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Cálculo Diferencial em Eletromagnetismo

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Eletromagnetismo I

Cap. 1: Revisão Matemática


1.2: Cálculo diferencial

Prof. Marcos Menezes


Instituto de Física - UFRJ
Notações para grandezas escalares e vetoriais

Nos slides e no livro-texto:


• Grandezas escalares em itálico: 𝑇, 𝑉, 𝑥, 𝑦, 𝑧, ...
• Grandezas vetoriais em forma normal e em negrito: 𝐫, 𝐯, 𝐄, 𝐁, ...

Nas notas de aula e listas de exercício (e nas provas):


• Grandezas escalares em itálico: 𝑇, 𝑥, 𝑦, 𝑧, ...

• Grandezas vetoriais com a “setinha”: 𝒓, 𝒗, 𝑬, 𝑩, ...

Vetores unitários: representação usual (com “chapéu”) em todos os casos: 𝐱ො , 𝐲,


ො 𝐳ො, ...
1.2 – Cálculo diferencial
1.2.1 - Gradiente

Considere 𝑇 𝐫 = 𝑇(𝑥, 𝑦, 𝑧) (função escalar da posição como temperatura, potencial, etc).

Qual é o valor de 𝑇(𝐫 + d𝐥), onde d𝐥 = 𝑑𝑥 𝐱ො + 𝑑𝑦 𝐲ො + 𝑑𝑧 𝐳ො é o vetor deslocamento infinitesimal?

Temos que 𝑇 𝐫 + d𝐥 = 𝑇 𝐫 + 𝑑𝑇, onde:

𝜕𝑇 𝜕𝑇 𝜕𝑇
𝑑𝑇 = 𝑑𝑥 + 𝑑𝑦 + 𝑑𝑧
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

e 𝜕𝑇Τ𝜕𝑥, etc, são as derivadas parciais de 𝑇.

Note que 𝑑𝑇 representa uma soma de variações independentes (no caso, ao longo de x, y e z).
O resultado anterior pode ser reescrito na forma de um produto escalar:

𝜕𝑇 𝜕𝑇 𝜕𝑇
𝑑𝑇 = 𝐱ො + 𝐲ො + 𝐳ො ⋅ 𝑑𝑥 𝐱ො + 𝑑𝑦 𝐲ො + 𝑑𝑧 𝐳ො = 𝛁𝑇 ⋅ 𝑑𝐥
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

onde:

𝜕𝑇 𝜕𝑇 𝜕𝑇
𝛁𝑇 = 𝐱ො + 𝐲ො + 𝐳ො
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

representa o gradiente de 𝑇 expresso em coordenadas cartesianas.


Interpretação geométrica

Pela definição geométrica do produto escalar, podemos escrever:

𝑑𝑇 = 𝛁𝑇 ⋅ 𝑑𝐥 = 𝛁𝑇 𝑑𝐥 cos𝜃

onde 𝜃 é o ângulo entre os dois vetores. Assim:

• 𝑑𝑇 é máximo quando 𝜃 = 0, ou seja, quando 𝛁𝑇 tem a mesma direção e sentido de 𝑑𝐥. Portanto, 𝜵𝑇 aponta
sempre na direção de máximo crescimento de 𝑇!
• 𝑑𝑇 = 0 quando 𝜃 = 90∘ , ou seja, quando 𝛁𝑇 é perpendicular a 𝑑𝐥. Portanto, 𝜵𝑇 é perpendicular a superfícies
de T = constante (equipotenciais)!
Operador gradiente:

Podemos ainda definir um operador gradiente (nabla ou del) como:

𝜕 𝜕 𝜕
𝛁≡ 𝐱ො + 𝐲ො + 𝐳ො
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

que deve atuar sobre uma função e se comporta (praticamente) como um vetor.

Possibilidades de atuação:

• Em funções escalares 𝑇(𝐫), gera o gradiente 𝛁𝑇, como já vimos.

• Em funções vetoriais 𝐯(𝐫), deve atuar na forma de um produto:

• Produto escalar gera a divergência 𝛁 ⋅ 𝐯.

• Produto vetorial gera o rotacional 𝛁 × 𝐯

Discutiremos as propriedades da divergência e do rotacional a seguir.


Exemplo
1.2.2 - Divergência
Utilizando o produto escalar, podemos atuar o operador 𝛁 sobre uma função vetorial 𝐯(𝐫):

𝜕 𝜕 𝜕
𝛁⋅𝐯= 𝐱ො + 𝐲ො + 𝐳ො ⋅ 𝑣𝑥 𝐱ො + 𝑣𝑦 𝐲ො + 𝑣𝑧 𝐳ො
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

𝜕𝑣𝑥 𝜕𝑣𝑦 𝜕𝑣𝑧


𝛁⋅𝐯= + +
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

o que define a divergência de 𝐯 em coordenadas cartesianas.

Note que a divergência é um escalar!


Interpretação geométrica

Como o nome sugere, a divergência é uma medida do quanto o campo vetorial 𝐯(𝐫) diverge ou “irradia” a partir
de 𝐫

Exemplos:

Qual(is) destes campos apresenta(m) uma divergência não-nula? Que tipo de sistemas físicos esses campos
podem representar?
Exemplo

Representação em termos de
linhas de campo
1.2.3 - Rotacional
Utilizando o produto vetorial, podemos atuar o operador 𝛁 sobre uma função vetorial 𝐯(𝐫):

𝜕𝑣𝑧 𝜕𝑣𝑦 𝜕𝑣𝑥 𝜕𝑣𝑧 𝜕𝑣𝑦 𝜕𝑣𝑥


𝛁×𝐯= − 𝐱ො + − 𝐲ො + − 𝐳ො
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑥 𝜕𝑦

o que define o rotacional de 𝐯 em coordenadas cartesianas.

Note que o rotacional é um vetor!


Interpretação geométrica

Como o nome sugere, o rotacional é uma medida do quanto o campo vetorial 𝐯(𝐫) “gira” em torno de 𝐫

Exemplos:

Estes dois campos possuem rotacionais não-nulos. E os campos dos exemplos anteriores? Que tipo de sistemas
físicos estes campos podem representar?
Exemplo
1.2.4 – Regras de produto
O que acontece quando atuamos o operador 𝛁 sobre um produto de duas funções? As possibilidades são:

𝑓𝑔 ⇒ 𝛁(𝑓𝑔)
Escalares: (gradientes)
𝐀⋅𝐁 ⇒ 𝛁(𝐀 ⋅ 𝐁)

𝑓𝐀 ⇒ 𝛁 ⋅ (𝑓𝐀)

⇒ 𝛁 × (𝑓𝐀)
Vetores: (divergências e rotacionais)
𝐀×𝐁 ⇒ 𝛁 ⋅ (𝐀 × 𝐁)

⇒ 𝛁 × (𝐀 × 𝐁)

Aqui, 𝑓 e 𝑔 são funções escalares arbitrárias e 𝐀 e 𝐁 são funções vetoriais arbitrárias.


Utilizando a definição de 𝛁 e a regra do produto para derivadas ordinárias, podemos “abrir” cada uma dessas seis
derivadas:
Exemplo: Vamos provar a regra (v)

𝐱ො 𝐲ො 𝐳ො
𝜕 𝜕 𝜕
𝛁 × 𝑓𝐀 =
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧
𝑓𝐴𝑥 𝑓𝐴𝑦 𝑓𝐴𝑧

𝜕 𝑓𝐴𝑧 𝜕 𝑓𝐴𝑦 𝜕 𝑓𝐴𝑥 𝜕 𝑓𝐴𝑧 𝜕 𝑓𝐴𝑦 𝜕 𝑓𝐴𝑥


= − 𝐱ො + − 𝐲ො + − 𝐳ො
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑥 𝜕𝑦

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
=𝑓 𝛁×𝐀 + 𝐴𝑧 − 𝐴𝑦 𝐱ො + 𝐴𝑥 − 𝐴𝑧 𝐲ො + 𝐴𝑦 − 𝐴𝑥 𝐳ො
𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑥 𝜕𝑦

= 𝑓 𝛁 × 𝐀 + 𝛁𝑓 × 𝐀 = 𝑓 𝛁 × 𝐀 − 𝐀 × 𝛁𝑓
1.2.5 – Derivadas segundas
O que acontece agora quando atuamos o operador 𝛁 duas vezes sobre uma função de forma sequencial?

(1) Partindo de 𝛁𝑇, podemos calcular a divergência e o rotacional. Para a divergência, obtemos:

≡ ∇2 𝑇 (Laplaciano de 𝑇)

Note que ∇2 𝑇 atua em uma função escalar 𝑇 e o resultado é um escalar!

Podemos ainda definir o Laplaciano vetorial:

Note que ∇2 𝐯 atua uma função vetorial 𝐯 e o resultado é um vetor!


(2) Calculando agora o rotacional de 𝛁𝑇, observe que:

𝐱ො 𝐲ො 𝐳ො
𝜕 𝜕 𝜕
𝛁 × 𝛁𝑇 = 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 = 𝟎
𝜕𝑇 𝜕𝑇 𝜕𝑇
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

Note que as derivadas cruzadas se cancelam (veja o problema 1.27)!

Portanto, o rotacional do gradiente é nulo para qualquer função vetorial 𝐯:

𝛁 × 𝛁𝑇 = 𝟎

Esta relação será fundamental para nós, como veremos mais adiante.
(3) Vamos agora partir de 𝛁 ⋅ 𝐯. Esta quantidade é um escalar, logo podemos calcular apenas o seu gradiente:

𝛁(𝛁 ⋅ 𝐯)

Esta quantidade, o gradiente da divergência, não carrega nenhum nome ou significado mais importante.
(4) Finalmente, vamos partir agora de 𝛁 × 𝐯. Como esta quantidade é um vetor, podemos calcular a divergência e o
rotacional. Para a divergência, obtemos:

𝜕 𝜕𝑣𝑧 𝜕𝑣𝑦 𝜕 𝜕𝑣𝑥 𝜕𝑣𝑧 𝜕 𝜕𝑣𝑦 𝜕𝑣𝑥


𝛁⋅ 𝛁×𝐯 = − + − + − =0
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑧 𝜕𝑥 𝜕𝑦

Note que as derivadas cruzadas se cancelam mais uma vez!

Portanto, a divergência do rotacional é nula para qualquer função vetorial 𝐯:

𝛁⋅ 𝛁×𝐯 =0

Esta é mais uma identidade que será fundamental para nós.


(5) Por fim, calculando o rotacional de 𝛁 × 𝐯, é possível mostrar que:

𝛁 × 𝛁 × 𝐯 = 𝛁 𝛁 ⋅ 𝐯 − ∇2 𝐯

Note como esta derivada é apenas uma combinação do gradiente da divergência com o Laplaciano vetorial!

Utilizaremos essa relação em estágios mais avançados do curso.


Em resumo, as identidades mais importantes podem ser encontradas na contra capa do livro-texto:
Referências básicas

• Griffiths (3ª edição) – cap.1

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