOS

Para realizar a calibração do oxigênio dissolvido o modelo QUAL2K disponibiliza


seis opções de equações para a determinação do coeficiente de aeração, como visto na Tabela
6. Desta forma foram simulados valores utilizando as equações de O'Cornnor e Dobbins
(1958), Owens et al. (1964) e Thakston e Krenkel (1966) e obteve-se os perfis de oxigênio
dissolvido mostrados na Figura 17.

Figura 17 - Simulação do parâmetro OD.


10

Oxigênio dissolvido (mg/L)


7

5
Medido
4
O’Connor e Dobbins (1958)
3
Owens et al. (1964)
2
Thackston e Krenkel (1969)
1

0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0

Distância da Foz (km)

Analisando a Figura 17, pode-se perceber que a equação proposta por O'Cornnor e
Dobbins (1958) apresentou as melhores simulações para os trechos simulados.
Comparando o perfil de oxigênio dissolvido gerado pelo modelo matemático e os
dados medidos em campo verifica-se que em alguns pontos não há concordância entre a
simulação e os valores observados em campo. Esse fato decorre principalmente na foz do
arroio Bagé devido a grande presença de cargas pontuais observadas neste trecho,
comprometendo as condições inseridas no modelo.
Também é possível observar que na região do arroio, cerca de 4 quilômetros antes da
foz, ocorre uma queda na quantidade de oxigênio dissolvido, causada pelo lançamento do
esgoto doméstico e desembocadura dos afluentes mais poluídos.
46

Para calibrar o modelo com relação aos valores de oxigênio dissolvido, é necessário
também determinar o coeficiente de reaeraçao ( ), pois a aeração é o principal fator
responsável pela introdução de oxigênio nos corpos de água (VON SPERLING, 1996). Esse
parâmetro é empregado em função da profundidade e da velocidade do curso d'água. Assim o
valor de encontrado através da equação de O'Cornnor e Dobbins, a partir dos dados de
profundidade e velocidade médias dispostas no Anexo A, foi de 0,58.
Para realizar o ajuste do modelo aos dados experimentais estabeleceu-se o critério em
que ambos os pontos estariam sobre a reta ideal y=x. A Figura 18 mostra a distribuição dos
pontos onde as abscissas são os valores simulados pelo modelo e as ordenadas são os valores
observados.

Figura 18 - Ajuste do modelo QUAL2K para a variável OD.

9,0
Oxigênio dissolvido medido (mg/L)

8,0

7,0
R² = 0,9284

6,0

5,0
2,0 4,0 6,0 8,0 10,0
Oxigênio dissolvido simulado (mg/L)

Neste intervalo foi realizada a linearização em que o coeficiente de determinação


obtido foi de 0,928. Por esse critério, observa-se um bom ajuste do modelo para a variável
OD.
Observa-se que o modelo está calibrado, uma vez que a simulação destes parâmetros
está próxima as medições realizadas no local.
Para a simulação da demando bioquímica de oxigênio, é necessário determinar os
coeficientes de decaimento e decomposição da DBO.
De acordo com Von Sperling (1996), a taxa de decaimento da DBO ( ) para rios
rasos recebendo esgoto bruto pouco concentrado possui valores entre 0,30 e 0,40 e o
coeficiente de decomposição da DBO no rio ( ), para a mesma situação, apresenta valores
entre 0,40 e 0,80.
47

Neste sentido, para a calibração do modelo QUAL2K, foram propostas quatro


condições para abranger os valores máximos e mínimos de ambos os parâmetros, como
mostra a Figura 19.
Figura 19 - Simulação do parâmetro DBO.

Medido 50,0

Demanda bioquímica de oxigênio (mg/L)


𝐾𝑑𝑐 0,30 e 𝐾𝑑 0,40 45,0

𝐾𝑑𝑐 0,30 e 𝐾𝑑 0,80 40,0


𝐾𝑑𝑐 0,40 e 𝐾𝑑 0,40 35,0
𝐾𝑑𝑐 0,40 e 𝐾𝑑 0,80 30,0
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da foz (km)

Analisando os perfis da demanda bioquímica de oxigênio, pode-se perceber que todas


as condições propostas apresentaram quase a mesma curva, não sendo possível determinar
quais os melhores valores de coeficientes de decaimento e decomposição a serem utilizados.
Entretanto, é possível notar que o perfil gerado pelo modelo segue a tendência de
comportamento dos dados amostrais.
A Figura 20 fornece um indicativo da qualidade do ajuste do modelo para a variável
DBO. Para esta análise considerou-se a simulação obtida com Kdc igual a 0,30 e Kd igual a
0,40.
Figura 20 - Ajuste do modelo QUAL2K para DBO.

45,0

40,0
DBO medida (mg/L)

35,0

30,0
R² = 0,8944
25,0

20,0

15,0
15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 50,0
DBO simulada (mg/L)
48

A linearização obtida neste intervalo apresentou coeficiente de determinação de 0,894.


O ajuste para a DBO foi razoável, fato que pode ser atribuído à imprecisão da localização das
fontes de poluição.
Calibrado o modelo para os parâmetros de DBO e OD pode-se simular os demais
parâmetros para o cenário atual. A simulação do potencial hidrogeniônico está presente na
Figura 21.
Figura 21 - Simulação do parâmetro pH.
9,0
8,0
7,0
6,0

pH
Simulado 5,0

Medido 4,0
3,0
2,0
1,0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da Foz (km)

Pode-se observar que não houve variações significativas no pH medido em relação a


evolução do arroio na área urbana da cidade e os valores de pH resultantes da simulação
mantiveram-se próximos aos observados, encontrando-se entre o ponto de pH neutro a
levemente alcalino. Os valores obtidos em todos os trechos do arroio apresentam-se dentro da
faixa de variação de 6,0 a 9,0 estabelecida pela Resolução CONAMA nº. 357/05 para corpos
hídricos de classe 1.
Na Figura 22 encontram-se os resultados obtidos da simulação concomitante aos
valores experimentais médios encontrados no Anexo B.1.
49

Figura 22 - Simulação do parâmetro temperatura.

25,0
Simulado
Medido 20,0

Temperatura (°C)
15,0

10,0

5,0

0,0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da Foz (km)

Com a adição de cargas poluentes houve um aumento da temperatura da água em


relação a condição inicial do segmento, verificando-se um aumento em cerca de 4 °C a partir
dos 4 km finais medidos em direção a foz. Isto pode ser resultado da adição das cargas
pontuais no decorrer do segmento ou devido a dificuldade de coletar as amostras dos cinco
pontos ao mesmo tempo.
Embora o software QUAL2K admita a simulação de outros três constituintes
conservativos arbitrados, além dos vistos na Tabela 3, não foi possível realizar a simulação do
parâmetro de turbidez, pois os constituintes conservativos são considerados isoladamente
através de expressões de decaimento de primeira ordem e nenhum coeficiente testado
apresentou bom ajuste do modelo aos valores medidos.
Os resultados experimentais obtidos para este parâmetro também mostraram que este
índice de qualidade não é adequado para a verificação do grau de poluição de um corpo
hídrico, pois apresentou melhores índices em pontos mais poluídos, como pode ser visto na
Figura 23.
50

Figura 23 - Índice de turbidez nos meses de monitoramento.

100

80 AGO
SET
Turbidez (NTU)

60 OUT
NOV
40 DEZ
Classe 2
20
Classe 1

0
Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5

Como pode ser visto através da Figura 23, a qualidade da água para todos os pontos de
coleta está dentro dos limites estabelecidos pelo CONAMA para ambientes de classe 1 e 2 e o
efeito negativo da passagem do arroio pela cidade é pequeno. O índice de turbidez apresentou
valores cada vez mais baixos em relação ao avanço nos pontos de coleta, podendo ser
atribuído a velocidade do arroio ser maior nos pontos iniciais fazendo com que a agitação do
arroio e a dispersão de areias e outros materiais em suspensão fosse maior, encobrindo a
verdadeira qualidade da água.

6.1 Primeiro Cenário Simulado.

Neste primeiro cenário foi simulada a adição de cargas pontuais a partir do ponto 3,
cerca de 4 km antes da foz, onde foram localizadas fontes de despejo de esgotos domésticos.
A escolha deste cenário é motivada pelo crescimento hipotética da população em 20%.
A Figura 24 apresenta as condições resultantes deste cenário para a condutividade
elétrica.
51

Figura 24 - Simulação do cenário 1 para condutividade elétrica.

450
Condições atuais simuladas
400

Condutividade elétrica (S/cm)


Cenário 1 simulado
350
300
250
200
150
100
50
0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da Foz (km)

De acordo com a Figura 24 se a vazão de efluente bruto lançado fosse acrescida em


20% a partir do ponto 3 a condutividade elétrica final do trecho estudado passaria de 338 para
380 S/cm.
De acordo com a CETESB (2006), a condutividade elétrica da água indica a sua
capacidade em conduzir corrente elétrica, indicando a quantidade de sais e metais existentes e,
portanto, representa uma medida indireta da concentração de poluentes. Apesar da Resolução
CONAMA n°. 357/2005 não possuir classificações quanto a este parâmetro para corpos
d’água doces, em geral, níveis superiores a 100 µS/cm indicam ambientes impactados.
Mesmo na nascente deste arroio, que corresponde a condição rural, os valores já são
superiores aos considerados adequados, crescendo gradualmente à medida que o arroio sofre
influência das fontes de poluição originadas pela urbanização, ficando superiores a 330 S/cm
para ambos os casos.
Para o mesmo cenário foi avaliada a variável sólidos dissolvidos, presente na Figura
25.
52

Figura 25 - Simulação do cenário 1 para sólidos dissolvidos.

160,0
Condições atuais simuladas 140,0

Sólidos dissolvidos (mg/L)


Cenário 1 simulado 120,0
100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0
14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da Foz (km)

A concentração de sólidos dissolvidos na nascente é próximo a encontrada em pontos


com adição de cargas poluentes, devido a vazão da nascente ser baixa facilitando a mistura
com sólidos presentes no fundo do arroio. A medida que a vazão de água aumenta a
concentração de sólidos cai, elevando-se novamente em relação a condição normal do arroio a
partir dos 4 km finais em razão do lançamento de fontes pontuais de esgotos doméstico, sendo
que este acréscimo foi de aproximadamente 40 mg/L até a foz do segmento.
Mesmo na simulação do cenário 1 as condições encontradas no arroio para todos os
trechos, de acordo com a Resolução CONAMA n°. 357/2005, estão adequadas aos usos
preponderantes da classe 1, onde fica limitada a concentração de sólidos dissolvidos em 500
mg/L.
A última variável analisada considerando as condições do cenário 1 foi coliformes
termotolerantes, como mostra a Figura 26.
53

Figura 26 - Simulação do cenário 1 para coliformes termotolerantes.

45000

Condições atuais simuladas 40000

Coliformes termotolerantes
35000
Cenário 1 simulado
30000

(NMP/100mL)
25000
20000
15000
10000
5000
0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da Foz (km)

O aumento da concentração de coliformes termotolerantes nos trechos finais do arroio


está relacionada a carga inserida de efluente doméstico, a qual é caracterizada pela presença
de material orgânico que proporciona condições ideais para a manutenção de microrganismos,
como coliformes termotolerantes. A concentração deste parâmetro passa de 2,6.104 para
3,8.104 coliformes termotolerantes por cem mililitros de água. Essa concentração final indica
que o segmento está acima dos valores estabelecidos pela Resolução CONAMA nº. 357/05
para a classe 4, a qual é de 2,5.103 coliformes termotolerantes por cem mililitros de água.

6.2 Segundo Cenário Simulado.

A partir dos resultados obtidos nas simulações das condições atuais, pode-se dizer que
a qualidade da água com adição de cargas encontra-se em estado razoável, uma vez que a
maioria dos parâmetros analisados está de acordo com os valores estipulados pela Resolução
CONAMA nº. 357/05.
Entretanto, as concentrações DBO e coliformes fecais excederam os limites
estabelecidos por esta legislação. A concentração de DBO foi o parâmetro que mais
apresentou discrepância em relação a estes limites, desde a nascente, como pode ser visto na
Figura 27.
54

Figura 27 - Dados de DBO experimentais e suas classes.

45,0
Demanda bioquímida de oxigênio

40,0
35,0
30,0 Valores medidos
(mg/L)

25,0 CLASSE 1
20,0 CLASSE 2
15,0 CLASSE 3
10,0
5,0
0,0
1 2 3 4 5
Pontos medidos

Neste contexto, como ação para que este corpo d’água entre em conformidade com os
padrões referentes à sua classificação, simulou-se o cenário hipotético da implementação de
uma estação de tratamento de efluentes localizada a jusante do ponto 3, que trata o efluente
atualmente lançado no corpo d’água com uma eficiência de 60% para quantificar a capacidade
de autodepuração do rio. Ponderou-se a implementação de uma ETE com as mesmas
características das encontradas atualmente na área de estudo, ou seja, fossas assépticas.
O resultado da simulação é mostrado na Figura 28.
Figura 28 - Simulação do cenário 2 para demanda bioquímica de oxigênio.

45,0
Demanda bioquímica de oxigênio (mg/L)

Condições atuais simuladas 40,0


Cenário 2 simulado 35,0
30,0
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da Foz (km)

Como pode ser visto na Figura 28 com o tratamento hipotético do efluente atualmente
lançado no ponto 3 do arroio Bagé é possível notar uma expressiva diminuição na
55

concentração de DBO passando de 43,0 mg/L para 21,0 mg/L após o tratamento, fato este que
está associado ao aumento dos níveis de oxigênio dissolvido.
A Figura 29 mostra como seria o comportamento da variável OD no arroio se 60% do
esgoto lançado fosse tratado.
Figura 29 - Simulação do cenário 2 para oxigênio dissolvido.

10,0
9,0

Oxigênio dissolvido (mg/L)


8,0
7,0
6,0
5,0
Condições atuais simuladas 4,0
Cenário 2 simulado 3,0
Medido 2,0
1,0
0,0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da Foz (km)

As condições de oxigênio dissolvido simulado após tratamento correspondem aos


dados experimentais médios observados na condição real atual sem simulação. Dessa
maneira, apesar da demanda bioquímica de oxigênio ter caído, não foi suficiente para poder
reclassificá-la em uma classe melhor de acordo com a Resolução CONAMA n°. 357/2005, o
que sugere a necessidade de um tratamento ainda mais eficiente.
A Figura 30 apresenta a simulação para coliformes termotolerantes considerando as
condições do cenário 2.
56

Figura 30 - Simulação do cenário 2 para coliformes termotolerantes.

35000

Coliformes Termotolerantes (NMP/100mL)


30000
Condições atuais simuladas
25000
Cenário 2 simulado

Medido 20000

15000

10000

5000

0
12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0
Distância da Foz (km)

As condições de coliformes termotolerantes simulado após tratamento mostra que


apesar deste parâmetro também ter caído, não foi suficiente para reclassificá-lo em uma classe
melhor de acordo com a Resolução CONAMA n°. 357/2005, pois no ponto final de medição a
água do arroio ainda apresentava certa de 1.104 coliformes termotolerantes por cem mililitros
de água, acima dos 2,5.103 permitidos para usos como classe 4. Isto mostra que existe a
necessidade de se investir em um tratamento mais eficiente ou a implementação de mais de
uma estação de tratamento de efluente neste trecho.
57

7 CONCLUSÃO

Foi possível efetuar um bom ajuste do modelo QUAL2K à variável OD no Arroio


Bagé através da equação de O'Cornnor e Dobbins (1958) que apresentou coeficiente de
determinação de 0,928 e coeficiente de reaeraçao de 0,58.
Para DBO o coeficiente de determinação foi de 0,894, possivelmente pela falta de
informações precisas sobre as vazões de esgoto doméstico lançadas neste arroio, não sendo
possível determinar quais os melhores valores de coeficientes de decaimento e decomposição
a serem utilizados, pois as condições propostas apresentaram quase a mesma curva.
Entretanto, foi possível notar que o perfil gerado pelo modelo segue a tendência de
comportamento dos dados amostrais.
O software QUAL2K mostrou ser de fácil manuseio, sendo possível simular os
parâmetros pH e temperatura de maneira que os resultados da simulação e dos valores
medidos experimentalmente se mantivessem próximos.
Entretanto, para o parâmetro de turbidez, não foi possível fazer a simulação usando
este modelo pois não foram encontrados coeficientes de decaimento com bom ajuste aos
valores medidos.
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento no arroio Bagé causa significativa
degradação ambiental, fato que pode ser constatado comparando-se os dados dos pontos 1 e 2
(à montante dos lançamentos) e 3, 4 e 5 (à jusante dos lançamentos).
Na simulação do cenário 1, pode-se constatar que a adição de cargas pontuais a partir
do ponto 3 motivada pelo crescimento hipotético da população em 20% acarretaria gradual
aumento na condutividade elétrica, sólidos dissolvidos e coliformes termotolerantes. Este fato
era esperado, pois haveria aumento na concentração principalmente de material orgânico no
arroio, demonstrando um cenário futuro preocupante.
A partir dos resultados obtidos nas simulações das condições atuais, pode-se dizer que
a qualidade da água encontra-se em estado razoável, uma vez que a maioria dos parâmetros
analisados está de acordo com os valores estipulados pela Resolução CONAMA nº. 357/05.
Entretanto, as concentrações DBO e coliformes fecais excederam os limites
estabelecidos por esta legislação. Por esta razão, simulou-se o cenário hipotético da
implementação de uma ETE localizada a jusante do ponto 3, que trata o efluente atualmente
lançado no corpo d’água com uma eficiência de 60% para quantificar a capacidade de
autodepuração do rio.
58

O resultado da simulação deste cenário mostrou que o tratamento do esgoto doméstico


lançado atualmente no arroio Bagé traria melhorias nos parâmetros de qualidade da água,
atenuando os possíveis impactos causados. No entanto, não é suficiente para poder melhorar a
classificação do corpo d'água de acordo com a Resolução CONAMA n°. 357/2005, o que
sugere a necessidade de investimento em um tratamento mais eficiente ou a implementação de
mais de uma estação de tratamento de efluente neste trecho.
O modelo QUAL2K mostrou-se como um instrumento de auxílio no gerenciamento
dos recursos hídricos, uma vez que prevê o comportamento atual e futuro do rio para
diferentes cenários. Contudo, é fundamental que seus resultados não sejam tomados como
uma representação fiel da realidade, mas sim como ferramentas de apoio.
Sugere-se como recomendações para trabalhos futuros relacionados ao QUAL2K, que
seja feito o levantamento e a caracterização das fontes de poluição presentes na área do arroio,
de forma a obter um conjunto de informações mais completo para aumentar a precisão das
simulações feitas pelo modelo de qualidade de água. Também realizar o monitoramento de
mais pontos de amostragens ao longo da extensão do arroio (ou outro local de estudo).
59

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANA. Agência Nacional das águas. Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, 2009.
Disponível em:
[Link] Acesso
em: 13 out. 2013.
ANEEL. Agência Nacional de Energia Elétrica. O Estado das Águas no Brasil: perspectivas
de gestão e informação de recursos hídricos. Brasília – DF, 1999.
BÁRBARA, V. F.; CUNHA, A. C.; SIQUEIRA, E. Q. Análise da qualidade das águas do Rio
Araguari utilizando o sistema de modelagem QUAL2E. Anais eletrônicos do XIII Seminário
de Iniciação Cientifica, Goiânia: UFG, 2005.
BÁRBARA, V. F. Uso do modelo QUAL2E no estudo da qualidade da água e da capacidade
de autodepuração do Rio Araguari – AP (Amazônia). Dissertação (Programa de Pós-
Graduação em Engenharia do Meio Ambiente). Universidade Federal de Goiás. 2006.
BARRY, R. G.; CHORLEY, R. J. Atmosphere, weather and climate. London: Routledge,
1995.
BASSOI, Lineu José; GUAZELLI, Ricardo Milo. Controle ambiental da água In: PHILIPPI
Junior Arlindo; ROMÉRO, Marcelo de Andrade; BRUNA, Gilda Collet. Curso de gestão
ambiental. Barueri: Mamole, 2004. p. 53-57.
BITTENCOURT, A. G. Desenvolvimento de modelo matemático de qualidade da água para
a implantação da agência de bacia do Rio das Velhas. In: 19° Congresso Brasileiro de
Engenharia Sanitária e Ambiental, 1997.
BOUCINHA C. A. Estética das Cidades: Caminhando para o Céu – Sobre o Caminho e o
Caminhar. Disponível em: [Link]
das-cidades/. Acesso em: 10 nov. 2013.
BONGANHA, C. A. Conceitos e fundamentos da modelagem matemática para o
gerenciamento de recursos hídricos subterrâneas. Revista Analytica. n. 30, 2007.
BRAGA, B. Introdução à Engenharia Ambiental. 2 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Relatório de qualidade das
águas. São Paulo – SP , 2007.
CHAPRA, S. C. Surface water-quality modeling. New York, McGraw-Hill , 1997.
CHAPRA, S.C., PELLETIER, G.J. and TAO, H. QUAL2K: A Modeling Framework for
Simulating River and Stream Water Quality, Version 2.11: Documentation and Users
Manual. Civil and Environmental Engineering Dept., Tufts University, Medford, MA, 2008.
CHURCHILL, M. A.; ELMORE, H.L.; BUCKINGHAM, R. A. The prediction of stream
reaeration rates. J. Sanit. Engrg. ASCE, 1962.
CONAMA. Resolução n° 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos
corpos de água e diretrizes ambientais para seu enquadramento, bem como estabelece as
60

condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial da


República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 de março de 2005.
CREPALLI, M. S. Qualidade da água do Rio Cascavel. Dissertação (Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Agrícola). Universidade Estadual do Oeste do Paraná. 2007.
DERÍSIO, L. C. Introdução ao controle da poluição ambiental. Editora Signus, 3ª edição. São
Paulo, 2007.c
FONSECA, W. C. Ajuste do Modelo QUAL2K e Simulação de Cenários para o Ribeirão
Claro. Monografia (Universidade Estadual Paulista) Rio Claro - SP, 2008.
GASTALDINI, M. C. C.; PAIVA, E. M. C.; PAIVA, J. B. D. Inter-relações entre dados de
monitoramento de qualidade da água e hidrológico: Aplicação ao reservatório do Arroio
Vacacaí-Mirim. Revista Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v. 6, n.1, 2001.
GLEBER, L. Redução de riscos de impacto ambiental na produção integrada das maçãs.
Circular técnica, n. 38, 2002.
GOOGLE. Google Maps. Disponível em: [Link] Acesso em: 10 set.
2013.
INMET. Instituto Nacional de Meteorologia. Disponível em: [Link]
Acesso em: 7 dez. 2013.

LEAL, M. S. Gestão Ambiental de recursos hídricos: princípios e aplicações. Rio de Janeiro,


CPRM/ANEEL, 1998.

LIBÂNIO, M. Fundamentos de qualidade e tratamento de água. Campinas: Editora Átomo,


2005.
LIMA, E. B. N. Modelagem Integrada para Gestão da Qualidade da Água da Bacia do Rio
Ciuabá. Dissertação, Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2001.
MACIEL, J. P. Zoneamento das águas: um instrumento de gestão dos recursos hídricos. Belo
Horizonte, 2000.
MAGOSSI, L. R.; BONACELLA, P. H. Poluição das águas. Moderna 2 ed. São Paulo, 2003.
MELCHING, C. S.; FLORES, H. E. Reaeration Equations from U.S. Geological Survey,
1999.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE DO BRASIL SECRETARIA DE RECURSOS
HÍDRICOS. Avaliação das Águas do Brasil. Brasília, DF, 2002.
O'CONNOR, D. J.; DOBBINS, W. E. Mechanism of reaeration in natural streams. Trans.
ASCE, 1958.
OLIVEIRA. M. D. Desenvolvimento de sistema informatizado para avaliação de impacto
ambiental. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental).
Universidade Federal do Espírito Santo. 2004.
OWENS, M.; EDWARDS, R. W.; GIBBS, J.W. Some reaeration studies in streams. Int. J.
Air and Water Pollution, 1964.
61

PALHARES, J. C. P.; Ramos, C.; KLEIN, J.B.; LIMA, J. M. M.; MULLER, S.;
CESTONARO, T. Medição da Vazão em Rios pelo Método do Flutuador. Emprapa - Revista
Eletrônica. Concórdia, SC. 2007.
PHILIPPI, A.; ROMEIRO, A. M.; BRUNA, C. G. Curso de Gestão Ambiental, Barueri, SP:
ed. Manole, (Coleção Ambiental) 2004.
PINTO, D. B. F. Qualidade dos recursos hídricos superficiais em sub-bacias hidrográficas
da Região Alto Rio Grande – MG. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Agrícola). Universidade Federal de Lavras. 2007.
PORTO, R. L. L.; AZEVEDO, L. G. T. Sistemas de Suporte a Decisões Aplicadas a
Problemas de Recursos Hídricos. In: Técnicas Quantitativas para o Gerenciamento de
Recursos Hídricos. Rubem La Laina Porto (Org.). Porto Alegre, RS: UFRGS, 2002.
RENNÓ, C. D.; SOARES, J. V. Modelos hidrológicos para gestão ambiental. Relatório
Técnico Parcial (Programa de Ciência e Tecnologia para Gestão de Ecossistemas – Ação
métodos, modelos e geoinformação para a gestão ambiental). INPE, 2000.
ROCHA, J. C.; ROSA, A. H.; CARDOSO, A. A. Introdução à química ambiental. Porto
Alegre: Bookman, 2004.
RODRIGUES, R. B. Sistema de Suporte à Decisão Proposto para a Gestão Quali-
Quantitativa dos Processos de Outorga e Cobrança pelo Uso da Água. Tese de Doutorado.
Universidade de São Paulo - São Paulo, 2005.
SARDINHA, D. S. Avaliação da qualidade da água e autodepuração do Ribeirão do Meio,
Leme (SP). Revista Engenharia Sanitária e Ambiental. v.13, n.3, 2008.
SETTI, A. A. Introdução ao Gerenciamento de Recursos Hídricos. 2 ed – Brasília: Agência
Nacional de Energia Elétrica, Superintendência de Estudos e Informações Hidrológicas, 2000.
SILVEIRA, V. F. Metodologia para Modelagem do Padrão da Paisagem Integrando Sistema de
Informações Geográficas, Sensoriamento Remoto e Redes Neurais. Tese (Universidade federal de
Santa Catarina). Florianópolis, 1999.

SOARES, P. F. Projeto e Análise de desempenho de redes de monitoramento da qualidade da


água. Apostila do Programa de Mestrado da Geografia, UEM, Maringá, PR, 2003.
THACKSTON, E. L.; KRENKEL, P. A. 1969. Reaeration-prediction in natural streams. J.
[Link]. ASCE, 1969.
TITO, M. J. B. Estimative of parameters used in a multimedia environmental model:
application to Guanabara Bay. Tese (Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Metalúrgica). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. 2003.
TSIVOGLOU, E. C.; NEAL, L.A. Tracer Measurement of Reaeration. Journal of the Water
Pollution Control Federation, 1976.
VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. Belo
Horizonte. Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Engenharia Sanitária e
Ambiental, 1996.
62

APÊNDICES

APÊNDICE A: Relatório fotográfico

As Figuras abaixo representam os cenários encontrados durante as saídas a campo nos


cinco pontos coletas.
Figura 31 - Local de coleta no Ponto 1.

Figura 32 - Local de coleta no Ponto 2.

Figura 33 - Local de coleta no Ponto 3.


63

Figura 34 - Local de coleta no Ponto 4.

Figura 35 - Local de coleta no Ponto 5.


64

APÊNDICE B: Determinação da velocidade de escoamento superficial do arroio pelo


método do flutuador.

Inicialmente para a determinação da velocidade de escoamento superficial foi utilizado


duas estacas de madeira e um martelo. Foram fixados dois pontos perpendiculares na seção do
rio, como mostra a Figura 36.

Figura 36 - Ponto 1 com estacas de madeira.

Em seguida mediu-se a distância entre a estaca que marcava o ponto de lançamento do


flutuador e a estaca que marcava o final do trajeto a ser monitorado. Para medir esta distância
foi utilizada uma trena de 50 m. Como pode ser observado através das Figuras 37 e 38.

Figura
Figura3837- -Medição
Mediçãononoponto
ponto1.1. Figura 38
Figura 37 -- Medição
Medição no
no ponto
ponto 5.
5.
65

Como flutuador foi utilizado um laranja. A laranja então foi posicionada na seção
superior no centro da correnteza e quando esta foi solta o cronômetro foi acionado. No
instante em que a laranja ultrapassou totalmente a segunda estaca na seção inferior o
cronômetro foi parado. O momento do percurso do flutuador é mostrado nas Figuras 39 e 40.

Figura 40–- Flutuador


Figura39 Flutuador lançado
lançado no
no ponto
ponto 1.
1. Figura 39 –- Flutuador
Figura 40 Flutuador lançado
lançado no
no ponto
ponto 4.
4.

Na seleção de um trecho do arroio foi observado se este era reto, com no mínimo 15
cm de profundidade e se não apresentava uma área de águas paradas.
A medição do tempo foi feita no mínimo duas vezes. E caso, durante o deslocamento
da laranja, esta sofresse algum impedimento por galhos, pedras, etc, a medida foi descartada,
sendo refeita uma nova medição. Os resultados para este ensaio estão mostrados no Anexo A.
66

APÊNDICE C: Análise de coliformes termotolerantes pelo método do número mais provável


(NMP).

Antes da análise de coliformes termotolerantes foi necessário realizar o preparo do


material. Foram separados duzentos tubos de ensaio onde colocou-se um tudo de Durhan na
posição invertida em cada tubo de ensaio, como mostrado na Figura 41. Em seguida os tubos
foram tampados com um chumaço de algodão em rama, para que a amostra não tivesse
contato com o ar ambiente, indicado na Figura 42.
Figura
Figura4142- Tubo
- Tubodedeensaio
ensaiocontendo
contendoum
um Figura 42 - Tubos de ensaio tampados.
Figura 41 - Tubo de ensaio tampados.
tubo
tubodedeDurhan
Durhaninvertido.
invertido.

O preparo das pipetas volumétricas de 1 mL envolveram a colocação de um pequeno


chumaço de algodão no bocal da pipeta e a colocação de um papel-madeira ao seu redor,
como mostra a Figura 43, para protegê-la do contato com o ar após sua esterilização na
autoclave a 121 °C por quinze minutos.

Figura 43 - Pipetas preparadas.


67

Em seguida foram preparados os dois meios de culturas utilizados na análise. Para o


teste presuntivo, que consiste na confirmação da existência de coliformes totais na amostra,
foi preparado caldo lauril triptose. Pesou-se 35,6 gramas para cada litro de amostra preparada
como mostra a Figura 44. Após o preparo do meio, adicionou-se 10 mL do caldo em cada um
dos cem tubos de ensaios. Tampou-se novamente os tubos com algodão, mostrado na Figura
45 e esterilizou-os a 121°C em autoclave por quinze minutos.

Figura 45
Figura 44 -- Balança
Balança eletrônica.
eletrônica. Figura 44 –- Tubos
Figura 45 Tubos contendo
contendo caldo
caldo lauril.
lauril.

No teste confirmativo, que indicará a existência de coliformes termotolerantes


(Escherichia coli) na amostra, foi preparado caldo E. coli. Pesou-se 37 gramas para cada litro
de amostra preparada. Após o preparo do meio, adicionou-se 10 mL do caldo em cada um dos
cem tubos de ensaios. Tampou-se novamente os tubos com algodão, mostrado na Figura 46 e
esterilizou-os a 121°C em autoclave por quinze minutos. Mantendo-os refrigerados por no
máximo 96 horas.
Figura 46 - Tubos contendo caldo E. coli.
68

Também foi necessário fazer o preparo da água de diluição. A água de diluição ou


água peptonada é o diluente universal de meios biológicos. Pesou-se 1,6 gramas para cada
litro de amostra preparada. Após o preparo do meio, adicionou-se 9 mL da água peptonada em
cada um dos vinte tubos de ensaios, indicado na Figura 47, que também foram esterilizados
em autoclave a 121º C durante quinze minutos, de acordo com a Figura 48.

Figura 48
Figura 47 -- Tubos
Tubos contendo
contendo água
água peptonada.
peptonada. Figura 47
Figura 48 –- Autoclave.
Autoclave.

Após a esterilização, para preparar a diluição 10-1 tomou-se 1 tubo de ensaio contendo
9 mL de água de peptonada e adicionou-se 1 mL da amostra de água a ser analisada. Desta
amostra foi tirado 1 mL e adicionado em outro frasco de água peptonada, afim de fazer a
diluição 10-2. O mesmo foi feito para a diluição 10-3.
A realização do primeiro teste, o teste presuntivo, deu-se da seguinte maneira:
1º) Separou-se 20 tubos de ensaio contendo caldo lauril triptose de 5 em 5. Nos
primeiros 5 tubos, inoculou-se com pipeta esterilizada, 1 mL da amostra de água a ser
examinada, em cada tubo com caldo lauril sem diluição ou diluição 100. Nos próximos 5
tubos inoculou-se 1 mL da diluição 10-1 o memo foi feito para os demais tubos das outras
diluições, como mostra a Figura 49.

Figura 49 - Teste presuntivo.


69

Para que não houve contaminação do ar nas amostras uma chama foi acesa próximo ao
local de análise, como mostra a Figura 50.

Figura 50 - Análise presuntiva.

2°) Todos os frascos foram incubados em banho termostático de água a 35 ± 0,5 °C


durante 24 horas.
Se no final das 24 horas houve formação de gás dentro do tubo de Durhan e a amostra
estiver turva, como mostra a Figura 51 significa que o teste presuntivo foi positivo. E neste
caso, deve ser realizado o teste confirmativo. E se não houver a formação de gás durante o
período de incubação, o exame termina nesta fase e o resultado do teste é considerado
negativo.
Figura 51 - Tubo do teste presuntivo negativo e positivo.

A realização do segundo teste, o teste confirmativo, deu-se da seguinte maneira:


70

1º) Separou-se os tubos positivos do teste presuntivo que deram positivo nas quatro
diluições, tomando igual número de tubos contendo o meio de cultura E. coli, como mostra a
Figura 52.
Figura 52 - Teste confirmativo.

Com a alça de platina, previamente flambada e fria, foi retirado de cada tubo positivo
uma porção de amostra e inoculado no tubo correspondente ao meio E. coli. Esse
procedimento é chamado de repicagem e está mostrado nas Figuras 53 e 54.

54 -– Flambagem.
Figura 53 Flambagem. 53 – Repicagem.
Figura 54

2°) Todos os frascos foram incubados em banho termostático de água a 37,5 ± 0,5 °C
durante 24 horas.
Se no final deste período houve formação de gás dentro do tubo de Durhan o teste é
considerado positivo. Caso não haja formação de gás, o teste é considerado negativo. Os
resultados são expressos em N.M.P (Número mais Provável)/100 mL de amostra. A Tabela de
combinação dos resultados positivos está disposta no Anexo B.9.
71
72

ANEXOS

Anexo A – Dados da velocidade superficial do arroio Bagé em m/s.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 0,465 0,852 0,545 0,447 0,480
Ponto 2 1,012 1,142 0,886 0,809 0,976

Ponto 3 0,119 0,177 0,182 0,158 0,144

Ponto 4 0,392 0,289 0,250 0,270 0,336

Ponto 5 0,573 0,461 0,480 0,432 0,494

Anexo B.1 – Temperatura da água do arroio nos 5 pontos em °C.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 8 13 15 16 18
Ponto 2 8 15 16 17 18

Ponto 3 10 15 16 17 19

Ponto 4 10 16 16 18 19

Ponto 5 10 19 19 21 21

Anexo B.2 – Potencial hidrogeniônico da água do arroio nos 5 pontos.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 7,54 7,31 7,30 7,28 7,14
Ponto 2 7,42 7,68 7,62 7,54 7,33

Ponto 3 7,45 7,44 7,78 7,80 7,88

Ponto 4 7,49 7,49 8,21 8,05 8,28

Ponto 5 7,52 7,44 8,17 7,86 7,89

Anexo B.3 – Dados de oxigênio dissolvido da água em ppm O2/mL.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 9,29 8,31 8,22 8,33 8,15
Ponto 2 6,36 8,56 8,05 7,86 7,44

Ponto 3 6,79 8,00 7,70 6,68 6,18


Ponto 4 6,29 7,62 7,84 6,90 5,88

Ponto 5 7,50 5,89 7,61 6,24 5,26


73

Anexo B.4 – Dados da demanda bioquímica de oxigênio da água em mg/L.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 28 20 14 - -
Ponto 2 35 28 23 - -

Ponto 3 40 35 33 - -

Ponto 4 39 37 36 - -

Ponto 5 39 39 44 - -

Anexo B.5 – Condutividade elétrica da água μS/cm.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 90 173,1 113,4 145,8 166,9
Ponto 2 88,6 112,2 107,3 114,9 113,5

Ponto 3 212,3 173,1 234,2 288,5 299,0

Ponto 4 239,3 212,2 195,6 248,8 275,5

Ponto 5 273,5 303 272,3 301,0 376,8

Anexo B.6 – Sólidos dissolvidos da água em ppm/L.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 44,5 90,1 56,7 77,8 72,4
Ponto 2 49,4 56,3 53,6 65,9 66,8

Ponto 3 106,1 86,6 117,3 131,8 127,4

Ponto 4 118,2 106,1 97,6 109,4 176,4

Ponto 5 136,9 151 136,1 146,9 188,9

Anexo B.7 – Dados da turbidez da água em NTU.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 42,4 34,4 37,4 40,4 44,8
Ponto 2 43,5 40,9 32 39,8 36,7

Ponto 3 40,6 34,3 26,6 38,9 37,0

Ponto 4 40,9 33,7 28,8 35,4 36,8


Ponto 5 35,2 31,7 22,1 33,1 35,7
74

Anexo B.8 – Resultado análise coliformes termotolerantes em NMP/100 mL.

Ago Set Out Nov Dez


Ponto 1 280 80 240 230 -
Ponto 2 300 80 500 400 -

Ponto 3 >1600 28000 8000 17500 -

Ponto 4 >1600 17000 30000 26000 -

Ponto 5 >1600 30000 36000 28000 -

Anexo B.9 – NMP


75

Anexo C – Dados meteorológicos.

27/08/2013 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5


Temperatura do ar (°C) 9 9 10 11 11
Umidade do ar (%) 54
Vento (km/h) 17

31/09/2013 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5


Temperatura do ar (°C) 14 19 19 20 24
Umidade do ar (%) 34
Vento (km/h) 9

29/10/2013 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5


Temperatura do ar (°C) 17 18 20 22 24
Umidade do ar (%) 52
Vento (km/h) 10

20/11/2013 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5


Temperatura do ar (°C) 19 19 22 23 25
Umidade do ar (%) 48
Vento (km/h) 14

05/12/2013 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5


Temperatura do ar (°C) 20 21 24 26 27
Umidade do ar (%) 44
Vento (km/h) 8
76

Anexo D – Coeficientes calibrados no modelo.

Parameter Value Units


Inorganic suspended solids:
Settling velocity 1,304 m/d
Oxygen:
Reaeration model O'Connor-Dobbins
User reaeration coefficient α, β and γ 0
Temp correction 1,024
O2 for carbon oxidation 0,58 gO2/gC
O2 for NH4 nitrification 4,57 gO2/gN
Oxygen inhib model CBOD oxidation 2nd order
Oxygen inhib parameter CBOD oxidation 0,60 L/mgO2
nd
Oxygen inhib model nitrification 2 order
Oxygen inhib parameter nitrification 0,60 L/mgO2
Oxygen enhance model denitrification 2nd order
Oxygen enhance parameter denitrification 0,60 L/mgO2
Oxygen inhib model phyto resp 2nd order
Oxygen inhib parameter phyto resp 0,60 L/mgO2
Oxygen enhance model bot alg resp 2nd order
Oxygen enhance parameter bot alg resp 0,60 L/mgO2
Slow CBOD:
Hydrolysis rate 4,999 /d
Temp correction 0,30
Oxidation rate 5 /d
Temp correction 0,40
Pathogens:
Decay rate 0,8 /d
Temp correction 1,07
Settling velocity 1 m/d
Light efficiency factor 1,00
pH:
Partial pressure of carbon dioxide 347 ppm

View publication stats

Common questions

Com tecnologia de IA

Apesar das simulações indicarem reduções em parâmetros de poluição, as concentrações de DBO e coliformes termotolerantes ainda superavam os limites da Resolução CONAMA nº 357/2005. Isso sugere que, mesmo com intervenções simuladas, os padrões de qualidade legalmente requeridos ainda não são atingidos, mostrando a complexidade de atender a esses padrões .

O tratamento dos efluentes é crucial para a melhoria da qualidade da água no Arroio Bagé porque esgotos sem tratamento resultam em degradação ambiental significativa. As simulações dos cenários, como a implementação de uma estação de tratamento, mostram que mesmo uma diminuição parcial nos parâmetros de poluição pode não ser suficiente para cumprir os padrões da Resolução CONAMA, indicando a necessidade de tratamento mais eficiente .

Simular cenários de aumento populacional é importante porque permite prever as consequências sobre a qualidade da água, como aumento de poluentes devido ao incremento do esgoto doméstico. Isso fornece informações críticas para ajustar políticas de gestão e tratamento de águas, garantindo que o crescimento demográfico não comprometa a sustentabilidade dos recursos hídricos .

A simulação mostrou que a adição de cargas poluentes elevou a temperatura da água em cerca de 4°C nos 4 km finais antes da foz, indicando que as cargas poluentes podem afetar as condições térmicas do corpo d'água, possivelmente impactando o equilíbrio ecológico e a qualidade ambiental do Arroio .

A legislação brasileira, incluindo o Código de Águas e a Resolução CONAMA nº 357/2005, visa sistematizar a utilização sustentável dos recursos hídricos. Ela demanda que a proteção ambiental e o combate à poluição sejam responsabilidades compartilhadas entre a União, estados e municípios, promovendo melhorias contínuas nas condições ambientais e de saúde pública .

A modelagem ambiental pode simular cenários futuros e analisar o impacto potencial de diferentes usos da terra. Isso ajuda a prever como alterações no crescimento populacional, como o aumento de carga poluidora, influenciam a qualidade da água e os ecossistemas, destacando mudanças necessárias na gestão para minimizar impactos ambientais .

A Resolução CONAMA nº 357/2005 estabelece os padrões de qualidade para corpos de água, fixando parâmetros de controle para assegurar que os efluentes lançados não comprometam a qualidade ambiental das águas. Isso é fundamental para a avaliação e a gestão da qualidade da água, pois proporciona um marco legal a ser seguido, permitindo que medidas corretivas sejam implementadas quando os padrões não são respeitados .

A simulação da qualidade da água usando modelos como o QUAL2K enfrenta desafios, especialmente na representação de parâmetros como turbidez, onde não foram encontrados coeficientes de decaimento adequados. Além disso, a variabilidade dos dados de entrada e a dependência de informações precisas, como as vazões de esgoto, também complicam a simulação precisa de alguns parâmetros .

O QUAL2K permite simular parâmetros de qualidade como pH e temperatura com relativa precisão, facilitando a gestão ambiental. No entanto, para parâmetros como turbidez, o modelo mostrou limitações em fornecer ajustes precisos, o que sugere necessidade de mais desenvolvimento ou dados adicionais para maior precisão em toda a gama de parâmetros avaliados .

A modelagem computacional, através de modelos como o QUAL2K, desempenha um papel crucial na gestão de recursos hídricos. Ela permite a simulação das condições de qualidade da água, possibilitando prever os impactos resultantes de diferentes cenários e fornecer uma ferramenta valiosa para a tomada de decisões na gestão ambiental e de recursos hídricos .

Você também pode gostar