DESAFIO - MÓDULO 17 - ABORDAGEM A PROBLEMAS
CARDIOVASCULARES
Paciente M.L.C.A, 65 anos, sexo feminino, busca atendimento ambulatorial
em unidade de saúde da família queixando-se de dispneia aos esforços no último ano,
com piora progressiva. Ela refere que, há uma semana, acorda durante a noite devido
à falta de ar e tosse, que aliviam ao sentar-se na cama. Desde então, o paciente
dorme com cinco travesseiros. Queixa-se também de edema de membros inferiores e
sentir muita sede, porém urina pouco e predominantemente durante a noite. Paciente
previamente hipertensa, com diagnóstico realizado há aproximadamente há 20 anos,
porém com uso irregular das medicações (HCTZ 25 mg/dia e Losartana 50 mg
12/12h), negando demais comorbidades. Além disso, com presença de obesidade
grau II (IMC 36). Paciente analfabeta e morando sozinha atualmente, relatando
dificuldade em usar as medicações por não saber diferenciá-los. Relata que não
possui contato com os filhos por problemas familiares, que moram em outra cidade
(paciente moradora da zona rural). Paciente moradora em região com epidemiologia
positiva para Chagas.
Ao realizar exame físico, verifica-se que o paciente apresenta pressão arterial 160/90
mmHg, ictus palpável no 6o espaço intercostal E, na linha axilar anterior, presença de
B3, sopro sistólico na região apical e turgência jugular a 45º. Ao realizar ausculta
pulmonar, não foram identificadas alterações. Presença de edema de membros
inferiores 2+/4.
Lista de Problemas:
P1 – Dispneia + síndrome edemigênica
Sd – IC (sec a HAS? Sec. a doença de Chagas?)
P2 – HAS descompensada
Sd – Má adesão terapêutica
Sd – Insuficiência medicamentosa
P3 – Obesidade grau II
P4 – Analfabetismo
P5 – Insuficiência familiar
Foram solicitados, portanto, exames laboratoriais, além de avaliação
eletrocardiográfica e ecocardiográfica para confirmação da principal suspeita
diagnóstica, que apontaram a presença de uma sobrecarga ventricular esquerda no
ECG e uma fração de ejeção de 37%. Feito portanto adequação medicamentosa para
tratamento da ICFEr e da HAS, com a nova prescrição contendo Metoprolol 12,5
mg/dia, Losartana 50 mg 12/12 h e Espironolactona 25 mg/dia. Além disso, foram
adotadas estratégias para adesão medicamentosa, com o uso de caixinhas e
ilustrações para facilitar o uso das medicações, além da realização de visitas
domiciliares regulares no início do tratamento devido a dificuldade de deslocamento da
paciente para a unidade
Sobre a abordagem desse caso, acredito que os pontos positivos foram:
Identificação sindrômica do quadro clínico
Identificação das causas que podem ter sido as causas da principal suspeita
diagnóstica
Determinação das causas da má adesão medicamentosa para o tratamento da
HAS
Estabelecimento de vínculo da paciente com a equipe diante da insuficiência
familiar
No entanto, acredito que os seguintes pontos poderiam ser melhorados:
Solicitação de outros exames laboratoriais que podem ser a causa do problema
(como hormônios tireoidianos)
Aplicar os critérios de framingham para acelerar o tratamento da paciente sem
precisar de exames laboratoriais/imagem
Sobre o contexto familiar e comunitário que acerca essa pessoa, temos muitos
pontos que atrapalham sua saúde. O primeiro que gostaria de pontuar é que a
paciente mora na zona rural em um local bem afastado da sede da USF (chega a
ser aproximadamente 1h de carro de distância). Somado à isso, a paciente é
analfabeta e tem baixas condições socioeconômicas, dependendo integralmente
dos serviços ofertados pelo SUS (no momento na cidade onde atuo estamos com
falta de medicamentos básicos para tratamento das mais diversas comorbidades).
Além disso e não menos importante, a paciente não tem uma rede de apoio forte
devido a problemas familiares, morando sozinha atualmente e sendo ajudada por
alguns moradores de sítios por perto.
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