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Princípios da Educação Alimentar e Nutricional

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Sofia Cunha
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EAN

Marco de referência em EAN

Objetivo promover um campo comum de reflexão e orientação da prática no conjunto de


iniciativas de educação alimentar e nutricional que tem origem, principalmente, na
ação pública.
Realização do direito humano à segurança alimentar e garantia da segurança
alimentar e nutricional.

Conceito: campo de conhecimento e de prática contínua e permanente


transdisciplinar, intersetorial e multi profissional que visa promover a prática
autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis.
Pensamento problematizador e ativo.

Princípios:
1. Sustentabilidade social, ambiental e econômica: não implicar no
sacrifício de recursos naturais renováveis ou não e que envolva relações econômicas
e sociais saudáveis.
2. Abordagem do sistema alimentar, na sua integralidade: as ações de
educação alimentar e nutricional precisam abranger temas estratégias relacionadas a
todas essas dimensões do sistema alimentar, desde o acesso à terra, à água , até a
geração e destinação de resíduos.
3. Valorização da cultura alimentar local e respeito à diversidade de
opiniões e perspectivas: considerar a legitimidade dos saberes oriundos da cultura,
religião e ciência e deve respeitar e valorizar as diferentes expressões e escolhas
alimentares.
4. A comida e o alimento como referências: saber preparar gera autonomia e
permite o estabelecimento de vínculos.
5. A promoção do autocuidado e da autonomia: apoiar as pessoas para que se
tornem agentes produtores sociais de sua saúde.
6. A educação enquanto processo permanente e gerador de autonomia:
privilegiar processos ativos e não transmissão de conhecimento.
7. A diversidade nos cenários de prática: devem ser desenvolvidas de
maneira coordenada e estar disponíveis nos mais diversos espaços sociais para os
diferentes grupos populacionais.
8. Intersetorialidade: troca e construção coletiva de saberes, linguagens
e práticas entre os diversos setores envolvidos com o tema da alimentação e
Nutrição.
9. Planejamento, avaliação e monitoramento das ações: processo organizado
e participativo — do diagnóstico à avaliação — imprescindível para eficácia e
efetividade das iniciativas e a sustentabilidade das ações de educação alimentar e
nutricional.

Elementos chave dos princípios:


Sustentabilidade
Autonomia
Planejamento
Processos ativos
Valorização e respeito
Intersetorialidade

Planejamento em EAN

Planejamento: é o processo de decidir o que fazer. É a escolha sistemática


(organizada) dos melhores meios e maneiras de se alcançar os objetivos propostos.
EAN - não há fórmula pronta, requer contextualização.
O planejamento educacional é expresso por meio de um plano — documento para
registro de decisões.
1. O que fazer?
2. Por que fazer?
3. A quem fazer?
4. Onde fazer?
5. Quando fazer?
6. Como fazer?
7. Quem vai fazer?
8. Quanto custa fazer?

Objetivos:
Diagnosticar as demandas de educação em saúde, dos indivíduos, grupos, família e
comunidade;
Planejar, implementar e avaliar as ações educativas que atendam as demandas
identificadas;
Possibilitar maior aproximação com a realidade local;
Aumentar as chances de sucesso da intervenção.
Envolver os participantes no processo.

Etapas do planejamento de atividades:


1. Diagnóstico (identificação do problema)
2. Objetivos (o que deve ser mudado)
3. Conteúdo programático (quais conhecimentos serão trabalhados)
4. Estratégia — métodos e recursos de ensino (como fazer)
5. Monitoramento e avaliação (analisar se os objetivos foram atingidos)

Diagnóstico: conhecimento da realidade


Identificação do problema
Identificação dos recursos
Estabelecimento das prioridades
Identificação do público alvo
Identificação dos componentes a serem mudados.

Locais prioritários das ações educativas: políticas e programas.


Saúde: rotina da atenção básica
Educação: PNAE
Assistência social: bolsa família, demais programas de segurança alimentar e
nutricional.

Comportamento alimentar

Conceito: é o conjunto de todas as ações praticadas em torno da alimentação.


Componentes:
1. Cognitivo: conhecimento científico mais conhecimento popular.
Condicionamento: alguém disse um hábito (exemplo: se come salada no almoço).
Imitação: pais, familiares, colegas. Ensaio e erro: tentativas. Raciocínio: lógica,
senso crítico.
2. Afetivo: valores sociais, culturais e religiosos; sentimentos e
emoções.
3. Situacional: fatores econômicos, educacionais e externos estruturantes.
Determinantes:
1. Biológicos: fome, apetite, sabor.
2. Psicológicos: humor, estresse, culpa.
3. Sociais: cultura, família, colegas, padrões de refeições.
4. Físicos: acesso, educação, competências (cozinhar) e tempo.
5. econômicos: custo, rendimento financeiro e disponibilidade.
Atenção: influência da mídia-negativa. Associação de determinantes. Atuação da
família.
Comportamento alimentar na infância versus atuação da família:
1. Aspectos fisiológicos (fome). Com a participação nas refeições
familiares, expande-se o componente social da alimentação.
2. A criança começa imitar as escolhas de alimentos, os padrões de
comportamentos que os membros da família e oferecem como modelo.
O acesso a determinados alimentos, os modelos oferecidos, a exposição aos meios de
comunicação e as interações em torno da alimentação modelam comportamento e as
preferências alimentares da criança.

Mudanças no comportamento alimentar

O comportamento alimentar é complexo e envolve uma gama de fatores. Para modifica-


lo é preciso entender a relação entre os elementos que o influenciam e seus
determinantes.
Os modelos teóricos em saúde tem sido cada vez mais usados para auxiliar
profissionais e pacientes a entender as fases do comportamento e gerar
aconselhamento para cada uma das fases.
Reconhecer as necessidades de alteração dos hábitos alimentares é requisito
fundamental para iniciar a mudança de comportamento alimentar.
Elementos essenciais:
1. Estimular a autonomia do sujeito
2. criação de vínculos
3. Relação de confiança e respeito
4. Educação continuada
5. Contextualização

Modelo transo teórico de mudança comportamental:


Também chamada de teoria de estágios de mudança. Processo no qual se progride
através de uma série de fases discretas ou estágios de mudança.
1. Pré contemplação “não têm consciência do problema“
2. Contemplação (pensando em agir)
3. Preparação (prontidão para mudanças)
4. Ação (está agindo)
5. Manutenção (agindo há mais de seis meses)
6. Recaída pode acontecer em qualquer estágio.

Ações:
Identificar o estágio em que se encontra o sujeito.
1. Pré contemplação: informar as recomendações nutricionais, enfatizando
os benefícios de uma dieta adequada. Estimular que o paciente faça uma auto
avaliação da sua dieta.
2. Contemplação: identificar, com a participação do endivido, as barreiras
que limitam as mudanças e guiar o paciente na busca de meios para superá-las.
3. Preparação: definir objetivos concretos e gradativos, sem sobrecarregar
um endivido com várias metas. Ação: fornecer materiais estratégias práticas:
envolver pais, parentes ou amigos que possam auxiliar na mudança e/ou trabalhar com
recompensas (Sem ser alimento).
4. Manutenção: estimular a manutenção dos objetivos e evitar recaídas.

Guia alimentar para a população Brasileira

Objetivo: transformar o conhecimento científico de nutrição em conceitos mais


acessíveis.
Princípios:
1. Alimentação é mais que ingestão de nutrientes.
2. Recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com o seu
tempo.
3. Alimentação adequada e saudável deriva do sistema alimentar socialmente
e ambiental mente sustentável.
4. Diferentes saberes geram conhecimento para formulação de guias
alimentares.
5. Guias alimentares ampliam autonomia nas escolhas alimentares.

A escolha dos alimentos:


Alimentos in natura: obtidos diretamente de plantas ou de animais sem que tenham
sofrido qualquer alteração.
Minimamente processados: são alimentos in natura que, antes de sua aquisição, foram
submetidos a alterações mínimas.
Óleos, gorduras, sal e açúcar: produtos extraídos de alimentos em natura ou
diretamente da natureza utilizados para criar preparações culinárias.
Alimentos processados: produtos fabricados essencialmente com adição de sal ou
açúcar a um alimento in natura ou minimamente processado.
Alimentos Ultraprocessados: produtos cuja fabricação envolve diversas etapas,
técnicas de processamento e ingredientes, muitos deles de uso exclusivamente
industrial.

Regra de ouro: prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e


preparações culinárias alimentos ultraprocessados.

O ato de comer e a comensalidade: comer com regularidade e atenção; comer em


companhia; comer em ambientes apropriados.

10 passos para uma alimentação adequada e saudável:


1. Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da
alimentação.
2. Utilizar olhos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao
temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias.
3. Limitar o consumo de alimentos processados.
4. Evitar o consumo de alimentos Ultraprocessados.
5. Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre
que possível, com companhia.
6. Fazer compras em locais que ofertem variedade de alimentos in natura ou
minimamente processados.
7. Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias.
8. Planejar o uso do tempo para dar alimentação o espaço que ela merece.
9. Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições
feitas na hora.
10. Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre
alimentação veiculadas em propagandas comerciais.

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