Objetivos Terapêuticos: Estado Final
O objetivo da ACT é alcançar um “estado final”, que é chamado de Modelo de
Flexibilidade Psicológica, dividido em 6 conceitos:
• Aceitação: É a disposição de permitir e conviver com experiências internas
desconfortáveis (pensamentos, emoções, sensações) sem tentar evitá-las
ou suprimi-las. A ideia é que o sofrimento é parte da vida e que, ao aceitá-
lo, a pessoa reduz o impacto negativo dessas experiências.
• Desfusão Cognitiva: Consiste em observar os pensamentos como apenas
pensamentos, sem se "fundir" com eles. Isso ajuda a pessoa a ver os
pensamentos de maneira menos literal e a reduzir o controle que esses
pensamentos têm sobre o comportamento.
• Atenção Flexível ao Momento Presente: É a capacidade de manter-se no
aqui e agora, com consciência e abertura para o que está acontecendo no
momento, em vez de se perder em preocupações passadas ou futuras. Isso
promove uma atitude mais consciente e responsiva.
• Senso de Self-como-Contexto: Refere-se a ver-se como o “contexto” onde
as experiências acontecem, ao invés de se definir pelas próprias
experiências (pensamentos, sentimentos). Essa perspectiva ajuda a
pessoa a se separar de julgamentos e rótulos, cultivando um senso de self
mais estável e menos reativo.
• Valores: São as direções de vida que dão propósito e significado. Diferente
de metas específicas, os valores servem como guias contínuos e ajudam a
orientar escolhas e comportamentos de forma alinhada ao que realmente
importa.
• Ação Comprometida: Envolve agir em direção aos próprios valores,
mesmo quando é difícil ou desconfortável. Isso significa assumir
compromissos e realizar ações concretas, mantendo-se alinhado ao que é
significativo e valioso, apesar dos desafios.
O elemento norteador da terapia ACT são os valores.
Características dos Valores na ACT
1. Direção, não destino: Enquanto uma meta é algo que se pode alcançar
(como conseguir um emprego ou completar um curso), os valores são mais
como direções de vida, como "ser um profissional competente" ou "ser
uma pessoa amorosa e presente na família".
2. Estão ligados à identidade e ao propósito: Os valores têm a ver com a
essência do que uma pessoa considera importante em sua vida. Eles são
como “compassos” internos, refletindo o que dá sentido às ações do
indivíduo. Por exemplo, alguém pode valorizar o “cuidado” e, com base
nesse valor, buscar uma carreira na área da saúde, além de cuidar de
amigos e familiares.
3. Ajudam a guiar ações, mesmo diante de sofrimento: Um dos princípios
fundamentais da ACT é que o sofrimento faz parte da vida e, muitas vezes,
é inevitável. No entanto, os valores permitem que uma pessoa continue
agindo de forma significativa mesmo diante de adversidades, pois o foco
está no que é importante, e não apenas em evitar desconfortos ou buscar
prazer imediato.
4. Não são regras ou julgamentos: Os valores na ACT não devem ser
encarados como “deveres” ou “obrigações” rígidas. Eles são pessoais e
flexíveis, e a pessoa é incentivada a explorá-los e a ajustá-los ao longo do
tempo, de acordo com novas experiências e mudanças de perspectiva.
5. Independência de sentimentos e pensamentos: Na ACT, a ideia é que,
independentemente de pensamentos negativos ou emoções difíceis, uma
pessoa pode tomar decisões baseadas nos próprios valores. Isso ajuda a
desenvolver resiliência e promove uma vida que é significativa, mesmo
quando há desconforto.
Exemplos de Valores na ACT
Alguns exemplos de valores comuns incluem:
• Honestidade: Ser sincero consigo mesmo e com os outros,
independentemente das consequências.
• Coragem: Enfrentar desafios e agir em direção ao que é importante,
mesmo diante de medo.
• Compaixão: Tratar os outros e a si mesmo com gentileza e compreensão.
• Contribuição social: Fazer algo que ajude a sociedade ou o mundo ao
redor.
• Saúde e bem-estar: Valorizar e cuidar do próprio corpo e da saúde mental.
Esses valores são pessoais, e cada indivíduo tem um conjunto único que reflete o
que é significativo em sua vida. A ACT usa esses valores para guiar a pessoa na
direção de uma vida mais autêntica, ajudando-a a agir de acordo com o que
realmente importa, e não apenas em resposta a pensamentos e emoções
momentâneos.
Reduzir a influência de pensamentos rígidos: Certos pensamentos automáticos
e rígidos podem limitar as respostas do indivíduo aos desafios diários, levando-o a
agir de maneira que contraria seus próprios valores. A intervenção terapêutica visa
reduzir essa rigidez, de modo que a pessoa perceba que:
• Nem todos os pensamentos são verdades absolutas.
• É possível observar e ter esses pensamentos sem precisar segui-los
automaticamente.
Aumentar o controle de estímulos sobre o comportamento: Isso significa que,
em vez de reagir diretamente aos pensamentos ou emoções, o indivíduo aprende
a responder a estímulos externos e internos de maneira mais consciente, alinhada
aos próprios valores. Essa conscientização ajuda a pessoa a distinguir entre os
pensamentos e suas ações, entendendo que obedecer cegamente a certos
pensamentos pode afastá-lo do que realmente é importante para si.
Intervenção: Dos Estados Iniciais aos Finais
Esse processo de intervenção terapêutica é gradual e envolve uma série de
técnicas e abordagens ajustadas ao contexto único de cada paciente. A
intervenção costuma ser dividida em fases:
1. Compreensão do contexto e ambiente: O terapeuta primeiro trabalha
para entender o ambiente cultural, social e familiar do paciente, bem como
suas particularidades individuais. Esse entendimento inicial é crucial para
garantir que a intervenção será eficaz e que as técnicas aplicadas terão
sentido e aplicabilidade para o paciente.
2. Processo de modificação de comportamento: A partir desse
entendimento, o terapeuta utiliza técnicas para:
o Modificar comportamentos: Ajudando o paciente a tomar
consciência de padrões de comportamento que podem ser
disfuncionais.
o Fortalecer comportamentos alinhados aos valores do paciente:
Identificando ações que, mesmo pequenas, ajudem o paciente a se
aproximar de seus valores.
3. Esclarecimento dos valores: O terapeuta também auxilia o paciente a
refletir e esclarecer seus valores, isto é, o que ele realmente valoriza na
vida. Esse esclarecimento é uma ferramenta poderosa para que o paciente
consiga estabelecer metas pessoais significativas e consiga lidar melhor
com desafios e adversidades, mantendo o foco no que é importante.
Essa intervenção tem como foco entender o paciente de forma ampla e ajudá-
lo a alinhar suas ações a seus valores, mesmo em face de pensamentos
difíceis, promovendo um comportamento mais consciente e flexível.