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História da Farmacologia e Terapêutica

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DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

DISCIPLINA: FARMACOLOGIAS E TERAPÊUTICA

HISTÓRIA

A história da farmacologia é bem antiga e podemos dividir em 3 eras: a


natural, sintética e biotecnológica.
Era natural

 4 500 AEC: Na Mesopotâmia utilizava-se da fermentação para produção de


etanol, em Nagpur há registros escritos de 250 plantas medicinais como a
papoula e a mandrágora.
 1 550 AEC: Um dos primeiros registros históricos que menciona o uso de
fármacos é um texto da farmácia egípcia, conhecido como o Papiro de
Edwin Smith, datado de 1 500 AEC. Existe também o Papiro de Ebers de 1
550 AEC. que relata a forma de preparo e uso cerca de
700 remédios.[2] extraídos de plantas como romã, babosa, cebola, alho,
coentro, etc
 77 EC Dioscórides (considerado o fundador da farmacognosia) escreveu
"Sobre Material Médico" ou "De Materia Medica" com 944 preparações de
657 de plantas
 131-200 EC Cláudio Galeno ou Galeno de Pérgamo escreve "De
succedanus" ou “drogas paralelas”
 Séc. XV Paracelso considerado por muitos como um reformador do
medicamento, fundador da Bioquímica e da Toxicologia e autor da frase “A
dose faz o veneno” Signatura doctrinae
 Séc. XV-XVII: iniciam as Grandes Navegações onde novas espécies
vegetais são introduzidas à Europa (café, cacau, Ipecacuanha, etc).
 Iluminismo: Desenvolvimento do pensamento científico e conhecimento
fisiológico, elementos fundamentais para a Farmacologia.
Era sintética

 1804: Friedrich Sertürner isola a Morfina.


 1817: Carl Linnaeus isola a Estriquinina (Pesticida, muito usado para matar
Ratos).
 1820: Pierre-Joseph Pelletier e Joseph Bienaimé Caventou Isolam
o Quinino Tratamento de malária.
 1828: Johann Buchner isola a Salicilina usada no tratamento de dores e
febre.
 1847: Rudolf Buchheim Funda o primeiro instituto de Farmacologia
 1897: Felix Hoffmann sintetiza a Aspirina a partir do ácido salicílico.
 1932: Josef Klarer e Fritz Mietzsch sintetizam o Prontosil precursor dos
antibióticos
Era biotecnológica

 1978: Genentech produz insulina humana a partir de E. Coli com DNA


recombinante
 1981: Genentech produz hormônio de crescimento (GH) com DNA
recombinante
 1990: Primeira tentativa de terapia gênica
 Luxturna (Voretigene neparvovec) Primeira terapia gênica aprovada
pela FDA para tratamento de Amaurose congênita de Leber (US$ 850 000)
doença degenerativa e hereditária onde provoca alterações na actividade
elétrica da retina diminuindo a visão.
Antes do uso medicinal os fármacos eram considerados "artigos de festa" como
o Óleo doce de Vitríolo (éter etílico – séc. XVI) e Óxido Nitroso (Humphrey
Davy – 1799)

FARMACOLOGIA
A farmacologia (do grego fármacon ("droga"), sintetizado em "ciência") é a
área da farmácia que estuda como as substâncias químicas interagem com os
sistemas biológicos. Como ciência nasceu em meados do século XIX.[1] Se
essas substâncias têm propriedades medicinais, elas são referidas como
"substâncias farmacêuticas". O campo abrange a composição
de medicamentos, propriedades, interacções, toxicologia e efeitos desejáveis
que podem ser usados no tratamento de doenças.
Esta ciência engloba o conhecimento da história, origem, propriedades físicas e
químicas, associações, efeitos bioquímicos e fisiológicos, mecanismos de
absorção, bio transformação e excreção dos fármacos para seu uso terapêutico
ou não.

Ao administrar qualquer medicamento para um paciente, o profissional da


área da saúde, tem como objectivo primordial alcançar os efeitos terapêuticos
desejados. Para isso, é fundamental o conhecimento dos princípios básicos que
envolvem a farmacologia, a saber, a farmacocinética e a farmacodinâmica, as
quais podem ser assim definidas:
FARMACOLOGIAS E TERAPÊUTICA
A farmacologia é o ramo da ciência que estuda os efeitos das substâncias
químicas sobre a função dos sistemas biológicos.

A FARMACOLOGIA COMO CIÊNCIA

Antes de falarmos mais profundamente sobre a farmacologia e terapêutica, é


preciso entender o que a farmacologia estuda efectivamente. Como dito, a
disciplina atua na análise dos efeitos das substâncias medicamentosa sobre
os sistemas biológicos.

Vale ressaltar que droga é qualquer substância de origem natural (animal,


vegetal, microbiológica, mineral), sintética ou semi-sintética, que ocasiona uma
alteração no funcionamento biológico por suas acções químicas sobre o
organismo vivo.

Neste sentido, o estudo da farmacologia está ligado aos fármacos que trazem
efeitos benéficos à saúde. Já os efeitos causados por agentes tóxicos são
estudados pela toxicologia.

TRAJECTO DOS FÁRMACOS NO ORGANISMO

Ao serem introduzidos no organismo, os medicamentos sofrem quatro formas


de acção: absorção, distribuição, metabolização e excreção.

Para que faça efeito, é preciso que o fármaco passe por ao menos um destes
processos. Veja mais detalhes abaixo:

Absorção: todo o fármaco precisa chegar à corrente sanguínea para haver


efeito. Isto pode acontecer através da via oral, cutânea, subcutânea, muscular,
respiratória e rectal.

Distribuição: a distribuição é a modificação do medicamento da circulação


sanguínea para o tecido. Neste processo, há a forma livre, quando está apenas o
medicamento cursando livremente pelos vasos capilares. Há também a forma
ligada, com o medicamento associado a uma proteína transportadora, que fará
que o medicamento aumente seu tamanho impedindo a passagem nos vasos
capilares.
Metabolização: este processo acontece quando o fármaco é transformado em
outra substância, na maioria dos casos, por meio da ação de enzimas. Ocorre
comumente no fígado, rins, pulmões e tecidos nervosos. O metabolismo
acontece para que a substância seja eliminada posteriormente pelo organismo.

Excreção: este caso ocorre quando o fármaco já está pronto para ser expelido
do organismo. É a saída do medicamento por meio de diferentes vias. O modo
mais convencional é pelos rins, porém, também pode ser excretado através dos
pulmões, fezes, lágrimas, suor, saliva e suco biliar.

A FINALIDADE DA FARMACOLOGIA E TERAPÊUTICA


A farmacologia é a ciência que estuda a utilização, aplicação e efeitos no
organismo de substâncias utilizadas com intenção terapêutica ou profiláctica.
Conhecidos como “fármacos”, atuam no organismo vivo e são capazes de
modificar parâmetros fisiológicos.

: estuda as substâncias químicas e a sua interacção com os sistemas


Farmacologia Básica biológicos.

Farmacodinâmica: estuda os efeitos bioquímicos, fisiológicos e o mecanismo


de acção dos fármacos.

Farmacocinética: estuda a absorção, distribuição, metabolismo e


excreção dos fármacos.

Enquanto os remédios são os medicamentos que podem ter diversas formas,


como comprimidos, gotas, xaropes, pílulas e outras, os fármacos são o
princípio activo dos medicamentos, ou seja, o fármaco é a substância química
que é a base, e principal responsável pelo efeito do remédio desenvolvido para
fins curativos.

Acção terapêutica em farmacologia:


Terapêutica: quando é usada no tratamento da doença. Paliativa: quando
diminui os sinais e sintomas da doença mas não promove a cura.

Terapêuticos – fármacos que dão origem aos medicamentos em um


determinado grupo terapêutico; Laterais ou secundários – fármacos que
proporcionam efeitos que não concorrem com a melhoria da situação
patológica a ser tratada.

Droga: É toda substância originada do reino animal e vegetal que poderá ser
transformada em medicamento.
Quais os tipos de medicação terapêutica?
Os medicamentos que são definidas pelo seu uso terapêutico incluem as
seguintes classes:
 Analgésicos.
 Antibióticos.
 Anticoagulantes.
 Antidepressivos.
 Anticancerosos.
 Antiepilépticos.
 Anti psicóticos.
 Antivirais.

 Farmacocinética: é o ramo da farmacologia que estuda o movimento do


medicamento dentro do organismo nas fases de absorção, distribuição, bio
transformação e eliminação. Descreve a acção do organismo sobre o
medicamento.
 Farmacodinâmica: é o ramo da farmacologia que estuda o local e o
mecanismo de acção, e os efeitos do medicamento no organismo. Descreve a
acção do medicamento sobre o organismo.

Com base nas definições anteriores, detalharemos alguns conceitos, para


melhor compreensão das acções e reacções provocadas pelo uso dos mais
diversos medicamentos.

ABSORÇÃO

Os medicamentos são administrados por diversas vias, fato que influencia sua
absorção. A absorção é a passagem do fármaco do local onde foi administrado
para a corrente sanguínea. Essa etapa não acontece quando o medicamento é
directamente administrado na circulação, como, por exemplo, na via
endovenosa. Os locais mais comuns onde ocorre a absorção são os músculos, a
mucosa oral, a pele e o intestino.

Nos casos de medicamentos administrados por via oral, a absorção ocorre no


trato gastrointestinal e sofre influência de vários factores, entre eles: área
disponível para absorção; fluxo sanguíneo regional; propriedades físico-
químicas dos medicamentos; concentração local do medicamento; acidez
gástrica; presença ou não de nutrientes no momento da administração;
alteração da função gastrointestinal (aumento da velocidade de es- vaziamento
gástrico, diarreia, constipação etc.); preparação do fármaco e sua forma de
apresentação (comprimidos, soluções etc.); concentração do medicamento.

Nos medicamentos administrados por via sublingual, a absorção ocorre na


própria cavidade oral, através do sistema venoso bucal.

As vias de administração de medicamentos classificadas como parenterais


(principalmente a endovenosa, a intramuscular e a subcutânea) apresentam
certas peculiaridades quanto à absorção de medicamentos. No caso da via
endovenosa, o medicamento é administrado directamente na circulação
sanguínea. Na via intramuscular, a absorção está relacionada ao fluxo
sanguíneo do local de aplicação e ao tipo de solução. Soluções que utilizam
água como base são absorvidas mais rapidamente que as soluções oleosas.

As características químicas dos fármacos também podem influenciar a


absorção por via intramuscular. Medicamentos administrados por via
subcutânea apresentam como característica a absorção lenta e contínua.

A absorção de medicamentos pela via transdérmica dependerá das condições


de integridade da pele. Tecidos lesionados promovem uma absorção mais lenta
que tecidos íntegros. A absorção também está rela- cionada à extensão do local
onde será aplicado o medicamento e o fluxo sanguíneo na região.

BIODISPONIBILIDADE

Biodisponibilidade é definida como a fracção do medicamento administrado


que atinge a circulação sistémica. Nos casos de administração de
medicamentos por via endovenosa, a biodisponibilidade é 100%.

O percentual de biodisponibilidade de cada medicamento dependerá de vários


fatores, entre eles, o grau e a velocidade de absorção desse medicamento e a
fração que é metabolizada pelo fígado (antes de atingir a circulação). Alguns
medicamentos apresentam um grande percentual de absorção pelo intestino,
mas a fracção metabolizada também é grande, proporcionando um pequeno
percentual que atinge a circulação sistémica. Esse problema é solucionado nos
casos em que o medicamento pode ser administrado por via endovenosa. Por
exemplo, o medicamento propranolol, quando administrado por via
endovenosa, tem dose padrão igual a 5 mg, porém, quando administrado por
via oral, sua dose varia de 40 a 80 mg, para atingir a mesma concentração de
medicamento na circulação sistémica.
Problemas no fígado podem modificar a metabolização de um medicamento,
alterando sua biodisponibilidade.

DISTRIBUIÇÃO

A distribuição é definida como a passagem do medicamento da circulação


sanguínea para os diversos órgãos e tecidos.

Esse processo sofre influência de vários aspectos, entre eles:

 Características físico-químicas do medicamento, como lipos-solubilidade e


grau de ionização;
 Tamanho da molécula (complexo fármaco-proteína);
 PH local; e
 Vascularização do tecido.

A distribuição pode ser dividida em duas fases. Na fase inicial, estão


envolvidos órgãos que apresentam alta perfusão e recebem a maior parte do
medicamento nos primeiros minutos. Esses órgãos são o coração, o fíga- do, o
trato gastrointestinal, os rins e o cérebro. Na segunda fase, os órgãos e tecidos
atingidos são os músculos, algumas vísceras, os tecidos com perfusão média e
o tecido adiposo.

Outro factor importante relacionado à distribuição é a ligação proteica.


Somente medicamentos livres conseguem passar pelas membranas celulares,
atingindo seu alvo e promovendo o efeito farmacológico desejado.

ELIMINAÇÃO OU EXCREÇÃO

A eliminação é a retirada do medicamento do organismo. Esse processo tem


início assim que o medicamento atingir a circulação sistêmica. A eliminação
ocorre por modificação metabólica e por excreção.

O fígado é o órgão mais importante no processo de eliminação por modificação


metabólica, podendo ocorrer, também, nos rins, nos pulmões, no trato
gastrointestinal e na pele.

O processo de excreção ocorre principalmente nos rins. A excreção também


pode ocorrer nos pulmões, no trato gastrointestinal (fezes), no suor, na saliva e
nas lágrimas. Alguns medicamentos são eliminados pela bile, sendo
reabsorvidos e eliminados pelos rins.
Para melhor compreensão dos conteúdos que serão abordados nos próximos
capítulos, é necessário que o profissional de enfermagem domine as
nomenclaturas mais utilizadas em farmacologia. Além dos termos já
esclarecidos, há outros que também são fundamentais, dentre os quais:

 Bio equivalência: é o estudo em que são comparadas a biodisponibilidade de


um medicamento de referência e a de um medicamento genérico. Quando dois
medicamentos têm a mesma biodisponibilidade, ou seja, são bioequivalentes,
um pode substituir o outro.
 Concentração: é a quantidade de determinada substância (activa ou inactiva)
em certo volume ou massa de produto. Exemplo: solução glicosada 5%
significa que em cada 100 ml de solução há 5 g de glicose.
 Dispensação: é o ato de fornecer o medicamento para o comprador (nos casos
de drogarias) ou ao profissional de enfermagem que irá preparar o
medicamento e administrá-lo ao paciente.
 Dose de ataque: é a dosagem única de medicamento com capacidade de atingir
rapidamente a concentração terapêutica.
 Dose de manutenção: é a dosagem de medicamento que deverá ser repetida,
periódica ou continuamente, para garantir a estabilidade da sua concentração
dentro de limites.
 Dose letal: dose com a qual a morte é atingida. É um efeito indesejável,
normalmente observado em pesquisas laboratoriais.
 Droga: é qualquer substância que apresenta como característica a capacidade
de alterar a função dos organismos vivos, acarretando mudanças fisiológicas
e/ou comportamentais.
 Droga-tóxico: droga com acção maléfica sobre o organismo.

 Efeito adverso: consiste em uma acção indesejável e não esperada ocasionada


pelo medicamento.
 Fármaco: droga com acção benéfica sobre o organismo. Pode-se utilizar
também o termo medicamento. Substância denominada princípio activo de um
medicamento.
 Farmacopeia: conjunto de medicamentos (drogas) oficializado pelo Ministério
da Saúde, com acção consagrada e resultados eficazes e úteis para a população.
 Farmacovigilância: é a identificação e a avaliação dos efeitos dos
medicamentos sobre o paciente, incluindo o risco do uso dos medicamentos
pela população ou por grupos de pacientes expostos a determinados
tratamentos.
 Idiossincrasia: é a susceptibilidade anormal de um indivíduo a uma droga,
mesmo quando administrada em doses terapêuticas.
 Janela terapêutica: área entre a dose mínima eficaz e a máxima permitida.
Intervalo de dose no qual os resultados são positivos.
 Medicamento de referência: é o produto inovador, registrado no Ministério
da Saúde, com eficácia e segurança comprovadas, protegido pela Lei de
Patente, não podendo ser produzido, sem permissão do fabricante, por um
determinado período de tempo.
 Medicamento genérico: medicamento semelhante ao medicamento de
referência, produzido após o tempo determinado pela patente, ou, em alguns
casos, após quebra dessa patente por órgão governamental.
 Medicamento similar: tem os mesmos princípios activos do medicamento de
referência, mas apresenta alguma diferença quando comparado (rótulo, forma
de apresentação, prazo de validade, excipientes etc.); portanto, não se pode
dizer que são bio equivalentes. Nesses casos, os testes de bio equivalência não
são exigidos.
 Medicamento oficinal: produzido nas farmácias de manipulação ou
magistrais.
 Medicamento de controlo especial: medicamento relacionado pela
Agência de Vigilância Sanitária e que tem a capacidade de causar
dependência física ou química.
 Medicamento de uso contínuo: utilizado no tratamento de doenças
crônicas, continuamente.
 Medicamento fitoterápico: medicamento cuja composição utiliza,
exclusivamente, vegetais como matéria-prima.
 Meia-vida: tempo necessário para a concentração plasmática de um
medicamento ser reduzida em 50%.
 Posologia: estudo da dosagem dos medicamentos.
 Placebo: medicamento preparado com substâncias inativas, sem finalidade
terapêutica. Pode ser empregado em pesquisas clínicas ou ainda para
satisfazer a necessidade psicológica do paciente de receber medicamento.
 Pró-droga: substância que passará por transformação no organismo,
tornando-se uma droga activa.

DESTINO DOS FÁRMACOS NO ORGANISMO


Para que um fármaco aja no organismo ele precisará se ligar a um receptor
especifico, como dito na famosa frase "Corpora non agunt nisi fixata" (Um
fármaco não agirá, a menos que esteja ligado) [Paul Ehrlich], com algumas
excepções: Diuréticos e purgativos osmóticos, antiácidos e agentes quelantes
de metais pesados.
Qualquer substância que actue no organismo vivo pode ser absorvida por este,
distribuída pelos diferentes órgãos, sistemas ou espaços corporais, modificada
por processos químicos e finalmente eliminada. A farmacologia estuda estes
processos e a interacção dos fármacos com o homem e com os animais:
absorção, distribuição, metabolismo/autotransformação e excreção.
 Absorção - Para chegar na circulação sanguínea o fármaco deve passar por
alguma barreira dada pela via de administração, que pode ser: cutânea,
subcutânea, respiratória, oral, retal, muscular. Ou pode ser inoculada
directamente na circulação pela via intravenosa, sendo que neste caso não
ocorre absorção, pois não atravessa nenhuma barreira, caindo directamente
na circulação. A absorção (nos casos que existe barreira) do fármaco, é
como já foi citado anteriormente, fundamental para seu efeito no
organismo.
A maioria dos fármacos é absorvida no intestino, e poucos fármacos no
estômago, os fármacos são melhor absorvidos quando estiverem em sua forma
não ionizada, então os fármacos que são ácidos fracos serão absorvidos melhor
no estômago que tem pH ácido, Exemplo (Àcido Acetil Salicilico), já os
fármacos que são bases fracas, serão absorvidos principalmente no intestino,
sendo que esse tem um pH mais básico que o do estômago. Os fármacos na
forma de comprimido, passam por diversas fases de quebra, até ficarem na
forma de pó e assim serem solubilizados e absorvidos, já os fármacos em
soluções, não necessitam sofrer todo esse processo, pois já estão na forma
solúvel, e podem ser rapidamente absorvidos. A seguir uma ordem de tempo de
absorção, para várias formas farmacêuticas:
Comprimido>Cápsula>Suspensão>Solução.

 Distribuição - Uma vez na corrente sanguínea o fármaco, por suas


características de tamanho e peso molecular, carga eléctrica, pH,
solubilidade, capacidade de união a proteínas se distribui pelos distintos
compartimentos corporais.
 Metabolismo ou Bio transformação - Muitos fármacos são transformados
no organismo por acção enzimática. Essa transformação pode consistir em
degradação (oxidação, redução, hidrólise), ou em síntese de novas
substâncias como parte de uma nova molécula (conjugação). O resultado do
metabolismo pode ser a inactivação completa ou parcial dos efeitos do
fármaco ou pode activar a droga como nas "pródrogas" [Link]: sulfas. Ainda
mudanças nos efeitos farmacológicos dependendo da substância
metabolizada. Alguns factores alteram a velocidade da biotransformação,
tais como, inibição enzimática, indução enzimática, tolerância
farmacológica, idade, patologias, diferenças de idade, sexo, espécie e o uso
de outras drogas concomitantemente.
 Excreção - Finalmente, o fármaco é eliminado do organismo por meio de
algum órgão excretor. Os principais são rins e fígado [Link]: através da bile,
mas também são importantes a pele, as glândulas salivares e lacrimais,
ocorre também a excreção pelas fezes.
Os fármacos geralmente tem uma lipofilia moderada, caso contrário eles não
conseguiriam penetrar através da membrana das células com facilidade, e a via
de excreção mais usada pelo organismo é a via renal, através da urina, então
geralmente os fármacos como são mais apolares tendem a passar pelo processo
de metabolização, que os torna mais polares e passíveis de serem eliminados
pela urina, mas aí o que está sendo eliminado do organismo são os metabólitos
do fármaco, já não é mais o fármaco. Já os fármacos que são polares são
eliminados pela urina sem passar pela metabolização, e então o que está sendo
eliminado agora é o fármaco mesmo e não seus metabólitos.

VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE UM FÁRMACO EM HUMANOS

 Oral: Simples, segura e barata, geralmente os fármacos são absorvidos no


intestino delgado por difusão (efeito sistémico). A absorção por essa via
pode ser afectada por: conteúdo do trato gastro intestinal (TGI) pode
retardar a absorção, motilidade gastrointestinal (diarreia), fluxo sanguíneo
esplâncnico (propranolol), tamanho da partícula e formulação, factores
físico-químicos (pH, interacções medicamentosas), efeito de primeira
passagem (um fármaco pode sofrer metabolização por ação de enzimas
intestinais e, principalmente, hepáticas ao ser absorvido pelo intestino antes
de chegar a circulação sistémica). 90% nitroglicerina (vasodilatador) é
degradada, uma via alternativa deve ser usada (normalmente sublingual).
 Sublingual: Absorção rápida e directamente para a circulação sistémica.
Indicação: fármacos instáveis em pH ácido ou que são rapidamente
metabolizadas pelo fígado. Poucos medicamentos são absorvidos
correctamente por essa via (Ex.: nitroglicerina).
 Retal: Absorção rápida. Indicação: impossibilidade de utilizar a via oral
devido a náuseas, impossibilidade de deglutir ou restrições alimentares pré-
e pós- operatórias. Ex.: acetaminofeno (febre), diazepam (convulsões) e
laxantes (constipação)
 Aplicações em superfícies epiteliais
o Cutânea:
 Tópica: acção local com pouca absorção do fármaco. Ex.:
Cetoconazol (infecções fúngicas)
 Transdérmica: acção sistêmica de efeitos prolongados, são
necessariamente lipossolúveis e relativamente caros. Ex.:
contraceptivo hormonal, Nicotina
o Ocular: através de colírios, possui ação local sem efeitos colaterais
sistêmicos. Ex.: Dorzolamida
o Nasal: Spray nasais, possui efeito sistêmico de absorção rápida.
Ex.: Calcitonina (osteoporose), Fluticasona (rinite alérgica)
 Inalação: De absorção rápida, ajuste fácil, possui ação sistemática (usado
para aplicação de anestésicos voláteis e gasosos (ex.: óxido nitroso (N2O))
e ação local (minimizar efeitos colaterais sistêmicos (ex.: Salbutamol
(broncodilatador)).
 Injecção
o Subcutânea: Aplicação do fármaco logo abaixo da pele, medicamentos
que seria degradados na via oral, possuí rápida absorção (que depende
da perfusão local, (ex.: insulina).
o Intramuscular: Aplicação do fármaco no músculo, de rápida absorção
e acção prolongada. A Absorção depende da perfusão local. Preferível à
via subcutânea quando maior volume de fármaco é necessário (ex.:
penicilina).
o Intravenosa: Via mais rápida e confiável, o fármaco entra directamente
na circulação sistêmica, a velocidade depende directamente da forma de
administração (dose única ou infusão contínua).
o Intratecal: Aplicação do fármaco no espaço subaracnoide, esta via é
específica para o sistema nervoso central: anestesia regional, analgesia e
terapia antibiótica.

CONCEITO DE ALGUNS TERMOS USADOS EM


FARMACOLOGIA

 Fármaco – Uma substância química de estrutura conhecida, que não seja


um nutriente ou um ingrediente essencial da dieta, que, quando
administrado a um organismo vivo, produz um efeito biológico. [3] A
substância só considerada fármaco quando administrada como tal e não ser
liberada por mecanismos fisiológicos, ex: insulina e tiroxina. Um fármaco
não cria funções fisiológicas, apenas as modifica.
 Medicamento – “Toda a substância ou composição com propriedades
curativas ou preventivas das doenças ou dos seus sintomas, do Homem ou
do animal, com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou a restaurar,
corrigir ou modificar as funções orgânicas.” (Dec.- lei 72/91 de 8 Fevereiro)
ou "preparação química, que geralmente, mas não necessariamente, contém
uma ou mais drogas, administrado com a intenção de produzir um efeito
terapêutico.”[3]
 Remédio: todo e qualquer tipo de cuidado utilizado para curar ou aliviar
doenças, sintomas, desconfortos e mal-estar.
 Drogas: qualquer substância que modifica a função fisiológica com o sem
intensão benéfica.
 Substância tóxica – Toda a substância capaz de causar danos, de tal ordem
intensos, que a vida pode ser posta em risco – Morte ou sequelas
persistentes. [Link]: cianeto, organofosforados.
 Formas farmacêuticas – preparação farmacêutica, com o princípio ativo
com outras substâncias, excipientes e coadjuvantes entre outros. [Link]:
comprimidos, cápsulas, elixires, óvulos, xaropes, supositórios.
 Excipiente – farmacologicamente inativo – [Link]: propilenoglicol, Silicato
de magnésio hidratado, sorbitol, vaselina.
 Coadjuvante – permite absorção mais fácil ou facilita ação.
 Especialidade farmacêutica – medicamentos fabricados industrialmente e
introduzidos no mercado com denominações e acondicionamentos próprios
– Autorização de Introdução Mercado (AIM)
 Fórmulas magistrais – preparados na farmácia de manipulação por
farmacêutico, destinado a um paciente específico.
 Farmacocinética clínica - é a ciência que estuda a quantidade de
medicamento (dosagem), que o doente deve tomar de cada vez e o intervalo
entre uma e outra dose.

DIVISÕES DA FARMACOLOGIA

 Farmacologia Geral: estuda os conceitos básicos e comuns a todos os


grupos de drogas.
 Farmacologia Especial: estuda as drogas em grupos que apresentam ações
farmacológicas semelhantes. Ex.: farmacologia das drogas autonômicas
(que atuam no SNC).
 Farmacotécnica: estuda o preparo, a purificação e a conservação, da
preparação das drogas, medicamentos e fármacos nas suas diferentes
formas farmacêuticas (compridos, cápsulas, supositórios, etc.), da sua
conservação e análise, visando o melhor aproveitamento do seus efeitos no
organismo;
 Farmacoterapia: união da farmacodinâmica e a farmacocinética para
desenvolver uma terapia medicamentosa;
 Imunofarmacologia: estuda a ação dos fármacos sobre o sistema imune;
 Farmacognosia: diz respeito à origem, métodos de conservação,
identificação e análise química dos fármacos de origem vegetal e animal;
 Tecnologia Farmacêutica: é o ramo da ciência aplicada que visa a obter
preparações farmacêuticas dotadas de máxima atividade, doseadas com
maior precisão e apresentação que lhes facilitem a conservação e a
administração.[4]
 Farmacodinâmica: trata das ações farmacológicas e dos mecanismos pelos
quais os fármacos atuam (em resumo, ação da droga no organismo);
 Farmacocinética: diz respeito aos processos de absorção, distribuição,
biotransformação (e interações) e excreção dos fármacos (em resumo, ação
do organismo na droga);
 Farmacogenética: área em crescimento explosivo, que trata das questões
resultantes da influência da constituição genética nas ações, na bio
transformação e na excreção dos fármacos e, inversamente, das
modificações que os fármacos podem produzir nos genes do organismo que
os recebe.
 Cronofarmacologia: estudo dos fármacos em relação ao tempo. Sua
aplicação se baseia nos resultados da cronobiologia
 Toxicologia: diz respeito às acções tóxicas não só dos fármacos usados
como medicamentos, mas também de agentes químicos que podem ser
causadores de intoxicações domésticas, ambientais ou industriais

Referências

1. ↑ Destruti, Ana Beatriz; et al. Senac, ed. Introducao a


Farmacologia. 1999. São Paulo: [s.n.]
2. ↑ Page, Clive P.; et al. Harcourt, ed. Farmacologia integrada
fçskfaçgbfjkajsfãksd]/aiwsoiuaclbous~ç. [S.l.: s.n.]
3. ↑ Ir para:a b Rang, H.P. (2016). Farmacologia. [S.l.]: Elsevier Editora
Ltda. 28 páginas
4. ↑ «Tecnologia farmacêutica». Wikipédia, a enciclopédia livre. 27 de
junho de 2014
Docente: António Carlos Aurélio

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