Maya e Lunamon: Aventura no Digimundo
Maya e Lunamon: Aventura no Digimundo
Maya despertou com uma sensação de leveza, como se estivesse flutuando. Seus
olhos se abriram lentamente, revelando um céu de um azul intenso, pontilhado por
nuvens brancas e fofas. Ela estava deitada em uma clareira verdejante, cercada por
árvores altas e flores coloridas que pareciam brilhar sob a luz do sol.
— Onde... onde eu tô? — murmurou, levantando-se devagar, sentindo uma leve dor
de cabeça ao ter os flashes dos momentos anteriores passando por sua cabeça.
Antes que pudesse se orientar completamente, uma figura pequena e adorável saltou
para a frente dela. Era uma digimon de pelagem branca, com grandes olhos
cor-de-rosa e enormes orelhas de coelho com pelugem lilás, além de diversos
detalhes de lua espalhados pelo corpo. Maya reconheceu-a da silhueta que a
chamara.
— Maya!? — disse a figura com uma voz suave e ligeiramente tímida. — Eu estou
muito contente em te ver!
Maya olhou ao redor, tentando absorver a realidade ao seu redor. Ela se lembrou dos
momentos confusos que antecederam sua chegada aqui: a repentina tempestade, o
encontro com Impmon, o desastre no hospital, a rápida batalha com os Goblimons e
os gritos de Simón e Impmon pedindo—a para que se salvasse, e por fim a voz de
Lunamon a puxando para dentro do tornado.
— Eu não sei ao certo, Maya. — Lunamon disse suavemente. — Só sei que estamos
aqui agora, juntas, eu senti que deveria te chamar, e então… você brilhou e apareceu
aqui desacordada.
Lunamon olhou para Maya e se aproximou levemente, tocando em suas mãos, o que
por algum motivo, confortava bastante o coração da garota.
— Eu também não sei muito. — Lunamon admitiu, sua voz trêmula com medo da
reação da humana. — Mas sinto que estamos aqui por um motivo. Eu senti que
precisava te encontrar… mas se quiser descobrir, eu estou aqui para te ajudar…
— Mas por que eu? — ela perguntou, o desespero evidente em sua voz. — Por que fui
trazida para cá? E o Simón? O Impmon? Eles ficaram para trás? Estão bem?
— Então você não sabe mais do que eu... — ela murmurou, olhando para o céu acima.
— Eu só... eu só queria entender.
— Sei que é difícil. — ela disse, tentando oferecer algum conforto. — Mas talvez,
juntas, possamos descobrir o que está acontecendo. Quem sabe, eles não estão em
algum lugar por aqui?
Maya olhou para Lunamon, buscando alguma esperança nos olhos da criatura.
— E você? — perguntou Maya, depois de um momento. — Você sabe por que estava
me procurando? Ou como soube que deveria me encontrar?
— Apenas senti que deveria... — disse Lunamon. — Não sei explicar, mas quando te
vi, soube que era você quem eu procurava.
Maya olhou ao redor novamente, tentando encontrar alguma lógica no que estava
acontecendo.
Maya sentiu um leve conforto nas palavras de Lunamon, embora ainda estivesse
confusa e preocupada.
— Eu… acho que não tenho outra escolha a não ser confiar em você. — disse Maya,
finalmente. — Vamos descobrir isso juntas.
Lunamon assentiu, parecendo aliviada com a decisão de Maya. No entanto, antes que
pudessem começar, algo chamou a atenção de Maya. No meio da clareira, algo
brilhava sob a luz do sol. Ela se aproximou e encontrou um dispositivo curioso, com
um corpo azul—bebê, laterais rosa—claro e botões lilás.
Maya olhou para o dispositivo, sentindo uma estranha conexão com ele.
Assim que olhou para baixo, Maya percebeu que suas roupas haviam sido trocadas e
ela já não estava mais encharcada e seus machucados superficiais agora já estavam
curados.
— Eu não sei do que você está falando, Maya. – respondeu a digimon, observando a
garota com preocupação – Você já estava assim quando te encontrei.
— Você me disse que sente que estamos aqui por um motivo, e como vamos
descobrir o que é? – Maya perguntou, após um suspiro de conformação, afinal, ao
menos ela estava completamente bem.
— Eu não sei ao certo… mas talvez essa coisa na sua mão possa nos ajudar. – sugeriu
a coelha digital.
— Talvez… quem sabe ele não liga? Deixa eu tentar… – murmurou Maya, começando
a tatear os botões do pequeno dispositivo, e não demorou muito para que ele
começasse a ressoar, emitindo um barulho agudo e um brilho branco da tela. –
Funcionou!
— Espero que seja perto para que ele pare de fazer barulho… – Disse a digimon – Mas
eu estou com você, Maya. Para onde você quiser ir, eu te acompanharei.
Não demorou muito para que Maya carregasse sua mochila — que, por sinal, deixou
a garota ainda mais confusa do que antes, ao perceber que ela estava ali, já que, pelo
que se lembrava, aquilo havia ficado no carro – e junto a Lunamon começar a andar
floresta à dentro. A garota observava a estranheza ao seu redor, notando que aquele
lugar não parecia nada que já havia visto em seu mundo ou mesmo em algum lugar
do Google Maps. Flores geometricamente bizarras mas muito brilhantes, árvores
bifurcadas e majestosas e um silêncio (com exceção do soar do dispositivo) anormal
para uma floresta.
— Sim?
— Como você sabia que precisava me ajudar? Sei que já tivemos essa conversa mas…
— Eu apenas senti. – pontuou a digimon, sorrindo para a garota com gentileza –
Uma sensação forte de que era importante que eu fosse para aquela clareira, e
quando cheguei perto, ouvi sua voz… até que te encontrei, como eu já disse antes.
— E… tem outros como você o Impmon por aqui? Talvez, até como aqueles
Goblimons feios e malvados? – perguntou Maya, olhando preocupada ao seu redor.
— E quando a outros humanos? Eu lembro do Impmon falar algumas coisas sobre ser
necessário… uma profecia… eu não me lembro bem… – comentou Maya, tentando
distrair sua mente da ansiedade por pensar no que teria acontecido com Simón e
Impmon lá no mundo humano.
— Na verdade, você é a primeira humana que conheço. – disse ela, com um sorriso
tímido – Eu lembro de ouvir algo sobre os humanos, mas não pensei que fossem reais
ou tampouco encontraria um.
— Bem, se te conforta, eu também nunca pensei que estaria aqui. – disse ela, se
deixando sorrir levemente – Então acho que estamos no mesmo barco.
Enquanto caminhavam, o som do dispositivo começou a ficar mais alto e agudo, até o
momento que repentinamente somente se calou e o brilho cessou, mas assim que elas
iriam fazer um comentário, um farfalhas se fez ouvido dos arbustos enormes logo à
frente.
— Eu sabia que o cheiro era parecido. É de fato outra humana, com uma digimon a
acompanhando. – Disse uma voz que surgiu logo atrás da outra humana, era um
digimon aparentemente, um pouco maior do que Lunamon. Ele era quadrúpede e
tinha características reptilianas, como um dragão ou dinossauro, cujas escamas eram
majoritariamente brancas com detalhes em preto, e ele usava uma espécie de capa
vermelha com capuz de mesma cor presa ao seu pescoço.
— Análise certeira, Huckmon. – Disse a garota, que aparentava ter a mesma idade de
Maya, mas era um pouco mais alta. – Quem são vocês?
— Selina. – disse a garota, dando de ombros – Já que já sabem que somos nós, vou
refazer a minha pergunta: Quem são vocês?
— Selina? Você a conhece, Maya? – Lunamon indagou, olhando para sua amiga que
negou brevemente com a cabeça, mas logo se recompôs e olhou firmemente para os
olhos castanhos—avermelhados da outra.
— Eu me chamo Maya, e essa aqui é a minha amiga Lunamon. Desculpe a gente pela
hostilidade, é que sinceramente… não esperava ver outra pessoa por aqui. — Disse a
mexicana, forçando um sorriso gentil enquanto Lunamon relaxava um pouco. –
Desculpa a pergunta mas como…
— Nada vai acontecer com ela, pois eu estou aqui! – retrucou Lunamon.
— Enfim… Está tudo bem, é só que eu levei um susto com vocês e bem… minha
chegada até aqui não foi nada tranquila. – suspirou Maya – Mas e você?
— Bicho roxo… você não estaria falando do… – Maya ia falar, mas, repentinamente os
dispositivos estranhos das duas garotas voltou a ressoar em alto som, o que permitiu
que Maya pudesse ver o da garota, que era igual ao seu, com exceção das cores: o de
Selina era branco com vermelho e botões roxo—escuros. – É essa coisa de novo!
— Isso permitiu que nós encontrássemos vocês duas, então… – Huckmon ponderou,
trocando um aceno breve com Selina.
— Claro que sim. – disseram Maya e Lunamon em uníssono. A garota por sua vez,
pensando e rezando internamente para que a pessoa fosse Simón.
— Preciso admitir que estou curiosa com a sua história. – Disse Selina, enquanto
Huckmon era quem guiava com caminho ao tentar farejar o outro humano. Lunamon
por sua vez, ficou na retaguarda em alerta com sua excelente audição. – Você disse
que chegou aqui de forma turbulenta…
— Eu ainda estou tentando assimilar tudo, mas digamos que aconteceu bastante
coisa para que eu chegasse até aqui… – Disse Maya – Eu estava com meu
melhor-amigo, mas eu acho que fiz “a passagem” antes dele. Agora que achamos que
esses barulhos significam outras pessoas, eu devo admitir que estou esperançosa de
encontrá-lo.
— Você não estava sozinha então? Bem… quem sabe não seja mesmo esse seu amigo?
– Selina deu de ombros, quando repentinamente Lunamon e Huckmon se puseram
atentos à frente. – O que foi?
— E eu sinto o cheiro de mais uma dupla… é parecido com o de vocês duas, mas o
outro cheiro… – Huckmon ia falando, quando do nada um ser alto e bípede saltou por
entre os arbustos pronto para acertar um chute em Huckmon, que conseguiu saltar
rápido o suficiente para desviar. Selina acabou por puxar Maya para o lado enquanto
Lunamon saltou graciosamente para cima, pousando graciosamente ao lado de sua
parceira.
— Essas vozes… são humanas? – Uma voz indagou vindo da mesma direção de onde o
digimon agressivo saíra, onde logo se revelou como uma garota ainda mais alta do
que Maya e Selina. A garota tinha uma aparência marcante: seus cabelos eram lisos e
repartidos ao meio em mechas das cores brancas e carmesim, e seus olhos exibiam
uma heterocromia única, sendo um cinza e o outro turquesa. Uma cicatriz de
queimadura marcava o lado esquerdo de seu rosto, adicionando um ar de mistério à
sua presença.
— Quem é você? — perguntou Maya, tentando parecer corajosa, mas ainda sentindo
a adrenalina correr em seu corpo.
A garota recém chegada deu um passo à frente, mostrando as roupas delicadas que
usava.
— Me chamo Skyler. — disse ela, com uma voz calma e controlada. — Este é meu
parceiro, Renamon.
— Não podem me julgar por apenas desejar proteger a minha parceira. – Disse
Renamon, com os braços cruzados e o semblante ainda sério.
— Desculpem-me a pergunta direta, mas como foi que vocês chegaram aqui? –
perguntou Skyler, relaxando um pouco suas feições. – E essa coisa aqui, o que ela tem
haver com a gente?
A garota apontou para seu pequeno dispositivo, que era amarelo com detalhes
azuis-arroxeados e botões cinzas. Maya e Selina se entreolharam, antes da mexicana
falar.
— Ainda é um pouco confuso para nós também. – disse Maya, dando de ombros.
— A única coisa que descobrimos até então é que quando essa coisa brilha e faz
barulho, é porque estamos perto de outra dupla. – comentou Huckmon – E por isso,
eu digo que deveríamos continuar seguindo floresta adentro para ver se encontramos
outras pessoas.
— Realmente… talvez esses dispositivos estejam nos guiando para algum lugar? –
ponderou Selina – Quem sabe, seja como aquele jogo de conectar os pontinhos para
formar algum desenho…
— Então você também o viu? Quer dizer que… – Selina ia falar algo, mas logo um
barulho alto surgiu por entre as árvores a oeste, como o de uma árvore sendo
derrubada. – O que diabos foi isso?
— Mas por algum motivo… não sinto perigo… – disse Lunamon, quase que como um
sussurro de tão baixo
— Eu quero ir ver, mas ao mesmo tempo… estou com medo. – disse Maya
— Minha intuição diz para darmos uma olhada, mas com a baixa sempre de pé. –
disse Renamon, recebendo um aceno positivo de Skyler.
— Querem ir, então? – Selina indagou, dando de ombros. – Vamos lá, Huckmon. Já
foi decidido.
— Você ouviu a Selina, eu quem vou na frente! – rebateu Huckmon – Não pense que
porque é mais alto, é mais forte, bola de pelos.
— Vocês vão mesmo ficar para trás? – perguntou Skyler, com as mãos na cintura.
Quando os dois digimon olharam, notaram que todos já haviam partido, e quem
estava na frente agora era Lunamon. – Vamos logo, se não quiserem ficar para trás.
— Ei! – bradaram os dois digimon em alarde, logo se aproximando para acompanhar,
onde os dois ficaram na retaguarda enquanto Lunamon era quem guiava o agora trio
na direção daquele som estrondoso.
As garotas e seus parceiros seguiram juntos por alguns metros, todos ainda receosos
e tensos, aguardando o perigo surgir a qualquer instante, absolutamente atentos a
qualquer som externo que pudesse alertá-los de algo. Maya, para tentar reduzir a
tensão nos ombros das duas outras moças, decidiu conversar um pouco.
— Pode ser qualquer coisa, como o Renamon disse. – pontuou Sky – tanto um
digimon grande, quanto um humano, eu presumo.
— Você realmente acha que aquele som foi causado por outro humano? – indagou
Selina – Ele é o quê? O Superman?
— Não dá para saber. Não conhecemos nada deste mundo, não é? – disse Maya
— De fato, não posso dizer ao certo, são apenas teorias… e bem, considerando que a
única pista que temos é essa coisa aqui… – Sky voltou a falar, agora olhando e
apontando para seu dispositivo amarelo. – Se isso não brilhar, vamos saber que,
provavelmente, não é um humano.
— Tem razão… foi mal a piada. – disse Selina, voltando a sua feição apática e
enfiando as mãos nos bolsos de sua jaqueta preta. – Mas considerando essa hipótese,
e se for um digimon hostil, o que faremos?
— Isso aí, nós vamos proteger vocês. – concordou Huckmon, trocando um olhar
confiante com sua parceira.
— Isso foi demais! Você é mesmo fortão! – disse uma outra voz, impressionada.
— Nós vamos ficar conversando aqui ou iremos dar uma olhada? – indagou
Huckmon, acelerando um pouco mais os seus passos, mas ficando de queixo caído
com a cena à sua frente.
Quando o grupo todo se aproximou, pode ver a mesma coisa que o digimon réptil:
eles viram de fato, um humano e um digimon que estavam claramente envolvidos em
uma atividade intensa. O humano era um garoto de cabelos bem curtos de cor
cinza-claro, olhos puxados e vestia roupas das cores vermelho e preto. O digimon por
outro lado, tinha a aparência de um enorme besouro Hércules bípede azul. Eles
estavam duelando em uma aparentemente equilibrada guerra de braços.
— Você é mesmo forte, mas eu sou muito mais! – disse o garoto, seus olhos ardendo
em determinação enquanto tentava manter o equilíbrio e a concentração.
— Sua força é impressionante, mas eu sou muito mais forte! – declarou o besouro.
— Isso é impressio… – Lunamon ia falar, mas logo fora interrompida por uma reação
uníssona das três jovens humanas.
— E estávamos pensando que poderia ser algo perigoso… humpf. – resmungou Skyler,
suspirando e balançando a cabeça em negação. – Que infantil.
— O lado positivo é que não é um digimon hostil… acho que deveríamos ficar na
realidade, aliviadas.
— Vendo essa cena… eu preferia que fosse um digimon hostil. – disse Renamon,
olhando indignado para a animação da dupla que se mantinham deitados de barriga
para baixo no chão em sua guerra de braço.
— Ei, desculpe interromper, mas… – Lunamon chamou, com um tom de voz amigável
– Podemos falar com vocês?
— Não está vendo que estamos resolvendo algo sério aqui? Voltem mais tarde! –
resmungou o besouro azul. – Jin?
O garoto, Jin, olhou para seu parceiro com um leve sorriso antes de se virar
completamente para o grupo. Ele parecia um pouco constrangido, mas a empolgação
em seu olhar era evidente.
— Desculpem por isso. – disse Jin, levantando-se enfim e limpando a poeira das
roupas. – Exageramos na competição, nem ouvimos vocês se aproximarem.
— Foi mal por isso também… – Jin respondeu, coçando a nuca. – Antes de mais nada,
eu me chamo Jin-Long, mas vocês podem me chamar só de Jin, e este aqui é o
Kokabuterimon.
— Sou a Selina, e esse daqui é o Huckmon. – A Punk acenou com a cabeça, antes de
apontar para seu parceiro.
— Oi. – o raposo respondeu brevemente, ainda de braços cruzados e com seu olhar
de julgamento.
— Olha aqui, eu preciso mesmo perguntar… vocês não escutaram aquele barulho
infernal desses troços? – indagou Selina, aborrecida e apontando para seu dispositivo
branco, no qual Jin tombou a cabeça em confusão.
— Eu tenho um desses, mas não ouvi nada… – respondeu o rapaz, mostrando o seu
dispositivo, que era azul-escuro com detalhes vermelho-vinho e botões
laranja-escuros. – Eu queria mesmo saber o que isso faz.
— Mais humanos? Será que todos são tão fortes quanto o Jin? Eu quero encontrá-los!
– bradou Kokabuterimon, entusiasmado.
— Ei maninho, espera aí! – Jin rapidamente tentou conter seu parceiro, puxando-o
pelo enorme braço.
— Nós não somos, nós não somos! – disse Maya, assustada com a afobação do inseto
bípede.
— Nem todo humano curte esse tipo de brincadeira! – Jin repreendeu seu parceiro,
que logo ficou amuado. – Não pode ser assim, Koka.
— O que foi que ele disse? – Selina trincou os dentes e uma veia surgiu em sua testa,
sinal de raiva.
— E como você sabe disso? – perguntou Skyler, olhando cética para seu parceiro.
— Enfim, se há mais do que nós, temos que ir procurá-los, né não? – Jin animou-se,
com Kokabuterimon o acompanhando. Os dois se viraram e começaram a andar
sozinhos, mas depois de alguns metros, quando notaram que não estavam sendo
seguidos, retornaram a clareira em alta velocidade. – Por que não estão vindo
também?
— Parece que vocês têm a mesma energia de uma criança de 5 anos com
hiperatividade… – disse Skyler, arqueando uma sobrancelha enquanto observava a
dupla voltar.
— Eu achei que nós deveríamos ir juntos… foi mal. – Jin disse rindo sem graça ao
esfregar sua nuca.
— Nós devemos, sim. – Maya afirmou – Mas também precisamos ser estratégicos.
Não podemos sair andando para qualquer lugar.
— Isso mesmo, se a nossa teoria estiver correta, deve haver uma direção específica
para a qual deveríamos seguir. – lembrou Selina
— Nós explicamos para vocês depois, não se preocupem. – disse Lunamon, gentil.
— Vocês conseguem farejar alguma coisa agora? – perguntou Selina, olhando para
Huckmon que balançou a cabeça em negação.
— E é perigoso que nos separemos para buscar. Nunca se sabe o que pode acontecer.
– Renamon se antecipou, prevendo alguma ideia que envolvesse aquele tópico.
Antes que mais alguém pudesse falar qualquer coisa, um barulho alto pode ser
ouvido novamente, mas não como os das árvores derrubadas por Kokabuterimon,
aquilo parecia mais como…
— Isso foi um grito? – indagou Selina, assustada e olhando para todos os lados.
Assim que o barulho se fez ouvido, os quatro digimons se colocaram em posição
defensiva na frente de seus respectivos parceiros.
— E pareceu humano. – percebeu Jin, enquanto Maya estava com a mão no peito pelo
susto repentino.
— Parecia outra garota. Será que ela está em apuros? – Selina indagou novamente.
— Parecia mesmo. Vamos lá ver o que está acontecendo! – Skyler sugeriu, mas logo
se adiantando ao lado de Renamon na direção do barulho, sendo prontamente
seguida por Maya, Selina e Jin, respectivamente. Além de claro, os parceiros de cada
um.
— Então está tudo normal mesmo. – brincou Jin, dando uma risada de seu parceiro.
— Será que eles não se cansam de sorrir tanto assim? – suspirou Renamon,
entediado.
— Acho que toda a nossa situação já respondi por si só. – disse Skyler, sem se virar
para os outros.
— Esse grito é alto como da última vez, mas… – reclamou Maya, tapando os ouvidos
— A voz é diferente. – percebeu Selina, acelerando seus passos, até que chegaram em
um ponto da floresta onde havia uma árvore um pouco maior do que as outras, e ela
tinha um tronco comum, mas da cor roxa, enquanto as folhas eram laranjas. – Espera
aí, aquilo é…
A visão que os quatro jovens tiveram era a de um pequeno digimon parecido com um
rato magenta, bem pequeno mesmo, ele tinha os olhos esbugalhados e uma boca de
dentes acavalados, ele olhava e chamava por um humano que estava pendurado
agarrado em um dos troncos da árvore colorida, choramingando enquanto pedia por
ajuda.
— Ei, você! – apontou Lunamon, chamando a atenção do digimon rato, que sorriu em
animação ao ver o grupo. – Está tudo bem aí?
— São mais humanos como o Juan! E Digimon também! – animou-se o roedor rosado
– Quem sabe com vocês, ele pare de frescura e desça logo dessa maldita árvore.
— Nem todo humano é de fato corajoso, como a Skyler. – disse Renamon, convicto e
com o queixo levantado.
— Ei, a Maya não ficou com medo quando me viu! – retrucou Lunamon
— Ei, você aí em cima, é Juan, não é? Desce aqui cara, tá tudo tranquilo! – chamou
Jin, enfim chamando a atenção do garoto pendurado, que virou levemente o rosto,
conseguindo a visão de Jin.
— Ah, meu Deus, você é um humano, que alívio! – agradeceu Juan – Então quer dizer
que o monstro foi embora?
— Se você falar demais, pode deixá-lo ainda mais nervoso. – completou Huckmon –
Vamos tentar não assustá-lo mais.
— Ah, entendi. – respondeu o roedor, acenando com a cabeça, mas sentindo uma
pontada de tristeza por seu parceiro sentir medo dele. – Vou ficar quieto então.
— O que você disse, bafo de lagartixa? – resmungou o besouro, sendo silenciado por
Lunamon, que disparou uma bolha nele.
As garotas e Jin, do outro lado, olharam para cima, vendo Juan agarrado na árvore
com força. As meninas trocaram brevemente um olhar, pensando em ser cuidadosas,
pensando principalmente em fazer o garoto descer dali sem se machucar, mas Jin se
adiantou novamente em chamar pelo outro rapaz.
— Ei, Juan. – chamou Jin, com uma voz surpreendentemente calma e encorajadora –
Está tudo bem, entendeu? Também sou um humano como você, pode ficar tranquilo
e descer, estamos aqui para te ajudar.
Juan olhou para baixo, seus olhos cheios de medo, mas a voz de Jin parecia um pouco
reconfortante. Ele respirou fundo e começou a descer lentamente da árvore, seus
movimentos hesitantes.
— Isso mesmo, devagar. – incentivou Jin, mantendo sua voz suave – Você está indo
bem.
Finalmente, Juan alcançou o chão e, ao se virar, encontrou-se cara a cara com Jin,
dando a visão dele para todos, que puderam ver que ele tinha uma aparência bastante
comum, era alto, branco tinha cabelos castanhos encaracolados e usava óculos de
armação amarela que não combinavam nem um pouco com as cores de suas roupas.
Por um momento, os dois apenas se olharam, um silêncio confortável entre eles. Mas
então Chuumon, esquecendo-se de sua promessa de silêncio, falou animadamente.
— Ei, Juan, que bom que desceu! – disse o roedor, quebrando o silêncio. – Olha só
quantos humanos e digimon diferentes!
Juan tomou um susto ao ver os outros digimons que o olhavam tentando dar um
sorriso de gentileza, ou no caso de Renamon, conter sua feição de superioridade, e
sua primeira reação foi tentar correr de volta para a árvore. Porém, Jin rapidamente
segurou seu braço.
— Calma, cara! – disse Jin, segurando firmemente Juan – Não precisa se assustar, eles
são nossos amigos.
— São digimons. – explicou Jin – Eles não vão te machucar. Confie em mim.
— Oi, Juan. – disse Maya, com um sorriso amigável – Meu nome é Maya, e esta é
Lunamon.
— Oi. – respondeu Renamon, ainda de braços cruzados, mas tentando parecer menos
intimidante, após um toque de Kokabuterimon.
Juan, ainda paralisado de medo, mal conseguiu acenar em resposta. Suas pernas
estavam tremendo visivelmente.
— Ei cara, relaxa. – disse Jin, tentando tranquilizá-lo – Elas não vão te atacar.
— Desculpe, mas isso é hilário. – Jin riu, colocando uma mão no ombro de Juan –
Elas não vão te morder, cara.
— O que é que tá rolando com aquele garoto, hein? – indagou Lunamon, tombando a
cabeça.
— Humanos são difíceis de compreender… – disse Renamon, confuso.
— Então, Juan, aqui está o lance. – começou Jin, coçando a nuca – Nós todos viemos
parar neste lugar estranho. Não sabemos exatamente como chegamos aqui, mas cada
um de nós tem um parceiro digimon, tipo o Chuumon aí, que muito provavelmente é
o seu. Esses digimons são nossos amigos e querem nos ajudar, mas parecem saber
tanto quanto nós.
— E esses dispositivos que temos, eles reagem uns aos outros. – acrescentou Maya –
Foi assim que encontramos o Jin e o Kokabuterimon, e provavelmente acharíamos
você uma hora ou outra também.
— Você também poderia contribuir, sabe, faz muito tempo desde que acordou? –
perguntou Selina, recebendo apenas um aceno negativo como resposta.
— Ei, Chuumon, já que o Juan não tá sabendo explicar, que tal você falar um pouco?
– disse Maya, se virando para os digimons – Como foi que você encontrou ele?
— Eu não sei ao certo… só senti algo diferente no meu peito, aí eu achei o Juan
desacordado na árvore, eu tentei acordar ele, mas assim que ele acordou ele gritou e
escalou a árvore tão rápido quanto uma brisa de vento na praia. – explicou o roedor,
mal parando para respirar enquanto dissertava.
— Então espera, você não tem um desses, Juan? – indagou Skyler, mostrando seu
dispositivo amarelo, no que o garoto negou rapidamente, mas Chuumon se adiantou.
— Ele tem sim! Olha aqui. – Apontou Chuumon, onde logo na base da árvore, havia
um dispositivo igual, sendo o de Juan da cor magenta, com detalhes marrom-escuros
e botões verde-escuro.
— Como ele se assustou rápido demais com o Chuumon, não deve ter tido tempo de
conferir as próprias coisas. – disse Selina, que apesar de ter tentado ser gentil, sua
voz entregava o quanto ela tinha achado aquele garoto patético.
— O q-que é isso aqui? E-eu realmente não sabia que eu tinha isso… – murmurou ele,
bastante confuso.
— Você está bastante apreensivo Juan… – percebeu Maya, dando um passo para se
aproximar. — Não precisa se preocupar, todos estamos no mesmo barco aqui.
— Pois é, todos estamos perdidos e confusos… pode só não parecer, sacou? – disse
Jin, com um sorriso amigável – Eu estava bem atordoado quando vi o Kokabuterimon
pela primeira vez.
— Ei, eu não esperava acordar e ver um besourão como você! – protestou Jin, rindo
bastante.
Juan soltou um riso nervoso, apesar de ainda bastante assustado e nervoso, a energia
dos outros, em especial daqueles dois brutamontes, fez com que ele sentisse-se um
pouco mais à vontade com a situação. Ele olhou novamente para as garotas ainda um
pouco hesitante, mas tentando se forçar a relaxar internamente.
— E-eu… me chamo Juan… – disse o garoto, ainda um pouco tímido – Desculpa pela…
confusão…
— Não tem pelo que se desculpar, é normal ter medo. – disse Lunamon,
compreensiva.
— E agora que estamos em um bom número, não tem com o que se preocupar, nós
estamos aqui para proteger vocês. – acrescentou Huckmon, tentando animar o
garoto, que ainda parecia bastante apreensivo com os Digimon
Juan assentiu, sentindo-se um pouco menos nervoso com aquele apoio que recebia
até mesmo dos “monstros”. Ele olhou para Chuumon, pensando sobre aquele lance
de “parceiro”, e vendo o rato sorrir para ele, tentou retribuir o ato.
— Ótimo! Nosso bando está ficando cada vez maior! – exclamou Jin, animado e
dando um tapinha no ombro do outro rapaz – Vamos lá galerinha!
— Mas por que parou tão de repente? – indagou Skyler, olhando ao redor confusa
— Será que quebrou? – falou Jin, coçando a cabeça enquanto segurava seu aparelho
— Ou talvez o próximo somente esteja bem perto. – disse Renamon, com os braços
cruzados – eles sempre param quando nos aproximamos demais.
— Eu não gostei disso, doeu meus ouvidinhos… – resmungou Chuumon, com as mãos
nas orelhas redondas.
— Acho que você está certo, Renamon. – assentiu Lunamon, balançando suas orelhas
de coelho. – Eu estou ouvindo alguma coisa…
— Vocês ouviram isso? – perguntou Maya, virando-se para os outros, seu rosto
pálido
— Todos fiquem juntos. – disse Renamon, seus olhos atentos na direção do barulho.
Os passos ficavam cada vez mais próximos, e não demorou para que um enorme
Digimon peludo aparecesse. Sua aparência misturava entre um urso, um gorila e um
coelho, mas diferentemente do que os outros esperavam, o sorriso simpático do
Digimon trouxe uma sensação de alívio, embora ainda cautelosa.
— Olha, são mais humanos. – disse o digimon, sua voz profunda, mas gentil.
— Angoramon…
— Este é o Nabi – continuou Angoramon, dando um passo para o lado para permitir
que todos vissem o garoto.
— Olá. – disse Nabi, sem esboçar reação alguma – Mais humanos… isso quer dizer
que há mesmo uma razão para estarmos aqui.
— Encontrar resposta, é claro. – respondeu Nabi, olhando diretamente nos olhos dela
sem qualquer hesitação – Esse claramente não é nosso mundo, e o objetivo é
descobrir a razão para estarmos neste lugar.
— Eles são como nós, ou seja, são amigos, então podem relaxar moçada. – disse Jin,
dando um passo à frente e estendendo a mão para a dupla recém chegada – É bom
conhecer vocês, eu sou o Jin.
— Ah, eu acho que nós temos a mesma altura, grandão. – brincou o acinzentado
— Foi instintivo. – quem respondeu foi Angoramon – Eu sabia que deveria achar o
Nabi, então o achei desacordado, mas ele logo acordou, então nos tornamos colegas
de viagem e começamos a caminhar.
— Angoramon é forte e está disposto a me proteger nesse local o qual não conheço
suficientemente para ficar seguro. – pontuou Nabi, brevemente – E ouvimos um
alvoroço de longe, depois isso aqui soou e não demorou para que ele ouvisse vocês e
chegássemos aqui.
Nabi apontou brevemente para seu próprio dispositivo, que era bege com detalhes
marrons e botões verde-musgo. Por outro lado, alguns dos membros do grupo como
Selina, Maya, Huckmon e Kokabuterimon não estavam gostando da forma que Nabi
falava e tampouco como ele havia se referido para com Angoramon, tratando-o
apenas como um escudo “humano”, e não como um parceiro.
— Confiança nos instintos é essencial. – disse Nabi, olhando para Juan que desviou o
olhar rapidamente e suar frio.
— Ah, eu entendi. – disse Jin, rindo – É como quando você sabe que tem que correr
de um enxame de abelhas sem perguntar por quê elas estão te perseguindo.
Nabi observou o grupo em silêncio por um momento, avaliando cada membro com
um olhar indecifrável. Angoramon, percebendo uma pitada de curiosidade em seu
parceiro, decidiu intervir.
— Talvez devêssemos nos unir a eles. – sugeriu o ursão, com um sorriso amistoso –
Parece que todos nós temos o mesmo objetivo em comum, no fim das contas.
— Isso faz sentido. – concordou Nabi, apático – Andar sozinhos pode ser perigoso e
não nos levará a lugar algum.
— Fácil assim? Isso sim foi surpreendente. – disse Huckmon, que havia pensado que
aquele garoto parecia mais do tipo individualista
— Se oferecerem doce à ele, ele vai… – comentou Selina – É assim que se começa um
caso criminal, e do jeito que ele é idiota, ninguém nunca ia descobrir e ia ser
arquivado.
— Isso foi estranhamente específico, tá tudo bem aí? – indagou Maya, preocupada
— Doce? Onde? – animou-se Chuumon, guinchando tão alto que assustou Juan,
fazendo-o tropeçar para trás. – Eita, tá bem aí, compadre?
— De fato. – assentiu Nabi, já dando alguns passos à frente. – Vamos indo então.
Todo tempo é válido.
— Ah… bem… – Angoramon ponderou, com um sorriso gentil – Acredito que manter
a calma ajuda muito nesses momentos, e o Nabi… bem, ele parece ser assim, não
mudou nem um pouco desde quando acordou.
— Admirável da sua parte, está equilibrando a situação como uma soma da sua
personalidade e a do seu parceiro. – disse Renamon, respeitosamente – como um
uníssono.
— Isso é mesmo muito importante e bonito nesses dois. – sorriu Lunamon, com
Angoramon concordando com a cabeça.
— Eu quero ser assim com o Juan um dia, squeek! – guinchou Chuumon, também
animado. Nesse momento, o roedor estava disposto sobre a cabeça de Angoramon.
— Então, Nabi, você sempre foi assim… direto? — perguntou a mexicana, tentando
puxar assunto.
— Assim como na maioria das situações da vida, matemática é lógica pura. Não há
espaço para erros. — disse Nabi, indiferente com os comentários do acinzentado.
— Ei, garoto, você pode ser mais amigável? — interveio Selina, aborrecida. —
Estamos todos no mesmo barco aqui, eu sei que ele é um idiota, mas um pouco de
simpatia não faria mal, sabia?
— Simpatia não é necessário para eficácia. — rebateu Nabi, sequer olhando para a
rockeira. — O importante é encontrar respostas e sobreviver.
— Isso é importante, mas não são as únicas coisas. — suspirou Skyler, de braços
cruzados.
— É isso aí, estamos tentando ser um grupo unido aqui! — guinchou Chuumon,
pulando para as costas de Kokabuterimon.
— Trabalhar em equipe não significa que eu precise ser amigável. — disse Nabi, sem
mudar de expressão.
— Ei garoto, ouve aqui um negócio. Você pode ser inteligente, intuitivo e tudo mais,
mas um pouquinho só de empatia não mata ninguém. Olha ali o Renamon, tá vivinho
da silva. Você chegou já querendo mar, mas se lembre que aqui, você é o fracote e o
novato, tá okay? — com o comentário de Kokabuterimon, Nabi parou e se virou para
o besouro azul, seu rosto ainda inexpressivo mas seus olhos vermelhos acesos.
— Vou repetir o que eu disse. Cooperar é uma coisa, fingir sentimentos que não
tenho é outra. — retrucou o mais baixo, irritando ainda mais Kokabuterimon, que
estava pronto para partir para cima quando Jin e Angoramon interviram.
— Ei, ei, calma aí. — disse Jin, colocando uma mão gentil no ombro de seu parceiro.
— Vamos fazer o seguinte: manter a calma e continuar.
— A natureza do Nabi não é muito expressiva, mas estamos aqui para ajudar e
cooperar com todos vocês, então por favor, tentem nos compreender. — pediu
Angoramon, enquanto Nabi virava novamente o rosto e voltava a caminhar.
— Tudo tranquilo. Só não quero que ele pense que pode mandar na gente. —
Kokabuterimon bufou em rendição, voltando a recuar e ficar mais próximo dos
outros digimons.
— E eu não tenho essa intenção. — pontuou Nabi, olhando de soslaio para o grupo.
— Quero encontrar respostas e sair daqui o mais rápido possível. Se isso significa
trabalhar em equipe com vocês, então assim será.
— Bem, parece que temos muito a aprender uns com os outros, não é? — Maya,
observando a tensão, tentou mudar de assunto. — Não nos conhecíamos antes daqui,
então… o quanto mais cedo começarmos a tentar nos entender, melhor será.
— Vou ter que concordar. — disseram Selina e Skyler, quase ao mesmo tempo.
— Nabi estava certo. — disse Selina, olhando para o seu dispositivo. — Sempre que
isso ressoa, é sinal de que há alguém por perto.
— Só espero que dessa vez não seja uma competição de queda de braço. — brincou
Huckmon, arrancando risos do grupo.
— Vamos nessa. — disse Maya, determinada. — Quanto mais rápido nos
encontrarmos com quem quer que seja, mais rápido encontramos respostas.
Logo atrás dele, surgiu animadamente uma garotinha com curtos e lisos cabelos
escuros e pele bronzeada, usando vestes bastantes casuais e um óculos de aviador
decorado na cabeça, como uma tiara. O dispositivo dela estava em sua mão direita, e
ele era verde-limão com detalhes em verde-primavera (ou verde clássico) e botões
verde-oliva.
— Ei, e são muitos! – Ayla acenou com entusiasmo – Eu sou a Ayla, e esse aqui é o
meu parceiro, o Pulsemon!
— Parece ter a mesma idade que eu. – comentou Nabi, olhando de maneira
indecifrável para a garotinha – Só não a mesma mentalidade.
— Parece que estamos nos reunindo mais rápido do que eu pensava… – disse Maya,
dando um sorriso sem graça – Olá Ayla e Pulsemon, eu sou a Maya, e essa daqui é a
minha amiga, a Lunamon.
— E aí, cambada!
— Olá.
— Quanta gente, a gente bem que avisou a eles, Pulsemon! – disse Ayla, trocando um
aceno com seu parceiro
— Ué… – Ayla ia responder, mas olhou para os dois lados e fechou o semblante,
visivelmente confusa agora. – Eu achei que eles tinham nos acompanhado…
— Ah, é que nós tínhamos nos encontrado com mais uma dupla, e estávamos
caminhando juntos quando isso aqui apitou. – disse a garotinha, apontando para seu
aparelho verde. – Nós decidimos seguir, mas eles estavam tocando em direções
diferentes com barulhos diferentes.
— Pois é! E para cá estava mais alto, então por isso viemos, e caramba, que grupão! –
exclamou Pulsemon, complementando o raciocínio de sua parceira com animação.
— Espera, duas direções diferentes… e se você estava com mais alguém… – Selina
ponderou – Isso dá pelo menos umas nove pessoas com a gente.
— Será que ainda tem muitos? – perguntou Angoramon, com Nabi respondendo com
um breve balançar de ombros
— Ei, Ayla… quem são as pessoas que estão com você? – Maya perguntou, depois de
um breve sentimento de que poderia ser Simón passou por sua cabeça.
— Ah, o nome dele é… – a garotinha ia responder, mas foi interrompida por duas
figuras surgindo da mesma direção que ela havia vindo. Um deles era um humano
bastante alto, mas ainda menor do que Jin: ele era ruivo com o cabelo preso em um
pequeno rabo de cavalo, vestia-se de forma bastante descolada e tinha um chapéu
vermelho de cowboy pendurado atrás de seu pescoço. Já o digimon tinha uma
aparência mista entre um dinossauro e uma ave, ou seja, um pterossauro.
— Aqui Sean, encontrei aqueles dois. – disse o digimon, que tinha penas verdes
espalhadas por todo o corpo e voava com seus braços-asas. – E tem bastante gente
aqui, como pensávamos.
— Acho que a Ayla já falou de mim, não foi? – o ruivo riu sem graça – Mas esse daqui
é Pteromon.
— Ei, Sean! – Ayla acenou para o ruivo – Nós encontramos eles primeiro!
— Parece que sim. – Sean respondeu com um sorriso – Eu sou Sean, como a Ayla
mencionou. Estávamos seguindo os sons dos nossos dispositivos também, mas
quando esses dois ouviram nossa hipótese, saíram correndo na frente.
— Com toda essa energia, é possível. – Maya comentou, rindo baixinho – Acho que
deveríamos nos apresentar também.
Com a deixa da mexicana, o grupo todo se apresentou, com ela mesma e Lunamon
doces e delicadas, Skyler e Renamon cordiais como sempre, Juan com seu jeito
tímido e Chuumon entusiasmado, Nabi apresentou-se também, apesar de estar
bastante desconfiado, enquanto Angoramon foi mais gentil e educado, já Jin e
Kokabuterimon partiram para os bons e velhos apertos de mão, exibindo simpáticos
sorrisos largos, já Selina e Huckmon que ficaram por fim, também foram bastante
gentis em suas apresentações.
— Então… caramba, eu não esperava já ver um grupo tão grande… Mas, vocês
também ouviram isso aqui fazer barulho quando nos aproximamos de outras
pessoas? Foi assim que achamos a Ayla, e depois.. digo, agora vocês… – o ruivo falou
bastante atordoado, mostrando seu dispositivo, que era verde com detalhes
vermelho-alaranjados e botões prateados.
— Sim, nós notamos isso também. – respondeu Skyler – Inclusive foi por isso que
viemos nessa direção.
— Mas até agora nós não sabíamos que o barulho variava. Para mim parecia o
mesmo desde o início. – observou Selina
— Talvez seja porque o grupo teoricamente começou com a gente. – disse Maya,
apontando para ela mesma, e as outras duas garotas mais velhas – Não dá para
perguntar para aqueles dois porque eles nem estavam prestando atenção, mas…
— Sinceramente, eu acho que na verdade quem mais sente esses barulhos são eles. –
disse Jin, apontando para o grupo de digimon – Especialmente os coelhões aí, olha o
tamanho dessas orelhas mano!
— Verdade… não tinha pensado nisso antes, eles são muito íncomodos para você,
Lunamon? – perguntou Maya, preocupada com sua parceira que balançou a cabeça
em negação.
— Enfim, já faz muito tempo que vocês se encontraram? – indagou Skyler, voltando a
se virar para os recém chegados.
— Para mim também, foi pouco tempo. – completou Ayla, balançando o corpo em
despreocupação.
— Um padrão está se formando aqui… – Disse Selina, ponderando. – Uma coisa que
percebi é que há bastante pessoas, mas nós estamos encontrando-as de maneira
singular, não em grupos como foi com eles.
— Nós já estamos andando a um bom tempo, e isso é verdade… mas pela história do
Juan e do Chuumon mais cedo… – Skyler colocou a mão no queixo, pensativa. –
Renamon?
— Então isso pode de certo modo, se conectar com nossa teoria dos pontos. –
pontuou Maya – Se eles estão despertando em locais diferentes, podem estar
despertando justamente de acordo com a aproximação da gente, ou ao menos,
próximos de nos aproximarmos.
— Então essas coisas fazem aquele barulho não para sinalizar que estamos perto, e
sim que outra pessoa acordou? – perguntou Jin
— Não, se não, nós não teríamos nos encontrado com eles agora. – Lunamon
balançou a cabeça, complementando os argumentos de sua parceira – Pode ser que
há uma espécie de relógio que esteja os acordando lentamente, dando tempo para
que nós conversemos e continuemos andando pelo bosque.
— Então provavelmente nós estamos mesmo ligando pontos até chegar a uma última
pessoa… o único problema é que nós não sabemos quantos são. Já estamos em oito,
nove se o barulho secundário deles também for mais uma pessoa. – comentou Skyler
— Então eu acho que o quanto antes fomos em direção a essa pessoa, mais rápido
podemos chegar ao fim do mapa. – pontuou Huckmon
— Eu também acho que é importante investigar o som mais baixo. – disse Ayla,
descontraída – Mais gente, né não?
— Concordo. – Nabi disse, pensativo – Podemos dividir o grupo para investigar, mas
precisamos ter cuidado.
— Talvez seja melhor ficarmos juntos, pelo menos até entendermos melhor o que
está acontecendo. – sugeriu Angoramon, com um tom preocupado.
— Acho que Angoramon tem razão. – Sean ponderou – Se o objetivo é nos unirmos,
não tem porquê nos separarmos, pelo menos o que eu entendi.
— Então está decidido. – Selina assentiu – Vamos continuar juntos. Sean, Ayla, qual
foi a direção do barulho mais baixo?
— Foi para nordeste! – Pteromon foi quem respondeu, batendo suas asas – Se quiser,
posso guiar vocês, eu tenho um bom senso de direção.
— Certo! – Pulsemon exclamou, ainda cheio de energia – Vamos lá, mas uma
pu-pu-pulse aventura!
Com o plano decidido, o grupo começou a caminhar novamente, agora com Sean,
Pteromon, Ayla e Pulsemon integrados. Enquanto caminhavam, eles continuavam
conversando e se conhecendo melhor, trocando suas experiências no digimundo até
agora. A energia contagiante de Pulsemon fazia todos rirem, assim como a
animosidade de Ayla, já a atitude positiva de Sean e Pteromon ajudaram a aliviar a
tensão, e o grupo começou a sentir um senso de camaradagem crescente com aquelas
duas novas duplas bastante falantes.
— Foi uma longa história, mas posso te contar quando quiser, gatinha. – Sean
respondeu, rindo e dando uma piscadela galanteadora.
— Uau, um galã! – Jin exclamou, brincalhão – Acho que perdemos nosso posto de
bonitões do grupo, Juan.
— H-hein? E-eu, b-bonitão? – Juan voltou a gaguejar e avermelhar-se de vergonha.
— E você, Ayla? Como acabou aqui? – perguntou Maya, olhando para a garotinha
que caminhava animadamente ao seu lado.
— Parece que todos temos histórias interessantes de como chegamos aqui. – Sean
comentou, pensativo – Talvez isso ajude a descobrir o que está realmente
acontecendo, deve ter algo que ligue toda essa história estranha.
— Espero que sim. – Skyler concordou – Mas por agora, vamos nos concentrar em
encontrar esse último barulho.
Maya estava prestes a falar sobre Impmon, já que ela tinha ao menos uma pequena
noção sobre algumas coisas, mas antes que ela pudesse abrir sua boca, os dispositivos
voltaram a soar, logo depois de Pteromon falar que eles haviam chegado.
— Ei, esperem aí! – preocupou-se Sean, acelerando os passos com Pteromon logo ao
lado.
O grupo começou a correr atrás de Ayla e Pulsemon, suas vozes ecoando pela floresta
enquanto tentavam chamar os dois de volta. Os dispositivos continuavam a emitir
um som agudo, guiando-os na direção correta. A vegetação começou a se abrir
gradualmente, e finalmente, eles chegaram a uma clareira iluminada pelo sol.
A clareira estava banhada em uma luz dourada que passava por entre as copas das
árvores, criando um contraste fascinante com a penumbra da floresta ao redor. O
som dos dispositivos foi ficando mais intenso à medida que se aproximavam do
centro da clareira, onde uma batalha feroz estava ocorrendo.
Dois rapazes humanos estavam de pé, observando o confronto entre duas figuras
humanoides bastante femininas. Uma delas carregava um tridente dourado, e vestia
uma espécie de hábito de freira branco e dourado estilizado, além de um véu longo
rosa claro. A outra era fada, com asas brilhantes e uma lança vermelha em mãos,
movendo-se com agilidade ao redor de sua adversária.
— Desculpa, gente! A gente só queria ver o que era! — respondeu Ayla, ainda
ofegante.
— Para com isso, Sistermon! – gritou um dos garotos, o que estava atrás da digimon
freira
— T-Tinkermon, por favor… – pediu o outro que estava mais perto da fada
— Ei, vocês! Parem de brigar! — gritou Renamon, avançando para tentar intervir.
— Isso não vai levar a nada, parem com isso! — disse Angoramon, tentando soar
pacífico.
Sistermon e Tinkermon pararam por um momento, ainda respirando pesadamente,
mas sem abaixar a guarda. Os outros Digimons do grupo se aproximaram, formando
um círculo em volta das duas combatentes.
— Vocês são parceiras deles dois, não são? Então não precisam brigar, estamos do
mesmo lado! – exclamou Lunamon, preocupada
Os dois rapazes olharam para o novo grupo que acabara de chegar. O primeiro era
um jovem de cabelos verdes e olhos com heterocromia assim como Skyler, sendo um
castanho claro, quase dourado, e o outro também castanho, mas bem escuro, de
aparência atlética, segurando um dispositivo similar aos dos outros, sendo esse
rosa-claro com detalhes em branco e botões amarelo-claros. O segundo era um
garoto de cabelo loiro e curto, e olhos azuis como o céu, com um olhar tímido e
temeroso. Eles pareciam aliviados por ver mais humanos, mas a tensão entre suas
parceiras Digimon era palpável.
— Nós é quem deveríamos perguntar isso. — retrucou Nabi, sério como sempre
— Olá, digiescolhidos. Fico feliz que tenham se encontrado logo. – disse Impmon,
surpreendendo a todos. Mesmo Tinkermon e Sistermon que ainda se encaravam em
desafio pararam para prestar atenção. – Eu sei que todos devem estar confusos com o
que está acontecendo, mas eu prometo que irei explicar tudo… e por isso, preciso que
prestem atenção em mim, pois não conseguirei me manter estável por muito tempo…