200 Locais de Imigração em São Paulo
200 Locais de Imigração em São Paulo
me/jornaiserevistas
Agradecimento Minha Avó Tinha
26 de janeiro de 2020
Produção Aline Prado
Parte integrante da Folha de [Link]. Nº 411. Não pode ser vendida separadamente. Foto Eduardo Knapp/Folhapress
ÍNDICE
12 RAÍZES 60 VÁ NA FÉ
O Bom Retiro no centro da imigração Um giro pela diversidade religiosa da capital
46 TERRA NOSTRA
Pratos e temperos do norte ao sul da Itália
52 DOSES DE CULTURA
Drinques exóticos para pedir no balcão
54 DIRETO DA TORNEIRA
Cervejarias do exterior que produzem aqui
56 TERRITÓRIO NEUTRO
Novo bar palestino abre na Vila Madalena
KEINY ANDRADE/FOLHAPRESS
58 ALÔ, SOM
Tóquio inspira karaoke na República
DIVULGAÇÃO
6 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
APRESENTAM
resistir
com o objetivo
de incentivar
a ocupação
é arte
cultural da
capital paulista
e combater a
repressão e o
preconceito
U
m ato de resistência pela potencializar as atividades cultu- ção inclui rodas de conversa, como
arte e pela liberdade de ex- rais em espaços públicos e ampliar o a sobre Carlos Marighella, um dos
pressão. Essa é a marca da acesso da população à cultura. principais organizadores da luta ar-
primeira edição do festival O cantor Arnaldo Antunes, que mada contra a ditadura militar, além
Verão sem Censura, que começou recentemente teve o clipe da música de filmes e peças teatrais.
no último dia 17 e continua até sexta “O Real Resiste” censurado em uma Destaque para o combo Pussy
(31/1), na capital paulista. TV estatal, abriu as atividades com Riot. Na quarta (29), haverá exibição
show na Praça das Artes. A canção do filme “Act and Punishment”, que
Com programação diversa, o cita milicianos, torturadores e ter- conta a trajetória do grupo russo, se-
evento promove produtos culturais raplanistas. “É com nossas pequenas guida de debate com as integrantes e
que foram alvo da censura no Brasil atitudes cotidianas que vamos de- lançamento do livro “Riot Days”, da
e em outros países. marcando o terreno de nossas liber- fundadora da banda Maria Alyokhina.
São cerca de 50 atrações entre dades”, celebrou. Na quinta (30), elas realizam show e
shows, exposições, peças teatrais, lei- A partir deste domingo, ainda dá depois comandam uma festa.
turas dramáticas, lançamentos literá- para aproveitar muito o festival. To- O Verão sem Censura termina
rios, performances, rodas de conver- das as atrações são gratuitas e ocor- na sexta (31) dando início ao Carna-
sa, exibições de filmes e festas. rem nas cinco regiões da cidade (veja val paulistano. Os tradicionais blo-
Realização da Prefeitura de São infográfico na página ao lado). cos Espetacular Charanga do Fran-
Paulo, o festival faz parte do princi- Além de visitar as exposições em ça, Tarado ni Você, com músicas de
pal projeto da Secretaria Municipal cartaz —de pôsteres de filmes retira- Caetano Veloso, e Minhoqueens,
de Cultura para o biênio 2019/20, o dos da sede da Ancine no Rio de Ja- com hits da música pop, abrem os
São Paulo Capital da Cultura, que neiro, de livros censurados ao longo trabalhos da folia que promete ser
tem entre seus eixos estratégicos da história e de fotos—, a programa- a maior do Brasil.
programação
QUARTA (29/1)
19h Exibição do longa metragem “Act and
Punishment”, de Yevgeni Mitta, sobre a
trajetória do grupo Pussy Riot
20h30 Debate com as integrantes da banda
Pussy Riot (distribuição de ingressos
2h antes)
21h Lançamento do livro “Riot Days”, de Maria
Alyokhina, fundadora do grupo Pussy Riot
QUINTA (30/1)
18h Jup do Bairro convida Bixarte
20h Show com Pussy Riot e participação
Fotos Divulgação
de Linn da Quebrada em frente ao CCSP, na
rua Vergueiro, 1.200. Em seguida, a banda
comanda uma festa
DOMINGO (26/1)
19h “Navalha na Carne Negra” (teatro) CENTRO DE CULTURAS VILA ITORORÓ
NEGRAS DO JABAQUARA R. Pedroso, 238, Bela Vista
TERÇA (28/1) R. Arsênio Tavolieri, 1, Jd. Oriental
19h Proibidas (leitura de autoras latino- DOMINGO (26/1)
americanas censuradas) – com integrantes DOMINGO (26/1) 20h Quando Quebra Queima –
da revista literária “Puñado” e as convidadas 16h Macacos – Cia do Sal (teatro) Coletiva Ocupação (teatro)
Hailey Kaas, Jéssica Balbino, Luciana Bento e
Vanessa Ferrari
QUARTA (29/1)
19h Marighella (conversa), com Mário
Magalhães e Maria Marighella
QUINTA (30/1)
19h Mulheres nos Anos de Chumbo (conversa), TEATRO FLÁVIO IMPÉRIO CENTRO CULTURAL
com Claudia Lage, Maria Valéria Rezende e Rua Prof. Alves Pedroso, 600, DA DIVERSIDADE
Maria Claudia Badan Ribeiro Cangaíba R. Lopes Neto, 206,
19h Calabar, o Elogio da Traição (leitura Itaim Bibi
dramática) QUARTA (29) e
QUINTA (30/1) DOMINGO (26/1)
ATÉ SEXTA 31/1 20h Lembro Todo Dia de Você – 19h Sombra – Teatro
• Banidos – exposição de livros censurados Núcleo Experimental (musical) da Pomba Gira
19h Calabar, o Elogio da Traição
(leitura dramática)
festa
2020
Nas 32 subprefeituras da cidade
FOLIA SÓ CRESCE
Nº de desfiles por ano
490
2019
454
2018
391
355 2017
Mais de 790 blocos irão se 2016
273
apresentar durante o Carnaval 2015
O
eletrônica)
maior Carnaval de todos os marcam o encerramento do festi-
tempos vai começar. Neste val Verão sem Censura, que abriu a
ano, São Paulo vai receber agenda 2020 da Secretaria Munici-
796 blocos e 861 desfiles de pal de Cultura.
rua, número recorde na história da A prefeitura elegeu cinco circui- 5 REGIÕES EM FESTA
festa na capital paulista. tos de grande porte, que receberão Em número de desfiles
A estimativa é que nada menos as maiores atrações: Lapa (Gastão Oeste 29%
do que 15 milhões de pessoas tomem Vidigal e Marquês de São Vicente); Centro 28,9%
as ruas da cidade entre 31 de janeiro Pinheiros (Berrini e Faria Lima); Sul 16,2%
e 1º de março, cerca de dois milhões Santo Amaro (Roque Petroni); Sé (Ti- Norte 13,5%
a mais do que no ano passado. Se- radentes, Consolação e República);
Leste 12,3%
rão 400 circuitos espalhados pelas Santana (Luis Dummont Villares) e
cinco regiões e uma diversidade de Vila Mariana (Ibirapuera).
ritmos para os mais variados públi-
cos —das tradicionais marchinhas
Entre as novidades deste ano
estão o tradicional bloco recifense 15
carnavalescas ao k-pop coreano. Galo da Madrugada e o DJ Alok. FEV
Para realizar um evento desse por- O encerramento, na Consola-
te, a prefeitura antecipou a organização ção, terá show de Daniela Mercury.
—em setembro de 2019 lançou o edital À frente do bloco Pipoca da Rainha, AQUECIMENTO
de patrocínio e abriu as inscrições para a cantora participa pelo quinto ano
GARANTIDO
os blocos interessados em participar. A seguido do Carnaval paulistano. "Já
segurança foi reforçada, e o número de é o maior Carnaval do Brasil. Espe-
ambulâncias para atender aos foliões tacular. Esperei a cidade se fortale-
foi ampliado. Ao todo, mais de 23 mil cer com bloquinhos e foi isso o que O Carnaval começa uma
colaboradores participam da operação. aconteceu. Fico muito honrada em semana antes em São Paulo.
Os festejos se iniciam ainda em ter acreditado nisso desde o come- No sábado (15/2) e no
janeiro, com um cortejo de três tra- ço", declarou a baiana. domingo (16), serão
dicionais blocos, Espetacular Cha-
ranga do França, Tarado ni Você
Durante a festa, a prefeitura tam-
bém vai realizar campanhas contra o 248 desfiles
e Minhoqueens, na sexta (31). Eles assédio sexual e a embriaguez ao vo-
saem da Praça Ramos de Azevedo lante, pelo uso de preservativo e pelo
(em frente ao Theatro Municipal) e manejo consciente do lixo.
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LUIS DUMMONT
VILLARES (SANTANA)
[Link]
Bloco Quilombolab (com
participação de Emicida)
Er
n
na
Co
s t/ D
i v u lg aç ã o
IPIRANGA
COM SÃO
JOÃO AVENIDA TIRADENTES
[Link] [Link]
Tarado Bloco da Pabllo
ni Você [Link]
(homenageia Bloco Navio Pirata (de
Caetano) Salvador) + Baiana System Fo t
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IBIRAPUERA
[Link]
Monobloco
BERRINI [Link]
[Link] Galo da Madrugada
Banda Eva - Bloco (de Recife, pela 1ª vez
Beleza Rara em SP)
GRANDIOSO... … E SEGURO
Banheiro químico 20 mil Posto médico 128
Banheiro adaptado 2 mil Ambulância remoção 654 Informações atualizadas em 23/01.
Tapume metálico 6,5 mil Ambulância UTI 272 Sujeitas a alterações.
Cone e supercone 18,4 mil Bombeiro civil 1,4 mil Confira a programação completa no site
[Link]
Cavalete 52 mil Segurança 5,7 mil
Grade 42 mil Monitor de trânsito CET 5 mil
Contar a história do Bom Retiro e de como a que ligava Jundiaí a Santos, com uma para-
diversidade étnica se tornou a principal mar- da em São Paulo, numa versão do que é ho-
ca desse pedaço da região central da capital je a estação da Luz. A rota, por um lado,
é recordar a industrialização e a urbanização facilitava a chegada à cidade dos imigrantes
de São Paulo e também rememorar guerras, que desciam no porto e, por outro, incenti-
revoluções e crises econômicas mundo afo- vava a instalação de fábricas em terrenos
ra. Tudo pela ótica dos grandes afetados por vizinhos à linha ferroviária, na capital. No
esses acontecimentos: os imigrantes. estudo “A Indústria no Estado de São Paulo
As três trajetórias —do bairro, da cidade em 1901”, Antonio Francisco Bandeira Jr.
e dos estrangeiros— se cruzam no fim do relata que, já em 1884, funcionavam no Bom
século 19. O ciclo do café pode ser o ponto Retiro uma tecelagem e diversas olarias.
de partida. Em 1850, 40% da produção mun- “Quando os imigrantes não estavam des-
dial do fruto saía do Brasil, segundo o Mi- tinados a trabalhar em alguma fazenda,
nistério da Agricultura. O dinheiro vindo da acabavam ficando perto da estação, um dos
venda das sacas ajudaria a fomentar o nas- primeiros lugares que encontraram no Bra-
cimento da indústria paulista, inicialmente sil”, conta a antropóloga Simone Toji, do
nos bairros Bom Retiro, Brás e Mooca. Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Um dos barões do café, Joaquim Egídio Artístico Nacional). Ela participou de um
de Sousa Aranha, o marquês de Três Rios, projeto da instituição que visava preservar
natural de Campinas, era proprietário de a história e a cultura do Bom Retiro.
uma fazenda na capital, a chácara Bom Re- A vinda em massa dos italianos se deu do
tiro, usada para o lazer de sua família. final do século 19 à década de 1930, de acor-
Isso até 1880, quando ele decide lotear a do com Simone. Eles chegavam para suprir
fazenda, de olho nos ganhos com a venda a falta de mão de obra (a escravidão foi abo-
de terrenos para a construção de casas aos lida por aqui em 1888), num contexto que
trabalhadores da indústria —contingente inclui a conturbada unificação da Itália,
formado, em sua maioria, pelo primeiro ma- processo que se estendeu até 1870. Ainda
ciço grupo de imigrantes a chegar a São Pau- hoje, a comunidade dá nome a uma rua do
lo e, portanto, a se estabelecer no Bom Reti- Bom Retiro (rua dos Italianos). Segundo o
ro: os italianos. É o grande pontapé para o Arquivo Histórico Municipal de São Paulo,
surgimento do desenho atual do bairro. até 1916, essa via era habitada quase exclu-
As vontades do marquês de Três Rios po- sivamente por membros dessa comunidade.
dem ser explicadas pelas mudanças ocorri- De acordo com levantamento de 1893 da
das na cidade (e também no país) no movi- Repartição de Estatística e Arquivo do Esta-
mentado período que vai de 1850 a 1890. do, a cidade tinha, na época, 130 mil habi-
Em 1867, é inaugurada a linha de trem tantes, sendo mais da metade (54,6%)
12 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
estrangeiros, escreve Roberto Pompeu de
Acima, esquina
Toledo em seu clássico “A Capital da Vertigem
das ruas Correia
de Melo e Três - Uma História de São Paulo de 1900 a 1954”.
Rios, no Bom Nos anos seguintes a esse censo, outros
Retiro; ao lado, grupos chegariam ao estado, à cidade e ao
fachada do bairro. Na década de 1910, segundo Odair
Centro Cultural da Cruz Paiva, professor do departamento
Hallyu, que de história da Unifesp (Universidade Federal
promove a de São Paulo) e doutor em história social, foi
cultura coreana,
na rua Guarani,
a vez dos japoneses, em menor número, des-
no mesmo bairro tinados a colonizar o Vale do Ribeira (litoral
Sul de São Paulo), e de sírios e libaneses, que
exerciam a atividade de mascate e se fixaram
no Bom Retiro, entre outras áreas.
Em meados dessa mesma década, o bair-
ro crescia, abrigando, além de indústrias,
pequenos empreendimentos, como padarias,
lojas de calçados e fábricas de macarrão.
O microcosmo de 4 km² da região (sua área
atual), então, sentiria o abalo causado por
duas guerras mundiais e uma revolução. 5
┆ ┆ ┆ 13
ricas eram os Estados Unidos e a Argentina
(na época, Buenos Aires era uma cidade mais
14 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
PASSEIO
PELO BAIRRO
Café Bonavinte
Coreanos são obceca-
dos por cafés —tanto
pela bebida quanto
pelos espaços, ou seja,
pelo ritual de sentar
e deixar o tempo passar.
No bairro, a comunida-
de abriu vários deles.
No Bonavinte, dá para
descansar do caos da
rua e tomar um expres-
so (R$ 5) ou um latte de
flor de cerejeira (R$ 18).
@ R. Três Rios, 245, Bom Retiro,
tel. 3326-7257. Seg. a sáb.: 7h30
às 20h30.
100 m Supermercado
Restaurante
Pho 366 Otugui
r. Trê Família judaica Reserve algumas horas
s R io s Café na esquina
to para “perder” no Otu-
va Pin Bonavinte
das ruas Prates gui, especializado em
il
r. S Supermercado e Guarani, produtos da Coreia.
Otugui no Bom Retiro Há seções dedicadas ao
r. J
macarrão instantâneo
sé o
r. Rib
al.
Lima
i no
R$ 19,50) e salgadinhos.
en
┆ ┆ ┆ 15
PORONDE
16 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
elesandam
┆ ┆ ┆ 17
Chun Do Myung, 60,
18 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Nelly Burgoa, 52,
Aos 19 anos, Nelly veio a São Paulo visitar seus
AONDE Ir
Bellapan Bakery, r. Prates, 563; Boi Preto, [Link];
Braugarten, [Link]; Cachoeira Natural, [Link]; Cida-
de São Paulo, [Link]; Coco Bambu, [Link]; Um
Coffee Co., [Link]; Dare, r. Correia de Melo, 54; D.O.M., r. Barão de
Capanema, 549; Fresh Cake Factory, r. Prates, 599; Jardim Botânico,
av. Miguel Stéfano, 3.687; Kantuta, r. Pedro Vicente, s/nº, Canindé; Koji Sushi,
[Link]; Livraria Cultura, [Link]; Martins Fontes,
av. Paulista, 509; Market Place, [Link]/marketplace; Mocotó,
[Link]; Outback, [Link]; parque Alfredo Volpi, av. Eng.
Oscar Americano, 480; parque Buenos Aires, av. Angélica, 1.500; parque da
Água Branca, av. Francisco Matarazzo, 455; parque Estadual da Cantareira
Núcleo Pedra Grande, r. do Horto, 1.799; parque Ibirapuera, parqueibirapue-
[Link]; Sala São Paulo, [Link]; Sesc, [Link]
┆ ┆ ┆ 19
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KEINY ANDRADE/FOLHAPRESS
Parque savoia, vila encomendada pelo polonês salvador Markowicz na Barra Funda
salada de estilos
Parque
Residencial savoia
Essa vila na Barra Funda
mostra que o ecletismo
não era reservado só aos
monumentos. Foi erguida
Mistura de elementos importados de várias culturas e em 1939 pelo engenheiro
Arnaldo Maia Lello, por
épocas domina construções erguidas no início do século 20 encomenda do polonês
Salvador Markowicz, que
ali instalou a família. Os
Francesca Angiolillo ares e o nome italianos são
homenagem à mulher de
Markowicz, que vinha de
Turim, terra dos Savoias.
Se São Paulo se vende e é vista como uma urbano que se incrementava.
@ R. Vitorino Carmilo, 453,
metrópole cosmopolita, não é à toa. As estradas de ferro também contribuíram Barra Funda.
Enquanto as capitais do litoral, como Sal- para trazer a São Paulo, como a outras cida-
vador e Rio de Janeiro, cresceram como cen- des distantes da costa, novidades da Europa. Museu Paulista
tros do poder ao longo da Colônia e do Impé- Essas não se limitavam a transportar em Por ora só pode ser visto
de fora. Mesmo assim, do
rio, é só a partir da segunda metade do sé- baús de Paris figurinos para a alta socieda- Parque da Independência
culo 19 que São Paulo começa a ser pujante. de; as cargas incluíam maquinário para a é possível apreciar carac-
O período coincide com a chegada de imi- lavoura e a indústria —e também elementos terísticas claras do estilo
grantes europeus. O fim do tráfico negreiro, estruturais e decorativos para construir os eclético, como a simetria
da fachada, com elementos
em 1850, e a abolição da escravatura, em salões onde as classes elegantes se exibiam. neoclássicos: as colunas e
1888, ocasionaram a entrada em cena de Esse momento particular em que se com- o frontão. Inaugurado em
trabalhadores estrangeiros. Primeiro, na binam excedente econômico e elementos 7 de setembro de 1895,
deve ser reaberto na mes-
lavoura do café, principal produto da eco- importados tem, na arquitetura, um reflexo
ma data, em 2022.
nomia nacional então; depois, na nascente claro, que se impõe ao longo das duas pri- @ Parque da independência-
indústria que surgia para atender o público meiras décadas do século 20. Av. Nazaré, s/nº, Ipiranga.
20 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Palacete Rosa
a cor da fachada deu
o apelido ao casarão cons-
Casa da Boia
raro caso de imóvel
comercial que manteve
sua vocação. Desde 1909,
quando foi inaugurada,
vende materiais hidráulicos.
sua fachada é enfeitada
com elementos mitológicos
e conta com gradis de ferro
fundido com traços art nou- Julia Cristofi/folhapress
Palacete Rosa, construído por David Jafet, membro de família libanesa
veau. tanto rebuscamento
não era apenas para atrair
fregueses interessados
em sifões. a família do
imigrante sírio de origem
armênia rizkallah Jorge O fausto da época se traduz em fachadas Somam-se aos elementos historicistas,
tahan habitava o sobrado, elaboradas, ornadas com elementos varia- vindos de arquiteturas do passado —do pe-
ficando o térreo reservado dos. Uns parecem vir de templos gregos; ríodo clássico, do gótico, da corte francesa
ao comércio. a casa tem
visitas guiadas periódicas. outros, de palácios renascentistas. dos Luíses—, outros, identificados com di-
@ R. Florêncio de Abreu, 119, O estilo conhecido como eclético abarca ferentes nacionalidades, por engenho dos
centro. quase tudo que enche os olhos de quem vi- mestres de obras estrangeiros ou por enco-
sita monumentos da cidade —exemplos no- menda de imigrantes enriquecidos.
Theatro táveis são o Museu Paulista, de 1895, e o Arcos em ferradura típicos da arquitetura
Municipal
estátuas, cariátides,
Theatro Municipal, inaugurado em 1911. árabe e as decorações em estuque de ar tos-
mármores, colunas, vitrais, A palavra “eclético”, empregada comu- cano, as travas de madeira que compõem as
uma cúpula imponente. mente para definir uma mistura variada, casas normandas e, por que não, os elemen-
o impressionante theatro
Municipal, construído entre
vem do grego “eklektikos”, que significa tos do neocolonial brasileiro, numa tentati-
1903 e 1911, tem seu mode- “que escolhe”. Esse é o espírito do ecletismo va de resgate de identidade, vão, assim,
lo, como outros da época, em arquitetura: escolher o melhor e o mais passando a integrar a paisagem paulistana.
na Ópera de paris. seu
criador, ramos de azevedo
verdadeiro de diferentes estilos e reuni-los Os primeiros ventos modernistas, que
(1851-1928) —que, no Mu- de forma harmoniosa. sopraram a partir do fim dos anos 1920, não
nicipal, teve a colaboração Ora, se o que se juntava era o melhor daqui varreram tão rapidamente o gosto eclético.
dos italianos Claudio rossi
e Domiziano rossi—,
e dali, tal resultado não poderia ser senão Porém, com o passar do tempo, considerado
foi um dos expoentes do ótimo —esse era o suposto. Seria, contudo, impuro —visto não como “um período na
ecletismo, assinando vários verdadeiro? história, mas um hiato nessa história”, nas
monumentos no estilo,
como a pinacoteca (restau-
O estilo eclético pode ser visto como uma palavras de Lucio Costa—, o ecletismo per-
rada por paulo Mendes da espécie de fantasia arquitetônica. Essa ca- deu muitos exemplares para as marretas.
rocha e eduardo Colonelli), racterística se fortalece quando, aos poucos, Exemplo são todos os casarões que vieram
o Mercado Municipal ele migra da escala dos grandes prédios pú-
e o palácio da Justiça.
abaixo na avenida Paulista.
@ Pça. Ramos de Azevedo, s/nº,
blicos —teatros, fóruns, mercados— para as Coisas belas, porém, ainda persistem como
República. construções residenciais. registro desse período formativo da cidade. *
┆ ┆ ┆ 21
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isso não é um suvenir
Onde encontrar enfeites, tecidos e acessórios dos quatro cantos do mundo
fotos Eduardo Knapp
produção Juliana Pikel
4
2
3
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7
1. Cúpula de abajur
feita de fibra
de bambu de Bali
(21 cm x 35 cm),
R$ 780 na Bali
6 Express
2. Almofada de
algodão da Índia,
R$ 205,50
(45 cm de diâmetro)
na Espaço Til
3. Leque de
bambu e papel
do Japão, R$ 20
(38 cm x24,5 cm)
na Tenmanya
4. Matrioska de
madeira da Rússia,
R$ 540 (7 peças)
na Boneca Russa
5. Tapete de algo-
dão indiano, R$ 459
(90 cm x 150 cm)
na Souq
6. Girafa de fibra
natural de Bangla-
desh, R$ 49,90
(30 cm x 34 cm)
na Tok & Stok
7. Lustre de con-
5 chas da Indonésia,
R$ 40 (17 cm de
diâmetro) na
Chavin Bijouterias
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2
1
6
1. Chapéu de fibra
vegetal e bambu
da Tailândia,
R$ 125 (26 cm x
3 33 cm de diâmetro)
na Katmandu
2. Vaso de plástico
do Japão, R$ 190
(2 peças de 10,5 cm)
na Shin
3. Quadrinho de
metal da Bolívia, do
xamã Inti Roman,
R$ 15 (15 cm x 15 cm)
na Feira Kantuta
4. Xícara de chá de
porcelana da Itália,
5 design de Stefania
7 Vasques, R$ 241 na
Marchè Art de Vie
5. Colar de alpaca
e resina da Índia,
R$ 153,60 na
Espaço Til
6. Buda de
madeira árvore
da chuva
4 da Indonésia,
R$ 220 (15 cm)
na Katmandu
7. Travessa de
cerâmica do
México, R$ 150
8 (13 cm x 8,5 cm)
no Varal Ateliê
8. Tecido africano
capulana, a partir
de R$ 25 o metro
na Kuavi
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1
1. Bandeira
de orações de
poliéster do
Tibet, R$ 18
3 (130 cm) na Geeta
Artigos Indianos
2. Marionete
de cerâmica
2 e madeira da
República Tcheca,
do artesão Truhlar,
R$ 260 (16,6 cm)
na Brinquedos
do Mundo
3. Leque
decorativo de
palha do Vietnã,
R$ 259 (38 cm)
na Souq
4. Manta
de lã boliviana,
R$ 35 na Jean
Pierre Arte Bijoux
4 5. Taça de
champanhe de
5 vidro da Polônia,
6 R$ 39,99 cada
uma na Camicado
6. Minicactus,
R$ 10 na Uemura
7 Plantas
7. Bolsa de
algodão
8 do Paquistão,
R$ 39 (24 x 15 cm)
na Katmandu
8. Sardinha
portuguesa, design
de Filipa Oliveira
para a Bordallo
Pinheiro, R$ 187
(18,5 cm) na
Vista Alegre
OndE EnCOnTRAR
BaliExpress,[Link],863,tel.3062-6061;BonecaRussa, r. 25 de Março, 509, tel. 3322-1900; Kuavi, tel. 98556-2338, @kuavi_africa;
[Link]únior,1.089(MorumbiShopping),tel.(48)99669-0707; Marchè Art de Vie, al. Gabriel Monteiro da Silva, tel. 3853-9761; Shin Produtos
BrinquedosdoMundo,tel.98246-8512,[Link];Camicado, do Japão, av. Paulista, 52 (Japan House), tel. 3090-8900; Souq, tel. 3152-6800,
tel.3266-4146,[Link];ChavinBijouterias,r.25demarço,641,sala507, [Link]; Tenmanya, r. dos Estudantes, 19, tel. 3277-3040; Tok & Stok,
tel.3326-2247;EspaçoTil,[Link],1.257,tel.3885-9917; Geeta Artigos tel. 3583-4700, [Link]; Uemura Plantas, r. Baumann, 963,
Indianos, r. Mourato Coelho, 981, tel. 3097-0558; Inti Roman, tel. 99406-1687; tel. 3641-7940; Varal Ateliê, tel. 98398-5080, [Link]; Vista Alegre,
Jean Pierre Arte Bijoux, r. 25 de Março, 641, sala 307, tel. 3228-1402; Katmandu, tel. 3085-3161, [Link]
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1. nigela, R$ 12,45
Yotam Ottolenghi está na moda faz década. ma da viagem ou da comida exótica, da Itá-
(50 g) na Saddi
Os best-sellers do cozinheiro israelense e lia, França ou Espanha inclusive —muito Center
dono de restaurante em Londres foram tra- sabor europeu ocidental é na verdade des- 2. curry, ou caril,
duzidos no Brasil (“Jerusalém” e “Comida conhecido por aqui. R$ 18,50 (2 g) na
de Verdade”). Muitos de seus ingredientes Não dá para achar as bérberis do Ottolen- Casa Santa Luzia
não viajaram com seus livros de receitas, ghi, mas tem folhas de curry (árvore indiana, 3. pac-shoy, ou
que têm listas quase cômicas de estranhezas não a mistura de temperos) e de lima-kaffir chingensai, R$ 10
impossíveis. Mas vários deles imigraram (fruta cítrica do sudeste da Ásia). Secas, (5 maços) no Towa
4. sumac, ou
para São Paulo, sim. tudo bem, mas dão um gostinho. Nigela sumagre, R$ 15
Batendo perna ou pedindo pela loja on- (cominho preto ou, em árabe, “habet (50 g) no Tio Ali
line que entrega na cidade, dá para arrumar baraki”)? Na Bombay ou na Saddi a gente Empório Árabe
ingredientes que fazem a gente sentir o aro- acha essas coisas e miski, resina vegetal 5. lima-kaffir,
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exóticos por vezes significa forçar a amizade
com a natureza, o que não raro dá em pro-
Em busca do
porco para fazer um prato comum na Espa-
nha, a “carrillada” ou “carrillera”, um cozi-
do com vinho, legumes e ervas que perfuma
a casa nas suas horas no fogo. Quase em
impossívEl
Ali também tem “crépine” (renda), uma
película transparente raiada de gordura, teia
que envolve órgãos dos bichos e que serve
para recobrir terrines e outros preparados
de carne. Assim, ficam mais úmidos e com
Da vizinha Bolívia ao distante um ligeiro aroma selvagem, que a gente sen-
Sudeste Asiático, chega por aqui te no patezão francês “roots”.
Um sabor essencial e mais raro dos “cin-
todo tipo de tempero e especiaria; co perfumes”, tempero de certa culinária
saiba onde encontrá-los chinesa, é a pimenta de Sichuan (junto de
anis-estrelado, cravo, canela e semente de
funcho), um gosto e cheiro do outro mundo
texto Vinicius Torres Freire
(azedo e picante anestésicos). Entre outras
fotos Eduardo Knapp
especiarias, tem no Towa, na Liberdade. Pak
produção Danae Stephan e Larissa Januário
choi, “acelga chinesa”? Tem lá no Towa, no
Varejão da Ceagesp e no Santa Luzia, onde
se acham também “cavolo nero” (couve
toscana) e outras couves da moda.
No Varejão da Ceagesp dá para encontrar
R$ 12,30 (2 g)
empedrada para aromatizar doces e bolos algumas das pimentas mais mortíferas do
na Bombay
6. pimenta de do Líbano ou da Grécia. mundo, mas ali não tem a picância suave
sichuan, R$ 81 Lentilha beluga (feijão-da-china, prima e perfumada do aji seco (amarelo ou verme-
(36 g) na Casa do moyashi), para receitas do sul da Ásia, lho) do Peru e da Bolívia. Mas você encontra
Santa Luzia tem na Casa Santa Luzia. Favas de verdade ajis na feira Kantuta ou na rua Coimbra,
7. miski, R$ 7 (5 g) (não o feijão), de tanta receita mediterrânea, a capital da Bolívia no Brás (leve também
na Saddi Center tem na zona cerealista. milho azul, vermelho, quinoas de outras
8. melaço de romã,
A ironia é que Ottolenghi promove a co- cores e batatas desidratadas).
R$ 30 (260 ml)
no Tio Ali zinha com ingredientes frescos e locais, com Apesar da crise e do dólar caro, muito
9. açúcar muita verdura, legumes e grãos. Logo, mui- produto de outro mundo ainda viaja para
de palma, R$ 18 tas de suas receitas não viajam bem, como São Paulo. A gente precisa viajar pela cidade
(454 g) no Towa tantas outras comidas. Cultivar ingredientes para conhecer. 5
┆ ┆ ┆ 29
1. Fava branca,
R$ 13,20 (1 kg) no
Empório Natural Foods;
4 9
7. Maíz morado, R$ 5 cada
6 espiga na feira Kantuta;
8. Batata boliviana,
R$ 15 (1 kg) na rua Coimbra;
9. Batata desidratada,
R$ 20 (1 kg) na rua
Coimbra; 10. Milho crioulo
5
azul, R$ 15 (1 kg); na rua
Coimbra; 11. Batatas 12
doces roxa e laranja, R$ 15
(1 kg) na Ceagesp;
12. Pimenta-aji
amarela, R$ 5 (50 g) na
feira Kantuta ; 13. Milho
crioulo vermelho,
R$ 15 (1 kg) na rua Coimbra
oNdE ENCoNTRaR
Bombay Feira Kantuta Nastari
A marca é especializada em ervas, especiarias e O encontro dominical da comunidade boliviana A casa de carnes está aberta desde 1933 e é especiali-
pimentas, com mais de 500 produtos no catálogo. acontece há 18 anos. Lá, há itens como as empa- zada em miúdos bovinos e suínos.
@ Al. Ministro Rocha Azevedo, 856, Jd. Paulista, tel. 3083-
nadas salteñas e os anticuchos, espetinho típico. @ Mercado Municipal de São Paulo - R. Cantareira, 306, r. A, box 37,
3999. Seg. a sex.: 9h às 18h. Sáb.: 10h às 14h. @ R. Pedro Vicente, s/nº, Canindé. Dom.: 11h às 19h. tel. 3227-5340. Seg a sáb: 5h às 14h30. Dom.: 6h às 13h.
Saddi Center
Empório Natural Foods Mercearia Towa Aimportadoradealimentosárabes temitenscomoazeites,
Os produtos são vendidos a granel, com seleção A loja tem seleção de ingredientes asiáticos, com águasaromatizadas,especiarias exaropes. Há também
de ingredientes integrais, orgânicos e veganos. opções japonesas, chinesas e coreanas. boas opções decastanhas esementes,comoopistache.
@ R. Benjamim de Oliveira, 28, Zona Cerealista, Brás, tel. 3228- @ Pça. da Liberdade, 113, Liberdade, tel. 3105-4411. Seg. a dom.: @ R. Guarará, 76, Jardins, tel 3886-7755. Seg. a sáb.: 8h30 às 19h.
9900. Seg. a sex.: 8h às 18h. Sáb.: 8h às 16h. Dom.: 8h às 14h. 8h às 19h.
@ REGião CENTRaL @ zoNa SuL @ zoNa NoRTE @ zoNa oESTE @ zoNa LESTE
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10
11
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Varejão da Ceagesp
Três vezes por semana, a Ceagesp abre
a feira para o consumidor final, com venda
de itens como frutas, legumes, pescados
e cereais. São mais de 250 toneladas movi-
mentadas por mês.
@ Av. Dr. Gastão Vidigal, 1.946, Vila Leopoldina, tel. 3643-
3700. Qua.: 14h às 22h. Sáb.: 7h às 12h30. Dom.: 7h às 13h30.
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perdeu, coxinha Canal Unico PDF - Acesse: [Link]/jornaiserevistas
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Salteña Takoyaki
Comparada às suas irmãs latinas já famosas, a em- Criado em Osaka, o bolinho cremoso e assado de pol-
Bánh Mì Arepa
No século 19, a baguete foi introduzida pelos france- O pão de todo dia na Colômbia e na Venezuela tem
ses no Vietnã, então parte da Indochina. Mas foi na cada vez mais adeptos por aqui. No Bom Tequenho,
Saigon já independente, nos anos 1950, que surgiu o aberto pela venezuelana Paola Ramírez, 33, os discos
báhn mì, hoje o sanduíche número um em suas ruas. de milho assados na chapa aparecem em dezenas de
Ele mistura o doce, o salgado, o azedo e o picante sanduíches, envolvendo hambúrguer (R$ 32), coste-
da cozinha vietnamita. O do Bánh Mì Vietnam pode la de porco (R$ 23) ou calabresa defumada (R$ 22).
levar carne de porco, frango ou tofu, além de coen- Também o La Gorgona, num sobrado colado à rua
tro, patê caseiro e conservas agridoces (R$ 19). Frei Caneca, se orgulha de falar portunhol. Tocado por
No Bia Hoi, que significa “chope” e emula os bote- três amigos colombianos, o bar serve de porções de
cos de Hanói, há três versões do sanduba. O bun cha arepitas (R$ 8,90) a combos com patacones (banana
traz na baguete crocante bolinhas de lombo de por- da terra crocante) e acompanhamentos (R$ 23,90).
co grelhadas, legumes em conserva, ervas frescas, Boa novidade: os pacotes de arepas pré-prontas
maionese de coentro e pimenta opcional (R$ 25). para esquentar em casa (a partir de R$ 6,90).
Bánh Mì Vietnam - @ R. Dr. Seng, 44, Bela Vista, tel. 97754-1856. Qua. a sex.: Bom Tequenho - @ R. Maria Otília, 241, Jd. Anália Franco, tel. 2096-0061. Ter.
12h às 16h e 18h às 22h. Sáb.: 13h às 16h e 19h às 22h. a qui.: 16h às 23h. Sex. a dom.: 12h às 23h.
Em sentido Bia Hoi - @ R. Rego Freitas, 516, República, tel. 3151-2508. Ter. a sex.: 12h La Gorgona - @ R. São Miguel, 22, Bela Vista, tel. 3256-9215. Seg. a qui.:
às 14h30 e 19h às 23h. Sáb.: 12h às 17h e 19h às 23h. Dom.: 12h30 às 17h.
horário, 17h30 às 24h. Sex.: 17h à 1h. Sáb.: 12h à 1h.
takoyakis
do Yu Yatai,
Poutine Taco
salteña
Eis o “ménage à trois” canadense, segundo famo- Tacos 100% mexicanos são raros na cidade, onde rei-
e pucacapa
da Comedoria sa piada local: batata frita, molho gravy (à base de na o tex-mex —fusão das cozinhas do México, do Te-
Gonzales, arepa carne) e queijo derretido. Inventada em Québec, es- xas e de outros estados americanos na fronteira com
e patacones do sa delícia figura até nos McDonald’s de lá. o país vizinho. Mas a taquería La Sabrosa faz jus ao
La Gorgona e E São Paulo tem uma poutinerie, onde são prepa- nome. Sua dupla de tacos de carnitas combina carne
báhn mì do Bánh radas 17 versões. Além da original (R$ 24 o pequeno), de porco que desmancha na boca, salsa verde e gua-
Mì Vietnam
a receita pode ser acrescida de itens como bacon camole (R$ 19,50). Dá um match apimentado com as
(R$ 10), ovos mexidos (R$ 6) e shiitake (R$ 12). margaritas, de tamarindo ou a tradicional (R$ 20,50).
Canuck’s Poutinerie - @ R. Tangará, 145, Vila Mariana, tel. 99271-8950. Ter. Taquería La Sabrosa - @ R. Augusta, 1.474, Consolação, tel. 2925-6189.
e qua.: 17h30 às 22h. Qui., sex. e sáb.: 17h30 às 23h30. Dom. a qui.: 12h às 24h. Sex. e sáb.: 12h à 1h.
@ REGião CEnTRAL @ zonA SuL @ zonA noRTE @ zonA oESTE @ zonA LESTE
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Gulrotkake Bubble Waffle
Pães artesanais, tortas e bolos noruegueses? Sim, Em sentido Virou moda o doce de rua típico de Hong Kong, um
temos também. Nos arredores do Minhocão, a Bakeri horário, waffle à base de ovos, cozido em chapas que formam
gulrotkake,
Nord homenageia a cozinha do país nórdico. bolhas aparentes. Também chamado de “egg waf-
bolo de cenoura
O menu, rotativo, tem gulrotkake, bolo de cenou- com cream fle”, “egg puff” ou, em cantonês, “gai daan jai”, cos-
ra com canela e cobertura de cream cheese (R$ 9 cheese da tuma ser consumido puro no país de origem. A gra-
o pedaço), e fyrstekake, torta de amêndoas com li- Bakeri Nord, ça aqui é fazer um cone com a massa, recheá-la com
mão siciliano, apelidada de “torta real” na Escandi- trio de cannoli sorvete e mandar ver nos toppings. O personalizado
návia (R$ 9,50 a fatia e R$ 110 a inteira). da Moscatel custa R$ 19,90 no Dr. Bubble e R$ 18 na Zhöu Zhöu.
e bubble waffle Dr. Bubble - @ R. Augusta, 1.524, loja 18, Consolação, tel. 3287-2022. Seg.: 12h
Bakeri Nord - @ R. Dr. Carvalho de Mendonça, 200, Campos Elíseos, s/ tel.
Qua. a sex.: 13h às 19h. Sáb. e dom.: 13h às 18h. do Dr. Bubble às 19h. Ter. a sáb.: 12h às 21h. Dom.: 14h às 20h.
Zhöu Zhöu - @ Al. Jaú, 1.494, Jd. Paulista, tel. 99439-8292. Ter. a sex.: 12h
às 19h30. Sáb.: 14h às 20h. Dom.: 14h às 19h.
Currywurst
Estima-se que 800 milhões de porções de currywurst
sejam consumidas por ano na Alemanha. De tão in-
Cannolo
Deixar a arma e pegar os cannoli talvez seja a maior
corporado ao cotidiano local, o prato ganhou até um
contribuição do cinema ao imaginário gastronômico.
museu, que funcionou por dez anos em Berlim.
Pois bem: você vai encontrar os canudos do momen-
Ali nasceu a salsicha de porco fatiada, coberta por
to numa portinha do Bexiga, onde Alexandre Leggie-
ketchup com curry e acompanhada de batatas fritas.
ri, 48, vende o doce-patrimônio da Sicília em seis ver-
Era 1949, logo após a Segunda Guerra, e a inventora
sões, da tradicional (creme de ricota) à com pasta de
arrumou pó de curry com soldados ingleses.
amendoim (R$ 7,50 cada uma). Na vizinha Moscatel,
Em Pinheiros, o Fast Berlin foca a comida de rua
especializada em guloseimas da Itália, eles vêm em
germânica, com frikadelle (almôndegas), paprika
sabores como limão, doce de leite e pistache (R$ 8).
schnitzel (milanesa de porco com páprica) e, claro,
Cannoleria do Bixiga - @ R. Treze de Maio, 718, Bela Vista, tel. 96610-6084.
currywurst (R$ 30), nas versões de porco, boi e soja. Qui. a sáb.: 12h às 21h. Dom.: 12h às 18h.
Fast Berlin - @ R. Mourato Coelho, 24, Pinheiros, tel. 3064-4652. Ter. a qui.: Doceria Moscatel - @ R. Treze de Maio, 655, Bela Vista, tel. 3853-0954. Seg.
17h às 24h. Sex. e sáb.: 12h à 1h. Dom.: 12h às 23h. a sex.: 10h às 18h. Sáb. e dom.: 10h às 19h.
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AgRADECIMENToS: RITZ LoCAção DE MATERIAIS PARA FESTA; KATMANDu DECoRAção ÉTNICA; ToK & SToK
Burikita
Espécie de prima da bureka, a burikita diferencia-
Pastrami
É complicado entrar na Z Deli, para muitos a melhor
se pelo formato: uma trouxinha, e não uma rosca,
hamburgueria da cidade, e rejeitar esse capítulo de
envolve o recheio. Ainda hoje, o salgado de raízes ju-
daicas atrai habitués e curiosos à Burikita, aberta por seu menu. Mas a casa ainda faz um excelente pas-
um casal de imigrantes iugoslavos em 1970. trami —carne bovina condimentada que nasceu nos
De batata, espinafre com queijo, palmito, carne e Bálcãs e foi importada pelas delis judaicas para Nova
queijo (a melhor de todas), cada uma custa R$ 7. York, onde virou símbolo gastronômico local.
Como quem avisa boa pessoa é, guarde espaço para Solução: pedir um burguer, compartilhar as bata-
os doces, que ficam seduzindo o público no balcão. tas fritas com pastrami, queijo fundido, sour cream e
Também merece nota a lebênia (R$ 6), iogurte casei- cebolinha (R$ 32) e levar para casa o sanduíche com
ro feito por David Ben Avram, 73, filho dos fundado- fatias da carne curada mais saladinha de pepino,
res que abraçou o negócio. maionese e mostarda (R$ 38).
@ Doceria Burikita - R. Três Rios, 138, Bom Retiro, tel. 3227-2654. Seg. a sex.: @ Z Deli Sandwiches - R. Bento Freitas, 314, República, tel. 3129-3162. Seg.
8h30 às 19h. Sáb.: 8h30 às 16h. e ter.: 12h às 23h. Qua., qui. e dom.: 12h às 24h. Sex. e sáb.: 12h à 1h.
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se oriente, rapaz
Capital abraça ainda mais o continente asiático com renovação
dos restaurantes japoneses e chegada da cozinha vietnamita
Marília Miragaia
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frequentada por um grupo de intelectuais
que encontrava nos restaurantes uma exten-
Keiny AndrAde/FolhApress
americanos: cream cheese, avocado, pimen-
ta-jalapeño”, diz Shiraishi.
Agora, novas casas buscam destacar as
peculiaridades culinárias de diferentes re-
giões do Japão, afirma a historiadora Adri-
ana Salay, 35. “Assim como a italiana, 5
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a cozinha japonesa estabelece uma ligação nhecida fora do circuito de entendidos. “Vi-
profunda com seu território e cria possibili- Kimbap mos, então, a reação de quem provou pela
dades regionais”, diz Salay, pesquisadora de (à esq.), arroz primeira vez. Foi uma surpresa grata”, conta
alimentação. Isso inclui a abertura de restau- com churrasco o dono, o vietnamita Yann Dupierre, 29.
rantes que se dedicam a uma especialidade, coreano envolto Na hora de atrair novos fregueses, ajuda
em alga, e
a exemplo do que acontece no Japão. “É uma teokboki (à
o fato de a cozinha do Vietnã ser leve e equi-
tradição que os japoneses chamam de ‘sho- dir.), massa de librada, diz Dupierre. “Há elementos em
kunin’, um artesão que é como um serralhei- arroz ao molho comum com a tailandesa, como o uso de
ro, com arte e ofício nas mãos. No Japão, isso picante, servidos amendoim, coentro, ervas frescas e verdu-
se estende à gastronomia”, diz Takahashi. no bar do Komah, ras. Mas a vietnamita não é tão apimentada.”
Para ele, a tendência é que menos restau- restaurante Basta fazer uma curta caminhada para
rantes abram as portas com um cardápio coreano na encontrar outra opção de cozinha vietnami-
Barra Funda
muito abrangente. Como exemplo, cita a ex- ta na Bela Vista, o Little Saigon. Há, ainda,
pansão das casas de lamen na cidade. “Elas uma outra, não muito longe dali: o Bia Hoi
querem oferecer a receita perfeita, muitas fica a 15 minutos de carro, na República. O
vezes com uma fórmula trazida do Japão. restaurante oferece cozinha vietnamita de rua,
Isso também está acontecendo com izakay- com atenção especial ao serviço. “A casa assu-
as [botecos]”, diz Takahashi, que está escre- miu o papel de ser didática, de traduzir. Damos
vendo um livro sobre lamens. detalhes sobre a história do prato e, assim, o
Nos arredores da Liberdade, outra cozinha clienteficamaisàvontadeparaexperimentar”,
asiática começa a ter um entrosamento maior diz a proprietária, Dani Borges, 39.
com a cidade: a vietnamita. O Bánh Mì Viet- Para ela, a cozinha vietnamita passa por
nam abriu há três anos na Bela Vista, a prin- um processo parecido com o que já aconte-
cípio com um público de pessoas que já havi- ceu com a coreana. “As pessoas começaram
am visitado o país e conheciam a cozinha. a se sentir mais à vontade quando abriram
Graças ao boca a boca, a casa ficou mais co- restaurantes de proposta mais moderna, que
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tornaram acessível o que antes era um mis-
tério. O Komah é um deles”, afirma.
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ALBERTO ROCHA/FOLHAPRESS
Bicol, restaurante coreano na Aclimação que Marino, 378, Barra Funda, tel.
3392-7072. Seg. a qua.: 18h30
foi fundado por seus avós.“Temos interesse a 0h. Qui. a sex.: 18h30 a 1h.
Sáb.: 17h a 1h.
em receber todos os públicos.”
Fazer com que o freguês paulistano prove
JAPONESES
um novo sabor pela primeira também é um
desafio que a comida tailandesa enfrenta na
Aizomê
cidade. “Muitas vezes, os restaurantes têm de @ Al. Fernão Cardim, 39, Jardim
fazer modificações para conseguir entrar no Paulista, tel.3251-5157. Seg. a
mercado. Quando os clientes provam, gostam Espetos de berinjela, moela, aspargos e frango sex.: das 12h às 14h30 e 18h30
às 23h. Sab.: 18h30 às 23h.
e querem voltar”, diz Deumas Oliveira, 51, na grelha do Yorimichi, no Paraíso
professor do curso de gastronomia do Senac. Yorimichi
“Em muitos casos, nosso trabalho é dife- @ R. Otávio Nébias, 203, Pa-
renciar a culinária tailandesa das outras que foi popularizada nos Estados Unidos”, raíso, tel. 3052-0029. Seg. a
sáb.: 18h30 às 0h30.
asiáticas”, diz Pedro Yung Yoon, 42, propri- diz Lin Zhen Li, 43, do restaurante Kar Wua,
etário do Thai Chef, aberto em 2016. em Pinheiros, que completou 33 anos. tAIlANdÊS
Na hora de experimentar, a primeira coi- “Existem também os restaurantes tradi-
sa que todo mundo tem medo é da pimenta, cionais, que sempre foram conhecidos como thai Chef
afirma Yoon. Mas, mesmo assim, ele consi- locais de pratos fartos para dividir. Mas as @ R. Thomaz Gonzaga, 45 D,
Liberdade, tel. 3132-3824. Ter.
dera um erro amenizar a picância ou retirar famílias estão diminuindo, e o consumo a sex.: 11h30 às 15h30 e 18h30
o coentro das receitas. O restaurante, que desse tipo de refeição também”, diz Zhen. às 22h30. Sáb. a dom.: 11h30
às 16h30 e 18h30 às 22h30.
fica na Liberdade, só “customiza” um prato Com a intenção de apresentar a diversi-
se o cliente solicitar. “Quando ele pede isso, dade da cozinha chinesa, o Kar Wua dispõe VIEtNAMItAS
sabe que a receita perderá um pouco das de um menu-degustação que muda a cada
características, que será menos autêntica.” três meses e oferece um panorama das regi- Bánh Mì
Outro problema enfrentado por tailande- ões do país, com ênfase na sul, de onde veio Vietnam
ses é o preço, na opinião de Yoon. “As pesso- a família que fundou a casa. “Temos pesca- @ R. Doutor Seng, 44, Bela
as viajam e comem com pouco dinheiro em dores do rio e do mar e uma riqueza de in- Vista, tel. 97754-1856. Qua. a
sex.: 12h às 16h e 18h às 22h.
Bancoc. Mas, no Brasil, é difícil chegar àque- gredientes que possibilita muitas criações.” Sáb.: 13h às 16h e 19h às 22h
(somente com reserva).
le preço usando ingredientes importados. Uma boa parte dos alimentos, porém,
Até nosso leite de coco vem da Tailândia.” vem de produtores locais. “É importante
respeitar o que vem desta terra e não sim- Bia Hoi
Outra cozinha que ainda está à procura @ R. Rego Freitas, 516, Repú-
do seu espaço na cidade é a chinesa. “Ela plesmente fazer uma réplica. Para cozinhar, blica, tel. 3151-2508. Ter. a sex.:
tem volume, se você considerar o fast food. precisamos entender um pouco de sazona- 12h às 14h30 e 19h às 23h30.
Sáb.: 12h às 17h e 19h às 23h30.
Mas é uma referência de cozinha chinesa lidade”, afirma Zhen. * Dom.: 12h30 às 17h.
@ REgIãO CENtRAl @ zONA Sul @ zONA NORtE @ zONA OEStE @ zONA lEStE
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TURCO
NÃO
É ÁRABE
Entenda as diferenças e
semelhanças entre as cozinhas da
região do Oriente Médio feitas aqui
Flávia G. Pinho
Em São Paulo, a confusão é grande —e co- “A cozinha árabe paulistana tem identi- Armênia
Espremido entre a Tur-
meçou há tempos. Quando os primeiros sí- dade própria. Nossos quibes têm quase quia e o Irã, o país toma
rios e libaneses desembarcaram na cidade, nenhum tempero, enquanto os libaneses emprestados diversos
no século 19, sua origem foi catalogada de são apimentados e levam até fígado de cor- elementos do vizinho
ocidental. “A comida
forma equivocada. Segundo o livro “Patrí- deiro”, explica Rodrigo Libbos, sócio do
armênia é muito pareci-
cios - Sírios e Libaneses em São Paulo”, de grupo Salonu e professor da faculdade de da com a turca”, afirma
Oswaldo Mário Serra Truzzi, os imigrantes gastronomia do Mackenzie. Rodrigo Libbos.
chegaram com passaportes da Turquia e fo- O mesmo vale para o mais popular dos A marca registrada da
culinária armênia é a
ram registrados também como turcos, turco- salgados árabes. “O que o paulistano co-
carne curada com espe-
árabes e turco-asiáticos. nhece por esfiha não passa de um pão acha- ciarias, cortada em fati-
Coincidências entre as culinárias dos tado com recheio, que existe em vários as bem fininhas —que,
países do Oriente Médio contribuíram para países e recebe nomes diferentes, depen- em São Paulo, aparece
com as mais variadas
que a bagunça se perpetuasse, como expli- dendo da região”, acrescenta. grafias. Dependendo
ca Samira Adel Osman, pesquisadora de Basta ajustar o foco sobre cada uma das do cardápio, pode apa-
imigração árabe da Unifesp (Universidade culinárias do Oriente Médio, no entanto, recer como basturmã,
Federal de São Paulo). para que suas particularidades fiquem evi- bastrmá, basturmá ou
basturmalã.
“O império árabe se espalhou por uma dentes. E, em São Paulo, a oferta é cada vez
área muito grande. Cada país tem elementos mais diversa, diz Libbos. Carlinhos Restaurante -
@ R. João Teodoro, 1.476 (Me-
particulares, mas as bases são as mesmas.” “Durante anos, a cozinha árabe paulista- ga Polo Moda), Brás, tel. 3315-
9474. Seg. a sex.: 11h30 às
O que o paulistano compreende por cozi- na ficou estacionada, mas agora os refugia- 15h30. Sáb.: 11h30 às 16h30.
nha árabe é um pot-pourri de receitas que dos estão trazendo novos elementos.” Casa Garabed - @ R. José
imigrantes de diferentes origens trouxeram Veja como identificar cada uma delas e Margarido, 216, Santana, tel.
2976-2750. Qua. a dom.: 12h
e adaptaram na cidade. onde encontrá-las na capital. * às 21h.
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Esfihas Prato do
da Casa Amigo do
Garabed, em Rei, de
divulgAção
da turquia apresenta muitas
influências da síria. só no sul
se come faláfel, por exemplo”,
diz libbos. Mas é possível notar
diferenças importantes, como
o uso farto de iogurte, ingre-
diente que entra na receita do
Quibe baba ghanoush e na montagem
montado do popular kebab.
do Sainte A coalhada, também presente
Marie no país vizinho, tem menos
acidez em solo turco. outra
particularidade importante é
o formato da esfiha —na
Sírio-libanesa cozinha turca, ela tem forma
alongada, como um barquinho,
o trigo, principal ingrediente a culinária com o maior número
e recebe o nome de pide. embo-
do quibe e do tabule, é uma de representantes —de restau-
ra em menor número, as casas
das marcas registradas dessa rantes simples e familiares aos turcas de são paulo fazem jus à
cozinha, assim como o grão-de- da alta gastronomia.
bico, base do homus e do faláfel riqueza da cozinha do país.
Arabia - @ R. Haddock Lobo, 1.397, Jd.
—em países árabes do norte da Paulista, tel. 3061-2203. Seg. a dom.: 12h Casa Turca - @ R. Alves Pontual, 467,
África, o faláfel é feito de favas. às 0h. Prato Granja Julieta, tel. 2386-5316. Ter. a qui.:
10h às 22h. Sex. a dom.: 10h às 23h.
sírio-libaneses também não do Firin
Farabbud - @ Al. dos Anapurus, 1.253,
abrem mão do tahine, pasta Indianópolis, tel. 5054-1648. Seg. a sex.: Salonu Firin Salonu - @ R. Heitor Penteado,
feita de gergelim. ele é usado 12h às 15h30 e 18h30 às 22h30. 699, Sumarezinho, tel. 4883-0358. Seg.:
para temperar o homus e entra 19h30 às 23h30. Qui.: 19h às 23h30. Sex.:
Sainte Marie - @ R. Dom João Batista 19h a 0h. Sáb.: 12h às 16h e 19h a 0h.
na montagem do shawarma, o da Costa, 70, Jd. Taboão, tel. 3501-7552.
Turca Dom.: 10h às 17h.
que o torna diferente do kebab Seg. a sex.: 11h às 20h. Sáb.: 10h às 19h. tem muitos pontos em comum
turco. por terem sido os primei- com a cozinha sírio-libanesa, Lahmajun - @ R. Augusta, 934, Cer-
Tenda do Nilo - @ R. Coronel Oscar Por- queira César, tel. 99297-5239. Seg.: 11h às
ros imigrantes do oriente Médio to, 638, Paraíso, tel. 3885-0460. Seg. a como charutinhos e legumes 23h. Ter a qui.: 11h à 0h. Sex.: 11h às 6h.
em solo paulistano, é também sáb.: 12h às 15h. recheados. “A culinária do sul Sáb.: 12h às 06h. Dom.: 12h às 0h.
┆ ┆ ┆ 45
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faca
na
bota
Conheça as particularidades
culinárias das diferentes
regiões da Itália e descubra
onde achá-las em São Paulo
Luiza Fecarotta
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@ Região CeNtRaL @ zoNa SuL @ zoNa NoRte @ zoNa oeSte @ zoNa LeSte
Campânia
localizada no sul da itália, seu solo vul- nado a manjericão fresco, que perfuma
cânico, apropriado para cultivar frutas e o conjunto da obra, e mozarela, o quei-
legumes, levou napolitanos a serem co- jo mais emblemático da região.
nhecidos como “comedores de folhas”. Também virou marca dali o espa-
É dessa região também o famoso guete ao vôngole, como José Alencar
tomate san Marzano, estreito e alon- de souza faz há quase 30 anos em seu
gado, com polpa firme e pouca água. A santo Colomba. sua receita segue co-
cozinha da capital, nápoles, atrai via- ordenadas clássicas: massa seca com
jantes desde outrora. vôngole fresco, alho, azeite, salsinha e
destacam-se as pizzas à semelhan- vinho branco.
ça do que André Guido, da leggera, na no pettirosso, Marco renzetti incre-
pompeia, reproduz aqui. mentou essa base com mexilhões —e
A massa, de sabor complexo com le- usa linguine, cujo cozimento se dá no
ve acidez, é bem hidratada e manipula- caldo das conchas. A única gordura que
da somente com as mãos. acrescenta é um tantinho de azeite.
Keiny AndrAde/FolhApress
depois de submetida a um calor Leggera Pizza Napoletana - @ R. Diana, 80, Pompeia, tel.
3862-2581. Ter. a qui.: 19h às 23h. Sex. e sáb.: 19h às 23h30.
agressivo —em um forno napolitano Dom.: 19h às 22h.
que alcança 480°C— resulta deliciosa- Santo Colomba - @ Al. Lorena, 1.157, Jardim Paulista, tel. 3061-
3588. Seg. a sáb.: 12h às 15h e 19h às 23h30. Dom.: 12h às 16h.
mente elástica, com bordas gorduchas,
Pettirosso - @ Al. Lorena, 2.155, Jardim Paulista, tel. 3062-
com alvéolos, e um provocante tostado. 5338. Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h
pode receber molho de tomate, combi- às 23h30. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 23h30. Dom.: 12h às 16h30.
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BRuNO GeRAldi/divulGAçãO
Cacio e pepe do Tappo, na Consolação, preparado com pecorino e pimenta-do-reino
Lácio Piemonte
Ponto de convergência entre Norte e Sul Na base dos Alpes, essa área é marcada
do país, tem cozinha na qual sobressaem por invernos rigorosos, que inspiram uma
temperos cítricos e a presença do alho — cozinha mais robusta e calorosa, rica em
ainda que italianos dispensem ou ameni- carnes de caça e vegetais, como aspargos
zem esse ingrediente em muitos preparos. e alcachofras. No passado, uma cozinha
São dessa região várias das receitas fa- muito pobre, na qual pão e batatas eram
cilmente assimiladas pelos brasileiros — frequentes, convivia com uma cozinha da
cacio e pepe, carbonara, amatriciana. No aristocracia, influenciada pela França.
cardápio da Tappo, na Consolação, que va- No Gero, do grupo Fasano, fez história o
loriza a simplicidade da cozinha caseira, o bollito misto, um cozido italiano, de sabor
cacio e pepe leva queijo pecorino e pimen- complexo, cujas carnes (língua, vitela, car-
ta-do-reino, ambos sabores herdados dos ne-seca, ossobuco e embutidos) são corta-
romanos antigos, e aproveita a água do das num carrinho no salão, à frente do clien-
cozimento para dar cremosidade ao todo, te. Servido às sextas, com legumes, a recei-
como manda o figurino. O mesmo meca- ta é antecedida por um cappelletti in brodo.
nismo se repete no espaguete à carbonara, A L E M ANH A É com ele também que se faz o “piará”, um
que recebe gema de ovo, queijo (pecorino ÁUST R I A pirão de farinha de rosca de sabor incre-
e parmesão), pimenta-do-reino moída na Piemonte mentado pela untuosidade do tutano.
Lombardia
hora e papada de porco salgada. No Così, em Santa Cecília, Renato Cario-
Sobretudo em Roma, capital, nota-se Emília-Romanha ni não segue à risca o protocolo de nenhu-
uma cozinha apoiada em poucos ingredi- ma região, mas acolhe em seu cardápio
Ligúria I TÁ L IA
entes e execuções. “É uma cozinha abso- itens que flertam com essa região do norte,
lutamente trivial, rústica, rudimentar”, diz Lácio como o crudo com maionese trufada (de Al-
o italiano Marco Renzetti, do Pettirosso. Ali ba) e o escalope —mais alto e rosado que o
ele faz pratos clássicos de sabor rico, como Campânia habitual— com um empanamento rústico,
a tripa à la romana, uma dobradinha refo- Calábria com farinha de rosca. É servido com capel-
gada com tomate fresco e finalizada com Sardenha lini no molho de parmesão e trufa, estas
folhas de hortelã e pecorino ralado. também do Piemonte.
Sicília
Tappo - @ R. da Consolação, 2.967, Cerqueira César, tel. 3063- Gero - @ R. Haddock Lobo, 1.629, Jardins, tel. 3064-6317. Seg. a
4864. Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sex.: 12h às 15h e 19h qui.: 12h às 15h30 e 19h às 24h. Sex. e sáb.: 12h às 16h30 e 19h à
às 24h30. Sáb.: 12h30 às 16h e 19h30 às 24h30. Dom.: 12h30 às 17h.
TU N ÍSI A mar Mediterrâneo 1h. Dom.: 12h às 16h30 e 19h às 24h.
Pettirosso - @ Al. Lorena, 2.155, Jardim Paulista, tel. 3062-5338. Così - @ R. Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília, tel. 3826-5088.
Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h às 23h30. 200 km Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h às 24h.
Sáb.: 12h às 16h e 19h às 23h30. Dom.: 12h às 16h30. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 24h. Dom.: 12h às 17h.
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Ligúria
Embora seja mais uma região da Itália que também há o hábito de cristalizar frutas, queijo pecorino”, diz a chef, que prepara
Calábria
BruNo LIMA/DIVuLGAção
A geografia da Calábria, ao sudoeste da manteiga”, diz rozzino.
península, a isola entre mar e montanhas rafael Lorenti, da quinta geração da
e também colabora para preservar a cul- família fundadora da padaria Basilicata e
tura local, não muito exportada. à frente do restaurante que hoje funciona
o estilo de vida mais rústico leva a uma no mesmo espaço, no Bexiga, também se
cozinha baseada na autossuficiência e em dedica à cozinha do sul.
alimentos rústicos, locais e selvagens — Toma emprestada de sua avó calabre-
carnes de caça, cogumelos, molhos condi- sa a receita do bacalhau molicata, cujo
mentados, marinadas. Não são inexisten- preparo mistura aparas de bacalhau com Nhoque ao
tes, porém, pontos em comum com outras miolo de pão, tomate picado, cebola e al- pesto da
regiões, como a forte produção de cítricos caparra —que juntos vão ao forno. Vinheria
e o protagonismo da berinjela e do porco. Traduz bem a origem pobre dessa cozi- Percussi,
No TonToni, Gustavo rozzino flerta mais em Pinheiros
nha que dependia de mecanismos para ren-
intensamente com o norte da Itália, mas ao
der, como o uso do pão amanhecido que, ra-
ceder ao seu fraco pelos frutos do mar
lado, frito e temperado com parmesão,
abundantes ao sul, entrega receitas como o
alho, azeite e nozes, é transformado ali nu-
orechiette alla marinara, com camarão e
ma crocante e versátil molica também usa-
polvo, fatias finas de lula, pancetta e nduja.
da para polvilhar o fusilli calabresa, com ra-
Esta última é especialidade da Calá-
gu de linguiça fresca e curada na casa.
bria, uma salsicha apimentada, de papa-
TonToni - @ Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1.537, Jardins, tel.
da de porco, mais gorda, com pimenta ca- 3051-4750. Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e
labresa. Essa linguiça geralmente enrique- 19h às 23h30. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 23h30. Dom.: 12h às 17h.
ce molhos de tomate, mas na região tam- Restaurante Basilicata - @ R. Treze de Maio, 596, Bela Vista,
tel. 3289-3111. Ter. a qui.: 12h às 15h30 e 19h30 às 23h30. Sex. e
bém “passam na torrada como se fosse sáb.: 12h às 16h e 19h30 às 24h. Dom.: 12h às 17h.
Lombardia
Símbolo do crescimento econômico da 2017), considerado o chef fundador da mo- vitela colagenoso e macio, que Salvatore Loi
Itália, trata-se de uma região que preser- derna cozinha italiana. faz no Mondo. No Vicolo Nostro, cujo ambi-
va produtos agrícolas e modos de preparo Ele parte do típico risoto milanês, de ente simula uma viela italiana, o ossobuco
tradicionais, que incrementam economia açafrão, cuja versão de Marchesi com uma é vigoroso —servido com osso, o tutano po-
e cultura locais. Em sua cozinha, outrora folha de ouro tornou-se icônica. A brinca- de ser pinçado e dar untuosidade ao todo.
marcada pelo consumo diário de polenta deira está em entregar um prato estetica- Evvai - @ R. Joaquim Antunes, 108, Pinheiros, tel. 3062-1160.
por camponeses oprimidos, que tinham mente igual ao original, mas, no lugar da Seg. a qui.: 19h às 0h. Sex. 12h às 15h e 19h a 1h. Sáb.: 12h às 16h
e 19h à 1h. Dom.: 12h às 17h.
acesso restrito à carne, manteiga preva- folha de ouro, Luiz Filipe acomoda uma fo-
Mondo - @ R. Oscar Freire, 30, Jardim Paulista, tel. 3061-2787.
lece sobre azeite, arroz sobre as massas e lha de arroz sob a qual esconde um purê Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sex.: 12h às 15h e 19h à 1h.
Sáb.: 12h às 17h e 19h à 1h. Dom.: 12h às 17h.
os queijos são de qualidade cobiçada. rústico de mandioca, bem amanteigado.
No Evvai, Luiz Filipe Souza faz uma ho- Também recebe um toque cítrico o riso- Vicolo Nostro - @ R. Jataituba, 29, Vila Gertrudes, tel. 5561-
5287. Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 0h. Sex.: 12h às 15h e 19h às
menagem a Gualtiero Marchesi (1930- to milanês que acompanha o ossobuco de 1h. Sáb.: 12h às 16h30 e 19h às 1h. Dom.: 12h às 16h30.
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Emilia-Romanha
Essa região de comida rica, suculenta e vinagre balsâmico, uma redução concen- Rosa, o chef e empresário Rodolfo de San-
por pelo menos 12 meses, cuja base é o lei- potentes —ora em pedaços, ora moídas. Osteria Nonna Rosa - @ R. Padre João Manuel, 950, Jardins, tel.
2369-5542. Ter. a qui.: 19h às 24h. Sex. e sáb.: 12h às 16h e 19h a 0h.
te de vacas que comem ervas da região. O No recém-inaugurado Osteria Nonna Dom.: 12h às 17h.
Sicília
Maior ilha do Mediterrâneo, foi um territó- Rodolfo de Santis, traz a imagem de uma rici, 77. A massa se assemelha a um peque-
rio que sofreu dominação de vários povos, fazenda típica do sul —mesa farta, azeite, no tubo, curto, e é envolta em um molho
e isso se reflete na diversidade de sua co- tomate, berinjela, limão-siciliano, vinho. de tomate com manjericão, cubinhos de
zinha, de sabor autêntico, cujo eixo são os O cardápio, ainda que tenha interven- berinjela na chapa, ricota seca defumada
peixes carnudos e vegetais viçosos —toma- ções autorais e modernas, conserva clás- e azeite extravirgem. Sobre ela, polvilha-
te, brócolis, abobrinha, berinjela. As recei- sicos sicilianos, como o arancini (bolinhos se farinha de pão italiano, com pinole e
tas são geralmente feitas a partir de ingre- de risoto frito) e os cannoli, aqueles canu- uva passa —“para comer de colher, como
dientes simples e locais. Há forte presença dos de massa sequinha e crocante. os mafiosos”, diz a chef aos risos.
de frutas cítricas em sorvetes ou cristaliza- No Taormina, há 20 anos a receita que Nino Cucina e Vino - @ R. Jerônimo da Veiga, 30, Jardim Euro-
das e laticínios com leite de cabra e ovelha. ocupa o centro das atenções é o ditalini al- pa, tel. 3368-6863. Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sex.: 12h
às 16h e 19h à 1h. Sab.: 12h às 17h e 19h à 1h. Dom.: 12h às 20h.
Um grande painel de azulejos na parede la norma, feita desde os primórdios pela
Ristorante Taormina - @ Al. Itu, 251, Cerqueira César, tel.
do Nino Cucina, a primeira casa do italiano proprietária, Helena Maria Zamperetti Mo- 3253-6049. Seg. a sex.: 12h às 15h. Sab. e dom.: 12h às 16h.
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viageM eM
Majâz, Palestina
Na Vila Buarque, há uma trilha em direção a al-
go. Esse algo é a Palestina. E essa trilha é o Ma-
jâz, que em árabe significa… trilha em direção a al-
PeQUeNaS
go. Ao criarem o restaurante, em 2018, os irmãos
Mouhammad e Raame Othman aproveitaram
o formato do terreno e reproduziram o mapa ori-
ginal da Palestina, pré-1948: entra-se pelo norte,
DOSeS
como se estivesse vindo do Líbano.
Na carta de drinques, o imperdível majâz
(R$ 24), criado pelo bartender e doutor em rela-
ções palestino-israelenses Arturo Hartmann. Ali-
ando cachaça e arak, reproduz as cores da bandei-
ra Palestina: o verde do limão, da hortelã e do za- Cinco drinques de
atar, o vermelho da pimenta-biquinho e o preto
da pimenta-preta. quatro países para
@ Majâz - R. Fortunato, 88, Vila Buarque, tel. 3334-0118. Ter. a qui.: 18h
às 23h45; sex.: 18h às 2h; sáb.: 12h às 2h; dom.: 12h às 18h.
experimentar pelos
balcões de São Paulo
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@ Região CentRal @ zona SUl @ zona noRte @ zona oeSte @ zona leSte
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THAyS BITTAr/foLHAPrESS
noite
O cOpO escOlas
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noite
território
Flávia Mantovani
KEINY ANDRADE/FOLHAPRESS
presentam a trajetória de vida de seu propri-
etário, Mazen Zwawe, 28: a da Palestina,
terra de seu avô e de onde herdou sua naci-
onalidade; a da Síria, onde ele nasceu e viveu
a maior parte de sua vida; e a do Brasil, para
onde veio quando deixou a guerra para trás.
Aberta há três meses, a casa na Vila Ma- narguilés decoram o restaurante al Mazen, aberto em outubro
dalena é a realização do sonho que tinha
quando chegou a São Paulo, em 2013, sem
conhecer ninguém e com US$ 100 no bolso. outros O chef, que também é barman, pretende
Desde então, ele se virou vendendo água bares criar drinques do Oriente Médio em breve.
na rua e comida em food parks. Também foi Também deve alugar narguilés para quem
responsável pela cozinha de um popular bar al Janiah quiser fumar na área externa.
Misto de restaurante,
palestino no Bexiga, o Al Janiah, de onde bar e centro cultural, “Foquei primeiro em deixar a cozinha em
saiu para montar seu próprio negócio. é engajado, com fun- ordem”, diz Mazen, que veio para o Brasil
Diferentemente de muitos refugiados que cionários refugiados e sem planejar. Aguentou viver dois anos na
homenagens a ícones da
só começaram a trabalhar com comida ao esquerda nas paredes. Síria em guerra. Quando estava prestes a ser
chegar ao Brasil, Mazen já atuava na área @ R. Rui Barbosa, 269, Bela convocado para o Exército, preferiu sair.
antes de migrar. Formado em gastronomia, Vista, s/tel. Ter. a qui.: 18h
à 1h. Sex. e sáb.: 18h às 3h.
Seu destino seria a Tailândia, onde cozi-
tinha um restaurante na capital síria, Damas- nharia no restaurante de um tio. Mesmo com
co, que foi bombardeado. “Felizmente estava bab visto, foi barrado. “Disseram: ‘Seu visto es-
vazio na hora e ninguém morreu”, conta. Assumido pelo palesti- tá em ordem, mas você não vai entrar porque
no Salim Mhanna e por
O Al Mazen serve bufê no almoço e pratos sua mulher, Oula, em
veio da Síria’. Pior ainda tendo nacionalida-
e petiscos à la carte até as 2h. Entre as op- 2018, o bar virou ponto de palestina. Nenhum país nos aceita”, diz.
ções, charuto de folha de uva, arroz marro- do público LGBT e pro- Voltou ao Líbano, de onde tinha saído seu
move eventos em que
quino, kebab, falafel, churrasco árabe e voo, e acabou conseguindo um visto brasi-
cozinham refugiados
pastas como a pouco conhecida muhamara de vários países. leiro ao acompanhar um primo ao consula-
(de pimentão vermelho e nozes). De vez em @ Pça. Franklin Roosevelt, 124, do. Hoje, quer ficar no país definitivamente.
quando, aparecem pratos tipicamente pa- Consolação, tel. 97952-0624.
Seg. a dom.: 10h à 1h.
“Metade da minha família está na Europa,
lestinos, como o maqluba (à base de arroz, mas prefiro o Brasil. Aqui as pessoas tentam
carne, berinjela e tomate). Alguns ingredi- até falar árabe para ajudar”, diz. *
entes vêm da Síria, como a água de rosas e o @ al Mazen - R. Mourato Coelho, 1.327, Vila Madalena, tel. 3819-7770. Seg. a dom.:
11h às 2h.
molho de romã. Para beber, há desde caipi-
rinhas até o destilado árabe arak. @ região central @ zona sul @ zona norte @ zona oeste @ zona leste
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keiny andrade/folhapress
sala coletiva de karaoke da
Tokyo, na região central
Inspirada em casa japonesa, karaoke no alto de prédio Qua. a sáb.: 18h às 6h. Dom.:
16h às 23h.
@ região CenTraL @ zona suL @ zona norTe @ zona oesTe @ zona LesTe
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cidade Em templos de São Paulo, dá para rezar o
pai-nosso em inglês, repetir mantras em ja-
ponês, fazer preces em armênio e orar cinco
de todos
vezes ao dia em árabe.
Só na igreja Nossa Senhora da Paz, na
Liberdade (região central), há missas em
cinco línguas. O lugar foi fundado na déca-
os santos
da de 1940 pela ordem italiana dos escala-
brinianos, ligada à causa da migração.
Os missionários já estavam no país desde
o final do século 19, conta o padre Paolo
Diversidade de crenças, cultos e Parise, 53, que nasceu na Itália e é pároco
da igreja desde 2010. A escolha da santa
templos transforma a capital paulista padroeira é uma referência às guerras que
em um grande centro ecumênico trouxeram os italianos para São Paulo.
Até os anos 1970, a principal comunidade
que frequentava a igreja ainda era compos-
Ana Luiza Tieghi ta por descendentes do país europeu, e as
missas eram realizadas em italiano.
A partir da década de 1970, imigrantes da
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FOTOS Keiny AndrAde/FOlhApreSS
Coreia do Sul, do Chile e do Vietnã foram nidade de formar uma comunidade com
absorvidos pela paróquia. outras pessoas de mesma origem também
Hoje, segundo Parise, a igreja tem fiéis atrai os fiéis. “Tem gente que não participa-
italianos, filipinos, haitianos, bolivianos, va das missas na sua terra natal, mas come-
chilenos, paraguaios, peruanos, equatoria- çou a frequentar aqui”, diz.
nos e colombianos —além dos brasileiros. Perto dali, no Bom Retiro, a Igreja Apos-
No mesmo espaço, há três paróquias: a tólica Armênia de São Jorge é ponto de en-
regional, com missas em português, a itali- contro para os descendentes de imigrantes
ana e a hispânica. Aos domingos, há três do país. Erguido em 1948, o templo, cinza
missas em português e uma celebração em por fora, pode passar despercebido por quem
outro idioma. No primeiro domingo do mês trafega pela avenida Santos Dumont. É por
é a vez do italiano; no segundo, do francês; dentro que a construção impressiona, com
Interior no terceiro, do inglês e, no quarto, do espa- cenas bíblicas pintadas no teto, vitrais colo-
da Igreja nhol. As comunidades hispânicas se reve- ridos e paredes adornadas.
Apostólica zam no comando da celebração. As missas, sempre aos domingos, às
Armênia de
A ordem dos escalabrinianos mantém 10h30, são rezadas em grabar, a forma clás-
São Jorge, no
Bom Retiro; à também a Missão Paz, com um centro de sica do armênio, usada desde o ano 405.
dir., detalhe acolhida para imigrantes de várias religiões. De acordo com a secretária executiva da
do teto da A mistura de comunidades nem sempre igreja, Margarit Vratsyan Agopian, 33, que
igreja, com é pacífica. “Houve momentos difíceis, por- veio da Armênia para o Brasil em 2013, me-
painéis que que as pessoas viam a igreja como sendo nos da metade dos descendentes armênios
retratam delas e depois tinham que dividi-la com pes- dominam a língua do país.
cenas bíblicas
soas novas”, afirma Parise. Quem não entende o idioma, porém, tam-
Mas isso não impediu que todos atuassem bém consegue participar da celebração, já
juntos quando houve a crise de imigração que há livros e folhetos com as orações em
haitiana ao país, de 2014 a 2015, conta. “Foi português disponíveis nos bancos.
interessante ver essa abertura no momento A fé em São Jorge leva fiéis de outras reli-
da necessidade.” giões ao local, conta Agopian. “Eles ficam
Segundo o padre, a possibilidade de rezar surpresos quando descobrem que não é uma
em seu próprio idioma recupera um vínculo igreja católica”, afirma. Os visitantes chegam
de cada imigrante com seu país. A oportu- principalmente no dia do santo, celebrado 5
┆ ┆ ┆ 61
Catedral
Apostólica Armênia
de São Jorge
Paróquia Pessoal
Coreana São
Kim Degun
Missas em coreano às
7h na segunda e às 19h
na terça. De quarta a sábado
keiNy ANDrADe/fOlHApress
há celebrações no idioma às
7h e 19h; aos domingos, às
7h e 9h. Missa em português,
na capela da igreja, aos
domingos, às 10h30.
@ R. Nair de Teffé, 147, Bom Retiro,
tel. 2128-0401.
Ofício budista no templo Honpa Hongwanji, na Chácara Inglesa, zona sul de São Paulo
Igreja Nossa
Senhora da Paz
Missas em português de
em 23 de abril na tradição católica. chances de ter visitantes, há um esforço pa- segunda a domingo, às 19h.
De acordo com a secretária, eles são bem- ra se celebrar em português. Aos domingos, também
há celebrações às 8h e 9h30.
vindos, mas não é realizada uma celebração Ele explica que a procura dos descenden- Há missas em italiano no
especial para o santo nesse dia. Na religião tes de japoneses pelo budismo, principal- primeiro domingo de cada
armênia, o dia de São Jorge é comemorado mente nas gerações mais novas, vem caindo, mês, em francês no segundo
e em inglês no terceiro,
no último sábado de setembro. enquanto a dos não descendentes está au- às 11h. No quarto domingo
Os brasileiros também são bem-vindos mentando. Por isso, a sua federação, Terra é em espanhol, às 12h.
nas celebrações do templo budista Honpa Pura —vertente do budismo que tem 35 tem- @ R. do Glicério, 225, Liberdade,
Hongwanji, chamadas de ofícios. O local, plos na América Latina—, tenta hoje formar tel. 3209-5388. Seg. a sex.: das 9h às
12h e das 13h30 às 17h30. Sáb.: das
que em 2019 completou 60 anos, fica na Chá- mais monges brasileiros. 10h30 às 12h.
cara Inglesa, zona sul de São Paulo. Mostrar a religião aos paulistanos tam-
Catedral
Boa parte dos ofícios, porém, não são em bém é o objetivo de um grupo com cerca de
Metropolitana
português. Como explica o monge superior 30 senegaleses fiéis do muridismo, vertente Ortodoxa
Mário Kajiwara, 48, a maioria dos frequen- do islã. Toda segunda-feira à noite, eles se Missas somente aos domin-
tadores do local são descendentes de japo- reúnem na praça da República, no centro, gos, às 10h15, em português.
neses e ainda há muitos idosos que vieram para rezar, dançar e entoar cantos. Algumas orações são feitas
em árabe.
do país asiático. As músicas e orações são feitas em árabe @ R. Vergueiro, 1.515, Paraíso, tel.
Outro motivo para as celebrações serem e em wolof, idioma que, além do francês, é 5907-8610. Seg. a sex.: das 9h às 13h e
das 15h às 18h. Sáb.: das 10h às 13h.
em japonês vem dos próprios monges: pou- falado no país africano.
cos sabem português ou se sentem confor- Segundo Ibrahima Seck, 29, o evento às Templo Honpa
táveis em celebrar na língua. Ele, que é neto segundas também é uma maneira de unir a Hongwanji
de imigrantes e fez sua formação religiosa própria comunidade senegalesa. “Tem gen- Ofícios todos os dias, às
no Japão, celebra nos dois idiomas. te que veio de outras cidades para morar em 7h, e também às 16h30, de
segunda a sexta, geralmente
Segundo Kajiwara, o idioma usado de- São Paulo por causa desse grupo”, afirma. em japonês. Aos domingos,
pende também do público do dia. Caso pre- Qualquer pessoa é bem-vinda para acom- o ofício é celebrado por mon-
dominem os fiéis japoneses, maioria duran- panhar a celebração na praça. Nos outros ges que falam português.
te a semana, utiliza-se o idioma oriental. No dias da semana, os senegaleses se reúnem @ R. Changua, 108, Chácara Inglesa,
tel. 2275-8677. Aberto todos os dias,
ofício dos domingos, quando há maiores em mesquitas do centro. * das 8h30 às 18h.
@ RegIãO CeNTRAl @ zONA Sul @ zONA NORTe @ zONA OeSTe @ zONA leSTe
62 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
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treinamento de sumô no ginásio do mie nishi, na região central de São Paulo
Dante Ferrasoli É possível encontrar em São Paulo, cidade ca apenas como estádio de beisebol, em
mais cosmopolita do Brasil, esportes nada homenagem aos 50 anos da chegada dos
ou pouquíssimo conhecidos no país. japoneses ao Brasil.
Só no complexo do estádio Mie Nishi, que “Até o príncipe do Japão da época, Mika-
fica no Bom Retiro, região central da capital, sa, veio para a cerimônia”, afirma Olívio
pode-se praticar quatro esportes associados Sawasoto, 74, diretor da Confederação Bra-
à comunidade japonesa: beisebol, softbol sileira de Beisebol e Softbol.
(versão do beisebol com uma bola maior e O local, que recebeu em 1963 o beisebol
mais macia), gueitebol (jogo cujo objetivo é, nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, é
com a ajuda de um taco, fazer a bola passar até hoje o único estádio público para a prá-
sob arcos, os ‘gates’) e sumô. tica do esporte no país.
O espaço foi inaugurado em 1958, na épo- Segundo Sawasoto, a modalidade existia
64 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
no Brasil antes de o navio Kasato Maru apor-
tar em Santos, mas a prática aumentou mui-
┆ ┆ ┆ 65
CuRlINg
Numa superfície de gelo, os jogadores fazem uma pedra
de granito deslizar rumo a um alvo desenhado no chão.
Enquanto ela desliza, seus companheiros “varrem” o gelo
CRÍQuEtE
Os times, de 11 jogadores, se alternam entre
lançar e rebater. Na primeira função, o objeti-
vo é eliminar rivais. Uma forma de fazê-lo é
derrubar uma das bails (duas pequenas vare-
tas colocadas sobre três paus de madeira,
o wicket) com a bola. A estrutura fica atrás
do rebatedor. Quando dez jogadores são
eliminados, um innings (ou entrada) acaba.
Os rebatedores jogam em dupla (cada um
numa base), com todos seus adversários
espalhados pelo campo, e devem pontuar.
Após a rebatida, os jogadores trocam de
lugar quantas vezes for possível até que os
rivais consigam levar a bola a uma base.
Cada troca vale um ponto. Outro jeito de
pontuar é mandar a bola no limite do campo
(ou fora dele). Se a bola não pinga, vale 6
pontos; se o faz, 4. O jogo tem 4 entradas.
SuMÔ
É uma luta agarrada,
de grappling. Não são
permitidos golpes como
socos, chutes, mordidas,
etc. Para vencer, o lutador
deve empurrar o adversário
para fora do círculo ou
derrubá-lo/fazer com que
ele encoste alguma parte BEISEBol
do corpo que não seja a Equipes se revezam entre lançar e rebater. No primeiro caso,
sola dos pés no chão. Não devem eliminar adversários; no segundo, pontuar. Para con-
há contagem de pontos e seguir pontos, o rebatedor deve dar uma volta completa no
os embates geralmente terreno (que tem quatro bases). Isso vale um ponto. Quem
duram segundos. Antes do arremessa quer eliminá-lo. Um rebatedor é eliminado se
combate os atletas jogam levar três strikes. Um strike acontece, por exemplo, quando
sal na arena, costume um adversário segura a bola rebatida antes que ela toque
xintoísta para proteger e o chão ou quando os rivais a levam a uma base antes que o
expulsar maus espíritos. rebatedor chegue nela (se não estiver seguro numa outra).
Quando três atletas são eliminados, as equipes trocam de
IlUStRAçõES CAtARINA PIGNAtO
posição. Ganha quem tiver mais pontos após nove entradas
(período em que os dois times atacam e defendem). Se
houver empate, joga-se até alguém vencer.
Estádio Mie Nishi Arena Ice Brasil São Paulo São Paulo Athletic Club
Espaço no Bom Retiro onde se pode praticar Espaço inaugurado em 25 de janeiro, Clube fundado por ingleses onde há o único
esportes associados à colonização japonesa. no Morumbi, onde há três pistas de curling campo oficial de críquete na cidade. Um grupo
Reservas (para grupos): beisebol R$ 92,50 a e rinque para patinação e hóquei 3x3, além de cem membros pratica o esporte lá. Cada trei-
hora; gueitebol e sumô: R$ 27 a hora. O uso sem de bar e café. O preço para a o curling, por
no custa cerca de R$ 70 por pessoa. Interessados
reservas é livre se houver espaços disponíveis. pessoa, é entre R$ 50 e R$ 60.
podem escrever para gcaisley@[Link].
@ @ Av. das Nações Unidas, 16.741 (no complexo do hipermercado
Av. Castelo Branco, 5.446, Bom Retiro, tel. 3221-5105.
Extra), Morumbi. Seg. a dom.: 8h às 23h. @ Av. Atlântica, 1.448, Socorro. Ter. a dom.: 6h30 às 23h.
Seg. a dom.: 8h às 17h.
@ REgIão CENtRAl @ zoNA Sul @ zoNA NoRtE @ zoNA oEStE @ zoNA lEStE
66 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
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alunos na escola islâmica Brasileira, localizada na Vila carrão, na zona leste de são Paulo
lição de casa
Com aula de cerimônia do chá e leitura do Alcorão, colégios
de imigrantes transmitem as tradições de seus países
Carolina Muniz Em uma escola, crianças aprendem o árabe palmente filhos de imigrantes de países
e os preceitos do islamismo. Em outra, estu- árabes. Erguida há 49 anos pela comunida-
dam a tradicional cerimônia do chá japone- de libanesa, ela inclui o ensino de árabe e
sa. Em São Paulo, colégios fundados por de religião na grade curricular.
imigrantes ajudam a preservar as tradições “É uma escola tradicional brasileira, mas
de seus países de origem. que tem a cultura islâmica como um ponto
Localizada na Vila Carrão, na zona leste, a mais”, afirma Mageda Smaili, coordena-
a Escola Islâmica Brasileira recebe princi- dora dessa área dentro do colégio, que
68 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
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conta com cerca de 330 alunos.
Na educação infantil, metade do período
é lecionada em árabe e a outra, em portu-
guês. Do ensino fundamental até o segundo
ano do médio, os alunos têm cinco aulas
semanais de árabe e três de ensino religioso.
No terceiro ano, a frequência das aulas di-
minui para uma e duas, respectivamente,
por causa da preparação para o vestibular.
Meninas e meninos estudam na mesma
sala. Só nas aulas de ensino religioso há uma
separação, mas todos fazem juntos a leitura
do Alcorão, livro sagrado do islamismo.
Uma das datas mais importantes para o
colégio é o Ramadã, mês sagrado no qual os
muçulmanos fazem jejum do nascer ao pôr
do sol. Crianças pequenas não ficam sem
comer durante o período, mas já aprendem
a importância do momento, que é também
de oração e caridade.
Não há idade certa para começar a jejuar,
diz Mageda, mas em geral isso acontece na
escola a partir dos 13 anos. Ela diz que, mes-
mo não sendo obrigatório, todos os adoles-
centes costumam participar, até aqueles
divulgação
┆ ┆ ┆ 69
DIvUlGAçãO
@ região central @ zona sul @ zona norte @ zona oeste @ zona leste
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olha a
Esc
yPen
Pla
NOVO
ENSINO MÉDIO
Pioneira em educação bilíngue no Brasil, a PlayPen ECJ é uma escola ousada e inovadora, cujos currículos nacional e
internacional integrados garantem um ensino de qualidade em português e inglês. O olhar atencioso, resultado de um
robusto programa de Salvaguarda, traz uma forte cultura de cuidado, bem-estar e segurança. Em 2020, a escola contará
com o AS Tracking (Affective Social Tracking),, uma ferramenta inovadora que permite identificar riscos na saúde
emocional dos adolescentes com antecedência, possibilitando à equipe pedagógica atuar de forma ainda mais
rápida e preventiva. Agora, também com Ensino Médio, preparamos seu filho da Educação Infantil até o ingresso na
universidade para que ele siga os estudos nas melhores instituições, aqui no Brasil ou no exterior.
Renan Marra
associação
Cultural Grupo
Volga de
Folclore russo
Na zona leste de São Paulo, a coisa está meio diante agendamento. “Temos de manter Fundada em 1981 inici-
russa —com dois “s” mesmo. Reduto de imi- nossas tradições. Há forte miscigenação no almente como grupo de
grantes italianos, que se estabeleceram prin- Brasil e nossa cultura pode se perder”, diz dança. Hoje promove
cipalmente no bairro da Mooca, a região ensaios e apresenta-
Tamara Dimitrov, 58, uma das fundadoras.
ções de coral e danças
também foi a nova casa de russos, croatas, Segundo ela, a associação dá continuida- folclóricas, workshops
búlgaros, lituanos, entre outros. Lá, eles de ao trabalho do antigo grupo de dança de culinária, oficinas de
fundaram clubes e associações culturais que Kalinka, que foi extinto durante a ditadura idioma e palestras com
temas relacionados
ajudam a contar essa história. militar, em 1975, após ter suas atividades ao país. As atividades
Grande parte deles foi morar na Vila Ze- associadas ao comunismo. são gratuitas e abertas
lina, bairro conhecido como leste europeu Atualmente, o Grupo Volga tem 150 mem- ao público, mediante
paulistano. Eles começaram a migrar para bros. O interesse pela associação vem au- agendamento.
a região em 1927, quando Carlos Corkisko, mentando, de acordo com Dimitrov. Ela diz A associação não tem sede. Os
eventos são gratuitos e aconte-
um imigrante russo, vendeu lotes no local. que a boa impressão deixada pela Copa do cem em locais cedidos por par-
ceiros. Ensaios obrigatórios. Tel.
O ponto era estratégico: próximo da antiga Mundo da Rússia, em 2018, ajudou a chamar 99789-6242 e 97347-7474.
Hospedaria dos Imigrantes, onde hoje fica a atenção para o país. Dom.: 14h às 17h.
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Gabriel Cabral/Folhapress
Frequentadores da associação Sociedade Amigos da Dalmácia, na Mooca, jogam futebol de botão
┆ ┆ ┆ 73
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Bate forte o Bongô
Artistas africanos ensinam danças e ritmos de vários países do continente
Iara Biderma n
Imigrantes africanos trazem para São Paulo Brasileira, Celina é casada com o bailari-
um mundo de passos, saltos, ondulações de no guineense Facinet Touré, 31. No segundo aula com
ombros e quadris ao som ritmado da percus- semestre do ano passado, o casal veio morar a bailarina
sul-africana
são. Em uma série de cursos, oficinas e aulas em São Paulo. Com a dança “raiz”, aquela nduduzo Siba
avulsas, ensinam desde coreografias tradi- que surge nas aldeias, ainda fresca em seu no Sesc
cionais até a dança negra contemporânea, corpo, Facinet ensina coreografias e ritmos Pompeia
passando pelas chamadas afro-brasileiras. tradicionais para profissionais e amadores.
“Desde muito criança, aprendi a dançar Algo que une as diferentes vertentes é
com minha mãe, e ela foi ensinada por mi- a presença da percussão, quase sempre com
nha avó, que aprendeu com minha tataravó”, músicos ao vivo. Na África, a música é parte
conta Mariama Camara, 40. indissociável da dança, seja numa festa na
Na República da Guiné, onde nasceu e aldeia, seja numa apresentação ou numa aula.
cresceu, Mariama integrou grupos de dança Por isso também é comum os cursos serem
profissional e rodou o mundo se apresentan- compostos por duas partes: primeiro, uma
do e aprendendo ritmos de países vizinhos. aula de percussão; depois, de dança.
Aqui em São Paulo, ela ensina, além da Nas aulas da sul-africana Nduduzo Siba,
dançatradicionalguineense,umpoucodessas 31, primeiro os alunos batem palmas, depois
outras danças. aprendem a cantar uma música tradicional
Sim, são várias, apesar de parecerem do povo zulu e só então começam a dançar.
“tudo a mesma coisa” para os leigos. “Uma Foi a partir da música que a coreógrafa
das belezas das danças africanas é a diver- Flávia Manzal, 40, se aproximou da dança
sidade de etnias, culturas e rituais que cada —ela teve um namorado que tocava djembe,
uma representa”, diz Celina Fernandes, 53. instrumento tradicional da música africana.
74 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
Com a sua morte, em 2001, Flávia começou onde aprender nduduzo Siba
a dançar para superar o luto. a bailarina sul-africana dá aulas avulsas
Centro de Culturas negras
gras Mãe Sylvia de Oxalá, as bailarinas baia- Teatro Studio Heleny Guariba - @ Pça. Roosevelt, 184,
Consolação, tel. 99145-9930.
nas Priscila Borges, 40, e Tainara Cerqueira,
32, dão aulas regulares dessa vertente. ouTraS danÇaS do Mundo
Flávia Manzal
JáaIlúObádeMin,associação deeducação, aulas às terças, das 19h30 às 21h; danças gregas
cultura e arte negra, promove oficinas de dan- r$ 150/mês. aulas às terças, das 19h30 às 21h30;
r$ 150/mês.
ças dos orixás e afro-brasileiras. Centro Cultural do Butantã - @ Av. Corifeu de Azeve-
do Marques, 1.880/1.882, Jd. Rizzo, tel. 98100-5365. areté Centro de estudos Helênicos - @ R. dos Macu-
Com pegada contemporânea e como po- nis, 495, Vila Madalena, tel. 3032-3939.
lítica de resistência, a companhia Treme Ilú obá de Min
Terra mantém cursos de dança negra con- programação no site [Link]. projeto Fábrica do Movimento
aulas aos sábados, das 17h às 18h. 1º/2,
keiny andrade/folhapress
temporânea. Ali também o balanço sempre @ R. Anhaia, 37, Bom Retiro, tel. 3222-5566.
deca Madureira (danças do recife); 8/2,
vem junto com as aulas de percussão. facinet Touré (danças da Guiné); 15/2,
“Nas artes negras, tudo é integrado: não Mariama Camara humberto siles (danças do Caribe);
aulas às quartas, das 18h às 19h30 (percus- e 25/2, Mohammad al Jamal (danças
existe dança se não tiver junto música,
são) e das 19h30 às 21h (dança). r$ 150/mês. do líbano). Grátis.
política, roupas, cores”, explica João Nasci- ação educativa - @ R. General Jardim, 660, Vila Buar- Sesc pompeia - @ R. Clélia, 93, Água Branca, tel.
mento, 36, diretor da companhia. * que, tel. 3151-2333. 3871-7700.
┆ ┆ ┆ 75
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Siga oS
MEStrES
Refugiados, imigrantes e
descendentes dão aulas de
idiomas, artesanato típico
e atividades físicas
Flávia G. Pinho
África
idioma iorubá
É usado em ritos religiosos afro-brasileiros e foi trazido pe-
los escravos. Aulas semanais ministradas por Abbé Tossa,
nascido no Benim, R$ 190 por mês (a partir de março).
@ R. Domingos de Moraes, 770, bloco 3, sala 6, Vila Mariana. [Link]/
[Link]
76 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
ÍNDiA
Culinária indiana
ioga, meditação,
divulgação
hindi e sânscrito
Cursos regulares com
o professor sanjay Kumar,
com seis meses de duração Curso de bordado cholita com a boliviana Elizabeth Ayla, promovido pela ONG Deslocamento Criativo
e uma ou duas aulas
semanais. grátis.
Centro Cultural swami Viveka-
nanda - @ Al. Sarutaiá, 380, Jd. Árabe
Paulista, tel. 3142-8915. Ministrado por refugiados,
o curso inclui 40 horas de
Massagem aula e custa r$ 715 (mais
abhyanga r$ 50 de material didático).
Curso de formação em ONG Abraço Cultural - @ R. dos
Pinheiros, 706, casa 6, Pinheiros, tel.
36 horas: r$ 822. 98300-7321
senac-sP (unidade Penha) -
@ R. Francisco Coimbra, 403, Penha,
tel. 2135-0300. hebraico moderno
a partir de 2/2, em 20 aulas
semanais; 10 parcelas de
JAPãO, COREiA r$ 245.
E ChiNA
unibes Cultural - @ R. Oscar Frei-
re, 2.500, Sumaré, tel. 3065-4337.
Bonsai
Teórico e prático, o curso Cultura judaica
inclui duas aulas de oito Curso “fundamentos da
horas cada uma por r$ 590. cultura judaica” com Cecilia
Bonsai Kai - @ R. Miranda Guerra, Ben david em sete aulas
1.530, Jd. Petrópolis, tel. 96665-1000. semanais, r$ 500. a partir
de 11 de março.
língua coreana unibes Cultural - Veja acima.
Com duas aulas semanais
e duração de quatro anos. Cultura síria
a partir de fevereiro. grátis. experiência na casa da
Centro Cultural Coreano no Bra- arqueóloga síria yamam
sil - @ Av. Paulista, 460, Bela Vista, saad, no centro, com três
tel. 2893-1098.
horas de duração. inclui
aula sobre a cultura do país
ikebana e almoço árabe. a partir
Workshop de arranjos de r$ 130 por pessoa.
florais japoneses, com duas Airbnb Experiences - [Link].
horas de duração (a partir br/d/diadosrefugiados.
de r$ 40) ou curso com dez
aulas (r$ 875). Arte ebru
Fundação Mokiti Okada - @ R. a economista turca güzin
Morgado de Mateus, 77, 3º andar, Vi- Oshibana tai chi chuan ORiENtE MéDiO
Cobanoglu ensina a técnica
la Mariana, tel. 5087-5009. a professora Mirian Tatsumi e kung fu de pintura em que
ministra curso sobre a arte de 2 a 30/3, acontece a Caligrafia árabe o desenho é “pintado”
Mangá japonesa com flores e folhas oficina semanal “Tai chi chu- Workshop com o sírio Moha- sobre água e só então
Com uma aula semanal, prensadas. aulas quinzenais an e kung fu como matrizes de mad alsaheb, com três horas transferido para o papel
curso de desenho e produ- durante três anos, com movimento”. grátis. de duração, r$ 100. ou tecido. r$ 45 a hora.
ção de hQ por r$ 368/mês. mensalidade a r$ 250.
Oficina Cultural Oswald de Andrade - Centro da língua Árabe - @ Viaduto Centro Cultural Brasil-turquia -
Oshibana Art - @ R. Tamandaré, 355, @ R. Três Rios, 363, Bom Retiro, tel. 3222- @ R. André Pinheiro, 38, Granja Juli-
Casa locomotiva - @ R. Girassol, Dona Paulina, 34, apto. 45, Bela Vista,
973, Vila Madalena, tel. 3819-3648. Liberdade, tel. 3207-0811. 2662. tel. 93009-9689. eta, 3063-1878.
@ REGiãO CENtRAl @ zONA sul @ zONA NORtE @ zONA OEstE @ zONA lEstE
┆ ┆ ┆ 77
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SInta-SE lá
Espetáculos de dança, competições, mostras
e festas para uma imersão em outras culturas
‘Tristão e Isolda’,
montagem do
Ballet du Grand
Théâtre Genève
GTG/GreGory BATArdon
78 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
EXPOSIÇÕES
Tadashi Kawamata
Edgar Degas
A mostra do Masp reunirá 150 obras do impres-
sionista a partir de 30/10. A seleção de peças
parte do acervo do museu, que tem três pintu-
ras e 73 esculturas de bronze, inclusive a série
que inclui a “Bailarina de Catorze Anos” (1880).
Masp - @ Av. Paulista, 1.578, Bela Vista, tel. 3149-959. Ter.: 10h
às 20h. Qua. a dom.: 10h às 18h. Ingr.: R$ 40. Ter. e menores
de 11 anos: grátis.
CINEMA
Verão Otaku
O Centro Cultural São Paulo exibe uma seleção
de animes contemporâneos até 2/2. Na sexta
(31/1), haverá pré-estreia do filme “Human
Lost”, de Fuminori Kizaki. O evento será seguido
de um bate-papo com Nelson Sato, uma das
figuras a difundir animes na TV brasileira.
Centro Cultural São Paulo - @ R. Vergueiro, 1.000, Liberdade
tel. 3397-4002. Ter. a sex.: 10h às 20h. Sáb. e dom.: 10h às 18h.
Entrada gratuita.
DANÇA
┆ ┆ ┆ 79
FEIRAS Festa de Nossa
Senhora de Casaluce
Feira Pueblo Andino A mais antiga festa italiana da capital chegará
@ REGIÃO CENTRAL @ ZONA SUL @ ZONA NORTE @ ZONA OESTE @ ZONA LESTE
80 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
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Naquela primeira noite na cidade, Carlos me leva
à avenida Paulista para roubar cartazes de banca da
82 ┆ ┆ ┆ 26 de janeiro de 2020
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SE BEBER, NÃO DIRIJA.
OUTBACK
hoje pode ser mais