Direitos Humanos e a Constituição de 1988
Direitos Humanos e a Constituição de 1988
HUMANOS
Aspectos Gerais dos Direitos Humanos
e a Constituição Federal de 1988
SISTEMA DE ENSINO
Livro Eletrônico
DIREITOS HUMANOS
Aspectos Gerais dos Direitos Humanos e a Constituição Federal de 1988
Sumário
Fabrício Missorino
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BH/RMBH (assim
considerados
os Municípios
646 72 EFSD/APM
integrantes da 1ª, 2ª
e 3ª RPM)
4ª RPM 54 6 4ª RPM
5ª RPM 54 6 5ª RPM
6ª RPM 36 4 6ª RPM
7ª RPM 67 8 7ª RPM
8ª RPM 67 8 8ª RPM
9ª RPM 54 6 9ª RPM
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Dito isso, nossa conversa nesta aula será sobre DIREITOS HUMANOS, com foco basica-
mente nos temas previstos na doutrina, na jurisprudência dos organismos internacionais, bem
como nos instrumentos e normas internacionais de direitos humanos. Para tanto, farei uma
apresentação teórica, com a utilização de pontos de maior atenção oriundos de concursos an-
teriores a respeito do tema, em especial na abordagem de questões aplicadas em concursos
de várias carreiras atinentes à matéria. Além disso, um resumo será disponibilizado no fim da
aula com os principais tópicos abordados e mais algumas questões aplicadas.
Em suma, tenho a dizer que o nosso estudo será sistematizado, seguindo uma lógica de
estruturação que permita abordar o percurso da efetivação dos direitos humanos no Brasil e
no mundo, bem como analisar os principais instrumentos e normas de direitos humanos (a
exemplo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, das Regras de Mandela, do Programa
Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3 e do Pacto de San José da Costa Rica) com enfoque
especial na contextualização e nas regras de proteção de direitos humanos presentes na Cons-
tituição Federal de 1988.
Por fim, gostaria de pedir a você que ao final do estudo deixe sua avaliação sobre a aula.
Suas críticas e sugestões de melhoria sinceramente só me farão empreender esforços para
tornar essa nossa experiência cada vez melhor para os colegas que buscam conhecimento e
preparação para atingir seus objetivos. Conto com você! É rápido e fácil. Muito obrigado! Va-
mos para a nossa aula!!!
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A partir dessas premissas podemos dizer que cada Estado incorpora no seu ordenamen-
to jurídico os direitos humanos mais próximos aos seus próprios valores, aos valores de sua
sociedade, decidindo quais serão constitucionalizados (ou seja, quais alçarão a categoria de
“direitos fundamentais”), bem com quais pertencerão ao nível infraconstitucional dentro do
ordenamento.
O Brasil, por exemplo, ao estabelecer os princípios fundamentais de sua República Fede-
rativa, preferiu deixar expresso na Constituição Federal como objetivos fundamentais a cons-
trução de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, II); a erradicação da pobreza e da mar-
ginalização, bem como a redução das desigualdades sociais e regionais (art. 3º, III); e, ainda,
a promoção do bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação (art. 3º, IV); objetivos esses completamente alinhados com as
doutrinas nacionais e internacionais de proteção dos direitos humanos.
Quis o legislador constituinte, ainda, registrar na Carta Constitucional (art. 4º) que a Re-
pública Federativa do Brasil reger-se-ia nas suas relações internacionais pelos princípios da
independência nacional, da prevalência dos direitos humanos, da autodeterminação dos po-
vos, da não-intervenção, da igualdade entre os Estados, da defesa da paz, da solução pacífica
dos conflitos, do repúdio ao terrorismo e ao racismo, da cooperação entre os povos para o
progresso da humanidade, bem como da concessão de asilo político; princípios esses também
intrinsicamente alinhados com a proteção dos direitos humanos.
Sendo assim, podemos afirmar que os direitos humanos representam um apanhado de
normas jurídicas internas e externas que visam proteger a pessoa humana, ou seja, um con-
junto de direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade o respeito à sua dignidade,
capazes de protegê-lo do arbítrio do poder estatal, garantindo-lhe condições mínimas de so-
brevivência e desenvolvimento de sua personalidade.
Quanto à sua conceituação, de uma forma bem didática, na lição de André Ramos de Car-
valho1 podemos dizer que os direitos humanos são todos aqueles direitos considerados in-
dispensáveis a uma vida em sociedade, pautada na liberdade, na igualdade e na dignidade.
Do ponto de vista formal, os direitos humanos seriam aqueles positivados em instrumentos
internacionais, a exemplo da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
Valério de Oliveira Mazzuoli, por sua vez, conceitua direitos humanos2 como, in verbis:
Direitos protegidos pela ordem internacional (especialmente por meio de tratados multilaterais, glo-
bais ou regionais) contra as violações e arbitrariedades que um Estado possa cometer às pessoas
sujeitas à sua jurisdição. São direitos indispensáveis a uma vida digna e que, por isso, estabelecem
um nível protetivo (standard) mínimo que todos os Estados devem respeitar, sob pena de responsa-
bilidade internacional.
1
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. 4ª edição. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 24.
2
MAZZUOLI, Valerio de Oliveira. Curso de direitos humanos. 4ª edição revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Método,
2017. p. 22.
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Diante disso, meu caro, podemos observar que o conceito de direitos humanos gira em
torno dos vetores da dignidade e das boas condições de vida em sociedade.
Ainda a respeito da conceituação, observamos que do ponto de vista do direito internacio-
nal, os direitos humanos representam aqueles direitos essenciais para que o ser humano seja
tratado com dignidade, fazendo jus a eles todos aqueles da espécie humana. Já sob a pers-
pectiva constitucionalista, os direitos humanos seriam o conjunto de garantias do ser humano
em face do poder estatal, com vistas à proteção de sua dignidade e de sua liberdade, também
chamados, nessa perspectiva, de direitos humanos fundamentais.
No tocante à terminologia, importante destacar a diferença conceitual na relação existen-
te entre os direitos humanos, os “direitos do homem” e os “direitos fundamentais”. Algumas
literaturas abordam os direitos humanos como sinônimo de direitos fundamentais, bem como
tratam os direitos do homem como sinônimo de direitos humanos.
Porém, para melhor compreensão, temos que a expressão “direitos do homem” tem cunho
jusnaturalista, relacionada aos direitos inerentes à condição humana, mas vinculada à vontade
divina. Trata-se, pois, nessa concepção, de um direito que não necessita de positivação, eis que
diz respeito ao “direito natural”.
Já a expressão “direitos fundamentais” diz respeito diretamente àqueles direitos positiva-
dos na Constituição Federal ou na Carta Constitucional de determinado país.
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arbitrariedades que um Estado possa cometer às pessoas sujeitas à sua jurisdição. Por sua
vez, os direitos fundamentais são afetos à proteção interna dos direitos dos cidadãos, os quais
encontram-se positivados nos textos constitucionais contemporâneos.
Pois bem, de acordo com a doutrina a respeito da matéria, a questão está correta, conside-
rando a diferença conceitual existente entre Direitos Humanos (que engloba direitos previstos
em instrumentos internacionais) e Direitos Fundamentais (que engloba direitos previstos nas
Constituições dos países), ou seja, a chave para a diferenciação está na positivação).
Certo.
Quanto à estrutura normativa, o doutrinador André de Carvalho Ramos3 refere-se aos direi-
tos humanos como:
• Direito-pretensão – dever: consiste na exigibilidade de um bem ou de uma conduta, ge-
rando do outro lado da relação o dever de fornecer esse bem ou adotar tal conduta. Ex.:
direito à educação. Exige esse bem e do outro lado surge o dever de fornecer esse bem.
• Direito-liberdade – ausência de direito. Consiste na faculdade de agir, gerando no outro
polo a ausência de direitos. Ex. liberdade de expressão que impõe uma abstenção do
outro lado, Estado ou particulares, em respeitar aquela liberdade.
• Direito-poder – sujeição: Ex.: direito à assistência de advogado e da família no momento
da prisão. O sujeito passivo pode exigir que o sujeito ativo adote uma medida de sujei-
ção, de submissão a esse direito.
• Direito-imunidade – incompetência: Afasta a atuação dos agentes públicos em relação
ao titular do direito, gerando a esses agentes públicos uma situação de impossibilidade
de agir. Ex.: prisão somente em flagrante ou por mandado judicial.
Por fim, quanto à fundamentação dos direitos humanos, a doutrina majoritária destaca as
correntes Jusnaturalista, Positivista e Moralista. Para a primeira, os direitos humanos seriam
os direitos tidos como básicos e inalienáveis a todos os homens, independente de positiva-
ção. Seriam aqueles direitos chamados de naturais, concebidos pela inspiração divina ou pela
3
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. 4ª edição. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 38-41
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razão humana. Seriam os direitos inerentes ao homem e não positivados em nenhum ordena-
mento jurídico.
Para os positivistas, os direitos humanos seriam aqueles direitos concebidos pelo Estado
aos seres humanos, de forma institucionalizada, positivados no ordenamento jurídico. Em con-
traponto aos jusnaturalistas, os positivistas não acreditam na existência de direitos pré-exis-
tentes aos já positivados e reconhecidos pelo Estado.
Quanto aos moralistas, percebe-se a defesa da teoria de que os direitos são direitos morais
da coletividade humana, fundamentados não apenas de forma jurídica, mas sim em valores da
sociedade.
Caro(a) candidato(a), acerca da importância dos direitos naturais, cumpre ressaltar o posicio-
namento do Supremo Tribunal Federal na ocasião do julgamento da Ação Direta de Inconsti-
tucionalidade n. 595/ES, de relatoria do Ministro Celso de Mello (julgamento realizado no ano
de 2002):4
(...) cabe ter presente que a construção do significado de Constituição permite, na ela-
boração desse conceito, que sejam considerados não apenas os preceitos de índole positi-
va, expressamente proclamados em documento formal (que consubstancia o texto escrito
da Constituição), mas, sobretudo, que sejam havidos, igualmente, por relevantes, em face de
sua transcendência mesma, os valores de caráter supra positivo, os princípios cujas raízes
mergulham no direito natural e o próprio espírito que informa e dá sentido à Lei Fundamental
do Estado.
Diante disso, é importante compreender que todas essas teorias da fundamentação dos
direitos humanos foram importantes e ainda são reportadas como fundamentais para a base
da nossa disciplina no direito contemporâneo. Assim, todas as teorias não devem ser com-
preendidas isoladamente, ou seja, não se fala em direitos humanos sem falar da contribuição
jusnaturalista para a concretização do direito contemporâneo.
Como leciona André de Carvalho Ramos 5:
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Ultimamente as provas estão vindo muito bem elaboradas e exigindo bastante conteúdo do(a)
candidato(a). Entretanto, ainda é comum verificar algumas “cascas de banana” nos concursos,
ou seja, é frequente aparecerem questões consideradas fáceis, mas que o(a) candidato(a) erra
por descuido. Dessa forma, eu quis trazer essa questão para mostrar que mesmo candidatos
(as) de alto nível podem cair nessas ciladas. De início, observe o item I, notadamente em rela-
ção à expressão “seres vivos”. Aí está o erro, pois se compreende como “seres vivos” tanto os
humanos como os animais. Portanto, as alternativas corretas seriam somente a II e III.
Letra c.
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Sendo assim, a evolução dos direitos humanos se desenvolve a partir dos acontecimentos
históricos que registraram graves restrições de direitos, grandes batalhas, surtos de violência
coletiva etc. A cada registro de atrocidades, destacava-se a compreensão por parte da socie-
dade no tocante à necessidade de afirmação e evolução dos direitos do ser humano. A lado
disso, registra-se também a contribuição significativa das grandes descobertas científicas ou
invenções técnicas no avanço das garantias dos indivíduos que tal evolução acompanhou.
A explosão da consciência histórica dos direitos humanos somente aconteceu após exten-
so trabalho preparatório, centralizado na limitação do poder político. O reconhecimento de que
as instituições governamentais devem estar a serviço dos governados e não para o benefício
pessoal dos governantes foi um primeiro passo decisivo na aceitação de direitos que, intrínse-
cos à própria condição humana, devem ser reconhecidos a todos e não podem ser tidos como
mera concessão dos que estão no poder.
A partir dessa relação direta entre acontecimentos brutais e avanços na proteção dos indi-
víduos, como estabelecer o caráter de obrigatoriedade desses direitos frente à sociedade? A
resposta a essa indagação, contribuição da doutrina jurídica alemã, diz respeito à positivação
dos direitos do ser humano em normas internas dos Estados (constituições, leis esparsas),
bem como em normativos de alcance internacional (tratados internacionais).
Atualmente, reconhece-se a validade dos direitos humanos independentemente de positi-
vação em Constituições, leis e tratados internacionais, justamente pela concretização de valo-
res atinentes ao respeito à dignidade da pessoa humana, impostos a todos os poderes consti-
tuídos, oficiais ou não.
Vale aqui ressaltar, ainda, o percurso histórico dos direitos humanos ao longo da evolução
da humanidade, desde as primeiras instituições que passaram a limitar o poder político na
Idade Média, a estruturação das monarquias no século XI, as lutas em face dos abusos verifi-
cados na reconstrução da unidade política, com destaque para as chamadas “rebeldias”, que
deram ensejo à edição da Magna Carta, de 21 de junho de 1215, que elencou prerrogativas aos
súditos da monarquia inglesa, reconhecendo-lhes direitos e garantias específicas em caso de
não observância dos limites estabelecidos à realeza.
Nesse momento passa a despontar a garantia da judicialidade, um dos princípios do Es-
tado de Direito, que exigia o crivo de um juiz nos casos que envolvessem a prisão de homens
livres. Ainda na Magna Carta destacou-se a previsão de outras garantias fundamentais, como
a liberdade de locomoção, a propriedade privada, a graduação da pena estritamente relaciona-
da à gravidade do delito praticado, dentre outras.
Sendo assim, podemos afirmar que a liberdade despontou como um dos direitos huma-
nos inicialmente positivados, notadamente aquelas liberdades específicas em prol das classes
superiores da sociedade da época, infelizmente ainda dotadas de concessões mínimas em
benefício do povo.
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Prezado(a) candidato(a), muita atenção no que concerne à Declaração de Direitos (Bill of Ri-
ghts), eis que embora não sendo uma declaração de direitos humanos nos moldes das que
viriam a ser aprovadas um século depois nos Estados Unidos, essa Declaração de Direitos
criou o instituto que se chamaria mais tarde “garantia institucional”, ou seja, uma forma de or-
ganização do Estado cuja função é a proteção dos direitos fundamentais da pessoa humana.
Essa questão está marcada pelo grande potencial de gerar confusão no(a) candidato(a), eis
que o Bill Of Rights constitui uma declaração de direitos de liberdade (de expressão, política e
de tolerância religiosa) promulgada no Reino Unido em 1689 e que alcançou grande relevân-
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cia na afirmação histórica dos direitos humanos. Contudo, não é desse documento que trata
a questão. Trata-se do Bill of Rights dos Estados Unidos da América, nomenclatura dada às
primeiras 10 (dez) emendas à Constituição dos EUA de 1787. Esse documento caracteriza-se
por conter direitos básicos do cidadão em face do Estado, porém não se confunde com o Bill
of Rigths inglês.
Letra c.
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Nesse sentido de proteção dos registros históricos brasileiros em direitos humanos, me-
rece destaque o trabalho desenvolvido pela Comissão de Direitos Humanos da Universidade
de São Paulo, criada com o intuito de estimular a observância dos princípios básicos da de-
fesa dos direitos humanos, rejeitando valores como o egoísmo, a corrupção, a violência e a
competição, colaborando para que as novas gerações se desenvolvam dentro de princípios
humanistas que englobem os direitos humanos, a democracia, a tolerância, a solidariedade e
a aspiração a uma sociedade mais ética, honesta, justa, igualitária e fraterna, fundada na afir-
mação da dignidade humana.
Além da sua missão de guarda de registros históricos por meio da Biblioteca Virtual de
Direitos Humanos, a Comissão tem por objetivos a promoção de um sistema integrado de pes-
quisa, reflexão, informação, documentação e difusão no campo dos direitos individuais e cole-
tivos; a colocação da competência universitária, notadamente nas áreas de educação, saúde,
habitação, humanidades, assistência jurídica e social, em prol da inclusão social e da garantia
da democracia; a promoção de eventos, fóruns e outras formas de atividades para discussão
e busca de soluções de importantes questões relacionadas com a concretização dos Direitos
Humanos no país e em todos os seus níveis; dentre outros.
Com especial ênfase na temática da escravidão, um dos primeiros documentos históricos
brasileiros que trazia o contexto de proteção dos direitos humanos foi a Lei n. 581, de 04 de
setembro de 1.850, conhecida como “Lei Eusébio de Queiroz”, que estabelecia medidas para
a repressão do tráfico de africanos no Império, ao prever a apreensão de embarcações brasi-
leiras encontradas em qualquer parte, bem como embarcações estrangeiras encontradas nos
portos, enseadas, ancoradouros, ou mares territoriais do Brasil, que tivessem a bordo escravos
ou que mostrassem sinais da prática de tráfico de escravos, passando a ser consideradas
como importadoras de escravos.
De acordo com a mencionada lei, todos os escravos apreendidos seriam reexportados por
conta para os portos de origem dos navios ou para qualquer outro ponto fora do Império, sen-
do que enquanto essa reexportação não se executasse, seriam os mesmos empregados em
trabalho debaixo da tutela do Governo, não sendo em caso algum concedidos os seus serviços
a particulares.
Posteriormente, no mesmo contexto de proteção dos direitos humanos, mereceu destaque
a Lei n. 2.040, de 28 de setembro de 1.871, mais conhecida como “Lei do Ventre Livre”, que
declarava de condição livre os filhos de mulher escrava que nascessem desde a data de pro-
mulgação da lei.
Nos termos da lei, dentre outras regras, merece destaque a possibilidade de os filhos me-
nores ficarem em poder ou sob a autoridade dos senhores de suas mães, com a obrigação de
cria-los e tratá-los até a idade de oito anos completos. Após essa idade, o senhor da mãe teria
a opção ou de receber do Estado uma indenização em dinheiro ou de utilizar dos serviços do
menor até a idade de 21 anos completos.
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Outras duas situações chamavam atenção na mencionada lei, sendo a primeira delas a
obrigação de entrega dos filhos nos casos em que a mulher escrava obtivesse liberdade, e a
segunda a obrigação de que os filhos menores de 12 anos acompanhassem a mãe escrava em
caso de alienação.
Na mesma seara de proteção dos direitos humanos, a Lei n. 3.270, de 28 de setembro
de 1.885, conhecida como “Lei dos Sexagenários”, que previa, dentre outras regras, a realiza-
ção de matrícula dos escravos com declaração do nome, nacionalidade, sexo, filiação, se for
conhecida, ocupação ou serviço em que for empregado idade e uma tabela de valor de cada
escravo organizada por idade, além de conceder liberdade aos escravos com mais de 60 anos
de idade. O contexto dessa lei sempre foi muito criticado, pois naquela época os escravos que
chegassem até essa idade já não tinham mais condições de trabalho, vindo a ser interpretada
como uma lei que beneficiava os senhores de escravos ao lhes possibilitar se desfazer das
pessoas pouco produtivas. A mencionada lei ainda permitia o absurdo de obrigar o escravo
que atingisse os 60 anos de idade a trabalhar por mais 3 anos, de forma gratuita, para seu
proprietário.
Mais de três décadas depois da acima mencionada Lei n. 581 (tráfico de escravos), surge
no nosso ordenamento pátrio um dos mais importantes registros normativos da história do
país, a Lei n. 3.353, de 13 de maio de 1.888, amplamente conhecida como “Lei Áurea”, que
declarou extinta a escravidão no Brasil.
Posteriormente, já no século XX, ganhou destaque a Lei n. 1.390, de 3 de julho de 1951,
conhecida como “Lei Afonso Arinos”, que incluiu entre as contravenções penais a prática de
atos resultantes de preconceitos de raça ou de cor, passando a constituir contravenção penal
a recusa por parte de estabelecimento comercial ou de ensino de hospedar, servir, atender ou
receber clientes, compradores ou alunos em virtude de preconceito de raça ou de cor. A con-
figuração da contravenção também se estendia aos casos em que se obstasse o acesso de
alguém a qualquer cargo do funcionalismo público ou ao serviço em qualquer ramo das Forças
Armadas, por preconceito de raça ou de cor.
Outro normativo que ganhou destaque foi a Lei n. 7.437, de 20 de dezembro de 1.985, co-
nhecida como “Lei Carlos Alberto de Oliveira Caó”, que incluiu entre as contravenções penais
a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil, dando
nova redação à Lei n. 1.390, de 3 de julho de 1951, prevendo um rol de condutas consideradas
como ilegais, tais como:
• a recusa de hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou estabelecimento de mesma
finalidade, por preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil;
• a recusa da venda de mercadoria em lojas de qualquer gênero ou o atendimento de
clientes em restaurantes, bares, confeitarias ou locais semelhantes, abertos ao público,
por preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil;
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Quanto às penas aplicáveis a tais condutas, a lei estabeleceu a prisão simples como regra,
variando entre períodos que se estendiam de 15 (quinze) dias a 03 (três) meses ou de 03 (três)
meses a 01 (um) ano, incluindo-se multa, aplicando, ainda, uma pena de perda do cargo nos
casos que se configurasse a obstrução do acesso de alguém a qualquer cargo público civil
ou militar.
Esses seriam, portanto, os registros mais antigos de normativos promulgados no Brasil
que traziam em seu contexto a proteção dos direitos humanos, verificando-se nas décadas
mais atuais a influência dessa matéria em inúmeros normativos brasileiros, com destaque
para a Constituição Federal de 1988, a primeira constituição da história do Brasil que estabele-
ceu objetivamente a prevalência dos Direitos Humanos como preceito fundamental do Estado,
no sentido de reger o país no que diz respeito às relações internacionais.
A partir daí o Estado Brasileiro comprometeu-se a contribuir na promoção de Direitos Hu-
manos em caráter mundial, respeitando todos os povos e suas diferenças e reconhecendo os
direitos fundamentais previstos em tratados internacionais. Vale lembrar que, ainda que as
previsões constantes de tratados internacionais não produzam direitos já assegurados pela
Constituição Federal, o Brasil reconhece e incorpora tais direitos em seu ordenamento jurídico,
como veremos adiante no item 10 desta aula.
Inicialmente, vale registrar que algumas doutrinas mais clássicas mencionam a “classifi-
cação” dos direitos humanos também sob a nomenclatura de “dimensões” de direitos huma-
nos ou “gerações” de direitos humanos, inspiradas nos ideais da Revolução Francesa (liberté,
igualité e fraternité), dividindo-se o conteúdo dos Direitos Humanos em 3 (três) dimensões (ou
gerações):
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Econômicos, Sociais
Direitos Civis e políticos Difusos
e Culturais
Homem-
Titular Homem-indivíduo Grupos humanos
indivíduo
Constituição do
Revoluções México (1917);
Momento Pós Segunda
Liberais do Revolução Russa
Histórico Guerra Mundial.
Séc. XVIII (1918); Constituição
de Weimar (1919).
Prezado(a) candidato(a), a doutrina clássica a respeito dos direitos humanos aborda a clas-
sificação até a assim chamada “terceira dimensão”, porém, é importante compreender que o
direito contemporâneo estendeu essa classificação para mais 03 (três) gerações/dimensões.
Sendo assim, FIQUE ATENTO, pois para a doutrina clássica a classificação dos direitos huma-
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nos se ENCERRA na terceira dimensão. Mas, para um estudo mais completo, é importante que
vocês saibam das outras três dimensões estabelecidas pelas doutrinas mais modernas:
• QUARTA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é o POVO (direito dos povos). Trata-se da pro-
teção de interesses que têm como objetivo a preservação do ser humano em virtude
de direitos que podem colocar em risco a existência do homem. Na visão de Norberto
Bobbio, referem-se à biossegurança, ao biodireito, às pesquisas biológicas e à manipu-
lação do patrimônio genético das pessoas, à proteção em face de uma globalização que
comprometa o direito à democracia e à inclusão digital.
• QUINTA DIMENSÃO: o VALOR tutelado é a PAZ. Para Paulo Bonavides, a paz advém do
reconhecimento universal como requisito da convivência humana, da conservação da
espécie, garantindo segurança aos direitos, eis que somente se efetiva a dignidade da
pessoa humana se a paz vier a ser elevada a direito de quinta geração.
Alguns autores mencionam a possibilidade de uma sexta dimensão, cujo valor tutelado
seria a DEMOCRACIA. Para Paulo Bonavides, seria o direito à democracia, à informação e ao
pluralismo, resultantes da globalização. A doutrina a esse respeito argumenta que a própria De-
claração Universal dos Direitos do Homem prevê que toda pessoa tem o direito de tomar parte
no governo de seu país, quer de forma direta, quer através de seus representantes livremente
escolhidos. Dessa forma, democracia e direitos fundamentais estão estreitamente ligados,
pois o objetivo central do Estado Democrático de Direito reside na busca da proteção dos di-
reitos fundamentais, por meio da observância e preservação da dignidade da pessoa humana.
Entretanto, a maioria gritante dos autores classificam os direitos humanos até a 5ª dimensão.
Vale frisar que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal reconhece a classificação
tradicional das gerações (ou dimensões) de direitos. O julgamento da Ação Direta de Incons-
titucionalidade (ADI) n. 1856/RJ, que abordou a inconstitucionalidade da Lei n. 2.895/1998
do RJ que versa sobre prática de briga de galos, decidiu-se pela violação do direito de terceira
geração (solidariedade)6. Já na ocasião do julgamento da Medida Cautelar na ADI n. 3540/DF,
o STF entendeu que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito de
terceira geração.7
Em resumo, assim se manifestam as doutrinas clássica e moderna a respeito das dimen-
sões/gerações dos direitos humanos:
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Trata-se de uma questão relativamente fácil, ainda mais se o(a) candidato(a) adotar a técnica
da exclusão, ou seja, as alternativas “a” e “b” mencionam a dimensão dos direitos de liberdade,
porém, confundem o candidato(a) em relação à identificação das dimensões. A alternativa “c”
diz respeito à segunda dimensão de direitos humanos, porém, a banca procura confundir iden-
tificando como primeira geração de direitos; o mesmo ocorrendo com a alternativa “d”, com
menção equivocada em relação à geração de direitos de fraternidade. Sendo assim, por exclu-
são, temos a alternativa “e” como a única que traz argumentação coerente com a identificação
da dimensão específica de direitos humanos.
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Letra e.
Pois bem, vencida essa primeira fase de classificação dos direitos humanos, vejamos ago-
ra de maneira bem objetiva as características próprias desses direitos, eis que se trata de um
tema bem recorrente em provas de concurso.
De início, duas características iniciais se destacam quando falamos sobre direitos huma-
nos. Trata-se da “Historicidade” e da “Universalidade”. Acerca da historicidade, estamos nos
referindo a todo o contexto histórico no qual se balizou a construção e a evolução dos direitos
humanos ao longo do tempo. Cumpre salientar que na esfera internacional, os Direitos Huma-
nos começaram a se desenvolver efetivamente em 1919 com o surgimento da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), tendo grandes avanços registrados após a Segunda Guerra
Mundial, em 1945, com o surgimento da Organizações das Nações Unidas (ONU). Percebe-se,
pois, a partir da nossa discussão sobre a afirmação histórica dos direitos humanos, que sua
evolução se dá a partir de um processo histórico gradual, representado pelas transformações
políticas, sociais e econômicas que atingem diretamente a humanidade.
Quanto à característica de universalidade, podemos dizer que se refere ao fato de que to-
das as pessoas humanas são titulares dos direitos humanos, tanto na esfera nacional como
na internacional, sem nenhuma distinção que se refira à sua condição humana. Entretanto, é
importante frisar que ser “universal” não significa ser “absoluto”. A universalidade dos direitos
humanos se faz presente nos artigos I e II da Declaração Universal dos Direitos Humanos de
1948, vejamos:
Artigo I
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de
razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Artigo II
1 - Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos
nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião,
opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qual-
quer outra condição.
Prezado(a) candidato(a), algumas doutrinas apontam uma divergência entre relativismo e uni-
versalidade dos direitos humanos, mas, por hora, é importante que você tenha em mente que
a Declaração de Viena de 1993 foi pronunciada com base em uma forte universalidade dos
direitos humanos, dando pouca margem para o relativismo.
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MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de direitos humanos. 4ª edição revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Método,
2017. p. 33.
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Trata-se de uma questão que aborda as características dos Direitos Humanos, em especial a
historicidade (no caso, a alternativa “a” equivocadamente afirma que a historicidade pressupõe
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Por fim, vale mencionar uma característica de suma importância dos direitos humanos,
qual seja, o instituto que prevê a proibição do retrocesso em matéria de direitos humanos.
Por força da historicidade dos Direitos Humanos, entende-se que a proteção à dignidade da
pessoa humana é expansiva, ou seja, está sempre em progresso, não sendo permitidos retro-
cessos em relação aos avanços já conquistados pela humanidade.
Exemplo claro disso é a vedação à tortura, que se constitui em um direito humano absolu-
to, decorrente dos graves acontecimentos registrados em guerras mundiais e em movimentos
ditatoriais. Em razão desses eventos, a comunidade internacional voltou-se contra tal prática
e, atualmente, defende que a vedação à tortura é absoluta e universal. Assim, qualquer ato ou
norma de Estado que viole a dignidade da pessoa humana consistente em provocar sofrimen-
to a alguém de forma deliberada constitui violação aos Direitos Humanos e não poderá ser
permitido, sob pena de retrocesso de todas as conquistas registradas até aqui.
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De uma forma geral, qualquer violação de direitos humanos que acarreta danos deve ser re-
parada. Contudo, quando se trata do Estado, essa responsabilidade é em dobro, pois este é, ao
mesmo tempo, garantidor desses direitos e seu potencial violador. Entretanto, pra nós nesse
momento interessa compreender que os Estados não podem ser responsabilizados por todos
os atos, pois há parâmetros, ou seja, limitações que definem em quais condições o Estado
assume a responsabilidade no âmbito de direitos humanos.
Em tese, o Estado responde por todos os atos que violam os direitos humanos, cometi-
dos por representantes dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), e, também, por
agentes estatais, independente da função que ocupam, em todas as esferas (União, Estados,
Distrito Federal e Municípios).
Para melhor compreensão, segue um exemplo: Você, policial militar, durante o exercício da
função, abusou de sua competência em determinado fato. Nesse caso, mesmo considerando
o fato de você ter abusado de sua competência, cabe ao Estado responder pelas violações de
direitos humanos cometidas por você no exercício da sua função. Em suma, o Estado não pode
dispensar a obrigação da acusação e alegar que você agiu por conta própria.
É importante que você tenha em mente que o Direito Internacional dos Direitos Humanos
obriga o Estado a proteger os direitos inerentes à pessoa humana, sob sua jurisdição, contra
qualquer ato que viole os direitos humanos, inclusive atos que decorrem de pessoas privadas.
Você percebeu que nossa matéria deve ser pensada sempre de uma forma ampla? Não
esqueça disso na hora da prova!
Agora, e quais são as consequências jurídicas desses atos de violação dos direitos huma-
nos? Pois bem, essa violação gera obrigações a serem cumpridas pelo Estado, dentre elas,
a cessação da violação do direito, a omissão de futuras violações de direitos, pagamento de
indenizações, dentre outras.
Vale destacar que essa responsabilização é objetiva, ou seja, não precisa comprovar a in-
tenção em ter praticado o ato ilícito que gerou a violação de direitos humanos.
Nesse sentido, figuram como elementos para a responsabilização do Estado:
• Prática de um ato ilícito;
• Imputabilidade da obrigação ao Estado;
• Prejuízo causado;
• Ação ou omissão contrária à norma internacional de direitos humanos;
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direitos humanos, de forma que as ações dos agentes de segurança devem ser orientadas
pelos princípios legais, morais, éticos e ainda àqueles referentes a preconização dos Direitos
Humanos no sentido de disciplinar as condutas e ações tomadas pelos seus agentes, garan-
tindo a integridade dos seres humanos em situações de conflito.
O Estado, através dos órgãos policiais, deve proporcionar a manutenção da ordem pública
diante de toda espécie de violação, assegurando a convivência dos homens em sociedade,
protegendo o cidadão de manifestações de violência e garantindo o exercício da cidadania nos
limites da lei.
A manutenção da ordem está diretamente ligada à principal atividade exercida pela Polícia
Militar, conforme preconizado pelo § 5º, do art. 144, da Carta Magna, que versa, na primeira
parte, sobre as ações de policiamento ostensivo e preservação da ordem pública atribuídas às
Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal.
A Polícia Militar é um órgão que está não só comprometido com a manutenção da ordem,
como está necessariamente condicionado ao cumprimento dos preceitos constitucionais. São
essas condicionantes que norteiam o agente estatal na execução de ações inerentes à ativida-
de policial em dois vieses. Por um lado, a relação de dever constitucionalmente atribuído pelo
capítulo III, art. 144 da CF/88, acima explanado e pelo art. 5º, caput do mesmo diploma, que
trata dos direitos individuais e coletivos, e por outro lado, a observância dos preceitos cons-
titucionais orientam o agente no controle de suas ações quanto ao uso da força necessária
investida ao poder de polícia, de modo a coibir abusos e/ou arbitrariedades.
A partir desse contexto, extraímos que a preservação da ordem pública garante as condi-
ções essenciais a vida humana, de forma que o agente de segurança tem como dever proteger
a segurança do cidadão e de seu patrimônio bem como a salubridade e tranquilidade no con-
vívio social.
Na medida em que se verificam ocorrências que comprometam direitos fundamentais ga-
rantidos constitucionalmente, devem os agentes estatais de segurança repeli-las, resguarda-
dos os limites legais, morais, éticos e de direitos humanos.
Bem, após nossa conversa sobre a responsabilização do Estado, vamos partir agora para
um ponto de extrema relevância do edital: os direitos humanos e os direitos fundamentais na
Constituição Federal de 1988 (artigos 5º ao 15). Pela extrema relevância que esses temas re-
presentam os próximos capítulos da nossa aula serão dedicados a eles, nos termos dos itens
5 a 11 do nosso Sumário. Vamos lá!!! Não desanime, meu(minha) caro(a)!!!
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vilegia a temática dos Direitos Humanos desde os primeiros capítulos dispostos no diploma,
principalmente no que diz respeito aos direitos e garantias fundamentais.
A Carta Constitucional de 1988 foi a primeira constituição da história do Brasil que esta-
beleceu objetivamente a prevalência dos Direitos Humanos como preceito fundamental do
Estado, no sentido de reger o país no que diz respeito às relações internacionais.
A partir daí o Estado Brasileiro comprometeu-se a contribuir na promoção de Direitos Hu-
manos em caráter mundial, respeitando todos os povos e suas diferenças e reconhecendo os
direitos fundamentais previstos em tratados internacionais. Vale lembrar que, ainda que as
previsões constantes de tratados internacionais não produzam direitos já assegurados pela
Constituição Federal, o Brasil reconhece e incorpora tais direitos em seu ordenamento jurídico,
como veremos adiante no item 6 desta aula.
Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 consagra um universo de princípios que fun-
damentam a República Federativa do Brasil (soberania, cidadania, dignidade da pessoa huma-
na, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e pluralismo político), privilegiando, ainda, as
bases que orientam o Brasil no cenário internacional, nos termos do artigo 4º, que vem a ser
um dispositivo orientador do país para a prevalência dos direitos humanos, da autodetermina-
ção dos povos, do repúdio ao terrorismo e ao racismo e da cooperação entre os povos para o
progresso da humanidade.
Deste modo, a CF/1988, esquematizada em títulos balizadores de princípios, de garantias
e direitos, de organização, de ordem social e econômica, entre outros, é modelo de respeito,
igualdade e liberdade, constituída na intenção de que fossem abordadas questões inerentes
à proteção da dignidade da pessoa humana, estabelecendo, de forma ampla, a garantia de
direitos fundamentais.
Dito isso, partimos agora para um detalhamento desses princípios fundamentais da nossa
República, seguindo após para uma abordagem dos nossos direitos e deveres individuais e
coletivos, direitos civis e políticos, bem como dos nossos direitos econômicos, sociais e cul-
turais; linhas norteadoras que a nossa Constituição Federal traz para inspirar o ordenamento
jurídico pátrio.
Vejamos como as bancas a seguir abordaram esse tema:
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I – Nas relações internacionais, a República brasileira rege-se, entre outros, pelos seguintes
princípios: autodeterminação dos povos, defesa da paz, igualdade entre os Estados, conces-
são de asilo político.
II – Os princípios não são dotados de normatividade, ou seja, possuem efeito vinculante, mas
constituem regras jurídicas efetivas.
III – Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer, pois implica
ofensa a todo o sistema de comandos.
IV – São princípios que norteiam a atividade econômica no Brasil: a soberania nacional, a fun-
ção social da propriedade, a livre concorrência, a defesa do consumidor; a propriedade privada.
V – A diferença de salários, de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado
civil a qualquer dos trabalhadores urbanos e rurais fere o princípio da igualdade do caput do
art. 5º da Constituição Federai.
a) Apenas I, II, III estão corretas.
b) Apenas II e IV estão corretas.
c) Apenas III e V estão corretas.
d) Apenas I, III, IV e V estão corretas.
e) Todas as afirmações estão corretas.
Trata-se de questão relativamente fácil, eis que a redação dos itens I, III, IV e V se coadunam
com os ditames gerais da temática que envolve os princípios fundamentais da República, entre
eles, autodeterminação dos povos, defesa da paz, igualdade entre os Estados, concessão de
asilo político. Frisa-se, ainda, a confusão acerca da redação do item II da questão, consideran-
do que os princípios surtem efeitos diretamente no ordenamento jurídico interno.
Letra d.
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e como a própria letra da CF/1988 apresenta, eles se classificam em: Fundamentos da Repú-
blica Federativa do Brasil, Tripartição dos Poderes, Objetivos Fundamentais e Princípios que
regem o Brasil em suas relações internacionais. Vejamos alguns detalhes a respeito de cada
grupo de “princípios fundamentais”:
a) Fundamentos da República Federativa do Brasil (artigo 1º, CF/1988):
Princípio Republicano: importante alicerce que garante a condução das ações do Estado
de acordo com os interesses do povo, caracterizado pelo trinômio eletividade (a eletividade
dos chefes dos poderes Legislativo e Executivo garante que o povo esteja sempre bem repre-
sentado na elaboração das normas e administração do Estado), temporariedade (estabelece
um prazo limite para a duração do mandato, fazendo com que a rotatividade assegure a reno-
vação dos ideais que devem reger o Estado) e responsabilidade (caracteriza-se pela neces-
sidade de prestação de contas pela administração pública, fazendo com que a transparência
nos assuntos do governo se torne fundamental para que o povo fiscalize as ações das autori-
dades por ele eleitas).
Princípio Federativo: Art. 1º (...) formada pela união indissolúvel dos Estados e Municí-
pios e do Distrito Federal (...) – É a forma de Estado. Como princípio fundamental, o federa-
lismo é responsável pela indissolubilidade do vínculo entre União, Estados, Distrito Federal e
Municípios.
Princípio do Estado Democrático de Direito: Art. 1º (...) constitui-se em Estado Democrático
de Direito (...) – Por meio desse princípio, a República Federativa do Brasil é reconhecida como
de ordem estatal justa, mantenedora das liberdades públicas e do regime democrático9.
Princípio da Soberania: (art.1º, I) – Traz como característica a independência do país quan-
to a tomada de decisões, sem interferência externa. É denominado como “poder máximo”, um
atributo do Estado que confere a ele poder de decisão. É uma das características estatais que
é sempre acompanhada de dois requisitos básicos: o povo e o território, sem os quais o Estado
não conseguiria exercer sua soberania.
Princípio da Cidadania: (art. 1º, II) – É o vínculo jurídico-político que o cidadão possui com
o Estado. É a possibilidade que o cidadão tem de exercer seus direitos políticos.
Princípio da Dignidade da Pessoa Humana: (art. 1º, III) – Esse é um dos princípios que
mais se encaixa no contexto da defesa dos Direitos Humanos. Significa que todos devem ser
tratados de maneira digna, respeitosa e honrosa. Esse princípio aplica-se a diversas questões
como proibição ao racismo, aplicação indiscriminada dos direitos e garantias fundamentais,
proibição de exploração do homem pelo homem, proibição de ofensas e abusos, dentre outras.
Valores sociais do trabalho e a livre iniciativa: (art. 1º, IV) – ao inserir esse princípio no ar-
tigo 1º, o constituinte buscou proteger o trabalhador das arbitrariedades ao mesmo tempo em
que buscou valorizar o trabalho do homem em relação à economia de mercado, eis que a livre
iniciativa é considerada como fundamento da ordem econômica e atribui à iniciativa privada o
9
(BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. 6ª ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2011).
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Ainda sobre a Tripartição dos Poderes é importante frisar que o Estado possui a função
primária exercida pelo Legislativo, que tem a competência para criar leis que regem o Estado;
a função subsidiária, que pertence ao Judiciário na aplicação das leis elaboradas pelo legisla-
tivo; e a função complementar, a qual cabe ao Poder Executivo gerar situações concretas para
garantir a exequibilidade das leis.
c) Objetivos da República Federativa do Brasil (artigo 3º):
Os objetivos elencados no artigo 3º correspondem às metas a serem alcançadas pelo
Estado e que o Poder Constituinte entendeu como fundamentais para a República Federativa
do Brasil.
Esses objetivos vêm sempre representados por verbos no infinitivo e são definidos da se-
guinte forma:
10
OLIVEIRA, Sônia dos Santos. O Princípio da Livre Iniciativa. Boletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 4, no 147. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 10 mai. 2018.
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Construir uma sociedade livre, justa e solidária (art.3º, I): É a meta prioritária do Estado
Democrático de Direito, buscando sempre os ideais de liberdade, justiça e solidariedade.
Acerca do Estado Democrático de Direito, vale frisar que se trata de um conceito que desig-
na qualquer Estado que preza por garantir o respeito às liberdades civis, aos direitos humanos
e às garantias fundamentais por meio de um sistema de proteção jurídica que proteja o exercí-
cio dos direitos individuais e coletivos, dos direitos sociais e dos direitos políticos.
Em um Estado de Direito, as próprias autoridades políticas estão sujeitas ao respeito das
regras de direito, ou seja, os governantes devem respeito ao que é previsto nas leis, fazendo
com que decisões não sejam contrárias ao que diz a lei, protegendo, dessa maneira, os direitos
fundamentais dos cidadãos.
Outro ponto que merece destaque são as características do Estado Democrático de Direi-
to, a saber:
• soberania popular: de acordo com o § único do art. 1º da CF/88, o controle sobre o
poder político é exercido pelo povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
diretamente;
• importância da Constituição Federal: a Constituição é chamada de “Lei Maior” porque é
a lei que estabelece quais são os princípios fundamentais que devem orientar o sistema
jurídico e as decisões no país;
• a ação e as decisões dos governantes devem sempre levar em consideração o que a lei
estabelece: no Estado Democrático de Direito, a lei coloca limites ao poder de decisão
dos governantes, fazendo com que suas ações dos governos sejam voltadas ao respeito
e à satisfação dos direitos dos cidadãos, garantindo a justiça social no país;
• divisão entre os três Poderes que fazem parte do Estado: o Estado Democrático de
Direito garante que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário sejam independentes,
com funções específicas, de modo que o Legislativo se torne responsável por aprovar
leis que permitam ao Executivo a tomada de decisões, garantindo ao Judiciário a inde-
pendência para julgar de maneira imparcial os conflitos sociais.
Garantir o Desenvolvimento Nacional (art.3º, II): Deve ser entendido como um processo de
transformação da sociedade voltado para a realização da justiça social, que alcança a nação
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independência nacional, e é a regra de que cada País se desenvolve da forma que lhe convier,
sendo soberano, e não sujeito a sofrer intervenção de qualquer outro país, seja ele qual for.
Igualdade entre os Estados (Art. 4º, V): Esse princípio foi trazido à Constituição Brasileira
pelo posicionamento apresentado em 1972 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, por
meio da Carta de Direitos e Deveres Econômicos dos Estados (ONU – Resolução n. 3.281, de
12 de dezembro de 1974) a qual afirma que “todo Estado tem direito soberano e inalienável
de eleger seu sistema econômico, assim como seus sistemas político, social e cultural, de
acordo com a vontade de seu povo, sem ingerência, coação e nem ameaças externas de ne-
nhuma classe”.
Defesa da Paz (Art. 4º, VI): É a forma de atuação do país com relação a conflitos externos,
na qual o Estado explicitamente recorre à solução pacífica de conflitos. É um princípio univer-
sal e supremo entre os Estados, como se verifica em um dos propósitos fundamentais das
Nações Unidas: “Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são: 1. Manter a paz e a segurança
internacionais e, para esse fim: tomar, coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à
paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pací-
ficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou
solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz”.
Solução Pacífica de Conflitos (Art. 4º, VII): Seguindo o mesmo fundamento do princípio
inerente à Defesa da Paz, o Brasil busca banir do seu ordenamento medidas violentas ou coa-
tivas a fim de assegurar a prevalência dos direitos humanos e a paz entre os povos. Em regra,
busca-se soluções pacíficas a conflitos e divergências, seja de ordem política, jurídica, diplo-
mática ou jurisdicional. Porém, se ocorrer uma situação internacional em que não seja possível
a solução pacífica, os meios coercitivos e de guerra serão admitidos pela própria Constituição.
Repúdio ao Terrorismo e ao Racismo (Art. 4º, VIII): A CF/1988 busca assegurar o direito à
liberdade pública, enfatizando ainda, em sua estrutura, que todos são iguais etnicamente. Este
princípio tem como característica a eliminação de qualquer tipo de discriminação nas relações
internacionais, além do combate e repúdio a essas ações discriminatórias, por se constituírem
em desrespeito aos direitos humanos e à dignidade da pessoa humana.
Cooperação Entre os Povos Para o Progresso da Humanidade (Art. 4º, IX): O auxílio mútuo
entre as nações e o dever de solidariedade são características indispensáveis para aplicação
de ações visando o progresso da humanidade. Um dos reflexos desse princípio é a participação
do Brasil em diferentes esforços internacionais no sentido de desenvolver novas tecnologias.
Concessão de Asilo Político (Art. 4º, X): Nas relações internacionais, o asilo político é
ferramenta utilizada com base no princípio da solidariedade como meio de proteção à pes-
soa humana, concedido a quem esteja sendo perseguido por motivos políticos, religiosos ou
de opinião.
Formação de uma Comunidade Latino-Americana de Nações (Art. 4º § único): A Repúbli-
ca Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos
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Trata-se de questão fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca do texto expresso
do art. 1º da CF/1988:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e
do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.
Letra d.
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Trata-se de questão relativamente fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento básico acer-
ca dos princípios do juiz natural (prevê que qualquer pessoa possui a garantia de ser julgado
pelo Poder Judiciário através de um juiz competente, investido de jurisdição e imparcial) e do
promotor natural (prevê que ninguém será processado senão pelo órgão do Ministério Público,
dotado de amplas garantias pessoais e institucionais, de absoluta independência e liberdade
de convicção e com atribuições previamente fixadas e conhecidas).
Letra b.
O Título II da Constituição Federal de 1988, que trata dos Direitos e Garantias Fundamen-
tais, estabelece em seu Capítulo I os normativos garantidores dos Direitos Individuas e Coleti-
vos que cada cidadão brasileiro ou residente no Brasil dispõe.
É bem sabido que a Constituição Federal, se inspirou na Declaração Universal dos Direitos
Humanos para construir o caput do art. 5º, apresentando um texto com enormes semelhanças
daquele preconizado no art. 1º daquele documento, vejamos:
Art. 5º CRFB/1988 Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberda-
de, à igualdade, à segurança e à propriedade (...).
Art. 1º DUDH Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de ra-
zão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Importante frisar a estrutura didática proposta por José Afonso da Silva11 a respeito dos
direitos fundamentais no tocante ao seu conteúdo, vejamos:
• direitos fundamentais do homem-indivíduo (direitos individuais) – art. 5º da CF/1988:
liberdade, igualdade, segurança, propriedade, dentre outros;
11
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional. 37ª ed. São Paulo: Malheiros, 2014. p. 186.
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Quanto ao inciso I do art. 5º, vale frisar que somente a Constituição pode estabelecer distin-
ções entre homens e mulheres, não se permitindo que leis ordinárias comprometam o direito
constitucional à igualdade. Pode haver regulamentações via lei ordinária (CLT, serviço militar,
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Outrossim, sempre que falamos em direitos e deveres individuais e coletivos, o(a) candida-
to(a) deve ficar atento uma vez que o rol do art. 5º é meramente exemplificativo, tendo em vista
que os direitos e deveres individuais e coletivos garantidos pela ordem jurídico-constitucional
brasileira não se resumem aos constantes somente do artigo 5º da Constituição, assim como
vimos anteriormente.
Um exemplo que podemos levantar sobre as questões inerentes à preservação dos direitos
e garantias fundamentais, aplicadas em legislação infraconstitucionais, é o caso da vedação
ao aborto, que também vem a ser uma garantia de proteção à inviolabilidade do direito à vida
e está previsto pelo Código Penal Brasileiro.
Nesse sentido, ressalta-se que o mesmo artigo 5º aplica a extensão do rol dos direitos e
garantias individuais no texto do § 2º, onde preconiza que os direitos e garantias expressos na
Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou
dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
Merece destaque no estudo do art. 5º da CF/1988 a previsão dos remédios constitucionais
para a defesa de direitos e garantias individuais e coletivas, em apertada síntese, a saber:
• Habeas Corpus (art. 5º, LXVIII): trata-se de instituto pertinente às violações de liberdade
de locomoção (ir, vir e permanecer), nos seguintes termos: “conceder-se-á habeas cor-
pus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em
sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”;
• Habeas Data (art. 5º, LXXII): trata-se de instituto de proteção à informação sobre a pes-
soa requerente e, em caso de informações incorretas, a adequação de sua veracidade,
nos seguintes termos: “conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento
de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos
de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de
dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo”;
• Mandado de Segurança (art. 5º, LXIX): em linhas gerais, instituto utilizado para amparar
situações envolvendo direitos líquidos e certos não alcançáveis via habeas corpus ou ha-
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beas data, nos seguintes termos: “conceder-se-á mandado de segurança para proteger
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o res-
ponsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa
jurídica no exercício de atribuições do Poder Público”;
• Mandado de Injunção (art. 5º, LXXI): trata-se de instituto que garante a observância do
direito na ausência de regulamentação por parte do Poder Público, nos seguintes ter-
mos: “conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentado-
ra torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania”; e
• Ação Popular (art. 5º, LXXII): trata-se de instrumento direcionado às lesões ao patrimô-
nio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico
e cultural, nos seguintes termos: “qualquer cidadão é parte legítima para propor ação
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Es-
tado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico
e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus
da sucumbência”.
Diante de todo o exposto, entende-se que garantir os deveres e direitos individuais e co-
letivos assegura ao cidadão a possibilidade de uma vida digna, livre e igualitária, e ainda que
não estejam explicitamente aplicadas na própria constituição brasileira, o Estado não retira o
mérito de existência de outras garantias fundamentais existentes, conforme estabelece o §2º
do art. 5º como já citado anteriormente.
Recomenda-se, assim como em relação aos instrumentos de proteção dos direitos humanos,
a leitura na íntegra do artigo 5º da CF/1988, justamente para se ter uma completa noção dos
direitos ali previstos, que vão desde a garantia de igualdade entre homens e mulheres até o
direito de realização de reunião pacífica, passando por direitos religiosos, políticos, sociais,
culturais, econômicos, de liberdade, de dignidade, de integridade física, dentre outros.
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Trata-se de questão fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca do texto expresso
do inciso XL do art. 5º da CF/1988:
Trata-se de questão fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca do texto expresso
do inciso XL do art. 5º da CF/1988:
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Trata-se de questão fácil, exigindo do(a) candidato(a) conhecimento acerca do texto expres-
so do inciso VIII do art. 5º da CF/1988: “VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de
obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;”.
Letra a.
A Constituição Federal de 1988 conjuga os direitos civis e políticos com expressões do tipo
“direitos sociais”, “bem-estar” e “desenvolvimento” associando-os à busca por uma sociedade
fraterna, justa, pluralista e sem preconceitos, valores esses consagrados na Declaração Uni-
versal dos Direitos Humanos, evidenciando a importância dos direitos econômicos, sociais e
culturais.
Tanto é assim que o art. 1º da CF/1988 prevê que os “valores sociais do trabalho” se apre-
sentam como fundamentos do Estado Democrático de Direito, assim como os art. 3º mencio-
na expressões do tipo “solidariedade”, “desenvolvimento nacional”, “erradicação da pobreza e
da marginalização”, redução de desigualdades sociais e regionais”, todas assumindo o pata-
mar de objetivos fundamentais da nossa República.
Nesse sentido também aparecem com destaque na CF/1988 os direitos sociais, com es-
pecial ênfase aos direitos à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao trans-
porte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à maternidade e à infância e à assistência aos
desamparados, nos termos do art. 6º da Constituição, direitos esses detalhados no Título X da
CF (“Da Ordem Social”), nos seguintes termos:
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(i) Direito à educação: detalhado por meio dos artigos 205 a 214 da CF/1988, trazendo
proposições e compromissos do Estado e da sociedade brasileira, visando o pleno desen-
volvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho, trazendo como princípios a igualdade de condições para o acesso e permanência na
escola; a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e
privadas de ensino; a gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; a valorização
dos profissionais da educação escolar; a gestão democrática do ensino público, na forma da
lei; a garantia de padrão de qualidade; bem como o piso salarial profissional nacional para os
profissionais da educação escolar pública.
A CF/1988 alçou o ensino fundamental como obrigatório e gratuito, assim como um direito
público subjetivo, abrindo caminho para a universalização do ensino médio, assim como, por
meio de um plano nacional de educação, estabeleceu alguns objetivos a serem seguidos: a er-
radicação do analfabetismo; a universalização do atendimento escolar; a melhoria da qualida-
de do ensino; a formação para o trabalho; a promoção humanística, científica e tecnológica do
País; assim como o estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação
como proporção do produto interno bruto (art. 214).
(ii) Direito à Seguridade Social: previsto nos artigos 194 a 204 da CF/1988, compreen-
dendo a tríade da saúde, da previdência social e da assistência social, em observância aos
seguintes objetivos: universalidade da cobertura e do atendimento; uniformidade e equivalên-
cia dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; seletividade e distributividade
na prestação dos benefícios e serviços; irredutibilidade do valor dos benefícios; equidade na
forma de participação no custeio; diversidade da base de financiamento; caráter democrático
e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos tra-
balhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.
Nesse sentido, a saúde se apresenta como direito de todos e dever do Estado, garantido
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação (art. 196 da CF/1988), com destaque constitucional para a instituição do Sistema
Único de Saúde (SUS) com as seguintes competências: controlar e fiscalizar procedimentos,
produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos,
equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos; executar as ações de vigi-
lância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; ordenar a formação
de recursos humanos na área de saúde; participar da formulação da política e da execução das
ações de saneamento básico; incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento cientí-
fico e tecnológico e a inovação; fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de
seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano; participar do controle
e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoa-
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lução n. 2.200-A, na XXI Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 19 de dezembro
de 1966, somente entrando em vigor dez anos depois, em 1976, tendo sido aprovado no Brasil
por meio do Decreto Legislativo n. 226, de 12 de dezembro de 1991 e promulgado mediante do
Decreto n. 591, de 06 de julho de 1992.
Utilizando-se praticamente do mesmo conteúdo do Pacto Internacional sobre Direitos Civis
e Políticos, o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais reforça a dig-
nidade inerente a todos os “membros da família humana” e, ainda, que seus direitos iguais e
inalienáveis constituem o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, reconhecen-
do, ainda, que o ideal do ser humano livre deve ser realizado a partir da criação de condições
que permitam a cada indivíduo gozar de seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e
culturais.
Quanto ao seu conteúdo, o pacto reconhece os direitos econômicos, sociais e culturais dos
indivíduos dos Estados-partes, devendo eles assegurar e proteger o exercício desses direitos a
todos aqueles que se encontrarem em seu território ou sob sua jurisdição.
Um dos pontos de destaque para a consecução de tais direitos é a observância da “cláu-
sula de progressiva realização” ou “cláusula de progressividade”, consubstanciada no com-
promisso do Estado-parte de realizar progressivamente a efetivação dos direitos econômicos,
sociais e culturais, por esforço próprio ou por cooperação internacional, conforme preceitua o
inciso 1 do art. 2º do pacto:
Artigo 2º
1. Cada um dos Estados Partes no presente Pacto compromete-se a agir, quer com o seu próprio es-
forço, quer com a assistência e cooperação internacionais, especialmente nos planos econômico e
técnico, no máximo dos seus recursos disponíveis, de modo a assegurar progressivamente o pleno
exercício dos direitos reconhecidos no presente Pacto por todos os meios apropriados, incluindo em
particular por meio de medidas legislativas.
Sobre os aspectos da progressividade, vale frisar que a razão de sua existência se dá pelo
fato de que o reconhecimento de direitos de tamanha envergadura não se dá num curto es-
paço de tempo, demonstrando a necessidade de flexibilidade na identificação das situações
concretas e da efetivação dos direitos. Impõe-se, ao mesmo tempo, uma ação flexível e ágil
do Estado-parte na adoção de medidas para a efetivação dos direitos econômicos, sociais e
culturais dos indivíduos.
Assim como no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, o exercício dos direitos
previstos no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais deve se dar
sem discriminação de qualquer natureza.
Um dos destaques do pacto também é o direito à autodeterminação dos povos, garan-
tindo-se que as pessoas determinem livremente seu estatuto político, assegurando seu livre
desenvolvimento econômico, social e cultural, bem como estabelecendo que os povos podem
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dispor livremente de suas riquezas e de seus recursos naturais, sem prejuízo das obrigações
decorrentes da cooperação econômica internacional, não podendo, em nenhuma hipótese, que
os povos se privem de seus meios de subsistência.
Recomenda-se, assim como em relação aos outros instrumentos de proteção dos direitos hu-
manos, a leitura na íntegra do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Cultu-
rais, justamente para se ter uma completa noção dos direitos ali reconhecidos, que vão desde
a garantia de igualdade entre homens e mulheres no gozo de todos os direitos econômicos,
sociais e culturais; até o direito à educação, à gratuidade de educação primária; passando pelo
direito de fundar sindicatos, direito de greve, direito à previdência e seguro social, direito de
proteção à família, dentre outros.
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II – naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de
língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais
de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasi-
leira.
Muito embora o § 2º do art. 12 da CF/88 tenha sido claro ao prever que “A lei não poderá
estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados”, o próprio § 2º faz a ressalva de
que a Constituição Federal estabelece alguns casos em que ocorre o tratamento diferenciado
entre ambos.
Um exemplo claro de distinção é a ocupação de cargos públicos, tornando-se expressa a
vontade da sociedade brasileira que os cargos elencados nos incisos do § 3º do art. 12 são
privativos de brasileiros natos, como é o caso do Presidente e do Vice-Presidente da República,
estendendo-se a outras autoridades que ocupam a linha sucessória temporária da Presidência
da República em casos de afastamento do titular do cargo.
Outro exemplo claro de distinção é a possibilidade, para o brasileiro naturalizado, de ser
extraditado, em determinadas situações (art. 5º, LI, CF/88), o que é completamente vedado ao
brasileiro nato.
A partir dessas noções iniciais, podemos então dizer que no Brasil temos dois tipos de
nacionalidade:
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b) art. 12, I, “b”: regra do “ius sanguinis” (critério sanguíneo) c/c critério funcional: de
acordo com essa regra, considera-se brasileiro nato o indivíduo que nascer em território es-
trangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer um deles esteja a serviço da
República Federativa do Brasil, ou seja, é preciso que pai ou mãe, sendo brasileiros, estejam
cumprindo missão oficial em nome do Brasil. Frisa-se que a expressão “esteja a serviço da
República Federativa do Brasil” significa dizer que o mesmo deva estar exercendo atividade
relacionada à Administração pública direta ou indireta em todas as suas esferas, inserindo-se
as atividades consulares, diplomáticas, bem como os serviços prestados por autarquias, em-
presas públicas e sociedades de economia mista.
c) art. 12, I, “c”: regra do “ius sanguinis” (critério sanguíneo) c/c critério residencial c/c
opção confirmativa: de acordo com essa regra, considera-se brasileiro nato o indivíduo que
nascer em território estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que sejam registra-
dos em repartição brasileira competente ou venham a residir no Brasil e optem, em qualquer
tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira.
As hipóteses de aquisição da nacionalidade secundária, por meio da naturalização, es-
tão previstas nas alíneas “a” e “b” do inciso II do art. 12 da CF/88, apresentando-se na ver-
dade como regras mediante as quais os indivíduos podem ser considerados brasileiros na-
turalizados.
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dos os direitos inerentes ao brasileiro, com as ressalvas aos casos previstos no mesmo Texto
Constitucional, regra essa prevista no § 1º do art. 12.
b) art. 12, II, “b”: regra da naturalização expressa extraordinária (quinzenária): de acordo
com essa regra, é permitido aos estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes no Brasil
há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, ingressarem com o pedido de
naturalização. Trata-se, pois, de um direito público subjetivo, intransferível, que se incorpora,
automaticamente, ao patrimônio do interessado em obtê-la, encontrando-se o Poder Executivo
vinculado ao requerimento e, em caso de satisfação de todos os requisitos, impossibilitado de
apresentar qualquer óbice, eis que nesse caso não se aplica a discricionariedade.
Verificadas as regras de reconhecimento de brasileiros natos e de naturalização, é impor-
tante frisar que a Constituição Federal de 1988 deixou expressa no § 2º do art. 12 uma regra de
suma importância, uma decorrência lógica do princípio da igualdade, taxativo no caput do art.
5º do Texto Maior, qual seja, que “A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos
e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição”.
Ao lado dessa regra geral, sabemos que o próprio texto constitucional apresenta 04 (quatro)
exceções que estabelecem clara distinção entre brasileiros natos e naturalizados, quais sejam:
• Extradição: art. 5º, LI, CF/88:
(...) nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado
antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, na forma da lei;
• Ocupação de cargos públicos: art. 12, § 3º, CF/88:
(...) VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nome-
ados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos
Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.
• Propriedade de empresa jornalística, de radiodifusão sonora, de sons e imagens: art.
222, CF/88:
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Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é
privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas consti-
tuídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País.
Ainda no tocante aos direitos de nacionalidade, a Constituição Federal de 1988 prevê ex-
pressamente as hipóteses em que pode ser declarada a perda da nacionalidade de um brasi-
leiro, de acordo com as situações previstas nos incisos I e II do § 4º do art. 12, vejamos:
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Ainda sobre os direitos de nacionalidade, o art. 13 da CF/88 estabelece que a “língua por-
tuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”, assim como o § 1º estabelece
que “São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo
nacionais.” e o § 2º estabelece que “Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter
símbolos próprios.”
Podemos dizer que direitos políticos são prerrogativas constitucionais ou direitos públicos
subjetivos que representam a medida de participação dos cidadãos no cenário governamen-
tal do Estado, refletindo o modo de atuação da soberania popular prevista no § único do art.
1º da CF/88.
A CF/88 trata os direitos políticos com enfoque na participação do processo eleitoral, iden-
tificando-se daí dois grupos que a doutrina classifica como direitos políticos positivos e direi-
tos políticos negativos, a saber:
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Tratando-se inicialmente dos direitos políticos positivos, pode-se dizer que estes represen-
tam o conjunto de normas que asseguram a participação do povo no cenário eleitoral do Esta-
do, sendo também chamados de direitos cívicos, eis que garantem ao cidadão a participação
no processo político do país.
Nos termos do quadro acima, a essência dos direitos políticos positivos engloba o direito
de sufrágio em seus aspectos ativo (direito de votar) e passivo (direito de ser votado), os siste-
mas eleitorais (nas modalidades majoritário, proporcional e misto) e o procedimento eleitoral.
A CF/88, em seu art. 14, prevê que:
(...) a soberania popular será exercida mediante o sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com
valor igual para todos (...).
Trata-se, pois, o sufrágio universal, do direito de votar e de ser votado, do exercício da ca-
pacidade eleitoral ativa e passiva de forma ampla e irrestrita, observando-se certos requisitos
gerais (p. ex., nacionalidade, idade, capacidade) e requisitos de forma ([Link]., a necessidade de
alistamento eleitoral), regramento esse previsto nos §§ 1º a 9º do art. 14 da CF/88.
Poderíamos aqui tecer várias considerações sobre as espécies de sufrágio e suas carac-
terísticas, mas acredito que o foco deve ser o edital e isso deve se concentrar nos direitos
políticos previstos na CF/88, o que nos remete a centralizar no sufrágio universal, no voto di-
reto e secreto, no alistamento eleitoral, nas condições de elegibilidade, bem como na perda ou
suspensão de direitos políticos.
Pois bem, falávamos do sufrágio universal, que, do ponto de vista da igualdade, classifica-
-se em igual (direito reconhecido a todos, com os mesmos pesos e medidas) ou desigual (uma
mesma pessoa pode votar mais de uma vez e o seu voto tem mais valor do que o dos outros).
Obviamente, como dito anteriormente, nos termos do caput do art. 14 da CF/88, o Brasil adota
o sufrágio universal por meio do voto direto e secreto com valor igual para todos.
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É importante frisar que o art. 14 da CF/88 trata da soberania popular exercida pelo sufrágio
universal, pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, mediante as modalidades de
plebiscito, referendo e iniciativa popular, fazendo alusão à necessidade de lei para tratar dos
detalhes de sua implementação.
Quanto ao alistamento eleitoral e o voto, o § 1º do art. 14 da CF/88 prevê que ambos são
OBRIGATÓRIOS para maiores de 18 (dezoito) anos e FACULTATIVOS para analfabetos, maio-
res de 70 (setenta) anos e maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos.
A CF/88 ainda prevê no § 2º do art. 14 a impossibilidade de alistamento eleitoral para
estrangeiros e para os conscritos, durante o período de serviço militar obrigatório, entenden-
do-se como conscritos aqueles convocados a prestar o serviço militar.
Retomando a lógica do nosso quadro acima, a essência a essência dos direitos políticos
positivos ainda engloba o direito de sufrágio em seu aspecto passivo, ou seja, o direito de ser
votado. A CF/88 traz no § 3º do art. 14 as condições de elegibilidade, que necessitam de lei
para tratar dos detalhes de sua implementação, vindo a compor os requisitos legais e cons-
titucionais que tornam o cidadão apto a pleitear cargos com mandatos políticos, sendo elas:
(i) a nacionalidade brasileira;
(ii) o pleno exercício dos direitos políticos;
(iii) o alistamento eleitoral;
(iv) o domicílio eleitoral na circunscrição;
(v) a filiação partidária;
(vi) a idade mínima de:
a) 35 (trinta e cinco) anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) 30 (trinta anos) para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) 21 (vinte e um) anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito,
Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) 18 (dezoito) anos para Vereador.
Vale lembrar que a filiação partidária é regulamentada pela Lei n. 9.096, de 19 de setem-
bro de 1995, e suas alterações posteriores, estando a referida lei sendo objeto de discussão
judicial via Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI n. 5398) no âmbito do Supremo Tribunal
Federal, proposta pelo partido político Rede Sustentabilidade.
Ao mesmo tempo em que a CF/88 traz as condições para a elegibilidade dos cidadãos,
esse mesmo diploma constitucional prevê em seu § 4º do art. 14º que serão inelegíveis os
inalistáveis e os analfabetos, entendendo-se como inalistáveis aqueles que não reúnem as
condições de alistamento eleitoral.
Em relação aos cargos políticos com mandatos eletivos, a CF/88 traz situações específi-
cas nos §§ 5º a 7º do art. 14, vejamos:
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CARGOS REGRAS
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Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasi-
leiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualda-
de, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
12
PIOVESAN, Flávia. Reforma do judiciário e direitos humanos. In TAVARES, Ramos. LENZA, Pedro. ALARCÓN, Pietro de Jesús
Lora (Coord.). Reforma do judiciário analisada e comentada. São Paulo: Método, 2005, p. 67-81.
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§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regi-
me e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa
do Brasil seja parte.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (g.n.)
Nesse sentido, pode-se afirmar que o Poder Constituinte, a partir da inclusão desse dis-
positivo, atribuiu aos tratados e convenções internacionais de proteção dos direitos humanos
equivalência às emendas constitucionais, passando a alcançar status de norma formal e ma-
terialmente constitucional.
A partir desse entendimento, a primeira conclusão foi de que a respeito dos demais trata-
dos que não tratassem de direitos humanos, o Supremo Tribunal Federal manteve o entendi-
mento de que seriam recepcionados na ordem interna com status de leis ordinárias.
Firmou-se entendimento também de que os tratados internacionais de direitos humanos
seriam recepcionados na ordem interna com status supralegal, ou seja, numa hierarquia “kel-
seniana” entre a Constituição e as leis ordinárias.
Já quanto aos tratados internacionais de direitos humanos aprovados nos termos do § 3º do
art. 5º da CF/1988, ou seja, após a entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 45/2004, es-
ses seriam recepcionados com status de emendas constitucionais e, portanto, com hierarquia
de norma constitucional, desde que observado o procedimento de aprovação, em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros.
A importância desse status se mostra ainda mais relevante no tocante à impossibilidade
de denúncia desses tratados internacionais, eis que adquirem contorno formal e materialmen-
te constitucional, passando a compor o texto constitucional, não sendo permitido que um ato
isolado ([Link]., denúncia) do Poder Executivo subtraia esses direitos da sociedade em geral.
Sendo assim, confirmando esse entendimento, o STF passou a adotar em suas decisões
a teoria do duplo status dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos, da
seguinte forma:
(i) Status Constitucional para os tratados que se submetem ao rito do § 3º do art. 5º da
CF/1988, a exemplo da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu
Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007 e incorporados
ao ordenamento via Decreto Legislativo n. 186/2008; promulgada via Decreto n. 6.949, de
25 de agosto de 2009. A respeito, Flávia Piovesan atribui a esses tratados a nomenclatura
de “Tratados
(ii) Status Supralegal para os tratados aprovados antes da Emenda Constitucional n.
45/2004 e mesmo os posteriores que não observarem o rito do § 3º do art. 5º da CF/1988,
posicionando-se abaixo da Constituição Federal, porém, acima da legislação ordinária interna.
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Pois bem, dito isso, vejamos como a banca a seguir abordou esse tema:
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13
MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Teoria Geral do Controle de Convencionalidade no Direito Brasileiro. Magistratura: Temas
Aprofundados. Salvador: Jus Podium, 2013.
14
RAMOS, André de Carvalho. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p
280-283.
15
GUERRA, Sidney. Curso de Direitos Humanos. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 178.
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(...) deve a lei ser compatível com a Constituição e com os tratados internacionais (de direitos hu-
manos e comuns) ratificados pelo governo. Caso a norma esteja de acordo com a Constituição,
mas não com eventual tratado já ratificado e em vigor no plano interno, poderá ela ser considerada
vigente (pois, repita-se, está de acordo com o texto constitucional e não poderia ser de outra forma)
– e ainda continuará perambulando nos compêndios legislativos publicados -, mas não poderá ser
tida como válida, por não ter passado imune a um dos limites verticais materiais agora existentes:
os tratados internacionais em vigor no plano interno.
Bem, após nossa conversa sobre os direitos humanos e os direitos fundamentais na Cons-
tituição Federal de 1988, vamos partir agora para outros pontos também de extrema relevância
do edital: as Regras Mínimas da ONU para o Tratamento de Pessoas Presas (Regras de Man-
dela), a Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH) e o Programa Nacional de Direitos
Humanos (Decreto n. 7.037/2009 e suas alterações). Não desanime, é a nossa reta final.
16
MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Teoria Geral do Controle de Convencionalidade no Direito Brasileiro. Magistratura: Temas
Aprofundados. Salvador: Jus Podium, 2013. p. 382.
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Uma primeira observação a ser feita quanto ao escopo das regras diz respeito ao âmbito de
sua aplicação, considerando que as “Regras de Mandela” não buscam regular a gestão de ins-
tituições reservadas para jovens em conflito com a lei, tais como as unidades de internação
e semiliberdade, podendo apenas serem levadas em consideração quanto aos seus aspec-
tos gerais. Uma das razões para tanto seria o fato de que a categoria de presos juvenis deve
compreender pelo menos todos os jovens que estão sob a jurisdição das cortes juvenis, não
cabendo, em tese, para tais jovens, condenação a penas de reclusão.
(...) devem ser tratados com o respeito inerente ao valor e dignidade do ser humano. Nenhum reclu-
so deverá ser submetido a tortura ou outras penas ou a tratamentos cruéis, desumanos ou degra-
dantes e deverá ser protegido de tais atos. (...);
Bem como:
(...) Não deve haver nenhuma discriminação em razão da raça, cor, sexo, língua, religião, opinião
política ou outra, origem nacional ou social, património, nascimento ou outra condição. É necessário
respeitar as crenças religiosas e os preceitos morais do grupo a que pertença o recluso.
Um dos grandes destaques entre os princípios básicos é a Regra 4, que trata dos objetivos
da pena de prisão:
Regra 4
1. Os objetivos de uma pena de prisão ou de qualquer outra medida restritiva da liberdade são, prio-
ritariamente, proteger a sociedade contra a criminalidade e reduzir a reincidência. Estes objetivos só
podem ser alcançados se o período de detenção for utilizado para assegurar, sempre que possível,
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a reintegração destas pessoas na sociedade após a sua libertação, para que possam levar uma vida
autossuficiente e de respeito para com as leis.
2. Para esse fim, as administrações prisionais e demais autoridades competentes devem proporcio-
nar educação, formação profissional e trabalho, bem como outras formas de assistência apropria-
das e disponíveis, incluindo aquelas de natureza reparadora, moral, espiritual, social, desportiva e de
saúde. Estes programas, atividades e serviços devem ser facultados de acordo com as necessida-
des individuais de tratamento dos reclusos.
Tais princípios também se referem à imparcialidade na aplicação das regras, aos objeti-
vos de uma sentença de encarceramento ou de medida restritiva de liberdade, bem como às
particularidades que envolvem os presos portadores de deficiências físicas, mentais ou outra
incapacidade.
As regras de aplicação geral também apresentam questões atinentes ao registro dos pre-
sos em locais de encarceramento, à obrigatoriedade de que a admissão de pessoa a um esta-
belecimento prisional seja condicionada à apresentação de uma ordem de detenção válida, à
necessidade de separação das pessoas em categorias de presos (homens e mulheres, jovens
e adultos, presos preventivos e presos condenados, presos por dívidas e presos por infrações
criminais), às acomodações da unidade prisional, à higiene pessoal e vestuário dos presos, à
alimentação e serviços de saúde e esporte.
Também fazem parte do escopo de regras de aplicação geral aquelas atinentes à discipli-
na e sanções em casos de infração disciplinar, aos instrumentos de restrição de liberdade ou
de locomoção (correntes, imobilizadores de ferro – desde que seu uso não importe em ações
degradantes ou dolorosas aos presos), às revistas íntimas e inspeção em celas, ao recebimen-
to de informações e direito de queixa por parte dos presos, à garantia de contato dos presos
com o mundo exterior, à garantia de acesso a livros, ao exercício da religião, à garantia de que
os pertences (dinheiro, objetos de valor, roupas etc.) dos presos seja retidos e mantidos em
segurança.
Outra garantia de extrema importância se refere ao direito do preso informar imediata-
mente a sua família, ou qualquer outra pessoa designada como seu contato, sobre seu encar-
ceramento, ou sobre sua transferência para outra unidade prisional, ou, ainda, sobre qualquer
doença ou ferimento graves.
As regras de aplicação geral também apresentam questões atinentes às investigações
internas no âmbito da unidade prisional, à remoção de presos entre unidades prisionais, à
seleção de funcionários da unidade prisional, às inspeções internas ou administrativas condu-
zidas pela administração prisional central, bem como às inspeções externas conduzidas por
órgão independente da administração prisional, nesses casos, com o objetivo de assegurar
que as unidades prisionais sejam gerenciadas de acordo com as leis, regulamentos, políticas
e procedimentos existentes, a fim de alcançar os objetivos dos serviços penais e prisionais, e
a proteção dos direitos dos presos.
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A Parte II conta com 37 (trinta e sete) “Regras Aplicáveis a Categorias Especiais”, subdivi-
dindo-se em 05 (cinco) Seções com tipos especiais de reclusos, a saber:
Seção A – Reclusos condenados
Seção B – Reclusos com transtornos mentais e ou com problemas de saúde
Seção C – Reclusos detidos ou a aguardar julgamento
Seção D – Presos Civis
Seção E – Pessoas presas ou detidas sem acusação
Quanto às regras aplicáveis a categorias especiais, a Seção A diz respeito aos presos sen-
tenciados, trazendo princípios orientadores acerca do retorno progressivo do preso à vida em
sociedade, da liberdade condicional, do adequado incentivo ao preso sentenciado quanto à
vontade de levar uma vida dentro da lei após sua soltura, do estabelecimento de diferentes
métodos de tratamento para diferentes classes de presos, da oportunidade do exercício de um
trabalho que incentive sua reabilitação, da promoção da educação e do lazer aos presos, bem
como da manutenção e aperfeiçoamento das relações entre o preso e sua família.
Outra garantia de extrema importância se refere à classificação e individualização dos pre-
sos sentenciados, de modo a separar dos demais presos aqueles que, por motivo de seu his-
tórico criminal ou pela sua personalidade, possam vir a exercer uma influência negativa sobre
os demais presos. Outra finalidade seria dividir os presos em classes, a fim de facilitar o trata-
mento, visando sua reinserção social.
Quanto às regras aplicáveis a categorias especiais, a Seção B diz respeito aos presos com
transtornos mentais e ou com problemas de saúde, com dispositivos específicos a respeito
dos indivíduos diagnosticados com deficiência mental e ou problemas de saúde severos, para
os quais o encarceramento significa um agravamento de sua condição.
(...) As pessoas consideradas inimputáveis, ou a quem, posteriormente, foi diagnosticado uma defi-
ciência mental e/ou um problema de saúde grave, em relação aos quais a detenção poderia agravar
a sua condição, não devem ser detidas em prisões.
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ambiente externo à unidade prisional; a possibilidade de utilizar suas próprias roupas; o direito
de ter à sua disposição material para escrever, a fim de preparar os documentos relacionados
à sua defesa; o direito de ser imediatamente informado das razões de sua detenção e sobre
quaisquer acusações que pesem contra ele, dentre outras garantias.
Ainda no tocante às regras aplicáveis a categorias especiais, a Seção D diz respeito aos
chamados “presos civis” (Regra 121), entendendo-se por aquelas privações de liberdade oriun-
das de dívidas ou por ordem judicial referente a processo não criminal. Nesses casos, a reso-
lução prevê que os reclusos não devem ser submetidos a maiores restrições nem ser tratados
com maior severidade do que for necessário para manter a segurança e a ordem; garantindo-
-se, ainda, que o “(...) seu tratamento não deve ser menos favorável do que o dos detidos preven-
tivamente, sob reserva, porém, da eventual obrigação de trabalhar”.
Por fim, as regras aplicáveis a categorias especiais fazem alusão às pessoas presas ou
detidas sem acusação (Seção E – Regra 122), tratando-se de garantias aplicáveis a indivíduos
presos ou detidos sem acusação nas mesmas proporções dos presos sob custódia ou aguar-
dando julgamento, em especial no tocante à presunção de inocência, garantindo-se que não
sejam tomadas medidas que impliquem na reeducação ou reabilitação de indivíduos que não
foram condenados por qualquer crime.
Prezado(a) candidato(a), com vistas a tentar contribuir um pouco com o seu estudo sobre
as Regras de Mandela, preparei um quadro que relaciona as Regras da Resolução 70/175 com
as temáticas às quais estão vinculadas, recomendando-se, como sempre, a leitura na íntegra
do documento, eis que as bancas podem vir a explorar o conhecimento do(a) candidato(a)
acerca do texto original. Vale uma atenciosa leitura para uma boa fixação e um bom direciona-
mento do estudo:
Alojamento Regras 12 a 17
Alimentação Regra 22
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Biblioteca Regra 64
Religião Regras 65 e 66
Notificações Regras 68 a 70
Investigações Regras 71 e 72
Tratamento Regras 91 e 92
Privilégios Regra 95
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Seção C
Reclusos detidos ou a aguardar julgamento
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Muito bem, finalizamos por aqui os assuntos pertinentes às Regras Mínimas das Nações
Unidas para o Tratamento de Reclusos, conhecidas como “Regras de Mandela”, com a suges-
tão de que você leia com atenção a íntegra dos dispositivos, para uma visão mais completa
desse normativo.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) representa um ato de organização in-
ternacional, de modo que prescinde de incorporação ao direito interno, como se exige para
tratados ordinários de direitos humanos.
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Com texto extremamente amplo, a DUDH compreende e reconhece vários direitos e facul-
dades sem os quais uma pessoa, independentemente de sua raça, religião ou sexo, não poderia
desenvolver sua personalidade física, moral e intelectual, reforçando, assim, a característica de
universalidade do documento, seja qual for o regime político do território em que for aplicado.
Quanto ao seu conteúdo, possui 30 (trinta) artigos inspirados em duas dimensões dos
direitos humanos, com ênfase na universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direi-
tos humanos:
• Direitos de 1ª dimensão (direitos civis e políticos): materializados nos artigos I a XXI;
• Direitos de 2ª dimensão (direitos econômicos, sociais e culturais): materializados nos
artigos XXII a XXX.
No tocante ao seu preâmbulo, vale frisar que seu texto significa um fundamento referencial
deste diploma, sendo inclusive utilizado como referência para edições de outros diplomas de
direitos humanos, também merecendo destaque o texto que proclama a declaração, vejamos:
A ASSEMBLÉIA GERAL
proclama
A PRESENTE DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS HUMANOS
como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que
cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce,
através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela
adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconheci-
mento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros,
quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Nesse sentido, a partir dessas premissas, é possível verificar que desde seu preâmbulo a
DUDH reforça o conceito da dignidade como característica inerente a todo ser humano e que
em razão disso torna-se igualmente titular de direitos que deles não se pode alienar. Essa ve-
rificação é possível quando constatamos a utilização das expressões “todos” e “ninguém” no
texto da Declaração, reforçando sua característica universalista, pautada na dignidade como
grande fundamento dos direitos humanos.
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O Prof. Celso Lafer, ao refletir sobre a fundamental importância do princípio da isonomia como
critério de organização do Estado-nação18, em contraponto à redação do Artigo I da Declaração
Universal dos Direitos Humanos (DUDH), argumenta não ser verdade que “todos os homens
nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, afirmando que nós não nascemos iguais, mas
“(...) nós nos tornamos iguais como membros de uma coletividade em virtude de uma decisão
conjunta que garante a todos direitos iguais”. Segundo o aludido autor, a igualdade não é um
dado, “(...) Ela é um construído, elaborado convencionalmente pela ação conjunta dos homens
através da organização da comunidade política”.
A partir dessa reflexão do Prof. Celso Lafer, é possível pensar a característica de indisso-
lubilidade dos direitos humanos, é possível refletir o direito individual do cidadão de autode-
terminar-se politicamente, de exercer seus direitos políticos, dentre outras reflexões possíveis.
Prezado(a) candidato(a), é muito comum verificar que algumas bancas trazem questões
com assertivas retiradas exatamente do corpo de texto das normas internacionais. Sendo as-
sim, preparei um quadro que relaciona os artigos da DUDH com as temáticas às quais estão
vinculados. Vale uma atenciosa leitura para uma boa fixação:
17
PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o direito constitucional internacional. 7ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2006. p. 151.
18
LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Compa-
nhia das Letras, 1988. p. 150.
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Direito à vida, à liberdade e à segurança Artigo III – Todo ser humano tem direito à
da pessoa vida, à liberdade e à segurança pessoal.
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Trata-se de questão relativamente fácil, bastando ao(à) candidato(a) se atentar para o texto
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, especificamente para a redação do item 1 do
Artigo XXVI.
Letra c.
Trata-se de questão relativamente fácil, bastando ao(à) candidato(a) se atentar para o texto
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, especificamente para a redação do item 2 do
Artigo XVII.
Letra b.
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da ação dos Estados nacionais. Daí a recomendação para que os países formulassem e imple-
mentassem Programas e Planos Nacionais de Direitos Humanos.
Nesse sentido, o Decreto que instituiu o PNDH-3 representa um grande passo do Brasil na
consolidação de seus alicerces democráticos, eis que a norma prevê um diálogo permanen-
te entre o Estado e a sociedade civil, garante transparência em todas as esferas de governo,
além de estabelecer a primazia dos direitos humanos nas políticas internas e nas relações
internacionais.
O aludido decreto ainda reforça o caráter laico do Estado, fortalecendo temas sensíveis
na defesa da democracia, como o pacto federativo, a universalidade, indivisibilidade e interde-
pendência dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, o desenvol-
vimento sustentável, o respeito à diversidade, o combate às desigualdades, a erradicação da
fome e da extrema pobreza, dentre outros grandes temas.
Incorporando resoluções da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos e propostas
aprovadas em mais de 50 conferências nacionais temáticas promovidas desde o ano de 2003
sobre segurança alimentar, educação, saúde, habitação, igualdade racial, direitos da mulher,
juventude, crianças e adolescentes, pessoas com deficiência, idosos, meio ambiente etc., após
amplo e democrático debate sobre as políticas públicas existentes nessas áreas, o Programa
Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3 se encontra estruturado em 06 (seis) Eixos Orienta-
dores, a saber:
• Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado e sociedade civil;
• Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Humanos;
• Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desigualdades;
• Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência;
• Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos Humanos;
• Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade.
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Diretriz 1: Interação democrática entre Estado e sociedade civil como instrumento de fortalecimen-
to da democracia participativa.
Objetivo estratégico I: Garantia da participação e do controle social das políticas públicas em Direi-
tos Humanos, em diálogo plural e transversal entre os vários atores sociais.
Objetivo estratégico II: Ampliação do controle externo dos órgãos públicos.
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Diretriz 2: Fortalecimento dos Direitos Humanos como instrumento transversal das políticas públi-
cas e de interação democrática.
Objetivo estratégico I: Promoção dos Direitos Humanos como princípios orientadores das políticas
públicas e das relações internacionais.
Objetivo estratégico II: Fortalecimento dos instrumentos de interação democrática para a promoção
dos Direitos Humanos.
Diretriz 3: Integração e ampliação dos sistemas de informação em Direitos Humanos e construção
de mecanismos de avaliação e monitoramento de sua efetivação.
Objetivo estratégico I: Desenvolvimento de mecanismos de controle social das políticas públicas de
Direitos Humanos, garantindo o monitoramento e a transparência das ações governamentais.
Objetivo estratégico II: Monitoramento dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado
brasileiro em matéria de Direitos Humanos.
Nos anos 1990, firmaram-se como sujeitos na formulação e monitoramento das políticas
públicas, desempenhando papel fundamental na resistência a todas as orientações do ne-
oliberalismo de flexibilização dos direitos sociais, privatizações, dogmatismo do mercado e
enfraquecimento do Estado. Com as eleições de 2002, a sociedade civil organizada pautou rei-
vindicações históricas acumuladas, passando a influenciar diretamente a atuação do governo.
Uma das finalidades do PNDH-3 é dar continuidade à integração e ao aprimoramento dos
mecanismos de participação existentes, bem como criar novos meios de construção e moni-
toramento das políticas públicas sobre Direitos Humanos no Brasil. Frisa-se, também, a possi-
bilidade de ampliação das conquistas na área dos direitos e garantias fundamentais, eis que
o Programa internaliza a diretriz segundo a qual a primazia dos Direitos Humanos constitui
princípio transversal a ser considerado em todas as políticas públicas.
A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo II (Desenvolvimento e Direitos Humanos) se
justifica em virtude do tema se mostrar multidisciplinar e bastante debatido, pressupondo que
engloba temáticas referentes à livre determinação dos povos, ao reconhecimento de soberania
sobre seus recursos e riquezas naturais, ao respeito pleno à sua identidade cultural e à busca
de equidade na distribuição das riquezas.
O Eixo Orientador II se subdivide em 03 (três) Diretrizes que também se subdividem em
objetivos estratégicos, a saber:
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Diretriz 5: Valorização da pessoa humana como sujeito central do processo de desenvolvimento.
Objetivo estratégico I: Garantia da participação e do controle social nas políticas públicas de desen-
volvimento com grande impacto socioambiental.
Objetivo estratégico II: Afirmação dos princípios da dignidade humana e da equidade como funda-
mentos do processo de desenvolvimento nacional.
Objetivo estratégico III: Fortalecimento dos direitos econômicos por meio de políticas públicas de
defesa da concorrência e de proteção do consumidor.
Diretriz 6: Promover e proteger os direitos ambientais como Direitos Humanos, incluindo as gera-
ções futuras como sujeitos de direitos.
Objetivo estratégico I: Afirmação dos direitos ambientais como Direitos Humanos
A teoria predominante de desenvolvimento econômico o define como um processo que faz aumen-
tar as possibilidades de acesso das pessoas a bens e serviços, propiciadas pela expansão da ca-
pacidade e do âmbito das atividades econômicas. O desenvolvimento seria a medida qualitativa
do progresso da economia de um país, refletindo transições de estágios mais baixos para estágios
mais altos, por meio da adoção de novas tecnologias que permitem e favorecem essa transição.
Cresce nos últimos anos a assimilação das ideias desenvolvidas por Amartya Sen, que abordam o
desenvolvimento como liberdade e seus resultados centrados no bem-estar social e, por conseguin-
te, nos direitos do ser humano.
No caso do Brasil, por muitos anos o crescimento econômico não levou à distribuição justa de renda
e riqueza, mantendo-se elevados índices de desigualdade. As ações de Estado voltadas para a con-
quista da igualdade socioeconômica requerem ainda políticas permanentes, de longa duração, para
que se verifique a plena proteção e promoção dos Direitos Humanos. É necessário que o modelo de
desenvolvimento econômico tenha a preocupação de aperfeiçoar os mecanismos de distribuição
de renda e de oportunidades para todos os brasileiros, bem como incorpore os valores de preserva-
ção ambiental.
(...) reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direi-
tos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.
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Diretriz 7: Garantia dos Direitos Humanos de forma universal, indivisível e interdependente, assegu-
rando a cidadania plena.
Objetivo estratégico I: Universalização do registro civil de nascimento e ampliação do acesso à do-
cumentação básica.
Objetivo estratégico II: Acesso à alimentação adequada por meio de políticas estruturantes.
Objetivo estratégico III: Garantia do acesso à terra e à moradia para a população de baixa renda e
grupos sociais vulnerabilizados.
Objetivo estratégico IV: Ampliação do acesso universal a sistema de saúde de qualidade.
Objetivo estratégico V: Acesso à educação de qualidade e garantia de permanência na escola.
Objetivo estratégico VI: Garantia do trabalho decente, adequadamente remunerado, exercido em
condições de equidade e segurança.
Objetivo estratégico VII: Combate e prevenção ao trabalho escravo.
Objetivo estratégico VIII: Promoção do direito à cultura, lazer e esporte como elementos formadores
de cidadania.
Objetivo estratégico IX: Garantia da participação igualitária e acessível na vida política.
Diretriz 8: Promoção dos direitos de crianças e adolescentes para o seu desenvolvimento integral,
de forma não discriminatória, assegurando seu direito de opinião e participação.
Objetivo estratégico I: Proteger e garantir os direitos de crianças e adolescentes por meio da conso-
lidação das diretrizes nacionais do ECA, da Política Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente e da Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU
Objetivo estratégico II: Consolidar o Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes,
com o fortalecimento do papel dos Conselhos Tutelares e de Direitos.
Objetivo estratégico III: Proteger e defender os direitos de crianças e adolescentes com maior vul-
nerabilidade.
Objetivo estratégico IV: Enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.
Objetivo estratégico V: Garantir o atendimento especializado a crianças e adolescentes em sofri-
mento psíquico e dependência química.
Objetivo estratégico VI: Erradicação do trabalho infantil em todo o território nacional.
Objetivo estratégico VII: Implementação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Si-
nase).
Diretriz 9: Combate às desigualdades estruturais.
Objetivo estratégico I: Igualdade e proteção dos direitos das populações negras, historicamente
afetadas pela discriminação e outras formas de intolerância.
Objetivo estratégico II: Garantia aos povos indígenas da manutenção e resgate das condições de
reprodução, assegurando seus modos de vida.
Objetivo estratégico III: Garantia dos direitos das mulheres para o estabelecimento das condições
necessárias para sua plena cidadania.
Diretriz 10: Garantia da igualdade na diversidade.
Objetivo estratégico I: Afirmação da diversidade para a construção de uma sociedade igualitária.
Objetivo estratégico II: Proteção e promoção da diversidade das expressões culturais como Direito
Humano.
Objetivo estratégico III: Valorização da pessoa idosa e promoção de sua participação na sociedade.
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Objetivo estratégico IV: Promoção e proteção dos direitos das pessoas com deficiência e garantia
da acessibilidade igualitária.
Objetivo estratégico V: Garantia do respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero.
Objetivo estratégico VI: Respeito às diferentes crenças, liberdade de culto e garantia da laicidade do
Estado.
Com base na justificativa para o Eixo III, o Programa assimila os grandes avanços con-
quistados ao longo dos últimos anos tanto nas políticas de erradicação da miséria e da fome,
quanto na preocupação com a moradia e saúde, e aponta para a continuidade e ampliação do
acesso a tais políticas, fundamentais para garantir o respeito à dignidade humana e preconizar
a universalidade, a indivisibilidade e a interdependência dos Direitos Humanos.
Vejamos como a banca a seguir abordou os temas relacionados a esse eixo do programa:
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Diretriz 11: Democratização e modernização do sistema de segurança pública.
Objetivo estratégico I: Modernização do marco normativo do sistema de segurança pública.
Objetivo estratégico II: Modernização da gestão do sistema de segurança pública.
Objetivo estratégico III: Promoção dos Direitos Humanos dos profissionais do sistema de segurança
pública, assegurando sua formação continuada e compatível com as atividades que exercem.
Diretriz 12: Transparência e participação popular no sistema de segurança pública e justiça criminal.
Objetivo estratégico I: Publicação de dados do sistema federal de segurança pública.
Objetivo estratégico II: Consolidação de mecanismos de participação popular na elaboração das
políticas públicas de segurança.
Diretriz 13: Prevenção da violência e da criminalidade e profissionalização da investigação de atos
criminosos.
Objetivo estratégico I: Ampliação do controle de armas de fogo em circulação no país.
Objetivo estratégico II: Qualificação da investigação criminal.
Objetivo estratégico III: Produção de prova pericial com celeridade e procedimento padronizado.
Objetivo estratégico IV: Fortalecimento dos instrumentos de prevenção à violência.
Objetivo estratégico V: Redução da violência motivada por diferenças de gênero, raça ou etnia, idade,
orientação sexual e situação de vulnerabilidade.
Objetivo estratégico VI: Enfrentamento ao tráfico de pessoas.
Diretriz 14: Combate à violência institucional, com ênfase na erradicação da tortura e na redução da
letalidade policial e carcerária.
Objetivo estratégico I: Fortalecimento dos mecanismos de controle do sistema de segurança públi-
ca.
Objetivo estratégico II: Padronização de procedimentos e equipamentos do sistema de segurança
pública.
Objetivo estratégico III: Consolidação de política nacional visando à erradicação da tortura e de ou-
tros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes.
Objetivo estratégico IV: Combate às execuções extrajudiciais realizadas por agentes do Estado.
Diretriz 15: Garantia dos direitos das vítimas de crimes e de proteção das pessoas ameaçadas.
Objetivo estratégico I: Instituição de sistema federal que integre os programas de proteção.
Objetivo estratégico II: Consolidação da política de assistência a vítimas e a testemunhas ameaça-
das.
Objetivo estratégico III: Garantia da proteção de crianças e adolescentes ameaçados de morte.
Objetivo estratégico IV: Garantia de proteção dos defensores de Direitos Humanos e de suas ativi-
dades.
Diretriz 16: Modernização da política de execução penal, priorizando a aplicação de penas e medi-
das alternativas à privação de liberdade e melhoria do sistema penitenciário.
Objetivo estratégico I: Reestruturação do sistema penitenciário.
Objetivo estratégico II: Limitação do uso dos institutos de prisão cautelar.
Objetivo estratégico III: Tratamento adequado de pessoas com transtornos mentais.
Objetivo estratégico IV: Ampliação da aplicação de penas e medidas alternativas.
Diretriz 17: Promoção de sistema de justiça mais acessível, ágil e efetivo, para o conhecimento, a
garantia e a defesa dos direitos.
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Objetivo estratégico I: Acesso da população à informação sobre seus direitos e sobre como garan-
ti-los.
Objetivo estratégico II: Garantia do aperfeiçoamento e monitoramento das normas jurídicas para
proteção dos Direitos Humanos.
Objetivo estratégico III: Utilização de modelos alternativos de solução de conflitos.
Objetivo estratégico IV: Garantia de acesso universal ao sistema judiciário.
Objetivo estratégico V: Modernização da gestão e agilização do funcionamento do sistema de jus-
tiça.
Objetivo estratégico VI: Acesso à Justiça no campo e na cidade.
Em linhas gerais, o PNDH-3, na perspectiva do Eixo IV, aponta para a necessidade de ampla
reforma no modelo de polícia e propõe o aprofundamento do debate sobre a implantação do
ciclo completo de policiamento às corporações estaduais. Prioriza transparência e participa-
ção popular, instando ao aperfeiçoamento das estatísticas e à publicação de dados, assim
como à reformulação do Conselho Nacional de Segurança Pública. Contempla a prevenção da
violência e da criminalidade como diretriz, ampliando o controle sobre armas de fogo e indican-
do a necessidade de profissionalização da investigação criminal.
Nesse sentido, em relação ao Eixo IV, o PNDH-3 apresenta propostas para que o Poder Pú-
blico se aperfeiçoe no desenvolvimento de políticas públicas de prevenção ao crime e à violên-
cia, reforçando a noção de acesso universal à Justiça como direito fundamental, e sustentando
que a democracia, os processos de participação e transparência, aliados ao uso de ferramen-
tas científicas e à profissionalização das instituições e trabalhadores da segurança, assinalam
os roteiros mais promissores para que o Brasil possa avançar no caminho da paz pública.
A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo V (Educação e cultura em Direitos Humanos)
se justifica em virtude da necessidade de uma nova mentalidade coletiva para o exercício da
solidariedade, do respeito às diversidades e da tolerância, em plena sintonia com o Plano Na-
cional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH).
O Eixo Orientador V se subdivide em 05 (cinco) Diretrizes que se subdividem em objetivos
estratégicos, a saber:
Diretriz 18: Efetivação das diretrizes e dos princípios da política nacional de educação em Direitos
Humanos para fortalecer cultura de direitos.
Objetivo estratégico I: Implementação do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos.
Objetivo Estratégico II: Ampliação de mecanismos e produção de materiais pedagógicos e didáticos
para Educação em Direitos Humanos.
Diretriz 19: Fortalecimento dos princípios da democracia e dos Direitos Humanos nos sistemas de
educação básica, nas instituições de ensino superior e nas instituições formadoras.
Objetivo Estratégico I: Inclusão da temática de Educação e Cultura em Direitos Humanos nas esco-
las de educação básica e em instituições formadoras.
Objetivo Estratégico II: Inclusão da temática da Educação em Direitos Humanos nos cursos das
Instituições de Ensino Superior (IES).
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Objetivo Estratégico III: Incentivo à transdisciplinaridade e transversalidade nas atividades acadêmi-
cas em Direitos Humanos.
Diretriz 20: Reconhecimento da educação não formal como espaço de defesa e promoção dos Di-
reitos Humanos.
Objetivo Estratégico I: Inclusão da temática da educação em Direitos Humanos na educação não
formal.
Objetivo estratégico II: Resgate da memória por meio da reconstrução da história dos movimentos
sociais.
Diretriz 21: Promoção da Educação em Direitos Humanos no serviço público.
Objetivo Estratégico I: Formação e capacitação continuada dos servidores públicos em Direitos Hu-
manos, em todas as esferas de governo.
Objetivo Estratégico II: Formação adequada e qualificada dos profissionais do sistema de segurança
pública.
Diretriz 22: Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para a conso-
lidação de uma cultura em Direitos Humanos.
Objetivo Estratégico I: Promover o respeito aos Direitos Humanos nos meios de comunicação e o
cumprimento de seu papel na promoção da cultura em Direitos Humanos.
Objetivo Estratégico II: Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação.
Acerca do tema central tratado nesse eixo, vale frisar que a educação em direitos humanos
articula, entre outros elementos: a) a apreensão de conhecimentos historicamente construídos
sobre Direitos Humanos e a sua relação com os contextos internacional, regional, nacional e lo-
cal; b) a afirmação de valores, atitudes e práticas sociais que expressem a cultura dos Direitos
Humanos em todos os espaços da sociedade; c) a formação de consciência cidadã capaz de
se fazer presente nos níveis cognitivo, social, ético e político; d) o desenvolvimento de proces-
sos metodológicos participativos e de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais
didáticos contextualizados; e) o fortalecimento de políticas que gerem ações e instrumentos
em favor da promoção, da proteção e da defesa dos Direitos Humanos, bem como da repara-
ção das violações.
A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo VI (Direito à Memória e à Verdade) se justifica
em virtude da importância de investigar o passado para uma melhor construção da cidadania,
resgatando a verdade e reforçando a memória individual e coletiva.
O Eixo Orientador VI se subdivide em 03 (três) Diretrizes que se subdividem em objetivos
estratégicos, a saber:
Diretriz 23: Reconhecimento da memória e da verdade como Direito Humano da cidadania e dever
do Estado.
Objetivo Estratégico I: Promover a apuração e o esclarecimento público das violações de Direitos
Humanos praticadas no contexto da repressão política ocorrida no Brasil no período fixado pelo
artigo 8º do ADCT da Constituição, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e pro-
mover a reconciliação nacional.
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Diretriz 24: Preservação da memória histórica e a construção pública da verdade.
Objetivo Estratégico I: Incentivar iniciativas de preservação da memória histórica e de construção
pública da verdade sobre períodos autoritários.
Diretriz 25: Modernização da legislação relacionada com a promoção do direito à memória e à ver-
dade, fortalecendo a democracia.
Objetivo Estratégico I: Suprimir do ordenamento jurídico brasileiro eventuais normas remanescentes
de períodos de exceção que afrontem os compromissos internacionais e os preceitos constitucio-
nais sobre Direitos Humanos.
Vale frisar que a compreensão do passado por intermédio da narrativa da herança histórica
e pelo reconhecimento oficial dos acontecimentos possibilita aos cidadãos construírem os
valores que indicarão sua atuação no presente. O acesso a todos os arquivos e documentos
produzidos durante o regime militar, p. ex., é fundamental no âmbito das políticas de proteção
dos Direitos Humanos.
As ações programáticas deste eixo orientador têm como finalidade assegurar o processa-
mento democrático e republicano de todo um período da história brasileira, para que se viabili-
ze o desejável sentimento de reconciliação nacional.
No tocante à implementação do Programa, o Decreto instituiu o Comitê de Acompanha-
mento e Monitoramento do PNDH-3, com a finalidade de promover a articulação entre os ór-
gãos e entidades envolvidos na implementação das suas ações programáticas; elaborar os
Planos de Ação dos Direitos Humanos; estabelecer indicadores para o acompanhamento, mo-
nitoramento e avaliação dos Planos de Ação dos Direitos Humanos; acompanhar a implemen-
tação das ações e recomendações; e elaborar e aprovar seu regimento interno.
Quanto à representatividade, vale frisar a previsão constante do Decreto acerca da possibi-
lidade de que o Comitê convide representantes dos demais Poderes, da sociedade civil e dos
entes federados para participarem de suas reuniões e atividades.
Vejamos como as bancas a seguir abordaram os temas relacionados ao Programa:
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b) Efetivação das diretrizes e dos princípios da política nacional de educação em Direitos Hu-
manos para fortalecer uma cultura de direitos; Fortalecimento dos princípios da democracia
e dos Direitos Humanos nos sistemas de educação básica, nas instituições de ensino supe-
rior e nas instituições formadoras; Reconhecimento da educação não formal como espaço de
defesa e promoção dos Direitos Humanos; Promoção da Educação em Direitos Humanos no
serviço público; Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para
consolidação de uma cultura em Direitos Humanos.
c) Interação democrática entre Estado e sociedade civil como instrumento de fortalecimento
da democracia participativa; Fortalecimento dos Direitos Humanos como instrumento trans-
versal das políticas públicas e de interação democrática; Integração e ampliação dos sistemas
de informações em Direitos Humanos e construção de mecanismos de avaliação e monitora-
mento de sua efetivação.
d) Democratização e modernização do sistema de segurança pública; Transparência e parti-
cipação popular no sistema de segurança pública e justiça criminal; Prevenção da violência e
da criminalidade e profissionalização da investigação de atos criminosos; Combate à violência
institucional, com ênfase na erradicação da tortura e na redução da letalidade policial e car-
cerária; Garantia dos direitos das vítimas de crimes e de proteção das pessoas ameaçadas;
Modernização da política de execução penal, priorizando a aplicação de penas e medidas al-
ternativas à privação de liberdade e melhoria do sistema penitenciário; Promoção de sistema
de justiça mais acessível, ágil e efetivo, para o conhecimento, a garantia e a defesa de direitos.
e) Efetivação de modelo de desenvolvimento sustentável, com inclusão social e econômica,
ambientalmente equilibrado e tecnologicamente responsável, cultural e regionalmente diverso,
participativo e não discriminatório; Valorização da pessoa humana como sujeito central do
processo de desenvolvimento; Promoção e proteção dos direitos ambientais como Direitos
Humanos, incluindo as gerações futuras como sujeitos de direitos.
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Muito bem, finalizamos por aqui nossa abordagem aos principais pontos do PNDH-3, com
a reiteração da sugestão de que você leia com atenção todos os dispositivos do Programa (di-
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retrizes, objetivos estratégicos, eixos orientadores etc.), para uma visão mais completa desse
normativo.
19
Artigo 1, item 1: Os Estados Partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhe-
cidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma
por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social,
posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social.
20
Artigo 2: Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1 ainda não estiver garantido por disposições legis-
lativas ou de outra natureza, os Estados Partes comprometem-se a adotar, de acordo com as suas normas constitucionais
e com as disposições desta Convenção, as medidas legislativas ou de outra natureza que forem necessárias para tornar
efetivos tais direitos e liberdades.
21
OLIVEIRA, Fabiano Melo Gonçalvez de. Direitos humanos. São Paulo: Método. 2016. p. 165.
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com os Artigos 1 e 2, representam direitos de 1ª dimensão). Vale uma atenciosa leitura para
uma boa fixação:
22
Art. 4: 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o
momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente. 2. Nos países que não houverem abolido a pena
de morte, esta só poderá ser imposta pelos delitos mais graves, em cumprimento de sentença final de tribunal competente e
em conformidade com lei que estabeleça tal pena, promulgada antes de haver o delito sido cometido. Tampouco se estenderá
sua aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente. 3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a
hajam abolido. 4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada por delitos políticos, nem por delitos comuns conexos
com delitos políticos. 5. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que, no momento da perpetração do delito, for menor de
dezoito anos, ou maior de setenta, nem aplicá-la a mulher em estado de gravidez. 6. Toda pessoa condenada à morte tem direito
a solicitar anistia, indulto ou comutação da pena, os quais podem ser concedidos em todos os casos. Não se pode executar a
pena de morte enquanto o pedido estiver pendente de decisão ante a autoridade competente.
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Artigo 41
A Comissão tem a função principal de promover a observância e a defesa dos direitos humanos e,
no exercício do seu mandato, tem as seguintes funções e atribuições:
a. estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América;
b. formular recomendações aos governos dos Estados membros, quando o considerar conveniente,
no sentido de que adotem medidas progressivas em prol dos direitos humanos no âmbito de suas
leis internas e seus preceitos constitucionais, bem como disposições apropriadas para promover o
devido respeito a esses direitos;
c. preparar os estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de suas fun-
ções;
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Vale frisar que qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não-governamental le-
galmente reconhecida em um ou mais Estados membros da Organização dos Estados Ameri-
canos, pode apresentar à Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de violação
desta Convenção por um Estado Parte, tendo como pressupostos, nos termos do Artigo 46:
a. que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, de acordo com os prin-
cípios de direito internacional geralmente reconhecidos;
b. que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido preju-
dicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva;
c. que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução
internacional; e
d. que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a nacionalidade, a profissão, o domicílio e
a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição.
Não se aplicarão as disposições contidas nas alíneas “a” e “b” acima mencionadas quando
(i) não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o devido processo legal para a
proteção do direito ou direitos que se alegue tenham sido violados; (ii) não se houver permitido
ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso aos recursos da jurisdição interna, ou
houver sido ele impedido de esgotá-los; e (iii) houver demora injustificada na decisão sobre os
mencionados recursos.
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Recomenda-se, assim como em relação aos outros instrumentos de proteção dos direitos hu-
manos, a leitura na íntegra da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, também conhe-
cida como Pacto de San José da Costa Rica, justamente para se ter uma completa noção dos
direitos ali reconhecidos.
Pois bem, vejamos como as bancas a seguir abordaram as temáticas trazidas no Pacto:
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b) Toda pessoa terá direito a obter indenização decorrente de prisão ilegal, salvo por erro
judiciário.
c) O preso tem direito de ser assistido por um defensor oferecido pelo Estado, vedado ao acu-
sado se defender ele próprio.
d) O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para preservar os interesses
da justiça.
e) Se depois da perpetração do delito a lei dispuser a imposição de pena mais leve, o delin-
quente não poderá ser por isso beneficiado.
Muito bem, finalizamos por aqui os assuntos pertinentes à Convenção Americana sobre
Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), com a reiteração da sugestão de que
você leia com atenção todos os dispositivos, para uma visão mais completa desse normativo.
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RESUMO
Prezado(a), após nossa análise acerca do percurso da efetivação dos direitos humanos
no Brasil e no mundo, bem como dos principais instrumentos e normas de direitos humanos
com enfoque na proteção constitucional destes direitos, em especial, a Declaração Universal
dos Direitos Humanos, o PNDH-3, as “Regras de Mandela”, além da verificação de algumas
abordagens das bancas a respeito desses temas, chegou a hora de fazermos um compilado
de lembretes pra fixação da matéria que acabamos de estudar:
• Nos regimes democráticos, toda e qualquer pessoa deve ter a sua dignidade respeitada
independentemente de sua origem, etnia, raça, convicção econômica, orientação políti-
ca, classe social, idade, identidade sexual, orientação ou credo religioso.
• No Brasil, com vistas a garantir essa gama de direitos, o constituinte materializou na
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 um modelo de ordenamento
jurídico que tem como um de seus pilares a dignidade da pessoa humana, ao lado da
soberania, da cidadania, dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e do plura-
lismo político.
• Cada Estado incorpora no seu ordenamento jurídico os direitos humanos mais próximos
aos seus próprios valores, aos valores de sua sociedade, decidindo quais serão consti-
tucionalizados (ou seja, quais alçarão a categoria de “direitos fundamentais”), bem com
quais pertencerão ao nível infraconstitucional dentro do ordenamento.
• Podemos afirmar que os direitos humanos representam um apanhado de normas jurídi-
cas internas e externas que visam proteger a pessoa humana, ou seja, um conjunto de
direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade o respeito à sua dignidade,
capazes de protegê-lo do arbítrio do poder estatal, garantindo-lhe condições mínimas de
sobrevivência e desenvolvimento de sua personalidade.
• No tocante à terminologia, temos que a expressão “direitos do homem” tem cunho jus-
naturalista, relacionada aos direitos inerentes à condição humana, mas vinculada à von-
tade divina. Trata-se, pois, nessa concepção, de um direito que não necessita de positi-
vação, eis que diz respeito ao “direito natural”. Já a expressão “direitos fundamentais”
diz respeito diretamente àqueles direitos positivados na Constituição Federal ou na Car-
ta Constitucional de determinado país.
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limitam, por razões humanitárias, o direito das partes de escolher livremente os méto-
dos e os meios utilizados na guerra, evitando que sejam afetadas as pessoas e os bens
legalmente protegidos.
• Criada em 1919 pelo Tratado de Versalhes, a Organização Internacional do Trabalho
aparece no cenário de proteção dos direitos humanos com o objetivo de promover a
universalização dos direitos sociais nas searas trabalhista e previdenciária, visando à
melhoria de vida do trabalhador em total equilíbrio com o desenvolvimento econômico.
• A OIT desenvolve um sistema de normas internacionais que abrange todas as matérias
relacionadas com o trabalho, formalizadas por meio de convenções e recomendações
internacionais. As convenções da OIT se equiparam a tratados internacionais sujeitos a
ratificação pelos Estados Membros da Organização.
Organismo
Internacional criado
Conjunto de normas
com o objetivo de Organismo criado para
aplicáveis aos conflitos
promover a paz social promoção e proteção
armados internacionais
e evitar os conflitos das atividades laborais
ou não internacionais.
armados. em condições justas e
Comitê Internacional da
Antecedeu a igualitárias.
Cruz Vermelha (CICV)
Organização das
Nações Unidas (ONU)
• Somente após a Segunda Grande Guerra, grande marco na história do Direito Internacio-
nal, criou-se, na ocasião da Conferência de São Francisco, em 1945, a Organização das
Nações Unidas (ONU), a fim de evitar novas guerras e situações de conflitos, bem como
criar condições para que a sociedade caminhasse na orientação das diretrizes dos Di-
reitos Humanos.
• Em tese, o Estado responde por todos os atos que violam os direitos humanos, cometi-
dos por representantes dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), e, também,
por agentes estatais, independente da função que ocupam, em todas as esferas (União,
Estados, Distrito Federal e Municípios).
• Figuram como elementos para a responsabilização do Estado:
− Prática de um ato ilícito;
− Imputabilidade da obrigação ao Estado;
− Prejuízo causado;
− Ação ou omissão contrária à norma internacional de direitos humanos;
− Nexo de causalidade entre o ato ilícito e o agente causador responsável;
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(i) tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva
ao interesse nacional;
(ii) adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em es-
tado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de
direitos civis;
• Direitos políticos são prerrogativas constitucionais ou direitos públicos subjetivos que
representam a medida de participação dos cidadãos no cenário governamental do Es-
tado, refletindo o modo de atuação da soberania popular prevista no § único do art. 1º
da CF/88;
• Direitos políticos positivos (direitos cívicos) representam o conjunto de normas que as-
seguram a participação do povo no cenário eleitoral do Estado, garantem ao cidadão a
participação no processo político do país. Englobam o direito ao sufrágio ativo (direito
de votar) e o passivo (direito de ser votado), os sistemas eleitorais (nas modalidades
majoritário, proporcional e misto) e o procedimento eleitoral.
• Sufrágio universal: direito de votar e de ser votado, do exercício da capacidade eleitoral
ativa e passiva de forma ampla e irrestrita, observando-se certos requisitos gerais (p.
ex., nacionalidade, idade, capacidade) e requisitos de forma ([Link]., a necessidade de
alistamento eleitoral);
• Quanto ao alistamento eleitoral e o voto, o § 1º do art. 14 da CF/88 prevê que ambos são
OBRIGATÓRIOS para maiores de 18 (dezoito) anos e FACULTATIVOS para analfabetos,
maiores de 70 (setenta) anos e maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito)
anos. A CF/88 ainda prevê no § 2º do art. 14 a impossibilidade de alistamento eleitoral
para estrangeiros e para os conscritos;
• Condições de elegibilidade: (i) a nacionalidade brasileira; (ii) o pleno exercício dos direi-
tos políticos; (iii) o alistamento eleitoral; (iv) o domicílio eleitoral na circunscrição; (v) a
filiação partidária; (vi) a idade mínima de: a) 35 (trinta e cinco) anos para Presidente e
Vice-Presidente da República e Senador; b) 30 (trinta anos) para Governador e Vice-Go-
vernador de Estado e do Distrito Federal; c) 21 (vinte e um) anos para Deputado Federal,
Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) 18 (dezoito) anos
para Vereador.
• A CF/88 traz em seu art. 15 a vedação expressa quanto à cassação dos direitos políti-
cos, podendo haver a perda ou suspensão nos casos de (i) cancelamento da naturaliza-
ção por sentença transitada em julgado; (ii) incapacidade civil absoluta; (iii) condenação
criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; (iv) recusa de cumprir
obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; (v) im-
probidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º, da CF/88.
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sua legislação por meio de reformas constitucionais, garantindo-se a tutela dos direitos huma-
nos no ordenamento interno.
(ii) Controle de convencionalidade nacional: exercido pelo Poder Judiciário no controle na-
cional de supralegalidade ou constitucionalidade, considerando que o ordenamento brasileiro
admite o duplo status dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos, a depen-
der da forma de sua internalização. Constitui-se na verificação pelo Poder Judiciário, dentro
de suas respectivas competências, da compatibilidade das leis internas com as convenções e
tratados internacionais de direitos humanos. Trata-se de um controle de legalidade, supralega-
lidade ou constitucionalidade, a depender da internacionalização do tratado ou da convenção
internacional de direitos humanos.
• A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) representa um ato de organiza-
ção internacional, de modo que prescinde de incorporação ao direito interno, como se
exige para tratados ordinários de direitos humanos;
• Quanto ao seu conteúdo, possui 30 (trinta) artigos inspirados em duas dimensões dos
direitos humanos, com ênfase na universalidade, indivisibilidade e interdependência dos
direitos humanos: (i) Direitos de 1ª dimensão (direitos civis e políticos) materializados
nos artigos I a XXI; (ii) Direitos de 2ª dimensão (direitos econômicos, sociais e culturais)
materializados nos artigos XXII a XXX;
• No tocante à D.U.D.H., cumpre salientar três premissas: (i) a dignidade da pessoa huma-
na é inerente a todos, tendo seu fundamento com base na liberdade, justiça e paz; (ii)
existe uma relação direita entre direitos humanos e construção de uma sociedade justa,
igual, progressista e com melhores condições de vida; (iii) Existe um ideal comum de
direitos humanos para que seja cumprido plenamente por todos;
• Um sistema de justiça criminal humano, justo, efetivo e responsável é baseado no com-
promisso de proteger os direitos humanos na administração da justiça e na prevenção
e controle de crimes, reconhecendo-se o valor e o impacto dos padrões e das normas
da ONU no desenvolvimento e implementação de políticas e programas sobre justiça
criminal e prevenção ao crime.
• As “Regras de Mandela” não buscam regular a gestão de instituições reservadas para jo-
vens em conflito com a lei, tais como as unidades de internação e semiliberdade, poden-
do apenas serem levadas em consideração quanto aos seus aspectos gerais. Uma das
razões para tanto seria o fato de que a categoria de presos juvenis deve compreender
pelo menos todos os jovens que estão sob a jurisdição das cortes juvenis, não cabendo,
em tese, para tais jovens, condenação a penas de reclusão.
• Quanto às regras de aplicação geral, as “Regras de Mandela” apresentam um conjunto
de princípios básicos com destaque para a previsão de que “todos os presos devem ser
tratados com respeito, devido a seu valor e dignidade inerentes ao ser humano”, garan-
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tindo-se que nenhum preso seja submetido a tortura ou tratamentos ou sanções cruéis,
desumanos ou degradantes, não sendo estes atos justificáveis em qualquer circunstân-
cia;
• Tais princípios também se referem à imparcialidade na aplicação das regras, aos ob-
jetivos de uma sentença de encarceramento ou de medida restritiva de liberdade, bem
como às particularidades que envolvem os presos portadores de deficiências físicas,
mentais ou outra incapacidade.
• O Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH 3 está estruturado em 06 (seis) Ei-
xos Orientadores, a saber:
− Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado e sociedade civil;
− Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Humanos;
− Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desigualdades;
− Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência;
− Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos Humanos;
− Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade.
• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo I (Interação democrática entre Estado e
sociedade civil) se justifica em virtude do avanço da democratização do País, notada-
mente com o surgimento e institucionalização de vários movimentos sociais, com cada
vez mais expressão política na sociedade, a ponto de influenciar diretamente a etapa de
elaboração da Constituição Federal de 1988, transformando-se em um dos pilares da
nossa democracia;
• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo II (Desenvolvimento e Direitos Humanos)
se justifica em virtude do tema se mostrar multidisciplinar e bastante debatido, pressu-
pondo que engloba temáticas referentes à livre determinação dos povos, ao reconhe-
cimento de soberania sobre seus recursos e riquezas naturais, ao respeito pleno à sua
identidade cultural e à busca de equidade na distribuição das riquezas;
• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo III (Universalizar direitos em um contexto
de desigualdades) se justifica em virtude da Declaração Universal dos Direitos Huma-
nos afirmar, em seu preâmbulo, que o “reconhecimento da dignidade inerente a todos os
membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da
liberdade, da justiça e da paz no mundo”;
• A estruturação do PNDH-3 com base no Eixo IV (Segurança Pública, Acesso à Justiça e
Combate à Violência) se justifica em virtude das tentativas de reduzir o distanciamento
entre a militância em direitos humanos e as políticas de segurança pública. A intenção
do Programa, nesse sentido, em apertada síntese, é fomentar que as articulações da so-
ciedade civil se aproximem cada vez mais dos debates que envolvam segurança pública;
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Pois bem, fixados esses pontos, seguidos de uma leitura detida dos textos originais dos
instrumentos de proteção dos direitos humanos aqui destacados e do conteúdo da nossa aula,
passamos agora para o nosso bloco de exercícios.
Boa sorte!!!
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b) Os direitos de quarta dimensão, ou direitos de liberdade, têm como titular o indivíduo, são
oponíveis ao Estado, traduzem-se como faculdades ou atributos da pessoa e ostentam uma
subjetividade que é seu traço mais característico, sendo, assim, direitos de resistência ou opo-
sição ao Estado.
c) Os direitos fundamentais da primeira dimensão são marcados pela alteração da sociedade
por profundas mudanças na comunidade internacional, identificando-se consequentes altera-
ções nas relações econômico-sociais, sobretudo na sociedade de massa, fruto do desenvolvi-
mento tecnológico e científico.
d) Os direitos da quinta dimensão são direitos transindividuais que transcendem os interesses
do indivíduo e passam a se preocupar com o gênero humano, com altíssimo teor de humanis-
mo e universalidade, inserindo-se o ser humano em uma coletividade que passa a ter direitos
de solidariedade ou de fraternidade.
e) A evidenciação de direitos sociais, culturais e econômicos, correspondendo aos direitos
de igualdade, sob o prisma substancial, real e material, e não meramente formal, mostra-se
marcante nos documentos pertencentes ao que se convencionou classificar como segunda
dimensão dos direitos humanos.
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I – Nas relações internacionais, a República brasileira rege-se, entre outros, pelos seguintes
princípios: autodeterminação dos povos, defesa da paz, igualdade entre os Estados, conces-
são de asilo político.
II – Os princípios não são dotados de normatividade, ou seja, possuem efeito vinculante, mas
constituem regras jurídicas efetivas.
III – Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer, pois implica
ofensa a todo o sistema de comandos.
IV – São princípios que norteiam a atividade econômica no Brasil: a soberania nacional, a fun-
ção social da propriedade, a livre concorrência, a defesa do consumidor; a propriedade privada.
V – A diferença de salários, de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado
civil a qualquer dos trabalhadores urbanos e rurais fere o princípio da igualdade do caput do
art. 5º da Constituição Federai.
a) Apenas I, II, III estão corretas.
b) Apenas II e IV estão corretas.
c) Apenas III e V estão corretas.
d) Apenas I, III, IV e V estão corretas.
e) Todas as afirmações estão corretas.
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d) excepciona o princípio da irretroatividade da lei penal ao permitir que a lei seja aplicada aos
crimes cometidos anteriormente a sua entrada em vigência, quando for mais benéfica ao réu,
regra essa que incide, inclusive, quando se tratar de crime hediondo.
e) determina que a prática de crime hediondo constitui crime inafiançável e imprescritível.
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versal das políticas públicas e de interação democrática; Integração e ampliação dos sistemas
de informações em Direitos Humanos e construção de mecanismos de avaliação e monitora-
mento de sua efetivação.
d) Democratização e modernização do sistema de segurança pública; Transparência e parti-
cipação popular no sistema de segurança pública e justiça criminal; Prevenção da violência e
da criminalidade e profissionalização da investigação de atos criminosos; Combate à violência
institucional, com ênfase na erradicação da tortura e na redução da letalidade policial e car-
cerária; Garantia dos direitos das vítimas de crimes e de proteção das pessoas ameaçadas;
Modernização da política de execução penal, priorizando a aplicação de penas e medidas al-
ternativas à privação de liberdade e melhoria do sistema penitenciário; Promoção de sistema
de justiça mais acessível, ágil e efetivo, para o conhecimento, a garantia e a defesa de direitos.
e) Efetivação de modelo de desenvolvimento sustentável, com inclusão social e econômica,
ambientalmente equilibrado e tecnologicamente responsável, cultural e regionalmente diverso,
participativo e não discriminatório; Valorização da pessoa humana como sujeito central do
processo de desenvolvimento; Promoção e proteção dos direitos ambientais como Direitos
Humanos, incluindo as gerações futuras como sujeitos de direitos.
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b) Fortalecimento dos princípios da democracia e dos Direitos Humanos nos sistemas de Edu-
cação Básica, nas instituições de Ensino Superior e nas instituições formadoras.
c) Promoção de sistema de justiça mais acessível, ágil e efetivo, para o conhecimento, a ga-
rantia e a defesa de direitos.
d) Reconhecimento da educação não formal como espaço de defesa e promoção dos Direi-
tos Humanos.
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QUESTÕES DE CONCURSO
023. (SOLDADO/SAEB-BA/IBFC/2020) A Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948
foi elaborada pela extinta Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas.
Ela era uma das etapas para uma futura elaboração de um “tratado internacional de direitos
humanos” que acabou não acontecendo por conta da Guerra Fria. Procurou colocar a dignida-
de da pessoa humana como núcleo de todos os direitos humanos. Assim, sobre seu âmbito de
proteção, assinale a alternativa correta.
a) Nem todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa
perante a lei.
b) O exílio é permitido em determinadas situações.
c) Reconhece a possibilidade de a norma retroagir para prejudicar o réu.
d) Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até
que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual
lhe tenha sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
e) A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em
eleições periódicas e legítimas, por sufrágio censitário, por voto secreto ou processo equiva-
lente que assegure a liberdade de voto.
A alternativa “d” diz respeito aos exatos termos do item 1 do Artigo XI da Declaração Universal
dos Direitos Humanos:
Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a
sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe te-
nham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
Letra d.
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A questão, incluindo o gabarito apontado pela banca (alternativa “c”), diz respeito à regra pre-
vista no § 5º do Art. 109 da CF/88:
A alternativa “b” diz respeito à regra incluída pela Emenda Constitucional n. 45/2004 acerca da
incorporação dos tratados internacionais de direitos humanos no ordenamento jurídico brasi-
leiro, expressa no § 3º do Art. 5º da CF/88:
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A alternativa “a” diz respeito ao direito garantido no Artigo V da Declaração Universal dos Direi-
tos Humanos:
Artigo V –Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou
degradantes.
Letra a.
A alternativa “a” traz a expressão “sem qualquer distinção”, idêntica à utilizada na redação do
Artigo VII da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Artigo VII – Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da
lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declara-
ção e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Letra a.
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b) Os termos dos tratados de Direitos Humanos devem ser interpretados de forma autônoma
quanto às definições feitas por instituições nacionais. Isso significa, por exemplo, que se o
tratado internacional traz o termo “propriedade”, a proteção dos Direitos Humanos no plano
internacional pode não seguir necessariamente a exegese interna a respeito do termo, dada
pelo Estado Parte.
c) A metodologia geral da interpretação dos tratados internacionais é aplicável aos tratados de
Direitos Humanos e adota os seguintes critérios: a boa-fé como princípio geral da interpreta-
ção; o teor (interpretação gramatical); o contexto (interpretação sistemática); e o objetivo e a
finalidade (interpretação teleológica).
d) O princípio da efetividade diz que o conteúdo das normas “abertas” dos tratados de Direitos
Humanos deve ser concretizado pelos Estados Partes, não obstante cada aplicador legal, de
acordo com a realidade interna, goze naturalmente da prerrogativa de ponderar, entre duas
ou mais opções de interpretações possíveis, qual o grau a ser nacionalmente adotado para a
promoção prática dos Direitos Humanos no momento da aplicação, legando, nesse contexto,
interpretação mais ampliativa ou mais restritiva.
Considerando que o enunciado busca a alternativa incorreta, a assertiva “d” traz uma interpre-
tação equivocada sobre a efetividade na aplicação dos tratados de direitos humanos, eis que a
atuação do Poder Público deve ser no sentido de garantir a efetivação dos direitos humanos e
das garantias fundamentais, até por mecanismos coercitivos, pois assim prevê a Constituição
Federal, não se satisfazendo tais direitos com o simples reconhecimento abstrato.
Letra d.
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Dentre as alternativas possíveis, a “c” é a que mais deixa claro o comando constitucional da
CF/88 em relação ao princípio da solidariedade e sua relação com o princípio fundamental da
dignidade da pessoa humana (art. 1º, III), bem como com o objetivo fundamental da República
Federativa do Brasil de erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades so-
ciais e regionais (art. 3º, III).
Letra c.
A alternativa “d” é a que mais se aproxima da redação original do Artigo XXIV da Declaração
Universal dos Direitos Humanos:
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho
e a férias remuneradas periódicas.
Letra d.
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a) indenização moral.
b) proteção da lei.
c) manifestar-se publicamente.
d) ressarcimento dos bens.
e) pronunciamento formal.
A alternativa “b” é a que indica exatamente o direito que todo ser humano tem com base no
Artigo XII da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Ninguém será sujeito à interferência em sua vida privada, em sua família, em seu lar ou em sua cor-
respondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei
contra tais interferências ou ataques. (g.n.)
Letra b.
A alternativa “c” é a que complementa o enunciado para formar a redação do Artigo XIX da
Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de,
sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer
meios e independentemente de fronteiras. (g.n.)
Letra c.
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estabelece os direitos que os seres humanos possuem para o desenvolvimento de sua perso-
nalidade e estabelece mecanismos para a proteção de tais direitos (MELLO, 2001).
Desse modo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos busca firmar compromissos entre
as nações pela paz mundial, tendo como principal fundamento:
a) Direitos Sociais.
b) Dignidade da pessoa humana.
c) Respeito e dignidade.
d) Respeito às diferenças sociais, culturais, religiosas, econômicas.
Dentre as alternativas possíveis, a “b” é a que indica a dignidade da pessoa humana, princípio
fundamental da República Federativa do Brasil de grande expressão na Declaração Universal
dos Direitos Humanos.
Letra b.
A alternativa “d” se alinha ao enunciado da questão, que pede a classificação dos direitos hu-
manos de acordo com sua finalidade e, neste sentido, estes direitos podem ser classificados
em “direitos propriamente ditos”, ou seja, dispositivos normativos que visam o reconhecimento
jurídico da dignidade de todos os seres humanos. As demais alternativas dizem respeito, se-
gundo boa parte da doutrina, à classificação dos direitos humanos em relação às suas funções.
Letra d.
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A alternativa “b” é a que reproduz a redação original do item 1 do Artigo II da Declaração Uni-
versal dos Direitos Humanos:
Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Decla-
ração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política
ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Letra b.
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Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros,
serão equivalentes às emendas constitucionais.
Letra d.
A alternativa “b” é a que reproduz a redação original do primeiro trecho do Preâmbulo da Decla-
ração Universal dos Direitos Humanos:
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c) Segundo o Estatuto da Igualdade Racial (Lei n. 12.288/2010), ações afirmativas são progra-
mas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para a correção das
desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de oportunidades.
d) Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não-governamental legalmente reconhe-
cida em um ou mais Estados membros da Organização dos Estados Americanos, pode apre-
sentar à Comissão Interamericana petições que contenham denúncias ou queixas de violação
à Convenção Americana de Direitos Humanos por um Estado Parte.
e) Os direitos humanos caracterizam-se pela existência da proibição de retrocesso, também
chamada de “efeito cliquet”.
A alternativa “b” aborda a teoria crítica dos direitos humanos, proposta por Joaquim Herrera
Flores, que contesta a teoria tradicional dos direitos humanos ao compreender que o mundo
não é estático, que se encontra em constante movimento e transformação, e que, portanto,
não há como se conceber a noção de direitos humanos ou as violações a esses direitos como
algo imutável ou natural, a ser aplicada em todos os contextos sem possibilidade de críticas
ou modificações.
Letra b.
A alternativa “a” é a que indica exatamente o direito que toda criança tem com base no item 2
do Artigo XXV da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Artigo XXV – 2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as
crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social.
Letra a.
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A alternativa “c” é a que demonstra a relação direta entre a escravidão e a Declaração Universal
dos Direitos Humanos que, em seu Artigo IV, apresenta a seguinte redação:
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Letra a.
A alternativa “e” indica exatamente a relação existente entre os Itens II, III e IV, respectivamente,
com os Artigos V, VI e IX da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
V – Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
VI – Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante
a lei.
IX – Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Podemos verificar, ainda, que o Item I traz um erro de redação em relação ao Artigo XIII da De-
claração Universal dos Direitos Humanos:
XIII – Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de
cada Estado. (g.n.)
Letra e.
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c) A vontade do povo será a base da autoridade do governo. Essa vontade será expressa em
eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalen-
te que assegure a liberdade de voto.
d) Todo ser humano vítima de perseguição, ainda que esta seja legitimamente motivada por
crimes de direito comum, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
e) A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crian-
ças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
A alternativa “d” diz respeito ao direito garantido no Artigo XIV da Declaração Universal dos
Direitos Humanos, de que “Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar
e de gozar asilo em outros países”; entretanto, a redação da alternativa se equivoca ao afirmar
que esse direito persiste ainda que a perseguição seja legitimamente motivada por crimes de
direito comum, afirmação contrária à redação do item 2 do Artigo XIV da DUDH:
Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de
direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Letra d.
A alternativa “a” diz respeito ao direito garantido no Artigo XVIII da Declaração Universal dos
Direitos Humanos:
Artigo XVIII – Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião;
este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de
manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo
ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Letra a.
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III – Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
VI – Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante
a lei.
X – Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de
um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento
de qualquer acusação criminal contra ele.;
XI – Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até
que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe
tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. (g.n.);
demonstrando, por fim, que o item IV cria uma condicionante (“dependendo do delito pratica-
do”) não existente no Artigo XI acima mencionado.
Letra a.
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subjugado à tirania e a opressão, o que a Declaração Universal dos Direitos Humanos promove
a respeito dos processos de acusação e julgamento de uma pessoa?
a) Será considerada válida a condenação por ações ou omissões que, no momento da sua
prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional.
b) Qualquer pessoa pode ser condenada por ato delituoso ainda que a sua culpabilidade não
seja legalmente provada no decurso de um processo público.
c) Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua culpabili-
dade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias
necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
d) Em todo caso de penalização mais leve do que a que era aplicável no momento em que o ato
delituoso foi cometido, será considerado temporariamente suspenso o processo julgamento.
A alternativa “c” diz respeito ao direito garantido pelo item 1 do Artigo XI da Declaração Univer-
sal dos Direitos Humanos:
Artigo XI – 1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua cul-
pabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias
necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
Letra c.
A alternativa “d” é a que indica exatamente o direito previsto no item 2 do Artigo XX da De-
claração Universal dos Direitos Humanos: “Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma
associação”.
Letra d.
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c) à propriedade.
d) à vida.
e) de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Fazendo uma leitura por exclusão de todas as alternativas da questão, a alternativa “a” indica
um direito (segurança nacional) não previsto expressamente na Declaração Universal dos Di-
reitos Humanos, conforme se observa, por exemplo, do Artigo III da D.U.D.H.: “Todo ser humano
tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. (g.n.)
Letra a.
A alternativa “d” diz respeito ao item 1 da Regra n. 78 das Regras Mínimas das
Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos (Regras de Mandela):
Regra 78 – 1. Na medida do possível, a equipe prisional deve incluir um número suficiente de espe-
cialistas tais como psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, professores e instrutores técnicos.
Letra d.
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A alternativa “b” é a que indica exatamente o enunciado do Artigo XXIX da Declaração Univer-
sal dos Direitos Humanos:
Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de
sua personalidade é possível.
Letra b.
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A alternativa “c” traz a regra da promulgação, via Decreto Presidencial (art. 84, VIII, CF/88), dos
tratados internacionais de direitos humanos referendados pelo Congresso Nacional (art. 5º, §
3º, CF/88).
Letra c.
§ 6º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura
até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e
projetos culturais, vedada a aplicação desses recursos no pagamento de:
I – despesas com pessoal e encargos sociais; (...).
Certo.
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A alternativa “d” é a que indica exatamente que os Itens I, II e III se referem, respectivamente ao
caput e inciso II, §§5º e 6º, todos do Art. 216 da CF/88:
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, toma-
dos individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
(...)
II – os modos de criar, fazer e viver;
(...)
§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos
antigos quilombos.
§ 6º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura
até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e
projetos culturais, vedada a aplicação desses recursos no pagamento de:
I – despesas com pessoal e encargos sociais;
II – serviço da dívida;
III – qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos ou ações apoia-
dos.
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Letra d.
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A alternativa “d” relaciona as 07 (sete) Diretrizes que compõem o Eixo Orientador IV do Progra-
ma Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3:
A alternativa “e” indica exatamente a falha (“ressalvados os casos legais”) na redação original
do item 2 do Artigo XXIII da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todo ser humano,
sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho”. (g.n.)
Letra e.
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e) reclamação.
A alternativa “b” indica garantia fundamental expressa no inciso LXVIII do artigo 5º da CF/88:
LXVIII – conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
Letra b.
Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de
direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Letra d.
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A alternativa “a” é a que indica exatamente o direito previsto no item 1 do Artigo XIII da Decla-
ração Universal dos Direitos Humanos:
Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada
Estado.
Letra a.
Artigo XI – 1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua cul-
pabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias
necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
Letra d.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela Organização das Nações
Unidas (ONU) em Dezembro de 1948, surge num contexto posterior aos abalos recentes da
Segunda Guerra Mundial e foi esboçada principalmente com o intuito de construir um mundo
sob novos alicerces ideológicos, por dirigentes das nações que emergiram como potências no
período pós-guerra, liderados por Estados Unidos e União Soviética, com vistas a evitar guerras
e promover a paz e a democracia, bem como fortalecer os direitos humanos.
Letra a.
Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que
a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe te-
nham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. (g.n.)
Errado.
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GABARITO
1. C 37. b
2. C 38. b
3. C 39. a
4. e 40. c
5. d 41. a
6. d 42. e
7. c 43. d
8. d 44. a
9. b 45. a
10. d 46. c
11. d 47. d
12. a 48. a
13. b 49. d
14. b 50. b
15. c 51. a
16. b 52. c
17. C 53. C
18. d 54. d
19. d 55. d
20. c 56. e
21. e 57. b
22. d 58. d
23. d 59. a
24. c 60. d
25. b 61. a
26. a 62. E
27. a
28. d
29. c
30. d
31. b
32. c
33. b
34. d
35. b
36. d
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