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NIVER
RSIDA
ADE DO ALG
GARV
VE
Estuddo de Redes
R dde Distrribuição
o de Ennergia
Lu
uís M
Manuell Passsos
Relatór
R rio de Estagio
Mestraado em Energias
E R
Renováv
veis e Gestão de E
Energia
Elaborado
E sob a orieentação dee:
Prof. Drr. José Luíís Argaín
Ano
22014/201
15
"Para vencer - material ou imaterialmente - três coisas
definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar
oportunidades, e criar relações. O resto pertence ao
elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor
nome, se chama sorte." - FERNANDO PESSOA
Declaração de autoria do trabalho
Declaro ser o autor deste trabalho, que é original e inédito. Autores e trabalhos consultados
estão devidamente citados no texto e constam da listagem de referências incluída.
Ao meu colega Duarte Mendonça, pela preciosa informação técnica e tempo despendido.
.
Aos meus colegas do Departamento de Estudos de Rede aqui em Faro, ao Eng. Miguel
Moreira e à equipa que em Évora ajudou a testar o programa de cálculo mecânico de linhas
aéreas de média tensão.
Ao meu orientador académico, Prof. José Luís Argaín pelo apoio dispensado sempre que
necessitei.
4
Este documento foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945, conforme com o
Decreto nº 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, e o Decreto-Lei nº 32/73 de 6 de Fevereiro.
5
Resumo
O presente relatório tem como objectivo descrever o estágio curricular realizado no ano
lectivo 2014/2015 no âmbito da disciplina de Dissertação/Estágio/Projecto, do Mestrado em
Energias Renováveis e Gestão de Energia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade do Algarve, entre o dia 2 de Fevereiro e o dia 31 de Julho de 2015.
O estágio foi realizado na EDP DISTRIBUIÇÃO – Energia S.A., no Departamento de
Estudos de Rede, na delegação de Faro.
O principal objectivo do meu trabalho neste estágio foi produzir um software que permita
realizar o cálculo mecânico de linhas aéreas de média tensão (15-30kV), verificar as
distâncias mínimas de segurança entre condutores, elaborar mapas de flechas e ainda
preencher o mapa de montagem. Finalizado este primeiro objectivo, e na posse desta
ferramenta, projectar linhas áreas de média tensão, postos de transformação e respectivas
redes de baixa tensão.
Foram ainda analisados no âmbito deste estágio projectos de Serviço Público, relativos a
Loteamentos/Urbanizações, redes de alimentação em baixa tensão e iluminação pública. Foi
elaborada uma proposta de Guia Técnico de Projectos de Serviço Publico e nova checklist
para analise dos mesmos.
No âmbito do novo paradigma das energias renováveis e da produção descentralizada, os
conhecimentos adquiridos são primordiais, dado que com a contínua construção de parques
eólicos e fotovoltaicos, é cada vez mais necessário quem domine o estado da arte no que toca
a interligação à rede. Prevê-se que no futuro que uma boa parte da produção de energia se
faça através de fontes renováveis em micro e mini produção, injectando em smart grides, em
que todos vendem energia a todos num conceito puro de produção descentralizada. Daí ser de
uma importância estratégica o estudo de redes de distribuição e a compreensão da gestão das
mesmas para uma preparação técnica para o futuro que se avizinha.
Abstract
This report aims to describe the internship carried out under the discipline of Thesis /
Internship / Project of the Master in Renewable Energy and Energy Management, Faculdade
de Ciências e Tecnologia Faculdade de Ciências e Tecnologia of University of Algarve.
The internship was held in EDP DISTRIBUTION - Energy SA, Departamento de Estudos de
Rede on the Faro’s Brunch.
6
The main purpose of my work at this internship was to produce a program (software) to aid in
the mechanical calculation of medium voltage power lines (15-30kV), check the minimum
safety distances between conductors, elaborate deflection maps and finally fill the assembly
map. Finished this first goal and having this tool available, initiate the design of medium
voltage power lines, transformer stations and their low voltage distribution networks.
Were also examined Public Service projects relating to Settlements/Housing developments,
supply networks at low voltage and public lighting. A proposal of a Technical Guide of Public
Service Projects and new checklist to analyze them was prepared.
Under the new paradigm of renewable energies and decentralized production, acquire this
knowledge is paramount, the increase in construction of windfarms and photovoltaic parks is
creating a great demand for such projects, being necessary to dominate the state of the art
when it comes to grid connection. In the future, a great part of energy will be generated by
renewable sources in micro or mini production, injecting in smart grids, in which all sell
energy to all in a pure concept of decentralized production. Hence it is of strategic importance
to the study of distribution networks and to understand their management for a technical
preparation for the future that lies ahead.
7
Índice
Glossário................................................................................................................................... 13
Introdução................................................................................................................................. 14
2. Informação Geral.............................................................................................................. 19
8
5.4.3 Cálculo eléctrico ................................................................................................. 66
8. Conclusão ......................................................................................................................... 87
9. Bibliografia....................................................................................................................... 89
9
Índice de Figuras
Figura 1 - Cadeia de valor energético ...................................................................................... 20
Figura 2 - Central Autónoma (GPS) ........................................................................................ 24
Figura 3 - Unidade Móvel da Estação Autónoma .................................................................... 24
Figura 4 - Cabo de Alumínio - Aço (Al-Aço) .......................................................................... 31
Figura 5 - Cadeia de Isoladores em Suspensão ........................................................................ 33
Figura 6 - Cadeia de isoladores em amarração ........................................................................ 33
Figura 7 - Tipos de Isolador ..................................................................................................... 33
Figura 8 - Postes de betão e metálicos ..................................................................................... 38
Figura 9 - Apoio em Alinhamento ........................................................................................... 39
Figura 10 - Apoio em Ângulo .................................................................................................. 39
Figura 11 - Apoio em Reforço em Alinhamento...................................................................... 39
Figura 12 - Apoio de Reforço em Ângulo................................................................................ 39
Figura 13 - Apoio em Alinhamento e Derivação ..................................................................... 39
Figura 14 - Apoio de Reforço em Derivação ........................................................................... 39
Figura 15 - Apoio de Derivação em Ângulo ............................................................................ 39
Figura 16 - Apoio de Reforço e Derivação em Ângulo ........................................................... 39
Figura 17 - Apoio em Fim de Linha ......................................................................................... 39
Figura 18 - Vão de nível ........................................................................................................... 42
Figura 19 - Vão desnivelado .................................................................................................... 43
Figura 20 - Vão Nivelado (Forças próprias) ............................................................................ 45
Figura 21 - Vão desnivelado (Forças Próprias) ........................................................................ 46
Figura 22 - Vãos contínuos ...................................................................................................... 49
Figura 23 - Mudança de direcção no plano horizontal de uma LMT ....................................... 50
Figura 24 - Apoio em ângulo (distribuição de forças) ............................................................. 51
Figura 25 - Diagrama de forças no apoio ................................................................................. 52
Figura 26 - Efeito do vento no apoio de alinhamento .............................................................. 54
Figura 27 - Efeito do vento no apoio de ângulo ....................................................................... 54
Figura 28 - Acção do vento sobre os cabos .............................................................................. 58
Figura 29 – Distribuição de apoios numa Linha Aérea de Media Tensão ............................... 65
Figura 30 - Perfil da Linha Aérea de Média Tensão ................................................................ 65
Figura 31 - Menu principal PC-LMT ....................................................................................... 74
Figura 32 - Mapa de Montagem ............................................................................................... 75
10
Figura 33 - Boletim de cálculo de Apoio ................................................................................. 77
Figura 34 - Mapa de Flechas .................................................................................................... 78
Figura 35 - Distância mínima entre condutores ....................................................................... 79
Figura 36 - Distância de garantia entre GAN e HPT4 ou HRFSC ........................................... 81
Figura 37 - Distância de garantia entre VAN ou VAL e HPT4 ou HRFSC ............................ 81
Figura 38 - Distância de garantia entre TAL e HPT4 ou HRFSC............................................ 81
Figura 39 - Distancia entre condutores (em ângulo) ................................................................ 82
Figura 40 - Sinalização de não cumprimento da distância mínima de segurança .................... 82
Figura 41 - Etapas da apreciação de um projecto de serviço público ...................................... 85
11
Índice de Tabelas
12
Glossário
Baixa Tensão Especial (BTN) – Regime de BT referente a clientes com potência contratada
superior a 41,4 kW;
Baixa Tensão Normal (BTN) – Regime de BT referente a clientes sem medição de potência
activa e de potência reactiva, cuja potência contratada é inferior a 41,4 kVA;
Órgão de Corte de Rede (OCR) – Equipamento que permite detectar avaria e fazer o corte
da linha onde se encontra instalado, fazendo o reporte do erro a uma central de gestão;
14
Para além da importância das interligações à rede, cada vez mais a produção de energia
deixará de se fazer em grandes centrais de produção, para se fazer cada vez mais a um nível
deslocalizado, ou seja, a partir de cada casa, através de tecnologias renováveis e limpas,
injectando assim na rede, num conceito em que todos vendem energia todos. Em Portugal
temos a primeira Smartgrid experimental em Évora, a Inovgrid. Os conhecimentos que
adquiri sobre gestão de redes de distribuição são importantíssimos para em termos
profissionais acompanhar esta nova tendência que já está em passos muito lentos a tomar o
seu lugar a nível de conceito de rede de distribuição.
15
1. Ap
presentaação da empresa
e
A EDP foi criada em
e 1976, ap
pós a fusão de 13 emprresas do secctor energétiico que tinh
ham sido
nacionaalizadas no ano
a anteriorr. Três décaadas depois a empresa cresceu, coonquistou mercados,
m
alargou a actividadde, expandiu
u negócios e mudou culturas.
Hoje, a EDP ocupaa o 280º lugar no rankking das maarcas mais valiosas
v do mundo. Dee acordo
com o eestudo da consultora
c "Brand
" Finaance" divulg
gado em Março
M de 20011, a emprresa vale
cerca dde 2.775 milhões
m de euros. A m
marca foi acompanhan
a ndo ao lonngo dos tem
mpos as
mudançças a que a empresa
e foi sujeita. (Caarvalho, 2012)
A prim
meira marca EDP nascceu em 19778 com a denominaçã
d ão de EDP - Electriciidade de
Portugaal/Empresa Pública, seendo a suaa identidadee visual associado aoo “E”, referrente ao
negócioo da Electriccidade.
Em meados da déécada de 80
0 a rede dee distribuiçção da EDP
P cobria 977% do terriitório de
Portugaal Continenttal e assegurrava 80% ddo fornecimeento de enerrgia eléctricca em Baixaa Tensão
(Carvalhho, 2012).
1993: m
mudança e dinamismo
d o
16
Em 19991 a empressa muda a sua
s identidaade jurídica e passa de Entidade PPública a So
ociedade
Anónim
ma. A muddança visuaal acontece em 1993. Associado
o ao conceeito de mu
udança e
dinamissmo. O sím
mbolo estilizado da coorrente reprresentava as
a três áreaas de activiidade da
empresaa: produçãoo, transportee e distribuiçção de energ
gia. Apesar do dinamissmo, para a altura, a
verdadee é que a marca não ch
hegou aos cclientes, e a empresa erra percepcioonada como
o “cara”,
“abusivva” e “distannte”.
Em Junhho de 1997 ocorre a prrimeira fase de privatizzação da ED
DP, tendo siddo alienado
o 30% do
capital. Uma operaação de gran
nde sucessoo em que a procura
p superou a ofertta em mais de trinta
vezes. M
Mais de oitoocentos mill portuguesees (cerca dee 8% da pop
pulação) torrnam-se acccionistas
da EDP
P (Carvalho,, 2012).
2004: E
Energias dee Portugal
17
2011: u
uma marca humana, in
novadora e sustentáv
vel
A emprresa é hoje um
u dos maiores operaddores energééticos da Peenínsula Ibéérica, o maior grupo
industrial portuguêês e o 3º maaior produtoor mundial de
d energia eólica
e e ainnda a única empresa
portuguuesa que inteegra os índiices Dow Joones de Susstentabilidad
de (World e STOXX), os mais
exigentees do munddo, que disttinguem as companhiaas com mellhor desemppenho nas questões
ntabilidade e excelênciaa na gestão económica,, ambiental e social.
ligadas à transparênncia, susten
18
2. Informação Geral
2.1 Identificação do estagiário
Nome: - Luís Manuel Passos;
Curso: - Mestrado em Energias Renováveis e Gestão de Energia;
Morada: - Rua Coronel António Santos Fonseca, 10 R/C Esq – 8000-257 Faro;
Email: - luismanuelpassos@[Link]
19
3. Nooções sob
bre Redees de Disstribuiçã
ão
Acompaanhando a evolução
e daa humanidadde, tem hav
vido uma creescente neccessidade dee energia
para os mais diverrsos propósitos, desde a simples tarefa de co
ozinhar até ao mais co
omplexo
processoo industriall. Para fazeer face a esttas necessid
dades crescentes de ennergia recorrreu-se a
uma divversidade de fontes qu
ue hoje em ddia compõeem o mix energético. U
Uma das fo
ormas de
energia que a hum
manidade mais
m utiliza na actualid
dade é a en
nergia elécttrica. As raazões da
preferênncia por estte tipo de energia preendem-se co
om um baiixo custo dde transporte face a
outras fformas de ennergia, baix
xo índice dee perda enerrgética duraante converssões noutras formas
finais dde utilizaçãão (luz, caalor, movim
mento) e faacilidade e baixo cussto destas mesmas
converssões.
Para quue se posssa usufruirr da electrricidade é necessário que esta seja prod
duzida e
posterioormente trannsportada e distribuídaa até à instaalação do consumidor.
c . Este percu
urso tem
várias eetapas: produução, transp
porte, distribbuição e co
omercializaçção.
O estudo da definição do corredor ou traçado será iniciado com a selecção prévia de uma área
de estudo, tendo em consideração os pontos de ligação da rede e as principais características
ou condicionantes de natureza física, ecológica e socioeconómica da região, previamente
identificadas.
O traçado escolhido deverá ter o menor impacte ambiental global, de forma a optimizar as
condicionantes técnicas económicas e ambientais.
Nesta área ao materializar um traçado base que deverá haver duas filosofias diferentes,
consoante estamos em presença de uma linha de AT ou linha de MT, nomeadamente:
21
Evitar zonas altamente expostas a ventos dominantes;
Ter em conta os PDM das Câmaras que irá atravessar;
Desenvolver-se sobretudo através de meias encostas, vales e zonas acessíveis;
Ter em conta eventuais elementos recolhidos anteriormente, durante a
construção e realização de outras linhas.
Para a escolha do traçado ideal, deverão ser consultados todos os elementos topográficos das
zonas a atravessar, de forma a obter-se uma ideia clara das características do terreno e o
conhecimento, tão exacto quanto possível, de quaisquer outros elementos que de algum modo
possam condicionar a realização do projecto, tais como:
Relevo;
Vias de comunicação existentes;
Cursos de água;
Florestas ou plantações;
Aglomerados habitacionais;
Linhas e cabos telefónicos;
Linhas de transporte ou distribuição de energia já existentes.
22
Obedecendo a estes princípios gerais orientadores, o traçado deverá, sempre que possível, ser
constituído por alinhamentos e reduzir ao mínimo o número de cruzamentos. No entanto deve
respeitar-se o património cultural, estético e ecológico da paisagem, bem como reduzir o
impacto dos prejuízos causados às propriedades particulares afectadas no decorrer dos
trabalhos de construção da linha, bem como depois durante a exploração.
Deverá estabelecer-se ao longo da linha uma faixa de serviço com uma largura de 5 m,
dividida ao meio pelo eixo da linha, na qual se efectuará o corte e decote de árvores
necessários para tornar possível a sua montagem e conservação. Para o caso das linhas de
2ªclasse, como é o caso das linhas até 30 kV, e com vista a garantir a segurança de exploração
das linhas, a zona de protecção terá a largura máxima de 15 m. No caso de o traçado da linha
atravessar locais contendo pinheiros, eucaliptos ou árvores de crescimento rápido, estas
podem ser abatidas. No entanto, segundo as recomendações do R.S.L.E.A.T., Artigo 28º,
recomenda-se evitar, sempre que possível o corte de árvores de fruto e de crescimento lento
(carvalhos, sobreiros, etc.) que, pelo seu tipo de exploração, não são geralmente abatíveis,
aspecto esse que deve ser considerado na elaboração do projecto da linha.
Após a elaboração de um primeiro traçado, é realizado uma picotagem com a equipa de
topografia para validar ou eventualmente alterar o traçado escolhido em gabinete. São
utilizadas estacadas de madeira e fita sinalizadora para demarcar a localização dos apoios, de
modo a posteriormente proceder-se ao levantamento topográfico.
23
Geralmeente nesta planta
p o perrfil da linhaa e rebatido
o de modo a representaar a linha de
d forma
rectilíneea, coincidinndo os ponttos do perfill com os daa planta parccelar.
O levanntamento toopográfico é efectuadoo com recurrso a uma estação auttónoma, quee recebe
sinal GP
PS. A estaçção base é georreferen
g nciada num determinad
do local e seeguidamentte com a
unidadee móvel dettermina-se a distância e ângulo desde
d a estaação base aaté ao ponto
o que se
pretendee levantar. Os pontos são guardaddos no disco rígido da central de base para posterior
p
trabalhoo de gabinette.
25
A título exemplificativo mas não vinculativo, indicam-se algumas condicionantes ao traçado e
entidades a consultar.
ENTIDADES A CONSULTAR
Câmaras Minist.
CONDICIONANTES REFER EP/INIR ANA FAP ARH CCDR Municipais Agricult. ICNF
Rios e Albufeiras
Vias Ferroviárias
Vias Rodoviárias (AE; IP; e
IC)
Zonas REN
Zonas RAN
Sítios/Zonas Protegidas
Proximidade Aeródromos
O Estudo Prévio da linha é elaborado tendo em conta os dados recolhidos e inclui de forma
resumida o seguinte:
Identificação da instalação
Limites do projecto
Caracterização da instalação
Identificação das entidades consultadas evidenciando as respostas recebidas
Identificação das condicionantes relevantes do traçado da instalação
Estimativa de custos e de prazos resultantes do traçado estudado
26
5. Elaboração do projecto de Linhas Aéreas de Média Tensão
5.1 Considerações gerais
Com a conclusão da fase de Estudo Prévio é definido o traçado da linha aérea que se pretende
estabelecer. Inicia-se então a elaboração do projecto, com a materialização do traçado e
levantamento do terreno.
Por constituírem apenas recomendações, as regras nelas prescritas não são de aplicação
obrigatória. Torna-se, porém, evidente o interesse que representa a observância das mesmas,
já que foi a obtenção de um elevado grau de segurança, entre outras vantagens que presidiram
à sua elaboração.
27
5.2 Definições relevantes
28
hipótese de cálculo mais desfavorável, e que se verifica no ponto de fixação de cota
mais elevada.
Força de colocação - Força de tracção dada aos condutores, aos cabos de guarda ou
aos tensores de cabos isolados de uma linha aérea na ocasião da sua montagem.
Haste de descarga - Peça metálica disposta num ou noutro extremo, ou em ambos, de
um isolador ou de uma cadeia de isoladores para assegurar uma protecção contra os
arcos de descarga eléctrica.
Secção efectiva (de um condutor) – Área da secção recta do fio ou da soma das áreas
das secções rectas dos fios que constituem o condutor ou o cabo de guarda.
Secção nominal (de um condutor) - Valor arredondado da secção efectiva, para
efeitos de designação normalizada.
Tensão nominal da linha – Tensão eléctrica pela qual a linha e designada (utiliza-se
as unidade em kV).
Travessia - Intersecção, em projecção horizontal, do traçado de uma linha com uma
via pública ou particular, com um caminho-de-ferro não electrificado com teleféricos
ou com rios.
Vão – Porção de linha compreendida entre dois apoios consecutivos.
Vão desnivelado – Vão no qual os pontos de fixação de um condutor em 2 apoios
consecutivos não estão no mesmo plano.
Vão equivalente – Vão fictício no qual as variações da tensão mecânica, devidas às
variações da carga e da temperatura, são sensivelmente iguais às dos vãos reais do
cantão.
Uma linha de média tensão, na verdade é apenas um caminho por onde flui a energia
eléctrica, uma auto-estrada de electrões desde os pontos de produção até ao consumidor.
Esta linha deve permitir o trânsito de energia de forma eficaz e em segurança, e para isto terão
de ser comprido o Regulamento de Segurança de Linhas Eléctricas de Alta Tensão [RSLEAT
– Decreto Regulamentar 1/92].
Segundo o RSLEAT, todas as características desses equipamentos devem cumprir o aí
estabelecido assim como nas normas nacionais, do CENELEC, da CEI ou, mesmo, outras
aceites pela DGEG (Direcção Geral de Energia, 1993)
29
As soluções existentes a este nível encontram-se perfeitamente definidas, sendo que a gama
de produtos realmente utilizados está normalizada pela EDP Distribuição - Energia, S.A..
Assim, torna-se possível que, durante a execução dos projectos, existam soluções
perfeitamente estandardizadas, levando a uma redução do tempo total necessário para a sua
realização. Por outro lado quando são adquiridos os materiais, a normalização permite que se
possam fazer melhores negócios, pois pode comprar-se em maiores quantidades. Além disso,
é simplificado o processo de formação das equipas de manutenção sobre os equipamentos,
levando a que, em situações de intervenção na rede, esta se faça de forma mais célere (Forte,
2006).
5.3.1 Condutores
Como se trata de um cabo constituído por condutores multifilares, garante-se uma maior
flexibilidade, facilitando assim o seu manuseamento.
30
Figura 4 - Cabo
o de Alumínioo - Aço (Al-A
Aço)
Fonte: - (Galvãão, 2010)
Actualm
mente enconntram-se em
m utilização as seguintees famílias de
d cabos:
31
Cabos de Cobre:
Tipo Designação Área Nº de Fios Diâmetro
Cobre 10 10,2 7 4,08
Cobre 16 15,89 7 5,1
Cobre 25 26 19 6,6
Cobre 35 35,85 19 7,8
Cobre 50 48,35 19 9
Cobre 70 70,92 19 10,9
Tabela 4 - Cabos de Cobre
Fonte: - DMA C33-251/N
5.3.2 Isoladores
Os isoladores têm como função evitar a passagem de corrente dos condutores para o apoio, e
sustentar mecanicamente os cabos (Sequeira, 2009). Em linhas aéreas de alta tensão, são
geralmente usados isoladores na forma de cadeia, quer em cadeias de suspensão geralmente
usadas em apoios de alinhamento, quer em cadeias de amarração no caso de apoios de ângulo,
reforço, fim de linha e derivação. As cadeias de isoladores são concebidas de modo a serem
fixadas articuladamente as armações dos apoios. As cadeias são constituídas por vários
isoladores de campânula de porcelana, vidro, ou resina artificial, por componentes metálicos e
pelo material ligante que as justapõe. Alem disso, poderão ser ainda providas de anéis de
guarda (também designados anéis de Nicholson), isto e, anéis metálicos colocados num ou
noutro extremo da cadeia, ou em ambos, para assegurarem uma protecção contra os arcos de
descarga eléctrica e uma melhor repartição de potência pelos elementos da cadeia. A
utilização de hastes de descarga dispostas do mesmo modo permite atingir o mesmo
objectivo.
As figuras 2 e 3 representam os tipos de amarração em suspensão e em cadeia,
respectivamente. Independentemente da sua constituição ou configuração, os isoladores
devem estar suficientemente dimensionados para resistir aos esforços mecânicos actuantes,
nomeadamente a acção do vento sobre os próprios isoladores e os esforços transmitidos pelos
condutores (peso próprio, resultante da acção do vento e tensão mecânica de tracção).
32
Figura 6 - Cadeia de iso
oladores em am
marração
Line Insulators
Ceramic and
d Glass Po
olymer
Cap and pin Cap and pin Long rod Liine-post Pedesstal post Pin Line-postt Pin Long rod Line-post
Suspension Suspension Cap and
a pin
Disc Disc
33
Classe Características Figura ilustrativa
A distância mínima
de perfuração do Shortest
Puncture Path
comprimento do arco
externo (à prova de
perfurações)
A distância mínima
Shortest Puncture Path
de perfuração do
isolador é menor que
Dry Arc Distance
Classe B a metade do
comprimento do arco
externo (perfurável)
34
Materiaal V
Vantagem Dessvantagem
Vidro - Fiabilidadde a longo prazzo - Alvo para vânndalos
- Indicaçãoo visual de defeitos - Disrupção poor bandas secaas durante
internos ongos períoddos de tempo
lo o poderá
- Boa resistêência à perfurração danificar o vidrro
- Os isolaadores dos diferentes
d - Material pesaado
fabricantes têm normalm
mente um - Não disponívvel em algumaas regiões
bom desemppenho
Porcelanaa - Fiabilidadde a longo prazzo - Os defeitos innternos não sãão muitas
- Superfíciee resistente à disrupção
d vezes visíveis
por bandas ssecas - Em zonas dee poluição forrte poderá
- Não esttilhaçam quaando são see necessário teer mais isolad
dores para
atingidos poor vândalos eq
quipar uma caadeia
- Os isolaadores dos diferentes
d - Material pesaado
fabricantes têm normalm
mente um - Não disponívvel em algumaas regiões
bom desemppenho
5.3.3 A
Armaçõões
35
mações para MT corresspondem aoos modeloss normalizados pela D
As arm DGE (até 30
0kV), às
quais aacrescem modelos
m deefinidos parra AT quee pretendem
m caracteri
rizar situações não
definidaas por aqueles modeloss normalizaados. De acordo com o documentoo normativo
o DMA-
C67-6200/N, estão normalizada
n as 12 tipos de armaçõees de aço a associar
a a ppostes de beetão para
linhas M
MT. Tendo em conta a sua aplicaação e o tip
po de isolam
mento utilizzado, os 12 tipos de
armaçõees normalizzadas são as apresentaddas na tabelaa seguinte.
36
5.3.4 Apoios
Os apoios das linhas aéreas, têm como única função garantir o devido distanciamento dos
condutores, cabos de guarda, ao solo ou a outros obstáculos ao longo do traçado. Esse
distanciamento é normalmente considerado segundo planos verticais que passam pelos cabos,
onde devem ser garantidas todas as distâncias mínimas de segurança quer inferiormente, quer
superiormente em relação a esses cabos. O distanciamento deve também ser considerado
segundo planos horizontais que passam pelos cabos, devendo ser verificado lateralmente,
considerando o eventual desvio dos cabos sob a acção de vento. As distâncias mínimas de
segurança serão a principal condicionante da altura dos apoios.
Do comportamento mecânico dos condutores e cabos de guarda resultam acções que devem
ser absorvidas pelos apoios, cuja definição do seu tipo será função da resistência mecânica
oferecida.
Cada apoio é constituído pelo conjunto poste ou postes e respectivas armações, sendo a
fixação dos condutores às armações realizada por intermédio de cadeias de acessórios e
isoladores, que poderão ser de amarração (ancoragem) ou de suspensão. A fixação dos cabos
de guarda às respectivas armações é assegurada por uma cadeia de acessórios sem
intercalação de isoladores.
Os tipos de postes mais utilizados em apoios de linhas em Portugal, podem ser de betão
armado ou estruturados com perfis de aço, normalmente designados por postes metálicos. Os
postes de betão, pela sua estrutura típica carecem da utilização de armações para disposição e
fixação dos condutores e cabos de guarda. Os postes metálicos já integram na sua estrutura as
armações necessárias a essa fixação. Em ambos os casos as armações são normalmente
formadas por estruturas perfiladas de aço constituindo conjuntos de travessas e de cabeçotes a
acoplar à estrutura dos postes.
37
Figura 8 - Postes de beetão e metálico
os
Fonte: PrrojLEAT – Proojecto de Linh
has Aéreas de MT e AT (ED
DP 2012)
38
Figura 9 - Apoio em Alinhamento
A Figura 10 - Apoio em Ân
ngulo Figura 11 - A
Apoio em Refo
orço em
Alinhamentoo
39
5.4 Execução do Projecto
40
Identificar na memória descritiva todos os obstáculos relevantes e todos os obstáculos
que careçam de autorização ou parecer sobre travessia ou cruzamento por outras
entidades;
Preparar as peças escritas e desenhadas para licenciamento
O cálculo mecânico dos cabos é elemento fundamental para determinação das condições de
estabelecimento da linha.
As condições de regulação dos cabos, determinarão a necessidade de colocar mais ou menos
estruturas de apoio e a altura destas consoante o tipo e o número de obstáculos a ultrapassar.
As condições mecânicas de estabelecimento dos cabos terão que ser suportadas pelas
estruturas de apoio, nomeadamente postes, armações, isoladores e acessórios de fixação dos
cabos.
Dada a importância do comportamento mecânico dos cabos, este estudo deve ser o primeiro a
realizar-se em termos de cálculos mecânicos, uma vez que condiciona todos os restantes
elementos de uma linha aérea.
Para compreender o processo de cálculo, importa em primeiro lugar conhecer os princípios
que servirão de base ao estudo do comportamento mecânico dos cabos.
Uma corrente de elos iguais, ao ser estendida entre dois pontos suficientemente elevados para
que não se apoie sobre o solo em qualquer ponto intermédio, adquire uma forma
característica, a catenária (palavra derivada do Latim, catena – corrente).
Se essa corrente for substituída por um fio suficientemente flexível e não elástico, com peso
linear equivalente ao da corrente, não se alterará a forma da catenária.
Da mesma forma, podemos fazer uma analogia para os cabos da linha aérea, que podem
igualmente ser considerados suficientemente flexíveis, quando os pontos de fixação estiverem
razoavelmente afastados entre si, descrevendo quando suspensos nesses pontos, curvas
semelhantes a catenárias.
A distância entre os pontos de fixação corresponde ao vão.
A forma da curva catenária será mais ou menos pronunciada, conforme maior ou menor seja
a relação tracção/peso linear do cabo. Esta relação define o parâmetro de catenária, que
41
correspoonde aproxiimadamentee ao raio dee curvatura em metros,, duma circuunferência tangente
à curva da catenáriia, no ponto
o onde essa tangente é horizontal.
h
Consideerando os cabos
c como estruturas homogéneaas, perfeitam
mente flexívveis e inexttensíveis
(de factto esta caraccterística nãão é verdaddeira, pois os
o cabos estendem-se ccom as variaações de
temperaatura), podeem determiinar-se as ssuas condiçções de eq
quilíbrio quuando apoiaados em
estruturras (apoios)..
As equaações fundaamentais dos cabos susppensos são aquelas quee visam o cáálculo da su
ua forma
(catenárria), da sua flecha e do seu compriimento.
Estas eqquações poddem enunciiar-se com aaproximaçãão à forma hiperbólica
h (situação reeal) ou à
forma pparabólica (ssituação sim
mplificada).
As equaações serão referidas aos
a vãos de nível e aoss vãos desnivelados, em
mbora seja efectivo
que nãoo existe na prática
p o chaamado vão dde nível. Veejamos entãão as duas siituações:
V
Vão niveladdo
Figura 18 - Vão
o de nível
Fonte: ProjLEA
AT – Projectoo de Linhas Aééreas de MT e AT (EDP 20012)
eem que:
A – Vão, em metro
os;
H – Alttura do solo
o aos pontoss de fixação
o A e B, em metros;
f - flechha OF, em metros;
m
hs – Alttura do cabo ao solo, ccomo mínim
mo deverá seer a distânciia de seguraança, em
metros;;
T0 – Trracção horizzontal, em ddaN;
42
T – Tracção tangente à curva em M, em daN;
s – Comprimento do troço de cabo OM, em metros;
ps – Peso do cabo correspondente ao troço OM [daN] (produto do peso linear p,
em daN/m, pelo comprimento s, em metros);
’ – Ângulo da tracção T com a horizontal, em graus.
Analisando a figura anterior verifica-se que o cabo se encontra suspenso em dois pontos
rígidos, ponto A e ponto B, separados entre si de uma distância A, que corresponde ao vão.
Estando os pontos A e B à mesma altura a curva descrita pelo cabo é simétrica, sendo o ponto
O, o seu ponto mais baixo e o vértice da curva a meio do vão AB.
Vão desnivelado
De forma análoga como no caso anterior, o cabo encontra-se suspenso entre os pontos A e B,
separados de uma distância A entre eles, porem A encontra-se a uma altura inferior a B,
fazendo com que a curva não seja simétrica.
em que:
A – Vão, em metros;
B – Desnível entre os pontos de fixação A e B, em metros;
fs' - Flecha de meio vão, em metros;
fs - Flecha de meio vão rebatida para um plano vertical, em metros;
f0 – Flecha de nível vista a partir do ponto A, em metros;
C1 – Parâmetro de catenária (k), em metros;
43
– Ângulo da recta imaginária que passa nos pontos A e B, com a horizontal, em
graus;
Parâmetro da catenária T0
k
k [m] p
Aproximação x
y k Cosh 1
Equação da hiperbólica k
catenária
y [m] Aproximação x2 p x2
y
parabólica 2 k 2 T0
Aproximação A A 1
f k Cosh 1 f s k Cosh 1
Equação da hiperbólica 2k 2 k CosarctgB A
flecha
f [m] Aproximação A2 p A2 A2 1
f fs
parabólica 8 T0 8 k 8 k CosarctgB A
Aproximação A A
Equação do L 2 k .Senh L B 2 4 k 2 Senh 2
hiperbólica 2k 2k
comprimento
do cabo
Aproximação A3 A2
L [m] L A L B 2 A2 1
2
24 k 2 12 k
parabólica
em que:
k – Parâmetro de catenária ou parâmetro de parábola, em metros;
T0 – Tracção do cabo no ponto onde a tangente à curva é horizontal, em daN;
p – Peso linear do cabo, em daN/m;
A – Vão (distância entre dois apoios consecutivos), em metros;
B – Desnível entre os pontos de fixação do cabo nos apoios que definem o vão
metros.
44
[Link] Forrças vertticais e h
horizontais nos apoios
a
Em cadda apoio exiiste um conjjunto de forrças verticaais e horizon
ntais que reesultam da acção
a da
catenáriia sobre o apoio.
a Para os
o 2 tipos dde vão, niveelado e desn
nivelado, terrmos duas situações
s
distintass. Vejamos então os do
ois casos:
V
Vão niveladdo
Figura 20
2 - Vão Niveelado (Forças próprias)
p
Fonte: ProjLEAT
P –P
Projecto de Lin
nhas Aéreas de
d MT e AT (E
EDP 2012)
eem que:
B – Ponnto de fixaçção do cabo na estrutura (apoio);
T0 – Trracção horizzontal, em ddaN;
T – Traacção tangen
nte à curva no ponto B, daN;
p – Pesso linear, em
m daN/m;
L – Coomprimento
o de cabo, qque se conssidera aprox
ximadament
nte igual ao do vão,
em mettros;
V – Caarga verticall em B tradduzida pelo peso do cab
bo correspoondente a meio
m vão,
em daN
N;
– Ânngulo da traccção tangennte com o pllano horizon
ntal, em graaus;
45
T0 T Cos
pL (5.1)
m daN
V T Sen 2 , em
V
Vão desnivelado
Para um
m vão desnivvelado, ou seja,
s com oss pontos de fixação noss apoios dessnivelados, poderão
obter-see equações gerais
g para determinar a tracção (T o () seja
T) , a carga vertical (V)) e o ângulo
ou não o vão desnivvelado.
eem que:
Pontos A, B – Pon
ntos de fixaçção do cabo no vão reall;
Ponto B’
B – Ponto de
d fixação ddo cabo no vão
v fictício AB’;
A – Com
mprimento do vão reall, em metross;
A’ – Comprimento
o entre B e B’, equivaalente ao necessário paara um vão de nível
fictícioo AB’;
46
Ae – Comprimento do vão fictício, em metros;
h - desnível entre os pontos de fixação A e B nos apoios, em metros;
VA – Carga vertical no ponto de fixação A, em daN;
VB – Carga vertical no ponto de fixação B, em daN;
TA – Tracção axial no ponto A, em daN;
TB – Tracção axial no ponto B, em daN;
T0 – Tracção axial no vértice da curva, em daN;
Partindo da figura anterior, em que o cabo se encontra fixo nos pontos A e B desnivelados
entre si por uma altura h, podem determinar-se as expressões que permitirão calcular os
valores da carga vertical e da tracção axial nos pontos A e B.
O princípio básico de todas as considerações sobre este caso, consiste na ideia de um vão de
nível fictício, cujo valor pode ser determinado, e, a partir daí desenvolver o mesmo tipo de
raciocínio para o vão nivelado. Este vão fictício resulta do prolongamento da curva entre os
pontos de fixação desnivelados até um ponto ao mesmo nível do ponto de altura maior.
Para um vão de nível fictício (Ae), resultará uma flecha de nível fictícia (fe).
Consideremos a aproximação hiperbólica da equação da catenária:
x
y k Cosh 1 (5.2)
k
Sendo que a origem do eixo do xx é no ponto onde a tangente à curva do cabo é horizontal,
pode ainda retirar-se da figura que:
47
A x1 x 2
' (5.5)
A x1 x 2
Por análise da figura anterior tiramos que o comprimento do vão fictício é dado pela seguinte
expressão:
Ae A A ' , em m (5.8)
Tendo em conta a expressão para determinação da carga vertical no ponto de fixação do cabo
obtida para os vãos de nível, para cada um dos pontos de fixação, em vãos desnivelados, a
carga vertical será:
Ae p
V A
2
, em m (5.9)
V Ae A p
'
B 2
Pela análise da mesma figura pode retirar-se o seguinte sistema de equações das tracções
axiais nos pontos de fixação:
TA2 T02 V A2
2 (5.9)
TB T02 VB2
48
Assim, consideranndo o referrido na figgura 11, ass componen
ntes horizoontais das tracções
exercidaas pelos conndutores e cabos de guuarda devem
m ser absorrvidas peloss apoios. Mais
M uma
vez todaas as acçõess devem serr reportadas ao sistema de eixos ho
orizontais caartesiano xyy.
Cada poonto de fixaação está asssente num apoio. Con
nforme se pode observaar o cabo estendido
entre oss pontos dee fixação A e B, correesponde a um
u vão gen
nérico A, coom desnívell h entre
esses poontos. Em cada
c apoio é imposta um
ma tracção T com duass componenntes: uma ho
orizontal
represenntada por T0 que é a tracção no vértice daa curva desccrita pelo ccabo; outra vertical
correspoondente a uma
u acção vertical
v deviida ao peso do cabo.
No casoo de vãos coontínuos, a situação
s é ccomposta co
omo se apresenta na figgura seguintte:
49
Figura 23 - Mu
udança de direecção no plano
o horizontal de uma LMT
Fonte: ProjLEA
AT – Projectoo de Linhas Aééreas de MT e AT (EDP 20012)
50
Figura 24
4 - Apoio em âângulo (distrib
buição de forçças)
Fonte: Pro
ojLEAT – Proojecto de Linh
has Aéreas de MT e AT (ED
DP 2012)
mponentes horizontais
As com h das
d tracçõess exercidas por um cab
bo qualquerr serão entãão dadas
por um sistema dee equações onde enquuadram essaas componeentes no sisstema de eixos
e xy.
Assim:
os N
Tx T01 T02 co
(5.17)
Ty T01 T02 seen N
Se as trracções a montante
m e a jusante tiiverem valo
or igual, en
ntão todas aas resultanttes serão
nulas nnos apoios em alinhamento, apaarecendo ap
penas uma componennte na direecção da
bissectrriz do ângulo da linha (eixo y’y).
Deste m
modo podem
mos escreveer um sisteema de equações genérico que see adapta a qualquer
q
situaçãoo quer de aliinhamento quer
q de ânggulo. O sisteema será enttão:
os N
Tx T01 T02 co
(5.19)
Ty T01 T02 seen N
eem que:
Tx – Foorça de traccção, em N
Newton, resu
ultante na direcção
d do eixo x’x (n
nos caso
dos apooios em âng mal à bissecctriz do ângulo da
gulo correspponde à dirrecção norm
linha)
Ty – Foorça de traccção, em N
Newton, resu
ultante na direcção
d do eixo y’y (n
nos caso
gulo correspponde à direecção da bissectriz do âângulo da linha)
dos apooios em âng
51
T01 – Força de traccção horizonntal exercid
da por um caabo a montaante, em Neewton
T02 – Força de traccção horizonntal exercid
da por um caabo a jusantte, em Newton
- Ânngulo que os
o condutorres fazem com a directriz da norm
mal à bisseectriz do
ângulo de desvio da
d linha (noo caso dos apoios
a de alinhamento ttem valor zero),
z em
grados
Figura 25 - Diagrama
D de foorças no apoio
o
Fonte: ProjLE
EAT – Projeccto de Linhas Aéreas
A de MT
T e AT (EDP 22012)
52
As acções exercidas sobre os apoios podem-se dividir em dois tipos: acções normais e acções
excepcionais, cada qual com componentes segundo o sistema de eixos considerado.
As acções normais referem-se a todos os esforços que terão que ser absorvidos pelos apoios,
sem pôr em causa a sua integridade, considerando as situações mais desfavoráveis que se
possam verificar, sem que seja interrompido o regime normal de exploração das linhas.
Incluem-se nas acções normais a sobrecarga própria de vento, a sobrecarga de tracção devida
à sobrecarga de vento, as acções resultantes da desigualdade de duas tracções aplicadas a um
mesmo apoio e as acções verticais, devidas ao peso próprio dos equipamentos das linhas,
exercidas sobre os apoios.
As acções excepcionais referem-se às sobrecargas de esforço que possam surgir, derivado à
interrupção física de um qualquer condutor ou cabo de guarda. A interrupção física de
qualquer cabo condutor ou de guarda, provocará desigualdades de tracção que poderão
originar momentos de torção ou de flexão gravosos para os apoios. As devidas sobrecargas
deverão ser absorvidas pelo menos por alguns dos apoios de uma linha, dado que o emprego
exclusivo de apoios dimensionados para estas condições torna-se muito dispendioso e
eventualmente desnecessário.
Nas acções excepcionais incluem-se também as acções verticais resultantes considerando a
interrupção física de qualquer um dos condutores ou cabos de guarda.
O cálculo das acções exercidas sobre os apoios, com excepção das acções verticais, obedece a
uma equação simples da física, que diz que uma força uniformemente distribuída sobre uma
superfície, exerce uma pressão por unidade de área dessa superfície, ou seja:
F P S N (5.20)
em que:
F – força actuante sobre a superfície S, em N;
P – pressão exercida pela força F, na superfície S, em N.m-2;
S – superfície sobre a qual incide a força F, em m2;
Acção do vento
O vento exerce uma acção sobre todos os elementos expostos da linha, nomeadamente
condutores e cabos de guarda, apoios, travessas ou armações e isoladores. A situação mais
53
desfavoorável será quando o vento incidde perpend
dicularmentee aos elem
mentos da linha em
direcçãoo horizontall.
Nos apooios de alinhhamento a figura
f seguiinte é ilustraativa da direecção do veento a consid
derar:
eem que:
- Coeeficiente de redução;
c – Coeeficiente de forma;
q – Preessão dinâm
mica do ventoo, em Pascaal;
nto incide, em metros qquadrados.
S – Áreea da superffície sobre a qual o ven
55
O artigo 13º do RSLEAT, define as condições em que a pressão do vento deve ser
considerada e quais os seus valores máximos em função da altura acima do solo a que se
encontra o elemento da linha sobre o qual se pretende calcularem a acção do vento.
Na tabela seguinte indicam-se os valores regulamentares para a pressão dinâmica do vento
máximo habitual, sendo que a pressão dinâmica do vento reduzido se toma como sendo 40%
daquele valor:
Pressão dinâmica do
vento ‐ q [Pa]
Altura acima do
solo [m] Vento
Vento
máxima
reduzido
habitual
Até 30 750 300
De 30 a 50 900 360
Acima de 50 1050 420
No caso das linhas e em particular dos cabos devem ser considerados alguns coeficientes,
redutores ou não, relativamente ao valor da pressão dinâmica do vento.
Para expressar esses aspectos deverá em primeiro lugar ser aplicado um coeficiente de
redução , que é na realidade um coeficiente de efectividade do vento. De facto, as frentes de
vento que possam pressionar os cabos não terão, caso geral, a envergadura dos vãos
considerados, sendo as condições de pressão diferentes das que ocorrem por exemplo num
“túnel de vento”. Por isso este coeficiente é inferior a 1 no caso dos condutores e cabos de
guarda. No caso dos apoios, travessas e isoladores, por serem elementos concentrados no
espaço, este coeficiente toma o valor 1.
Este coeficiente de redução está regulamentado pelo artigo 14º do RSLEAT, sendo o seu
valor o que se indica na tabela seguinte, consoante o elemento da linha que estivermos a
considerar:
Coeficiente de
Elemento
redução ‐
56
Em segundo lugar deverá ser considerado um coeficiente de forma c, que pretende traduzir a
rugosidade do elemento batido pelo vento. Sendo os cabos condutores e o cabo de guarda
considerados de forma cilíndrica, estes possuem alguma rugosidade que será tanto mais
notável quanto menor for o seu diâmetro. Os valores de coeficiente de forma estão
regulamentados no artigo 15º do RSLEAT., conforme o quadro se indica na tabela seguinte:
Coeficiente de
Elemento Diâmetro ‐ D [mm]
forma ‐ c
Até 12,5 1,2
Condutores nus e cabos de guarda De 12,5 até 15,8 1,1
Acima de 15,8 1,0
Tabela 12 - Coeficiente de forma (c)
Fonte: ProjLEAT – Projecto de Linhas Aéreas de MT e AT (EDP 2012)
Para determinar o esforço unitário transmitido a cada apoio devido à acção do vento sobre os
cabos, será necessário aplicar o valor da pressão dinâmica do vento, afectada dos coeficientes
de redução e de forma, ao diâmetro (do cabo) batido pelo vento.
A zona batida projectada em plano vertical e perpendicular à direcção da acção do vento
equivale ao diâmetro do cabo. De acordo com o artigo 10º do mesmo regulamento o esforço
unitário devido ao vento é obtido pela expressão:
Fv c q D, em daN/m (5.22)
em que:
- Coeficiente de redução;
c – Coeficiente de forma;
q – Pressão dinâmica do vento, em Pascal;
D – Diâmetro do cabo, em metros.
Para cada apoio a acção do vento traduz-se numa força horizontal, transversal ao sentido da
linha (situação mais desfavorável), sendo a superfície do cabo batida pelo vento, a considerar,
igual ao produto do diâmetro do cabo pelo meio vão que lhe está adjacente, no caso de um
vão isolado, ou pela soma dos dois meios vãos adjacentes, no caso de existirem vãos
contínuos. Assim sendo a acção do vento sobre o cabo pode ser obtido pela expressão
seguinte:
A1 A 2
Fv c q D , em daN (5.23)
2
57
eem que:
- Coeeficiente de redução;
c – Coeeficiente de forma;
q – Preessão dinâm
mica do ventoo, em Pascaal;
D – Diââmetro do cabo,
c em meetros;
A1 e A2 – Vãos adjacentes ao apoio consiiderado, em
m metros.
Figura 28
2 - Acção doo vento sobre os
o cabos
Fonte: ProjLEAT
P –P
Projecto de Lin
nhas Aéreas de
d MT e AT (E
EDP 2012)
eem que:
Fv – Accção do ven
nto sobre o ccabo, em daaN/m;
p – Pesso linear do cabo, em ddaN/m;
PA – Peeso aparentee do cabo, eem daN/m.
58
O aumento aparente de peso provoca o aumento das tracções axiais T e T0 e o aparecimento
de uma componente horizontal de sentido transversal nos pontos de fixação, que deverá ser
absorvido pelos apoios.
59
Sendo a tracção T0 inversamente proporcional à flecha, esta também será influenciada pela
variação de temperatura, ou seja, para aumento de temperatura teremos aumento de
comprimento e diminuição de tracção. Para diminuição de temperatura teremos diminuição de
comprimento e aumento de tracção.
Para cálculo da variação das condições de equilíbrio dos cabos utiliza-se a equação de
mudança de estado, onde estão incluídas as variações de temperatura e a influência da acção
do vento.
Com a variação de comprimento por variação da temperatura será provocada uma variação da
tracção. Essa variação obedece à Lei de Hooke: “as deformações elásticas são proporcionais
às tensões aplicadas”.
Sendo L1 o comprimento do cabo à tracção conhecida T01, se a temperatura variar para um
valor 2 o comprimento de cabo também variará, pelas razões já expostas, assumindo um
valor L2 e portanto variará também a tracção, que passará a Ter o valor T02.
A variação de comprimento em função da tracção pode ser obtida através da seguinte
expressão:
T02 T01
L2 L1 L1 , em m (5.26)
E S
60
em que:
E – Módulo de elasticidade do cabo, em daN/mm2;
S – Área da secção transversal do cabo, em mm2;
T01 – Tracção inicial;
T02 – Tracção final.
Pode então concluir-se que uma variação de temperatura, provoca uma variação de
comprimento do cabo, conforme define a seguinte equação :
L1 T02 T01
L L2 L1 L1 t 2 1 , em m (5.27)
E S
Substituindo L1 e L2 pelas suas expressões fundamentais:
A
L1 2 k1 Senh 2 k
1
(5.28)
L 2 k Senh A
2 2
2 k2
E sendo, respectivamente:
T01 T01
k 1 p k 1 p
A
ou
k T 02 k T02 (5.29)
2 p 2 p A
(Sem vento) (Com vento e/ou gelo)
Da mesma forma, quando se considera a curva do cabo equivalente a uma parábola, obtém-se
a equação de equilíbrio:
A3 1 1 L T 01 T 02
2 2 L 1 t 2 1 1 (5.31)
24 k 2 k1 E S
Aproximação A A A
Equação
2( k 2 senh k1senh ) A. t ( 2 1 ) (T02 T01 )
hiperbólica 2k 2 2k1 E .S
de
mudança
Aproximação A2 1 1 1
de estado ( 2 2 ) t (2 1 ) (T02 T01 )
parabólica 24 k2 k1 E.S
Tabela 13 - Equação de Mudança de Estado
em que:
A – comprimento do vão [m];
T01 – tracção horizontal no estado inicial [daN];
T02 – tracção horizontal no estado final [daN];
E – módulo de elasticidade do cabo [daN/mm2];
S – secção do cabo [mm2];
1 – temperatura do cabo no estado inicial [ºC];
2 – temperatura do cabo no estado final [ºC];
t – coeficiente de dilatação térmica linear [1/ºC];
k1 – parâmetro do cabo no estado inicial [m];
k2 – parâmetro do cabo no estado final [m].
Passo a passo podem determinar-se as condições de regulação dos cabos para diferentes
valores de temperatura final, ou seja, determina-se qual a tracção desses estados finais, e
consequentemente qual a flecha a aplicar aos cabos através das equações dos cabos suspensos
atrás definidas.
Para resolver a equação de mudança de estado devem ser utilizados métodos numéricos.
O processo a seguir será tomando como estado inicial uma situação extrema (condições mais
desfavoráveis de Inverno ou de Primavera), onde são conhecidos os valores t01, p1 e 1. Para
cada estado final fixa-se um 2, com um p2 calculado previamente e calcula-se então t02.
A partir de t02, calcula-se T02, o parâmetro k2 e a flecha de regulação do cabo.
62
5.4.2 Trabalho em CAD
63
Agregar ao projecto uma lista de componentes e de elementos por apoio (mapa de
montagem);
64
Como ppontos obriigatórios do
o traçado iindicam-se os extremos da linhaa e os vérrtices do
traçado.. Estes ponntos devem
m ser marcaados com apoios
a de amarração
a ppara ancoraagem de
condutoores quandoo for o caso.
Na figurra seguinte ilustra-se uma
u distribuuição de apo
oios pelos vértices de uum traçado:
Os apooios de am
marração definem
d os cantões da
d linha, devendo
d seer avaliado
o o seu
comprim
mento. A coomparação deste
d comprrimento com
m o do vão ideal para o tipo de co
ondutor a
utilizar permitirá esstimar a neccessidade dee utilização
o de apoios intermédios
i s e o seu núm
mero.
Quandoo as linhas são equipaadas com ccabos incorrporando fiibras ópticaas, a definiição dos
apoios tterminais das
d bobinas assume esspecial relev
vância, pois é recomeendado que os seus
locais dde implantaçção sejam acessíveis a viaturas parra execução
o de fusões ópticas e co
olocação
de caixaas de junçãoo. Sendo ap
poios terminnais de cabo
os, deverão ser apoios de amarraçção, pelo
que, deffinem novoss cantões ao
o longo do ttraçado.
Definiddos os apoioos de amarrração, devem
m agora distribuir-se os
o apoios dde alinhameento, que
deverãoo ser apoios de suspensão (soluçãoo mais econó
ómica do qu
ue a amarraação).
65
Realizada a distribuição dos apoios, o projectista deve efectuar uma primeira classificação de
apoios de reforço, tendo em consideração que o RSLEAT impõe um limite máximo de 15
apoios entre apoios de reforço consecutivos. A verificar-se a necessidade de introduzir novos
apoios de amarração decorrentes desta imposição, redefinem-se os cantões. A alocação de
apoios de reforço a vértices do traçado traduz-se numa optimização de recursos com benefício
económico na generalidade das linhas.
Definidos os locais de implantação e sistema de fixação em termos de amarração ou
suspensão, devem seleccionar-se as armações a utilizar e definir-se a geometria da cabeça dos
apoios.
Depois de efectuado todo o desenho complementar, deve passar-se ao cálculo e
dimensionamento dos apoios, e para isso deve-se recorrer a uma ferramenta de cálculo.
Foi por mim desenvolvido o programa de cálculo PC-LMT que permite determinar os
esforços a que os apoios estão sujeitos e assim concluir as peças desenhadas do projecto,
definindo então o tipo de apoio. Irei abordar esse software no próximo capítulo.
66
recair sobre a tensão normalizada mais próxima do valor calculado, seja esta inferior ou
superior.
No caso em que uma linha se destina a ampliar uma rede existente, ou se admite que
futuramente venha a ligar-se a ela, a solução mais corrente e mais económica esta em adoptar
a mesma tensão, sendo que as vantagens que eventualmente podem resultar da utilização de
uma dada tensão diferente, são atenuadas pelos encargos de instalação e de exploração de
subestações.
[Link] Resistência
∙
Ω (5.32)
em que:
ρ – Resistividade do condutor a uma temperatura em [Ω/km];
l – Comprimento do condutor [km];
S – Secção do condutor [mm2];
Ω/ (5.33)
∙ 1 20 Ω∙ / (5.34)
em que:
ρ – Resistividade do condutor a uma temperatura em [Ω.mm2/km];
ρ20 – Resistividade do condutor a 20ºC em [Ω.mm2/km];
β – Coeficiente de temperatura da resistividade;
67
A resistividade a 20ºC e o seu coeficiente de temperatura são dados conhecidos e
característicos de cada tipo de condutor.
No entanto a resistência pode ser influenciada por outros factores, tais como o efeito pelicular
o de kelvin e as perdas magnéticas. Irei abordar esses factores nos próximos pontos.
∙ ∙
∙ ∙ (5.35)
em que:
d – Diâmetro do condutor em cm;
ρ – Resistividade eléctrica do condutor Ω ∙ mm /m 10
f – Frequência (corrente alternada, europa 50Hz) [Hz];
μr – Permeabilidade magnética relativa do condutor (igual 1 para o cobre,
alumínio e respectivas ligas);
em que:
μ – Permeabilidade magnética do condutor;
ω – Frequência angular ou pulsão ω 2∙π∙f rad ∙ S
68
Segundo Still:
∙ ∙
1 (5.37)
em que:
a – é a constante igual a 0,0105 para o cobre e 0,0063 para o alumínio
D – Diâmetro do condutor em polegadas (1 pol → 25,4 mm);
ρ – Resistividade eléctrica do condutor Ω ∙ mm /m 10
f – Frequência (corrente alternada, europa 50Hz) [Hz];
Os condutores de alumínio-aço funcionam como se fossem tubulares, dado que a alma de aço
não participa na condução de corrente. Neste tipo de condutores, para as dimensões usuais
(secção de alumínio não superior a 600 mm2) e à frequência de 50 Hz, o aumento da
resistência devido ao efeito pelicular é geralmente inferior a 6% (Sequeira, 2009).
69
em que:
μ – Permeabilidade magnética do condutor (assume o valor 1 para condutores de
cobre, alumínio, ligas de alumínio e cabos de alumínio-aço e assume o valor 200
para cabos de aço galvanizado;
n – Número de condutores por fase;
D – Distância entre condutores;
r’ – Raio fictício definido por: √
r – Raio do condutor;
R – Raio da circunferência que passa pelos condutores que formam a fase.
Assim no caso de apenas 1 única fase, n=1 e r’=r, o coeficiente de auto-indução é definido
por:
[Link] Capacidade
em que:
D – Distância equivalente entre condutores em mm;
r’ – Raio fictício em mm.
70
[Link] Condutância
Se o isolamento das linhas fosse perfeito, não haveria nenhuma corrente entre os condutores e
os apoios, nem superficialmente nem através do isolamento. Neste caso a condutância seria
nula. Mas na realidade, existe uma corrente, ainda que muito pequena porque a resistência do
isolamento não e infinita (Checa, 1985). A existência de uma corrente de perditancia pode
resultar da presença transitória de depósitos condutores a superfície dos isoladores ou do
fenómeno de efeito de coroa. Assim, o valor da condutância varia com as condições
atmosféricas, tipo de isolamento, numero de isoladores na cadeia, apoios por quilometro de
linha e estado da superfície do condutor. Numa linha bem isolada e com tempo seco a
condutância e praticamente nula.
em que:
p – Potencia perdida em kW/km;
Us – Tensão eficaz simples em kV.
[Link] Reactância
A reactância e dada pelo produto da frequência angular ω(rad/s) da corrente alternada pelo
coeficiente de auto-indução sendo este ultimo igual a relação entre o fluxo magnético e a
intensidade de corrente eléctrica que o produz. Ora num qualquer sistema trifásico, o fluxo
magnético que terá que ser considerado não será o produzido por um condutor, mas sim
produzido pelos vários condutores quando percorridos por determinados valores de corrente
(Rodrigues & Vieira, 2007). Considerando como forma de simplificação de cálculos, que as
linhas são percorridas por correntes trifásica equilibradas e de sequência directa, alimentadas
por um sistema de tensões trifásicas equilibradas e de sequência directa, poder-se-á então
determinar o valor da reactância indutiva dada pela seguinte expressão (Sequeira, 2009):
71
∙ Ω/ (5.42)
em que:
f – Frequência (corrente alternada, europa 50Hz) [Hz]
μ – Permeabilidade magnética do condutor (assume o valor 1 para condutores de
cobre, alumínio, ligas de alumínio e cabos de alumínio-aço e assume o valor 200
para cabos de aço galvanizado;
n – Número de condutores por fase;
D – Distância entre condutores;
r’ – Raio fictício definido por: r √nrR
r – Raio do condutor;
R – Raio da circunferência que passa pelos condutores que formam a fase.
[Link] Susceptância
[Link] Impedância
73
Este proograma perm
mite calculaar linhas atéé um númerro máximo de
d 60 apoioos (o que paara o tipo
de linhaas que tem
mos no algarrve nunca será excediido), no en
ntanto este número po
oderá ser
aumentaado para qualquer
q valor
v múltipplo de 30, ou seja, 60, 90, 1120, 150 e assim
sucessivvamente, daado que bastta adicionarr paginas no
o mapa de montagem
m
6.1 In
nterfacee
O menuu principal encontra-se
e dividido em
m 3 grandess grupos.
74
Figura 322 - Mapa de Montagem
M
6.2 C
Cálculo da
d suficiêência doos apoioss
75
em que:
∆>0 – 3 raízes reais distintas;
∆<0 – 1 raiz real e duas raízes complexas conjugadas;
∆=0 – 1 raiz dupla real.
A partir daqui utilizando a lei geral dos zeros da equação cubica, e fácil determinar os zeros
da mesma. A equação de mudança estado apenas poderá ter ∆<0 ou ∆=0, ou seja, tem apenas
1 raiz real ou então a raiz é dupla.
Pela equação geral dos zeros, teremos:
∆
∙ , ∈ 1,2,3 (6.2)
em que:
∆ ∆ ∆ √ √
e 1; ; (6.3)
e sendo que:
∆ 3 (6.4)
∆ 2 9 27 (6.5)
Após o cálculo das tracções, devem ser aplicadas as hipóteses de cálculo de acordo com o
regulamento e tipo de apoio preconizado, calculada a respectiva carga de vento sobre o cabo,
isoladores e respectiva travessa. O resultado será apresentado num boletim onde está contida
toda a informação.
76
Figura 333 - Boletim dee cálculo de Apoio
77
6.3 M
Mapa de Flechas
De moddo a regulaar os condu
utores, é neecessário estar-se na posse
p do m
mapa de fleechas do
respectiivo vão. Num
N mapa de flechass são indicados o tipo de conndutor, as diversas
temperaaturas ambieente (de -10
0ºC até 50º C), a respecctiva tracçãão a regularr para cada valor de
temperaatura ambieente, o valo
or da flechha para cad
da temperaatura e aindda o parâm
metro da
catenáriia. Este softtware permiite ainda dettectar autom
maticamentee o cantão, e indicar no
o caso de
existirem
m vários vãos
v em su
uspensão, o vão equiv
valente, o vão
v de reguulação e o vão de
verificaação.
78
6.4 V
Verificaçção da diistância m
mínima entre co
ondutorees
eem que:
D – Disstância entrre condutorees a meio vãão;
k – Coeeficiente rellativo a natuureza dos co
ondutores;
f – Fleccha máximaa (obtida a 500ºC);
d – com
mprimento das
d cadeias de isoladorr susceptíveiis de oscilarr;
U – Nívvel de tensãão em kV.
A flechaa máxima é obtida atraavés do mappa de flechaas do respecttivo vão parra a temperatura de
50ºC.
Deste m
modo, é neccessário comparar o vvalor obtido
o a meio vão pela equuação (6.6)), com a
distânciia de garanttia dada peelas armaçõ es também a meio vão. Caso a ddistância ob
btida em
(6.6) seeja superiorr a distânccia de garaantia, não está
e garantiida a distâância mínim
ma entre
condutoores.
Figu
ura 35 - Distânncia mínima entre
e condutorres
79
Esta disstância de garantia
g tem
m de ser callculada em função dos valores pre
resentes no Projecto
Tipo ED
DP, conform
me se apreseenta na tabeela seguinte,, que variam
m em funçãoo do ângulo
o β:
Tabeela 14 - Distân
ncia de garantiia para armaçõ
ões (sem gelo))
80
cortam um conjunto de recctas paraleelas, as medidas
m doss segmentoos delimitados nas
transverrsais são prroporcionaiis.
Aplicanndo o teorem
ma de Talees a duas trravessas, see estas estiv
verem sobrrepostas num
m ponto
comum de alinhaamento, e ligando
l coom uma lin
nha recta os
o pontos de amarraação dos
condutoores na travvessa temos uma repressentação 2D
D das duas travessas soobrepostas. A meio
vão (a m
meia distânncia entre elas), o pontto equidistaante situa-see a meio daa distância entre os
pontos dde ligação dos condutores. Comoo as distânccias são pro
oporcionais, apenas terremos de
unir os pontos méddios dos 3 segmentos
s e construir um triângullo. Para detterminar a distância
d
menor, basta deterrminar a disstância do llado mais pequeno
p do triângulo. A
Assim, tereemos por
exemploo as seguinttes combinaações de arm
mações:
Figura 366 - Distânciaa de garantia Figura 37 - Distância de garantia Figura 38 - Distância de garantia
entre GA
AN e HPT4 ou HRFSC N ou VAL e HPT4 ou
entre VAN entre TAL e HPT4 ou HR
RFSC
HRFSC
Foram rrealizadas as
a mediçõess para todass as combinações possíveis e regisstados os vaalores na
tabela aabaixo.
81
Relativaamente ao efeito que o ângulo β produz sob
bre a distân
ncia mínim
ma entre con
ndutores,
conform
me se verifica pela figu
ura abaixo, em travesssas em esteiira em que os 3 condu
utores se
encontraam a mesm
ma cota, com
m o aumentto do ângullo β a distân
ncia entre ccondutores diminui.
Assim, em funçãoo do ângulo, podemo s para umaa determinada situaçãão calcular se essa
distânciia está ou não
n salvaguardada, e nno caso de não
n estar, escolher
e outtro tipo de armação
que perm
mita fazer tal
t ângulo. O cálculo é efectuado da
d seguinte forma:
Em que
Ø = 90 – (β/2)
d = distância
d ntre olhais da travessa
en
L = d * cos(Ø)
D = L * tg(Ø)
82
6.5 Mapa de Montagem
A folha de cálculo permite efectuar o preenchimento automático do mapa de montagem,
evitando assim esquecimentos, falhas ou enganos no preenchimento.
Para isso basta clicar no botão à frente da linha que se pretende preencher para que esta seja
automaticamente preenchida com os dados do apoio activo nesse momento.
Nas situações de remodelação de linhas, em que existem troços em que apenas se substitui o
condutor, e são mantidas as travessas existentes, estas estão disponíveis numa base dados que
contem todos os modelos descontinuados e que poderão ser adicionados a lista manualmente.
Para mais esclarecimentos sobre o funcionamento do mapa de montagem, vide o Anexo II -
Tutorial do PC-LMT.
7. Trabalho realizado
7.1 Projectos de redes de distribuição em média e baixa tensão e
postos de transformação
Durante o estágio realizei diversos projectos de redes de distribuição em média e baixa tensão
(aéreas e enterradas) e postos de transformação.
As redes aéreas foram projectadas utilizando a folha de cálculo por mim desenvolvida.
Foram realizados os seguintes projectos (para consulta dos mesmos vide os diversos anexos):
Modificações na rede de baixa tensão do projecto da Nova Variante de Faro;
Linha Media Tensão (LMT) FR15-184-6-2-1 Fonte da Mesquita, respectivo posto de
transformação e Rede de baixa tensão;
Alteração ao projecto da LMT FR15-76-2-1-11 SALIR ALTE;
Projecto da LMT FR15-191-1-8-12 CUMEADA 3;
Revisão e re-cálculo do projecto do posto de transformação particular da empresa
Fresch Cut na Luz de Tavira e LMT FR15-62-7-7-3 FRESH CUT;
Projecto da LMT FR15-85-1 Várzeas do Moinho e do Posto de Transformação de
Distribuição (PTD) SLV 685.
Projecto da LMT FR-15-76 Monte do Poço 2 e do PTD LLE 1100 e respectiva rede de
baixa tensão;
Alteração a Rede de Baixa Tensão (RBT) do PTD OLH 384 Águas Santas;
Projecto da LMT FR15-77-5-2-1-1 Arzinha 3 e do PTD LLE 1118 ARZINHA 3 e
respectiva rede de baixa tensão;
83
Projecto da LMT FR15-71-3-2-1-4 CALIÇOS 3 e respectivas derivadas, PTD 547
Caliços 3 e ainda a rede de baixa tensão;
Projecto da rede subterrânea que alimenta o PTC da SOPORSAL, em substituição da
rede aérea;
Projecto da LMT FR15-76-2-1-6 TÔR, novo PTD e novas ligações a rede da baixa
tensão existente;
Conclusão do projecto da nova linha de alimentação ao Posto de Transformação de
Cliente da Empresa INDUSTRIAL FARENSE, no Areal Gordo, PTC FAR 553
INDUSTRIAL FARENSE.
Posto de transformação PTD VRS 189, na praia de Manta Rota, para alimentação da
ETAR;
Projecto do PTD VRS 188, Estação elevatória da Fonte Santa;
Projecto de remodelação da LMT FR15-61-1-5-2-1-2 TAVIRA SUCATA;
Projecto da LMT FR15-184-6-2-2 MESQUITA BAIXA, do PTD SBA 100 e
respectiva rede de baixa tensão;
Loteamento Recova (TAVIRA), desenho de projecto de solução de alimentação;
Projecto do desvio da LMT FR15-47-2 Hotel EVA, para construção do terminal de
autocarros urbanos de Faro;
Projecto de alteração da LMT FR15-18-5-4 nas quatro águas em Tavira;
Projecto da LMT FR-15-77-3-1-4-1 Pedra de água 3, respectivo PTD e remodelação
da rede de baixa tensão;
Projecto da LMT FR15-62-7 PICOITO e respectivas derivadas, em Tavira;
Projecto da LMT FR 15-62-7-7 FAIANA em Tavira;
Alteração do traçado das LMT FR15-103 e FR15-217 motivada pela construção da
nova Rotunda da Variante de Quarteira;
Projecto de alteração da LMT FR15-22 SE TAVRA-OLHÃO;
Projecto da LMT FR15-61-1-5 Fonte Salgada;
Projecto da LMT FR15-61-1-5-2 FORNO J. FAUSTINO;
Projecto da LMT FR15-61-1-5-8 FONTE SALGADA 3, do PTD TVR 458 e
respectiva rede de baixa tensão;
Projecto da LMT FR15-3-39 Sapal do Chão 2, PTD CTM 199 e respectiva rede de
baixa tensão;
Posto de transformação PTD TVR 464 Cerro da Ria;
84
P
Projecto doo Posto de Seccioname
S ento e Posto
o de Transfo
ormação Clliente PS/PT
TC VRS
190 EE Beiira Mar e LM
MT FR15-224-1-1;
D
Desenho dee solução dee alimentaçãão ao Parqu
ue Fotovoltaaico da Mexxilhoeira Grrande;
P
Projecto daa LMT FR15-103-4-2 FORTE NOVO
N POE
ENTE e do PTD LLE
E 1119 e
rrespectivas injecções na
n rede;
7.2 A
Análise de
d projecctos de seerviço Publico
P
85
O projecto deve então ser analisado e verificado o cumprimento do previsto na legislação em
vigor e dos requisitos do distribuidor.
Entre outra legislação, os projectos devem ser apreciados ao abrigo do Guia Técnico de
Urbanizações; este documento contém regras para a concepção, aprovação e ligação à rede de
projectos de serviço público.
Para auxiliar os projectistas na elaboração dos projectos de serviço público, a EDP
disponibiliza aos projectistas um conjunto de documentos que contem informações avulsas
sobre como deve ser elaborado o projecto.
Após a análise de alguns projectos, verifiquei que alguns dos erros cometidos pelos
projectistas eram recorrentes, e poderiam estar associados a alguma deficiência na
comunicação entre a EDP e os projectistas, e devido a dispersão dos documentos de apoio.
Assim, numa iniciativa que partiu de uma sugestão minha, elaborei o Guia Técnico de
Projectos de Serviço Público, que é uma compilação dessa informação avulsa, devidamente
organizada num documento de consulta simples, para consulta vide anexo XXXV.
Após a análise de alguns projectos utilizando a checklist fornecida pela EDP, detectei que o
trabalho de análise se tornava bastante difícil, dado que a forma como os campos da checklist
se organizavam não era a melhor, pois obrigava a saltar dentro do projecto, ou seja, não
seguia o normal encadeamento dos documentos.
Dessa forma, elaborei uma nova checklist de acordo com o que me pareceu ser as melhores
práticas para a análise de projectos, para consulta vide Anexo XXXIV.
No decurso deste estágio, foi ainda realizado um estudo luminotécnico de uma urbanização,
de modo a verificar se a solução preconizada pela Câmara Municipal de Lagoa, a ser
executada no âmbito do contrato de concessão da rede de distribuição estava ou não a cumprir
o previsto pela portaria nº 454/2001 no que toca ao valor da luminância, para consulta vide
Anexo XL.
Os projectos de Serviço Público analisados foram os seguintes:
Processo nº 9398 – Sitio da Tavagueira – Albufeira;
Processo nº 9531 – Fundo especial de Investimento Imobiliario – Tavira;
Processo nº 10223 – Sulei S.A. – Loteamento Chão das Donas – Portimão;
Processo nº 10276 – Loteamento na Alagoa – Castro Marim;
86
8. Conclusão
O projecto de uma linha aérea de média tensão, apesar de ser um processo sistemático com
diversas fases que o compõem, é, sem dúvida, um desafio para qualquer engenheiro. Desde a
minha entrada no ensino superior até à presente data, sempre considerei o projecto de linhas
aéreas de média tensão como a mais nobre área dentro do sector de projecto electrotécnico,
após este estágio reforço e confirmo essa certeza. Nos tempos actuais, e com a introdução dos
sistemas de produção de energia renovável, parques eólicos e fotovoltaicos, esta área ganhou
uma enorme importância, dada a necessidade de ligar estes meios de produção à rede e
garantir o normal funcionamento dos equipamentos. Em termos de projecto, um técnico que
tenha a capacidade de projectar um parque eólico ou fotovoltaico e simultaneamente tiver a
capacidade de projectar a ligação a rede e demais sistemas inerentes, possui uma vantagem
competitiva sobre os demais, dada a extrema especificidade desta área.
A ferramenta de cálculo PC-LMT para o cálculo das solicitações mecânicas nos apoios é um
desenvolvimento muito importante no que toca a elaboração destes projectos, dado que
permite um grau de confiança no cálculo muitíssimo elevado, dá certeza ao projectista sobre o
trabalho efectuado e permite poupar imenso tempo. O facto de elaborar o mapa de flechas e
preencher automaticamente o mapa de montagem permite sem qualquer dúvida, uma enorme
poupança de tempo e eliminação de eventuais erros de preenchimento.
São diversas as aplicações para este software, não apenas a elaboração de projectos, mas
também a manutenção, dado que no caso do furto de condutores ou avaria em que seja
necessário substituir os condutores existentes por outros de tipo diferente, em que seja
necessário averiguar se os apoios suportam essa alteração e calcular os novos parâmetros de
regulação, este programa tem um enorme potencial se distribuído as equipas dos piquetes de
manutenção. Um PC portátil com o Microsoft Office instalado é o suficiente para que este
programa corra em qualquer sítio, consumindo por isso poucos recursos materiais, tendo em
conta a mais-valia que ele gera para a empresa que o adopte, que neste caso e a resolução
imediata da avaria pelo piquete, não necessitando de apoio técnico de back office, garantindo
assim uma continuidade de serviço, não existindo prejuízo (energia não vendida) pelo facto da
linha estar temporariamente desligada.
A versatilidade do programa é imensa e as suas bibliotecas não são estanques, podendo ser
actualizadas ao longo dos tempos, sempre que houver alteração de materiais, cabos, travessas,
isoladores, etc.
87
Relativamente a desenvolvimentos futuros, um desenvolvimento possível deste programa
seria a aplicação da equação de mudança de estado mas a redes de baixa tensão (cabos torçada
ou cabo LXS). No projecto de redes de baixa tensão os vãos são calculados com abacos e os
apoios são dimensionados com enorme coeficiente de segurança (sobredimensionamento),
dado que não existe software disponível para este cálculo. Esta aplicação permitiria poupar
imenso dinheiro na optimização dos apoios e manter o mesmo nível de qualidade e segurança
das redes.
Na área da análise de projectos de serviço público, penso que ainda há imenso caminho a
percorrer, a criação do Guia Técnico de Projectos de Serviço Publico é um primeiro passo
para a centralização da informação, mas penso que não é suficiente. Devido a fraca qualidade
dos projectos que são apresentados para aprovação seria importante lançar um programa de
seminários de formação e sensibilização a projectistas e alunos das universidades dos cursos
da especialidade com o intuito de lhes transmitir o que se pretende na elaboração de um
projecto de serviço publico e quais os preceitos e requisitos a cumprir. Disponibilizei-me para
organizar esse programa, se for do interesse da EDP.
O balanço do estágio que faço é muito positivo. Aprendi a calcular linhas aéreas de média
tensão, que são o princípio base da rede de distribuição de energia, e com particular
importância no momento actual com o fomento das energias renováveis. Com o aumento de
parques eólicos e fotovoltaicos, este tipo de projecto e cada vez mais requerido pelos
promotores e são poucos os que o sabem projectar, tornando-se numa oportunidade de
negocio. Já recebi inclusive convite para realizar três projectos de ligação de centrais Mini-
hídricas em Moçambique.
Foram 6 meses de trabalho duro mas muito compensador que tenho a certeza vão nortear a
minha carreira para uma nova área no futuro próximo.
88
9. Bibliografia
89
ANEXOS
ANEXOS