HELMINTOS
Os helmintos se caracterizam por apresentar um grande grupo de organismos parasitas
conhecidos como vermes. são animais metazoários muitos dos quais parasitos que vivem
em várias partes do corpo humano.
Aspecto morfológicos – possuem tamanhos variados (1mm até maior que 1 m),
fusiformes e alongados, possuem boca e ânus.
Troca gasosa – são destituídos de sistema circulatório e respiratório, as trocas
acontece através de difusão, nas espécies de vida livre são aeróbicos, já nos parasitas são
anaeróbicos.
Mecanismo de reprodução – são seres dioicos (possuem indivíduos do sexo
masculino e do sexo feminino), hermafrodita (podendo ou não fazer a autofecundação),
com exceção do Strongyloides. São monóxenos, ou seja, parasitas que realizam seu ciclo
de vida (reprodução e desenvolvimento) em um único hospedeiro.
Classificação – os helmintos podem-se classificar em três grandes grupos:
1. Nematódios, ou vermes cilíndricos;
2. Cestóides, ou vermes chatos;
3. Trematódeos, providos de ventosas.
Principais doenças causadas por helmintos:
1. Ascaridíase:
Agente etiológico – Ascaris lumbricoide, o macho mede cerca de 20 a 30 cm é mais
delgado e possui uma curvatura no final de sua calda para facilitar a cópula, a fêmea mede
cerca de 30 a 40 cm e apresenta maior espessura que o macho, ambos apresentam uma
cor de aspecto leitoso. Habitam o intestino delgado de seus hospedeiros principalmente a
porção do jejuno e do íleo.
Transmissão – se dá pela via fecal-oral, através de alimentos e água contaminada,
podendo ter também, a auto contaminação, após a ingestão dos ovos estes liberam as
larvas que migram para o intestino onde através da parede intestinal caem na corrente
sanguínea e percorrem vários órgãos como o fígado, coração, pulmões, traqueia, faringe
esôfago estômago e por fim retornam ao intestino; durante este percurso as larvas sofrem
transformações e amadurecem, se transformando em vermes adultos; onde copulam e a
fêmea realiza a postura de uma grande quantidade de ovos e reinicia o ciclo.
Sintomas – broncopneumonia, tosse, febre, falta de ar; durante a fase adulta dos
vermes, em pequena parasitemia, pode não apresentar sintomas; mas quando a infecção
é maciça pode ocorrer dores abdominais, febre, êmese, alterações intestinais, obstrução
intestinal.
Diagnóstico – exame de fezes.
Tratamento – anti-helmínticos específicos.
Profilaxia – saneamento básico, higiene adequada dos alimentos, tratamento da
água e educação em saúde.
2. Enterobíase ou Oxiurose:
Agente etiológico – Enteróbios vermiculares, possui
aparência pequena, delgada e de cor branca (grão de arroz), a
fêmea mede cerca de 1 cm e o macho 5 mm e apresenta uma
curvatura na porção terminal; habitam o apêndice vermiforme e o
ceco no intestino grosso.
Transmissão – pela via fecal-oral, através de alimentos e
água contaminada e pela autoinfecção. Após a ingestão dos ovos férteis os mesmos se
rompem a nível de intestino delgado liberando as larvas que migram para o ceco; onde se
tornam vermes adultos, acasalam e a fêmea grávida migra para o ânus onde realiza a
postura, o que provoca um grande prurido recomeçando o ciclo.
Sintomas – prurido anal noturno, insônia, nervosismo, nas mulheres o verme pode
ascender pela vagina provocando inflamações na tuba uterina e nos ovários.
Diagnóstico – através do quadro clínico, coleta dos ovos na região perianal com
auxílio de fita gomada e exames de fezes.
Tratamento – medicamentos antiparasitário
Profilaxia – o uso de roupas dificultam a contaminação das mãos; lavar as mãos
corretamente quando acordarem, antes das refeições e sobretudo não levar a mão a boca;
manter as unhas sempre aparadas; trocar diariamente a roupa de cama e íntima; ferver as
roupas durante a lavagem; manter a higiene pessoal e alimentar; saneamento básico e
água tratada.
3. Teníase:
Agente etiológico – Taenia solium, adquirida
através da carne do porco contaminada e a Taenia
saginata, através da carne de boi contaminada,
ambas contaminada pela forma larval denominada
de cisticerco. Popularmente conhecida como
solitária, este verme possui uma divisão do corpo
que consiste em escólex, colo e ploglotides. E a
diferenças morfológicas entre as espécies estão
descritas no quadro abaixo.
Transmissão – Quando no interior do
hospedeiro o verme libera os ploglotides grávidos, que ao chegarem no meio externo,
liberam os ovos, que irão infectar o hospedeiro intermediário (porco ou o boi), chegando ao
intestino deste as larvas passam para corrente sanguínea pela parede intestinal e se
implantam nas fibras musculares, onde desenvolve a forma de cisticerco; quando o homem
ingere a carne crua ou malpassada destes animais contaminados o ciclo recomeça.
Sintomas – geralmente é assintomático, no entanto podem surgir: desconforto
estomacal, diarreia, polifagia, náuseas, êmeses e reações alérgicas.
Se o homem ingerir o ovo da Taenia solium, ele passa a ser o hospedeiro
intermediário, onde os ovos evoluem para forma de cisticerco na musculatura, sistema
nervoso ou no sistema ocular, desenvolvendo a forma mais grave da doença conhecida
como cisticercose. Os sintomas podem ocorrer meses ou anos após a contaminação;
Dentre eles podemos citar: dores de cabeça frequentes, convulsões, transtornos de visão,
alterações psiquiátricas, vômitos, infecções na coluna, demência e perda da consciência. A
maioria das pessoas com cisticercose nos músculos não apresenta sintomas.
Diagnóstico – exame de fezes em dias alternados. No caso da cisticercose o
diagnóstico é feito através de imagem.
Tratamento – medicamentos antiparasitário, podendo associar com anti-inflamatório,
e nos casos de cisticercose, há casos de necessidade de extirpar a área contaminada
através de cirurgia.
4. Ancilostomose, Necatoríase ou Amarelão:
Agente etiológico – Ancylostoma duodenale e o Necator americanus. Estes vermes
são pequenos e medem aproximadamente 1 cm a 1,5 cm; são vermes filiformes, com
extremidades em forma de gancho.
Transmissão – a transmissão pode ocorrer através do contato direto das larvas com
a pele humana, principalmente na região dos pés, pernas, nádegas e mãos; mas também
é transmitida de modo passivo, através de água e alimentos contaminados. As formas
adultas dos vermes vivem no intestino delgado da pessoa infectada, onde machos e
fêmeas copulam e dão origem aos ovos que são eliminados com as fezes. Caso as fezes
entrem em contato com o solo e encontrem condições adequadas, como elevada umidade
e temperatura, os ovos eclodem e liberam pequenas larvas. Estas podem viver até 7 dias
no ambiente, quando amadurecem e são capazes de infectar um hospedeiro. As larvas
atravessam a pele e entram na corrente sanguínea, até chegar aos pulmões, onde
perfuram os alvéolos e sobem pela traqueia. Daí passam a faringe, são engolidas e
chegam aos intestinos. No intestino delgado se estabelecem definitivamente e atingem a
maturidade sexual.
Sintomas – palidez, desânimo, dificuldade de raciocínio, cansaço e fraqueza,
provenientes da falta de ferro (anemia) no organismo, mas também podem aparecer
sintomas como dores musculares, abdominais e de cabeça, hipertensão, tonturas; perda
de peso e lesões pulmonares.
Diagnóstico – exames de fezes.
Tratamento – medicamentos antiparasitário.
Profilaxia – medidas de saneamento básico, o uso de calçados, atenção ao local de
brincadeira de criança.
5. Filariose ou Elefantíase:
Agente etiológico – Wuchereria bancrofti,é um nemátode (filária) que vive nos vasos
linfáticos dos indivíduos infectados. É conhecida também como filariose de Bancrofti ou
elefantíase.
Vetor – mosquito do gênero Culex quiquefasciatus, popularmente conhecido como
pernilongo ou muriçoca.
Transmissão – Sua transmissão ocorre pela picada do mosquito vetor, que transmite
o parasita causador da doença de pessoa a pessoa.
Sintomas – Na fase aguda, os principais sintomas desta doença são: inflamação no
sistema linfático, febre, dores de cabeça, mal-estar, etc. Meses, ou anos depois (quando a
doença já se tornou crônica) podem surgir outros sintomas como: inchaço de membros
(mamas no caso das mulheres e testículos no caso dos homens), doenças infecciosas na
pele e quiluria (gordura na urina). Em sua forma mais grave pode ocorrer aumento
excessivo do tamanho dos membros (elefantíase).
Diagnóstico – exames de sangue, biópsia dos gânglios infectados (linfocitilografia).
Tratamento – é feito conforme a manifestação clínica e o grau de lesão provocada
pelo parasita.
Profilaxia – Combate ao vetor.
6. Estrongiloidíase:
Agente etiológico – Strongyloides stercoralis, estes nemátodes podem viver
indefinidamente no solo como formas livres, possui corpo cilíndrico, filiforme,
esbranquiçada, com as extremidades afiladas, medem cerca de 3 mm. Só fêmeas podem
ser parasitas, os machos vivem sempre livres no solo, alimentando-se de detritos
orgânicos por toda a vida. No ciclo parasitário, as fêmeas reproduzem-se assexuadamente
por partenogénese (põem ovos-clones, todos do sexo feminino, sem fecundação
por espermatozóide); enquanto as formas livres são de reprodução sexual. Apresentam a
seguinte morfologia: larva rabditoide, larva filarióide e vermes adultos macho e fêmeas.
Transmissão – acontece pela penetração das larvas filarióides na pele (geralmente
nas áreas da pele mais fina dos pés), ingestão de alimentos contaminados por larvas,
autoinfestação interna (mudança das larvas rabditóides para filarióides na região perianal
infestando o hospedeiro). Vermes adultos vivem na mucosa e na submucosa do duodeno e
do jejuno. Ovos liberados eclodem no lúmen do intestino, liberando larvas rabditiformes. A
maioria dessas larvas é excretada nas fezes. Depois de alguns dias na terra, evoluem para
larvas filariformes infecciosas, onde vão infectar um hospedeiro, passam para a circulação
sanguínea, vão para os pulmões, penetram nos capilares pulmonares, sobem pela árvore
respiratória, são engolidos e alcançam o intestino, no qual amadurecem.
Sintomas – na pele, manchas vermelhas, coceira e edema; no pulmão as larvas
perfuram os alvéolos podendo provocar hemorragia tosse seca, dispneia e crise de asma;
no intestino pode provocar enterite, diarreia, flatulência, dor abdominal, náuseas e êmese;
provocando anemia, desidratação e subnutrição.
Diagnóstico – exame de fezes.
Tratamento – medicamentos antiparasitário.
Profilaxia – Não andar descalço, principalmente em chão com areia e lama; lavar
bem os alimentos antes de comer; lavar as mãos após ir ao banheiro.
7. Tricocefalose ou Tricuríase:
Agente etiológico – Trichuris trichiura é um verme fusiforme
nematoide, Os vermes adultos são dioicos, com dimorfismo sexual:
os machos tem em torno de 2,5 a 4 cm, as fêmeas são maiores que
os machos, em torno de 4 a 5 cm. Os ovos têm forma de limões ou
barril, cerca de 45 a 65 micrómetros de comprimento por 20 a 25
micrómetros de largura, e massa mucoide transparente nas duas
extremidades (opérculos polares).
Transmissão – é transmitido através de alimentos e água
contaminados por ovos embrionados, muitas vezes, esses ovos estão no solo em áreas
onde as pessoas defecam ao ar livre e onde fezes humanas não tratadas são utilizadas
como fertilizante. Esses ovos podem permanecer no solo por muito tempo, uma vez
introduzido no homem, as larvas eclodem e permanecem na última porção do intestino
delgado até o intestino grosso, onde a fêmea adulta passa a pôr 3.000 ovos diários, onde
serão excretados junto com as fezes e o ciclo recomeça.
Sintomas – Cólicas abdominais, úlceras,
anemia, diarreia crônica, náuseas, êmese,
desnutrição, irritabilidade, insônia, sangramento retal e
prolapso retal um sinal físico comum é o
baqueteamento digital.
Diagnóstico – exame de fezes.
Tratamento – medicamentos antiparasitário
Profilaxia – não utilizar fezes humanas como
fertilizante, lavar bem os alimentos, saneamento
básico e lavar bem as mãos.
8 – Esquistossomose ou Barriga D’água:
Agente etiológico – causada pelo trematódeo Schistosoma mansoni que infecta o
trato urinário e o intestinal.
Transmissão – O Indivíduo infectado elimina os ovos do verme por meio das fezes
humanas. Em contato com a água, os ovos eclodem e liberam larvas que infectam
os caramujos, hospedeiros intermediários que vivem nas águas doces. Após
quatro semanas, as larvas abandonam o caramujo na forma de cercarias e ficam
livres nas águas naturais. O ser humano adquire a doença pelo contato com essas
águas Dentro de
algumas
semanas, os
vermes crescem
no interior dos
vasos
sanguíneos do
corpo e
produzem ovos.
Alguns desses
ovos viajam para
a bexiga ou
intestinos e são
passados para a
urina ou fezes.
Sintomas – na
fase inicial ou
aguda apresenta
náuseas,
cefaleia, astenia,
dor abdominal,
plenitude gástrica, diarreias com sangue, dispneia, hemoptise, artralgias,
linfonodomegalia, hepatomegalia, esplenomegalia, prurido anal e urticária. Os
sintomas crônicos ou complicações consiste em hepatopatias, ascite,
emagrecimento, fraqueza acentuada e hipertensão portal.
Diagnóstico – Exame de fezes, urina e de sangue (funções hepática e anticorpos),
biópsia do tecido.
Tratamento – antiparasitários de baixa toxidade.
Profilaxia – saneamento básico, controle dos caramujos, proteção de pernas e pés
com botas de borracha e educação em saúde.