Brazilian Journal of Health Review 26792
ISSN: 2595-6825
Saneamento básico de Manaus e as doenças provenientes
Basic sanitation of Manaus and diseases from
DOI:10.34119/bjhrv4n6-252
Recebimento dos originais: 08/10/2021
Aceitação para publicação: 30/11/2021
Andreia Braga Leite Castro
Andreia Braga Leite Castro – Graduanda em Biomedicina pela Universidade Nilton
Lins – Manaus. End. TV Tucandeiras, 256 Santa Luzia Manaus-Am. CEP 69074-451.
E-mail: 18004392@[Link]
MSc. Marilza Assunção de Oliveira
2
(Orientadora) Mestra em Biotecnologia Aplicada a Agropecuária Pela Universidade
Federal Rural da Amazônia. Atualmente Docente da Universidade Nilton Lins. E-mail:
E-mail: mari_zoo18yahoo.[Link]
RESUMO
O presente estudo tem como intuito discorrer sobre o saneamento básico de Manaus e as
doenças provenientes, para tais discrições, foi realizada uma explanação na literatura a
certa da temática. Manaus é uma cidade que sofre com vários problemas e uma delas é de
utilidade pública, o saneamento básico, que não comporta a cidade, ou seja, é insuficiente
para que a população tenha uma vida com o mínimo de dignidade. O fato, que uma cidade
com um crescimento populacional desordenado, sem saneamento aquedado, fica sujeita
as doenças que são advindas da falta do saneamento e geralmente são as crianças as que
mais sofrem com essas problemáticas, pois ficam sujeitas aos parasitas e bactérias que
estão na água que consomem ou usam para tomar banho, por exemplo. Apesar de
transparecer uma falta de descaso com o saneamento básico em Manaus, o fato que a
concessionaria que atualmente cuida da infraestrutura sanitária da cidade, não consegue
sanar ainda as problemáticas, talvez por falta de maiores investimentos econômicos,
crescimento populacional desordenado ou mesmo por falta de união entre a sociedade e
as políticas públicas com ações que de fato conscientize a população com o uso correto
da água, descarte dos lixos ou mesmo com uso incorreto dos esgotos. Diante do exposto,
o objetivo desta pesquisa é de investigar a relação do saneamento básico de Manaus e
algumas doenças que mais atingem a saúde da população. Ela se utilizará como método
de coleta de dados a pesquisa bibliográfica, onde serão analisados e discutidos de forma
qualitativa. Diante dos fatos é notório que o saneamento básico na cidade de Manaus,
precisa de um olhar mais meticuloso por parte do poder público e da própria sociedade
que necessita desse serviço.
Palavras-chave: Doenças, saneamento básico, Manaus.
ABSTRACT
The present study aims to discuss the basic sanitation of Manaus and the diseases arising,
for such discretions, an explanation was made in the literature about the theme Manaus is
a city that suffers from several problems and one of them is of public utility, basic
sanitation, which does not support the city, that is, it is insufficient for the population to
have a life with a minimum of dignity. The fact that a city with disorderly population
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growth, without poor sanitation, is subject to diseases that arise from the lack of sanitation
and it is usually children who suffer most from these problems, as they are subject to
parasites and bacteria that are in the water they consume or use for bathing, for example.
Despite showing a lack of disregard for basic sanitation in Manaus, the fact that the
concessionaire that currently takes care of the city's sanitary infrastructure is still unable
to solve the problems, perhaps due to lack of greater economic investments, disordered
population growth or even lack of union between society and public policies with actions
that actually make the population aware of the correct use of water, disposal of waste or
even the incorrect use of sewage. Given the above, the objective of this research is to
investigate the relationship between basic sanitation in Manaus and some diseases that
most affect the population's health. It will be used as a method of data collection the
bibliographic research, where they will be analyzed and discussed in a qualitative way.
Given the facts, it is clear that basic sanitation in the city of Manaus needs a more
meticulous look by the government and society itself that needs this service.
Keywords: Diseases, basic sanitation, Manaus.
1 INTRODUÇÃO
Sendo o saneamento básico considerado um importante fator para uma sociedade
ou mesmo para um país, tem se tornado uma fonte de problema, considerando que ela
consiste em atividades pertinentes ao abastecimento de água potável, ao manejo fluvial,
coleta e tratamento de esgotos, limpeza urbana, resíduos sólidos, agentes patogênicos
variáveis entre outros que afetem a saúde de uma comunidade (INSTITUTO TRATA
BRASIL, 2012).
A nível de Brasil, vem aumentando significativamente a quantidade de água
necessária para o prolongamento das incumbências humanas, ou mesmo, para o consumo
ou abastecimento de água, precisamente dito, em contrapartida, não aumentou a
quantidade de água que é utilizada para essas diversas finalidades, levando a questionar
quais as soluções mais viáveis para a preservação dessas águas (TEIXEIRA et al., 2014).
São fatores impactantes, entretanto a nível de Manaus, a história relata que entre
os anos de 1890 a 1920, a cidade passou por um caos, refletindo na economia, no baixo
crescimento populacional, que ocorreu até a inserção da Zona Franca de Manaus, o
Distrito Industrial, entre outras estruturas que ocorreram até a década de 1960
(ARAGÃO, 2017).
Como toda cidade em expansão, Manaus atraiu imigrantes de diversos lugares e
com um número crescente descontrolado, acabou por acarretar em um despreparo nos
serviços básicos ofertados, na infraestrutura urbana, no saneamento básico, assim como
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no surgimento de problemas socioambientais e enfermidades provenientes dela (SÁ E
FILHO, 2012).
Sá e Filho (2012) destacam sobre a formação socio espacial da cidade, onde
apresenta uma realidade bem diferente do previsto, pois, famílias passam a construir e
residir em moradias que não ofertam a menor segurança, ou seja, situação de risco e
mesmo com a cidade tentando se estruturar e com uma população de nível
socioeconômico baixo, a cidade começou a enfrentar problemas provenientes do
saneamento básico, onde não estavam acessíveis a toda comunidade, onde em muitos
locais estavam irregulares ou mesmo ausentes, o que acabou por propiciar patologias que
ocasionavam a morte da população.
Diante desta perspectiva o objetivo deste trabalho é de investigar a relação do
saneamento básico de Manaus e algumas doenças que mais atingem a saúde da população
A falta do comprometimento das políticas, afetam outros setores, causando uma
ineficiência operacional e mais ainda a insatisfação da população com relação aos
serviços públicos oferecidos.
Desta forma, este trabalho justifica-se pelo fato de Manaus ser a maior região
metropolitana do norte do Brasil com um índice populacional tão grande, com tantos
bairros e não tem um saneamento básico adequado, conforme pede as políticas que as
regem. Perante esta realidade, busca-se uma revisão mais a funda na literatura, a fim de
saber como este descaso com o saneamento básico vem impactando a vida da população,
visto que, os transtornos causados como infraestrutura, saúde pública, circulação e
moradias pertencem a respectivos métodos de gestão que estão no escopo de quem cogita
e pretende ter a tarefa responsável de projetar.
2 MATERIAIS E METODOS
2.1 DESCRIÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO
O intuito desta pesquisa é discorrer sobre o saneamento básico da cidade de Manaus
e as doenças provenientes. A falta ou ausência do saneamento pode ocasionar diversos
problemas e entre tantos, destaca-se a saúde pública com o surgimento de doenças. O
foco aqui é expor a fragilidade que a falta do sistema de saneamento básico da cidade de
Manaus pode interferir na saúde, assim como o contexto histórico das gestões das
concessionárias que ofertaram ou ofertam esse serviço.
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2.2 COLETA DE DADOS
Na concepção de Gil (2012) “A análise dos dados na pesquisa, passa a depender
muito da capacidade e do estilo do pesquisador”. Diante do exposto do autor, se pode
dizer que a pesquisa é flexível, crítico e permissível no que tange a descoberta de novos
dados ou fatos.
Para alcançar os objetivos da pesquisa, se utilizará como método de coleta de dados
a pesquisa bibliográfica, visto que para Severino (2007) “é aquela que se realizam a partir
do registro disponível, decorrentes de pesquisas anteriores, em documentos impressos,
como livros, artigos, teses etc.”, com o intuito de obter informações sobre o saneamento
básico na cidade de Manaus e as doenças provenientes.
2.3 ANÁLISE DE DADOS
Os dados obtidos serão analisados e discutidos forma qualitativa, tendo em vista
analisar os aspectos que envolvem o saneamento básico e as doenças provenientes na
cidade de Manaus.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1 CONTEXTO HISTÓRICO DO SANEAMENTO BÁSICO DE MANAUS
Por ser uma capital muito grande, com aproximadamente 2.219.580 pessoas,
Manaus tem se expandido bastante, e seu crescimento populacional desordenado fez com
que surgissem problemas relacionados a saúde da população. O desinteresse pelo
saneamento básico dessas famílias, em sua maioria carentes, seja de cunho financeiro ou
sociocultural agregado a abnegação de uma gestão municipal que se esquiva em usar
condutas adequadas e/ou corretamente regulamentas (MATOS et al., 2017). Ainda na
percepção dos autores um dos serviços que as famílias manauaras mais carecem que é o
sistema de esgotamento sanitário, onde a população possui somente 480 km de redes de
esgoto.
Aragão (2017) em suas pesquisas discorre sobre os serviços de abastecimento de
água, coleta e tratamento de esgoto, que entre os anos de 1970 a 1999, ficou a cargo da
empresa Companhia de saneamento do Estado do Amazonas (COSAMA). Na época, esse
serviço era considerado insatisfatório, mas a empresa faliu, devido a uma série de
problemas operacionais, financeiros e altas inadimplências por parte dos consumidores.
Mediante a essa crise, a Prefeitura Municipal de Manaus, em 2000, permitiu a concessão
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das atividades de abastecimento de água e esgoto sanitário da cidade. Nesta ocasião, a
empresa de iniciativa privada Manaus Ambiental, foi a vencedora da licitação.
Segundo a lei nº 1192, de 31 de Dezembro de 2007, regulamentada pelo Decreto
nº 9849/2008) do capitulo 2 que discorre do tratamento de esgoto de característica
doméstica:
Art. 7º Nos empreendimentos potencialmente poluidores, privados ou
públicos, cujo número de usuários seja superior a 40 (quarenta) pessoas dia, na
área urbana e de transição desprovida de sistema público de esgoto, é
obrigatória a instalação de um sistema de tratamento de esgoto de característica
doméstica, composto de pré-tratamento, tratamento primário, secundário e
desinfecção (LEIS MUNICIPAIS, 2008).
Previsto na Lei Federal 11.445/2007, o Plano Nacional de Saneamento Básico
(PLANSAB) institui com redação inicial em 2008 e consolidado em 2014, prevê dentre
outros a universalização dos serviços de abastecimento com água potável ate 2023 e de
esgotamento sanitário ate 2033. São serviços como já mencionado anteriormente
essenciais ao ser humano e a sua ausência provoca problemas que afetam a saúde pública
(ARAGÃO, 2017).
É perceptível que existe leis, seja na esfera estadual ou municipal, e ambas
concernem o termo obrigatório da instalação de um sistema de tratamento de esgoto, o
que infelizmente não é um sistema de uso habitual nos bairros de Manaus, pois não existe
um sistema continuo da rede coletora, o sistema é disperso ou agrupado em pontos da
cidade. Mesmo em áreas próximas ao centro, ocorrem lançamentos de efluentes
domésticos nas ruas e principalmente nos vários igarapés que cruzam a cidade.
Costa (2017) destaca a ausência de infraestrutura urbana do poder público está
presente nas ruas, sendo que nestas, em muitas localidades, o asfalto foi erodido e o
sistema de escoamento de águas foi mal estruturado, facilitando o trabalho das águas
como agente de risco (erosivo e transmissão de doenças, entre outros).
Segundo a Prefeitura de Manaus (2021) o Sistema de Esgotamento Sanitário da
cidade de Manaus possui 588 mil metros de rede coletora, duas estações de pré-
condicionamento de esgoto, 69 estações de tratamento de esgoto ativas, 42 estações
elevatórias de esgoto ativas, poços de visita, coletores, troncos e emissários, todos
inseridos nas cinco Bacias de Esgotamento Sanitário denominadas de Educandos, São
Raimundo, Gigante, Tarumã e Colônia.
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3.2 ATUAL EMPRESA GESTORA
Com o propósito de melhorias nos serviços de saneamento básico em Manaus, a
concessionaria controlada pelo Grupo Equipav, a Aegea Saneamento, maior companhia
privada do setor do país, iniciou suas atividades em junho de 2018 no estado, com um
investimento inicial de R$ 880 milhões, para os primeiros cinco anos, sendo ela,
responsável pelos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto
(AEGEA, 2020).
Segundo a Aegea (2020) seu foco é expandir o acesso ao esgotamento sanitário
que atualmente corresponde a 20% para 80% até 2030, esses números representam um
passo importante rumo à preservação do meio ambiente na Amazônia. Destacam ainda
que, são frutos da experiência em saneamento, gestão, eficiência operacional e
compromisso com a sustentabilidade, através de uma atuação pautada pelo respeito a
sociedade, ao meio ambiente e aos princípios éticos.
Aegea (2020) destaca que seu esgotamento sanitário atua com uma extensão de
500 quilômetros de redes coletoras, 60 estações de tratamento e 51 elevatórios, dividido
em dois sistemas chamados de integrados, onde o primeiro abrange o centro de Manaus,
uma parte dos bairros Educandos, Morro da Liberdade, Santa Luzia e adjacências, já o
outro sistema, destacado como isolado, percorre toda a cidade, como os conjuntos
habitacionais, residenciais que fazem uso do serviço operado pela concessionária.
Em fase de expansão a concessionaria inaugurou a Estação de Coleta e Tratamento
de Esgoto da Timbiras, um mês após seu funcionamento, beneficiando moradores das
primeiras e segundas etapas do bairro Cidade Nova e adjacências, localizados na Zona
Norte da cidade. Na ocasião, foram realizadas a substituição de rede coletora de esgoto,
a construção e ampliação da estação elevatória de esgoto e linha de bombeamento.
Considerando que a empresa busca melhorias quanto a oferta do saneamento básico, a
mesma busca também conscientizar a população a desenvolver bons hábitos quanto ao
uso da água.
3.3 DOENÇAS MAIS COMUNS CAUSADAS POR FALTA DO SANEAMENTO
ADEQUADO
Ribeiro e Rook (2010) pontuam que o principal objetivo para a Organização
Mundial da Saúde (OMS), sobre o saneamento é a promoção da saúde do homem,
considerando que muitas doenças podem se proliferar devido à ausência desse serviço.
Partindo dessas conjecturas, sabe-se que o sistema de esgoto de Manaus é bastante
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precário, pois, só cobre 11% de toda a área urbana da cidade, o que favorece o surgimento
de doenças graves como a hepatite A, malária, febre tifoide a febre paratifoide, shigeloses,
cólera, amebíase, giardíase, leptospirose, a poliomielite, ancilostomíase (amarelão),
ascaridíase (lombriga), teníase, cisticercose, filariose (elefantíase) e a esquistossomose.
Outra doença que pode também ser causadora de morte por falta de saneamento
adequada é a dengue, esse mosquito Aedes requer água parada para a sua proliferação.
Sousa e Albuquerque (2018), trazem uma abordagem que complementa, os autores
destacam que as zonas norte e leste de Manaus por terem uma característica de
desigualdade social, tendem a ter uma concentração de depósitos preferenciais para a
desova do mosquito Aedes aegypti, que consequentemente acaba se proliferando, levando
algumas pessoas a morte.
Costa (2017) mostra em sua pesquisa o clima como fator que favorece o
desenvolvimento da dengue e tal fator está diretamente relacionado com os inúmeros
índices de notificação da dengue, principalmente entre os meses de fevereiro a abril,
entretanto, o autor destacar que isso não é suficiente para uma epidemia de dengue, mas
a vulnerabilidade socioambiental é um potenciador, principalmente em determinados
ambientes urbanos, muito por conta de uma classe economicamente desfavorecida.
3.4 ESGOTAMENTO SANITÁRIO
Matos et. al (2017), discorrem em seus estudos sobre o sistema de esgotamento
sanitário, onde eles apontam a importância do despejo liquido, bem como a necessidade
de um tratamento e destino final, na qual é composto por quatro fases, nos quais eles
destacam:
✓ Esgoto doméstico: São despejo líquido resultante do uso da água para a
higiene e necessidades fisiológicas dos seres humanos;
✓ Esgoto industrial: são dejetos líquidos resultantes dos processos
industriais, respeitando os padrões de lançamento estabelecidos;
✓ Água de infiltração: são provenientes do subsolo, indesejável ao sistema
separador e que penetra nas canalizações;
✓ Contribuição pluvial parasitária: são canalização de esgoto clandestino,
esta água encontra caminho para o sistema coletor por meio de ligações de
canalizações pluviais prediais a rede de esgoto, tampões de poços de visitas e outras
aberturas e ligações abandonadas.
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Dessa forma o sistema de esgotamento sanitário necessita de um conjunto de obras
e instalações coma finalidade de coletar, transportar, tratar e dispor o esgoto tratado de
forma adequada na natureza (MATOS et. al, 2017). Os autores deixam bem evidente, que
para um sistema de esgoto favoreça, um bairro ou mesmo uma cidade é necessário que
haja um planejamento, conforme as normas de sistema sanitário, projeto de rede coletoras,
projetos de estação de tratamento e execução de rede coletora de esgoto sanitário.
Figura 1: Tipos de sistema de esgoto sanitário
A figura acima é um ornograma de como deve ser divido um esgotamento
sanitário realizado por Matos et. al (2017) para que se tenha uma dimensão de como seu
funcionamento pode ajudar ou mesmo beneficiar uma cidade/bairros. Eles destacam que
o esgotamento sanitário é classificado em sistema coletivo e individual, que por sua vez
o coletivo se divide em unitário ou separador e por fim o separador se divide em
convencional e condominial. Para seu funcionamento e/ou licenças de execução é
necessário um projeto que por sua vez, também necessita da aprovação do poder público,
resoluções ambientais, concessionaria e das normas da construção civil.
3.5 Algumas Patologias E Suas Causas Devido À Ausência Do Saneamento Básico:
✓ Febre Tifoide - Doença infectocontagiosa causada pela ingestão da
bactéria Salmonella typhi. Os principais sintomas são febre alta, alterações
intestinais (que podem ir de prisão de ventre à forte diarreia), falta de apetite, tosse
seca e aparecimento de manchas avermelhadas pelo corpo.
✓ Febre Paratifoide - Semelhante à febre tifoide, é causa por um tipo diferente
de Salmonella, parasita transmitida por fezes e urina de pessoas infectadas. Os
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principais sintomas são: febre, diarreia, exaustão e aparecimento de manchas no
tronco.
✓ Shigeloses - Também chamada de disenteria bacteriana, trata-se de uma
intoxicação alimentar causada pela bactéria Shigella. A doença se caracteriza por
febre, vômitos, cólica abdominal, sangue nas fezes e, em alguns casos,
convulsões.
✓ Cólera - Doença causada por uma bactéria transmitida por dejetos fecais de
doentes, por ingestão oral (especialmente por água contaminada). O
microrganismo se multiplica rapidamente no intestino humano, causando diarreia
columosa, náuseas e vômitos, desidratação, câimbras, acidose e até mesmo
colapso respiratório. É uma doença que, quando não devidamente tratada, pode
causar a morte do paciente em até dois dias.
✓ Hepatite A - Doença contagiosa causada pelo vírus A, transmitido por meio do
contato entre indivíduos e água contaminada com fezes. Geralmente não apresenta
sintomas, mas os mais frequentes são cansaço, tontura, febre, dor abdominal,
enjoo e pele amarelada.
✓ Amebíase - Infecção parasitária que afeta o intestino. Os principais sintomas são
cólicas abdominais, gases em excesso, diarreia, dor durante a evacuação e perda
de peso.
✓ Giardíase - Infecção causada por parasitas que se prendem à parede do intestino,
causando fraqueza generalizada, diarreia crônica e cólicas abdominais.
✓ Leptospirose - Mais comum em períodos de chuva, é causada pela infecção por
uma bactéria presente na urina de ratos. Os principais sintomas são: febre,
vômitos, tosse e, em casos mais graves, hemorragias e insuficiência de órgãos,
podendo levar à morte.
Oliveira, Leite e Valente (2015) apontam que a diarreia é uma doença considerada
um problema de saúde pública, atingindo pessoas de todas as idades e classes sociais, em
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destaque, pessoas que residem em locais sem saneamento básico, caracterizando um
problema universal. Ela é classificada como uma das principais causas de morbidade e
mortalidade nos países em desenvolvimento, pela quantidade de pessoas afetadas.
A diarreia está sendo considerada em primeiro lugar entre as doenças que são
causadas por fatores ambientais, como pobreza, desnutrição, má qualidade dos alimentos
consumidos, falta de condições de higiene pessoal e ausência de saneamento básico,
entretanto há outras doenças que também estão relacionadas a esses mesmos fatores. A
diarreia pode ser considerada como um aumento na quantidade de água e eletrólitos das
fezes, através do desequilíbrio na reabsorção e secreção, ocorre então à liquidificação das
mesmas. Sendo assim, as doenças diarreicas possuem quatro causas principais, podendo-
se citar as: bacterianas, virais, parasitárias e não infecciosas (MORAES e CASTRO,
2014).
Todavia, não basta apenas garantir que toda a população tenha acesso
a esses direitos sem entender que vivemos em “uma sociedade de massa
caracterizada por um crescimento desordenado e brutal avanço tecnológico”
(FIORILLO, 2013). O autor deixa evidente que para uma qualidade de vida precisa-se de
mais, principalmente quando se vive uma economia de excessivo consumo, o que acarreta
em afetar as reservas naturais. A lei nº 11.455/2007, prevê a manutenção dos princípios
básicos da população conforme o art. 2.
“Art. 2º Para fins do disposto nesta Lei, considera-se:
I-A - saneamento básico - conjunto de serviços, infraestruturas e instalações
operacionais de:
a) abastecimento de água potável, constituído pelas atividades, pela
disponibilização, pela manutenção, pela infraestrutura e pelas instalações
necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as
ligações prediais e os seus instrumentos de medição;
b) esgotamento sanitário, constituído pelas atividades, pela disponibilização e
pela manutenção de infraestrutura e das instalações operacionais de coleta,
transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários,
desde as ligações prediais até a sua destinação final para a produção de água
de reuso ou o seu lançamento final no meio ambiente;
c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, constituídos pelas atividades,
pela infraestrutura e pelas instalações operacionais de coleta, transporte,
transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos
resíduos sólidos domiciliares e dos resíduos de limpeza urbanas; e
d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, constituídos pelas
atividades, pela infraestrutura e pelas instalações operacionais de drenagem de
águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de
vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas,
contempladas a limpeza e a fiscalização preventiva das redes; [...]
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Considerando que é dever do governo cuidar da saúde da população e para que
isso seja viabilizado é necessário que haja no mínimo um saneamento básico eficiente.
Para Vieira (2011), “a poluição da água, além de prejudicar e comprometer a
sobrevivência de vegetais e animais, provoca também graves consequências a saúde do
ser humano em razão do consumo de água de má qualidade”, nesta vertente, o autor só
confirma o que os números de mortalidades mostram, pessoas morrendo por conta de
doenças provenientes de um mal fornecimento de saneamento.
Um dos indicadores para descobrir ou avaliar a saúde da população é através das
parasitoses intestinais, que são infecções causadas por protozoários ou helmintos. Os
protozoários intestinais pertencem a diversos gêneros, sendo Giárdia e Entamoeba os
principais, além de ambos estarem bastante associados à diarreia (ESPINDOLA, 2014).
A poluição da água traz uma gama de patógenos tais como bactérias, vírus,
protozoários ou organismos multicelulares, que podem causar problemas
gastrointestinais, por exemplo (SIRVINSKAS, 2011). Mas uma confirmação dos agentes
patogênicos que podem ser encontrados na água devido a evacuação de esgoto, seja por
conta de animais infectados ou pelas próprias fezes humana e diante desse cenário se
torna urgente a colaboração da sociedade mediante a questão da saúde pública.
Em função, do que o autor acima discorre é importante destacar que a densidade
populacional de Manaus, associado as inundações dos bairros próximos de igarapés, não
deixam de representar um risco muito alto a saúde das pessoas que ali vivem,
principalmente para as crianças que brincam nos espaços púbicos, visto que ali mesmo
elas podem se infectar, pois geralmente são espaços que servem para a defecação, o que
acarretaria na proliferação dentro de suas próprias casas.
4 DISCUSSÕES
Sá e Filho (2012) além de ter trago em seus relatos sobre as consequências do
saneamento básico em áreas de riscos, como as de igarapés, eles ressaltam as medidas
que o governo estadual se viu na obrigação de criar um programa de revitalização
ambiental dos igarapés de Manaus (PROSAMIN) que atendesse os moradores das áreas
alagadas e ao mesmo tempo que viesse trazer melhorias na condição de vida da
população.
O PROSAMIM, idealizado no Governo Eduardo Braga é um Programa audacioso
que tem por objetivo: “Promover o saneamento, o desassoreamento, a utilização racional
do uso do solo das margens dos igarapés, a manutenção do desenvolvimento socialmente
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integrado com o crescimento econômico ambiental sustentável e contribuir para a
melhoria continua da qualidade de vida da população” (SÁ e FILHO, 2012).
Aragão (2017) discorre sobre a importância do saneamento e da sua associação
com a saúde humana que remonta as mais antigas culturas.
“O saneamento desenvolveu-se de acordo com a evolução das diversas civilizações, ora
retrocedendo com a queda das mesmas, ora renascendo com o aparecimento de outras”.
Visto que muito se investiu no saneamento de Manaus, ainda é considerado muito
pequeno os resultados, ou seja, ainda precisa haver avanços nessa área.
Entretanto, Ribeiro e Rook (2010) despontam para a utilização do saneamento
como instrumento de promoção da saúde pressupõe a superação dos entraves
tecnológicos, políticos e gerenciais que têm dificultado a extensão dos benefícios aos
residentes em áreas rurais, municípios e localidades de pequeno porte.
Percebe-se que os discursos dos autores são os mais diversos, entretendo todos
concordam quando se fala de qualidade de vida para as pessoas desfavorecidas, Sirvinskas
(2011), desponta para as questões parasitarias, bactérias e até mesmo vírus que podem ser
encontrados na água. Outros malefícios acarretados a saúde, por falta de um saneamento
básico são as doenças de transmissão hídrica, em destaque as gastrenterites agudas,
hepatite viral A e E, e as parasitoses intestinais. Outras doenças são as transmitidas por
vetores como a pediculose, escabiose, dengue, leptospirose entre outras, o agravo pela
desnutrição, doenças respiratórias agudas e intoxicação por gases.
Praticamente em consonância Espindola (2014) adverte sobre os parasitas
encontrados não só na água que afetam essa população e de que forma essa avaliação será
conclusiva para que os órgãos competentes entendam que tem que investir mais na
promoção da saúde. É fato que a exploração destes indicadores requer medidas mais
energéticas para o esgotamento da problemática sanitária regional, mesmo que forma
geral se perceba um quadro de poucos avanços frente as reais necessidades.
Moraes e Castro (2014) trazem uma abordagem não menos importante, se tratando
de doenças que são transmitidas pelo sistema de esgoto, no caso, eles destacam a diarreia,
sendo considerada uma doença preocupante, onde o ambiente é um fator contribuinte,
bem como a desnutrição, alimentos impróprios para o consumo e a falta de uma higiene
adequada e quem geralmente mais sofrem com essa enfermidade são as crianças, podendo
levar a morte.
Outro causador de mortalidade que esta lidado ao sistema de esgoto sanitário é a
dengue e Costa (2017) também traz esses apontamentos como algo relevante, visto que
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ele destaca o clima como fator favorecedor de proliferação da dengue, principalmente nos
meses de chuva, onde há uma vulnerabilidade socioambiental muito grande.
Matos et. al (2017) além dos autores frisarem sobre a importância e a necessidade
de um tratamento sanitário adequado, eles destacam sobre os resíduos finais que estão
divididos em esgoto doméstico, esgoto industrial, água de infiltração e contribuição
pluvial parasitaria. Outro fator relevante pontuado por eles é o envolvimento dos
engenheiros no que diz respeito as propostas de execução de obras de saneamento básico,
com projetos adequados de implantação, que venham de fato trazer uma melhoria de vida
para as pessoas de baixa renda.
Frente ao que foi discorrido, é categórico que os autores mostram por diversas
razões a urgência em resolver essa problemática, chamada, saneamento básico. Entretanto
o que se questiona é o porquê de não conseguir sanar ou amenizar essa situação que há
anos vem se arrastando, considerando que há leis, projetos e políticas públicas voltadas
para esse departamento, apesar de parte desses avanços virem dos investimentos do setor
público e do privado, entretanto o que se percebe é que ainda falta mais comprometimento
por parte da sociedade no que diz respeito ao consumo consciente.
5 CONCLUSÃO
Perante a tudo que foi discorrido, ficou perceptivo que a temática é bem complexa,
principalmente por atingir diversas áreas da sociedade, não só a nível de Manaus, mas de
Brasil. Um exemplo dentro deste contexto, que merece destaque, é a relação
entre saneamento básico e meio ambiente, visto que é fundamental para o bem-estar e a
qualidade de vida de toda a população.
A falta de um bom saneamento básico, além de prejudicar a saúde das pessoas,
eleva gastos com tratamento de doenças causadas pela falta adequada de abastecimento
no sistema de tratamento de esgoto e coleta de lixo. Manaus sendo um estado
metropolitano deveria ter um sistema de coleta no mínimo que estivesse atrelado a
reciclagem ou mesmo um sistema de tratamento que no qual diminuísse os casos de
doenças.
Dentro da esfera econômica é muito complexo questionar o porquê de não
conseguir dentro dos valores destinados sanar a problemática do saneamento básico,
entretanto, um possível meio de solução seria aliar a educação com projetos voltados para
esse sistema, no intuito de estabelecer um equilíbrio entre os aspectos ecológicos,
econômicos e sociais, de tal forma que as necessidades materiais básicas de cada
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indivíduo possam ser satisfeitas, diminuindo o consumismo ou desperdícios, e assim
todos teriam oportunidades iguais de desenvolvimento de seus próprios potenciais.
Outra possível forma de solução esta ligada as leis, onde elas poderiam ser mais
incisivas no contexto industrial, obrigando-as a tratar seus resíduos antes de serem
lançados no meio ambiente, ou ainda com penalizações para aqueles que descumprisse as
normas, intimando as industrias a investirem em redes de esgotos como forma de pagar
os prejuízos causados ao meio ambiente e consequentemente a população.
O planejamento e a construção de um sistema de esgotamento sanitário eficiente
numa cidade seja ela de pequeno, médio ou grande porte é um desafio para os
administradores. O investimento em saneamento básico aponta para um índice
extremamente favorável dentro da área da saúde pública e para a consequente melhoria
da qualidade de vida da população.
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