Estudos em personalidade
Terapia Cognitivo-
Comportamental
Prof. Me. Gabriel Henderson Soares Rolim
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(99) 98164-0251
Terapia Cognitivo-Comportamental
A terapia cognitiva foi desenvolvida por Aaron T.
Beck, na Universidade da Pensilvânia no início da
década de 60.
Psicoterapia breve, estruturada, orientada ao
presente, para depressão, direcionada a resolver
problemas atuais e a modificar os pensamentos e os
comportamentos disfuncionais (Beck, 1964).
Terapia Cognitivo-Comportamental
Beck e outros vêm adaptando com sucesso essa
terapia para um conjunto diverso de populações e
desordens psiquiátricas
Essas adaptações mudaram o foco, a tecnologia e a
duração do tratamento, porém os pressupostos
teóricos em si permaneceram constantes
Terapia Cognitivo-Comportamental
Diversas formas de terapia cognitivo-comportamental foram desenvolvidas por
outros teóricos importantes
Modificação Cognitivo-Comportamental
Terapia dos Esquemas (TE)
Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)
Terapia Comportamental Dialética (TCD)
Terapia Cognitiva
Terapia Racional-Emotiva Comportamental (TREC)
Tratamentos psicológicos sistêmicos da TCC empiricamente investigados –
cada um organizado como uma “escola de pensamento da TCC”
Terapia Cognitivo-Comportamental
A Divisão 12 da American Psychological Association (APA), oficialmente chamada
de Society of Clinical Psychology, é uma das divisões da APA que se concentra
especificamente na psicologia clínica.
Principais Objetivos da Divisão 12:
Promoção da Psicologia Baseada em Evidências
Pesquisa e Desenvolvimento de Técnicas Terapêuticas
Educação e Formação
Publicações Científicas
Terapia Cognitivo-Comportamental
Terapia Cognitivo-Comportamental
A TC de Beck e a TREC de Ellis estabeleceram a estrutura fundamental do
paradigma moderno da TCC.
Terapia Cognitiva e Terapia Cognitiva-Comportamental
A TC se concentra principalmente na mudança de pensamentos
disfuncionais para melhorar as emoções
A TCC vai além ao incluir técnicas comportamentais que ajudam a modificar
tanto os pensamentos quanto os comportamentos
A TCC surge como uma evolução da Terapia Cognitiva
Terapia Cognitivo-Comportamental
Sistema de psicoterapia com uma teoria da
personalidade e da psicopatologia unificadas, apoiadas
por evidências empíricas substanciais.
Tem uma terapia operacionalizada com uma ampla
gama de aplicações também apoiadas por dados
empíricos, que são prontamente derivados da teoria.
Terapia Cognitivo-Comportamental
A terapia cognitiva foi extensamente testada desde a publicação do primeiro
estudo de resultado, em 1977.
Transtorno depressivo maior (Dobson, 1989)
Transtorno de ansiedade generalizada (Butler et al., 1991)
Transtorno de pânico (Barlow, Craske, Cerney & Klosko, 1989)
Fobia social (Gelernter et al., 1991)
Abuso de substância (Woody et al., 1983)
Transtornos alimentares (Agras et al., 1992)
Problemas de casais (Baucom, Sayers & Scher, 1990)
Depressão de pacientes internados (Bowers, 1990)
Terapia Cognitivo-Comportamental
A terapia cognitiva está correntemente sendo aplicada no mundo inteiro como o
único tratamento ou como um tratamento adjuntivo para outros transtornos
Transtorno obsessivo-compulsivo (Salkovskis & Kirk, 1989)
Transtorno de estresse pós-traumático (Dancu & Foa 1992)
Transtornos de personalidade (Beck et al., 1990)
Dor crônica (Miller, 1991)
Hipocondríase (Warwick & Salkovskis, 1989)
Esquizofrenia (Chadwick & Lowe, 1990)
Terapia Cognitivo-Comportamental
A terapia cognitiva para populações diferentes de pacientes psiquiátricos está
sendo estudada:
Internos em prisões
Crianças escolares
Pacientes médicos com uma ampla variedade de doenças
Persons, Burns e Perloff (1988) verificaram que a terapia cognitiva é efetiva para
pacientes com diferentes níveis de educação, renda e background
Idade pré-escolar
Idosos
Terapia familiar
Terapia de grupos
Terapia Cognitivo-Comportamental
Com tantas aplicações, como a terapia cognitiva permanece reconhecível?
Em todas as formas de TC, o tratamento baseia-se em uma formulação
cognitiva de um transtorno específico.
Aplicação à conceituação ou entendimento do paciente individual.
O terapeuta busca, de uma variedade de formas, produzir a mudança cognitiva
Mudanças no pensamento e no sistema de crenças do paciente, visando
promover mudança emocional e comportamental duradoura.
Terapia Cognitivo-Comportamental
TERAPEUTA: Ok, Sally, você disse que desejava conversar sobre o problema de
encontrar um emprego de meio período?
PACIENTE: É. Eu preciso do dinheiro... mas eu não sei.
T: (Percebendo que a paciente parece mais disfórica.) O que está passando pela
sua mente agora?
P: Que eu não serei capaz de dar conta de um emprego.
T: E como isso a faz sentir-se?
P: Triste. Realmente para baixo.
T: Então você tem o pensamento “Eu não serei capaz de dar conta de um
emprego” e esse pensamento a faz ficar triste. Quais são as evidências de que
você não seria capaz de trabalhar?
P: Bem, eu estou tendo problemas simplesmente em assistir às minhas aulas até
o fim.
Terapia Cognitivo-Comportamental
T: Ok. O que mais?
P: Eu não sei... Eu ainda estou tão cansada. É difícil me fazer até mesmo sair para
procurar um emprego, quanto mais para ir ao trabalho todos os dias.
T: Daqui há pouco, nós examinaremos isso. Talvez seja em realidade mais difícil
para você, neste momento, sair e investigar empregos do que seria para você ir
para um emprego que você já tivesse conseguido. De qualquer modo, há alguma
outra evidência de que você não poderia lidar com um emprego, supondo que
você conseguisse encontrar um?
P: ... Não que eu me lembre.
T: Qualquer evidência do outro lado? De que você poderia ser capaz de lidar
com um emprego?
P: Na verdade, eu trabalhei no ano passado. E isso foi além da escola e de
outras atividades. Mas este ano... eu simplesmente não sei.
Terapia Cognitivo-Comportamental
T: Há qualquer outra evidência de que você poderia lidar com um emprego?
P: Não sei... E possível que eu pudesse fazer algo que não exigisse tanto tempo.
E que não fosse difícil demais.
T: O que isso poderia ser?
P: Um emprego em vendas, talvez. Eu fiz isso no ano passado.
T: Alguma idéia de onde você poderia trabalhar?
P: Talvez na livraria da universidade. Eu vi um anúncio de que eles estão
precisando de balconistas.
T: Ok. E qual seria a pior coisa que poderia acontecer se você de fato
conseguisse um emprego na livraria?
P: Eu acho que se eu não pudesse dar conta dele.
T: E você acha que sobreviveria a isso?
P: Claro. Eu acho que simplesmente desistiria.
Terapia Cognitivo-Comportamental
T: E o que seria o melhor que poderia acontecer?
P: Ahn... que eu fosse capaz de trabalhar com facilidade.
T: E qual é o resultado mais realista?
P: Provavelmente não seria fácil, especialmente no começo. Mas eu poderia ser
capaz de dar conta.
T: Qual é o efeito de acreditar nesse pensamento original: “Eu não serei capaz
de dar conta de um emprego”?
P: Faz-me ficar triste... Faz-me nem mesmo tentar.
T: E qual é o efeito de mudar o seu pensamento, de perceber que
possivelmente você poderia trabalhar na livraria?
P: Eu me sentiria melhor. Eu seria mais propensa a me candidatar para o
emprego.
T: Então, o que você deseja fazer em relação a isso?
Terapia Cognitivo-Comportamental
P: Ir à livraria. Eu poderia ir hoje à tarde.
T: Quão propensa você está a ir?
P: Oh, eu acho que eu irei. Eu irei.
T: E como você se sente agora?
P: Um pouquinho melhor. Um pouco mais nervosa, talvez. Mas um pouco mais
esperançosa, eu acho.
Terapia Cognitivo-Comportamental
Embora a terapia deva ser talhada para o indivíduo, não obstante há
determinados princípios que estão por trás da terapia cognitiva para todos os
pacientes.
10 Princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental
Refletem os fundamentos da abordagem terapêutica e guiam o processo de
tratamento.
Ajudam a estruturar a intervenção e a focar nos principais aspectos da
mudança cognitiva e comportamental.
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 1. A terapia cognitiva se baseia em uma formulação em contínuo
desenvolvimento do paciente e de seus problemas em termos cognitivos.
O terapeuta baseia sua formulação nos dados que o paciente fornece em
seu primeiro encontro e continua a refinar essa conceituação ao longo da
terapia, à medida que mais dados são obtidos.
Contínua conceituação cogntiva
Identificação do pensamento atual do paciente
Identificação dos comportamentos problemáticos
Identificação dos fatores precipitantes
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 2. A terapia cognitiva requer uma aliança terapêutica segura
Cordialidade, empatia, atenção, respeito genuíno e competência
Estabelecer uma relação de confiança
Investigar a reação do cliente ao plano de tratamento
Tomar decisões colaborativas sobre o tratamento
Dar justificativas para as intervenções
Pedir feedback durante e no final das sessões
Trabalhar para atingir, e fazer o paciente reconhecer o seu progresso
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 3. A terapia cognitiva enfatiza colaboração e participação ativa
Terapia como um trabalho em equipe
Terapeuta e cliente decidem juntos o que trabalhar em cada sessão, a
frequência com que deveriam encontrar-se, entre outras coisas.
Inicialmente o terapeuta é mais diretivo, e com o avanço da relação
terapeutica, o cliente é encorajada a participar mais ativamente
O cliente é um participante ativo no processo, realizando tarefas, mantendo
registros e praticando as técnicas discutidas nas sessões.
Paciente como seu próprio terapeuta
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 4. A terapia cognitiva é orientada em meta e focalizada em
problemas
Enumeração dos problemas e metas específicas
Problema (Sentir-se isolada), Meta (iniciar amizades novas)
O terapeuta presta atenção particular aos obstáculos que impedem o
paciente de resolver problemas e atingir metas por si mesmo
O terapeuta a ajuda a avaliar e responder a pensamentos que interferem
em sua meta (“Eu não tenho nada a oferecer a ninguém")
O terapeuta precisa conceituar as dificuldades do paciente específico e
avaliar o nível apropriado de intervenção.
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 5. A terapia cognitiva inicialmente enfatiza o presente
O tratamento dos pacientes envolve um forte foco sobre problemas atuais e
sobre situações específicas que são aflitivas para o paciente.
Resolução e/ou uma avaliação mais realista das situações que são, no
momento, aflitivas usualmente conduzem à redução de sintomas.
A atenção volta-se para o passado em três circunstâncias:
Quando o paciente expressa uma forte predileção a fazer isso;
Quando o trabalho voltado em direção a problemas atuais produz pouca
ou nenhuma mudança cognitiva, comportamental e emocional
Quando o terapeuta julga que é importante entender como e quando
idéias disfuncionais se originaram
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 6. A terapia cognitiva é educativa, visa ensinar o paciente a ser
seu próprio terapeuta e enfatiza prevenção da recaída
O terapeuta não apenas ajuda a estabelecer metas, identificar e avaliar
pensamentos e crenças e planejar mudança comportamental, mas também
ensina como fazer isso.
Psicoeducação
A TCC envolve a educação do cliente sobre o modelo cognitivo, os
sintomas e os processos psicológicos que influenciam seu bem-estar.
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 7. A terapia cognitiva visa ter um tempo limitado
A TCC é uma terapia geralmente tempo-limitada, com duração específica.
O grande corpo de literatura disponível nos permite estimar a quantidade
de sessões.
Sessões semanais, quinzenais, mensais e ao término do tratamento, é
possível fazer "sessões de encorajamento" a cada 3 meses.
Prevenção da recaída.
Apesar da duração limitada, o foco é no bem-estar do paciente.
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 8. As sessões de terapia cognitiva são estruturadas.
Não importa qual o diagnóstico ou estágio do tratamento, o terapeuta
cognitivo tende a aderir a uma estrutura estabelecida em cada sessão.
Em cada sessão:
O terapeuta verifica o humor do paciente
Solicita uma breve revisão da semana
Obtém feedback sobre a sessão anterior
Revisa a tarefa de casa
Estabelece nova tarefa para casa
Busca feedback no final de cada sessão
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 9. A terapia cognitiva ensina os pacientes a identificar, avaliar e
responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais
Focalizar um problema específico
Identifica seu pensamento disfuncional
Avalia a validade do seu pensamento
Projetar um plano de ação
Questionamento socrático
Empiricismo colaborativo
Descoberta orientada
Terapia Cognitivo-Comportamental
Princípio Nº 10. A terapia cognitiva utiliza uma variedade de técnicas para
mudar pensamento, humor e comportamento
A TCC emprega uma variedade de técnicas cognitivas (reestruturação
cognitiva, questionamento socrático) e técnicas comportamentais
(exposição, ativação comportamental, experimentos comportamentais)
O terapeuta seleciona técnicas com base em sua formulação de caso e seus
objetivos em sessões específicas.
Terapia Cognitivo-Comportamental
A ênfase no tratamento depende do transtorno(s) particular do paciente
No transtorno de ansiedade generalizada enfatiza a reavaliação de risco em
situações particulares e os recursos da pessoa para lidar com ameaça.
Tratamento para transtornos de pânico envolve a testagem das
interpretações errôneas catastróficas do paciente
Anorexia requer uma modificação de crenças sobre valor pessoal e controle
O tratamento para abuso de substância foca-se em crenças negativas sobre
o eu e crenças facilitadoras ou permissivas em relação ao uso de substância
Terapia Cognitivo-Comportamental
A pergunta fundamental da terapia cognitiva:
O que estava passando pela minha cabeça
nesse momento?
Quando você perceber que o seu humor mudou ou intensificou em uma
direção negativa, ou quando você perceber sensações corporais associadas
a afeto negativo, pergunte a si mesmo que emoção você está
experimentando e o que você está pensando.
Terapia Cognitivo-Comportamental
Lendo um livro e sentindo-se aflito
“Isso é difícil demais.”
“Eu posso não ser capaz de dominar isso.”
“Isso não me parece confortável.”
“E se eu tentar e não funcionar?”
Conceituação cognitiva
Terapia Cognitivo-Comportamental
Uma conceituação cognitiva fornece a estrutura para o entendimento de um
paciente pelo terapeuta
Qual é o diagnóstico do paciente?
Quais são seus problemas atuais, como esses problemas se desenvolveram e
como eles são mantidos?
Que pensamentos e crenças disfuncionais estão associados aos problemas;
quais reações (emocionais, fisiológicas e comportamentais) estão associadas
ao seu pensamento?
Terapia Cognitivo-Comportamental
Que aprendizagens e experiências antigas (e talvez predisposições genéticas)
contribuem para seus problemas hoje?
Quais são suas crenças subjacentes (incluindo atitudes, expectativas e regras) e
pensamentos?
Como ele enfrentou suas crenças disfuncionais? Que mecanismos cognitivos,
afetivos e comportamentais, positivos e negativos, ele desenvolveu para
enfrentar suas crenças disfuncionais? Como ele via (e vê) ele mesmo, os outros,
seu mundo pessoal, seu futuro?
Que estressores contribuíram para seus problemas psicológicos ou interferiram
em sua habilidade para resolver esses problemas?
O modelo cognitivo
Modelo cognitivo - As emoções e comportamentos
das pessoas são influenciados por sua percepção dos
eventos
Não é uma situação por si só que determina o que as
pessoas sentem, mas, antes, o modo como elas
interpretam uma situação
O modelo cognitivo
O modelo cognitivo destaca a interconexão entre três
componentes principais:
Pensamentos: As interpretações ou significados que
atribuímos a eventos e situações
Emoções: As respostas emocionais que surgem como
resultado de nossas cognições
Comportamentos: As ações ou reações que temos em
resposta às emoções e cognições.
O modelo cognitivo
Os pensamentos influenciam as emoções, que, por sua vez,
influenciam os comportamentos.
Evento: Você passa por um colega no trabalho, e ele não te
cumprimenta.
Pensamento Automático: “Ele não gosta de mim.”
Emoção: Tristeza ou frustração.
Comportamento: Você começa a evitar essa pessoa, o que
pode piorar a relação.
O modelo cognitivo
Situação da leitura de um livro de terapia cognitiva
O leitor A pensa: “Ei, isso realmente faz sentido. Finalmente,
um livro que realmente vai ensinar-me a ser um bom
terapeuta.” O leitor A se sente moderadamente
entusiasmado.
O leitor B, pensa: “Essa coisa é muito simplista. Isso nunca
funcionará”, e se sente decepcionado.
O modelo cognitivo
Situação da leitura de um livro de terapia cognitiva
O leitor C tem os seguintes pensamentos: “Este livro não é
o que eu esperava. Que desperdício de dinheiro.” O leitor C
está aborrecido.
O leitor D pensa: “Eu realmente preciso aprender tudo isso.
E se eu não entender? E se eu nunca ficar bom nisso?”, e
se sente ansioso.
O modelo cognitivo
Situação da leitura de um livro de terapia cognitiva
O leitor E tem pensamentos diferentes: “Isso é
simplesmente difícil demais. Eu sou tão burro! Eu jamais
dominarei isso. Eu jamais conseguirei ser um terapeuta.” O
leitor E se sente triste.
O modelo cognitivo
A situação em si não determina diretamente como eles sentem; sua resposta
emocional é intermediada por sua percepção da situação.
Pensamentos automáticos - São pensamentos rápidos, espontâneos e
geralmente fora de nossa consciência plena, que surgem em resposta a
eventos específicos. Eles podem ser realistas ou distorcidos.
Você pode aprender a identificar seus pensamentos automáticos prestando
atenção às suas mudanças de afeto
Em termos cognitivos, quando pensamentos disfuncionais são sujeitos à
reflexão racional, nossas emoções em geral mudam
O modelo cognitivo
Porém, de onde os pensamentos automáticos surgem?
O que faz uma pessoa interpretar uma situação
diferentemente de uma outra?
Por que a mesma pessoa pode interpretar um evento
idêntico de forma diferente em um momento e em outro?
O modelo cognitivo
Começando na infância, as pessoas desenvolvem determinadas crenças sobre
si mesmas, outras pessoas e seus mundos
Eu
Crenças
Os outros O mundo
O modelo cognitivo
Crenças centrais - São entendimentos que são tão fundamentais e profundos
que as pessoas frequentemente não os articulam, sequer para si mesmas.
Essas idéias são consideradas pela pessoa como verdades absolutas,
exatamente o modo como as coisas “são”.
As crenças centrais são o nível mais fundamental de crença; elas são globais,
rígidas e supergeneralizadas.
Por exemplo, o leitor E, que pensava ser burro demais para dominar este texto,
poderia ter a crença central “Eu sou incompetente”
O modelo cognitivo
O leitor E não considerou que outras pessoas competentes e
inteligentes poderiam não entender completamente o
material em uma primeira leitura.
Nem ele considerou a possibilidade de que o autor não
apresentou bem o material.
Ele não reconheceu que sua dificuldade de compreensão
poderia ser devido a uma falta de concentração em vez de a
uma falta de potência cerebral
O modelo cognitivo
As crenças centrais influenciam o desenvolvimento de uma classe intermediária
de crenças que consiste em atitudes, regras e suposições
Crenças intermediárias - Regulam como as crenças centrais se manifestam no
cotidiano e influenciam a forma como reagimos a diferentes situações.
Essas crenças influenciam sua visão de uma situação, o que, por sua vez,
influencia como ele pensa, sente e se comporta.
O modelo cognitivo
Atitudes: São opiniões ou julgamentos gerais que temos sobre nós mesmos, os
outros e o mundo. Elas são mais específicas do que as crenças centrais.
"Eu preciso sempre ser aceito pelos outros"
Regras: São orientações ou normas que seguimos, muitas vezes de maneira
rígida, para evitar resultados negativos ou para conseguir aprovação e sucesso
"Eu devo ser perfeito em tudo o que faço"
Suposições: São previsões ou expectativas sobre o que vai acontecer em
diferentes situações, baseadas em nossas crenças e experiências passadas
"Se eu cometer um erro, as pessoas vão me rejeitar."
O modelo cognitivo
O leitor E, por exemplo, tinha as seguintes crenças
intermediárias:
Atitude: “É horrível ser incompetente.”
Regras/expectativas: “Eu devo trabalhar o mais
arduamente que puder o tempo todo.”
Suposição: “Se eu trabalhar o mais arduamente que puder,
posso ser capaz de fazer algumas coisas que as outras
pessoas fazem facilmente.”
O modelo cognitivo
O modelo cognitivo
A trajetória usual do tratamento, na terapia cognitiva, envolve uma ênfase inicial
sobre pensamentos automáticos, as cognições mais próximas à percepção
consciente.
O terapeuta ensina o paciente a identificar, avaliar e modificar seus
pensamentos, a fim de produzir alívio de sintomas.
Crenças relevantes de nível intermediário e crenças centrais são avaliadas de
vários modos e subsequentemente modificadas para que as conclusões dos
pacientes sobre eventos e percepções de eventos mudem
O modelo cognitivo
O modelo cognitivo
Por exemplo, se um paciente for autocentrado em decorrência da experiência
de vida em sua família de origem, sua crença pode ser: “Eu sou especial”.
A questão-chave não é a ideia de ser especial, mas como ele completa a frase
“Eu sou especial (portanto, os outros devem me dar tudo o que eu pedir).”
“Eu sou especial (e sempre tenho que fazer coisas para os outros para manter
meu status de especial).”
“Eu sou especial (e quem não reconhecer e concordar deve ser punido).”
O enfoque em alterar a ideia inicial de ser especial pode ser uma meta infrutífera
Personalidade
Personalidade
Esquemas - Refere-se a estruturas cognitivas profundas que organizam e
moldam a maneira como uma pessoa percebe, interpreta e reage às
experiências do mundo ao seu redor.
Esquema de desamparo Esquema de Inadequação
Crenças centrais Crenças centrais
Eu sou fraco Eu sou incompetente
Eu não consigo fazer Eu sou um fracasso
nada sozinho Eu nunca vou conseguir nada
Eu sempre falho
Personalidade
Esquemas se formam ao longo da vida, muitas vezes a partir de experiências
precoces, e podem ser ativados automaticamente em diversas situações
Beck afirma que os esquemas são estruturas relativamente estáveis que
constituem basicamente a personalidade dos indivíduos
Esquemas tendem a se perpetuar porque influenciam a forma como as pessoas
processam informações, levando-as a interpretar novas experiências de
maneiras que reforçam o esquema existente
Os esquemas podem ser de natureza positiva ou negativa
Em outras palavras, os esquemas são como molduras cognitivas
Personalidade
Esquemas como uma casa
Personalidade
A definição cognitiva de personalidade inclui processos esquemáticos individuais,
que teoricamente determinam a operação dos principais sistemas de análise
psicológica (p. ex., motivação, cognição, emoção, etc). A perspectiva cognitiva
enfatizaria padrões característicos do desenvolvimento e diferenciação de uma
pessoa e sua adaptação a ambientes sociais e biológicos. Estes padrões são
compostos de organizações de esquemas relativamente estáveis, que respondem
pela estabilidade de sistemas cognitivos, afetivos, e comportamentais através do
tempo. Estes sistemas de esquemas especializados são conceitualizados como os
componentes básicos da personalidade. (Beck, A. T. & Alford, 2000, p. 33).
Personalidade
Para a perspectiva cognitiva a definição de personalidade está
vinculada basicamente aos processos esquemáticos que vão
direcionar o funcionamento psicológico como um todo.
Os esquemas também são responsáveis pela estabilidade do
padrão de personalidade, ou seja, do padrão de
processamento das informações.
Personalidade
Personalidade - Um constructo composto que representa a soma total das
ações, dos processos de pensamento, das reações emocionais, e das
necessidades motivacionais da pessoa, através dos quais ela, como organismo
biológico geneticamente programado, interage com seu ambiente,
influenciando-o e sendo influenciada por ele. (Ross, citado por Beck, A. T., &
Alford, 2000, p. 32).
Personalidade
Os traços de personalidade são entendidos, na teoria cognitiva, como
expressões dos padrões comportamentais, ou seja, das estratégias
desenvolvidas para lidar com as situações que, por sua vez, são realizados
pelas funções de um conjunto de esquemas básicos que atribuem significado
aos eventos.
“Dependente”, Extrovertido”, “Agressivo, “Tímido”
Conjuntos organizados de estruturas cognitivas denominadas “esquemas”,
onde estariam contidas as crenças e as funções de selecionar, sintetizar e
atribuir significado às situações