0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações84 páginas

200 Locais de Imigração em São Paulo

Enviado por

pggrossi
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações84 páginas

200 Locais de Imigração em São Paulo

Enviado por

pggrossi
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Canal Unico PDF - Acesse: t.

me/jornaiserevistas
Agradecimento Minha Avó Tinha

26 de janeiro de 2020
Produção Aline Prado
Parte integrante da Folha de [Link]. Nº 411. Não pode ser vendida separadamente. Foto Eduardo Knapp/Folhapress

TODO O MUNDO AQUI

Explore 200 lugares que contam a história de imigrantes antigos ou recém-chegados


à cidade e sua influência na gastronomia, nas artes e nos costumes paulistanos
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
FOTOS EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS

ÍNDICE

12 RAÍZES 60 VÁ NA FÉ
O Bom Retiro no centro da imigração Um giro pela diversidade religiosa da capital

16 A CIDADE DELES 64 MUDE O JOGO


Forasteiros e seus lugares favoritos Onde praticar curling, sumô e críquete

20 PAISAGEM ECLÉTICA 68 CARTILHA GRINGA


Mistura de estilos marca arquitetura Colégios de fora mantêm aqui suas tradições

22 IMPORTADOS 72 SALADA RUSSA


O Leste Europeu invadiu a zona leste
Compre o mundo sem pisar no aeroporto
74 NO RITMO DO BONGÔ
28 CAMINHO DAS ÍNDIAS Africanos ensinam danças de seu continente
Como encontrar ingredientes difíceis
76 APRENDIZ DE ESTRANGEIRO
32 COMIDINHAS 21 cursos com refugiados e imigrantes
Roteiro com 14 petiscos de todos os cantos
78 PROGRAME-SE
38 SEM SUSHI Feiras e eventos para se sentir em outro país
Gastronomia asiática supera o peixe cru
82 CRÔNICA
44 TURCO OU ÁRABE? Matthew Shirts declara seu amor pela cidade
As diferentes culinárias do Oriente Médio

46 TERRA NOSTRA
Pratos e temperos do norte ao sul da Itália

52 DOSES DE CULTURA
Drinques exóticos para pedir no balcão

54 DIRETO DA TORNEIRA
Cervejarias do exterior que produzem aqui

56 TERRITÓRIO NEUTRO
Novo bar palestino abre na Vila Madalena
KEINY ANDRADE/FOLHAPRESS

58 ALÔ, SOM
Tóquio inspira karaoke na República
DIVULGAÇÃO

Impressa nas oficinas da


Presidente Luiz Frias Diretor de Redação Sérgio Dávila Superintendentes Antonio Manuel Teixeira Mendes e Judith Brito Plural Editora e Gráfica.
Editora Heloísa Helvécia Assistentes de edição Danae Stephan, Débora Yuri, Juliana Vines e Lívia Sampaio Redação Carolina Moraes e Marília Miragaia Número 411. Encarte da edição
Editora de imagem Thea Severino Design Márcio Sampaio e Marciana Barros PUBLICIDADE Diretor Executivo Comercial Marcelo Benez de domingo da Folha de [Link],
Gerentes Gerais Hiram Baroli (operações comerciais), João Gabriel Junqueira (relações com o mercado) e Manuel Luiz (RJ) 26 de janeiro de 2020. Não pode
Gerente de Negócios Digitais Artur Siviero Gerente de Publicidade Revistas Manuela Nunes 11 3224-4546 [Link]@[Link] ser vendida separadamente.

6 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
APRESENTAM

Francio de Olanda/Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo/Divulgação

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Público lota a
Praça das Artes,
na abertura do
Festival Verão festival Verão
sem Censura
sem Censura
continua com
inúmeras
atrações até o
próximo dia 31

resistir
com o objetivo
de incentivar
a ocupação

é arte
cultural da
capital paulista
e combater a
repressão e o
preconceito

U
m ato de resistência pela potencializar as atividades cultu- ção inclui rodas de conversa, como
arte e pela liberdade de ex- rais em espaços públicos e ampliar o a sobre Carlos Marighella, um dos
pressão. Essa é a marca da acesso da população à cultura. principais organizadores da luta ar-
primeira edição do festival O cantor Arnaldo Antunes, que mada contra a ditadura militar, além
Verão sem Censura, que começou recentemente teve o clipe da música de filmes e peças teatrais.
no último dia 17 e continua até sexta “O Real Resiste” censurado em uma Destaque para o combo Pussy
(31/1), na capital paulista. TV estatal, abriu as atividades com Riot. Na quarta (29), haverá exibição
show na Praça das Artes. A canção do filme “Act and Punishment”, que
Com programação diversa, o cita milicianos, torturadores e ter- conta a trajetória do grupo russo, se-
evento promove produtos culturais raplanistas. “É com nossas pequenas guida de debate com as integrantes e
que foram alvo da censura no Brasil atitudes cotidianas que vamos de- lançamento do livro “Riot Days”, da
e em outros países. marcando o terreno de nossas liber- fundadora da banda Maria Alyokhina.
São cerca de 50 atrações entre dades”, celebrou. Na quinta (30), elas realizam show e
shows, exposições, peças teatrais, lei- A partir deste domingo, ainda dá depois comandam uma festa.
turas dramáticas, lançamentos literá- para aproveitar muito o festival. To- O Verão sem Censura termina
rios, performances, rodas de conver- das as atrações são gratuitas e ocor- na sexta (31) dando início ao Carna-
sa, exibições de filmes e festas. rem nas cinco regiões da cidade (veja val paulistano. Os tradicionais blo-
Realização da Prefeitura de São infográfico na página ao lado). cos Espetacular Charanga do Fran-
Paulo, o festival faz parte do princi- Além de visitar as exposições em ça, Tarado ni Você, com músicas de
pal projeto da Secretaria Municipal cartaz —de pôsteres de filmes retira- Caetano Veloso, e Minhoqueens,
de Cultura para o biênio 2019/20, o dos da sede da Ancine no Rio de Ja- com hits da música pop, abrem os
São Paulo Capital da Cultura, que neiro, de livros censurados ao longo trabalhos da folia que promete ser
tem entre seus eixos estratégicos da história e de fotos—, a programa- a maior do Brasil.
programação

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


CENTRO CULTURAL SÃO PAULO
R. Vergueiro, 1.000, Paraíso

QUARTA (29/1)
19h Exibição do longa metragem “Act and
Punishment”, de Yevgeni Mitta, sobre a
trajetória do grupo Pussy Riot
20h30 Debate com as integrantes da banda
Pussy Riot (distribuição de ingressos
2h antes)
21h Lançamento do livro “Riot Days”, de Maria
Alyokhina, fundadora do grupo Pussy Riot

QUINTA (30/1)
18h Jup do Bairro convida Bixarte
20h Show com Pussy Riot e participação

Fotos Divulgação
de Linn da Quebrada em frente ao CCSP, na
rua Vergueiro, 1.200. Em seguida, a banda
comanda uma festa

ATÉ SEXTA (31/1)


• Exposição fotográfica “Corrompidas”,
de Felipe Cama
• Exposição com cartazes THEATRO MUNICIPAL PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO
de filmes retirados da sede da Ancine Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, Centro (em frente ao Theatro Municipal)
• Instituto Temporário de pesquisa
sobre censura QUARTA (29/1) SEXTA (31/1)
20h Divinas Divas (show) 23h Cortejo com a Espetacular Charanga do
França
BIBLIOTECA MÁRIO DE ANDRADE SEXTA (31/1) 0h Festa com bloco Tarado Ni Você
R. da Consolação, 94, Centro 19h Roda Viva (teatro) 1h Bloco Minhoqueens

DOMINGO (26/1)
19h “Navalha na Carne Negra” (teatro) CENTRO DE CULTURAS VILA ITORORÓ
NEGRAS DO JABAQUARA R. Pedroso, 238, Bela Vista
TERÇA (28/1) R. Arsênio Tavolieri, 1, Jd. Oriental
19h Proibidas (leitura de autoras latino- DOMINGO (26/1)
americanas censuradas) – com integrantes DOMINGO (26/1) 20h Quando Quebra Queima –
da revista literária “Puñado” e as convidadas 16h Macacos – Cia do Sal (teatro) Coletiva Ocupação (teatro)
Hailey Kaas, Jéssica Balbino, Luciana Bento e
Vanessa Ferrari

QUARTA (29/1)
19h Marighella (conversa), com Mário
Magalhães e Maria Marighella

QUINTA (30/1)
19h Mulheres nos Anos de Chumbo (conversa), TEATRO FLÁVIO IMPÉRIO CENTRO CULTURAL
com Claudia Lage, Maria Valéria Rezende e Rua Prof. Alves Pedroso, 600, DA DIVERSIDADE
Maria Claudia Badan Ribeiro Cangaíba R. Lopes Neto, 206,
19h Calabar, o Elogio da Traição (leitura Itaim Bibi
dramática) QUARTA (29) e
QUINTA (30/1) DOMINGO (26/1)
ATÉ SEXTA 31/1 20h Lembro Todo Dia de Você – 19h Sombra – Teatro
• Banidos – exposição de livros censurados Núcleo Experimental (musical) da Pomba Gira
19h Calabar, o Elogio da Traição
(leitura dramática)

Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado


publicitário em todas as plataformas | [Link]
APRESENTAM

Mais de 800 desfiles

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


e vai rolar a Em 400 circuitos 861

festa
2020
Nas 32 subprefeituras da cidade
FOLIA SÓ CRESCE
Nº de desfiles por ano

490
2019
454
2018
391
355 2017
Mais de 790 blocos irão se 2016
273
apresentar durante o Carnaval 2015

de rua da cidade de São Paulo FARIA LIMA


[Link]
Alok (música

O
eletrônica)
maior Carnaval de todos os marcam o encerramento do festi-
tempos vai começar. Neste val Verão sem Censura, que abriu a
ano, São Paulo vai receber agenda 2020 da Secretaria Munici-
796 blocos e 861 desfiles de pal de Cultura.
rua, número recorde na história da A prefeitura elegeu cinco circui- 5 REGIÕES EM FESTA
festa na capital paulista. tos de grande porte, que receberão Em número de desfiles
A estimativa é que nada menos as maiores atrações: Lapa (Gastão Oeste 29%
do que 15 milhões de pessoas tomem Vidigal e Marquês de São Vicente); Centro 28,9%
as ruas da cidade entre 31 de janeiro Pinheiros (Berrini e Faria Lima); Sul 16,2%
e 1º de março, cerca de dois milhões Santo Amaro (Roque Petroni); Sé (Ti- Norte 13,5%
a mais do que no ano passado. Se- radentes, Consolação e República);
Leste 12,3%
rão 400 circuitos espalhados pelas Santana (Luis Dummont Villares) e
cinco regiões e uma diversidade de Vila Mariana (Ibirapuera).
ritmos para os mais variados públi-
cos —das tradicionais marchinhas
Entre as novidades deste ano
estão o tradicional bloco recifense 15
carnavalescas ao k-pop coreano. Galo da Madrugada e o DJ Alok. FEV
Para realizar um evento desse por- O encerramento, na Consola-
te, a prefeitura antecipou a organização ção, terá show de Daniela Mercury.
—em setembro de 2019 lançou o edital À frente do bloco Pipoca da Rainha, AQUECIMENTO
de patrocínio e abriu as inscrições para a cantora participa pelo quinto ano
GARANTIDO
os blocos interessados em participar. A seguido do Carnaval paulistano. "Já
segurança foi reforçada, e o número de é o maior Carnaval do Brasil. Espe-
ambulâncias para atender aos foliões tacular. Esperei a cidade se fortale-
foi ampliado. Ao todo, mais de 23 mil cer com bloquinhos e foi isso o que O Carnaval começa uma
colaboradores participam da operação. aconteceu. Fico muito honrada em semana antes em São Paulo.
Os festejos se iniciam ainda em ter acreditado nisso desde o come- No sábado (15/2) e no
janeiro, com um cortejo de três tra- ço", declarou a baiana. domingo (16), serão
dicionais blocos, Espetacular Cha-
ranga do França, Tarado ni Você
Durante a festa, a prefeitura tam-
bém vai realizar campanhas contra o 248 desfiles
e Minhoqueens, na sexta (31). Eles assédio sexual e a embriaguez ao vo-
saem da Praça Ramos de Azevedo lante, pelo uso de preservativo e pelo
(em frente ao Theatro Municipal) e manejo consciente do lixo.
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
LUIS DUMMONT
VILLARES (SANTANA)
[Link]
Bloco Quilombolab (com
participação de Emicida)
Er
n

na
Co
s t/ D
i v u lg aç ã o
IPIRANGA
COM SÃO
JOÃO AVENIDA TIRADENTES
[Link] [Link]
Tarado Bloco da Pabllo
ni Você [Link]
(homenageia Bloco Navio Pirata (de
Caetano) Salvador) + Baiana System Fo t
os
D

iv u
lga
çã o
IBIRAPUERA
[Link]
Monobloco
BERRINI [Link]
[Link] Galo da Madrugada
Banda Eva - Bloco (de Recife, pela 1ª vez
Beleza Rara em SP)

GRANDIOSO... … E SEGURO
Banheiro químico 20 mil Posto médico 128
Banheiro adaptado 2 mil Ambulância remoção 654 Informações atualizadas em 23/01.
Tapume metálico 6,5 mil Ambulância UTI 272 Sujeitas a alterações.

Cone e supercone 18,4 mil Bombeiro civil 1,4 mil Confira a programação completa no site
[Link]
Cavalete 52 mil Segurança 5,7 mil
Grade 42 mil Monitor de trânsito CET 5 mil

Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado


publicitário em todas as plataformas | [Link]
a imigração

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


passa por aqui
Marcado pela diversidade étnica, Bom Retiro recebeu
em um século pelo menos cinco ondas de estrangeiros

texto Bruno Lee


fotos Keiny Andrade

Contar a história do Bom Retiro e de como a que ligava Jundiaí a Santos, com uma para-
diversidade étnica se tornou a principal mar- da em São Paulo, numa versão do que é ho-
ca desse pedaço da região central da capital je a estação da Luz. A rota, por um lado,
é recordar a industrialização e a urbanização facilitava a chegada à cidade dos imigrantes
de São Paulo e também rememorar guerras, que desciam no porto e, por outro, incenti-
revoluções e crises econômicas mundo afo- vava a instalação de fábricas em terrenos
ra. Tudo pela ótica dos grandes afetados por vizinhos à linha ferroviária, na capital. No
esses acontecimentos: os imigrantes. estudo “A Indústria no Estado de São Paulo
As três trajetórias —do bairro, da cidade em 1901”, Antonio Francisco Bandeira Jr.
e dos estrangeiros— se cruzam no fim do relata que, já em 1884, funcionavam no Bom
século 19. O ciclo do café pode ser o ponto Retiro uma tecelagem e diversas olarias.
de partida. Em 1850, 40% da produção mun- “Quando os imigrantes não estavam des-
dial do fruto saía do Brasil, segundo o Mi- tinados a trabalhar em alguma fazenda,
nistério da Agricultura. O dinheiro vindo da acabavam ficando perto da estação, um dos
venda das sacas ajudaria a fomentar o nas- primeiros lugares que encontraram no Bra-
cimento da indústria paulista, inicialmente sil”, conta a antropóloga Simone Toji, do
nos bairros Bom Retiro, Brás e Mooca. Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Um dos barões do café, Joaquim Egídio Artístico Nacional). Ela participou de um
de Sousa Aranha, o marquês de Três Rios, projeto da instituição que visava preservar
natural de Campinas, era proprietário de a história e a cultura do Bom Retiro.
uma fazenda na capital, a chácara Bom Re- A vinda em massa dos italianos se deu do
tiro, usada para o lazer de sua família. final do século 19 à década de 1930, de acor-
Isso até 1880, quando ele decide lotear a do com Simone. Eles chegavam para suprir
fazenda, de olho nos ganhos com a venda a falta de mão de obra (a escravidão foi abo-
de terrenos para a construção de casas aos lida por aqui em 1888), num contexto que
trabalhadores da indústria —contingente inclui a conturbada unificação da Itália,
formado, em sua maioria, pelo primeiro ma- processo que se estendeu até 1870. Ainda
ciço grupo de imigrantes a chegar a São Pau- hoje, a comunidade dá nome a uma rua do
lo e, portanto, a se estabelecer no Bom Reti- Bom Retiro (rua dos Italianos). Segundo o
ro: os italianos. É o grande pontapé para o Arquivo Histórico Municipal de São Paulo,
surgimento do desenho atual do bairro. até 1916, essa via era habitada quase exclu-
As vontades do marquês de Três Rios po- sivamente por membros dessa comunidade.
dem ser explicadas pelas mudanças ocorri- De acordo com levantamento de 1893 da
das na cidade (e também no país) no movi- Repartição de Estatística e Arquivo do Esta-
mentado período que vai de 1850 a 1890. do, a cidade tinha, na época, 130 mil habi-
Em 1867, é inaugurada a linha de trem tantes, sendo mais da metade (54,6%)

12 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
estrangeiros, escreve Roberto Pompeu de
Acima, esquina
Toledo em seu clássico “A Capital da Vertigem
das ruas Correia
de Melo e Três - Uma História de São Paulo de 1900 a 1954”.
Rios, no Bom Nos anos seguintes a esse censo, outros
Retiro; ao lado, grupos chegariam ao estado, à cidade e ao
fachada do bairro. Na década de 1910, segundo Odair
Centro Cultural da Cruz Paiva, professor do departamento
Hallyu, que de história da Unifesp (Universidade Federal
promove a de São Paulo) e doutor em história social, foi
cultura coreana,
na rua Guarani,
a vez dos japoneses, em menor número, des-
no mesmo bairro tinados a colonizar o Vale do Ribeira (litoral
Sul de São Paulo), e de sírios e libaneses, que
exerciam a atividade de mascate e se fixaram
no Bom Retiro, entre outras áreas.
Em meados dessa mesma década, o bair-
ro crescia, abrigando, além de indústrias,
pequenos empreendimentos, como padarias,
lojas de calçados e fábricas de macarrão.
O microcosmo de 4 km² da região (sua área
atual), então, sentiria o abalo causado por
duas guerras mundiais e uma revolução. 5

┆ ┆ ┆ 13
ricas eram os Estados Unidos e a Argentina
(na época, Buenos Aires era uma cidade mais

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


desenvolvida). Aqueles que vieram a São
Paulo acabaram se estabelecendo no Bom
Retiro por causa dos terrenos baratos —afi-
nal, era um bairro operário e central.
Hoje, as marcas desses imigrantes na re-
gião vão além das sinagogas e dos nomes de
algumas ruas. Eles são responsáveis, conta
Simone, do Iphan, por inaugurar na área o
modelo de produção de roupas em pequenas
unidades, sistema que seria levado à frente
pelos coreanos, a partir dos anos 1960.
Em 1934, o cenário nesse pedaço do cen-
tro era o seguinte, segundo um censo esta-
dual: um terço da população era formada
por italianos e a eles se uniam portugueses,
espanhóis, alemães, austríacos, húngaros,
russos, japoneses e sírios. Os dados estão no
artigo “Etnias em Convívio: o Bairro do Bom
Retiro em São Paulo” (2001), de Oswaldo
Truzzi, doutor em ciências sociais pela Uni-
versidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Nesse ponto, é possível pular algumas
décadas e chegar ao próximo grande movi-
mento migratório, o dos coreanos, nos anos
1960. Com as suas confecções, hoje eles são
a cara da área. Segundo a Câmara dos Diri-
gentes Lojistas, 80% das 2.500 empresas do
Bom Retiro são comandadas pelos orientais.
O êxodo dos asiáticos tem dois motivos:
a guerra (1950-1953) que dividiu a penínsu-
la e o período ditatorial dos anos seguintes.
Ainda assim, definir o Bom Retiro como
coreano é “reduzir o bairro”, afirma Benja-
min Seroussi, diretor da Casa do Povo, cen-
tro cultural fundado por judeus progressis-
tas nos anos 1950. Nascido na França e mo-
rador do Brasil há 15 anos, ele diz que é
nesse pedaço da cidade onde se “sente me-
A Primeira Guerra (1914-1918) seria a res- nos estrangeiro”. “É um dos bairros mais
Fachada de
ponsável pela chegada à cidade, a partir de cosmopolitas da cidade. Você ouve duas ou
restaurante
coreano na rua 1920, de mais europeus, do norte, do leste e três línguas sem mudar de calçada”, diz.
Guarani, no Bom do centro (alemães, poloneses, austríacos e Uma delas é o espanhol, com um sotaque
Retiro, região outros). A eles se somavam os russos, que latino-americano. Bolivianos, em maior nú-
central de SP escapavam da queda da monarquia no país mero, começaram a chegar à região, em uma
e da tomada do poder pelos bolcheviques. nova onda, a partir dos anos 1980, para tra-
Entre esses imigrantes, muitos eram judeus. balhar em oficinas de costura, na maior
Com a ascensão de Hitler, em 1933, e a parte dos casos em condições precárias. Ho-
Segunda Guerra (1939-1945), o fluxo dessa je, alguns são donos de suas próprias con-
comunidade para o Brasil só aumentaria. fecções e “estão se dando muito bem”, con-
Segundo o professor Odair, da Unifesp, ta a designer Rosana Camacho, presidente
os destinos prioritários para judeus nas Amé- da Associação de Residentes Bolivianos. *

14 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
PASSEIO
PELO BAIRRO

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Pho 366
Ok, você está no Bom
Retiro, bairro com ofer-
ta gigantesca de comi-
da coreana e do Oriente
Médio. Mas a região
também abriga uma
casa de gastronomia
vietnamita, ainda pou-
co presente na cidade.
Que tal? No Pho 366, o
destaque é, bem, o pho
(algo como um lámen
do Sudeste Asiático
que leva macarrão feito
com arroz). A versão
mais tradicional, com
fatias de peito bovino,
sai por R$ 45 (tamanho
médio, suficiente para
alimentar a maior parte
dos seres humanos).
@ R. Silva Pinto, 366, tel. 3807-
6141. Seg. a qui.: 11h30 às 15h
e 17h30 às 20h. Sex.: 11h30 às
15h e 17h30 às 21h. Sáb.: 11h30
às 16h e 17h30 às 21h.

Café Bonavinte
Coreanos são obceca-
dos por cafés —tanto
pela bebida quanto
pelos espaços, ou seja,
pelo ritual de sentar
e deixar o tempo passar.
No bairro, a comunida-
de abriu vários deles.
No Bonavinte, dá para
descansar do caos da
rua e tomar um expres-
so (R$ 5) ou um latte de
flor de cerejeira (R$ 18).
@ R. Três Rios, 245, Bom Retiro,
tel. 3326-7257. Seg. a sáb.: 7h30
às 20h30.

100 m Supermercado
Restaurante
Pho 366 Otugui
r. Trê Família judaica Reserve algumas horas
s R io s Café na esquina
to para “perder” no Otu-
va Pin Bonavinte
das ruas Prates gui, especializado em
il
r. S Supermercado e Guarani, produtos da Coreia.
Otugui no Bom Retiro Há seções dedicadas ao
r. J

macarrão instantâneo
sé o

(uma das favoritas


Pa

BOM RETIRO entre os coreanos), be-


ulin

r. Rib
al.

e iro de bidas (a garrafa de soju,


D

Lima
i no

destilado típico, sai por


Bu

R$ 19,50) e salgadinhos.
en

@ R. Três Rios, 251, tel. 3326-


o

1419. Seg. a sex.: 8h às 20h. Sáb.:


@ REGIãO CEntRAL @ zOnA SuL @ zOnA nORtE @ zOnA OEStE @ zOnA LEStE 8h às 19h30. Dom.: 8h às 15h.

┆ ┆ ┆ 15
PORONDE

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Imigrantes contam por que escolheram São Paulo

texto Carolina Muniz


fotos Eduardo Knapp
produção Aline Prado

Maria Gudelova, 34, Acostumado com o frio da Bulgária, Spas se


e Spas Karabelov, 37, encantou com o verão paulistano e com a na-
tureza do parque Ibirapuera quando esteve
na cidade a negócios em 2010. Isso influenci-
ou para que, seis anos depois, ele aceitasse a
proposta de uma empresa para ser gerente
de tecnologia da informação aqui.
“Vi que brasileiros e búlgaros são muito pa-
recidos: amigáveis e trabalhadores.” Consul-
tora na mesma área, sua esposa, Maria, o
acompanhou na mudança. E, em São Paulo,
nasceram Boris, 3, e Sofia, 1.
Aos sábados, o programa favorito da famí-
lia é comer pastel e tomar caldo de cana na
Julius Oni, 69,
Foi um golpe de Estado que motivou Julius a
deixar a sua terra, em 1975. O Brasil chamou
a sua atenção pela proximidade com a cultu-
ra africana. Ele chegou primeiro ao Rio e, em
1978, se mudou para a capital paulista, ao ser
aprovado em psicologia na USP. Deixou o cur-
so um ano antes de conclui-lo, para trabalhar
como professor de inglês.
Uma surpresa foi ter que enfrentar o racis-
mo aqui. “Como o Brasil tem uma grande popu-
lação negra, achei que me sentiria em casa,
mas não foi o que aconteceu.”
Ele conta que passou por inúmeras situa-
ções de discriminação, desde alunos que saí-
ram da sala ao ver um professor negro até gar-
çons que se recusaram a servi-lo.
O que mais gosta em São Paulo são os ami-
gos que fez aqui. “Como trabalho de domingo
a domingo, sobra pouco tempo para sair”, diz
ele, que mora no Campo Limpo.
Costuma ir aos restaurantes Coco Bambu e
Outback, no shopping Market Place, e Brau-
garten, na Berrini. Seu lugar preferido é a ave-
nida Paulista, por causa das livrarias Cultu-
ra e Martins Fontes.

16 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
elesandam

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


para viver e quais são os seus lugares preferidos na cidade

feira da rua diogo Jacome e depois ir cami- Christina Kirby, 26,


nhando até o Ibirapuera. Também costumam
passear no Jardim Botânico e no parque “Muita gente me pergunta o que eu estou fa-
alfredo Volpi. zendo aqui. O que mais gosto no Brasil são os
Antes dos filhos, o casal ia com frequência brasileiros, em geral pessoas muito alegres e
à sala são paulo para assistir a apresenta- acolhedoras”, diz Christina, que mora há dois
ções de orquestras, algo menos acessível na anos em São Paulo. A americana se apaixo-
Europa, pelo preço e pela dificuldade de con- nou pelo país em 2015, de férias. Decidiu mo-
seguir ingressos, dizem eles. rar aqui durante seis meses em 2016, antes de
Recentemente, os dois conheceram os res- fazer seu mestrado em neurociência e educa-
taurantes d.o.m. e mocotó. “Agora que nós ção em Harvard.
estamos mais acostumados à culinária daqui, Conseguiu uma bolsa para voltar ao Brasil
tivemos a oportunidade de apreciar melhor a e trabalhar no escritório da universidade em
qualidade desses lugares”, afirma Spas. São Paulo, com projetos ligados à primeira
infância. Com o fim da bolsa, passou a atuar
na mesma área em uma fundação.
Moradora de Santa Cecília, Christina vai
todos os fins de semana passear no minhocão.
Para ler e relaxar, prefere os parques da Água
Branca e Buenos aires. Amante de música
brasileira, ela costuma ver shows gratuitos no
sesc pompeia ou onde eles aparecerem. “São
Paulo é a cidade com maior oferta cultural que
conheço.” 5

┆ ┆ ┆ 17
Chun Do Myung, 60,

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Chun Do Myung chegou a São Paulo em 1971, aos
12 anos de idade, trazido pelos pais. “Na época,
a Coreia era muito pobre. Aqui parecia o paraíso
para mim. Tinha chocolate e sorvete, regalias a
que só a classe alta tinha acesso lá.”
Em 1987, formou-se em medicina pela Santa
Casa, onde conheceu sua mulher, também core-
ana, com quem teve quatro filhos. Durante sete
anos, os dois trabalharam como médicos volun-
tários no Nordeste.
Lá, Chun virou Jairo, nome bíblico escolhido
por ele para facilitar a comunicação com os pa-
cientes —e que usa até hoje. Religioso, em 2002,
abdicou da medicina para se tornar pastor na
Igreja Presbiterana Unida Coreana de São Paulo,
no Bom Retiro, bairro com forte presença de imi-
grantes do país asiático.
A região é uma das preferidas do pastor para
comer na cidade. Ele indica as casas na rua Cor-
reia de Melo, em especial o restaurante Dare.
Seus pratos favoritos são o bulgogui, churrasco
adocicado, e o kimchi, acelga fermentada. Perto
dali, ele também recomenda padarias e cafete-
rias coreanas como a Fresh Cake Factory,
a Bellapan Bakery e a Um Coffee Co.
Morador da Vila Mariana, frequenta o parque
Ibirapuera, onde caminha com a mulher. Seu
programa favorito é ir ao cinema com os filhos. A
sala mais frequentada pela família é a do shop-
ping Cidade São Paulo, na avenida Paulista.

Yamam Saad, 30,


Depois que a guerra civil começou na Síria, em 2011, Yamam viu quase todos os seus ami-
gos deixarem o país. Um deles veio para São Paulo e, em 2016, ela aceitou o seu convite
para tentar a vida no Brasil. Arqueóloga no Museu Nacional de Damasco, aqui, Yamam se
tornou professora de árabe. Hoje, ela mora na Vila Mariana, mas está de mudança para o
Paraíso. Seu lugar preferido é a avenida Paulista, principalmente aos domingos, quando
a via fica fechada aos carros. Além do Ibirapuera, onde costuma correr, ela também re-
comenda o parque da Cantareira —em especial a trilha que leva à Pedra Grande, de on-
de dá para ver a cidade do alto.
O que mais gosta na capital paulista é diversidade gastronômica, algo não encontrava
em Damasco. Aqui ela fez uma grande descoberta: o sistema de rodízio. Seus restauran-
tes preferidos são o japonês Koji Sushi e a churrascaria Boi Preto. “Só tem comida boa,
engordei muito desde que cheguei.”

18 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Nelly Burgoa, 52,
Aos 19 anos, Nelly veio a São Paulo visitar seus

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


três irmãos que já moravam aqui. Uma amiga a
convenceu a fazer um curso técnico em ótica e,
logo, ela arrumou um estágio na área. Resolveu,
então, ficar no Brasil.
Por dez anos, foi funcionária de uma rede de
óticas, até o dia em que seu patrão não quis lhe
pagar a comissão por ter sido a melhor vendedo-
ra. “Ele disse que eu não tinha o direito de recla-
mar porque era estrangeira.”
Com a ajuda de um médico e de seus irmãos,
abriu sua própria ótica, em Santana, bairro onde
mora. Há um ano, inaugurou uma unidade na rua
Bresser, onde atende principalmente imigrantes
latino-americanos.
Para mostrar as raízes do seu país a seus dois
filhos e três netos, Nelly costuma ir aos domin-
gos à feira na praça Kantuta, que reúne a comu-
nidade boliviana no Canindé. Ali, gosta de assis-
tir a danças típicas e comer o plato paceño, recei-
ta que leva milho, favas, batata e queijo.
Para um passeio em família, ela também re-
comenda o Sesc Avenida Paulista, que “tem
um mirador hermoso, um restaurante agradável
e espaço infantil”.
Adepta de um estilo de vida saudável, a em-
presária pratica corrida no parque Ibirapuera e
na avenida Braz Leme, na zona norte. Seu res-
taurante preferido é o Cachoeira Natural, bufê
com variedade de saladas, no Itaim Bibi. *

AONDE Ir
Bellapan Bakery, r. Prates, 563; Boi Preto, [Link];
Braugarten, [Link]; Cachoeira Natural, [Link]; Cida-
de São Paulo, [Link]; Coco Bambu, [Link]; Um
Coffee Co., [Link]; Dare, r. Correia de Melo, 54; D.O.M., r. Barão de
Capanema, 549; Fresh Cake Factory, r. Prates, 599; Jardim Botânico,
av. Miguel Stéfano, 3.687; Kantuta, r. Pedro Vicente, s/nº, Canindé; Koji Sushi,
[Link]; Livraria Cultura, [Link]; Martins Fontes,
av. Paulista, 509; Market Place, [Link]/marketplace; Mocotó,
[Link]; Outback, [Link]; parque Alfredo Volpi, av. Eng.
Oscar Americano, 480; parque Buenos Aires, av. Angélica, 1.500; parque da
Água Branca, av. Francisco Matarazzo, 455; parque Estadual da Cantareira
Núcleo Pedra Grande, r. do Horto, 1.799; parque Ibirapuera, parqueibirapue-
[Link]; Sala São Paulo, [Link]; Sesc, [Link]

┆ ┆ ┆ 19
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
KEINY ANDRADE/FOLHAPRESS
Parque savoia, vila encomendada pelo polonês salvador Markowicz na Barra Funda

salada de estilos
Parque
Residencial savoia
Essa vila na Barra Funda
mostra que o ecletismo
não era reservado só aos
monumentos. Foi erguida
Mistura de elementos importados de várias culturas e em 1939 pelo engenheiro
Arnaldo Maia Lello, por
épocas domina construções erguidas no início do século 20 encomenda do polonês
Salvador Markowicz, que
ali instalou a família. Os
Francesca Angiolillo ares e o nome italianos são
homenagem à mulher de
Markowicz, que vinha de
Turim, terra dos Savoias.
Se São Paulo se vende e é vista como uma urbano que se incrementava.
@ R. Vitorino Carmilo, 453,
metrópole cosmopolita, não é à toa. As estradas de ferro também contribuíram Barra Funda.
Enquanto as capitais do litoral, como Sal- para trazer a São Paulo, como a outras cida-
vador e Rio de Janeiro, cresceram como cen- des distantes da costa, novidades da Europa. Museu Paulista
tros do poder ao longo da Colônia e do Impé- Essas não se limitavam a transportar em Por ora só pode ser visto
de fora. Mesmo assim, do
rio, é só a partir da segunda metade do sé- baús de Paris figurinos para a alta socieda- Parque da Independência
culo 19 que São Paulo começa a ser pujante. de; as cargas incluíam maquinário para a é possível apreciar carac-
O período coincide com a chegada de imi- lavoura e a indústria —e também elementos terísticas claras do estilo
grantes europeus. O fim do tráfico negreiro, estruturais e decorativos para construir os eclético, como a simetria
da fachada, com elementos
em 1850, e a abolição da escravatura, em salões onde as classes elegantes se exibiam. neoclássicos: as colunas e
1888, ocasionaram a entrada em cena de Esse momento particular em que se com- o frontão. Inaugurado em
trabalhadores estrangeiros. Primeiro, na binam excedente econômico e elementos 7 de setembro de 1895,
deve ser reaberto na mes-
lavoura do café, principal produto da eco- importados tem, na arquitetura, um reflexo
ma data, em 2022.
nomia nacional então; depois, na nascente claro, que se impõe ao longo das duas pri- @ Parque da independência-
indústria que surgia para atender o público meiras décadas do século 20. Av. Nazaré, s/nº, Ipiranga.

20 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Palacete Rosa
a cor da fachada deu
o apelido ao casarão cons-

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


truído, entre 1928 e 1935,
por David Jafet, membro
de uma família libanesa
que fez fortuna no ramo
têxtil e dominou a região
com 22 palacetes —esse
foi o único a trazer para
a arquitetura as origens
do proprietário. Não está
aberto à visitação, mas
do exterior é possível se
deslumbrar com detalhes
dessa fantasia mourisca,
que incluem uma torrezinha
ao estilo de um minarete.
@ R. Bom Pastor, esquina
com a r. Patriotas, Ipiranga.

Casa da Boia
raro caso de imóvel
comercial que manteve
sua vocação. Desde 1909,
quando foi inaugurada,
vende materiais hidráulicos.
sua fachada é enfeitada
com elementos mitológicos
e conta com gradis de ferro
fundido com traços art nou- Julia Cristofi/folhapress
Palacete Rosa, construído por David Jafet, membro de família libanesa
veau. tanto rebuscamento
não era apenas para atrair
fregueses interessados
em sifões. a família do
imigrante sírio de origem
armênia rizkallah Jorge O fausto da época se traduz em fachadas Somam-se aos elementos historicistas,
tahan habitava o sobrado, elaboradas, ornadas com elementos varia- vindos de arquiteturas do passado —do pe-
ficando o térreo reservado dos. Uns parecem vir de templos gregos; ríodo clássico, do gótico, da corte francesa
ao comércio. a casa tem
visitas guiadas periódicas. outros, de palácios renascentistas. dos Luíses—, outros, identificados com di-
@ R. Florêncio de Abreu, 119, O estilo conhecido como eclético abarca ferentes nacionalidades, por engenho dos
centro. quase tudo que enche os olhos de quem vi- mestres de obras estrangeiros ou por enco-
sita monumentos da cidade —exemplos no- menda de imigrantes enriquecidos.
Theatro táveis são o Museu Paulista, de 1895, e o Arcos em ferradura típicos da arquitetura
Municipal
estátuas, cariátides,
Theatro Municipal, inaugurado em 1911. árabe e as decorações em estuque de ar tos-
mármores, colunas, vitrais, A palavra “eclético”, empregada comu- cano, as travas de madeira que compõem as
uma cúpula imponente. mente para definir uma mistura variada, casas normandas e, por que não, os elemen-
o impressionante theatro
Municipal, construído entre
vem do grego “eklektikos”, que significa tos do neocolonial brasileiro, numa tentati-
1903 e 1911, tem seu mode- “que escolhe”. Esse é o espírito do ecletismo va de resgate de identidade, vão, assim,
lo, como outros da época, em arquitetura: escolher o melhor e o mais passando a integrar a paisagem paulistana.
na Ópera de paris. seu
criador, ramos de azevedo
verdadeiro de diferentes estilos e reuni-los Os primeiros ventos modernistas, que
(1851-1928) —que, no Mu- de forma harmoniosa. sopraram a partir do fim dos anos 1920, não
nicipal, teve a colaboração Ora, se o que se juntava era o melhor daqui varreram tão rapidamente o gosto eclético.
dos italianos Claudio rossi
e Domiziano rossi—,
e dali, tal resultado não poderia ser senão Porém, com o passar do tempo, considerado
foi um dos expoentes do ótimo —esse era o suposto. Seria, contudo, impuro —visto não como “um período na
ecletismo, assinando vários verdadeiro? história, mas um hiato nessa história”, nas
monumentos no estilo,
como a pinacoteca (restau-
O estilo eclético pode ser visto como uma palavras de Lucio Costa—, o ecletismo per-
rada por paulo Mendes da espécie de fantasia arquitetônica. Essa ca- deu muitos exemplares para as marretas.
rocha e eduardo Colonelli), racterística se fortalece quando, aos poucos, Exemplo são todos os casarões que vieram
o Mercado Municipal ele migra da escala dos grandes prédios pú-
e o palácio da Justiça.
abaixo na avenida Paulista.
@ Pça. Ramos de Azevedo, s/nº,
blicos —teatros, fóruns, mercados— para as Coisas belas, porém, ainda persistem como
República. construções residenciais. registro desse período formativo da cidade. *

┆ ┆ ┆ 21
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
isso não é um suvenir
Onde encontrar enfeites, tecidos e acessórios dos quatro cantos do mundo
fotos Eduardo Knapp
produção Juliana Pikel

4
2

3
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
7

1. Cúpula de abajur
feita de fibra
de bambu de Bali
(21 cm x 35 cm),
R$ 780 na Bali
6 Express
2. Almofada de
algodão da Índia,
R$ 205,50
(45 cm de diâmetro)
na Espaço Til
3. Leque de
bambu e papel
do Japão, R$ 20
(38 cm x24,5 cm)
na Tenmanya
4. Matrioska de
madeira da Rússia,
R$ 540 (7 peças)
na Boneca Russa
5. Tapete de algo-
dão indiano, R$ 459
(90 cm x 150 cm)
na Souq
6. Girafa de fibra
natural de Bangla-
desh, R$ 49,90
(30 cm x 34 cm)
na Tok & Stok
7. Lustre de con-
5 chas da Indonésia,
R$ 40 (17 cm de
diâmetro) na
Chavin Bijouterias
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
2
1
6
1. Chapéu de fibra
vegetal e bambu
da Tailândia,
R$ 125 (26 cm x
3 33 cm de diâmetro)
na Katmandu
2. Vaso de plástico
do Japão, R$ 190
(2 peças de 10,5 cm)
na Shin
3. Quadrinho de
metal da Bolívia, do
xamã Inti Roman,
R$ 15 (15 cm x 15 cm)
na Feira Kantuta
4. Xícara de chá de
porcelana da Itália,
5 design de Stefania
7 Vasques, R$ 241 na
Marchè Art de Vie
5. Colar de alpaca
e resina da Índia,
R$ 153,60 na
Espaço Til
6. Buda de
madeira árvore
da chuva
4 da Indonésia,
R$ 220 (15 cm)
na Katmandu
7. Travessa de
cerâmica do
México, R$ 150
8 (13 cm x 8,5 cm)
no Varal Ateliê
8. Tecido africano
capulana, a partir
de R$ 25 o metro
na Kuavi
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
1

1. Bandeira
de orações de
poliéster do
Tibet, R$ 18
3 (130 cm) na Geeta
Artigos Indianos
2. Marionete
de cerâmica
2 e madeira da
República Tcheca,
do artesão Truhlar,
R$ 260 (16,6 cm)
na Brinquedos
do Mundo
3. Leque
decorativo de
palha do Vietnã,
R$ 259 (38 cm)
na Souq
4. Manta
de lã boliviana,
R$ 35 na Jean
Pierre Arte Bijoux
4 5. Taça de
champanhe de
5 vidro da Polônia,
6 R$ 39,99 cada
uma na Camicado
6. Minicactus,
R$ 10 na Uemura
7 Plantas
7. Bolsa de
algodão
8 do Paquistão,
R$ 39 (24 x 15 cm)
na Katmandu
8. Sardinha
portuguesa, design
de Filipa Oliveira
para a Bordallo
Pinheiro, R$ 187
(18,5 cm) na
Vista Alegre

OndE EnCOnTRAR
BaliExpress,[Link],863,tel.3062-6061;BonecaRussa, r. 25 de Março, 509, tel. 3322-1900; Kuavi, tel. 98556-2338, @kuavi_africa;
[Link]únior,1.089(MorumbiShopping),tel.(48)99669-0707; Marchè Art de Vie, al. Gabriel Monteiro da Silva, tel. 3853-9761; Shin Produtos
BrinquedosdoMundo,tel.98246-8512,[Link];Camicado, do Japão, av. Paulista, 52 (Japan House), tel. 3090-8900; Souq, tel. 3152-6800,
tel.3266-4146,[Link];ChavinBijouterias,r.25demarço,641,sala507, [Link]; Tenmanya, r. dos Estudantes, 19, tel. 3277-3040; Tok & Stok,
tel.3326-2247;EspaçoTil,[Link],1.257,tel.3885-9917; Geeta Artigos tel. 3583-4700, [Link]; Uemura Plantas, r. Baumann, 963,
Indianos, r. Mourato Coelho, 981, tel. 3097-0558; Inti Roman, tel. 99406-1687; tel. 3641-7940; Varal Ateliê, tel. 98398-5080, [Link]; Vista Alegre,
Jean Pierre Arte Bijoux, r. 25 de Março, 641, sala 307, tel. 3228-1402; Katmandu, tel. 3085-3161, [Link]

26 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
3
1 2

8
9

AgRAdECimEnToS: RiTz LoCAção dE mATERiAiS pARA FESTA; KATmAndu dECoRAção ÉTniCA

1. nigela, R$ 12,45
Yotam Ottolenghi está na moda faz década. ma da viagem ou da comida exótica, da Itá-
(50 g) na Saddi
Os best-sellers do cozinheiro israelense e lia, França ou Espanha inclusive —muito Center
dono de restaurante em Londres foram tra- sabor europeu ocidental é na verdade des- 2. curry, ou caril,
duzidos no Brasil (“Jerusalém” e “Comida conhecido por aqui. R$ 18,50 (2 g) na
de Verdade”). Muitos de seus ingredientes Não dá para achar as bérberis do Ottolen- Casa Santa Luzia
não viajaram com seus livros de receitas, ghi, mas tem folhas de curry (árvore indiana, 3. pac-shoy, ou
que têm listas quase cômicas de estranhezas não a mistura de temperos) e de lima-kaffir chingensai, R$ 10
impossíveis. Mas vários deles imigraram (fruta cítrica do sudeste da Ásia). Secas, (5 maços) no Towa
4. sumac, ou
para São Paulo, sim. tudo bem, mas dão um gostinho. Nigela sumagre, R$ 15
Batendo perna ou pedindo pela loja on- (cominho preto ou, em árabe, “habet (50 g) no Tio Ali
line que entrega na cidade, dá para arrumar baraki”)? Na Bombay ou na Saddi a gente Empório Árabe
ingredientes que fazem a gente sentir o aro- acha essas coisas e miski, resina vegetal 5. lima-kaffir,

28 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
exóticos por vezes significa forçar a amizade
com a natureza, o que não raro dá em pro-

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


duto de gosto fraco, caro ou mantido vivo
apenas com drogas pesadas (agrotóxicos).
Mas dá para sentir por aqui certos perfu-
mes de outras terras, não sua adaptação sem
graça. Macarrão “all’Amatriciana” ou “alla
carbonara” são receitas simples, mas não
terão fumaça de aroma semelhante ao ori-
ginal se não forem feitas com guanciale,
a papada do porco curada (tem no Santa
Luzia). Se quiser curar em casa (dicas na
internet), é possível achar a papada fresca
no Porco Feliz, no Mercadão Municipal.
Já que está por ali, compre bochecha de

Em busca do
porco para fazer um prato comum na Espa-
nha, a “carrillada” ou “carrillera”, um cozi-
do com vinho, legumes e ervas que perfuma
a casa nas suas horas no fogo. Quase em

ingrEdiEntE frente está o Pascale, com miúdos de porco


procurados pela comunidade chinesa (com
letreiros também em chinês), entre outras.

impossívEl
Ali também tem “crépine” (renda), uma
película transparente raiada de gordura, teia
que envolve órgãos dos bichos e que serve
para recobrir terrines e outros preparados
de carne. Assim, ficam mais úmidos e com
Da vizinha Bolívia ao distante um ligeiro aroma selvagem, que a gente sen-
Sudeste Asiático, chega por aqui te no patezão francês “roots”.
Um sabor essencial e mais raro dos “cin-
todo tipo de tempero e especiaria; co perfumes”, tempero de certa culinária
saiba onde encontrá-los chinesa, é a pimenta de Sichuan (junto de
anis-estrelado, cravo, canela e semente de
funcho), um gosto e cheiro do outro mundo
texto Vinicius Torres Freire
(azedo e picante anestésicos). Entre outras
fotos Eduardo Knapp
especiarias, tem no Towa, na Liberdade. Pak
produção Danae Stephan e Larissa Januário
choi, “acelga chinesa”? Tem lá no Towa, no
Varejão da Ceagesp e no Santa Luzia, onde
se acham também “cavolo nero” (couve
toscana) e outras couves da moda.
No Varejão da Ceagesp dá para encontrar
R$ 12,30 (2 g)
empedrada para aromatizar doces e bolos algumas das pimentas mais mortíferas do
na Bombay
6. pimenta de do Líbano ou da Grécia. mundo, mas ali não tem a picância suave
sichuan, R$ 81 Lentilha beluga (feijão-da-china, prima e perfumada do aji seco (amarelo ou verme-
(36 g) na Casa do moyashi), para receitas do sul da Ásia, lho) do Peru e da Bolívia. Mas você encontra
Santa Luzia tem na Casa Santa Luzia. Favas de verdade ajis na feira Kantuta ou na rua Coimbra,
7. miski, R$ 7 (5 g) (não o feijão), de tanta receita mediterrânea, a capital da Bolívia no Brás (leve também
na Saddi Center tem na zona cerealista. milho azul, vermelho, quinoas de outras
8. melaço de romã,
A ironia é que Ottolenghi promove a co- cores e batatas desidratadas).
R$ 30 (260 ml)
no Tio Ali zinha com ingredientes frescos e locais, com Apesar da crise e do dólar caro, muito
9. açúcar muita verdura, legumes e grãos. Logo, mui- produto de outro mundo ainda viaja para
de palma, R$ 18 tas de suas receitas não viajam bem, como São Paulo. A gente precisa viajar pela cidade
(454 g) no Towa tantas outras comidas. Cultivar ingredientes para conhecer. 5

┆ ┆ ┆ 29
1. Fava branca,
R$ 13,20 (1 kg) no
Empório Natural Foods;

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


1
2. Ruibarbo, R$ 14,50
(250 g) na Casa Santa
Luzia; 3. Crépine,
R$ 37,80 (1,5 kg) no box
Nastari; 4. Lentilha
beluga, R$ 28,30 (500
g) na Casa Santa Luzia;
5. Couve kale, R$ 6
(maço) na Ceagesp; 7
6. Guanciale, ou
bochecha de porco,
3
curada, R$ 64 (1 kg)
na Casa Santa Luzia
2

4 9
7. Maíz morado, R$ 5 cada
6 espiga na feira Kantuta;
8. Batata boliviana,
R$ 15 (1 kg) na rua Coimbra;
9. Batata desidratada,
R$ 20 (1 kg) na rua
Coimbra; 10. Milho crioulo
5
azul, R$ 15 (1 kg); na rua
Coimbra; 11. Batatas 12
doces roxa e laranja, R$ 15
(1 kg) na Ceagesp;
12. Pimenta-aji
amarela, R$ 5 (50 g) na
feira Kantuta ; 13. Milho
crioulo vermelho,
R$ 15 (1 kg) na rua Coimbra

oNdE ENCoNTRaR
Bombay Feira Kantuta Nastari
A marca é especializada em ervas, especiarias e O encontro dominical da comunidade boliviana A casa de carnes está aberta desde 1933 e é especiali-
pimentas, com mais de 500 produtos no catálogo. acontece há 18 anos. Lá, há itens como as empa- zada em miúdos bovinos e suínos.
@ Al. Ministro Rocha Azevedo, 856, Jd. Paulista, tel. 3083-
nadas salteñas e os anticuchos, espetinho típico. @ Mercado Municipal de São Paulo - R. Cantareira, 306, r. A, box 37,
3999. Seg. a sex.: 9h às 18h. Sáb.: 10h às 14h. @ R. Pedro Vicente, s/nº, Canindé. Dom.: 11h às 19h. tel. 3227-5340. Seg a sáb: 5h às 14h30. Dom.: 6h às 13h.

Casa Santa Luzia Feira da Rua Coimbra Porco Feliz


Inaugurada em 1926, a loja comercializa cerca de Ponto de encontro de imigrantes, tem produtos e O empório não vende só suínos, mas também carnes
30 mil itens e é um dos principais endereços para comidas bolivianos. Fazem sucesso os buñuelos, exóticas, como as de avestruz e javali.
quem busca produtos importados. massa frita açucarada coberta por mel. @ Mercado Municipal de São Paulo - R. E, box 26. R. Cantareira,
306, centro, tel. 3315-0180. Seg. a sáb.: 6h às 16h.
@ [Link],1.471,[Link],[Link]áb.:8hàs20h45. @ R. Coimbra, s/nº, Brás. Sáb.: 15h às 22h. Dom.: 9h às 17h.

Saddi Center
Empório Natural Foods Mercearia Towa Aimportadoradealimentosárabes temitenscomoazeites,
Os produtos são vendidos a granel, com seleção A loja tem seleção de ingredientes asiáticos, com águasaromatizadas,especiarias exaropes. Há também
de ingredientes integrais, orgânicos e veganos. opções japonesas, chinesas e coreanas. boas opções decastanhas esementes,comoopistache.
@ R. Benjamim de Oliveira, 28, Zona Cerealista, Brás, tel. 3228- @ Pça. da Liberdade, 113, Liberdade, tel. 3105-4411. Seg. a dom.: @ R. Guarará, 76, Jardins, tel 3886-7755. Seg. a sáb.: 8h30 às 19h.
9900. Seg. a sex.: 8h às 18h. Sáb.: 8h às 16h. Dom.: 8h às 14h. 8h às 19h.

@ REGião CENTRaL @ zoNa SuL @ zoNa NoRTE @ zoNa oESTE @ zoNa LESTE

30 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
8

10
11

13

Varejão da Ceagesp
Três vezes por semana, a Ceagesp abre
a feira para o consumidor final, com venda
de itens como frutas, legumes, pescados
e cereais. São mais de 250 toneladas movi-
mentadas por mês.
@ Av. Dr. Gastão Vidigal, 1.946, Vila Leopoldina, tel. 3643-
3700. Qua.: 14h às 22h. Sáb.: 7h às 12h30. Dom.: 7h às 13h30.

Tio Ali - Empório Árabe


Especializada no mundo árabe, a loja tem
itens de mercearia, como azeites, embuti-
dos e queijos. Mas vale também fuçar nos
rótulos etílicos e nos quitutes, caso dos
doces sírios.
@ Mercado Municipal de São Paulo - R. Cantareira, 306,
r. H, box 25, tel. 3326-8064 Seg. a sex.: 7h às 18. Sáb.: 6h às
18h. Dom.: 7h às 18h.

┆ ┆ ┆ 31
perdeu, coxinha Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas

Seleção de 14 petiscos doces e salgados trazidos pelos forasteiros

texto Débora Yuri


fotos Eduardo Knapp
produção Danae Stephan e Larissa Januário

32 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Salteña Takoyaki
Comparada às suas irmãs latinas já famosas, a em- Criado em Osaka, o bolinho cremoso e assado de pol-

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


panada boliviana tem recheio úmido, com caldo que vo é comida de rua emblemática da região japonesa
escorre. No Mercado de Pinheiros, clientes lotam o de Kansai. Despeja-se a massa numa chapa de ferro
balcão do box de Checho Gonzales, 53, nascido em La com cavidades esféricas; ela recebe, então, o recheio:
Paz, para provar as salteñas de frango (R$ 13), devi- polvo cozido, cebolinha, gengibre. Por fim, vem a co-
damente acompanhadas por chope ou vinho. bertura, com flocos de peixe seco, maionese, molho
Uma variação é a pucacapa, picante, redonda, re- de okonomiyaki e alga verde.
cheada de queijos e cebolas. Custa R$ 11 na Comedo- A porção custa R$ 29,80 no Yu Yatai, que come-
ria Gonzales e R$ 6 na Los Caporales, comandada por çou como food truck (“yatai” em japonês) e evoluiu
Helen Nunez, 56, que veio de Cochabamba. para restaurante especializado no petisco.
Sua família elabora um extenso menu de salte- Já o quiosque na entrada da mercearia Kaisen
ñas —a vegetariana leva batatas, cenouras, azeito- guarda um dos tesouros da baixa gastronomia
nas e uvas-passas (R$ 6). Encontre os Nunez numa paulistana. Peça seus takoyakis na janelinha (R$ 14
das barracas mais concorridas da Kantuta, principal a embalagem com seis unidades), pague em dinhei-
feira da comunidade boliviana na cidade, ou na loji- ro e tenha uma experiência genuinamente nipônica
nha que abriram na zona leste. pelas ruas da Liberdade.
Comedoria Gonzales - @ Mercado Municipal de Pinheiros: r. Pedro Cristi, 89, Quiosque da mercearia Kaisen - @ R. Galvão Bueno, 270, Liberdade, tel.
box 85, Pinheiros, tel. 3813-8719. Seg. a sáb.: 11h às 19h. Dom.: 11h às 17h. 3271-7228. Seg. a dom.: 10h às 19h.
Los Caporales - @ Loja: av. Dr. Bernardino Brito Fonseca de Carvalho, 722, Yu Yatai - @ R. das Rosas, 52, Mirandópolis, tel. 5587-4530. Qua. a sex.: 12h
Vila Matilde, tel. 2651-2273. Ter. a sáb.: 14h às 21h. Dom.: 9h às 13h. Feira às 15h e 18h às 22h30. Sáb.: 12h às 22h30. Dom.: 12h às 17h.
Kantuta - @ R. Pedro Vicente, s/nº, Canindé. Dom.: 11h às 19h.

Bánh Mì Arepa
No século 19, a baguete foi introduzida pelos france- O pão de todo dia na Colômbia e na Venezuela tem
ses no Vietnã, então parte da Indochina. Mas foi na cada vez mais adeptos por aqui. No Bom Tequenho,
Saigon já independente, nos anos 1950, que surgiu o aberto pela venezuelana Paola Ramírez, 33, os discos
báhn mì, hoje o sanduíche número um em suas ruas. de milho assados na chapa aparecem em dezenas de
Ele mistura o doce, o salgado, o azedo e o picante sanduíches, envolvendo hambúrguer (R$ 32), coste-
da cozinha vietnamita. O do Bánh Mì Vietnam pode la de porco (R$ 23) ou calabresa defumada (R$ 22).
levar carne de porco, frango ou tofu, além de coen- Também o La Gorgona, num sobrado colado à rua
tro, patê caseiro e conservas agridoces (R$ 19). Frei Caneca, se orgulha de falar portunhol. Tocado por
No Bia Hoi, que significa “chope” e emula os bote- três amigos colombianos, o bar serve de porções de
cos de Hanói, há três versões do sanduba. O bun cha arepitas (R$ 8,90) a combos com patacones (banana
traz na baguete crocante bolinhas de lombo de por- da terra crocante) e acompanhamentos (R$ 23,90).
co grelhadas, legumes em conserva, ervas frescas, Boa novidade: os pacotes de arepas pré-prontas
maionese de coentro e pimenta opcional (R$ 25). para esquentar em casa (a partir de R$ 6,90).
Bánh Mì Vietnam - @ R. Dr. Seng, 44, Bela Vista, tel. 97754-1856. Qua. a sex.: Bom Tequenho - @ R. Maria Otília, 241, Jd. Anália Franco, tel. 2096-0061. Ter.
12h às 16h e 18h às 22h. Sáb.: 13h às 16h e 19h às 22h. a qui.: 16h às 23h. Sex. a dom.: 12h às 23h.
Em sentido Bia Hoi - @ R. Rego Freitas, 516, República, tel. 3151-2508. Ter. a sex.: 12h La Gorgona - @ R. São Miguel, 22, Bela Vista, tel. 3256-9215. Seg. a qui.:
às 14h30 e 19h às 23h. Sáb.: 12h às 17h e 19h às 23h. Dom.: 12h30 às 17h.
horário, 17h30 às 24h. Sex.: 17h à 1h. Sáb.: 12h à 1h.
takoyakis
do Yu Yatai,
Poutine Taco
salteña
Eis o “ménage à trois” canadense, segundo famo- Tacos 100% mexicanos são raros na cidade, onde rei-
e pucacapa
da Comedoria sa piada local: batata frita, molho gravy (à base de na o tex-mex —fusão das cozinhas do México, do Te-
Gonzales, arepa carne) e queijo derretido. Inventada em Québec, es- xas e de outros estados americanos na fronteira com
e patacones do sa delícia figura até nos McDonald’s de lá. o país vizinho. Mas a taquería La Sabrosa faz jus ao
La Gorgona e E São Paulo tem uma poutinerie, onde são prepa- nome. Sua dupla de tacos de carnitas combina carne
báhn mì do Bánh radas 17 versões. Além da original (R$ 24 o pequeno), de porco que desmancha na boca, salsa verde e gua-
Mì Vietnam
a receita pode ser acrescida de itens como bacon camole (R$ 19,50). Dá um match apimentado com as
(R$ 10), ovos mexidos (R$ 6) e shiitake (R$ 12). margaritas, de tamarindo ou a tradicional (R$ 20,50).
Canuck’s Poutinerie - @ R. Tangará, 145, Vila Mariana, tel. 99271-8950. Ter. Taquería La Sabrosa - @ R. Augusta, 1.474, Consolação, tel. 2925-6189.
e qua.: 17h30 às 22h. Qui., sex. e sáb.: 17h30 às 23h30. Dom. a qui.: 12h às 24h. Sex. e sáb.: 12h à 1h.

@ REGião CEnTRAL @ zonA SuL @ zonA noRTE @ zonA oESTE @ zonA LESTE

┆ ┆ ┆ 33
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Gulrotkake Bubble Waffle
Pães artesanais, tortas e bolos noruegueses? Sim, Em sentido Virou moda o doce de rua típico de Hong Kong, um
temos também. Nos arredores do Minhocão, a Bakeri horário, waffle à base de ovos, cozido em chapas que formam
gulrotkake,
Nord homenageia a cozinha do país nórdico. bolhas aparentes. Também chamado de “egg waf-
bolo de cenoura
O menu, rotativo, tem gulrotkake, bolo de cenou- com cream fle”, “egg puff” ou, em cantonês, “gai daan jai”, cos-
ra com canela e cobertura de cream cheese (R$ 9 cheese da tuma ser consumido puro no país de origem. A gra-
o pedaço), e fyrstekake, torta de amêndoas com li- Bakeri Nord, ça aqui é fazer um cone com a massa, recheá-la com
mão siciliano, apelidada de “torta real” na Escandi- trio de cannoli sorvete e mandar ver nos toppings. O personalizado
návia (R$ 9,50 a fatia e R$ 110 a inteira). da Moscatel custa R$ 19,90 no Dr. Bubble e R$ 18 na Zhöu Zhöu.
e bubble waffle Dr. Bubble - @ R. Augusta, 1.524, loja 18, Consolação, tel. 3287-2022. Seg.: 12h
Bakeri Nord - @ R. Dr. Carvalho de Mendonça, 200, Campos Elíseos, s/ tel.
Qua. a sex.: 13h às 19h. Sáb. e dom.: 13h às 18h. do Dr. Bubble às 19h. Ter. a sáb.: 12h às 21h. Dom.: 14h às 20h.

Zhöu Zhöu - @ Al. Jaú, 1.494, Jd. Paulista, tel. 99439-8292. Ter. a sex.: 12h
às 19h30. Sáb.: 14h às 20h. Dom.: 14h às 19h.
Currywurst
Estima-se que 800 milhões de porções de currywurst
sejam consumidas por ano na Alemanha. De tão in-
Cannolo
Deixar a arma e pegar os cannoli talvez seja a maior
corporado ao cotidiano local, o prato ganhou até um
contribuição do cinema ao imaginário gastronômico.
museu, que funcionou por dez anos em Berlim.
Pois bem: você vai encontrar os canudos do momen-
Ali nasceu a salsicha de porco fatiada, coberta por
to numa portinha do Bexiga, onde Alexandre Leggie-
ketchup com curry e acompanhada de batatas fritas.
ri, 48, vende o doce-patrimônio da Sicília em seis ver-
Era 1949, logo após a Segunda Guerra, e a inventora
sões, da tradicional (creme de ricota) à com pasta de
arrumou pó de curry com soldados ingleses.
amendoim (R$ 7,50 cada uma). Na vizinha Moscatel,
Em Pinheiros, o Fast Berlin foca a comida de rua
especializada em guloseimas da Itália, eles vêm em
germânica, com frikadelle (almôndegas), paprika
sabores como limão, doce de leite e pistache (R$ 8).
schnitzel (milanesa de porco com páprica) e, claro,
Cannoleria do Bixiga - @ R. Treze de Maio, 718, Bela Vista, tel. 96610-6084.
currywurst (R$ 30), nas versões de porco, boi e soja. Qui. a sáb.: 12h às 21h. Dom.: 12h às 18h.
Fast Berlin - @ R. Mourato Coelho, 24, Pinheiros, tel. 3064-4652. Ter. a qui.: Doceria Moscatel - @ R. Treze de Maio, 655, Bela Vista, tel. 3853-0954. Seg.
17h às 24h. Sex. e sáb.: 12h à 1h. Dom.: 12h às 23h. a sex.: 10h às 18h. Sáb. e dom.: 10h às 19h.

34 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
AgRADECIMENToS: RITZ LoCAção DE MATERIAIS PARA FESTA; KATMANDu DECoRAção ÉTNICA; ToK & SToK

Bureka Pizza romana


Imigrante icônica no mapa das gulodices paulis- Em sentido Se as pizzas napolitanas fincaram pé em São Paulo,
tanas, Lina Levi (1927-2018) inaugurou a Casa Búl- horário, burikita
as romanas (ou “al taglio”, servidas em pedaços) ain-
e rocambole de
gara em 1975 e trouxe as burekas para cá. Alinha- da buscam o seu lugar ao sol. Bom local para um al-
figo com nozes
das na vitrine, as roscas de massa folhada alter- da Doceria moço ou happy hour ítalo-paulistano é a casa dedi-
nam sabores tradicionais —batata e queijo feito no Burikita, bureka cada ao estilo do mooquense Fellipe Zanuto, 33, ne-
local— com invenções brasileiras como gorgonzola da Casa Búlgara to de italianos e chef do Hospedaria.
e chocolate (a partir de R$ 8,90 cada unidade). e pizza romana Tradicionais em Roma, de massa alta, base cro-
Após a morte da fundadora, sua filha Shoshana do Da Mooca
cante e formato retangular, elas são expostas na vi-
Baruch, 70, assumiu os fornos. É ela quem informa Pizza Shop
trine e aquecidas na hora; não perca a de batata (mo-
a repórter sobre o retorno do famoso strudel de uva zarela branca, batata assada em lâminas e alecrim;
preta (R$ 12), sazonal: “Chega no fim de janeiro”.
R$ 10 o pedaço) e a clássica marguerita (R$ 10).
@ Casa Búlgara - R. Silva Pinto, 356, Bom Retiro, tel. 3222-9849. Seg. a sex.:
@ Da Mooca Pizza Shop - R. Fradique Coutinho, 154, Pinheiros, tel. 3062-
9h30 às 18h. Sáb.: 9h30 às 14h30.
0422. Seg. a sáb.: 11h às 24h. Dom.: 16h às 23h.

Burikita
Espécie de prima da bureka, a burikita diferencia-
Pastrami
É complicado entrar na Z Deli, para muitos a melhor
se pelo formato: uma trouxinha, e não uma rosca,
hamburgueria da cidade, e rejeitar esse capítulo de
envolve o recheio. Ainda hoje, o salgado de raízes ju-
daicas atrai habitués e curiosos à Burikita, aberta por seu menu. Mas a casa ainda faz um excelente pas-
um casal de imigrantes iugoslavos em 1970. trami —carne bovina condimentada que nasceu nos
De batata, espinafre com queijo, palmito, carne e Bálcãs e foi importada pelas delis judaicas para Nova
queijo (a melhor de todas), cada uma custa R$ 7. York, onde virou símbolo gastronômico local.
Como quem avisa boa pessoa é, guarde espaço para Solução: pedir um burguer, compartilhar as bata-
os doces, que ficam seduzindo o público no balcão. tas fritas com pastrami, queijo fundido, sour cream e
Também merece nota a lebênia (R$ 6), iogurte casei- cebolinha (R$ 32) e levar para casa o sanduíche com
ro feito por David Ben Avram, 73, filho dos fundado- fatias da carne curada mais saladinha de pepino,
res que abraçou o negócio. maionese e mostarda (R$ 38).
@ Doceria Burikita - R. Três Rios, 138, Bom Retiro, tel. 3227-2654. Seg. a sex.: @ Z Deli Sandwiches - R. Bento Freitas, 314, República, tel. 3129-3162. Seg.
8h30 às 19h. Sáb.: 8h30 às 16h. e ter.: 12h às 23h. Qua., qui. e dom.: 12h às 24h. Sex. e sáb.: 12h à 1h.

36 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
se oriente, rapaz
Capital abraça ainda mais o continente asiático com renovação
dos restaurantes japoneses e chegada da cozinha vietnamita
Marília Miragaia

A chegada de outras cozinhas asiáticas à da comunidade japonesa se fixaram na Li-


Liberdade, bairro da região central conhe- berdade, “região considerada tabu e mais Carne de
wagyu
cido por ser o reduto da cultura japonesa em barata, onde escravos fugidios eram punidos
grelhada
São Paulo, é um sinal da crescente diversi- e executados”, diz Telma Shiraishi, 49, chef com ervilha
dade desses restaurantes na cidade. do restaurante Aizomê, no Jardim Paulista. e wasabi
Um dos melhores lugares para observar Ao abrir os primeiros negócios na região, do aizomê,
essa variedade é a rua Thomaz Gonzaga, a parte dos japoneses, inclusive, fazia-se passar no Jardim
três quarteirões da estação Liberdade, da por chineses, afirma Shiraishi, embaixadora paulista
linha 1-azul do Metrô. Ali, além de clássicos para difusão da culinária japonesa no Brasil.
japoneses (o Hinodê, por exemplo), ficam Uma da razões do “preconceito amarelo” da-
também casas com receitas de Taiwan (No- quela época, conta ela, foi a posição adotada
odle Shop e Petiscos do Tigrão) e de cozinha pelo Japão na Segunda Guerra Mundial —ao
tailandesa (Thai Chef). lado da Alemanha nazista.
Um cenário diferente era visto no início Entre 1950 e 1985, graças à presença de
do século 20, quando os primeiros membros cinemas japoneses, a região começou a ser

38 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
frequentada por um grupo de intelectuais
que encontrava nos restaurantes uma exten-

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


são da cultura exibida nas telas —entre eles,
Antunes Filho, Haroldo de Campos e Walter
Hugo Khouri. “Eles viam filmes japoneses
como forma de se atualizar. Muitos recomen-
davam os restaurantes e foram divulgadores
dessa culinária”, diz Jo Takahashi, 66, ex-
diretor da Fundação Japão em São Paulo.
Mas foi por volta da década de 1980 que
a cozinha japonesa em São Paulo começou
a se tornar popular fora da comunidade, sob
influência de um movimento de comida sau-
dável vindo da costa oeste americana.
“O trânsito entre a Califórnia e o Japão
era mais fácil, e imigrantes começaram a
preparar a culinária nos EUA. Essa cozinha
chegou ao Brasil com todos os adicionais

Keiny AndrAde/FolhApress
americanos: cream cheese, avocado, pimen-
ta-jalapeño”, diz Shiraishi.
Agora, novas casas buscam destacar as
peculiaridades culinárias de diferentes re-
giões do Japão, afirma a historiadora Adri-
ana Salay, 35. “Assim como a italiana, 5

┆ ┆ ┆ 39
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
a cozinha japonesa estabelece uma ligação nhecida fora do circuito de entendidos. “Vi-
profunda com seu território e cria possibili- Kimbap mos, então, a reação de quem provou pela
dades regionais”, diz Salay, pesquisadora de (à esq.), arroz primeira vez. Foi uma surpresa grata”, conta
alimentação. Isso inclui a abertura de restau- com churrasco o dono, o vietnamita Yann Dupierre, 29.
rantes que se dedicam a uma especialidade, coreano envolto Na hora de atrair novos fregueses, ajuda
em alga, e
a exemplo do que acontece no Japão. “É uma teokboki (à
o fato de a cozinha do Vietnã ser leve e equi-
tradição que os japoneses chamam de ‘sho- dir.), massa de librada, diz Dupierre. “Há elementos em
kunin’, um artesão que é como um serralhei- arroz ao molho comum com a tailandesa, como o uso de
ro, com arte e ofício nas mãos. No Japão, isso picante, servidos amendoim, coentro, ervas frescas e verdu-
se estende à gastronomia”, diz Takahashi. no bar do Komah, ras. Mas a vietnamita não é tão apimentada.”
Para ele, a tendência é que menos restau- restaurante Basta fazer uma curta caminhada para
rantes abram as portas com um cardápio coreano na encontrar outra opção de cozinha vietnami-
Barra Funda
muito abrangente. Como exemplo, cita a ex- ta na Bela Vista, o Little Saigon. Há, ainda,
pansão das casas de lamen na cidade. “Elas uma outra, não muito longe dali: o Bia Hoi
querem oferecer a receita perfeita, muitas fica a 15 minutos de carro, na República. O
vezes com uma fórmula trazida do Japão. restaurante oferece cozinha vietnamita de rua,
Isso também está acontecendo com izakay- com atenção especial ao serviço. “A casa assu-
as [botecos]”, diz Takahashi, que está escre- miu o papel de ser didática, de traduzir. Damos
vendo um livro sobre lamens. detalhes sobre a história do prato e, assim, o
Nos arredores da Liberdade, outra cozinha clienteficamaisàvontadeparaexperimentar”,
asiática começa a ter um entrosamento maior diz a proprietária, Dani Borges, 39.
com a cidade: a vietnamita. O Bánh Mì Viet- Para ela, a cozinha vietnamita passa por
nam abriu há três anos na Bela Vista, a prin- um processo parecido com o que já aconte-
cípio com um público de pessoas que já havi- ceu com a coreana. “As pessoas começaram
am visitado o país e conheciam a cozinha. a se sentir mais à vontade quando abriram
Graças ao boca a boca, a casa ficou mais co- restaurantes de proposta mais moderna, que

40 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
tornaram acessível o que antes era um mis-
tério. O Komah é um deles”, afirma.

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


A cena de restaurantes coreanos nos anos
1990, na qual cresceu o chef do Komah, Pau-
lo Shin, 33, era bem diferente, centrada em
empreendimentos familiares “com a matri-
arca na cozinha e o filho trabalhando no
caixa”. “Restaurantes no Bom Retiro, Pari
e Brás, bairros que são polos coreanos, aten-
diam, em geral, a essa comunidade.”
Quando abriu o Komah, há três anos
e meio, Shin queria apresentar a cozinha
daquele país para quem não a conhecia.
Hoje, cerca de 60% do público que chega ao
restaurante é novato. “Tem uma aceitação
muito forte do paulistano. Os clientes saem
abraçando os sabores, mesmo os da fermen-
tação, mais intensos”, diz Shin.
Outro fator que contribui para a popula-
rização dessa cozinha é a intensa produção
cultural do país. A chamada onda coreana
é movida por bandas de k-pop, séries
de televisão (k-dramas) e filmes. Só o
longa “Parasita”, de Bong Joon-ho, 5
Bruno Geraldi/divulGação

┆ ┆ ┆ 41
ALBERTO ROCHA/FOLHAPRESS

recebeu seis indicações ao Oscar 2020 e acu- CHINÊS


mula a Palma de Ouro em Cannes e o Globo
Kar Wua

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


de Ouro de melhor filme estrangeiro. @ R. Mourato Coelho, 44, Pi-
“Há 30 anos a Coreia do Sul parecia um nheiros, tel. 3081-1581. Seg. e
país distante. Hoje, você ouve música core- ter.: 11h30 às 15h. Qua. a sáb.:
11h30 às 16h e 18h às 22h.
ana em rádio brasileira. Nossa cultura é uma Dom.: 11h30 às 16h30.

força que a gente não imaginava, e isso está


ajudando a gastronomia também”, diz João COREANOS
Son, 46, pesquisador que está preparando
um livro sobre cozinha coreana no Brasil. Bicol
@ R. José Getúlio, 422, Aclima-
Com as transformações, muitos restau- ção, tel. 3208-4123. Seg. a ter.:
rantes começaram a adotar menu em portu- 12h às 14h30 e 17h45 às 21h30.
Qua. a sex.: 12h às 14h30 e
guês, o que antes era raro, e ter um serviço 17h45 às 22h. Sáb.: 11h30 às 15h
direcionado ao público brasileiro. Mudanças e 17h30 às 22h. Dom.: 11h30 às
15h e 17h30 às 21h15.
que coincidiram com a chegada de novas
gerações no comando das casas. Komah
É o caso de Gregório Kang, 27, chef do @ R. Cônego Vicente Miguel

Bicol, restaurante coreano na Aclimação que Marino, 378, Barra Funda, tel.
3392-7072. Seg. a qua.: 18h30
foi fundado por seus avós.“Temos interesse a 0h. Qui. a sex.: 18h30 a 1h.
Sáb.: 17h a 1h.
em receber todos os públicos.”
Fazer com que o freguês paulistano prove
JAPONESES
um novo sabor pela primeira também é um
desafio que a comida tailandesa enfrenta na
Aizomê
cidade. “Muitas vezes, os restaurantes têm de @ Al. Fernão Cardim, 39, Jardim
fazer modificações para conseguir entrar no Paulista, tel.3251-5157. Seg. a
mercado. Quando os clientes provam, gostam Espetos de berinjela, moela, aspargos e frango sex.: das 12h às 14h30 e 18h30
às 23h. Sab.: 18h30 às 23h.
e querem voltar”, diz Deumas Oliveira, 51, na grelha do Yorimichi, no Paraíso
professor do curso de gastronomia do Senac. Yorimichi
“Em muitos casos, nosso trabalho é dife- @ R. Otávio Nébias, 203, Pa-
renciar a culinária tailandesa das outras que foi popularizada nos Estados Unidos”, raíso, tel. 3052-0029. Seg. a
sáb.: 18h30 às 0h30.
asiáticas”, diz Pedro Yung Yoon, 42, propri- diz Lin Zhen Li, 43, do restaurante Kar Wua,
etário do Thai Chef, aberto em 2016. em Pinheiros, que completou 33 anos. tAIlANdÊS
Na hora de experimentar, a primeira coi- “Existem também os restaurantes tradi-
sa que todo mundo tem medo é da pimenta, cionais, que sempre foram conhecidos como thai Chef
afirma Yoon. Mas, mesmo assim, ele consi- locais de pratos fartos para dividir. Mas as @ R. Thomaz Gonzaga, 45 D,
Liberdade, tel. 3132-3824. Ter.
dera um erro amenizar a picância ou retirar famílias estão diminuindo, e o consumo a sex.: 11h30 às 15h30 e 18h30
o coentro das receitas. O restaurante, que desse tipo de refeição também”, diz Zhen. às 22h30. Sáb. a dom.: 11h30
às 16h30 e 18h30 às 22h30.
fica na Liberdade, só “customiza” um prato Com a intenção de apresentar a diversi-
se o cliente solicitar. “Quando ele pede isso, dade da cozinha chinesa, o Kar Wua dispõe VIEtNAMItAS
sabe que a receita perderá um pouco das de um menu-degustação que muda a cada
características, que será menos autêntica.” três meses e oferece um panorama das regi- Bánh Mì
Outro problema enfrentado por tailande- ões do país, com ênfase na sul, de onde veio Vietnam
ses é o preço, na opinião de Yoon. “As pesso- a família que fundou a casa. “Temos pesca- @ R. Doutor Seng, 44, Bela

as viajam e comem com pouco dinheiro em dores do rio e do mar e uma riqueza de in- Vista, tel. 97754-1856. Qua. a
sex.: 12h às 16h e 18h às 22h.
Bancoc. Mas, no Brasil, é difícil chegar àque- gredientes que possibilita muitas criações.” Sáb.: 13h às 16h e 19h às 22h
(somente com reserva).
le preço usando ingredientes importados. Uma boa parte dos alimentos, porém,
Até nosso leite de coco vem da Tailândia.” vem de produtores locais. “É importante
respeitar o que vem desta terra e não sim- Bia Hoi
Outra cozinha que ainda está à procura @ R. Rego Freitas, 516, Repú-
do seu espaço na cidade é a chinesa. “Ela plesmente fazer uma réplica. Para cozinhar, blica, tel. 3151-2508. Ter. a sex.:
tem volume, se você considerar o fast food. precisamos entender um pouco de sazona- 12h às 14h30 e 19h às 23h30.
Sáb.: 12h às 17h e 19h às 23h30.
Mas é uma referência de cozinha chinesa lidade”, afirma Zhen. * Dom.: 12h30 às 17h.

@ REgIãO CENtRAl @ zONA Sul @ zONA NORtE @ zONA OEStE @ zONA lEStE

42 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
TURCO
NÃO
É ÁRABE
Entenda as diferenças e
semelhanças entre as cozinhas da
região do Oriente Médio feitas aqui

Flávia G. Pinho

Em São Paulo, a confusão é grande —e co- “A cozinha árabe paulistana tem identi- Armênia
Espremido entre a Tur-
meçou há tempos. Quando os primeiros sí- dade própria. Nossos quibes têm quase quia e o Irã, o país toma
rios e libaneses desembarcaram na cidade, nenhum tempero, enquanto os libaneses emprestados diversos
no século 19, sua origem foi catalogada de são apimentados e levam até fígado de cor- elementos do vizinho
ocidental. “A comida
forma equivocada. Segundo o livro “Patrí- deiro”, explica Rodrigo Libbos, sócio do
armênia é muito pareci-
cios - Sírios e Libaneses em São Paulo”, de grupo Salonu e professor da faculdade de da com a turca”, afirma
Oswaldo Mário Serra Truzzi, os imigrantes gastronomia do Mackenzie. Rodrigo Libbos.
chegaram com passaportes da Turquia e fo- O mesmo vale para o mais popular dos A marca registrada da
culinária armênia é a
ram registrados também como turcos, turco- salgados árabes. “O que o paulistano co-
carne curada com espe-
árabes e turco-asiáticos. nhece por esfiha não passa de um pão acha- ciarias, cortada em fati-
Coincidências entre as culinárias dos tado com recheio, que existe em vários as bem fininhas —que,
países do Oriente Médio contribuíram para países e recebe nomes diferentes, depen- em São Paulo, aparece
com as mais variadas
que a bagunça se perpetuasse, como expli- dendo da região”, acrescenta. grafias. Dependendo
ca Samira Adel Osman, pesquisadora de Basta ajustar o foco sobre cada uma das do cardápio, pode apa-
imigração árabe da Unifesp (Universidade culinárias do Oriente Médio, no entanto, recer como basturmã,
Federal de São Paulo). para que suas particularidades fiquem evi- bastrmá, basturmá ou
basturmalã.
“O império árabe se espalhou por uma dentes. E, em São Paulo, a oferta é cada vez
área muito grande. Cada país tem elementos mais diversa, diz Libbos. Carlinhos Restaurante -
@ R. João Teodoro, 1.476 (Me-
particulares, mas as bases são as mesmas.” “Durante anos, a cozinha árabe paulista- ga Polo Moda), Brás, tel. 3315-
9474. Seg. a sex.: 11h30 às
O que o paulistano compreende por cozi- na ficou estacionada, mas agora os refugia- 15h30. Sáb.: 11h30 às 16h30.
nha árabe é um pot-pourri de receitas que dos estão trazendo novos elementos.” Casa Garabed - @ R. José
imigrantes de diferentes origens trouxeram Veja como identificar cada uma delas e Margarido, 216, Santana, tel.
2976-2750. Qua. a dom.: 12h
e adaptaram na cidade. onde encontrá-las na capital. * às 21h.

44 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Esfihas Prato do
da Casa Amigo do
Garabed, em Rei, de

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Santana, com culinária
basturmã, persa
carne curada
da cozinha
armênia
Iraniana
Antiga pérsia, o irã é o país que
mais se diferencia dos vizinhos
árabes quando o assunto é co-
mida. embora ingredientes da
cozinha mediterrânea também
apareçam, caso das verduras,
da carne de cordeiro e dos
peixes, os iranianos têm o arroz
500 km como item fundamental.
ele aparece como acompa-
nhamento, cozido só com sal e
pouca gordura, ou como prato
único, misturado a carnes,
grãos e ervas, sempre com
muitos condimentos. “o irã
Armênia é o maior produtor mundial
Tur q u i a de pistilos de açafrão e um
dos maiores consumidores de
arroz do mundo”, diz nasrin
Síria haddad, que comanda o único
Líbano
restaurante iraniano de são
Irã paulo —a casa funciona apenas
com reservas.
Amigo do Rei - Reservas: 98194-8190.
fotos Keiny AndrAde/folhApress

divulgAção
da turquia apresenta muitas
influências da síria. só no sul
se come faláfel, por exemplo”,
diz libbos. Mas é possível notar
diferenças importantes, como
o uso farto de iogurte, ingre-
diente que entra na receita do
Quibe baba ghanoush e na montagem
montado do popular kebab.
do Sainte A coalhada, também presente
Marie no país vizinho, tem menos
acidez em solo turco. outra
particularidade importante é
o formato da esfiha —na
Sírio-libanesa cozinha turca, ela tem forma
alongada, como um barquinho,
o trigo, principal ingrediente a culinária com o maior número
e recebe o nome de pide. embo-
do quibe e do tabule, é uma de representantes —de restau-
ra em menor número, as casas
das marcas registradas dessa rantes simples e familiares aos turcas de são paulo fazem jus à
cozinha, assim como o grão-de- da alta gastronomia.
bico, base do homus e do faláfel riqueza da cozinha do país.
Arabia - @ R. Haddock Lobo, 1.397, Jd.
—em países árabes do norte da Paulista, tel. 3061-2203. Seg. a dom.: 12h Casa Turca - @ R. Alves Pontual, 467,
África, o faláfel é feito de favas. às 0h. Prato Granja Julieta, tel. 2386-5316. Ter. a qui.:
10h às 22h. Sex. a dom.: 10h às 23h.
sírio-libaneses também não do Firin
Farabbud - @ Al. dos Anapurus, 1.253,
abrem mão do tahine, pasta Indianópolis, tel. 5054-1648. Seg. a sex.: Salonu Firin Salonu - @ R. Heitor Penteado,
feita de gergelim. ele é usado 12h às 15h30 e 18h30 às 22h30. 699, Sumarezinho, tel. 4883-0358. Seg.:
para temperar o homus e entra 19h30 às 23h30. Qui.: 19h às 23h30. Sex.:
Sainte Marie - @ R. Dom João Batista 19h a 0h. Sáb.: 12h às 16h e 19h a 0h.
na montagem do shawarma, o da Costa, 70, Jd. Taboão, tel. 3501-7552.
Turca Dom.: 10h às 17h.
que o torna diferente do kebab Seg. a sex.: 11h às 20h. Sáb.: 10h às 19h. tem muitos pontos em comum
turco. por terem sido os primei- com a cozinha sírio-libanesa, Lahmajun - @ R. Augusta, 934, Cer-
Tenda do Nilo - @ R. Coronel Oscar Por- queira César, tel. 99297-5239. Seg.: 11h às
ros imigrantes do oriente Médio to, 638, Paraíso, tel. 3885-0460. Seg. a como charutinhos e legumes 23h. Ter a qui.: 11h à 0h. Sex.: 11h às 6h.
em solo paulistano, é também sáb.: 12h às 15h. recheados. “A culinária do sul Sáb.: 12h às 06h. Dom.: 12h às 0h.

┆ ┆ ┆ 45
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
faca
na
bota
Conheça as particularidades
culinárias das diferentes
regiões da Itália e descubra
onde achá-las em São Paulo

Luiza Fecarotta

Antes de existir como nação, estados inde-


pendentes da Itália pouco compartilharam
de sua cultura —e, portanto, de suas tradi-
ções culinárias.
Particularidades regionais são acentua-
das em função de uma topografia rica e di-
versa, que agrega planícies, áreas monta-
nhosas, uma larga costa e variadas zonas
climáticas. Ainda que haja antagonismos,
um eixo comum —e vital— unifica essa co-
zinha: o estilo familiar de prepará-la.
A seguir, é possível conhecer as caracte-
rísticas de algumas regiões e identificar re-
ceitas —com ou sem adaptações— que podem fregola (massa
ser encontradas em São Paulo, essa cidade esférica) com
que desabrochou na presença de imigrantes frutos do mar da
e, portanto, tem certa alma italiana. 5 Mondo, nos Jardins

46 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
@ Região CeNtRaL @ zoNa SuL @ zoNa NoRte @ zoNa oeSte @ zoNa LeSte

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Sardenha
Muitos fatores contribuem para a diversi- res, parecidas com um grão-de-bico. pri-
dade da cozinha dessa ilha extensa, ba- meiro é torrada (em intensidades varia-
nhada pelo mar Mediterrâneo, com per- das para ampliar a gama de sabor) e de-
sonalidade particular, tais quais as con- pois hidratada em água fervente . “É co-
dições topográficas (costa e montanhas) mo um cuscuz mais grosso, herança da
e as influências dos povos invasores. colonização árabe, e deve ser preparada
de um mar rico saem peixes, molus- igual a um risoto, mexendo sempre, pa-
cos e crustáceos. pães, queijos e casta- ra incorporar todos os sabores”, diz loi.
nhas reforçam a amostra que, em de-
A massa é agregada a uma panela
terminados períodos do ano, também
com frutos do mar (camarão, vieira e
listam carnes de animais como pom-
lulas), legumes cortados em cubinhos,
bos, javali e patos.
de modo a não ultrapassar o tamanho
nascido na sardenha, o chef salva-
da massa (abobrinha, salsão, cenoura)
tore loi fez fama no Fasano ao chegar
ao Brasil e hoje está à frente do restau- e caldo de peixe.
rante Mondo, para o qual trouxe de sua para finalizar, tomate-cereja, man-
região a fregola com frutos do mar. jericão e salsinha frescos —e azeite.
Trata-se de uma massa fresca, sem Mondo - @ R. Oscar Freire, 30, Jardins, tel. 3061-2787. Seg. a
qui.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sex.: 12h às 15h e 19h à 1h. Sáb.:
ovos, no formato de bolinhas irregula- 12h às 17h e 19h à 1h. Dom.: 12h às 17h.

Campânia
localizada no sul da itália, seu solo vul- nado a manjericão fresco, que perfuma
cânico, apropriado para cultivar frutas e o conjunto da obra, e mozarela, o quei-
legumes, levou napolitanos a serem co- jo mais emblemático da região.
nhecidos como “comedores de folhas”. Também virou marca dali o espa-
É dessa região também o famoso guete ao vôngole, como José Alencar
tomate san Marzano, estreito e alon- de souza faz há quase 30 anos em seu
gado, com polpa firme e pouca água. A santo Colomba. sua receita segue co-
cozinha da capital, nápoles, atrai via- ordenadas clássicas: massa seca com
jantes desde outrora. vôngole fresco, alho, azeite, salsinha e
destacam-se as pizzas à semelhan- vinho branco.
ça do que André Guido, da leggera, na no pettirosso, Marco renzetti incre-
pompeia, reproduz aqui. mentou essa base com mexilhões —e
A massa, de sabor complexo com le- usa linguine, cujo cozimento se dá no
ve acidez, é bem hidratada e manipula- caldo das conchas. A única gordura que
da somente com as mãos. acrescenta é um tantinho de azeite.
Keiny AndrAde/FolhApress

depois de submetida a um calor Leggera Pizza Napoletana - @ R. Diana, 80, Pompeia, tel.
3862-2581. Ter. a qui.: 19h às 23h. Sex. e sáb.: 19h às 23h30.
agressivo —em um forno napolitano Dom.: 19h às 22h.
que alcança 480°C— resulta deliciosa- Santo Colomba - @ Al. Lorena, 1.157, Jardim Paulista, tel. 3061-
3588. Seg. a sáb.: 12h às 15h e 19h às 23h30. Dom.: 12h às 16h.
mente elástica, com bordas gorduchas,
Pettirosso - @ Al. Lorena, 2.155, Jardim Paulista, tel. 3062-
com alvéolos, e um provocante tostado. 5338. Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h
pode receber molho de tomate, combi- às 23h30. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 23h30. Dom.: 12h às 16h30.

┆ ┆ ┆ 47
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
BRuNO GeRAldi/divulGAçãO
Cacio e pepe do Tappo, na Consolação, preparado com pecorino e pimenta-do-reino

Lácio Piemonte
Ponto de convergência entre Norte e Sul Na base dos Alpes, essa área é marcada
do país, tem cozinha na qual sobressaem por invernos rigorosos, que inspiram uma
temperos cítricos e a presença do alho — cozinha mais robusta e calorosa, rica em
ainda que italianos dispensem ou ameni- carnes de caça e vegetais, como aspargos
zem esse ingrediente em muitos preparos. e alcachofras. No passado, uma cozinha
São dessa região várias das receitas fa- muito pobre, na qual pão e batatas eram
cilmente assimiladas pelos brasileiros — frequentes, convivia com uma cozinha da
cacio e pepe, carbonara, amatriciana. No aristocracia, influenciada pela França.
cardápio da Tappo, na Consolação, que va- No Gero, do grupo Fasano, fez história o
loriza a simplicidade da cozinha caseira, o bollito misto, um cozido italiano, de sabor
cacio e pepe leva queijo pecorino e pimen- complexo, cujas carnes (língua, vitela, car-
ta-do-reino, ambos sabores herdados dos ne-seca, ossobuco e embutidos) são corta-
romanos antigos, e aproveita a água do das num carrinho no salão, à frente do clien-
cozimento para dar cremosidade ao todo, te. Servido às sextas, com legumes, a recei-
como manda o figurino. O mesmo meca- ta é antecedida por um cappelletti in brodo.
nismo se repete no espaguete à carbonara, A L E M ANH A É com ele também que se faz o “piará”, um
que recebe gema de ovo, queijo (pecorino ÁUST R I A pirão de farinha de rosca de sabor incre-
e parmesão), pimenta-do-reino moída na Piemonte mentado pela untuosidade do tutano.
Lombardia
hora e papada de porco salgada. No Così, em Santa Cecília, Renato Cario-
Sobretudo em Roma, capital, nota-se Emília-Romanha ni não segue à risca o protocolo de nenhu-
uma cozinha apoiada em poucos ingredi- ma região, mas acolhe em seu cardápio
Ligúria I TÁ L IA
entes e execuções. “É uma cozinha abso- itens que flertam com essa região do norte,
lutamente trivial, rústica, rudimentar”, diz Lácio como o crudo com maionese trufada (de Al-
o italiano Marco Renzetti, do Pettirosso. Ali ba) e o escalope —mais alto e rosado que o
ele faz pratos clássicos de sabor rico, como Campânia habitual— com um empanamento rústico,
a tripa à la romana, uma dobradinha refo- Calábria com farinha de rosca. É servido com capel-
gada com tomate fresco e finalizada com Sardenha lini no molho de parmesão e trufa, estas
folhas de hortelã e pecorino ralado. também do Piemonte.
Sicília
Tappo - @ R. da Consolação, 2.967, Cerqueira César, tel. 3063- Gero - @ R. Haddock Lobo, 1.629, Jardins, tel. 3064-6317. Seg. a
4864. Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sex.: 12h às 15h e 19h qui.: 12h às 15h30 e 19h às 24h. Sex. e sáb.: 12h às 16h30 e 19h à
às 24h30. Sáb.: 12h30 às 16h e 19h30 às 24h30. Dom.: 12h30 às 17h.
TU N ÍSI A mar Mediterrâneo 1h. Dom.: 12h às 16h30 e 19h às 24h.

Pettirosso - @ Al. Lorena, 2.155, Jardim Paulista, tel. 3062-5338. Così - @ R. Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília, tel. 3826-5088.
Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h às 23h30. 200 km Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h às 24h.
Sáb.: 12h às 16h e 19h às 23h30. Dom.: 12h às 16h30. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 24h. Dom.: 12h às 17h.

48 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Ligúria
Embora seja mais uma região da Itália que também há o hábito de cristalizar frutas, queijo pecorino”, diz a chef, que prepara

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


conjugue mar e montanha, a área interio- herdado dos árabes e o azeite, extraído de uma massa texturizada com batatas assa-
rana tem a particularidade de acolher hor- olivais viçosos, é a gordura mais comum. das, de modo a absorver mais o molho.
tas ricas, com saladas silvestres e ervas Na Vinheria Percussi, há 34 anos em A focaccia está integrada ao couvert e,
aromáticas, beneficiadas pelo clima tem- operação, Silvia Percussi exibe uma boa a cada fim de semana, tem um sabor dife-
perado e pela maresia. amostra dessa cozinha, cujas receitas po- rente, como o de azeitonas e tomates.
Ainda que tenha uma costa extensa, sua dem ser combinadas com vinhos da mesma
Vinheria Percussi - @ R. Cônego Eugênio Leite, 523, Pinheiros,
cozinha não se aprofundou nos frutos do região. “Fazemos o nhoque ao pesto, com tel. 3088-4920. Ter. a sex.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sáb.: 12h às
mar —mas há bons mexilhões e peixes. Ali aquele manjericão grande, pinoli, azeite e 16h30 e 19h às 24h. Dom.: 12h às 16h30.

Calábria

BruNo LIMA/DIVuLGAção
A geografia da Calábria, ao sudoeste da manteiga”, diz rozzino.
península, a isola entre mar e montanhas rafael Lorenti, da quinta geração da
e também colabora para preservar a cul- família fundadora da padaria Basilicata e
tura local, não muito exportada. à frente do restaurante que hoje funciona
o estilo de vida mais rústico leva a uma no mesmo espaço, no Bexiga, também se
cozinha baseada na autossuficiência e em dedica à cozinha do sul.
alimentos rústicos, locais e selvagens — Toma emprestada de sua avó calabre-
carnes de caça, cogumelos, molhos condi- sa a receita do bacalhau molicata, cujo
mentados, marinadas. Não são inexisten- preparo mistura aparas de bacalhau com Nhoque ao
tes, porém, pontos em comum com outras miolo de pão, tomate picado, cebola e al- pesto da
regiões, como a forte produção de cítricos caparra —que juntos vão ao forno. Vinheria
e o protagonismo da berinjela e do porco. Traduz bem a origem pobre dessa cozi- Percussi,
No TonToni, Gustavo rozzino flerta mais em Pinheiros
nha que dependia de mecanismos para ren-
intensamente com o norte da Itália, mas ao
der, como o uso do pão amanhecido que, ra-
ceder ao seu fraco pelos frutos do mar
lado, frito e temperado com parmesão,
abundantes ao sul, entrega receitas como o
alho, azeite e nozes, é transformado ali nu-
orechiette alla marinara, com camarão e
ma crocante e versátil molica também usa-
polvo, fatias finas de lula, pancetta e nduja.
da para polvilhar o fusilli calabresa, com ra-
Esta última é especialidade da Calá-
gu de linguiça fresca e curada na casa.
bria, uma salsicha apimentada, de papa-
TonToni - @ Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1.537, Jardins, tel.
da de porco, mais gorda, com pimenta ca- 3051-4750. Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e
labresa. Essa linguiça geralmente enrique- 19h às 23h30. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 23h30. Dom.: 12h às 17h.

ce molhos de tomate, mas na região tam- Restaurante Basilicata - @ R. Treze de Maio, 596, Bela Vista,
tel. 3289-3111. Ter. a qui.: 12h às 15h30 e 19h30 às 23h30. Sex. e
bém “passam na torrada como se fosse sáb.: 12h às 16h e 19h30 às 24h. Dom.: 12h às 17h.

Lombardia
Símbolo do crescimento econômico da 2017), considerado o chef fundador da mo- vitela colagenoso e macio, que Salvatore Loi
Itália, trata-se de uma região que preser- derna cozinha italiana. faz no Mondo. No Vicolo Nostro, cujo ambi-
va produtos agrícolas e modos de preparo Ele parte do típico risoto milanês, de ente simula uma viela italiana, o ossobuco
tradicionais, que incrementam economia açafrão, cuja versão de Marchesi com uma é vigoroso —servido com osso, o tutano po-
e cultura locais. Em sua cozinha, outrora folha de ouro tornou-se icônica. A brinca- de ser pinçado e dar untuosidade ao todo.
marcada pelo consumo diário de polenta deira está em entregar um prato estetica- Evvai - @ R. Joaquim Antunes, 108, Pinheiros, tel. 3062-1160.
por camponeses oprimidos, que tinham mente igual ao original, mas, no lugar da Seg. a qui.: 19h às 0h. Sex. 12h às 15h e 19h a 1h. Sáb.: 12h às 16h
e 19h à 1h. Dom.: 12h às 17h.
acesso restrito à carne, manteiga preva- folha de ouro, Luiz Filipe acomoda uma fo-
Mondo - @ R. Oscar Freire, 30, Jardim Paulista, tel. 3061-2787.
lece sobre azeite, arroz sobre as massas e lha de arroz sob a qual esconde um purê Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sex.: 12h às 15h e 19h à 1h.
Sáb.: 12h às 17h e 19h à 1h. Dom.: 12h às 17h.
os queijos são de qualidade cobiçada. rústico de mandioca, bem amanteigado.
No Evvai, Luiz Filipe Souza faz uma ho- Também recebe um toque cítrico o riso- Vicolo Nostro - @ R. Jataituba, 29, Vila Gertrudes, tel. 5561-
5287. Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 0h. Sex.: 12h às 15h e 19h às
menagem a Gualtiero Marchesi (1930- to milanês que acompanha o ossobuco de 1h. Sáb.: 12h às 16h30 e 19h às 1h. Dom.: 12h às 16h30.

50 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Emilia-Romanha
Essa região de comida rica, suculenta e vinagre balsâmico, uma redução concen- Rosa, o chef e empresário Rodolfo de San-

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


famosa reúne alguns símbolos da cozinha trada de uvas brancas. tis homenageia a “cucina della nonna”. Faz
italiana. O presunto de Parma, por exem- Das receitas emblemáticas, o ragu bolo- referência às avós o taglieatelle ao sugo
plo, feito do porco que se alimenta com nhês, geralmente servido com tagliatelle, de costela, vigoroso e aconchegante.
castanhas e soro de leite da sobra da pro- surge em destaque. No Più, na unidade do Più - @ Shop. Iguatemi. Av. Brig. Faria Lima, 2.232, Jardim Pau-
listano, tel. 3198-7649. Seg.: 12h às 15h e 19h às 22h. Ter. a qui.:
dução do queijo parmesão. shopping Iguatemi, Marcelo Laskani propõe 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h30 e 19h às 23h. Sáb.: 12h
O próprio parmigiano-reggiano, curado uma versão autoral, que combina carnes às 16h30 e 19h às 23h. Dom.: 12h às 16h30 e 19h às 21h.

por pelo menos 12 meses, cuja base é o lei- potentes —ora em pedaços, ora moídas. Osteria Nonna Rosa - @ R. Padre João Manuel, 950, Jardins, tel.
2369-5542. Ter. a qui.: 19h às 24h. Sex. e sáb.: 12h às 16h e 19h a 0h.
te de vacas que comem ervas da região. O No recém-inaugurado Osteria Nonna Dom.: 12h às 17h.

Sicília
Maior ilha do Mediterrâneo, foi um territó- Rodolfo de Santis, traz a imagem de uma rici, 77. A massa se assemelha a um peque-
rio que sofreu dominação de vários povos, fazenda típica do sul —mesa farta, azeite, no tubo, curto, e é envolta em um molho
e isso se reflete na diversidade de sua co- tomate, berinjela, limão-siciliano, vinho. de tomate com manjericão, cubinhos de
zinha, de sabor autêntico, cujo eixo são os O cardápio, ainda que tenha interven- berinjela na chapa, ricota seca defumada
peixes carnudos e vegetais viçosos —toma- ções autorais e modernas, conserva clás- e azeite extravirgem. Sobre ela, polvilha-
te, brócolis, abobrinha, berinjela. As recei- sicos sicilianos, como o arancini (bolinhos se farinha de pão italiano, com pinole e
tas são geralmente feitas a partir de ingre- de risoto frito) e os cannoli, aqueles canu- uva passa —“para comer de colher, como
dientes simples e locais. Há forte presença dos de massa sequinha e crocante. os mafiosos”, diz a chef aos risos.
de frutas cítricas em sorvetes ou cristaliza- No Taormina, há 20 anos a receita que Nino Cucina e Vino - @ R. Jerônimo da Veiga, 30, Jardim Euro-
das e laticínios com leite de cabra e ovelha. ocupa o centro das atenções é o ditalini al- pa, tel. 3368-6863. Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sex.: 12h
às 16h e 19h à 1h. Sab.: 12h às 17h e 19h à 1h. Dom.: 12h às 20h.
Um grande painel de azulejos na parede la norma, feita desde os primórdios pela
Ristorante Taormina - @ Al. Itu, 251, Cerqueira César, tel.
do Nino Cucina, a primeira casa do italiano proprietária, Helena Maria Zamperetti Mo- 3253-6049. Seg. a sex.: 12h às 15h. Sab. e dom.: 12h às 16h.

┆ ┆ ┆ 51
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
viageM eM
Majâz, Palestina
Na Vila Buarque, há uma trilha em direção a al-
go. Esse algo é a Palestina. E essa trilha é o Ma-
jâz, que em árabe significa… trilha em direção a al-

PeQUeNaS
go. Ao criarem o restaurante, em 2018, os irmãos
Mouhammad e Raame Othman aproveitaram
o formato do terreno e reproduziram o mapa ori-
ginal da Palestina, pré-1948: entra-se pelo norte,

DOSeS
como se estivesse vindo do Líbano.
Na carta de drinques, o imperdível majâz
(R$ 24), criado pelo bartender e doutor em rela-
ções palestino-israelenses Arturo Hartmann. Ali-
ando cachaça e arak, reproduz as cores da bandei-
ra Palestina: o verde do limão, da hortelã e do za- Cinco drinques de
atar, o vermelho da pimenta-biquinho e o preto
da pimenta-preta. quatro países para
@ Majâz - R. Fortunato, 88, Vila Buarque, tel. 3334-0118. Ter. a qui.: 18h
às 23h45; sex.: 18h às 2h; sáb.: 12h às 2h; dom.: 12h às 18h.
experimentar pelos
balcões de São Paulo

Luiz Antonio Del Tedesco

Khaennip Sour, Coreia do Sul


O Bar do Komah, cria do restaurante homônimo,
surgiu há pouco mais de um mês e já é sucesso.
O local, pequeno e de arquitetura moderna, ofe-
rece petiscos tradicionais coreanos e drinques
curiosos. Como ingrediente, tanto nos petiscos
como nas bebidas, está o kimchi, vegetais (nabo
e acelga, principalmente) que ficam fermentan-
do com pimenta por cerca de 15 dias.
O álcool quase sempre vem do soju, destilado
comumente feito de arroz, mas que pode tam-
bém vir da batata-doce ou da cevada.
Um drinque do bar que respeita essa tradição é
o khaennip sour (R$ 32), que leva soju, gin Tanque-
ray, suco de limão, açúcar, clara de ovo e khaennip,
folha de gergelim selvagem, comum na Coreia.
Apesar de ser um destilado, o soju não tem
uma alta graduação alcoólica —por volta de 22°,
abaixo da cachaça, que varia em torno de 40°.
Prove também o kimchi mary, feito com vod-
ca Ketel One, suco de tomate da casa, kimchi
de acelga, mix de temperos e suco de limão.
@ Bar do Komah - R. Cônego Vicente Miguel Marino, 378, Barra Funda, tel.
3392-7072. Seg. a qua.: 18h30 à 0h; qui. e sex.: 18h30 à 1h; sáb.: 17h à 1h.

52 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
@ Região CentRal @ zona SUl @ zona noRte @ zona oeSte @ zona leSte

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Djindja e mukua, Camarões
A camaronesa Melanito Biyouha criou em diz Melanito. por isso, a bebida é geral-
2007 o restaurante Biyou’Z, diminutivo mente consumida sem álcool. os adultos
de seu nome de família. de início, se de- podem experimentar a versão alcoólica,
dicou à culinária de seu país, mas depois geralmente feita com cachaça (r$ 25).
começou a fazer pratos de países vizinhos, “A semente do baobá, chamada mukua,
como nigéria e Gabão, e não tão vizinhos, é encorpada, por isso mistura-se com me-
como senegal e Angola. está dando tão lancia, para resultar em um gosto mais su-
certo que em 2019 abriu uma filial na rua ave”, explica a chef camaronesa.
Fernando de Albuquerque (Consolação). Mas o drinque tradicional mesmo
As duas casas atraem não só quem no Biyou’Z é a djindja (r$ 21), corruptela
quer provar da culinária africana, mas para “ginger” (gengibre), ingrediente leva-
também das suas bebidas. Uma das mais do pelos ingleses que colonizaram o sul
curiosas é a mukua, feita com melancia e de Camarões. A versão do djindja que
o fruto do baobá, a enorme árvore africa- Melanito faz leva, além do gengibre, li-
na tão conhecida pelos que leram “o pe- mão, laranja, açúcar e cachaça.
queno príncipe”. o fruto, pela sua forma, “lá em Camarões costuma-se fazer ál-
lembra o cacau. Mas dentro há uma polpa cool a partir dos troncos das palmeiras.
seca, que se tritura para fazer a bebida.
o tronco é moído e dele se retira um líqui-
“As pessoas ficam curiosas para pro-
do branco, que depois é destilado”, conta.
var, principalmente as crianças que @ Biyou’z - Al. Barão de Limeira, 19, Campos Elíseos,
conhecem a história do pequeno príncipe”, tel. 3221-6806. Seg. a dom.: 12h às 23h.

Umeshu Soda, Japão


Kaori Muranaka está no Brasil desde 2013. o repórter da Folha era o único ocidental
A convite do irmão, que estava montan- e não “nipoglota” ali).
do um restaurante na Vila Madalena, veio Kaori conta que, no Japão, apesar de
ajudá-lo na empreitada e deixou a sua pe- haver algumas tradições, como a de acres-
quena ilha natal de ogasawara. centar água quente ao shochu (“fica mais
passado um tempo, o restaurante —na cheiroso e com um sabor mais suave”, diz
verdade um izakaya, mais um bar do que ela), é mais comum servir bebidas alcoóli-
restaurante— se mudou para o Jardim cas como saquê e shochu puras.
paulista, e Takahiro, o irmão, foi passar no Quito Quito, os clientes, quando
um tempo estudando gastronomia no Ja- querem um drinque, geralmente pedem
pão. em março de 2019, Kaori assumiu en- uma caipirinha com shochu no lugar da
tão momentaneamente o Quito Quito. cachaça. Mas a bebida oriental de maior
É ela quem prepara os tradicionais e inco- sucesso ali leva apenas shochu de ameixa
muns pratos que serve ali, como a pele de e água com gás (r$ 35).
robalo com molho ponzu (feito com ela coloca uma pedra de açúcar e as
limão) ou pescoço de olhete grelhado. ameixas em uma garrafa de shochu e dei-
Keiny AndrAde/FolhApress

na prateleira atrás do balcão, as garra- xa (ou deveria deixar) maturando por um


fas de uísque e shochu (as de saquê ficam ano. depois é só misturar com a água.
na geladeira) com os nomes dos clientes
“A última garrafa abri após quatro meses.
grafados em japonês mostram que o Qui-
É muito gostoso, não consegui esperar.”
to Quito é um izakaya frequentado pela @ Quito Quito - Al. Campinas, 1.179, Jd. Paulista, tel. 3586-
comunidade japonesa (no dia da visita, 4730. Seg. a sáb.: 18h às 22h30.

┆ ┆ ┆ 53
THAyS BITTAr/foLHAPrESS
noite

O cOpO escOlas

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


cervejeiras

dO mundO São quatro: alemã,


belga, inglesa e ameri-
cana. Elas têm a ver não

é nOssO só com a região, mas


também com um estilo
de fabricação

Paulistano pode provar alemã


cervejas estrangeiras Pode acrescentar as
pilsen (tchecas) à
recém-saídas da torneira escola, da qual advém
a Lei da Pureza. Criada
em 1516, determina que
a bebida seja feita com
Sandro Macedo
malte, água e lúpulo
(levedura foi acres-
Primeiro, veio o boom da importação, com centada depois). No
Biergarten Munique, dá
vários rótulos de diferentes países chegando para encontrar estilos
a São Paulo e ampliando a oferta de locais como hefe-weiss ou
para além dos pubs. Depois, a turma daqui salvator, da Paulaner.
se desembestou a criar as cervejas locais, @ Biergarten munique -
Shop. Center Norte. Trav. Casal-
inspiradas nas diferentes escolas do mundo buono, 120, Vl. Guilherme,
tel. 2252-2427. Seg. a dom.:
e dando o toque brasileiro —já ultrapassa- 11h30 à 24h.
mos a quantidade de mil cervejarias.
Agora, é possível dizer que estamos na ter- Belga
ceira onda, na qual cervejarias apostam nos Inventiva, é conhecida
pelo uso de outros
brewpubs, casas que fabricam a própria cer- ingredientes, como a
veja e oferecem o líquido o mais fresco possí- witbier, que acrescenta
vel. E não são apenas as micros da região. casca de laranja e coen-
tro e é especialidade da
Um exemplo é a Greenhouse, endereço Hoegaarden.
paulistano da belga Hoegaarden. Se você @ Hoegaarden Greenhouse

quer tomar a witbier recém-saída da tornei- - R. Fernão Dias, 672, Pinheiros,


tel. 3031-5099. Ter. a qua.: 12h
ra de Hoegaarden, esse é o melhor lugar da às 24h. Qui. a sáb.: 12h a 1h.
Dom.: 12h às 22h.
cidade e do hemisfério Sul.
Quer dar uma volta no globo sem deixar o inglesa
largo da Batata? É só se dirigir à Goose Island, A escola tem rótulos
marca de Chicago com vários rótulos que com amargor acentua-
do, as bitters, incluindo
saem direto dos barris de inox do bar em Pi- pale ales ou uma boa
nheiros. Em comum, ambas são da Ambev. Punk IPA, clássica da
Fãs dos rótulos mais potentes da escoce- escocesa BrewDog.
sa BrewDog têm à disposição cerca de 14 @ Brewdog - R. Coropé, 41,
Pinheiros, tel. 3032-4007. Seg.
deles servidos em chope no bar da cerveja- a qui.: 15h às 24h. Sex. a sáb.:
12h a 1h. Dom.: 12h às 22h.
ria, em Pinheiros, em frente ao Instituto
Tomie Ohtake. No entanto, ao contrário da americana
Goose ou da Hoegaarden, os chopes não são É marcada pelo terroir
fabricados aqui; eles chegam da Escócia. A dos Estados Unidos,
casa, que acabou de completar seis anos, foi que confere aromas e
sabores especiais ao
a primeira a ser inaugurada fora da Europa lúpulo. Uma das boas
e ainda é a única na América Latina. artesanais é a Goose
Para fechar a viagem no melhor estilo Island, de Chicago.
@ Goose
alemão, a dica é o Biergarten Munique, com island - R. Baltazar
Carrasco, 187, Pinheiros, tel.
três versões do chope Paulaner, o mais ven- 2886-9858. Ter.: 18h às 24h.
Qua. e qui.: 12h a 1h. Sex. a sáb.:
dido na Bavária. “Prost!” * Torneiras de cerveja da americana Goose island 12h a 1h. Dom.: 12h às 22h.

54 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
noite

território

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


palestino
Capital ganha mais um bar
dedicado à cultura dessa
região do Oriente Médio

Flávia Mantovani

Três grandes bandeiras decoram a parede


principal do restaurante Al Mazen. Elas re-

KEINY ANDRADE/FOLHAPRESS
presentam a trajetória de vida de seu propri-
etário, Mazen Zwawe, 28: a da Palestina,
terra de seu avô e de onde herdou sua naci-
onalidade; a da Síria, onde ele nasceu e viveu
a maior parte de sua vida; e a do Brasil, para
onde veio quando deixou a guerra para trás.
Aberta há três meses, a casa na Vila Ma- narguilés decoram o restaurante al Mazen, aberto em outubro
dalena é a realização do sonho que tinha
quando chegou a São Paulo, em 2013, sem
conhecer ninguém e com US$ 100 no bolso. outros O chef, que também é barman, pretende
Desde então, ele se virou vendendo água bares criar drinques do Oriente Médio em breve.
na rua e comida em food parks. Também foi Também deve alugar narguilés para quem
responsável pela cozinha de um popular bar al Janiah quiser fumar na área externa.
Misto de restaurante,
palestino no Bexiga, o Al Janiah, de onde bar e centro cultural, “Foquei primeiro em deixar a cozinha em
saiu para montar seu próprio negócio. é engajado, com fun- ordem”, diz Mazen, que veio para o Brasil
Diferentemente de muitos refugiados que cionários refugiados e sem planejar. Aguentou viver dois anos na
homenagens a ícones da
só começaram a trabalhar com comida ao esquerda nas paredes. Síria em guerra. Quando estava prestes a ser
chegar ao Brasil, Mazen já atuava na área @ R. Rui Barbosa, 269, Bela convocado para o Exército, preferiu sair.
antes de migrar. Formado em gastronomia, Vista, s/tel. Ter. a qui.: 18h
à 1h. Sex. e sáb.: 18h às 3h.
Seu destino seria a Tailândia, onde cozi-
tinha um restaurante na capital síria, Damas- nharia no restaurante de um tio. Mesmo com
co, que foi bombardeado. “Felizmente estava bab visto, foi barrado. “Disseram: ‘Seu visto es-
vazio na hora e ninguém morreu”, conta. Assumido pelo palesti- tá em ordem, mas você não vai entrar porque
no Salim Mhanna e por
O Al Mazen serve bufê no almoço e pratos sua mulher, Oula, em
veio da Síria’. Pior ainda tendo nacionalida-
e petiscos à la carte até as 2h. Entre as op- 2018, o bar virou ponto de palestina. Nenhum país nos aceita”, diz.
ções, charuto de folha de uva, arroz marro- do público LGBT e pro- Voltou ao Líbano, de onde tinha saído seu
move eventos em que
quino, kebab, falafel, churrasco árabe e voo, e acabou conseguindo um visto brasi-
cozinham refugiados
pastas como a pouco conhecida muhamara de vários países. leiro ao acompanhar um primo ao consula-
(de pimentão vermelho e nozes). De vez em @ Pça. Franklin Roosevelt, 124, do. Hoje, quer ficar no país definitivamente.
quando, aparecem pratos tipicamente pa- Consolação, tel. 97952-0624.
Seg. a dom.: 10h à 1h.
“Metade da minha família está na Europa,
lestinos, como o maqluba (à base de arroz, mas prefiro o Brasil. Aqui as pessoas tentam
carne, berinjela e tomate). Alguns ingredi- até falar árabe para ajudar”, diz. *
entes vêm da Síria, como a água de rosas e o @ al Mazen - R. Mourato Coelho, 1.327, Vila Madalena, tel. 3819-7770. Seg. a dom.:
11h às 2h.
molho de romã. Para beber, há desde caipi-
rinhas até o destilado árabe arak. @ região central @ zona sul @ zona norte @ zona oeste @ zona leste

56 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
keiny andrade/folhapress
sala coletiva de karaoke da
Tokyo, na região central

sobe o som Tokyo


@ R. Major Sertório, 110,
Vila Buarque, tel. 3159-0190.

Inspirada em casa japonesa, karaoke no alto de prédio Qua. a sáb.: 18h às 6h. Dom.:
16h às 23h.

histórico do centro recebe 15 mil clientes por mês


ouTros
endereços
Carolina Moraes
Tequila’s
o espaço é decorado
Na contramão dos populares karaokes da sencontros”, com Scarlett Johansson. com luzes azuis e tem
Liberdade, que funcionam em espaços fecha- As festas na pista de dança fazem sucesso um palco. Com o valor
dos, os sócios Junior Passini, 35, e Fábio Ba- na Tokyo, mas as salas de karaokes —há es- da entrada (a partir de
r$ 10), o visitante pode
lestro, 38, preferiram investir em um empre- paços privados e uma área coletiva— conti- cantar quantas músicas
endimento aberto, com uma vista da cidade. nuam o centro do negócio. quiser.
O público comprou a ideia. Batizada de A atmosfera japonesa ficou preservada. @ R. da Glória, 543, Liberdade,
Tokyo, a mistura de karaoke, bar e restau- “Os sofás das salas coletivas são bem con- tel. 3207-0377. Seg. a qui.: 19h
às 3h. Sex. e sáb.: 19h às 5h.
rante recebe 15 mil pessoas por mês desde fortáveis porque, no Japão, as pessoas têm
que foi inaugurada, em abril de 2018. costume de ir do trabalho direto para o ka- Choperia
Inspirado na cultura nipônica, o complexo raoke”, conta Mila Strauss, arquiteta da Liberdade
o clima é resultado de
ocupa nove andares de um prédio modernis- MM18, responsável pela reforma do prédio. uma mistura de ele-
ta com a fachada tombada. Das janelas, dá Cada sala é inspirada em um bairro de mentos excêntricos. as
para ver os edifícios Itália e Copan. O público Tóquio —um deles é o boêmio Shibuya, onde paredes são vermelhas,
os sofás, de couro, e os
já pode usar do sexto ao nono andar do pré- fica o Karaoke Kan. Mas a vista para o centro que resolvem cantar
dio. O quinto será inaugurado em maio. é uma das características mais especiais do na pista ficam entre os
A ideia do projeto surgiu depois que a projeto, para a arquiteta. clientes com cerveja e
dupla de sócios conheceu o Karaoke Kan, “Muita gente que não frequentava a regi- chope nas mãos.
famoso ponto de Tóquio onde Sofia Coppola ão consegue ter uma ideia do que acontece @ R. da Glória, 523, Liberdade,
tel. 3207-8783. Ter. a dom.: 19h
gravou uma cena do filme “Encontros e De- por ali”, afirma. * às 5h.

@ região CenTraL @ zona suL @ zona norTe @ zona oesTe @ zona LesTe

58 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
cidade Em templos de São Paulo, dá para rezar o
pai-nosso em inglês, repetir mantras em ja-
ponês, fazer preces em armênio e orar cinco

de todos
vezes ao dia em árabe.
Só na igreja Nossa Senhora da Paz, na
Liberdade (região central), há missas em
cinco línguas. O lugar foi fundado na déca-

os santos
da de 1940 pela ordem italiana dos escala-
brinianos, ligada à causa da migração.
Os missionários já estavam no país desde
o final do século 19, conta o padre Paolo
Diversidade de crenças, cultos e Parise, 53, que nasceu na Itália e é pároco
da igreja desde 2010. A escolha da santa
templos transforma a capital paulista padroeira é uma referência às guerras que
em um grande centro ecumênico trouxeram os italianos para São Paulo.
Até os anos 1970, a principal comunidade
que frequentava a igreja ainda era compos-
Ana Luiza Tieghi ta por descendentes do país europeu, e as
missas eram realizadas em italiano.
A partir da década de 1970, imigrantes da

60 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
FOTOS Keiny AndrAde/FOlhApreSS
Coreia do Sul, do Chile e do Vietnã foram nidade de formar uma comunidade com
absorvidos pela paróquia. outras pessoas de mesma origem também
Hoje, segundo Parise, a igreja tem fiéis atrai os fiéis. “Tem gente que não participa-
italianos, filipinos, haitianos, bolivianos, va das missas na sua terra natal, mas come-
chilenos, paraguaios, peruanos, equatoria- çou a frequentar aqui”, diz.
nos e colombianos —além dos brasileiros. Perto dali, no Bom Retiro, a Igreja Apos-
No mesmo espaço, há três paróquias: a tólica Armênia de São Jorge é ponto de en-
regional, com missas em português, a itali- contro para os descendentes de imigrantes
ana e a hispânica. Aos domingos, há três do país. Erguido em 1948, o templo, cinza
missas em português e uma celebração em por fora, pode passar despercebido por quem
outro idioma. No primeiro domingo do mês trafega pela avenida Santos Dumont. É por
é a vez do italiano; no segundo, do francês; dentro que a construção impressiona, com
Interior no terceiro, do inglês e, no quarto, do espa- cenas bíblicas pintadas no teto, vitrais colo-
da Igreja nhol. As comunidades hispânicas se reve- ridos e paredes adornadas.
Apostólica zam no comando da celebração. As missas, sempre aos domingos, às
Armênia de
A ordem dos escalabrinianos mantém 10h30, são rezadas em grabar, a forma clás-
São Jorge, no
Bom Retiro; à também a Missão Paz, com um centro de sica do armênio, usada desde o ano 405.
dir., detalhe acolhida para imigrantes de várias religiões. De acordo com a secretária executiva da
do teto da A mistura de comunidades nem sempre igreja, Margarit Vratsyan Agopian, 33, que
igreja, com é pacífica. “Houve momentos difíceis, por- veio da Armênia para o Brasil em 2013, me-
painéis que que as pessoas viam a igreja como sendo nos da metade dos descendentes armênios
retratam delas e depois tinham que dividi-la com pes- dominam a língua do país.
cenas bíblicas
soas novas”, afirma Parise. Quem não entende o idioma, porém, tam-
Mas isso não impediu que todos atuassem bém consegue participar da celebração, já
juntos quando houve a crise de imigração que há livros e folhetos com as orações em
haitiana ao país, de 2014 a 2015, conta. “Foi português disponíveis nos bancos.
interessante ver essa abertura no momento A fé em São Jorge leva fiéis de outras reli-
da necessidade.” giões ao local, conta Agopian. “Eles ficam
Segundo o padre, a possibilidade de rezar surpresos quando descobrem que não é uma
em seu próprio idioma recupera um vínculo igreja católica”, afirma. Os visitantes chegam
de cada imigrante com seu país. A oportu- principalmente no dia do santo, celebrado 5

┆ ┆ ┆ 61
Catedral
Apostólica Armênia
de São Jorge

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Missas aos domingos,
às 10h30. As orações são
feitas em armênio clássico,
mas há livros em português
para acompanhar os ritos.
@ Av. Santos Dumont, 55, Bom
Retiro, tel. 3227-0869. Seg. a sex.: 9h
às 15h30. Sáb.: das 10h às 13h.

Paróquia Pessoal
Coreana São
Kim Degun
Missas em coreano às
7h na segunda e às 19h
na terça. De quarta a sábado

keiNy ANDrADe/fOlHApress
há celebrações no idioma às
7h e 19h; aos domingos, às
7h e 9h. Missa em português,
na capela da igreja, aos
domingos, às 10h30.
@ R. Nair de Teffé, 147, Bom Retiro,
tel. 2128-0401.

Ofício budista no templo Honpa Hongwanji, na Chácara Inglesa, zona sul de São Paulo
Igreja Nossa
Senhora da Paz
Missas em português de
em 23 de abril na tradição católica. chances de ter visitantes, há um esforço pa- segunda a domingo, às 19h.
De acordo com a secretária, eles são bem- ra se celebrar em português. Aos domingos, também
há celebrações às 8h e 9h30.
vindos, mas não é realizada uma celebração Ele explica que a procura dos descenden- Há missas em italiano no
especial para o santo nesse dia. Na religião tes de japoneses pelo budismo, principal- primeiro domingo de cada
armênia, o dia de São Jorge é comemorado mente nas gerações mais novas, vem caindo, mês, em francês no segundo
e em inglês no terceiro,
no último sábado de setembro. enquanto a dos não descendentes está au- às 11h. No quarto domingo
Os brasileiros também são bem-vindos mentando. Por isso, a sua federação, Terra é em espanhol, às 12h.
nas celebrações do templo budista Honpa Pura —vertente do budismo que tem 35 tem- @ R. do Glicério, 225, Liberdade,
Hongwanji, chamadas de ofícios. O local, plos na América Latina—, tenta hoje formar tel. 3209-5388. Seg. a sex.: das 9h às
12h e das 13h30 às 17h30. Sáb.: das
que em 2019 completou 60 anos, fica na Chá- mais monges brasileiros. 10h30 às 12h.

cara Inglesa, zona sul de São Paulo. Mostrar a religião aos paulistanos tam-
Catedral
Boa parte dos ofícios, porém, não são em bém é o objetivo de um grupo com cerca de
Metropolitana
português. Como explica o monge superior 30 senegaleses fiéis do muridismo, vertente Ortodoxa
Mário Kajiwara, 48, a maioria dos frequen- do islã. Toda segunda-feira à noite, eles se Missas somente aos domin-
tadores do local são descendentes de japo- reúnem na praça da República, no centro, gos, às 10h15, em português.
neses e ainda há muitos idosos que vieram para rezar, dançar e entoar cantos. Algumas orações são feitas
em árabe.
do país asiático. As músicas e orações são feitas em árabe @ R. Vergueiro, 1.515, Paraíso, tel.
Outro motivo para as celebrações serem e em wolof, idioma que, além do francês, é 5907-8610. Seg. a sex.: das 9h às 13h e
das 15h às 18h. Sáb.: das 10h às 13h.
em japonês vem dos próprios monges: pou- falado no país africano.
cos sabem português ou se sentem confor- Segundo Ibrahima Seck, 29, o evento às Templo Honpa
táveis em celebrar na língua. Ele, que é neto segundas também é uma maneira de unir a Hongwanji
de imigrantes e fez sua formação religiosa própria comunidade senegalesa. “Tem gen- Ofícios todos os dias, às
no Japão, celebra nos dois idiomas. te que veio de outras cidades para morar em 7h, e também às 16h30, de
segunda a sexta, geralmente
Segundo Kajiwara, o idioma usado de- São Paulo por causa desse grupo”, afirma. em japonês. Aos domingos,
pende também do público do dia. Caso pre- Qualquer pessoa é bem-vinda para acom- o ofício é celebrado por mon-
dominem os fiéis japoneses, maioria duran- panhar a celebração na praça. Nos outros ges que falam português.
te a semana, utiliza-se o idioma oriental. No dias da semana, os senegaleses se reúnem @ R. Changua, 108, Chácara Inglesa,
tel. 2275-8677. Aberto todos os dias,
ofício dos domingos, quando há maiores em mesquitas do centro. * das 8h30 às 18h.

@ RegIãO CeNTRAl @ zONA Sul @ zONA NORTe @ zONA OeSTe @ zONA leSTe

62 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
treinamento de sumô no ginásio do mie nishi, na região central de São Paulo

lute como um gringo


Modalidades estrangeiras pouco conhecidas no país ganham espaço
na metrópole, onde já é possível praticar sumô, críquete e beisebol

Dante Ferrasoli É possível encontrar em São Paulo, cidade ca apenas como estádio de beisebol, em
mais cosmopolita do Brasil, esportes nada homenagem aos 50 anos da chegada dos
ou pouquíssimo conhecidos no país. japoneses ao Brasil.
Só no complexo do estádio Mie Nishi, que “Até o príncipe do Japão da época, Mika-
fica no Bom Retiro, região central da capital, sa, veio para a cerimônia”, afirma Olívio
pode-se praticar quatro esportes associados Sawasoto, 74, diretor da Confederação Bra-
à comunidade japonesa: beisebol, softbol sileira de Beisebol e Softbol.
(versão do beisebol com uma bola maior e O local, que recebeu em 1963 o beisebol
mais macia), gueitebol (jogo cujo objetivo é, nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, é
com a ajuda de um taco, fazer a bola passar até hoje o único estádio público para a prá-
sob arcos, os ‘gates’) e sumô. tica do esporte no país.
O espaço foi inaugurado em 1958, na épo- Segundo Sawasoto, a modalidade existia

64 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
no Brasil antes de o navio Kasato Maru apor-
tar em Santos, mas a prática aumentou mui-

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


to com a vinda dos japoneses. De origem
americana, o beisebol é o esporte mais po-
pular do Japão. Chegou ao país no século 19,
quando o arquipélago se abriu para o mun-
do e sua elite foi estudar nos Estados Unidos.
Apesar da forte influência nipônica, Sa-
wasoto conta que hoje, na seleção brasileira,
a maioria dos jogadores não têm ascendên-
cia japonesa, diferentemente dos clubes na
região metropolitana de São Paulo.
Já o sumô, também praticado no Mie Ni-
shi, é essencialmente japonês, ligado ao
xintoísmo, religião politeísta com origem no
país. “A única diversão que os imigrantes
tinham nas fazendas eram esportes, e o mais
recorrente era o sumô porque ele não exige
nenhuma ferramenta ou equipamento”, afir-

Fotos Keiny AndrAde/FolhApress


ma Oscar Morio Tsuuchiya, 69, presidente
da Confederação Brasileira de Sumô.
Nos anos 1950, conta ele, havia campeo-
natos da modalidade envolvendo as colôni-
as no estado de São Paulo. Cerca de 50 pes-
soas treinam no ginásio, o único público e
exclusivo para sumô fora do Japão.
Quase um completo desconhecido no Bra-
sil, mas popular na Inglaterra e em suas
ex-colônias, o críquete também tem prati-
cantes em São Paulo. CIDADE GANHA ESPAÇO PARA CURLING
O esporte chegou ao Brasil no meio do Luta de sumô O curling, esporte de origem escocesa no
no Mie Nishi,
século 19, no Rio, com imigrantes ingleses. no Bom Retiro
qual os jogadores “varrem” o gelo após lan-
Foi em São Paulo, porém, que a modalidade çarem uma pedra na superfície rumo a um
vingou mais, quando Charles Miller trouxe alvo, pode ser praticado em pistas oficiais
da Inglaterra, além da bola de futebol, equi- em São Paulo desde sábado (25).
pamentos para a prática de críquete em 1894. Na data do aniversário da cidade, foi inau-
Ele também se empenhou na organização gurada no Morumbi a Arena Ice Brasil São
de partidas na região, em locais como o São Paulo, área de entretenimento no gelo com
Paulo Athletic Club (Spac), clube que tem três pistas oficiais para a prática, além de
origem inglesa. rinque para patinação e hóquei 3x3 (versão
Hoje, um grupo de cerca de cem pessoas com menos jogadores), café e bar.
ainda pratica a modalidade no Spac. Da tur- Segundo Marcelo Umti, gerente da CBDG
ma, apenas cinco são brasileiros, conta o (Confederação Brasileira de Desportos no
australiano e presidente-executivo da asso- Gelo), a ideia, além de acolher quem quer
ciação Cricket Brasil, Gregory Caisley. Os praticar, é oferecer oficinas.
outros são principalmente imigrantes vindos “O carro-chefe do espaço é o curling. Além
de ex-colônias britânicas —do Afeganistão de ser um entretenimento democrático, que
à Nova Zelândia. qualquer um pode jogar, planejamos ter
Uma vez por mês, geralmente num do- brasileiros lutando por vagas nos Jogos de
mingo, há treino ou jogo no clube. Para par- Inverno de 2026 ou 2030”, diz.
ticipar, Caisley pede que o interessado lhe Segundo ele, o empreendimento deve re-
envie uma mensagem através do email gcais- ceber entre 250 e 350 pessoas em dias úteis
ley@[Link]. e entre 800 e 1.000 nos fins de semana. 5

┆ ┆ ┆ 65
CuRlINg
Numa superfície de gelo, os jogadores fazem uma pedra
de granito deslizar rumo a um alvo desenhado no chão.
Enquanto ela desliza, seus companheiros “varrem” o gelo

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


com uma espécie de vassoura para adequar sua trajetória.
Após oito lançamentos por equipe (um end), o time que
tiver conseguido colocar pedras mais perto do centro do
alvo do que o oponente marca pontos —um para cada peça
colocada. Durante o end, é permitido tirar a pedra rival de
uma boa posição usando as suas próprias, e somente as que
terminam dentro ou margeando o alvo contam. Ganha a
equipe que conseguir mais pontos após dez ends.

CRÍQuEtE
Os times, de 11 jogadores, se alternam entre
lançar e rebater. Na primeira função, o objeti-
vo é eliminar rivais. Uma forma de fazê-lo é
derrubar uma das bails (duas pequenas vare-
tas colocadas sobre três paus de madeira,
o wicket) com a bola. A estrutura fica atrás
do rebatedor. Quando dez jogadores são
eliminados, um innings (ou entrada) acaba.
Os rebatedores jogam em dupla (cada um
numa base), com todos seus adversários
espalhados pelo campo, e devem pontuar.
Após a rebatida, os jogadores trocam de
lugar quantas vezes for possível até que os
rivais consigam levar a bola a uma base.
Cada troca vale um ponto. Outro jeito de
pontuar é mandar a bola no limite do campo
(ou fora dele). Se a bola não pinga, vale 6
pontos; se o faz, 4. O jogo tem 4 entradas.
SuMÔ
É uma luta agarrada,
de grappling. Não são
permitidos golpes como
socos, chutes, mordidas,
etc. Para vencer, o lutador
deve empurrar o adversário
para fora do círculo ou
derrubá-lo/fazer com que
ele encoste alguma parte BEISEBol
do corpo que não seja a Equipes se revezam entre lançar e rebater. No primeiro caso,
sola dos pés no chão. Não devem eliminar adversários; no segundo, pontuar. Para con-
há contagem de pontos e seguir pontos, o rebatedor deve dar uma volta completa no
os embates geralmente terreno (que tem quatro bases). Isso vale um ponto. Quem
duram segundos. Antes do arremessa quer eliminá-lo. Um rebatedor é eliminado se
combate os atletas jogam levar três strikes. Um strike acontece, por exemplo, quando
sal na arena, costume um adversário segura a bola rebatida antes que ela toque
xintoísta para proteger e o chão ou quando os rivais a levam a uma base antes que o
expulsar maus espíritos. rebatedor chegue nela (se não estiver seguro numa outra).
Quando três atletas são eliminados, as equipes trocam de
IlUStRAçõES CAtARINA PIGNAtO
posição. Ganha quem tiver mais pontos após nove entradas
(período em que os dois times atacam e defendem). Se
houver empate, joga-se até alguém vencer.

Estádio Mie Nishi Arena Ice Brasil São Paulo São Paulo Athletic Club
Espaço no Bom Retiro onde se pode praticar Espaço inaugurado em 25 de janeiro, Clube fundado por ingleses onde há o único
esportes associados à colonização japonesa. no Morumbi, onde há três pistas de curling campo oficial de críquete na cidade. Um grupo
Reservas (para grupos): beisebol R$ 92,50 a e rinque para patinação e hóquei 3x3, além de cem membros pratica o esporte lá. Cada trei-
hora; gueitebol e sumô: R$ 27 a hora. O uso sem de bar e café. O preço para a o curling, por
no custa cerca de R$ 70 por pessoa. Interessados
reservas é livre se houver espaços disponíveis. pessoa, é entre R$ 50 e R$ 60.
podem escrever para gcaisley@[Link].
@ @ Av. das Nações Unidas, 16.741 (no complexo do hipermercado
Av. Castelo Branco, 5.446, Bom Retiro, tel. 3221-5105.
Extra), Morumbi. Seg. a dom.: 8h às 23h. @ Av. Atlântica, 1.448, Socorro. Ter. a dom.: 6h30 às 23h.
Seg. a dom.: 8h às 17h.

@ REgIão CENtRAl @ zoNA Sul @ zoNA NoRtE @ zoNA oEStE @ zoNA lEStE

66 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
alunos na escola islâmica Brasileira, localizada na Vila carrão, na zona leste de são Paulo

lição de casa
Com aula de cerimônia do chá e leitura do Alcorão, colégios
de imigrantes transmitem as tradições de seus países

Carolina Muniz Em uma escola, crianças aprendem o árabe palmente filhos de imigrantes de países
e os preceitos do islamismo. Em outra, estu- árabes. Erguida há 49 anos pela comunida-
dam a tradicional cerimônia do chá japone- de libanesa, ela inclui o ensino de árabe e
sa. Em São Paulo, colégios fundados por de religião na grade curricular.
imigrantes ajudam a preservar as tradições “É uma escola tradicional brasileira, mas
de seus países de origem. que tem a cultura islâmica como um ponto
Localizada na Vila Carrão, na zona leste, a mais”, afirma Mageda Smaili, coordena-
a Escola Islâmica Brasileira recebe princi- dora dessa área dentro do colégio, que

68 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
conta com cerca de 330 alunos.
Na educação infantil, metade do período
é lecionada em árabe e a outra, em portu-
guês. Do ensino fundamental até o segundo
ano do médio, os alunos têm cinco aulas
semanais de árabe e três de ensino religioso.
No terceiro ano, a frequência das aulas di-
minui para uma e duas, respectivamente,
por causa da preparação para o vestibular.
Meninas e meninos estudam na mesma
sala. Só nas aulas de ensino religioso há uma
separação, mas todos fazem juntos a leitura
do Alcorão, livro sagrado do islamismo.
Uma das datas mais importantes para o
colégio é o Ramadã, mês sagrado no qual os
muçulmanos fazem jejum do nascer ao pôr
do sol. Crianças pequenas não ficam sem
comer durante o período, mas já aprendem
a importância do momento, que é também
de oração e caridade.
Não há idade certa para começar a jejuar,
diz Mageda, mas em geral isso acontece na
escola a partir dos 13 anos. Ela diz que, mes-
mo não sendo obrigatório, todos os adoles-
centes costumam participar, até aqueles
divulgação

poucos que não são muçulmanos.


Trabalham ali funcionários de todas as
crenças, inclusive ateus, segundo a coorde-
nadora. Os professores são escolhidos por
sua capacidade técnica, diz ela.
O mesmo acontece no Colégio Brasileiro
Islâmico, fundado no Pari em 2010 e que
atende cerca de 230 alunos. Na educação
Escola Islâmica infantil, os alunos têm dez aulas semanais
Brasileira de árabe e, no ensino fundamental, oito,
@ R. Pedro Malaquias, 34, Vila
além de duas aulas de religião —meninas e
Carrão, tel. 2782-7700. Da edu-
cação infantil até o ensino mé-
meninos estudam juntos.
dio. Mensalidade: de R$ 1.000 Segundo a diretora, Nisrine Berri, libane-
a R$ 2.000, dependendo da
faixa etária. sa naturalizada brasileira, o uso de véu is-
lâmico pelas meninas não é obrigatório.
Colégio Brasileiro “Aquelas que usam se sentem mais à vonta-
Islâmico de do que em outras escolas, porque não se
@ R. Santa Rita, 961, Pari,
tel. 3221-0166. Da educação in-
veem como diferentes”, diz.
fantil até o ensino fundamen- Na capital paulista, existe ainda colégio
tal 2. Mensalidade: de R$ 890 a
R$ 1.365. israelita, americano, espanhol, suíço, fran-
cês, britânico, italiano, alemão, canadense.
Colégio Oshiman “Há uma diversidade grande de países, mas,
@ R. Ferdinando Galiani, 80,
Vila Mariana, tel. 5908-0019.
na comparação com o todo, são poucas as
Da educação infantil até o ensi-
no fundamental 2. Mensalida-
escolas do tipo”, afirma Eugênio Cordaro,
de: a partir de R$ 3.560. diretor da Abepar (Associação Brasileira 5

┆ ┆ ┆ 69
DIvUlGAçãO

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


de Escolas Particulares). Ele estima que, em outras escolas
aula de sadô,
São Paulo, de 10% a 15% das escolas priva- que ensina
Paca (Pan american christian academy)
das ofereçam mais uma língua no currículo Fundada em 1960, é uma escola internacional os rituais da
além do português e do inglês. que tem como objetivo proporcionar uma “educação tradicional
No Colégio Oshiman, na Vila Mariana, as cristã baseada em princípios bíblicos juntamente com cerimônia do
excelência acadêmica”. Oferece os currículos brasileiro
crianças entram em contato com o japonês chá japonesa,
e americano. Em média, 65% das aulas são ministradas
(e também com o inglês) ainda no minima- em inglês e 35%, em português. no colégio
ternal. O espanhol é introduzido na grade a @ R. Cássio de Campos Nogueira, 393, Jd. das Embuias, tel. 5929-9500.
oshiman, na
Da pré-escola até o ensino médio. Mensalidade: a partir de R$ 4.416. zona sul de sP
partir do ensino fundamental 2.
Com 26 anos, a escola foi criada a partir st. Paul’s
de um curso de língua japonesa fundado há Há 94 anos em São Paulo, é reconhecida pelo Reino
70 anos por Marico Kawamura, sobreviven- Unido como “British School Overseas” (escola britânica
te da Segunda Guerra. Hoje, os alunos tam- no exterior). A maioria das disciplinas é dada em inglês.
O colégio oferece as certificações International General
bém têm aulas de sadô (cerimônia do chá), Certificate of Secondary Education (IGCSE) e Internatio-
taikô (tambor japonês) e shodô (caligrafia nal Baccalaureate (IB). O francês é ensinado no período
com pincel), entre outras. que equivale ao ensino fundamental brasileiro.
@ R. Juquiá, 166, Jd, Paulistano, tel. 3087-3399. Da educação infantil até
Uma vez por semana, um grupo com 15 o ensino médio. Não divulga o valor da mensalidade.
pais voluntários prepara uma refeição típica
japonesa para uma classe. Além disso, a Visconde de Porto seguro
cultura nipônica é incorporada ao dia a dia Criado em 1878 como Deutsche Schule, é uma das
142 escolas alemãs no exterior considerada de excelên-
dos estudantes, que precisam ajudar na lim- cia pelo governo daquele país. Além do português,
peza e pedir licença para entrar na sala. oferece alemão e inglês no currículo regular. Tem convê-
“A gente mescla oriente e ocidente para nio com universidades da Alemanha e dos EUA.
uma educação completa”, diz Mayumi Ma- @ R. Floriano Peixoto Santos, 55, Morumbi, tel. 3771-8000; e r. Itapaiúna,
1.355, Panamby, tel. 3747-9000. Da educação infantil até o ensino médio.
dueño, diretora e filha da fundadora. * Mensalidade: a partir de R$ 3.316.

@ região central @ zona sul @ zona norte @ zona oeste @ zona leste

70 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
olha a
Esc
yPen
Pla

NOVO
ENSINO MÉDIO

Desde a Ed. Infantil,


abrindo janelas
para o mundo.

Pioneira em educação bilíngue no Brasil, a PlayPen ECJ é uma escola ousada e inovadora, cujos currículos nacional e
internacional integrados garantem um ensino de qualidade em português e inglês. O olhar atencioso, resultado de um
robusto programa de Salvaguarda, traz uma forte cultura de cuidado, bem-estar e segurança. Em 2020, a escola contará
com o AS Tracking (Affective Social Tracking),, uma ferramenta inovadora que permite identificar riscos na saúde
emocional dos adolescentes com antecedência, possibilitando à equipe pedagógica atuar de forma ainda mais
rápida e preventiva. Agora, também com Ensino Médio, preparamos seu filho da Educação Infantil até o ingresso na
universidade para que ele siga os estudos nas melhores instituições, aqui no Brasil ou no exterior.

• ATENDIMENTO E ENSINO INDIVIDUALIZADOS.


• TROCAS DE BOAS PRÁTICAS COM ESCOLAS DO GRUPO COGNITA NA ÁSIA, EUROPA E AMÉRICA LATINA.
• REAIS POSSIBILIDADES DE INTERCÂMBIO EM VÁRIOS PAÍSES.
• CURRÍCULOS BRASILEIRO E OS INTERNACIONAIS DA FIELDWORK EDUCATION (IEYC, IPC E IMYC).
• 100% BILÍNGUE: AVALIA OS ALUNOS TANTO PELOS PADRÕES BRITÂNICOS PARA O CONTEÚDO EM INGLÊS, QUANTO PELOS
PADRÕES BRASILEIROS PARA O CONTEÚDO EM PORTUGUÊS.

Agende uma visita • Vagas limitadas


Ecj
BILINGUAL EDUCATION

[Link] Infantil Fundamental Médio

ESCOLA INTEGRANTE DA COGNITA, UM DOS MAIORES GRUPOS


EDUCACIONAIS DO MUNDO, COM SEDE NO REINO UNIDO
zona do

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


leste europeu
Mooca e Vila Zelina concentram associações culturais
fundadas por descendentes de russos, lituanos e croatas

Renan Marra
associação
Cultural Grupo
Volga de
Folclore russo
Na zona leste de São Paulo, a coisa está meio diante agendamento. “Temos de manter Fundada em 1981 inici-
russa —com dois “s” mesmo. Reduto de imi- nossas tradições. Há forte miscigenação no almente como grupo de
grantes italianos, que se estabeleceram prin- Brasil e nossa cultura pode se perder”, diz dança. Hoje promove
cipalmente no bairro da Mooca, a região ensaios e apresenta-
Tamara Dimitrov, 58, uma das fundadoras.
ções de coral e danças
também foi a nova casa de russos, croatas, Segundo ela, a associação dá continuida- folclóricas, workshops
búlgaros, lituanos, entre outros. Lá, eles de ao trabalho do antigo grupo de dança de culinária, oficinas de
fundaram clubes e associações culturais que Kalinka, que foi extinto durante a ditadura idioma e palestras com
temas relacionados
ajudam a contar essa história. militar, em 1975, após ter suas atividades ao país. As atividades
Grande parte deles foi morar na Vila Ze- associadas ao comunismo. são gratuitas e abertas
lina, bairro conhecido como leste europeu Atualmente, o Grupo Volga tem 150 mem- ao público, mediante
paulistano. Eles começaram a migrar para bros. O interesse pela associação vem au- agendamento.
a região em 1927, quando Carlos Corkisko, mentando, de acordo com Dimitrov. Ela diz A associação não tem sede. Os
eventos são gratuitos e aconte-
um imigrante russo, vendeu lotes no local. que a boa impressão deixada pela Copa do cem em locais cedidos por par-
ceiros. Ensaios obrigatórios. Tel.
O ponto era estratégico: próximo da antiga Mundo da Rússia, em 2018, ajudou a chamar 99789-6242 e 97347-7474.
Hospedaria dos Imigrantes, onde hoje fica a atenção para o país. Dom.: 14h às 17h.

o Museu da Imigração, e da Paróquia da O estudante de engenharia química Ma-


aliança lituano
Santíssima Trindade, uma das primeiras theus Jorge, 19, entrou no Volga em 2018. Ele
Brasileira
igrejas ortodoxas russas de São Paulo, cons- conta que seus bisavós vieram para o Brasil sajunga
truída em 1930 na Vila Alpina. fugindo da Guerra Civil Russa (1917-1922). O Fundada em 1931 por
“Esses fatores facilitavam o encontro da jovem dá aulas de russo de forma voluntária imigrantes lituanos com
comunidade na região”, diz Vera Gers, con- e participa do grupo de dança folclórica. o objetivo de auxiliar a
adaptação de recém-
selheira da rede Espaço Sem Fronteiras, que Antes mesmo de participar da instituição, chegados ao Brasil.
trabalha em defesa da população migrante. ele aprendeu o prisyadka, passo em que os Tem aproximadamen-
Hoje, alguns desses encontros acontecem dançarinos se agacham repetidas vezes. te 400 associados.
em eventos organizados pela Associação Com colegas da associação, Matheus des- Principais atividades:
aula de lituano, festas
Cultural Grupo Volga de Folclore Russo. Cri- cobriu que muitos dos russos que imigraram comemorativas, dança
ada em 1981 por descendentes de russos, o para o Brasil passaram pela Lituânia. Des- folclórica, coral e even-
centro não tem sede fixa e muitas atividades confia que seus bisavós fizeram esse cami- tos gastronômicos com
pratos típicos. O espaço
são realizadas nas casas dos associados, que nho. “Eles mudavam de nome porque os li- é aberto ao público e
moram principalmente na Vila Zelina. tuanos em sua maioria eram católicos, não conta com uma biblio-
A associação organiza apresentações de ortodoxos como os russos. Assim eram acei- teca. Programação no
danças folclóricas, workshop de culinária, tos mais facilmente no Brasil”, diz Matheus. site [Link].
oficinas de idioma e palestras. As atividades Segundo a associação Aliança Lituano @ R. Lituânia, 67, Mooca, tel.
99146-9164. Associados pa-
são gratuitas e abertas a todo o público, me- Brasileira Sajunga, 24,1 mil imigrantes gam anuidade de R$ 50.

72 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Gabriel Cabral/Folhapress
Frequentadores da associação Sociedade Amigos da Dalmácia, na Mooca, jogam futebol de botão

Sociedade circolo italiano


Amigos da San Paolo
Dalmácia Fundado em 1911, ofe-
associação fundada rece cursos de italiano
em 1959 por imigrantes e de história da arte e
que chegaram ao brasil abriga um restaurante.
principalmente da ilha informações no site
de Korcula, na Croácia. [Link].
@ Av. Ipiranga, 344 (ed. Itália),
principais atividades:
tel. 3154-2900. Seg. a dom.: 9h
dança folclórica, pales- às 21h. Restaurante: todos os
tras, prática de futebol
de botão, ensaio de O MAIOR GRUPO dias, 12h às 15h30. Associados
pagam por mês R$ 100 (indivi-
dual) ou R$ 120 (familiar).
grupo musical, eventos
gastronômicos, aula do DE CÂMBIO DO
idioma croata e orien- clube
tações para processo de MUNDO TEM AS escandinavo
cidadania. informações Criado há 128 anos, se
no site comunidadecro-
[Link].
MELHORES SOLUÇÕES vende como o clube
escandinavo mais an-
@ R. Tobias Barreto, 454, Moo-
ca, tel. 96672-1250. Seg. a sex.:
PARA VOCÊ E SUA tigo do mundo fora da
escandinávia. principais
8h às 10h. Visita para não asso-
ciado mediante agendamento.
Associados pagam R$ 600 no
EMPRESA! atividades: prática de
jazz e do jogo de dados
primeiro ano e R$ 200 nos se- balut. Tem restaurante.
guintes. em novembro, organiza
FALE COM O BANCO: FALE COM A CORRETORA: uma feira. aberto ao
outrAS 0800 770 5188 público. informações no
ASSociAçõeS
0800 400 0800 site associacaoescandi-
[Link].

Sociedade [Link] confi[Link] @ R. Morais de Barros, 1.009,


Campo Belo, tel. 5044-9128.
Filarmônica Lyra Seg. a sex.: 10h às 16h. Associados
pagam anuidade a partir de
Criada em 1884 por R$ 200.
alemães, tem grupos
de dança folclórica
e sapateado tirolês,
concertos dominicais, lituanos desembarcaram no Brasil de 1923 a bém foi motivada pela crise e pela fome, se-
exibição de filmes, festa 1932. A maior parte deixou o país nesse pe- gundo Boris Franulovich, 34, diretor-execu-
da cerveja e almoços ríodo por causa da Primeira Guerra e de guer- tivo da Sociedade Amigos da Dalmácia.
dançantes. É aberta ao
público. programação ras pela independência do país (1918-1920). Os imigrantes fundaram a associação em
no site [Link]. “Nossa associação tem papel histórico. Já 1959. Hoje a entidade tem cerca de 400 asso-
@ R. Otávio Tarquínio de Sou- fizemos, por exemplo, vaquinha para enviar ciados e promove palestras, eventos e orienta
za, 848, Campo Belo, tel. 5041-
2628 e 5093-6327. Seg. a sex.: aspirina à Lituânia em tempos conturbados”, pessoas em processos de cidadania.
10h às 16h. Associados pagam
mensalidade de R$ 75 (indivi-
diz Ido Klieger, 67, presidente da entidade. “Mais do que uma associação, a entidade
dual) ou R$ 90 (familiar). A imigração croata na década de 1920 tam- é um centro de conhecimento”, diz. *

┆ ┆ ┆ 73
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Bate forte o Bongô
Artistas africanos ensinam danças e ritmos de vários países do continente

Iara Biderma n

Imigrantes africanos trazem para São Paulo Brasileira, Celina é casada com o bailari-
um mundo de passos, saltos, ondulações de no guineense Facinet Touré, 31. No segundo aula com
ombros e quadris ao som ritmado da percus- semestre do ano passado, o casal veio morar a bailarina
sul-africana
são. Em uma série de cursos, oficinas e aulas em São Paulo. Com a dança “raiz”, aquela nduduzo Siba
avulsas, ensinam desde coreografias tradi- que surge nas aldeias, ainda fresca em seu no Sesc
cionais até a dança negra contemporânea, corpo, Facinet ensina coreografias e ritmos Pompeia
passando pelas chamadas afro-brasileiras. tradicionais para profissionais e amadores.
“Desde muito criança, aprendi a dançar Algo que une as diferentes vertentes é
com minha mãe, e ela foi ensinada por mi- a presença da percussão, quase sempre com
nha avó, que aprendeu com minha tataravó”, músicos ao vivo. Na África, a música é parte
conta Mariama Camara, 40. indissociável da dança, seja numa festa na
Na República da Guiné, onde nasceu e aldeia, seja numa apresentação ou numa aula.
cresceu, Mariama integrou grupos de dança Por isso também é comum os cursos serem
profissional e rodou o mundo se apresentan- compostos por duas partes: primeiro, uma
do e aprendendo ritmos de países vizinhos. aula de percussão; depois, de dança.
Aqui em São Paulo, ela ensina, além da Nas aulas da sul-africana Nduduzo Siba,
dançatradicionalguineense,umpoucodessas 31, primeiro os alunos batem palmas, depois
outras danças. aprendem a cantar uma música tradicional
Sim, são várias, apesar de parecerem do povo zulu e só então começam a dançar.
“tudo a mesma coisa” para os leigos. “Uma Foi a partir da música que a coreógrafa
das belezas das danças africanas é a diver- Flávia Manzal, 40, se aproximou da dança
sidade de etnias, culturas e rituais que cada —ela teve um namorado que tocava djembe,
uma representa”, diz Celina Fernandes, 53. instrumento tradicional da música africana.

74 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Com a sua morte, em 2001, Flávia começou onde aprender nduduzo Siba
a dançar para superar o luto. a bailarina sul-africana dá aulas avulsas
Centro de Culturas negras

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


e oficinas em centros culturais, sem progra-
Acabou indo para o oeste africano, onde Mãe Sylvia de oxalá mação fixa. os eventos são anunciados em
estudou com um mestre local. De volta a São aulas às terças, das 15h às 17h. Grátis. [Link]/[Link].
Paulo, formou uma companhia profissional e @ R. Arsênio Tavolieri, 45, Jabaquara, tel. 5011-2421.

passou a dar aulas. Treme Treme - afrobase


Além das tradicionais, há também vários Facinet Tourré programação dos cursos no site [Link].
aulas de percussão e danças da Guiné br a partir de fevereiro.
cursos de danças de matrizes africanas, como às terças, das 19h às 22h; r$ 160 (mensal) @ R. Sebastião Martins, 698, comunidade do Pinheiri-
as afro-brasileiras. No Centro de Culturas Ne- e r$ 50 (aula avulsa). nho, Rio Pequeno, tel. 2539-3555.

gras Mãe Sylvia de Oxalá, as bailarinas baia- Teatro Studio Heleny Guariba - @ Pça. Roosevelt, 184,
Consolação, tel. 99145-9930.
nas Priscila Borges, 40, e Tainara Cerqueira,
32, dão aulas regulares dessa vertente. ouTraS danÇaS do Mundo
Flávia Manzal
JáaIlúObádeMin,associação deeducação, aulas às terças, das 19h30 às 21h; danças gregas
cultura e arte negra, promove oficinas de dan- r$ 150/mês. aulas às terças, das 19h30 às 21h30;
r$ 150/mês.
ças dos orixás e afro-brasileiras. Centro Cultural do Butantã - @ Av. Corifeu de Azeve-
do Marques, 1.880/1.882, Jd. Rizzo, tel. 98100-5365. areté Centro de estudos Helênicos - @ R. dos Macu-
Com pegada contemporânea e como po- nis, 495, Vila Madalena, tel. 3032-3939.
lítica de resistência, a companhia Treme Ilú obá de Min
Terra mantém cursos de dança negra con- programação no site [Link]. projeto Fábrica do Movimento
aulas aos sábados, das 17h às 18h. 1º/2,
keiny andrade/folhapress

temporânea. Ali também o balanço sempre @ R. Anhaia, 37, Bom Retiro, tel. 3222-5566.
deca Madureira (danças do recife); 8/2,
vem junto com as aulas de percussão. facinet Touré (danças da Guiné); 15/2,
“Nas artes negras, tudo é integrado: não Mariama Camara humberto siles (danças do Caribe);
aulas às quartas, das 18h às 19h30 (percus- e 25/2, Mohammad al Jamal (danças
existe dança se não tiver junto música,
são) e das 19h30 às 21h (dança). r$ 150/mês. do líbano). Grátis.
política, roupas, cores”, explica João Nasci- ação educativa - @ R. General Jardim, 660, Vila Buar- Sesc pompeia - @ R. Clélia, 93, Água Branca, tel.
mento, 36, diretor da companhia. * que, tel. 3151-2333. 3871-7700.

┆ ┆ ┆ 75
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Siga oS
MEStrES
Refugiados, imigrantes e
descendentes dão aulas de
idiomas, artesanato típico
e atividades físicas
Flávia G. Pinho

África

Design de tecidos africanos


Oficina com o refugiado congolês Duchelier Mahonza
Kinkani, em Pinheiros, a partir de R$ 80 por pessoa.
Duração de quatro horas,
airbnb Experiences - [Link]/d/diadosrefugiados

idioma iorubá
É usado em ritos religiosos afro-brasileiros e foi trazido pe-
los escravos. Aulas semanais ministradas por Abbé Tossa,
nascido no Benim, R$ 190 por mês (a partir de março).
@ R. Domingos de Moraes, 770, bloco 3, sala 6, Vila Mariana. [Link]/
[Link]

Mulheres na literatura africana


Com a nigeriana Issaka Mainassara Bano e a senegalesa KEINy ANDRADE/fOlhAPREss

Providence Bampoky, o curso “As mulheres nas literaturas


africanas de autoria feminina” terá quatro aulas semanais.
Início em 7/3. Grátis.
culinária peruana
aula Aula em domicílio com o chef Victor lópez. Duas horas
casa das rosas - @ Av. Paulista, 37, Paraíso, tel. 3285-6986.
de pintura de duração, individual ou para casais, de R$ 180 a R$ 350.
ebru com Reservas pelo email cenacozinha@[Link] ou no Instagram @cenacozinha
aMÉricaS a professora
turca güzin
Bordado folclórico cholita cultura e culinária haitianas
cobanoglu
Aulas com a boliviana Elizabeth Ayla, de três horas de Workshop sobre a cultura do haiti e preparo de prato típico
duração, promovidas pela ONG Deslocamento Criativo. do país com o refugiado Manier sael, na zona leste, com três
A partir de 5/2. Grátis. horas de duração: a partir de R$ 60 por pessoa.
Sesc Paulista - @ Av. Paulista, 119, Paraíso, tel. 3170-0800. airbnb Experiences - [Link]/d/diadosrefugiados

76 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
ÍNDiA

Culinária indiana

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


aulas temáticas com a
professora shankari, de
cinco horas e meia de dura-
ção (inclui almoço): r$ 215.
istituto sivananda - @ R. Afonso
Celso, 1.384, Vila Mariana, e r. Dom Val-
verde, 108, Ipiranga, tel. 99392-2956.

ioga, meditação,

divulgação
hindi e sânscrito
Cursos regulares com
o professor sanjay Kumar,
com seis meses de duração Curso de bordado cholita com a boliviana Elizabeth Ayla, promovido pela ONG Deslocamento Criativo
e uma ou duas aulas
semanais. grátis.
Centro Cultural swami Viveka-
nanda - @ Al. Sarutaiá, 380, Jd. Árabe
Paulista, tel. 3142-8915. Ministrado por refugiados,
o curso inclui 40 horas de
Massagem aula e custa r$ 715 (mais
abhyanga r$ 50 de material didático).
Curso de formação em ONG Abraço Cultural - @ R. dos
Pinheiros, 706, casa 6, Pinheiros, tel.
36 horas: r$ 822. 98300-7321
senac-sP (unidade Penha) -
@ R. Francisco Coimbra, 403, Penha,
tel. 2135-0300. hebraico moderno
a partir de 2/2, em 20 aulas
semanais; 10 parcelas de
JAPãO, COREiA r$ 245.
E ChiNA
unibes Cultural - @ R. Oscar Frei-
re, 2.500, Sumaré, tel. 3065-4337.
Bonsai
Teórico e prático, o curso Cultura judaica
inclui duas aulas de oito Curso “fundamentos da
horas cada uma por r$ 590. cultura judaica” com Cecilia
Bonsai Kai - @ R. Miranda Guerra, Ben david em sete aulas
1.530, Jd. Petrópolis, tel. 96665-1000. semanais, r$ 500. a partir
de 11 de março.
língua coreana unibes Cultural - Veja acima.
Com duas aulas semanais
e duração de quatro anos. Cultura síria
a partir de fevereiro. grátis. experiência na casa da
Centro Cultural Coreano no Bra- arqueóloga síria yamam
sil - @ Av. Paulista, 460, Bela Vista, saad, no centro, com três
tel. 2893-1098.
horas de duração. inclui
aula sobre a cultura do país
ikebana e almoço árabe. a partir
Workshop de arranjos de r$ 130 por pessoa.
florais japoneses, com duas Airbnb Experiences - [Link].
horas de duração (a partir br/d/diadosrefugiados.
de r$ 40) ou curso com dez
aulas (r$ 875). Arte ebru
Fundação Mokiti Okada - @ R. a economista turca güzin
Morgado de Mateus, 77, 3º andar, Vi- Oshibana tai chi chuan ORiENtE MéDiO
Cobanoglu ensina a técnica
la Mariana, tel. 5087-5009. a professora Mirian Tatsumi e kung fu de pintura em que
ministra curso sobre a arte de 2 a 30/3, acontece a Caligrafia árabe o desenho é “pintado”
Mangá japonesa com flores e folhas oficina semanal “Tai chi chu- Workshop com o sírio Moha- sobre água e só então
Com uma aula semanal, prensadas. aulas quinzenais an e kung fu como matrizes de mad alsaheb, com três horas transferido para o papel
curso de desenho e produ- durante três anos, com movimento”. grátis. de duração, r$ 100. ou tecido. r$ 45 a hora.
ção de hQ por r$ 368/mês. mensalidade a r$ 250.
Oficina Cultural Oswald de Andrade - Centro da língua Árabe - @ Viaduto Centro Cultural Brasil-turquia -
Oshibana Art - @ R. Tamandaré, 355, @ R. Três Rios, 363, Bom Retiro, tel. 3222- @ R. André Pinheiro, 38, Granja Juli-
Casa locomotiva - @ R. Girassol, Dona Paulina, 34, apto. 45, Bela Vista,
973, Vila Madalena, tel. 3819-3648. Liberdade, tel. 3207-0811. 2662. tel. 93009-9689. eta, 3063-1878.

@ REGiãO CENtRAl @ zONA sul @ zONA NORtE @ zONA OEstE @ zONA lEstE

┆ ┆ ┆ 77
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
SInta-SE lá
Espetáculos de dança, competições, mostras
e festas para uma imersão em outras culturas

Anna Satie e Carolina Moraes

‘Tristão e Isolda’,
montagem do
Ballet du Grand
Théâtre Genève
GTG/GreGory BATArdon

MUSEUS Museu Judaico de São Paulo Museu Histórico da


Instalado em uma sinagoga, o projeto de dez Imigração Japonesa
Museu da Imigração anos será inaugurado no segundo semestre deste Criada em 1978, a instituição finalizou em janeiro
Uma hospedaria para imigrantes de 1887 a 1978, ano. Até lá, vale visitar o Centro de Memória do um conjunto de espaços chamado Museu Vivo,
a instituição tem exposição permanente com museu, em Pinheiros, que tem acervo com 20 mil em comemoração ao aniversário da cidade de
os trabalhos de preservação e pesquisa que livros. A instituição também participa de eventos São Paulo. As salas receberão atividades educa-
desenvolve. A mostra apresenta as ondas de como a Jornada do Patrimônio e abre o espaço tivas, entre elas workshops de shodo (caligrafia
imigração e seus impactos na formação de japonesa), origami e projeção de vídeos e filmes
em obras para visitação ao longo do ano.
São Paulo. sobre a cultura do Japão.
@ R. Martinho Prado, 128, Bela Vista, tel. 3258-1396. Centro de
@ R. São Joaquim, 381, Liberdade, tel. 3209-5465. Ter. a dom.:
@ R. Visconde de Parnaíba, 1.316, Mooca, tel. 2692-1866. Ter. a sáb.:
Memória - @ R. Estela Sezefreda, 76, Pinheiros tel. 3088- 13h30 às 17h. Ingr.: R$ 16. Menores de 6 a 11 e maiores de 60 anos:
9h às 17h. Dom.: 10h às 17h. Ingr.: R$ 10. Sáb.: grátis. 0879. Seg. a sex.: 9h às 17h. R$ 6. Menores de 5 anos: grátis.

78 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
EXPOSIÇÕES

Tadashi Kawamata

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


A partir de 4/2, a Japan House recebe exposição
do japonês Tadashi Kawamata. Representante
do Japão na Bienal de Veneza de 1982, ele ficou
conhecido por instalações de grande dimensão
com materiais pouco convencionais.
Japan House - @ Av. Paulista, 52, Bela Vista, tel. 3090-8900.
Ter. a sáb.: 10h às 20h. Dom.: 10h às 18h. Grátis.

Edgar Degas
A mostra do Masp reunirá 150 obras do impres-
sionista a partir de 30/10. A seleção de peças
parte do acervo do museu, que tem três pintu-
ras e 73 esculturas de bronze, inclusive a série
que inclui a “Bailarina de Catorze Anos” (1880).
Masp - @ Av. Paulista, 1.578, Bela Vista, tel. 3149-959. Ter.: 10h
às 20h. Qua. a dom.: 10h às 18h. Ingr.: R$ 40. Ter. e menores
de 11 anos: grátis.

CINEMA

Verão Otaku
O Centro Cultural São Paulo exibe uma seleção
de animes contemporâneos até 2/2. Na sexta
(31/1), haverá pré-estreia do filme “Human
Lost”, de Fuminori Kizaki. O evento será seguido
de um bate-papo com Nelson Sato, uma das
figuras a difundir animes na TV brasileira.
Centro Cultural São Paulo - @ R. Vergueiro, 1.000, Liberdade
tel. 3397-4002. Ter. a sex.: 10h às 20h. Sáb. e dom.: 10h às 18h.
Entrada gratuita.

Festival de Cinema Italiano


Em sua 15ª edição, acontece em várias salas de ci-
nema em novembro. Tradicionalmente, é dividido
em duas mostras: a clássica e a contemporânea.
Confira programação, locais e datas no site
[Link].

Mostra de Cinema Grego


Ao longo do ano, a Cinemateca promove mostras
de cinema estrangeiro e retrospectivas de dire-
tores, atores e técnicos. O evento sobre cinema
grego, em sua quinta edição, será em novembro.
Cinemateca Brasileira - @ Lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, Vila Cle-
mentino, tel. 3512-6111. Seg. a qua.: 8h às 18h. Qui. a dom.: 8 às 21h.

DANÇA

Ballet du Grand Théâtre Genève


Fundada em 1962, a companhia suíça já traba-
lhou com coreógrafos importantes, como George
Balanchine e Ohad Naharin. O elenco do Grand
Ballet, que se apresentará na cidade nos dias 29
e 30/8, é composto por 26 bailarinos.
Teatro Alfa - @ R. Bento Branco de Andrade Filho, 722,
Jd. Dom Bosco, tel. 5693-4000.

Cloud Gate Dance Theatre


Os bailarinos da companhia taiwanesa, com
apresentações de 26 a 29/11, não são treinados
só em dança. Também aprendem artes marciais
e meditação. O resultado combina dança contem-
porânea a aspectos clássicos da cultura chinesa.
Teatro Alfa - veja acima.

┆ ┆ ┆ 79
FEIRAS Festa de Nossa
Senhora de Casaluce
Feira Pueblo Andino A mais antiga festa italiana da capital chegará

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


Realizada aos domingos, a feira reúne em maio à sua 115ª edição, com barracas de
artesanatos e produtos como malhas, pratos típicos e música ao vivo.
temperos e ingredientes andinos, a exemplo @ R. Caetano Pinto, s/nº, Brás, tel. 3209-6051. Entrada gratuita.

do milho roxo. Também há barracas com ‘Bailarina de


comidas típicas. Catorze Anos’
Festa da Cerejeira
@ Largo do Rosário, s/n, Penha. Dom.: 9h às 18h. Grátis. (1880), de Entre julho e agosto, comemora a florada das
Edgar Degas cerca de 4.000 cerejeiras do Parque do Carmo
Feira do Leste Europeu desde 1978. Convém chegar cedo: cada dia rece-
beu cerca de 60 mil visitantes no ano passado.
Para unir a múltipla comunidade imigrante da
Vila Zelina, a associação do bairro promove Parque do Carmo - @ Av. Afonso de Sampaio e Sousa, 951, Ita-
quera, tel. 2748-0010. Entrada gratuita.
eventos com apresentações culturais e venda
de artesanatos de países como Croácia e Lituâ-
nia. A próxima edição acontecerá em 9/2. Okinawa Festival
@ R. Aracati Mirim, 115, Vila Zelina, tel. 99732-3558. Dom (9/2): Traz costumes do arquipélago de Okinawa,
10h às 17h. Entrada gratuita. província no sul do Japão com cultura distinta
do restante do país, influenciada por chineses,
malaios e coreanos. Acontece em agosto e
Feira Escandinava
setembro.
Realizada pela Associação Beneficente
@ Pça. Haroldo Daltro, 297, Vila Carrão, tel. 2296-1120.
2296-1120.
Escandinava em novembro, oferece
Entrada gratuita.
produtos de países como Suécia e Noruega,
de artesanatos e brinquedos a bebidas,
queijos e ovas de bacalhau. Uma área especial Festa de San Gennaro
é dedicada ao smørrebrød, sanduíche dina- Com primeira edição em 1973, é uma das maiores
marquês. Confira programação e datas no site festas italianas da cidade. Em setembro e outu-
[Link]. bro, cerca de 30 barracas servirão pratos típicos.
@ R. Lins e San Gennaro, s/nº, Mooca, tel. 3209-0089.
Esporte Clube Pinheiros - @ R. Tucumã, 36, Pinheiros,
tel. 5044-9128. Entrada gratuita. Entrada gratuita.

FESTAS Dia dos Mortos


JOÃO MUSA/DIVULGAÇÃO A data em que os mexicanos homenageiam en-
tes queridos já mortos, 2/11, também é celebrada
Mai Fest em São Paulo. O evento terá apresentação de
Em sua 21ª edição, vai reunir no Brooklin mariachis e de luta livre, além de exposição de
atrações culturais e gastronômicas alemãs altares e praça de alimentação típica.
em maio. Na programação, apresentações de
Memorial da América Latina - @ Av. Auro Soares de Moura An-
música e dança, atividades para crianças e drade, 664, Barra Funda, tel. 3823-4600. Entrada gratuita.
barracas com comidas típicas, como salsichão
e bisteca com chucrute.
GASTRONOMIA
@ R. Joaquim Nabuco, Barão do Triunfo, Princesa Isabel e Ber-
nardino de Campos, s/nº, Brooklin. Entrada gratuita. Cozinha de imigrantes
Com 12 convidados, o Hospedaria homenageia
Labas! Festival culinárias de imigrantes durante todo o ano.
da Lituânia A curadoria é do sociólogo Carlos Alberto Dória.
Em 23 e 24/5, a Fundação Ema Klabin receberá Janeiro é o mês de Telma Shiraishi, chef do japo-
nês Aizomê. Em fevereiro, Clarice Reichstul, da
a segunda edição da festa, que comemora o
deli Paca Polaca, levará ao restaurante italiano
centenário da restauração da independência
de Fellipe Zanuto uma receita polonesa.
lituana. Oficina de decoração de ovos é uma
das atrações. Hospedaria - @ R. Borges Figueiredo, 82, Mooca, tel. 2291-5629.
Seg.: 12h às 15h. Ter. a qui.: 12h às 15h e 18h às 22h30. Sex.: 12h às 15h
@ R. Portugal, 43, Jd. Europa, tel. 3897-3232. Entrada gratuita. e 18h às 23h. Sáb.: 12h às 23h. Dom.: 12h às 17h.

Festival das Estrelas FUTEBOL


REPRODUÇÃO/FACEBOOK

Celebrado desde o século 9º no Japão e a


partir da década de 1970 na cidade de São Copa Feminina dos
Paulo, o festival é embasado na lenda de Refugiados e Imigrantes
duas estrelas apaixonadas que só se veem A primeira versão feminina da competição,
uma vez por ano, no mês de julho. Quando que chega à sua sétima edição, será em 8/3, Dia
elas se encontram, realizam os desejos da Internacional da Mulher. Na Copa Masculina dos
Terra. Por isso, o público pendura papéis Refugiados e Imigrantes, as últimas finais foram
com seus pedidos em bambus. Ovos decorados no Labas!, festival disputadas no estádio do Pacaembu. Veja pro-
@ Pça. da Liberdade, s/nº, Liberdade. Entrada gratuita. da Lituânia no Jardim Europa gramação em [Link]/copadosrefugiados.

@ REGIÃO CENTRAL @ ZONA SUL @ ZONA NORTE @ ZONA OESTE @ ZONA LESTE

80 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
Naquela primeira noite na cidade, Carlos me leva
à avenida Paulista para roubar cartazes de banca da

Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas


revista Playboy. Ele os utilizou em um trabalho de
antropologia, sofisticado, sobre o papel da bunda na
cultura do Brasil.
Esta foi minha primeira noite em São Paulo e eu já
queria ficar. Sou de cidade pequena, Del Mar, na
Califórnia, e o agito da grande metrópole sul-ameri-
cana, movimentada e crua, com cheiro de óleo diesel
e sujeira e barulho dos ônibus por toda parte, me
parecia guardar uma verdade maior que a pacata
vida de classe média na Califórnia.
Todos se interessavam pela minha história. O que
fazia eu ali? Como aprendera o português? Por que
me tornara corintiano? A faculdade de humanas
(FFLCH) da USP respirava, a essa altura, a brisa con-
tagiante da abertura política. O que nós estudávamos
nas aulas, de Machado de Assis à sociologia rural,
parecia ser relevante para o futuro do país e essa era,
para mim, uma sensação nova e inebriante. Descobri
ali na USP o intelectualismo, para citar a cantora pop
Sheryl Crow (“He was high on intellectualism”), e
não queria outra coisa na vida.
Depois do meu ano na USP, com aulas de grandes
professores, voltaria diversas vezes para São Paulo,
até casar e fixar residência em 1984 no bairro ainda
humilde da Vila Madalena. São Paulo consegue a
proeza de combinar uma vida de cidade de interior
nos bairros, onde todos se conhecem, se cumprimen-
tam e se conversam, com o movimento frenético de
uma grande metrópole. Esse é o seu maior charme,
talvez. É construído com base no personalismo da
cultura brasileira, desconfio.
Na Vila, pude acompanhar a transformação do

amor à bairro em um polo cultural com bares e restaurantes


diversos e galerias de arte e livrarias. Hoje tem um
hotel hipster na rua Aspicuelta, quem diria?, sem nem

primeira visita falar do Beco do Batman, que se tornou um destino


turístico mundial. Até Ronnie Wood, dos Rolling
Stones, deixou sua marca ali.
texto Matthew Shirts São Paulo melhorou muito da década de 1980 pa-
ilustração Catarina Pignato ra cá e tive o prazer imenso de acompanhar o proces-
so. E não é só na Vila Madalena, longe disso. Dá or-
Lembro-me da emoção de chegar em São Paulo para um gulho ver o centro retomar seu carisma, tal como
ano de intercâmbio na USP em 1979. Pousamos no pe- acontece na Mooca, na rua Augusta e também em
queno e bonito aeroporto de Congonhas (ainda não bairros da periferia.
havia Cumbica). Trajava uma camiseta do Corinthians, O processo talvez demore um pouco mais na peri-
guardada de um intercâmbio anterior, de colégio, no feria do que na Vila Madalena, mas vem acontecendo.
Mato Grosso do Sul. Meu cabelo era gigante, como se A chave me parece ser a mobilidade. Abra uma esta-
usava na época. Esperava-me o diretor acadêmico, Car- ção de metrô, e os cozinheiros, empresários, artistas
los Bakota, um gringo/chicano genial e boa gente, gran- e baladeiros virão. *
de entendedor da cultura brasileira, tanto da popular
como da erudita, e meu amigo até hoje. O jornalista americano Matthew Shirts, 61, vive na cidade há 36 anos

82 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
SE BEBER, NÃO DIRIJA.

OUTBACK
hoje pode ser mais

IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA.


Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas

Você também pode gostar