Atividade Física e Saúde Vascular Masculina
Atividade Física e Saúde Vascular Masculina
Porto, 2015
Cavalcante, S. L. (2015). Repercussões da Atividade Física na Saúde Vascular
e Rigidez Arterial de Indivíduos Adultos do Sexo Masculino. Porto: Dissertação
de mestrado apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
IV
Dedico este trabalho e estes dois anos de mestrado
especialmente ao Lima.
V
VI
Agradecimentos
VII
profissionais e pessoais. É um ser humano excepcional, profissionalmente e
pessoalmente. Muito obrigada.
A Universidade de Desporto da Universidade dos Porto (FADE-UP) e a
todo o corpo docente, pela dedicação aos trabalhos, pelas aulas e palestras.
Obrigada Maria Domingues, Marta, Manuela, Helder, Sr. Coimbra e Sr.
Marinho, pela simpatia e profissionalismo.
Aos professores da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) por sempre
nos terem incentivado a vislumbrar novos voos e lutar por eles, pelos anos de
estudo aliados a boas amizades e convivência. Meus agradecimentos em
especial; Professor Ralciney, Professora Liana, Professora Kristiane Franchi,
Professora Mônica, Professor Vicente, Professora Raquel Felipe e Professor
Carlão. Obrigada aos amigos Monara Yrma, Lia Menezes, Michelle Gonzales,
Jane Araújo e Felipe.
Meu agradecimento à Universidade Federal do Ceará (UFC),
nomeadamente ao professor Doutor Carlos Alberto e aos meus amigos Natália
Macêdo, Elizamar Regina e Aurifran Barroso, por todo o apoio. Muito obrigada
a todos.
VIII
Índice Geral
Índice de figuras………………………………………………...……………..…......XI
Índice de tabelas………………………………………...…………..……………...XIII
Resumo………………………………………….…………………………....…….. XV
Abstract………………………………………….……………………………….... XVII
Lista de abreviaturas e símbolos………………….…...………………….………XIX
[Link]ÇÃO…………………………………………………………….…………3
2. REVISÃO DE LITERATURA……………………………………..…….………….7
2.1. Estrutura do sistema cardiovascular………………………………....……….7
2.1.1. Coração………………………………………………….…….……...……7
2.1.2. Circulação direita ou circulação pulmonar……………..……….………7
2.1.3. Circulação esquerda ou circulação sistêmica………..………...………8
[Link] sanguíneos……………………….……...…………………………..…11
2.2.1. Estrutura dos vasos sanguíneos………………...…………..…………11
2.2.2. Classificação funcional dos vasos sanguíneos….………...........……12
2.2.3. Artérias elásticas………………………….……………………...………12
2.2.4. Artérias de condução…………………………………….………………13
2.2.5. Vasos de resistência……………………………..……...………………13
2.2.6. Vasos de troca………………………………………...….……...………14
2.2.7. Capacitância dos vasos…………………….…………...………………14
2.3. Hemodinâmica……………………………………………….………...………14
2.3.1. O papel das artérias na hemodinâmica…………………………..……15
2.4. Rigidez arterial………………………………………………….……...………17
2.4.1. Avaliação da rigidez arterial……………………….……...….…………17
2.4.2. Velocidade de onda de pulso avaliada pelo SphygmoCor……..……18
2.4.3. Análise de onda de pulso através do SphygmoCor………..…...……21
2.4.4. Fatores de risco para rigidez arterial……………..……..………..……23
2.5. Definições dos termos: “comportamento sedentário”, “atividade física”,
“sedentarismo” e “inatividade física”………………………………....…….………24
2.5.1. Gasto energético e classificação da atividade física e do
comportamento sedentário…………………………………………………….……26
2.5.2. Métodos de avaliação……….……………………...………………...…27
IX
2.5.3. Acelerometria………………………………………………..……………27
[Link]ções do acelerômetro……………………………..………………27
2.5.5. Atividade física e diminuição do risco de mortalidade……....……… 28
2.5.6. Atividade física na prevenção da rigidez arterial e aterosclerose..…28
2.5.7. Comportamento sedentário e riscos de mortalidade…………………30
2.5.8. Comportamento sedentário e rigidez arterial………………..……..…32
3. OBJETIVOS E HIPÓTESES……………………………………….…..……..…37
4. MÉTODOS…………………………………………………………………………41
4.1. Desenho do estudo, recrutamento e procedimentos…………..………41
4.2. Hábitos tabágicos…………………………………………………..………42
4.3. Medidas antropométricas…………………………………….……………42
4.4. Pressão arterial……………………………………………………..………43
4.5. Avaliação da atividade física………………………………...……………43
4.6. Rigidez arterial……………………………………………...………………44
4.6.1. Análise de onda de pulso……………………………………………….44
4.6.2. Velocidade de onda de pulso……………………………………….…..44
4.7. Análise estatística……………………………..……...……………………45
5. RESULTADOS…………………………………………………….………………49
6. DISCUSSÃO……………………………………….………………………………59
7. LIMITAÇÕES………………………………………………………………………67
8. CONCLUSÕES……………………………………………………………………71
9. BIBLIOGRAFIA………………………………………….……...…………………75
X
Índice de figuras
XI
XII
Índice de tabelas
XIII
XIV
Resumo
XV
XVI
Abstract
XVII
XVIII
Lista de abreviaturas e símbolos
AF - Atividade física
AF leve – Atividade física leve
AFMV – Atividade física moderada-vigorosa
AIx – Índice de aumentação
AIx75 – Índice de aumentação corrigido pela frequência cardíaca de 75 bpm
AOP – Análise de onda de pulso
AP – Pressão de aumentação
AVC – Acidente vascular cerebral
baPWV – Velocidade de onda de pulso avaliada na artéria braquial-tornozelo
bpm – batimentos por minuto
CAIx – Índice de aumentação central
CO2 – Dióxido de carbono
CR – Cumprem com as recomendações da Organização Mundial de Saúde
para atividade física moderada-vigorosa
CS – Comportamento sedentário
DCV – Doença cardiovascular
ECG – Eletrocardiograma
FC – Frequência cardíaca
GLUT – Proteínas transportadoras de glicose
HDL - Lipoproteína de alta densidade
HTA – Hipertensão arterial
IMC – Índice de massa corporal
LDL - Lipoproteína de baixa densidade
LPL - Enzima lipase
MET – Múltiplo de taxa metabólica basal
mm Hg – Milímetros de mercúrio
NCR – Não cumprem com as recomendações da Organização Mundial de
Saúde para atividade física moderada-vigorosa
O2 – Oxigênio
OMS – Organização Mundial de Saúde
ON – Óxido Nítrico
XIX
PA - Pressão arterial
PAD – Pressão arterial diastólica
PAIx – Índice de aumentação periférico
PAIx75 – Índice de aumentação periférico ajustado pela frequência cardíaca de
75 bpm
PAM – Pressão arterial média
PAS – Pressão arterial sistólica
PC – Perímetro de cintura
PP – Pressão de pulso
PP central – Pressão de pulso central
PSE – Perceção subjetiva de esforço
RA – Rigidez arterial
Tr – Tempo de chegada das ondas refletidas na aorta
tt ou ∆t – Tempo de trânsito
VO2 máximo – Volume máximo de consumo de oxigênio
VOP - Velocidade de onda de pulso
XX
INTRODUÇÃO
1. INTRODUÇÃO
3
metodológica. De fato, até à data, a maioria dos estudos transversais utilizou
medidas de avaliação da AF por meio de questionários auto-reportados
(Dyrstad et al., 2014). Esta metodologia poderá estar associada a um viés
metodológico não negligenciável, uma vez que é conhecido que os
questionários e medidas auto-reportadas da AF poderão sobrestimar o índice
de AF e particularmente, a atividade física moderada-vigorosa (AFMV) que é a
que mais se relaciona com benefícios para saúde. Por outro lado, as medidas
auto-reportadas poderão subestimar o tempo passado em CS (Dyrstad et al.,
2014) que são considerados como deletérios para a saúde em geral e
igualmente para a saúde e função vascular (Horta et al., 2015; Thyfault et al.,
2015). O uso de medidas objetivas da AF, como por exemplo o uso de
acelerômetros poderá, pelo menos em parte, obviar as potenciais debilidades
metodológicas de estudos anteriores.
A maioria dos estudos observacionais tem-se debruçado sobre a
associação do índice de AF, de intensidade ligeira e de intensidade moderada
a vigorosa com a RA, na perspectiva de identificação do caráter protetor da AF
na RA (Andersson et al., 2015; Gando et al., 2010; Gomez-Marcos et al., 2014;
Laursen et al., 2015; O'Donovan et al., 2014; Recio-Rodriguez et al., 2013).
Contudo, são escassos os estudos, que utilizando medidas objetivas da AF,
por exemplo, recorrendo a acelerômetros, têm procurado examinar a
associação do tempo passado em AF de intensidade leve e típica dos CS com
a RA (Andersson et al., 2015; Gomez-Marcos et al., 2014).
Pelo acima exposto, o objetivo deste estudo é avaliar a repercussão do
tempo passado em AF sedentária e da atividade física leve (AF leve) e AFMV,
avaliados por acelerometria, na RA.
4
REVISÃO DE LITERATURA
5
6
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1.1. Coração
7
Após atravessar unidirecionalmente para o ventrículo direito, é gerado
um aumento e pico máximo de pressão (pico de pressão de 20 a 30 mm Hg)
que ocasiona a ejeção de sangue, circulando ao longo do tronco pulmonar e
artérias pulmonar direita e esquerda, em direção aos pulmões direito e
esquerdo, onde são realizadas as trocas gasosas de CO 2 por O2 (Figura 1). O
unidirecionamento do fluxo sanguíneo aqui é garantido pela ação da válvula
tricúspide, que separa a aurícula do ventrículo, e pela válvula semilunar
pulmonar, na artéria pulmonar (Levick, 2010; McArdle et al., 2001; Powers &
Howley, 2004).
8
Figura 1. Circulação sanguínea no coração.
Circulação sanguínea no coração: O sangue saturado com dióxido de carbono (CO 2) entra na
aurícula direita (A.D.) através das veias cavas superior e inferior, translocando-se em seguida
para o ventrículo direito (V.D.). Com a ejeção sanguínea a partir do ventrículo direito, o sangue
segue para os pulmões através da artéria pulmonar, efetuando a “circulação pulmonar”. Após
trocas gasosas a nível alveolar, o sangue segue dos pulmões através das veias pulmonares
superior e inferior direita e esquerda para a aurícula esquerda (A.E.), translocando-se para o
ventrículo esquerdo. Com a sístole do ventrículo esquerdo, o sangue é ejetado para todo o
corpo através da artéria aorta, ocorrendo a “Circulação Sistêmica” (Figura: Klabunde, 2012).
9
dos tecidos orgânicos (Klabunde, 2012). Nas fases de diástole e sístole
cardíaca, a tensão exercida pelo sangue nas paredes cardíacas é denominada
respectivamente por “pressão diastólica” e “pressão sistólica” (Levick, 2010). A
tensão exercida pelo sangue nas paredes dos vasos sanguíneos é designada
por pressão arterial (PA). A PAS refere-se à tensão exercida quando os vasos
acolhem uma onda de sangue ejetada pelos ventrículos, e a pressão arterial
diastólica (PAD), à tensão do sangue remanescente, quando após o
recolhimento elástico um determinado volume sanguíneo viaja em direção aos
tecidos periféricos. A PA funciona como indicador dos efeitos entre o fluxo
sanguíneo ejetado por batimentos por minuto (bpm), denominado como débito
cardíaco, em relação à resistência proporcionada pela árvore vascular
periférica neste fluxo de sangue ejetado, representado pela fórmula (McArdle et
al., 2001):
10
2.2. Vasos sanguíneos
11
sinais através da camada elástica interna, nas chamadas junções mio-
endoteliais (Levick, 2010).
A túnica adventícia, camada mais externa da parede do vaso, é
composta por tecido conjuntivo, fibroblastos e musculatura lisa (Lusis, 2000).
Sem uma borda externa distinta, esta camada tem função na conexão entre o
vaso com o tecido circundante, além de, na maioria dos vasos sanguíneos,
conter terminais de fibras simpáticas oriundas do sistema nervoso autônomo
que liberam substâncias vasoconstritoras, como a noradrenalina, regulando a
resistência local e o fluxo sanguíneo. Além disso, em grandes vasos, esta
camada participa da nutrição da camada média pela presença e ação dos
chamados “vasos dos vasos” (Levick, 2010).
12
em cada batida e acomodando o sangue ejetado. Além disso, durante a
diástole é capaz de acumular energia mecânica que após o recolhimento faz
movimentar o sangue até os vasos de resistência, mantendo o fluxo sanguíneo
e controlando a PA (Levick, 2010; Safar & Frohlich, 2007).
O módulo de elasticidade pode ser definido como a razão entre uma
força aplicada por unidade de área, chamado de “stress”, e consequente
deformação do vaso, caracterizada pela alteração de sua estrutura em relação
à forma original. Assim, um sólido é considerado elástico quando é capaz de
sofrer deformação em sua estrutura após a ação de uma força aplicada, e
voltar a sua forma original após a remoção da força aplicada, sem que hajam
danos na sua estrutura (Safar & Frohlich, 2007).
Outra proteína importante presente nestes vasos é o colágeno,
aproximadamente 100 vezes menos distensível do que a elastina, conferindo
certo grau de rigidez e resistência ao vaso e impedindo a hiperextensão do
mesmo (Levick, 2010).
13
2.2.6. Vasos de troca
2.3. Hemodinâmica
14
Fluxo sanguíneo = __________∆Pressão_________
Resistência ao fluxo sanguíneo
15
elasticidade. Essa diferença de propriedades torna possível o fenômeno
chamado “Amplificação de pressão”, com aumento da PA à medida que o
sangue em circulação se afasta do coração.
Co = √ (V x dP/ρ x dV)
16
2.4. Rigidez arterial
17
Tabela 1. Definições dos fatores analisados pelos métodos de avaliação da rigidez arterial
(Tabela: Mackenzie et al., 2002).
18
clínico como o método simples e fiável do que se quer avaliar, sendo
considerado “padrão-ouro” (“gold-standard”) entre os métodos de avaliação da
RA (Cameron et al., 2013; Laurent et al., 2006; Mackenzie et al., 2002).
Quanto maior a VOP maior é a RA, o que pode ser observado quando o
aumento de 1.0 m/s na VOP proporciona um aumento do risco relativo de
eventos cardiovasculares em 14% (Safar et al., 2011; Vlachopoulos et al.,
2010).
19
esquerdo ou da variabilidade da FC tem pouco ou nenhum efeito na
mensuração do tt (Laurent et al., 2006).
Velocidade de Onda de Pulso (VOP); VOP é o cálculo da distância (L) entre as ondas da
carótida e femoral na diferença de tempo de trânsito (tt ou ∆t) entre o pé da onda da na
carótida e femoral. A distensibilidade é aqui avaliada de acordo com a fórmula de Bramwell e
Hill (Figura: Safar et al., 2011).
20
Representação de ondas (carótida e femoral) com identificação de tt ou ∆t, tempo de trânsito;
∆L, distância entre os dois pontos de avaliação das ondas (carótida e femoral) na artéria aorta
em sua extensão; foot, como ponto de referência da onda para cálculo de tt (Figura: Laurent et
al., 2006).
21
AP: representa um aumento adicional da pressão sistólica aórtica,
expressa em termos absolutos (O'Rourke et al., 2001; Stoner et al., 2012);
AIx: representa o AP descrito em forma de percentagem da pressão de
pulso central. É considerado um marcador de onda de reflexão na avaliação da
RA sistémica (O'Rourke et al., 2001; Stoner et al., 2012);
Tr: tempo do início da ejeção e formação da onda de ida até o início da
reflexão da onda e formação da onda de retorno. Tr reflete a velocidade de
onda de pulso da aorta (Oliver & Webb, 2003; Stoner et al., 2012).
Formação de onda de pressão aórtica. Pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) são
representados nos pontos extremos da onda; Pressão de pulso (PP) como a diferença entre
PAS e PAD; Aumentação de Pressão (AP), como pressão adicional pela onda de retorno na
onda formada; Índice de Aumentação (AIx) é representação de AP em percentagem;
Fechamento da válvula da artéria aorta, utilizado para o cálculo da duração de ejeção; o tempo
de reflexão (Tr) é calculado pelo tempo de início a onda de ida até início da onda refletida
(Figura: Stoner et al., 2012).
O AIx pode ser influenciado por alguns fatores, como PA média (Laurent
et al., 2006; Stoner et al., 2012), sendo ele inversamente relacionado à altura
corporal (Smulyan et al., 1998) e à FC. Consta-se que o aumento de 10 bpm da
FC diminui em 4% o AIx.
Assim, para minimizar os erros relativos à variação de FC e
consequente variação do AIx, utiliza-se a normalização do AIx para uma FC de
22
75 bpm (AIx75), calculado quando o avaliado apresenta FC entre 40 e 110
bpm, fora desta faixa não é possível obter um valor AIx75. Este ajustamento
possibilita a comparação da onda de retorno entre pessoas com diferentes FC
de forma fidedigna, corrigindo os efeitos da variação da FC no AIx e
possibilitando a realização de inferências. O SphygmoCor é um dos
instrumentos mais utilizados na avaliação do AIx, fornecendo automaticamente
valores do AIx75 (Stoner et al., 2012; Wilkinson et al., 2000). O AIx e os
parâmetros de pressão arterial central como a Pressão de Pulso Central (PP
Central), fazem-se importantes uma vez que são considerados marcadores de
risco de mortalidade e ocorrência de eventos cardiovasculares em populações,
como pessoas com problemas renais, hipertensos e pessoas que apresentam
complicações coronárias (Laurent et al., 2006; Weber et al., 2005; Williams et
al., 2006).
A avaliação da RA é então importante devido seu potencial na
estratificação de riscos de DCV, úteis na prevenção de tratamento de
complicações em saúde (Laurent et al., 2006). Sabe-se que o estilo de vida tem
grande influência na função e estrutura arterial (Bolton & Rajkumar, 2011;
Cameron et al., 2013), sendo o estilo de vida sedentário um fator de risco para
o aumento de RA e seus efeitos (Biswas et al., 2015; Owen et al., 2010; Prince
et al., 2014; Tremblay et al., 2010).
23
densidade) e reduzido índice de HDL (lipoproteína alta densidade)
proporcionam aumento do risco de formação de placas de ateroma e aumento
da RA (Lusis, 2000); controle dos valores pressóricos e HTA estabelecida, uma
vez que o nível de PA elevados por tempo prolongado induz o remodelamento
vascular, com hiperplasia e hipertrofia de fibras musculares e desenvolvimento
de RA (Franklin, 2005); hábitos tabágicos, que provoca desregulamento do
metabolismo lipídico e aumento da concentração de triglicerídeos e lipídios
ocasionando em aumento de riscos tanto de RA quanto de formação de placas
de ateroma na íntima-média, além de diminuição da função renal, resistência à
insulina, aumentar a liberação de espécies reativas de oxigénio induzindo
aumento do estresse oxidativo, aumento da inflamação, com aumento da
liberação de citocinas pró-inflamatórias e diminuição de citocinas anti-
inflamatórias, aumento da PA e aumento dos riscos de desenvolvimento de
HTA e disfunção endotelial (Doonan et al., 2010); gênero, quando homens e
mulheres tem propriedades artérias diferentes entre si, com mulheres
apresentando maior RA que homens devido a ação dos hormônios sexuais na
estrutura vascular (Rossi et al., 2011); etnia, quando perfis genéticos
favorecem a diminuição da elasticidade arterial e maior propensão ao
desenvolvimento de HTA e RA, sendo mais prevalente em afroamericanos
comparativamente aos caucasianos (Hall et al., 2012); e prática de atividade
física e exercício físico, que possibilitam aumento dos níveis de HDL, reduz
níveis de triglicerídeos e LDL, reduz PA, induz sensibilidade à insulina e
melhora a função endotelial (Bolton & Rajkumar, 2011; O'Keefe et al., 2012;
Saijo et al., 2009).
25
2.5.1. Gasto energético e classificação da atividade física e do comportamento
sedentário
A Tabela 2 mostra a classificação da intensidade da AF por Múltiplo de
Taxa Metabólica Basal (MET), Volume máximo de consumo de oxigênio (VO 2
máximo), Taxa de Frequência Cardíaca de Reserva, Frequência cardíaca
Máxima, Perceção subjetiva de esforço (PSE). Aqui, entende-se “muito leve” e
“sedentário” como tempo sedentário (Strath et al., 2013).
26
2.5.2. Métodos de avaliação
2.5.3. Acelerometria
27
cardiometabólicas, consideradas informações essenciais para estudos nas
ciências da saúde (Tremblay et al., 2010).
28
A AF regular também tem carater protetor quando exerce ação no
recrutamento de células endoteliais progenitoras, mobilizadas a partir da
medula óssea e capazes de regenerar e reparar micro-lesões existentes no
endotélio (Alves, 2014; De Biase et al., 2013; Ribeiro et al., 2013).
Desta forma, a adequada biodisponibilidade de ON aliadas a uma
camada endotelial saudável impedem os mecanismos de desenvolvimento e
progressão de aterosclerose e RA, tais como, a entrada de colesterol LDL na
camada íntima do vaso, a oxidação de LDL por ação de espécies reativas de
oxigênio, o recrutamento de monócitos (que ao adentrar na íntima, se
diferenciam em macrófagos), aumento de moléculas pró-inflamatórias,
recrutamento de células de adesão, formação de “células esponjosas”,
migração de células musculares da camada média para íntima, apoptose
celular e formação de capa fibrosa e ateroma (Lusis, 2000; Ribeiro et al., 2009),
e ainda a fragmentação de proteínas elásticas como elastina, evidenciando
assim caráter protetor da AF no desenvolvimento da aterosclerose e da RA,
promovendo saúde vascular a níveis microscópicos endoteliais com efeitos
sistémicos cardiovascular.
A influência da AF na RA pode ser observada em estudos empíricos. Em
estudo realizado por Gando et al. (2010) com 538 pessoas divididas em tempo
de pratica de AF leve, foi observado que a VOP da carótida-femoral foi maior
no grupo com pouca AF leve comparado com grupo com muita AF leve
(p<0,01), ajustado por sexo e AFMV. Além disso, a AF leve pareceu ter efeitos
em fatores de risco relacionados com o aumento da RA e DCV, quando
observado pessoas com <40 e ≥60 anos de idade com pouca AF leve, tiveram
maior %gordura do que os grupos com muita AF leve. Especificamente no
grupo ≥ 60 anos de idade, os que tinham menor tempo em AF leve tiveram
maiores valores de PAS, PAD e Pressão arterial média (PAM)
comparativamente ao grupo com muita AF leve.
Em estudo, foi avaliado a influência da AF na função vascular e cardíaca
em 2376 participantes, sendo 1096 homens (47±8 anos). Aqui, houve
associação negativa entre maior tempo em AFVM e VOP na carótida-femoral,
diferentemente da AF leve e tempo sedentário que não foram correlacionados
com a VOP (Andersson et al., 2015).
29
Em relação a prática de AF vigorosa, em estudo realizado por Gomez-
Marcos et al. (2014), avaliaram 263 pessoas (55.85 ±12.21 anos de idade) e foi
observado que os que praticaram AF vigorosa e muito vigorosa tiveram
menores valores de AIx75 quando comparado ao grupo que não praticou AF
vigorosa. Neste estudo, o tempo sedentário e AF leve tiveram correlação
positiva com VOP (p<0,001), enquanto que, em relação ao AIx75, o tempo
sedentário teve correlação positiva e AF vigorosa correlação negativa (p<0,05
e p<0,001, respetivamente). Quando a amostra foi separada em tercis, foi
observado que pessoas com mais índice de AF (counts/min) tiveram menores
valores de VOP e AIx75, embora sem valor significativo. Utilizando a regressão
linear múltipla, foi observado que AIx75 teve como preditor a índice de AF
(counts/min), tempo sedentário e AF moderada, enquanto a VOP não teve
preditores de intensidade de AF estatisticamente significativos (Gomez-Marcos
et al., 2014).
Resultados similares foram encontrados por O'Donovan et al. (2014)
quando estudaram 53 adultos (51±14 anos de idade) com HTA. Foi observado
correlação positiva entre tempo sedentário e VOP (p<0,001), associação
negativa entre todas as intensidades de AF com VOP e AIx. Após aplicação da
regressão (stepwise), a prática de AF foi considerado preditor para estes
índices de RA.
30
a níveis vasculares (Thijssen et al., 2011; Tremblay et al., 2010), aumento do
risco de desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2, obesidade, dislipidemia,
alguns tipos de câncer (câncer de mama, cólon, colo retal, endometrial e ovário
epitelial), DCV e aumento do risco de morte (Biswas et al., 2015; Owen et al.,
2010; Strath et al., 2013). Owen et al. (2010) coloca que para cada aumento de
1 hora assistindo televisão, há aumento entre 11% a 18% do risco de morte por
todas as causas e por DCV, respetivamente. Pessoas que assistem televisão
por pelo menos 2 horas por dia têm um aumento de 46% de risco de morte por
todas as causas. Nos participantes que tinham mais de 4 horas por dias na
televisão apresentaram aumento de 80% do risco de mortalidade por DCV. Isto
foi observado independentemente da ação de fatores confundidores como
tabagismo, pressão arterial e colesterol, e foi independente da prática de AF e
perímetro de cintura (PC).
Os efeitos do CS nas alterações metabólicas relacionam-se com
aumento dos níveis plasmáticos de triglicerídeos, diminuição de HDL e
diminuição de sensibilidade à insulina (Tremblay et al., 2010).Os aumentos de
triglicerídeos e diminuição de HDL podem ser explicados pela diminuição da
enzima lípase (LPL), em resposta aguda ou crônica ao CS. Responsável por
facilitar a absorção de ácidos graxos na musculatura esquelética e tecido
adiposo, a diminuição da LPL provoca um aumento no risco de
desenvolvimento de DCV (Hamilton et al., 2007; Tremblay et al., 2010).
Estudos sugerem, ainda, que o CS proporciona alterações do
metabolismo dos carboidratos por meio de diminuição do número de proteínas
transportadoras de glicose (GLUT) no tecido muscular esquelético, importantes
no equilíbrio glicêmico celular. A prática de exercício físico e AF podem diminuir
os efeitos de elevado tempo gasto em CS, aumentando significativamente as
concentrações de GLUT (GLUT-1 e GLUT-4), ocasionando melhor capacidade
de regulação glicêmica celular e tecidual no organismo (Chilibeck et al., 1999;
Phillips et al., 2004; Tremblay et al., 2010).
Muito tempo gasto em CS parece estar relacionado com aumento de
stress oxidativo, alterações no remodelamento vascular e com o maior risco de
desenvolvimento de aterosclerose (Minuz et al., 2006; Thijssen et al., 2011).
Em metanálise realizada por Biswas et al. (2015), foi relatado que
pessoas com níveis elevados de AF podem reduzir em média 30% dos riscos
31
ocasionados pelo excesso de tempo em CS, apesar de salientar a necessidade
de mais esclarecimentos sobre a influência da AF em demasiado tempo em
CS.
É importante ressaltar que os estudos sobre os efeitos de longo tempo
em CS relacionados com situação de imobilização local de membros ou com
sujeitos com extrema imobilidade, com pessoas submetidas a tempos
prolongados em leitos e pessoas com danos na coluna vertebral e limitação de
movimento fogem da realidade diária comum de CS, que podem estar
relacionadas a efeitos crônicos deletérios a saúde. Assim, a dificuldade da
avaliação de aspetos gerais do CS relaciona-se com a ausência de
classificação em níveis do CS (Thijssen et al., 2011).
32
correlações entre ambos, mesmo após ajustamento da AF. Em outro estudo,
foi avaliado a correlação entre CS e AF na carga hemodinâmica central em 70
adultos jovens com 23 ± 1 anos de idade. O aumento do CS correlacionou-se
com o aumento de onda de pressão de ida e retorno, mesmo após ajustamento
da AF. Aqui, o AIx75 foi menor em pessoas com elevado CS, o que passou a
não ter diferença significativa (p=0,06) após o ajustamento de variáveis
confundidoras (Heffernan et al., 2013).
Em estudo longitudinal van de Laar et al. (2014) constatou que pessoas
com maiores valores de RA tinham maior tempo assistindo televisão.
Resultados similares foram encontrados por Hawkins et al. (2014) quando
observaram diminuição de baPWV (VOP avaliada na artéria braquial-tornozelo)
e aumento de counts avaliados por acelerometria.
Deste modo, os estudos indicam melhora dos índices de RA com a
prática de AF e diminuição do tempo sedentário, no entanto, há evidências
controversas em relação a intensidade ideal de AF para maiores benefícios na
saúde, considerando também seus efeitos em pessoas com diferentes perfis
clínicos, níveis de AF, sexo, raça, idade e etnia. Sugere-se assim, a adoção de
hábitos de vida saudáveis com diminuição do tempo sedentário e aumento dos
níveis de AF para prevenção de RA e riscos de DCV.
33
34
OBJETIVOS E HIPÓTESES
35
36
3. OBJETIVOS E HIPÓTESES
37
38
MÉTODOS
39
40
4. MÉTODOS
41
unidade de saúde familiar para a primeira consulta, sendo de novo esclarecidos
sobre os objetivos do estudo, procedimentos e desconforto inerente às
avaliações. Foi solicitado que lessem e assinassem o termo de consentimento
informado, de acordo com as regras da declaração de Helsínquia. Nessa
primeira consulta, foi realizada a história clínica dos participantes e
despistagem de fatores de risco, sendo ainda realizadas as avaliações
antropométricas com peso corporal, altura e PC, calculado o Índice de Massa
Corporal (IMC), e entregue um acelerômetro para a avaliação da AF diária bem
como dadas todas as instruções para o seu uso. Numa segunda visita foram
efetuadas as avaliações da pressão arterial de repouso e da RA.
42
4.4. Pressão arterial
43
4.6. Rigidez arterial
Distância:
44
Tempo de trânsito:
45
Para a comparação de médias das variáveis da RA, das categorias de
intensidade da AF e do IMC entre grupos de participantes estratificados por
classes de idade (40-49 anos; 50-59 anos; 60-65 anos) recorreu-se à One Way
ANOVA e ao teste de comparações múltiplas à posterior de Bonferroni.
Para a análise da associação bivariada entre variáveis utilizou-se a
correlação de Pearson, com ajustamento para a idade.
O modelo de Regressão linear múltipla, método Stepwise, foi usado para
a determinação dos preditores da VOP e AIx75.
O nível de significância considerado foi de α <0,05.
46
RESULTADOS
47
48
5. RESULTADOS
Características Clínicas:
Hipertensos. n (%) 74 (75,5%)
Diabéticos. n (%) 26 (26,5%)
Dislipidêmicos. n (%) 85 (86,7%)
Medicação:
Antihipertensivos. (%) 60,20%
Antihiperglicemiantes. (%) 23,50%
Antidislipidemicos. (%) 43,90%
Atividade Física:
49
Atividade física moderada-vigorosa 39,73 (±29,14)
(min/dia)
CR (%)* 56,1
NCR (%) ** 43,9
Pressão Arterial Periférica:
PAS (mm Hg) 132,47 (±14,82)
PAD (mm Hg) 80,01 (±9,31)
PAM periférica (mm Hg) 99,82 (±10,99)
Rigidez Arterial:
VOP (m/s) 10,10 (±1,68)
AIx 33,38 (±8,96)
AIx75 27,62 (±7,79)
PC, Perímetro de cintura (cm); IMC, Índice de massa corporal (kg/m 2); PAS, Pressão arterial
sistólica (mmHg); PAD, Pressão arterial diastólica (mmHg); PAM periférica, Pressão arterial
média avaliada na artéria braquial (mmHg); VOP, Velocidade de onda de pulso; AIx, Índice de
aumentação (%); AIx75, Índice de aumentação corrigido pela frequência cardíaca de 75 bpm
(%); *CR; pessoas que cumprem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS)
para atividade física moderada a vigorosa (AFMV), com média diária de prática de AFMV ≥ 30
min; **NCR, pessoas que não cumprem as recomendações da OMS para AFMV, com média
diária de prática de AFMV < 30 min.
50
diferentes categorias de intensidade, a média do tempo sedentário foi de
484,79 ± 88,12 min, e nas de AF leve e AFMV, os valores médios foram de
282,74 ± 86,81 min/dia e 39,73 ± 29,14 min/dia, respectivamente. A média do
índice de AF foi de 368,74 ± 173,08 counts/min. Houveram percentuais
similares entre as pessoas que cumpriam as recomendações da OMS para
AFMV (CR) (56, 1%) e pessoas que não cumpriam as recomendações da OMS
para AFMV (NCR) (43,9%), sendo a média de prática equivalente a 56,76 ±
28,53 min/dia e 17,94 ± 6,69 min/dia, respectivamente.
De um ponto de vista clínico, releve-se os elevados valores de
prevalência de fatores de risco metabólico e cardiovascular (dislipidemia:
86,7%; hipertensão: 75,5%) e, ainda o fato de pouco mais de um quarto da
amostra ter diabetes (26,5%).
Os valores médios observados na totalidade da amostra para a VOP, o
AIx e o AIx75 foram de 10,10 ± 1,68 m/s, 33,38 ± 8,96% e 27,62 ± 7,79%,
respectivamente.
A Tabela 4 apresenta a amostra estratificada por classes de idade e
seus valores médios de VOP, do AIx75, do tempo gasto atividades sedentárias,
em AF leve e em AFMV, além da média do IMC. Os valores de RA
aumentaram com o aumento da idade, sendo a VOP significativamente
diferente entre as idades de 40-49 anos em relação a 60-65 anos (p<0,001) e
também entre participantes com 50-59 anos comparativamente aos com 60-65
anos (p<0,05). Pessoas entre 40-49 e entre 50-59 anos tiveram valores
similares de VOP (p>0,05). Já em relação ao AIx75 observou-se diferença
significativa entre sujeitos com 40-49 anos comparativamente a sujeitos com
50-59 anos (p<0,05), e também entre pessoas com 40-49 anos comparados
aos com 60-65 anos de idade (p<0,001). Não houveram diferenças entre os
participantes com 50-59 anos em relação aos que tinham 60-65 anos (p>0,05).
Embora não seja observado diferença significativa entre os grupos nas médias
de AF (p>0,05), foi apresentado uma tendência a prática de atividades
sedentárias em pessoas entre 60-65 anos, com maior tempo sedentário e
menor tempo em AF leve e AFMV, comparativamente às pessoas com 40-49 e
50-59 anos. A AFMV, assim como o índice de AF (counts/min), diminuiu com o
aumento da idade. O IMC não teve um aumento linear a idade, sendo
51
observados maiores valores no grupo entre 50-59 anos e menores valores no
grupo entre 40-49 anos.
Tabela 4. Valores médios (± desvio padrão) dos indicadores de rigidez arterial, do tempo
passado nas categorias de intensidade de atividade física e do Índice de Massa Corporal da
amostra estratificada por classes de idade.
Tempo
Sedentário 487,36 (±88,54) 473,92 495,30 (±82,31)
(min/dia) (±93,73)
VOP, Velocidade de onda de pulso (m/s); AIx75, Índice de aumentação corrigido pela
frequência cardíaca de 75 bpm (%); AF leve, Atividade física leve (min/dia); AFMV, Atividade
física moderada-vigorosa (min/dia); Índice de AF; Índice de AF (counts/min); IMC, Índice de
Massa Corporal (kg/m2).
52
frequência de participantes com VOP > 10 m/s e diminuição do número de
pessoas com VOP < 10 m/s. Analisando de forma isolada, por grupos de idade,
pode verificar-se que entre os participantes de 40-49 anos e 50-59 anos se
registraram mais elevadas percentagens de participantes com valores de VOP
inferiores a 10 m/s, enquanto no grupo com 60-65 anos a percentagem de
sujeitos com valores acima de 10 m/s foi mais elevada (80,6%).
n (%)
Valores de VOP (m/s) 40-49 anos 50-59 anos 60-65 anos
Abaixo de 10 m/s 18 (81,8%) 26 (65%) 7 (19,4%)
Acima de 10 m/s 4 (18,2%) 14 (35%) 29 (80,6%)
n (%)
Valores de VOP (m/s) Peso normal Exesso de peso Obesidade Classe I e II
Abaixo de 10 m/s 6 (50%) 32 (57,1%) 13 (43,3%)
Acima de 10 m/s 6 (50%) 24 (42,9%) 17 (56,7%)
VOP; Velocidade de onda de pulso; Peso normal (IMC entre 18,50 e 24,99 kg/m 2); Excesso de
peso (IMC entre 25,00 e 29,99 kg/m2); Obesidade Classe I e II; soma de pessoas com
53
obesidade classe I (IMC entre 30,00 e 34,99 kg/m 2) e Obesidade Classe II (IMC entre 35,00 e
39,99 kg/m2).
Tabela 7. Correlação entre índices de rigidez arterial (velocidade de onda de pulso e índice de
aumentação corrigido pela frequência cardíaca de 75 bpm) e as variáveis índice de massa
corporal e atividade física ajustados pela idade.
VOP AIx75
Variável
r (p) r (p)
IMC 0,17 0,08 -0,11 0,26
AF
Índice de AF (counts/min) -0,19 0,05 -0,07 0,48
Tempo sedentário 0,1 0,32 -0,03 0,74
AF leve -0,25 0,01* -0,19 0,05
AFMV -0,15 0,12 -0,06 0,5
VOP, Velocidade de onda de pulso; AIx7, Índice de aumentação corrigido pela frequência
cardíaca de 75 bpm; IMC, Índice de massa corporal; PAS, Pressão arterial sistólica; AF,
Atividade física; AF leve, Atividade física leve; AFMV; Atividade física moderada-vigorosa;
Índice de AF, Índice de atividade física em counts/min.
54
A Regressão Linear Múltipla, utilizando-se o método Stepwise para
análise das variáveis preditoras da variação da VOP são apresentadas na
Tabela 8. As variáveis independentes consideradas foram a idade, PAS, IMC,
tempo sedentário, AF leve, AFMV e Índice de AF (counts/min). No primeiro
modelo, considerando-se apenas a idade, verificou-se ser este um preditor
independente da VOP, explicando em 18% a sua variação. No segundo
modelo, verificou-se que a idade e a AF leve interagem na variação da VOP,
explicando a sua variação em 22%. No terceiro modelo, verificou-se que idade,
AF leve e PAS influenciam a variação da VOP em 25%.
Tabela 8. Análise de Regressão Linear Múltipla para os preditores idade, pressão arterial
sistólica, Índice de Massa Corporal e atividade física na velocidade de onda de pulso.
VOP (dependente)
R Square β p
Modelo (r=0,43) 0,18
Idade 0,43 0,001
Adjusted R Square β p
55
Tabela 9. Análise de Regressão Linear Múltipla dos preditores Idade, Índice de Massa Corporal
e atividade física no Índice de Aumentação corrigido pela frequência cardíaca de 75 bpm.
AIx75 (dependente)
R Square β p
Modelo (r=0,37) 0,13
idade 0,37 0,001
56
DISCUSSÃO
57
58
6. DISCUSSÃO
59
2011). Funcionalmente, o conjunto de alterações anteriormente referidas
repercutem-se no aumento do tônus vascular pela diminuição da síntese e
biodisponibilidade de vasodilatadores (óxido nítrico e prostacilina) e aumento
da expressão de vasoconstritores (Lusis, 2000; Ribeiro et al., 2009). De fato, a
RA na carótida comum de normotensos com 70 anos de idade apresentou-se 6
vezes maior do que em indivíduos normotensos com 20 anos de idade (Laurent
et al., 2006) ,o que equivale a um aumento da RA em 150%, por década de
vida, percentual este que pode ser aumentado na presença de HTA e diabetes.
A adoção de estilo de vida saudável, que inclui a prática de AF, a
alimentação saudável e a ausência de hábitos tabágicos, podem mitigar os
efeitos deletérios de fatores de risco não modificáveis (idade, sexo, etnia e
genética) (Bassuk & Manson, 2003; Bolton & Rajkumar, 2011; Doonan et al.,
2010; Thijssen et al., 2011).
Apesar de no presente estudo se ter registado ausência de diferenças
significativas das médias entre as classes de idade, o nosso estudo mostra que
com a idade há uma tendência para a diminuição da prática de AFMV e índice
de AF (counts/min), além de maior predominância de tempo sedentário no
grupo de indivíduos com 60-65 anos quando comparados com aqueles dos
intervalos de idade entre 40-49 e 50-59 anos. Estes resultados sugerem que a
agregação de fatores de risco não modificáveis (idade) e modificáveis (adoção
de estilo de vida menos ativo), em conjunto, conduzem a um incremento da RA
e provavelmente, ao aumento do risco de desenvolvimento de DCV.
Relatórios publicados no ano de 2011 e 2012 pelo governo australiano
em parceria com o instituto australiano de saúde (Australian Government -
Australian institute of health), apontam para a diminuição da prática de AF com
o aumento da idade (government & welfare, 2015). Em estudo conduzido por
Milanovic et al. (2013), foram avaliados 596 homens de um total amostral de
1288 pessoas, tendo sido a amostra estratificada por idade, nos grupos dos 60-
69 anos e 70-80 anos. Os autores reportaram um declínio significativo (p<0,05)
do índice de AF do grupo de idades mais baixas para o grupo de idades
avançadas. Foi observado declínio significativo (p<0,05) do índice de AF entre
os dois grupos de idade.
O nosso estudo foi diferente dos demais anteriormente citados pelo fato
de termos utilizado um método e instrumento de avaliação da AF diferente,
60
uma vez que utilizamos a mensuração direta da AF por acelerometria,
enquanto outros utilizaram a mensuração por questionário, que como tem sido
amplamente referido tem validade inferior e menor fiabilidade. Apesar da
eventual vantagem do nosso estudo em relação à precisão do método de
avaliação da AF, a diferença no sentido dos resultados da evolução da AF com
a idade, na comparação dos nossos com os de outros anteriormente
publicados, poderão ser atribuíveis a diversos fatores, tais como: i) a diferença
do intervalo de idade nos subgrupos (intervalos de 10 anos e 5 anos), ii) a
heterogeneidade no número de indivíduos dentro de cada subgrupo e iii)
reduzido número de indivíduos em cada subgrupo. Estes últimos aspectos
poderão ter diminuído o poder estatístico para detectar diferenças entre os
grupos.
No presente estudo os valores médios do IMC para a totalidade da
amostra revelaram um elevado número de indivíduos com excesso de peso e
obesidade, apesar de não se terem verificado diferenças de médias entre
grupos de classe de idade diferente. Este fato, que é de sentido contrário ao
reportado na literatura (Bendixen et al., 2004; Droyvold et al., 2006; Reas et al.,
2007) , poderá considerar-se como positivo uma vez que o aumento da
sobrecarga ponderal com a idade poderá significar o aumento da proporção da
massa gorda relativamente à massa isenta de gordura que é característico do
envelhecimento, pelo efeito concomitante da sarcopenia (Baumgartner, 2000).
No entanto, o aumento do IMC poderá contribuir indiretamente para o
aumento da RA, porque influenciará o aumento da PAS, e esta última variável
hemodinâmica influenciará a elevação da RA, como mostram os estudos
(Antza et al., 2015; Jang et al., 2014; Ni et al., 2003; Wallace et al., 2007).
Contudo, no presente estudo, a percentagem de indivíduos com IMC elevado e
VOP >10 m/s, não foi superior a aquela de indivíduos com excesso e
obesidade com valores <10 m/s. Porém, Strasser et al. (2015) encontraram
associação entre o IMC e a VOP, sendo considerado um perfil cardiovascular
saudável valores reduzidos de gordura visceral e baixos valores de VOP
(Strasser et al., 2015). Em um outro estudo, comparando homens e mulheres,
não se observou associação entre o IMC e a VOP nos homens (Zebekakis et
al., 2005). É possível que o IMC não seja o melhor indicador de excesso de
peso e obesidade com influência na RA, pelo que futuros estudos utilizando
61
outros indicadores de dimensão somática como, por exemplo o perímetro de
cintura, ou medidas de composição corporal (% de gordura corporal, total, do
tronco e abdominal) derivadas de outros instrumentos, como sejam a
absorciometria radiológica de dupla energia, deverão examinar possíveis
relações com indicadores de RA.
No presente estudo, após ajustamento para a idade, a categoria de
intensidade AF leve foi a única que se relacionou significativamente com a VOP
(r=-0,25; p<0,001), sendo também considerada, juntamente com a idade,
preditores da variação de VOP. Já em relação ao AIx75, somente a idade foi
preditor.
A influência da AF leve e idade na VOP também foi observado em
estudo realizado por Gando et al. (2010). A amostra (n=538) foi dividida entre
mais e menos tempo em AF leve a partir da mediana, sendo encontrado que,
com ajustes do sexo e AFMV, os indivíduos com menos AF leve tiveram maior
VOP em comparação a indivíduos com mais tempo em AF leve (p<0,01). Além
disso, menos tempo em AF leve pareceu ter efeitos deletérios na saúde,
relativamente à prevalência de fatores de risco relacionados com o aumento da
RA e DCV, como por exemplo maiores valores de PAS, PAD e PAM (Gando et
al., 2010). Sabe-se que valores pressóricos elevados, como ocorre nos
indivíduos com HTA, induzem a longo prazo à incrementos da RA e aumento
do risco para eventos cardiovasculares (Antza et al., 2015; Scallan et al., 2010).
Adicionalmente, O´Donovan et al. (2014) encontraram uma associação inversa
entre os valores da AF leve e a VOP. No entanto, outros estudos tiveram
resultados de sentido diferente na avaliação da relação entre AF leve e a VOP.
Gomez-Marcos et al. (2014) observaram correlação positiva e Andersson et al.
(2015) observaram ausência de correlação (Andersson et al., 2015). Assim, o
estudo dos efeitos da AF leve na variação da VOP deve ser melhor estudada,
considerando diversas variáveis de confundimento, desde aquelas que serão
determinantes ou correlatos da AF e ainda a sua variação em função da AF
moderada a vigorosa e do tempo sedentário.
Embora no presente estudo o tempo sedentário, AFMV e o índice de AF
não se tenham constituído em preditores dos indicadores de RA, outros autores
encontraram diferentes resultados. Ao ser avaliado a influência da AF na
função vascular e cardíaca em 2376 indivíduos, dos quais 1096 eram do sexo
62
masculino (47±8 anos), observou-se uma associação inversa entre o tempo
diário passado em AFMV e VOP (Andersson et al., 2015). Não se pode afirmar
face à evidência já anteriormente publicada e às recomendações que dela
emergiram, que a AFMV não tenha qualquer benefício na RA (Gebel et al.,
2015; Lee & Paffenbarger, 2000; Organization, 2010). Assim sendo, os nossos
resultados para a AFMV e a sua ausência de relação com os indicadores de
RA, poderão resultar de limitações decorrentes da dimensão amostral e/ou da
falta de variabilidade das características da amostra na AFMV.
É de conhecimento que a prática de AF previne e ajuda a controlar os
fatores de risco para a saúde cardiovascular, incluindo a manutenção de
valores de baixo risco de RA (Bassuk & Manson, 2003; Cichosz et al., 2013).
São conhecidos os benefícios da AF na prevenção e tratamento do sobrepeso
e obesidade, da HTA, da dislipidemia, síndrome metabólica, diabetes mellitus e
da inflamação e disfunção endotelial (Bassuk & Manson, 2003), considerados
fatores de risco para o aumento da RA. O exercício físico e/ou a AF ajudam a
modelar todos os fatores responsáveis pelo aumento da síntese e
biodisponibilidade aumentada de óxido nítrico (ON), importante vasodilatador,
para além de se constituírem como fatores ateroprotetores e de preservação da
função vascular, incluindo o retardamento da perda das propriedades físicas
dos vasos, distensibilidade e elasticidade (McAllister & Laughlin, 2006),
Assim como o exercício físico, a prática de AF é capaz de aumentar
biodisponibilidade de ON, importante vasodilatador com função de inibição de
leucócitos na parede do vaso agindo na prevenção de desenvolvimento de
aterosclerose e RA, (Fitch et al., 2001; McAllister & Laughlin, 2006; Oliveira et
al., 2014; Ribeiro et al., 2010; Wilkinson et al., 2002).
Em síntese, apesar da conflitualidade do sentido dos resultados entre os
estudos que procuraram examinar a associação da AF com a RA, existe algum
consenso sobre os benéficos do exercício e da AF regular na preservação do
funcionamento do sistema cardiovascular. No entanto, os modos ou contextos
e a dose ideal (modo, duração intensidade, frequência) para maiores benefícios
continuam a ser motivo de debate (Bassuk & Manson, 2003). Sugere-se, que
estudos futuros procurem examinar a influência de diferentes modos e doses
de AF na VOP e AIx75, tendo em consideração fatores sócio demográficos,
fatores do estilo de vida e/ou condições clínicas diversas.
63
64
LIMITAÇÕES
65
66
7. LIMITAÇÕES
67
68
CONCLUSÕES
69
70
8. CONCLUSÕES
71
72
BIBLIOGRAFIA
73
74
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