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NEUROPSICOLOGIA DO ENVELHECIMENTO
Vera Vieira
Goreti Cruz
Ana Maria Leme Arruda
Luana Vitro
André Silva
Ludmila Piros
Maria Campos
Natalia Filippini
Pâmela Vasquez
Patricia Oliveira
Paula Pereira
Ângela Ferreira Moda
' 10.37885/240516760
RESUMO
o avanço da expectativa de vida é uma conquista significativa deste século,
entretanto é o principal fator para o desenvolvimento de demências. Estudos com
biomarcadores buscam critérios diagnósticos e tratamentos. Contudo as interven-
ções farmacológicas continuam sendo baseadas no uso de anticolinesterásico e
Memantina. Este capítulo tem como objetivo apresentar um delineamento sobre
programas de intervenções não farmacológicas considerando desde os quadros de
Declínio Cognitivo Leve até o estabelecimento do Transtorno Neurocognitivo Maior.
Palavras-chave: Reabilitação Neuropsicológica, Demência, Envelhecimento.
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
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INTRODUÇÃO
O Brasil está deixando de ser um país jovem, de acordo com dados esta-
tísticos oficiais, esse quadro tem se alterado rapidamente. A partir da análise da
pirâmide etária realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
em 2016, constatou-se que mais de 50% da população estava na faixa etária de
0 a 34 anos (Brasil, 2017; 2022).
Em 1996 a população idosa representava 7,9% vinte anos depois, o per-
centual quase dobrou chegando a 14% em 2016 e 14,7% em 2021, com estimativa
de chegar a 29,3% ou mais em 2050, segundo estudos do IBGE (Brasil, 2017;
2022). Averiguar as questões neuropsicológicas de uma parcela tão importante
da pirâmide etária nacional pode ter grande impacto na qualidade de vida da
população e auxiliar no desenvolvimento de pesquisas e intervenções futuras.
Compreender como o envelhecimento saudável impacta a memória e fun-
ções executivas (memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, controle inibitório,
planejamento, resolução de problemas, raciocínio) é de grande relevância uma
vez que essas são as principais queixas da população idosa (Abrisqueta-Gomez,
2013). Sendo assim, a avaliação neuropsicológica é um método científico de
investigação que traça o perfil cognitivo, funcional, de humor e comportamental
que possibilita a realização de diagnóstico diferencial ou seja identificar pessoas
saudáveis das acometidas por alterações neurodegenerativa em fase pré-clínica,
o que possibilita precocemente intervenções tanto medicamentosa quanto a
inserção de programas de reabilitação neuropsicológica (Da-Silva Leme; Vieira,
VLD; Tellaroli C. & Vale FAC, 2022).
Para além do diagnóstico de demências o advento da pandemia de COVID-
19 adicionou a necessidade de se verificar possíveis sequelas neuropsicológicas
oriundas da infecção. Haja vista que há estudos que relatam comprometimento
neuropsicológico como alterações da memória tanto em decorrência de infecções
virais (Christo, Géo & Neves, 2014), quanto em decorrência dos efeitos biopsi-
cossociais da pandemia (Sellal et al, 2020; Ronat et al, 2022).
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Envelhecimento e aspectos neuropsicológicos:
O processo de envelhecimento vem acompanhado de declínio de algumas
funções cerebrais, porém alguns casos evoluem para demência. (Cecchini et al,
2016). Algumas dessas funções, estudadas na neuropsicologia são as funções
executivas (controle inibitório, atenção, flexibilidade cognitiva, memória opera-
cional, categorização, fluência, tomada de decisões) que vão amadurecendo ao
longo do ciclo vital, atingindo o ápice de seu desenvolvimento no início da fase
adulta e iniciando seu declínio a partir da terceira década de vida, acentuando esse
declínio com o avançar da idade. (Cecchini et al, 2016). Fazer a distinção entre o
processo de envelhecimento saudável e o patológico é essencial ao bem-estar do
sujeito e consequentemente de seu entorno social, especialmente de seu grupo
familiar (Mascarello, 2013; Valls-Pedret et al., 2010).
Estudos apontam que no envelhecimento saudável há um declínio geral
na velocidade de processamento da informação e que as funções executivas
básicas mais afetadas no envelhecimento são a atenção e a memória. (Glisky,
2007). Tarefas complexas como a tomada de decisões, a resolução de problemas
e o planejamento de comportamentos orientados por objetivos, exigem a integra-
ção e reorganização de informações de várias fontes, requisitando em especial
atenção e memória. Glisky (2007), em suas pesquisas, sugere que a atenção, a
velocidade de processamento de informação e o controle inibitório são funções
importantes para o desempenho efetivo de tarefas cognitivas de nível superior,
que sofrem maior impacto do envelhecimento. Tanto o controle inibitório, quanto
a velocidade de processamento e a atenção, são funções que impactam no sis-
tema de memória com destaque para o desempenho da memória operacional e
de curto prazo (Lezak et al., 2004).
Envelhecimento Patológico:
Segundo o National Institute on Aging, demência pode ser definida como
um conjunto de sinais e sintomas caracterizado por um declínio cognitivo e/ou
comportamental cujos sintomas interferem as atividades de vida diária (AVD),
causando prejuízos funcionais em relação a níveis prévios, não sendo melhor expli-
cados por delirium ou transtorno psiquiátrico maior. (Mckhann et al, 2011). Há cerca
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
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de 10 anos atrás, a prevalência de demência na população mundial acima de 60
anos era de 5 a 7% (Prince et al, 2013). No Brasil, a prevalência era de 5,1 a 17,5%,
variando de acordo com a região e delineamento do estudo (Boff et al, 2015), tais
projeções têm crescido exponencialmente.
A Demência na Doença de Alzheimer (DA) típica costuma se manifestar
inicialmente com a forma amnésica, com prejuízos na memória episódica. Outras
apresentações atípicas e menos frequentes da DA começam com acometimento
de outros domínios cognitivos (alterações de linguagem, habilidades visuoespa-
ciais, funções executivas) (Schilling et al, 2022). A segunda causa de demência
mais prevalente é a Demência Vascular (DV). A DV ocorre de forma secundária
a lesões isquêmicas ou hemorrágicas e tem diversas formas de manifestação
clínica dependendo do local vascular acometido (Miotto, 2019). A Demência Fron-
totemporal (DFT) é definida como uma síndrome na qual ocorre o acometimento
focal dos lobos frontais e/ou temporais. A DFT tem três fenótipos distintos com
apresentações clínicas inerentes a cada um: variante comportamental, caracte-
rizada por alteração da personalidade, comportamento e disfunção executiva, e
dois subtipos linguísticos: afasia progressiva primária não-fluente/agramática e a
afasia progressiva primária semântica (Souza et al, 2022). Esta caracterizada por
agnosia para faces e objetos e disfunção do conhecimento semântico, e aquela
por déficit afásico não fluente (Miotto, 2019).
Sabe-se que há múltiplos fatores associados tanto ao processo de envelhe-
cimento saudável quanto ao patológico e que tais fatores interagem e regulam o
funcionamento típico ou atípico dos sujeitos. Apesar de não se pretender estudar
todos esses fatores neste capítulo citaremos os principais deles bem como sintomas
de alerta, como queixas de memória (Mascarello, 2013; Valls-Pedret et al., 2010).
Fatores Protetivos:
A prevenção das demências está intimamente ligada ao envelhecimento
saudável (Ururahy et al, 2023). Alguns estudos foram realizados para identificar
os fatores de riscos, um dos principais estudos sobre longevidade com reco-
nhecimento mundial foi o estudo realizado nas Blue Zones ou Zonas Azuis e a
partir desse estudo foram identificados nove comportamentos de estilo de vida
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saudável. Os comportamentos apresentados a seguir foram identificados em
todas as regiões geográficas do estudo.
Atividades físicas: auxilia na manutenção do vigor físico, independência,
melhora o equilíbrio, risco de quedas, qualquer nível de engajamento em atividades
físicas revela um impacto positivo (Chodzko-Zajko et al., 2009).
Controle do peso corporal e alimentação saudável: O envelhecimento
saudável também é resultado da nutrição saudável ao longo da vida. A dieta
mais estudada é a mediterrânea, esta dieta é rica em vegetais com baixo teor de
sódio e alimentos ricos em ácidos graxos como ômega 3 e 6, legumes, vegetais
e azeite de oliva, O principal benefício é a redução do risco cardiovascular e o
estresse oxidativo, relacionados com a degeneração celular (Zhong et al. 2017).
Consumo moderado de Álcool: O consumo de maiores quantidade de
álcool está associado a diversas complicações, dentre elas, doenças cardiovascu-
lares e o consumo excessivo de álcool, por exemplo, mais de uma unidade por dia,
também está associada a maior declínio cognitivo tardiamente (Anstey et al, 2009).
Bom convívio familiar e uma sólida rede de relacionamentos na comu-
nidade: O bom convívio com as pessoas da comunidade local, o desenvolvimento
de atividades individuais e em grupo auxiliam no abrandamento do declínio fun-
cional e na diminuição do risco do desenvolvimento da síndrome da fragilidade
(Ururahy et al. 2023).
Espiritualidade e senso de propósito: Aspectos ligados à espiritualidade
são a busca por sentido, paz, contemplação do sentido de vida e sensação de
relação com um poder superior. A busca de paz e a satisfação pessoal, auxiliam
no envelhecimento mais saudável, a espiritualidade pode englobar a religiosidade,
mas é mais ampla e pacientes que apresentam a frequência de práticas religiosas
podem ser favorecidos com melhores mecanismo de adaptação, menor risco de
depressão e abuso de substâncias (Zimmer et al, 2016).
Inúmeros fatores podem influenciar o processo de envelhecimento, a
adoção de estilo de vida mais saudável associado a prevenção do desenvolvi-
mento de doenças crônicas são fatores fundamentais para o desenvolvimento
do envelhecimento saudável (Ururahy et al. 2023).
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
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Efeitos Neuropsicológicos da COVID-19:
Em se tratando de saúde e envelhecimento é importante citar, neste
momento, o contexto pós-pandêmico de COVID-19 (Andrade, 2023). A doença,
causada pelo novo coronavírus, geradora de uma síndrome respiratória aguda
grave (COVID-19), se espalhou ampla e rapidamente pelo mundo em questão
de meses (WHO, 2020). O advento da COVID-19 foi associado a implicações na
saúde mental tanto durante a infecção viral quanto após. (Mazza et al, 2021; Natoli
et al, 2020; Bauer et al, 2020; Daoust, 2020; Guesser et al, 2022; Dias et al, 2022).
Pesquisas demonstraram que a COVID-19 pode levar às sequelas neuropsicoló-
gicas e psiquiátricas, não só como sequela da síndrome respiratória grave ou do
impacto psicológico da pandemia, mas também pela patogenicidade do vírus,
sendo este potencialmente neuro invasivo (NatoliI et al, 2020) e neuro virulento
(Bauer et al, 2020).
Um dos consensos mais significativos sobre a COVID-19 é o fato de que
os idosos foi o grupo populacional mais vulnerável, portanto apresentando desfe-
chos mais desfavoráveis em relação à gravidade e sequelas (Daoust, 2020). Essa
vulnerabilidade parece ter se devido a uma predisposição orgânica característica
da idade, que costumeiramente apresenta maiores comorbidades bem como ao
efeito das medidas de isolamento que geraram uma redução na atividade física
(Oliveira et al, 2022), que podem acarretar tanto em menor desempenho do sistema
imunológico quanto em pior desempenho cognitivo (Oliveira et al, 2022). O impacto
da pandemia da COVID-19 sobre o declínio nas funções executivas de idosos foi
similar em diferentes faixas educacionais, mostrando que, a infecção gera uma
piora no desempenho neuropsicológico dessa população (Silva et al, 2022).
Estudos relataram alterações na atenção, velocidade de processamento e
memória operacional (MO), após COVID-19, mesmo meses após a remissão da
doença, especialmente em pacientes com mais idade, e/ou que apresentaram
maior gravidade da síndrome (Ferrucci et al., 2021; Negrini et al, 2021).
A partir dos achados supracitados pode-se verificar que além da redução na
velocidade de processamento e no desempenho da memória, devido ao envelhe-
cimento, o idoso exposto à infecção por COVID-19 apresenta maiores dificuldades
em diversos aspectos neuropsicológicos, com destaque ao aumento de queixas
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de memória, transtornos do sono, do humor e déficits executivos (Mazza et al,
2021; Negrini et al, 2021; Soraas et al, 2021).
As Possibilidades de Cuidados Não-Farmacológicos no Envelhecimento:
Falar sobre o envelhecimento já é algo desafiador, falar sobre as possi-
bilidades de cuidado dentro do processo do envelhecer torna o assunto ainda
mais instigante.
É sabido que manter uma alimentação balanceada, prática sistematizada
de atividade física, monitorar a saúde com exames regulares, ter engajamento
social e uma rede de suporte, são fatores de proteção para um envelhecimento
sem prejuízos no que se refere ao declínio social, funcional e emocional; do ponto
de vista cognitivo, seria possível investir em ações que auxiliam no cuidado
da saúde cognitiva?
Para entrar nesse tema faremos dois caminhos distintos: primeiro falaremos
sobre o envelhecimento saudável, depois percorremos a análise do envelheci-
mento sob a ótica do declínio cognitivo.
Segundo Tavares e colaboradores (2019), o envelhecimento saudável
pode ser caracterizado por um declive de forma gradual em diversos sistemas
do corpo humano, tais como no funcionamento cardiovascular, imunológico e
endócrino. No entanto, ainda se mantêm preservadas as capacidades cognitivas
e físicas, ou seja, o idoso permanece com sua autonomia diante das suas ativi-
dades de vida diária, sendo elas: conseguir fazer a própria higiene, alimentar-se,
vestir-se, gerir as atividades domésticas, financeiras.
Deste modo, destaca-se que envelhecer não está relacionado a perda de
autonomia ou prejuízos significativos nas habilidades cognitivas. Quando surgem
queixas de memória, dificuldades sociais, alteração repentina de humor, entre
outras alterações que não são compatíveis a vida pregressa do idoso, podemos
estar diante de um envelhecimento considerado não saudável, embora com
muitas possibilidades de cuidados a serem incluídas na vida deste, dentre elas:
a avaliação neuropsicológica e a reabilitação neuropsicológica.
A avaliação neuropsicológica um processo abrangente deve ser estruturada
considerando algumas funções chaves devem ser obrigatoriamente avaliadas para
melhor compreensão do paciente, sendo elas: a história clínica e formulação de
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
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hipótese, obtida através na anamnese clínica, questionários, escalas e avaliação
de sintomas, avaliação de rastreio dos aspectos do estado mental, orientação
temporal e espacial, consciência e intensidade dos sintomas cognitivos, avaliação
cognitiva por meio de testagens que avaliam os domínios cognitivos, avaliação
comportamental, através da análise de sintomas psicológicos e comportamentais,
além de diagnósticos psiquiátricos; avaliação funcional, medindo o funcionamento
do paciente nas atividades de vida diária com base no funcionamento anterior
(Da-Silva Leme: Vieira, VLD: Tellaroli C. & Vale FAC, 2022).
Diante da avaliação neuropsicológica é possível descobrir fatores impor-
tantes para a certificação que o envelhecimento está dentro do esperado para
idade e escolaridade do idoso ou se há declínios cognitivos, sendo que estes,
nem sempre são perceptíveis para o paciente e sua família.
O envelhecimento acompanhado pelas perdas cognitivas traz implicações
nas relações e dinâmicas familiares, pois, as alterações funcionais contribuem
para o desenvolvimento de dependência funcional que vão desde atividades
instrumentais de vida diária ao autocuidado.
No contexto da reabilitação neuropsicológica da pessoa idosa com com-
prometimento cognitivo leve (CCL), um dos importantes pilares a ser trabalhado
é a família, visto que é o sistema responsável pelos cuidados bem como pelas
relações e convívio. Família pode ser definida como um sistema complexo de
relações, formado por grupo de pessoas unidas pela confiança, crenças, valores,
suporte, responsabilidades e amor mútuo além dos laços sanguíneos. É o sistema
em que os seus integrantes podem cooperar entre si em atividades do cotidiano,
promovendo o bem-estar e o conforto uns para os outros bem como prestam
cuidados nos momentos de adoecimento e dependência (Walsh, 2026).
Cuidar é função moral, cultural e afetiva atribuída à família. O cuidado
prestado à pessoa idosa é uma atividade complexa, relacionada aos sistemas
de proteção social garantido por lei no Estatuto da Pessoa Idosa, em que no
artigo 3º sendo “obrigação da família, comunidade, sociedade e do Poder Público
(objetivando assegurar à pessoa idosa, com absoluta prioridade, a efetivação do
direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer,
ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência
familiar e comunitária.” Brasil, 2003).
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A convivência com uma pessoa idosa com CCL repercute de forma indivi-
dualizada para cada integrante de uma família, todavia para todos há a perspectiva
de mudança contínua de papeis e necessidades de readaptação para enfrentar o
avanço da doença. Nesse sentido, o familiar cuidador principal, seja por opção ou
identificado para a função, necessita de apoio diante das demandas de cuidado
devido às transformações nas relações interpessoais, reorganização da estrutura.
O contexto familiar de cuidado pode representar risco ou proteção para a
pessoa necessita do cuidado. As práticas de cuidado familiar podem contemplar
diversas participações tanto da rede de apoio informal como formal.
A rede de apoio informal é composta por integrantes da família nuclear
e estendida, conhecidos e vizinhos. Estudos apontam a importância da rede de
apoio como uma estratégia de enfrentamento de fatores protetivos para a manu-
tenção da saúde mental e redução da sobrecarga do familiar cuidador. A rotina de
cuidado prestado pelo integrante familiar responsável por tal função somado às
demandas pessoais de trabalho, saúde e vida pessoal, levam ao aumento do risco
de desenvolvimento de sobrecarga e estresse, ansiedade, medo e sofrimento. Com
essa sobrecarga de demandas, a família e o familiar/ cuidador principal, podem
encontrar-se despreparados para o enfrentamento e cuidado a ser prestado.
Além da possibilidade de ter o rompimento do equilíbrio familiar e mudanças na
estrutura, funcionamento lações familiares (Aun; Vasconcellos; Coelho, 2005).
A vivência familiar com um integrante acometido pelo CCL pode envolver
o desenvolvimento de sentimentos e emoções pelos cuidadores, como exemplo:
tristeza, raiva, revolta, indignação, angústia e frustração, assim como gratidão
e alegria. Diante disso, a sobrecarga somada à possível dificuldade de enfren-
tamento e aceitação da nova condição clínica do integrante idoso, é capaz de
desencadear o luto prematuro a partir do diagnóstico e percepção da mudança
comportamental causada pelo CCL.
Diante dessa possibilidade de despreparo e considerando a família uma
importante aliada na reabilitação neuropsicologica da pessoa com CCL. Dessa
forma, os familiares cuidadores também são assistidos pelo programa de reabi-
litação neuropsicológica, a qual constitui como uma rede de apoio formal. A rede
de apoio formal é composta por serviços e profissionais de saúde capacitados a
colaborar e orientar no cuidado e tratamento individualizado a pessoa com CCL.
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
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No programa de reabilitação neuropsicologico para familiares devem ser
abordados temas diversos como: aspecto clínico do avanço das demências, rela-
ções familiares, riscos à saúde na família, cuidado farmacêutico, autocuidado do
familiar cuidador, rede de apoio e outros temas de interesse dos participantes.
São necessários temas voltados para o fortalecimento do familiar/ cuidador
principal e, por consequência, do sistema familiar, favorecendo a elaboração de
estratégias de enfrentamento para a rotina de cuidado e bem-estar mútuo, visto
que há risco de adoecimento físico e mental devido aumento da demanda.
Outros pontos a serem abordados no programa de reabilitação neuropsi-
cologica com as famílias são as temáticas espiritualidade e resiliência, que con-
figuram como estratégias de enfrentamento importantes e eficazes para redução
de sobrecarga e autocuidado (Barreto et al, 2023; Walsh, 2005).
O programa de reabilitação neuropsicologico dirigida a famílias de pessoas
com CCl deve considerar a elaboração de estratégias e ferramentas de cuidado
para os próximos anos, diante de novos desafios e rotina de cuidado a partir do
avanço da doença bem como para o autocuidado no envelhecimento do cuidador,
que também terá suas próprias demandas.
Martorelli e autores (2020) reforçam a importância de indicadores precoce
de declínio cognitivo e os instrumentos neuropsicológicos no diagnóstico, tais
achados podem impactar no prognóstico do transtorno, assim como o auxílio
na tomada de decisão, além das opções de tratamento, principalmente aqueles
relacionados à reabilitação neuropsicológica.
De modo geral, podemos definir reserva cognitiva como uma tática possível
que ajuda a prevenir o declínio cognitivo patológico. É através dela que é possível
proteger as atividades cognitivas em casos de lesões cerebrais e no processo de
envelhecimento saudável uma vez que está diretamente relacionada à neurogê-
nese, angiogênese. A formação de reserva cognitiva está relacionada através de
aspectos individuais inatos (determinados geneticamente) bem como a exposição
de estímulos (intelectual, sociais, atividades físicas, etc.) ao longo da vida. Desse
modo, indivíduos com maior reserva cognitiva tendem a ter redes neurais mais
eficientes e podem melhor resistir a danos decorrentes de patologias cerebrais
e do envelhecimento (Leite, 2022).
O cérebro é considerado a mais complexa estrutura biológica uma vez
que é muito variado em funções e estruturas, por esse motivo se faz necessário
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conhecer toda essa complexidade para a identificação dos fatores que contribuem
para a reserva cognitiva e para o envelhecimento bem-sucedido, possibilitando
assim, a promoção de saúde e bem-estar para a população idosa bem como
uma melhor orientação para profissionais de saúde e cuidadores. (Leite, 2022)
Estudos demonstram que a atividade mental pode modificar o cérebro,
principalmente por conta da concepção da neurogênese e neuroplasticidade. A neu-
roplasticidade ou plasticidade neural pode ser determinada como um mecanismo
variável em decorrência dos padrões de experiência. De acordo esses autores,
a neuroplasticidade pode ser originada e analisada sob um conceito estrutural -
configuração sináptica - ou funcional - modificação do comportamento – (Castro,
2020 apud Dias, Melo 2020).
Por muitos anos acreditou-se que a formação de novos neurônios só
acontecia durante a formação do cérebro, porém estudos comprovaram que
essa formação é contínua em partes especificas do cérebro adulto e acontece
principalmente, no hipocampo e logo após migram para o bulbo olfatório. Esses
novos neurônios são concebidos como uma imensa rede de conexões sinápticas
entre unidades neuronais e ficam nas zonas que nós mais utilizamos, as quais são
modificáveis em função da experiência individual, ou seja, do nível de atividade
e do tipo de estimulação recebida, comprovando o termo Neuroplasticidade
(Castro, 2020 apud Dias, Melo 2020).
A reabilitação neuropsicológica, é uma técnica que pode ser definida como
estratégia de intervenção que vise qualquer forma de aprendizagem e estimu-
lação cognitiva, que ajude o cérebro na redução ou compensação dos déficits
cognitivos. Esta parte da premissa de que o cérebro humano é um órgão variável
e adaptativo, capaz de se reestruturar em função de novas exigências ambientais
ou das limitações funcionais impostas por lesões cerebrais (Paiva, 2021).
Todavia, não é possível descartar o tratamento farmacológico de comorbi-
dades existentes, tais como hipertensão, diabetes, depressão, ansiedade ou outros
fatores de adoecimentos. Estudos científicos mostram que a combinação de tra-
tamentos farmacológicos aliados a um programa de reabilitação neuropsicologica
bem estruturado é a melhor alternativa para idosos e familiares, possibilitando
uma melhora em sua funcionalidade, assim como o retardamento da evolução
de um possível adoecimento.
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
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Envelhecer traz consigo fragilidades e, muitas vezes, necessidades de
adaptações, principalmente, quando surgem declínios cognitivos que impactam
na funcionalidade das atividades de vida diária do idoso. No entanto, tais fragi-
lidades não podem ser naturalizadas e tratadas como sentença para um fim de
vida sem cuidados ou intervenções.
A neurociência, em especial a neuropsicologia, tem muito a contribuir com
ferramentas eficientes de cuidado, estimulação e, porque não dizer, ressignificação
do papel do idoso na sociedade (Betty Friedan).
Reabilitação Neuropsicologica nos Quadros Demenciais:
O avanço na expectativa de vida é visto como uma das conquistas signifi-
cativas deste século, contudo, é importante observar que este é o principal fator
de risco para o desenvolvimento de doenças crônico degenerativas. As síndromes
demenciais aumentam progressivamente após os 60 anos de idade (Kukull WA.
et al., 2000; Lopes; Bottino, 2002).
Estudos com biomarcadores buscam critérios de diagnósticos e trata-
mentos. Contudo, as intervenções medicamentosas continuam sendo baseadas
no uso de anticolinesterásicos e Memantina (Birks ; Havey, 2006). Dessa forma,
pesquisas com estudos longitudinais sobre envelhecimento cognitivo, as quais
incluem exames de neuroimagem, permitiram identificar desde fases pré-iniciais
até o estabelecimento das demências. Sendo assim, foram descobertos vários
aspectos cognitivos e potencialidades ainda preservadas nesses pacientes. Esses
resultados dão sustentação científica para uma intervenção não farmacológica
desde o Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) ao Transtorno Neurocogni-
tivo Maior (TNM).
As intervenções de tratamento não farmacológico para pessoas com
demência devem envolver uma estrutura holística, ou seja, estabelecimento de
um programa estruturado nos pilares: cognição, distúrbios emocionais, motiva-
cionais, sociais, organização do ambiente físico e orientação a família.
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Planejando o Programa de Reabilitação Neuropsicológica Holística:
O planejamento do Programa de Reabilitação Neuropsicológica deverá ter
como prioridade definir os objetivos de forma clara e sem ambiguidade. Estes
devem ser bem estruturados e em pequenos passos, treinar os pacientes com
estratégias para o uso eficiente das s habilidades residuais. Para que o planeja-
mento das estratégias as metas devem ser delineadas com enfoque individual,
significativo, realístico e alcançáveis (Wilson,2023). A avaliação das eficácias das
metas permite a monitoração da eficácia do programa bem como a mudança na
intervenção se necessário (Wilson, 1992; Wilson et al., 2003).
Como Definir as Dificuldade na Realização das Atividades:
Em se tratando de definir as dificuldades do paciente na realização das
tarefas a orientação é para que seja feito uma observação direta do desempenho.
Dessa forma é possível identificar onde está a falha: na iniciativa, planejamento,
habilidade motora, ou uma combinação desses fatores (Vieira, VLD, 2021).
Como Utilizar as Habilidades Residuais:
Trabalhar, por meio das atividades propostas, a aceitação dos déficits,
treinar o paciente para usar estratégias compensatórias, fazer treino de aten-
ção e concentração, e dispensar um tempo maior na realização das atividades
(Vieira, VLD, 2021).
Estratégias Compensatórias:
Nova forma de executar atividades que não estão sendo realizadas devido
ao prejuízo. Para compensar essas dificuldades, pode-se usar técnicas de reor-
ganização ou substituição, como agenda, caderno de anotações ou calendário.
Como benefício, esses instrumentos possibilitam maior autonomia ao paciente.
Também é possível apontar estratégias de organização e associação das
informações (semântica, categóricas), sendo importante sinalizar que o uso desse
tipo de estratégia depende das habilidades residuais.
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
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Tipos de Atendimentos:
O atendimento pode ser individual e/ou em grupo, sendo que o plane-
jamento das atividades deve contemplar o perfil neuropsicológico do paciente
È de extrema importância o trabalho multidisciplinar uma vez que contempla
as múltiplas alterações apresentadas por um paciente com quadro de demência
em suas várias formas de manifestação, tanto no que se refere ao paciente quanto
na esfera familiar (Vieira VLD, 2021).
Atendimento Individual:
Considera as dificuldades específicas de cada paciente e possibilita o
treino funcional e a inserção de estratégias compensatórias (Vieira, VLD,2021).
Atendimento em Grupo:
As sessões são semiestruturadas e dirigidas, contempla aspectos sociais,
familiares e cognitivos. Os resultados positivos são observados nos contextos
relacionados à socialização, melhora no humor e no comportamento do paciente
e diminuindo a sobrecarga sofrida p pelo familiar e/ou cuidador (Vieira, VLD,2021).
Intervenção Familiar:
Paralelamente ao tratamento das disfunções cognitivas, é importante
fornecer ao familiar e/ou cuidador informações sobre a patologia, o impacto
nas AVD, a importância da reestrutura da rotina, o uso eficiente das habilidades
residuais e a implementação e o treino, em casa, de estratégias funcionais (apoios
externos) (Vieira,VLD,2021).
As alterações comportamentais também são contempladas, visto que
são uma das causas que mais trazem sobrecarga ao cuidador. Assim, são dadas
ao familiar e/ou cuidador orientações de como identificar gatilhos que possam
eliciar mudança comportamental no paciente. Deve-se destacar a importância
do suporte psicoterapêutico para o cuidador, que o ajuda a se reestruturar nas
esferas psíquica e emocional.
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Abordagem Comportamental:
Tendo em vista a complexidade dos déficits cognitivos nas demências, a
reabilitação precisa contemplar a intervenção nas alterações de comportamento e
até mesmo nos possíveis sintomas psiquiátricos resultantes do quadro demencial
ou de comorbidades apresentadas pelo indivíduo. O gerenciamento de aspectos
comportamentais e emocionais tanto dos pacientes e quanto dos cuidadores
e/ou familiares serão um dos maiores desafios nos programas de reabilitação
(Mello & Rodrigues, 2012).
Alterações comportamentais que são comuns no curso da demência: 1)
agitação (desorientação, impaciência, incapacidade de ficar sentado o tempo
necessário para fazer a refeição); 2) agressão (verbal e física contra a equipe ou
outra pessoa); 3) verbalizações anormais (grito, berro); 4) psicose (alucinações,
delírio); 5) sintomas depressivos (apatia, desinteresse); 6) comportamentos sexua-
lizados (fazer comentários verbais, masturbar-se, agarrar membros da equipe);
7) distúrbio do sono (trocar dia pela noite, levantar-se para se vestir) (Omelan,
2006 apud Mello Mello & Rodrigues, 2012). Por sua natureza desafiadora, é
comum adotar intervenções farmacológicas para contornar os comportamentos
difíceis e disruptivos.
A análise aplicada ao comportamento pode ser crucial para identificar
os comportamentos alvos, os antecedentes, as consequências, mas também
como etapa essencial para planejar intervenções comportamentais e ambientais
com os pacientes e cuidadores (Sohberg & Mateer, 2015). Algumas abordagens
comportamentais em reabilitação consideram o controle do ambiente, visando
principalmente a redução da superestimulação. A elaboração de uma rotina e
cuidados com o sono podem proporcionar tanto a eficácia da intervenção cognitiva
quanto a inibição de comportamentos disfuncionais. Adiciona-se como intervenção
comportamental o manejo de comunicação do cuidador a fim de evitar agitação
e promover orientações que estimulem a tranquilização do paciente. A técnica de
distração pode ser uma aliada para quebra de comportamentos agressivos e para
conter a agitação. A observação constante e atenta dos sinais e expressões do
paciente podem auxiliar no gerenciamento de desconfortos e evitar sofrimentos
que porventura se traduzam em comportamentos de hostilidade ou agressão
aos cuidadores.
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
80
Ademais das estratégias comportamentais acima algumas terapias alter-
nativas podem ser utilizadas no programa de intervenção, a saber: musicoterapia,
adoção de práticas de exercícios físicos orientada e assistida por profissão da
área de educação física, aromaterapia e psicoterapias breves em Terapia Cog-
nitivo Comportamental focada em resolução de problema específico (Mello &
Rodrigues, 2012).
Reabilitação Comunicativa no Envelhecimento:
A comunicação é fundamental para a qualidade de vida e interação das
pessoas. Indivíduos que desenvolvem algum tipo de comprometimento cogni-
tvo, neurodegenativo, apresentam dificuldades na comunicação que ocorre em
todas as formas de demência e têm um impacto significativo dificultando, suas
interações sociais.
A reabilitação cognitivo-comunicativa focada na fala é uma forma eficaz
de melhorar a comunicação e interação de indivíduos com comprometimento
neurocognitivo, como as demências. É esperado no envelhecimento patológico
alterações significativas de comunicação. Essas alterações levam a outros défi-
cits, como isolamento social e alterações de humor. Um estudo realizado com
cuidadores de pacientes mostra, maior dificuldade e desgaste desses cuidadores
a lidar com indivíduos que apresentavam casos de afasia, com os que não tinham
essa dificuldade de comunicação (Bakas et al, 2006).
A demência traz inúmeras dificuldades funcionais, incluindo a comunicação,
que não se limita a expressão da fala, está diretamente relacionada a compreensão
oral e escrita, leitura e audição. Está última afeta a compreensão de linguagem, e
deve ser avaliada por especialistas. Estima-se que a presbiacusia como é conhecida
a perda de audição associada ao envelhecimento, pode atingir aproximadamente
30% da população acima de 65 anos (Samelli et al., 2016), receber intervenção
adequada, minimiza impacto negativo na comunicação.
A reabilitação cognitivo-comunicativa não irá reverter o quadro, mas atuar
na independência, favorecendo o uso de estratégias de comunicação, retardando
a progressão, diminuindo os sintomas e melhorando a qualidade de vida.
A reabilitação comunicativa, deve ser pensada de forma individual, após
uma avalição de linguagem, um instrumento adaptado para o português Brasileiro
ISBN 978-65-5360-706-4 - Vol. 1 - Ano 2024 - [Link]
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é a Bateria Montreal-Tolouse de avaliação de linguagem (MTL-Brasil), 2016. É um
teste que avalia o processamento linguístico em diferentes níveis, incluindo a
compreensão e a emissão de palavras, frases, sentenças e discursos, permitindo
análises quantitativas e qualitativas, outros instrumentos que avaliam linguagem
também podem ser utilizados.
Após avaliação e descrição do perfil linguístico apresentado pelo paciente. O indi-
víduo pode apresentar alterações nesses campos: fonético (produção dos sons da
fala); fonológico (organização dos fonemas na língua); morfossintático (formação
das palavras e organização das frases); léxico-semântico (significados e concei-
tos das palavras); e discursivo-pragmático (uso contextualizado da linguagem
ou funcionalidade) Sillagi, 2021. A reabilitação comunicativa é planejada a partir
dessas informações, por isso é fundamental um tratamento, pensado de acordo
com as limitações apresentadas nas avaliações e informações trazidas pelo
paciente, família e/ou cuidadores.
Durante a reabilitação comunicativa as estratégias devem ser funcionais,
aplicadas em sua rotina diária, com suporte de comunicação compensatório. Estu-
dos apontam que terapias baseadas com foco léxico-semântico, são alternativas
para melhora da comunicação. Por exemplo estimular o treino de palavras para
diminuir a anomia, utilizando apresentação de imagens ou objetos para descrição
do significado, é importante pensar no aprendizado sem erro, para tanto caso
o paciente não recorde após a apresentação forneça o primeiro fonema (som)
ou sílaba da palavra alvo. Escolha categorias semânticas a serem trabalhadas,
de acordo com os gostos e necessidades que o paciente apresente. Exemplo,
categoria semântica alimentos, apresenta a imagem tomate, caso apresente
anomia forneça a primeira sílaba, associe com a palavra escrita, agora junto do
paciente pense em receitas ou utilizações desse alimento de preferência trabalhe
o alimento de outras formas, exemplo: molho, tomate assado, ketchup, sempre
utilizando imagens e escrita.
Outra estratégia é o uso de cenas, onde pedimos para o paciente descre-
ver cena, onde na imagem contenha entre outras imagens a palavras alvo a ser
trabalhada, pode ser um verbo ou substantivo. Fale junto com o paciente, repita
as palavras facilite a informação, utilize gestos. Mostre a articulação da palavra
na boca de forma sobre articulada, evidenciado o movimento, utilize ainda lista
de palavras que foram trabalhadas em terapia, oriente a prática diária, com
Envelhecimento Humano: diferentes nuances e estágios
82
apoio do cuidador e/ou familiar. É importante ressaltar que essas estratégias
são exemplos, que podem ser aplicados de acordo com a necessidade de cada
paciente, ou seja, deve ser pensada individualmente, com objetivo e avaliação
dos resultados. A reabilitação é formulada individualmente, mas o ganho comu-
nicativo, gera qualidade de vida e interação social.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estudos publicados dentro e fora do Brasil apontam que indivíduos com
demência nos estágios iniciais apresentam leve melhora e até estabilização
funcional, comportamental e de humor quando submetidos à intervenção neu-
ropsicológica associada ao tratamento medicamentoso. Contudo, é importante
que os profissionais envolvidos nesse trabalho desenvolvam um planejamento,
estabeleçam os objetivos para curto, médio e longo prazos, discutam com os
familiares e/ou cuidadores, identifiquem as dificuldades que serão trabalhadas e
contemplem a generalização para o cotidiano do paciente por meio de orientação
e treino do cuidador.
A monitoração do tratamento por meio de anotações para que o programa
seja alterado quando necessário também é de extrema importância.
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