UNIDADE 1 – LÓGICA CLÁSSICA E PROPOSICIONAL
INTRODUÇÃO
A lógica matemática é importante para as linguagens de programação necessárias na
elaboração de softwares. É a base sobre a qual as linguagens de computador são formuladas, sendo
estas consideradas linguagens formais devido ao seu embasamento na representação matemática.
“Linguagens formais podem ter diversos níveis de expressividade. Em geral, quanto maior a
expressividade, maior também a complexidade de se manipular essas linguagens” (SILVA; MELO;
FINGER, 2018, p. 7).
As linguagens naturais, como o Português, Inglês e Espanhol, são utilizadas no dia a dia e
possuem uma característica marcante: a ambiguidade, ou seja, uma frase pode ser interpretada de
várias maneiras. No entanto, em sistemas computacionais, a ambiguidade não é tolerada, sendo
essencial dispor de mecanismos que expressem sistemas computacionais de forma inequívoca. A
lógica é o alicerce primordial desses sistemas e tem sido amplamente estudada.
Tanto as linguagens naturais quanto as formais possuem uma sintaxe (a forma de escrever) e
semântica (o significado), porém apenas as linguagens formais são isentas de ambiguidade. Neste
capítulo, exploraremos os fundamentos da lógica matemática para viabilizar essa clareza.
Os conceitos fundamentais abordados na disciplina de Lógica Matemática serão amplamente
aplicados em outras disciplinas do curso, principalmente nas que envolvem linguagens de
programação. Portanto, o estudo da lógica clássica e, sobretudo, da lógica proposicional é de
extrema importância. A compreensão da lógica proposicional capacita os estudantes a resolver
problemas computacionais e será continuamente revisitada ao longo do Curso.
1.1 PROPOSIÇÕES
No estudo da lógica matemática, o conceito mais fundamental é o de Proposição, que deriva
do verbo propor, significando submeter algo à apreciação. Uma proposição é entendida como uma
sentença que pode ser descrita em linguagem, seja formal ou informal. É uma declaração afirmativa
à qual é atribuído um valor de verdadeiro ou falso, mas nunca ambos simultaneamente. Por
exemplo, "O Brasil está na América" é uma proposição verdadeira (V), enquanto "A lua é feita de
queijo" é uma proposição falsa (F).
A proposição é o elemento fundamental a partir do qual os argumentos são elaborados,
sendo o principal foco de estudo na lógica proposicional.
Sentenças não declarativas não podem ser consideradas proposições, já que não possuem
apenas um valor associado (verdadeiro ou falso). Exemplos disso incluem:
- Sentenças Interrogativas: "Onde você mora?" "Qual é a sua cor preferida?"
- Sentenças Imperativas: "Maria, compareça à recepção, por favor." "Faça todos os exercícios
solicitados agora."
- Sentenças Exclamativas: "Todo mundo está sujeito a cometer erros!" "Nossa, que foto bonita!"
É importante ressaltar que algumas sentenças declarativas também não podem ser
analisadas, especialmente quando descritas em linguagens informais ou quando apresentam
ambiguidade, tornando impossível atribuir um valor lógico (verdadeiro ou falso). Por exemplo: "Eu
encontrei Maria com uma camisa amarela." Neste caso, a sentença é ambígua, pois pode significar
que "eu estava com uma camisa amarela" ou que "Maria estava com uma camisa amarela".
Portanto, as proposições são sentenças nas quais é possível atribuir apenas um valor lógico:
verdadeiro ou falso. Geralmente, as proposições são representadas por letras minúsculas (por
exemplo: p, q, r, s, t), e ao longo deste livro, usaremos letras para representar as proposições.
Alguns exemplos de proposições válidas incluem:
1
p: Carlos é professor
q: 1 > 5
Se afirmarmos que a proposição p é verdadeira, ou seja, que Carlos é professor, então
podemos dizer que o valor lógico da proposição p é verdadeiro, expresso pela equação:
VL(p) = V
No caso da proposição q, ela é falsa, pois 1 não é maior que 5. Portanto, temos:
VL(q) = F
Podemos observar que as proposições p e q sempre possuem um valor lógico associado, e
isso é válido para qualquer proposição lógica. Não existe a possibilidade de uma proposição
assumir mais de um valor lógico. Isso se deve ao fato de que as proposições seguem certas
propriedades que devem ser sempre respeitadas:
• Princípio da identidade: tudo é idêntico a si mesmo. Por exemplo, a proposição p é igual a
p (p = p), mesmo que exista p = q.
• Princípio da não-contradição: uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo
tempo. Por exemplo, dada uma proposição p, ela é ou verdadeira ou falsa, nunca assumindo
ambos os estados simultaneamente.
• Princípio do terceiro excluído: toda proposição é ou verdadeira ou falsa, ou seja, verifica-
se sempre um destes casos e nunca um terceiro. Neste sistema de raciocínio, apenas dois
estados de verdade estão estabelecidos: a "verdade" e a "falsidade".
Dessa maneira, a Lógica Matemática é um sistema bivalente ou dicotômico, no qual os dois
estados de verdade são usados para descrever todas as situações possíveis. Esses estados são
mutuamente excludentes, ou seja, a presença de um exclui a existência do outro (é verdade ou é não
verdade).
Exemplo: Para cada situação, determine se a afirmação p viola algum dos princípios (identidade,
não-contradição, terceiro excluído):
Situação 1: p representa a afirmação "2 + 2 = 5".
Situação 2: p representa a afirmação "2 + 2 = 4".
Resolução:
Na situação 1, a afirmação "2 + 2 = 5" não é igual a ela mesma, ou seja, não satisfaz o
princípio da identidade, pois é matematicamente incorreta. A afirmação é falsa e não pode ser
verdadeira ao mesmo tempo, portanto, atende ao princípio da não-contradição. Ainda, afirmação "2
+ 2 = 5" é claramente falsa, portanto, está em conformidade com o princípio do terceiro excluído, já
que não pode ser verdadeira.
Na situação 2, a afirmação "2 + 2 = 4" é igual a ela mesma e satisfaz o princípio da
identidade. Esta afirmação é verdadeira e não pode ser falsa ao mesmo tempo, atendendo ao
princípio da não-contradição. A afirmação "2 + 2 = 4" é verdadeira e não pode ser falsa, então está
em conformidade com o princípio do terceiro excluído.
1.1.1 Notação binária (0 e 1) e as proposições lógicas Verdadeiro (V) e Falso (F):
Quando representamos uma proposição como "V" (verdadeira), podemos associar isso ao
valor binário 1 (um). Da mesma forma, a proposição "F" (falsa) é associada ao valor binário 0
2
(zero). Isso cria uma maneira clara e direta de traduzir afirmações lógicas para uma forma numérica
binária. A explicação para essa correspondência é baseada na ideia de que, em sistemas digitais e na
lógica formal, é conveniente representar os dois estados lógicos fundamentais (verdadeiro e falso)
usando os dois dígitos binários (0 e 1).
Notação Binária:
0: Representa a ausência, a negação ou o estado falso (F).
1: Representa a presença, a afirmação ou o estado verdadeiro (V).
Correspondência com Proposições Lógicas:
V (verdadeiro): Associado a 1 na notação binária. Quando uma proposição é verdadeira, ela
é representada pelo valor binário 1.
F (falso): Associado a 0 na notação binária. Quando uma proposição é falsa, ela é
representada pelo valor binário 0.
O quadro abaixo resume a associação direta entre os estados lógicos das proposições
(Verdadeiro ou Falso) e os valores binários (1 ou 0).
Proposição Lógica Notação Binária
V (verdadeiro) 1
F (falso) 0
Essa correspondência é amplamente utilizada em sistemas digitais, como computadores,
onde a eletricidade é usada para representar os estados lógicos 0 e 1. Além disso, na lógica
proposicional, tabelas verdade são construídas com base nessas associações. A simplicidade e a
eficiência dessa representação contribuem para a sua ampla adoção em computação e lógica formal.
Essa relação facilita o projeto de circuitos digitais, a programação de computadores e a manipulação
de informações lógicas de maneira clara e intuitiva.
Na subseção a seguir, abordaremos a análise de proposições para determinar sua veracidade.
Dentro desse contexto, é possível lidar com proposições bastante complexas, e utilizaremos o
conceito de Tabela Verdade. Esta tabela é uma representação matemática que nos auxilia a
determinar o estado, isto é, se as proposições são verdadeiras ou falsas.
1.2 OPERAÇÕES LÓGICAS SOBRE PROPOSIÇÕES
Proposições podem ser consideradas simples ou compostas. São consideradas proposições
simples aquelas que se apresentam isoladas, sem estar acompanhadas de outras proposições. Por
exemplo, duas proposições simples podem ser:
p: O carro é azul
q: João é motorista
Quando combinamos duas proposições, temos uma proposição composta, ou seja, duas ou
mais proposições conectadas entre si, formando uma única sentença. Por exemplo, podemos
conectar as proposições p e q com conectores lógicos:
r: O carro é azul e João é motorista
3
Assim, muitas vezes, ao pensar, realizamos operações sobre proposições, semelhantes às
operações aritméticas com números. Esse cálculo é conhecido como cálculo proposicional e
também resulta em um valor de verdade, seja verdadeiro ou falso. A seguir, são apresentadas as
operações sobre proposições.
1.2.1 Negação
Definição: Dada uma proposição p, a negação de p é representada pela proposição "não p", na qual
o valor lógico é verdadeiro quando p é falso e falso quando o valor de p é verdadeiro.
Assim, "não p" possui o valor lógico oposto ao de p. Simbolicamente, podemos expressar a
negação de p por ~p, lido como "não p". O valor lógico da negação de uma proposição é, portanto,
definido pela tabela verdade dada a seguir:
p ~p
V F
F V
Esta mesma tabela verdade pode ser apresentada a partir do uso da notação binária:
p ~p
1 0
0 1
Desta forma, podemos concluir que:
~V = F
~F = V
Ou seja, não verdade é igual a falso e não falso é igual à verdade.
A negação inverte o valor lógico da proposição. Se p for verdadeiro (1), então ~p será falso
(0), e vice-versa. A tabela verdade apresentada é consistente com a operação lógica de negação,
onde a negação de Verdadeiro é Falso, e a negação de Falso é Verdadeiro.
Exemplos de expressões de negação em linguagem natural:
p: "O céu é azul."
~p: "O céu não é azul."
q: "5 é maior que 3."
~q: "5 não é maior que 3."
r: "A água ferve a 100 graus Celsius."
~r: "A água não ferve a 100 graus Celsius."
s: "Maria é uma estudante universitária."
~s: "Maria não é uma estudante universitária."
4
t: "Este dispositivo está ligado."
~t: "Este dispositivo não está ligado."
Em cada exemplo dado, a negação (~) inverte o valor lógico da proposição original. Se a
proposição é verdadeira, a negação torna-a falsa, e vice-versa. Esses exemplos ilustram como a
negação é uma ferramenta para expressar a oposição de uma afirmação lógica.
1.2.2 Conjunção
Definição: Dadas duas proposições p e q, define-se a conjunção pelo operador "E" (simbolicamente
representado por ^), onde "p ^ q" possui o valor lógico Verdade se ambas as proposições (p e q) são
verdadeiras. Da mesma forma, a conjunção pode ter o valor lógico Falso se pelo menos uma das
proposições (p ou q) é falsa.
Simbolicamente, a representação da conjunção entre duas proposições é expressa por "p ^
q", lida como "p e q". O valor lógico da conjunção de duas proposições é, portanto, definido pela
tabela verdade a seguir.
p q p^q
V V V
V F F
F V F
F F F
Assim, podemos concluir que:
V^V=V
V^F=F
F^V=F
F^F=F
Alguns exemplos do operador de conjunção são:
p = O céu é azul
q=5+2=7
p^q=V
p = Rio de Janeiro é a capital do Brasil
q=1+1=2
p^q=F
p = "Maria é alta"
q = "Pedro é baixo"
Vamos avaliar p ^ q (p e q) para o caso em que ambas as proposições são verdadeiras:
p = V (Maria é alta)
q = V (Pedro é baixo)
Nesse caso, p ^ q = V (Maria é alta e Pedro é baixo). Se ambas as proposições são verdadeiras, a
conjunção resultará em verdadeiro.
5
Exemplo de uma expressão de conjunção em linguagem natural: "Vou jantar fora e depois
assistir a um filme". Nesta frase, a expressão "jantar fora e depois assistir a um filme" representa
uma conjunção, unindo duas ações que ocorrerão sequencialmente. A conjunção "E" neste caso une
as ações de jantar fora e assistir a um filme, indicando que ambas as ações serão realizadas em
sequência, uma após a outra.
Ainda, em notação binária, a tabela verdade para Conjunção é:
p q p^q
1 1 1
1 0 0
0 1 0
0 0 0
1.2.3 Disjunção
Definição: Dadas duas proposições p e q, define-se por disjunção o operador "OU"
(simbolicamente representado por ∨), onde "p ∨ q" possui o valor lógico Verdade se pelo menos
uma das proposições (p ou q) for verdadeira. Da mesma forma, pode possuir o valor lógico Falso
somente se ambas as proposições (p ∨ q) forem falsas.
Simbolicamente, a representação da disjunção entre duas proposições é feita por "p ∨ q",
lido como "p OU q". O valor lógico da disjunção de duas proposições é, portanto, definido pela
tabela verdade a seguir:
p q p∨q
V V V
V F V
F V V
F F F
Assim, podemos concluir que:
V∨V=V
V∨F=V
F∨V=V
F∨F=F
Alguns exemplos do operador de disjunção:
p = A bola é quadrada
q = 1+1 = 3
p∨q=F
6
p = Rio de Janeiro é a capital do Brasil
q = 1+1 = 2
p∨q=V
Suponha agora que temos as duas seguintes proposições:
p = "O time A ganhou o jogo"
q = "O time B empatou o jogo"
Vamos analisar a disjunção p ∨ q (p ou q):
Se, pelo menos, uma das proposições for verdadeira, teremos um resultado verdadeiro (V).
Imagine a seguinte situação:
p = V (O time A ganhou o jogo)
q = F (O time B não empatou o jogo)
Neste caso, p ∨ q = V, pois como pelo menos uma das proposições é verdadeira (p é verdadeira), a
disjunção resulta em verdadeiro (V).
Exemplo de uma expressão de disjunção em linguagem natural: “Vou assistir ao filme no
cinema ou em casa”. Neste exemplo, a expressão "no cinema ou em casa" representa uma
disjunção, onde há duas opções mutuamente excludentes - assistir ao filme em um desses lugares
específicos, mas não em ambos ao mesmo tempo. A disjunção permite a escolha entre as duas
opções apresentadas.
Ainda, em notação binária, a tabela verdade para Disjunção é:
p q p ∨q
1 1 1
1 0 1
0 1 1
0 0 0
1.2.4 Disjunção Exclusiva
A disjunção exclusiva é um caso específico da disjunção. Suponhamos as duas proposições
abaixo:
p = "Carlos é casado ou gaúcho"
q = "Maria é carioca ou gaúcha"
Considerando a proposição p, podemos ter que "Carlos é casado" e "Carlos é gaúcho" são
ambas verdades. Ou seja, ambas podem ser verdadeiras. No entanto, na proposição q, se Maria for
carioca, ela não poderá ser também gaúcha, ou seja, ou Maria é carioca ou é gaúcha. Então, na
proposição q, temos uma disjunção exclusiva, pois o "OU" é exclusivo, enquanto que na proposição
p, o "OU" é inclusivo.
Definição: Dadas duas proposições p e q, define-se por disjunção exclusiva o operador "ou
exclusivo" (simbolicamente representado por ⊻ ou também por ⊕), onde "p ⊻ q" possui o valor
lógico Verdade se, e somente se, uma das proposições (p ou q) for verdadeira. Da mesma forma,
pode possuir o valor lógico Falso se, e somente se, ambas as proposições (p e q) forem verdadeiras
ou ambas as proposições forem falsas.
7
Simbolicamente, a representação da disjunção exclusiva entre duas proposições é feita por
"p ⊻ q", lido como "p ou exclusivo q". A disjunção exclusiva é frequentemente denotada como
"XOR", uma abreviação para "eXclusive OR" em inglês. A denominação "XOR" é comumente
usada em contextos de computação e eletrônica, onde a operação de disjunção exclusiva é
amplamente utilizada em circuitos digitais e em operações binárias.
O valor lógico da disjunção de duas proposições é, portanto, definido pela tabela verdade a
seguir:
p q p⊻q
V V F
V F V
F V V
F F F
Assim, podemos concluir que:
V⊻V=F
V⊻F=V
F⊻V=V
F⊻F=F
Aqui estão exemplos do operador de disjunção exclusiva:
p=2+2=4
q=1+1=3
p ⊻ q = V (Verdadeiro)
p = "Brasília é a capital do Brasil"
q=1+1=2
p ⊻ q = F (Falso)
Exemplo de uma expressão de disjunção exclusiva em linguagem natural: "O evento será
realizado no sábado ou no domingo, mas não nos dois dias". Neste exemplo, a expressão "no
sábado ou no domingo, mas não nos dois dias" expressa a ideia de que o evento ocorrerá em um
desses dias específicos, de forma exclusiva, ou seja, apenas em um dos dias, não nos dois. Isso
representa a lógica da disjunção exclusiva, onde a condição é verdadeira somente se uma das
opções é verdadeira e a outra é falsa.
Ainda, em notação binária, a tabela verdade para Disjunção Exclusiva é:
p q p⊻q
1 1 0
1 0 1
0 1 1
0 0 0
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1.2.5 Condicional
Definição: Dadas duas proposições p e q, define-se o operador condicional "se" (simbolicamente
representado por →, onde p → q possui o valor lógico falso apenas se p for verdadeiro e q for falso.
Em todos os outros casos, o valor lógico sempre será verdadeiro.
Simbolicamente, a representação do condicional entre duas proposições é feita por p → q,
lido como "se p então q". O valor lógico do condicional de duas proposições é, portanto, definido
pela tabela verdade a seguir:
p q p→q
V V V
V F F
F V V
F F V
Assim, podemos concluir que:
V→V=V
V→F=F
F→V=V
F→F=V
Alguns exemplos do operador de condicional:
p = 2+2 = 4 (o que é verdadeiro)
q = 1+1 = 3 (o que é falso)
p→q=F
p = Brasília é a capital do Brasil
q = 1+1 = 2
p→q=V
Exemplo exemplo de uma expressão condicional em linguagem natural: "Se você estudar
bastante para o exame, você terá boas chances de tirar uma nota alta". Neste exemplo, a frase
expressa uma relação condicional entre duas situações: estudar bastante para o exame é a condição
necessária para ter boas chances de obter uma nota alta.
1.2.6 Bicondicional
Definição: Dadas duas proposições p e q, define-se o operador "se e somente se" (simbolicamente
representado por ↔), onde p ↔ q possui o valor lógico verdadeiro apenas se ambas as proposições
forem verdadeiras ou ambas forem falsas. Em todos os outros casos, o valor lógico sempre será
falso.
Simbolicamente, a representação do bicondicional entre duas proposições é feita por p ↔ q,
lido como "p se e somente se q". O valor lógico do bicondicional de duas proposições é, portanto,
definido pela tabela verdade a seguir:
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p q p↔q
V V V
V F F
F V F
F F V
Assim, podemos concluir que:
V↔V=V
V↔F=F
F ↔ V= F
F ↔ F= V
Alguns exemplos do operador de bicondicional:
p=2+2=4
q=1+1=3
p↔q=F
p = "Brasília é a capital do Brasil"
q=1+1=2
p↔q=V
Exemplo de uso coloquial/natural: Na lógica, uma bicondicional afirma uma relação de
dependência mútua entre duas proposições, indicando que ambas são verdadeiras ou falsas
simultaneamente. Na linguagem natural, é importante observar se as condições são realmente
interdependentes para identificar corretamente a presença de uma bicondicional.
Um exemplo de uma expressão bicondicional: "Você terá acesso à piscina se e somente se
for membro do clube". Neste exemplo, a frase expressa uma relação de dependência mútua. A
pessoa ter acesso à piscina é condicionada à condição de ser membro do clube, e vice-versa. A
expressão "se e somente se" indica que ambas as condições são verdadeiras ou falsas
simultaneamente - se alguém for membro do clube, então terá acesso à piscina, e se alguém não for
membro do clube, não terá acesso à piscina.
Por outro lado, a frase "está nublado, se está chovendo" não expressa uma bicondicional,
pois o fato de estar nublado não é uma condição estrita para chover. Ou seja, é possível estar
nublado sem que esteja chovendo. Esta afirmação não é uma bicondicional porque as condições
para cada evento (nublado e chuva) não são interdependentes.
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RESUMO: Para efetuar os exercícios, use este resumo contendo as Tabelas Verdades
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1.3 ATIVIDADES – UNIDADE 1
1. Dada as seguintes proposições:
p: está quente
q: está chovendo
Escrever em linguagem natural as seguintes proposições:
a) ~p
b) p ^ q
c) p ∨ q
d) q ↔ p
e) p → ~q
f) p ∨ ~q
g) ~p ^ ~q
h) p ↔ ~q
i) p ^ ~q → p
2. Dada as seguintes proposições:
p: Maria é bonita
q: Carlos é feliz
Escrever em linguagem natural as seguintes proposições:
a) q → p
b) ~~p
c) ~(~p ^ ~q)
3. Escreva uma frase em linguagem natural para exemplificar uma operação sobre uma proposição
que contemple:
a) Negação
b) Conjunção
c) Disjunção
d) Disjunção Exclusiva
e) Condicional
f) Bicondicional
4. Complete a elaboração da Tabela Verdade para as diferentes operações lógicas utilizando os
valores verdade de proposições simples p e q dadas abaixo.
p q p^q p∨q p→q p↔q p⊻q
V V
V F
F V
F F
5. Considere as afirmações sobre lógica propositiva e sua análise por meio de tabelas-verdade.
Analise as afirmativas abaixo, dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) A conjunção (∧) entre duas proposições P e Q, só é verdadeira se ambas forem verdadeiras.
( ) A disjunção (∨) entre duas proposições P e Q, só é verdadeira se ambas forem verdadeiras.
( ) A disjunção (∨) entre a negação de duas proposições falsas é verdadeira.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
a) V, F, V b) V, V, F c) F, F, V d) F, V, V
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1.4 RESPOSTAS DAS ATIVIDADES – UNIDADE 1
1.
a) ~p : Não está quente (a negação de p)
b) p ^ q : Está quente e está chovendo (a conjunção de p e q)
c) p ∨ q : Está quente ou está chovendo (a disjunção de p e q)
d) q ↔ p : Está chovendo se e somente se está quente (a bicondicional entre q e p)
e) p → ~q : Se está quente, então não está chovendo (a implicação de p para a negação de q)
f) p ∨ ~q : Está quente ou não está chovendo (a disjunção de p e a negação de q)
g) ~p ^ ~q : Não está quente e não está chovendo (a conjunção das negações de p e de q)
h) p ↔ ~q : Está quente se e somente se não está chovendo (bicondicional de p e a negação de q)
i) p ^ ~q → p : Se está quente e não está chovendo, então está quente (a implicação de p e a negação
de q para p)
2. a) Se Carlos é feliz, então Maria é bonita.
b) Não é verdade que Maria não é bonita.
c) Não é verdade que nem Maria é não bonita e nem Carlos é não feliz.
3. Exemplos de frases:
a) Negação: "Este programa não irá executar a função correta se houver um erro de sintaxe".
b) Conjunção: "Para o software funcionar corretamente, é necessário ter uma conexão estável com a
internet e espaço suficiente no disco rígido".
c) Disjunção: "O sistema operacional pode ser Windows ou macOS, dependendo das preferências
do usuário".
d) Disjunção Exclusiva: "O software é compatível com Windows ou Linux, mas não com ambos ao
mesmo tempo’.
e) Condicional: "Se você alterar a senha, será necessário fazer login novamente para aplicar as
mudanças".
f) Bicondicional: "A conexão VPN só será estabelecida se o computador estiver conectado à internet
e, se estiver, a VPN estará ativa".
4.
p q p^q p∨q p→q p↔q p⊻q
V V V V V V F
V F F V F F V
F V F V V F V
F F F F V V F
5) Analisando cada afirmação:
1. A conjunção (∧) entre duas proposições P e Q é verdadeira apenas se ambas forem verdadeiras.
Portanto, a afirmação é verdadeira.
2. A disjunção (∨) entre duas proposições P e Q é verdadeira se pelo menos uma delas for
verdadeira. Portanto, a afirmação é falsa.
3. A disjunção (∨) entre a negação de duas proposições falsas é verdadeira. Se negamos duas
proposições falsas, estamos afirmando que ambas são verdadeiras, então a disjunção entre elas será
verdadeira. Portanto, a afirmação é verdadeira.
Portanto, a sequência correta é então: a) V, F, V
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