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Jurisprudência: Ingressos e Provas Ilícitas

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Jurisprudência dos

Tribunais Superiores

Versão Condensada
Sumário
Jurisprudência dos Tribunais Superiores��������������������������������������������������������������������� 3

1. Informativo 1126 - STF��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 3

2. Informativo 803 - STJ��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 3

3. Informativo 800 - STJ��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 5

4. Informativo�������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 5

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A L F A C O N
Jurisprudência dos Tribunais Superiores

1. Informativo 1126 - STF

Se o indivíduo, ao avistar uma ronda policial, correu para dentro de sua casa, isso pode ser considerado como atitude
suspeita, autorizando o ingresso na casa mesmo sem autorização ou ordem judicial?

Não há ilegalidade na ação de policiais militares que — amparada em fundadas razões sobre a existência de flagrante
do crime de tráfico de drogas na modalidade “ter em depósito” — ingressam, sem mandado judicial, no domicílio
daquele que corre, em atitude suspeita, para o interior de sua residência ao notar a aproximação da viatura policial.

2. Informativo 803 - STJ

A mera inobservância do procedimento de cadeia de custódia previsto CPP não acarreta, automaticamente, a impres-
tabilidade das provas colhidas; a consequência processual dependerá da análise do caso concreto

RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO DE DROGAS. INGRESSO FORÇADO EM DOMICÍLIO. AUSÊNCIA
DE FUNDADAS RAZÕES. ILICITUDE DAS PROVAS OBTIDAS. PROVAS INDEPENDENTES DECORRENTES DE BUSCA
PESSOAL. INCONSISTÊNCIA QUANTO AO RESULTADO DA PERÍCIA DE PARTE DAS SUBSTÂNCIAS RECONHECIDA
PELA CORTE DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE NUMERAÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS LACRES NA PERÍCIA DEFINITIVA.
QUEBRA DA CADEIA DE CUSTÓDIA. IMPOSSIBILIDADE DE DISTINÇÃO ENTRE AS SUBSTÂNCIAS APREENDIDAS EM
DIFERENTES CONTEXTOS. INCERTEZA QUANTO À NATUREZA ENTORPECENTE DAS SUBSTÂNCIAS APREENDIDAS
DURANTE A BUSCA PESSOAL INICIAL. ABSOLVIÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL.
DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE ADMITIU PARCIALMENTE O APELO NOBRE. FALTA
DE INTERESSE RECURSAL. SÚMULAS N. 292 E 528 DO STF. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO.

1. No caso, o ingresso forçado na residência do Recorrente, sem autorização judicial, foi justificado pelo Tribunal
estadual apenas com base na suposta confissão informal do Acusado, que foi alvo de busca pessoal em via pública
- ocasião em que foram apreendidas em seu poder 8 (oito) buchas de maconha (4g), além da quantia de R$ 35, 00
(trinta e cinco reais), e ele teria, voluntariamente, informado que guardava mais drogas em sua residência -, bem
como no caráter permanente do delito de tráfico de drogas.

2. A Sexta Turma desta Corte Superior de Justiça tem sedimentado entendimento no sentido de que é inverossímil
a suposta confissão informal do réu sobre armazenamento de drogas no interior do imóvel, seguida de autorização
para ingresso dos policiais, quando não há comprovação do consentimento do morador, como ocorreu no presente
caso. Assim, deve ser declarada a nulidade das provas obtidas a partir do ingresso dos policiais na residência do
Recorrente.

3. No entanto, observa-se que o acervo probatório presente nos autos não está composto exclusivamente pela prova
declarada ilícita e suas derivações, havendo outros elementos probatórios, quais sejam:

apreensão prévia de drogas durante a busca pessoal - não havendo insurgência defensiva específica quanto a essa
abordagem policial inicial, tampouco manifestação das instâncias ordinárias - e prova testemunhal.

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4. Nessa situação, o desfecho comumente aplicado pela jurisprudência da Sexta Turma seria no sentido de se anular
a condenação, determinando ao Juízo de origem que, após desentranhar a prova ilícita e as dela derivadas, realizasse
um novo julgamento da ação penal. Porém, na hipótese específica destes autos, há ainda outra nulidade, arguida
pela Defesa: a suposta violação da cadeia de custódia, aduzida, indistintamente, quanto a todos os entorpecentes
apreendidos, inclusive aqueles encontrados durante a busca pessoal.

5. O Tribunal a quo consignou, quanto ao Laudo Definitivo, que “apenas os itens nºs 01 e 05 foram inconsistentes
quanto ao resultado, tendo todos os outros itens e, portanto, todas as outras amostras, detectado a presença da
substância Tetrahidrocannabinol (THC)”. Porém, da simples leitura do Laudo Definitivo, constata-se que, diferente-
mente do que ocorrera no Laudo Provisório, todas as substâncias foram identificadas com a mesma numeração de
lacre e as amostras conservadas para perícia definitiva têm massas idênticas, de forma que não é possível distinguir
se as substâncias em relação às quais a perícia foi inconsistente - inconsistência essa já reconhecida pela Jurisdição
ordinária no aresto recorrido - são as drogas apreendidas na residência do Recorrente ou durante a busca pessoal.

6. Nessa conjuntura, não foi observada a norma disposta no art. 158-D, § 1.º, do Código de Processo Penal, segundo
a qual “[t]odos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração individualizada, de forma a garantir
a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio durante o transporte.

7. Embora, em princípio, nem todas as provas sejam ilícitas por desrespeito à inviolabilidade domiciliar, de todo modo,
em razão da falta de numeração individualizada do material objeto da perícia definitiva, não é possível comprovar,
com segurança, a natureza entorpecente das substâncias encontradas na posse do agente, quando de sua aborda-
gem em via pública, de forma que o Acusado deve ser absolvido por falta de materialidade delitiva (art. 386, inciso
II, do Código de Processo Penal).

8. Não se está a dizer que a mera inobservância do procedimento descrito no art. 158-D, § 1.º, do Código de Processo
Penal acarrete, automaticamente, a imprestabilidade das provas, mesmo porque, conforme orientação jurispruden-
cial desta Turma, a consequência processual concreta de eventual desconformidade com as regras previstas no
Código de Processo Penal para as etapas de rastreamento dos vestígios (158-A a 158-F) dependerá do cotejo com
os demais elementos de prova constantes dos autos.

9. Ocorre que, na hipótese, a quebra da cadeia de custódia resultou na impossibilidade de se distinguir, com segu-
rança, se a reconhecida inconsistência de parte da perícia referia-se às substâncias apreendidas por ocasião da
busca pessoal ou do ingresso domiciliar.

10. A admissão parcial do recurso especial pelo Tribunal de origem não impede seu amplo conhecimento por esta
instância especial, na medida em que não vincula seu próprio juízo de admissibilidade, conforme disposto nas Súmu-
las n. 292 e 528 da Suprema Corte.

11. Recurso especial provido para: a) declarar a nulidade das provas obtidas mediante a busca e apreensão domici-
liar realizada ilegalmente, bem como as provas dela decorrentes; b) quanto às drogas remanescentes, apreendidas
durante a busca pessoal inicial, reconhecer a quebra da cadeia de custódia e a consequente incerteza quanto à
natureza entorpecente dessas substâncias; e c) por conseguinte, absolver o Réu da imputação delitiva, por falta
de comprovação da materialidade delitiva, com amparo no art. 386, inciso II, do Código de Processo Penal. Agravo
em recurso especial não conhecido.

(REsp n. 2.024.992/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 15/3/2024.)

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3. Informativo 800 - STJ

Cabe aos agentes que atuam em nome do Estado demonstrarem, de modo inequívoco, que o consentimento do morador
foi livremente prestado.

AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL CONTRA DECI-
SÃO QUE CONCEDEU A ORDEM. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. NULIDADE. VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO.
AUSÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES. VOLUNTARIEDADE DO CONSENTIMENTO PARA O INGRESSO NA RESIDÊNCIA.
FALTA DE COMPROVAÇÃO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. PRECEDENTES.

1. A Sexta Turma deste Tribunal Superior, no julgamento do HC n. 598.051/SP, assentou que o ingresso regular em
domicílio alheio é possível apenas quando o contexto fático anterior à invasão permitir a conclusão acerca da ocor-
rência de crime no interior da residência, cuja urgência em sua cessação demande ação imediata.

2. A moldura fática delineada no acórdão atacado é de que a violação de domicílio foi efetivada após o recebimento
de denúncia anônima informando a prática do delito de tráfico no local, inexistindo prévias investigações que con-
firmassem os fatos noticiados na comunicação apócrifa e que subsidiassem a convicção dos agentes de que o
agravado ocultava droga ou algum dos objetos mencionados no art. 240 do CPP.

3. A prova da legalidade e da voluntariedade do consentimento para o ingresso na residência do suspeito incumbe,


em caso de dúvida, ao Estado, e deve ser registrada em áudio-vídeo e preservada tal prova enquanto durar o pro-
cesso (HC n. 598.051/SP, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 15/3/ 2021). No caso em apreço, embora
as instâncias ordinárias tenham asseverado que o acesso dos policiais ao domicílio do acusado foi franqueado, não
há comprovação de que tal acesso tenha ocorrido de modo voluntário e livre de qualquer tipo de constrangimento.

4. Agravo regimental improvido.

(AgRg no HC n. 821.494/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de
28/2/2024.)

4. Informativo

O fato de o réu não ter sido localizado não é motivo, por si só, para a decretação da prisão preventiva.

PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PARTICIPAÇÃO
DE ADOLESCENTE. CITAÇÃO EDITALÍCIA FRUSTRADA. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE.
AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO.

1. A decretação de prisão preventiva em caso de citação editalícia frustrada, prevista no art. 366 do Código de
Processo Penal, não é automática.

2. Pacífica jurisprudência desta Corte indica a impossibilidade de decretação de prisão preventiva amparada apenas
na ausência de localização do réu, sem a demonstração de outros elementos que justifiquem a necessidade da
segregação cautelar.

3. As instâncias de origem não indicaram elementos concretos que pudessem justificar a medida extrema, o que
evidencia ausência de fundamentação do decreto prisional.

4. Agravo regimental provido.

(AgRg no RHC n. 170.036/MG, relator Ministro João Batista Moreira (Desembargador Convocado do TRF1), Quinta
Turma, julgado em 21/11/2023, DJe de 5/12/2023.)

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