Inspeção: A 1ª Etapa da
Manutenção Autônoma (Parte
2)
Por Marcelo De Santis Ferreira|junho 21st, 2016|
Categories: Manutenção Autônoma|0 Comentários
No artigo anterior falamos da limpeza na primeira etapa da
manutenção autônoma (veja o artigo clicando aqui). Tão
importante quanto a limpeza é a inspeção. Por este motivo,
neste artigo vou falar da Inspeção Geral do equipamento,
onde o principal objetivo na execução desta atividade é a
aproximação do operador ao seu equipamento dando a ele a
oportunidade de visualizar e tratar as anomalias que estão
causando a baixa no rendimento. A inspeção é ponto
fundamental para o desenvolvimento da manutenção
autônoma.
1 – Conceito – O que é inspeção
Inspecionar é verificar, checar e principalmente observar se
os equipamentos se encontram em suas condições ideais
conforme recomendações do fabricante ou mesmo
preestabelecidas pela própria empresa.
Faz parte do processo de inspeção, o registro das anomalias
identificadas, e consequentemente as ações para
providenciar a eliminação das mesmas, sempre na busca por
medidas que evitem a reincidência.
2 – Pontos Chave Para Inspeção
A prática do processo de limpeza e inspeção não é fácil,
exigindo uma forte mudança de cultura na empresa. Por este
motivo, esta etapa exige um foco no desenvolvimento e
treinamento das pessoas com a capacitação da equipe e
apoio por parte da gestão e da manutenção. As habilidades
precisam ser desenvolvidas para que os operadores possam
reconhecer e registrar as deficiências dos equipamentos e
isso só é possível através das experiências obtidas com
as dificuldades em entender quais são os reais problemas das
máquinas. Para a obtenção de sucesso nesta etapa, é preciso
primeiro formar a condição ideal do equipamento e manter
esta condição durante as limpezas que serão realizadas. A
seguir estão algumas dicas para identificar os defeitos e as
anomalias:
Procurar por defeitos visíveis e invisíveis, tais como
folgas, vibrações que são imperceptíveis ao olho e
pequenos aquecimentos onde só com o toque é possível
a detecção;
Procurar minuciosamente por correias e polias
desgastadas, correntes dentadas sujas, filtros de sucção
obstruídos e outros diversos problemas prováveis de
mau funcionamento;
Observar se o equipamento é fácil de limpar, lubrificar,
inspecionar, operar e ajustar. Identificar os obstáculos
que impedem as operações mencionadas, tais como
tampas grandes e obstrutivas, pontos de difícil acesso
para lubrificação, entre outros;
Assegurar que todos os instrumentos de medição
operam de forma correta e apresentem claramente os
valores especificados;
Investigar qualquer vazamento de fluído: seja vapor,
água, óleo, ar comprimido, líquidos de arrefecimento
em geral, ou qualquer outro tipo;
Procurar por problemas escondidos como corrosão
dentro de partes isoladas em tubulações, colunas e
tanques, ou por bloqueios dentro de dutos e rampas.
As inspeções diárias realizadas pelos operadores na área de
produção são mais que uma formalidade, elas são
necessárias para assegurar que anomalias sejam detectadas
e tratadas o mais ágil possível.
Algo importante a dizer é que a grande maioria das inspeções
nas empresas de manufatura são feitas sem fundamento,
sendo baseadas as vezes em padrões estabelecidos para
processos ou situações diferentes de onde o equipamento
trabalha. A inspeção diária adequada tem por propósito o
desenvolvimento da percepção de forma suficiente a apontar
qualquer anomalia fora do comum, durante todo o processo
de operação ou qualquer outro. Este cenário exige um alto
grau de habilidade e de sensibilidade por parte de quem
inspeciona. Para desenvolver esta verificação diária
expressiva há a exigência de padrões de fácil compreensão e
habilidades elevadas dos operadores.
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3 – Necessidade Dos 5 Sentidos
Para que haja um bom desenvolvimento do processo
de inspeção há a necessidade do desenvolvimento de algo
que quase todas as pessoas já possuem, o desenvolvimento
do 5 (cincos) sentidos. Sendo assim, é fundamental:
Desenvolver a visão crítica, com olhos que de fato
enxerguem os problemas: A mudança de paradigma é
importante neste caso pois muitas coisas podem parecer
normais, quando de fato não são.
Desenvolver o sentido de ouvir anormalidades é
essencial para poder distinguir os tipos de ruídos que
provocarão problemas maiores.
Desenvolver a sensibilidade do olfato que possa
identificar alterações nos cheiros dos equipamentos.
Aproximar-se do equipamento, tocar em suas partes
para identificar possíveis vibrações e alternâncias de
temperaturas.
Não há evolução se todos estes pontos não
forem transmitidos para os responsáveis para a
resolução dos mesmos, falar é essencial neste processo.
Veja na Figura 1 como devemos usar os sentidos para a
prática da Inspeção.
4 – Tipos de Inspeção
Através do desenvolvimento dos 5 sentidos, é possível
realizar inspeções com qualidade de forma a detectar os
problemas antes que estes interfiram na produção. Abaixo
alguns pontos que podem ser verificados nos equipamentos:
Pontos de Verificação para Parafusos e Porcas;
Pontos de Verificação dos Sistemas de Transmissão;
Pontos de Verificação de Lubrificação;
Pontos de Verificação Hidráulica;
Pontos de Verificação Pneumática;
Pontos de Verificação Elétricas;
Pontos de Verificação de Equipamento em Geral.
O processo de inspeção é o grande divisor de águas no
processo de manutenção autônoma, pois é através dele que a
operação passa a se aproximar mais dos equipamentos,
reconhecendo e registrando melhor as anomalias e
permitindo que os equipamentos operem em suas condições
ideais. Um grande fator de sucesso para esta etapa é o apoio
ao processo por parte dos gestores, que em
momentos de crise, mudam as prioridades e acabam
boicotando o processo. Há necessidade de comprometimento
de todos.
Referências – SUZUKI, T. TPM in Process Industries. 1ª.
ed. New York: Productivity Press, 1994.