2AVF- G.
ANOVULAÇÃO CRÔNICA
VULVOVAGINITES
Processo inflamatório e/ou infeccioso que acomete o trato genital inferior (vulva, paredes
vaginais e o epitélio escamoso estratificado do colo uterino – ectocérvice).
CORRIMENTO VAGINAL
Infecções e seus agentes etiológicos mais comuns:
Candidíase vulvovaginal: Candida albicans
Vaginose bacteriana: Gardnerella vaginalis
Tricomoníase: Trichomonas vaginalis
Infecção por clamídia: Chlamydia tranchomatis
Gonorréia: Neisseria gonorrhoeae
As 3 primeiras são as principais associadas ao corrimento.
Corrimento vaginal
Geralmente ocorre no menacma
Pode ser associado a prurido, irritação local, odor
Avaliar história clínica, prática sexual, características do corrimento, cor, odor,
consistência (líquido, bolhoso), DUM, higiene, medicamentos (ATBs, por ex.,
alteram flora vaginal).
Buscar ulcerações, eritema.
Saber de outras alterações ginecológicas a fim de saber se existe mais
de uma infecção.
Ressaltar que nem todo corrimento é uma IST.
Candidíase vulvovaginal
A Candida albicans associa-se a 90% dos casos de candidíase vulvovaginal. Há outros
tipos: C. glabrata e C. krusei.
Vaginose bacteriana
Sua etiologia é um desequilíbrio da microbiota vaginal, que leva a um aumento das
bactérias anaeróbias, dentre elas a Gardnerella vaginalis. Outras: Prevotella sp, Ureaplasma
sp, Mycoplasma sp. As principais, portanto, são anaeróbias.
Causas não infecciosas de corrimento vaginal
Corrimento mucóide fisiológico: em determinadas fases do ciclo ou no fim da
gravidez (às vezes até confunde com o rompimento da bolsa).
Vaginite inflamatória descamativa: processo inflamatório que causa
descamação.
Vaginite atrófica (pós-menopausa)
Presença de corpo estranho: principalmente em crianças e meninas.
Dermatites alérgicas ou irritativas
VAGINOSE BACTERIANA
Também não é uma IST.
Principal causa de alterações da secreção em mulheres na idade reprodutiva.
Alteração da simbiose - Desequilíbrio do ecossistema - Proliferação de
bactérias anaeróbias facultativas.
Polimicrobiana/Bactérias anaeróbias: Gardnerella vaginalis / Ureaplasma
urealyticum / Mobiluncus spp. / Mycoplasma Hominis / Prevotella spp.
Fisiopatologia
Desequilíbrio da microbiota vaginal causa uma redução dos lactobacilos acidófilos e
aumento das bactérias anaeróbias (Gardnerella vaginalis, Prevotella sp., Ureaplasma sp.,
Mycoplasma sp., Mobiluncus sp.). Normalmente esses lactobacilos acidófilos colocam o pH
vaginal como ácido; com sua redução, aumenta o pH, pelo que em geral na vaginose
bacteriana o pH é maior que 4,5.
Clínica da vaginose bacteriana (VB)
Corrimento vaginal fétido (mais intenso após relação sexual e durante
período menstrual): principalmente se a relação sexual é sem preservativo. É
descrito como “odor de peixe podre”.
Corrimento vaginal branco acinzentado, fluido, cremoso ou bolhoso: ≠ da
candidíase, que é grumoso, parecido com leite coalhado. O da VB é mais
fluido, cremoso.
Leucorréia cremosa, homogênea, branco acizentado ou amarelado,
não aderente. Parede vaginal normal.
Dispareunia (pouco frequente)
OBS.: não há alterações de hiperemia, edema e prurido! Com isso, já consegue diferenciar da
candidíase.
Diagnóstico da VB
Leucorreia cremosa, homogênea, branco acinzentado ou amarelada, não
aderente. Parede vaginal normal.
Odor vaginal “peixe cru” que piora com intercurso sexual e menstruação.
Critérios de Amsel
Sem microscópio:
pH > 4,5
Teste do KOH (Whiff Test) +: “odor de peixe” decorrente da
volatilização de aminas como putrecina e cadaverina.
Whiff test positivo (teste das aminas) 🡪 PATOGNOMÔNICO
(mesmo em pacientes assintomáticas).
Com microscópio (bacterioscopia por coloração de Gram – “avaliação
microscópica a fresco”):
Presença de clue cells (células epiteliais escamosas cobertas por
numerosos cocobacilos): “células em alvo” são as clue cells.
Tratamento da VB
Parceiro: tratamento não aumenta taxa de cura ou diminui recorrência. Não é
rotina tratar.
Orientações gerais:
Abstinência / Uso de códon durante o tratamento.
Abstinência de álcool durante uso e até 24h após metronidazol e 72h
após tinidazol: reação dissulfiram-like.
Uso de duchas deve ser evitado (aumenta a recidiva)
Uso de lactobacillus intravaginal e probióticos: estudos estão em
andamento, mas até agora nenhum provou benefício.
CDC (2015) / Protocolo Febrasgo (2018)
Regime recomendado:
Regime alternativo:
MS (2015)
Na gravidez:
MS:
1º trimestre: clindamicina 300 mg, VO, 2x/dia por 7 dias.
2º trimestre: metronidazol 250 mg, 1 cp, VO 3x/dia, por 7 dias.
3º trimestre: idem ao 2T.
CDC:
Metronidazol 250 mg, VO, 3x/dia por 7 dias.
Metronidazol 500 mg, 2x/dia, 7 dias.
Clindamicina 300 mg, 2x/dia, 7 dias.
HIV positivo: mesmo tratamento.
Infecções recorrentes: (informação extra-aula)
Metronidazol 250 mg, 2 cp, VO, 2x/dia por 10 a 14 dias.
Complicações da vulvovaginite
Endometrite Infecções pós-operatórias
Salpingite Infecções por HIV
DIP
Abordagem Sindromica das Vulvovaginites
Existe um fluxograma no Protocolo do MS. As inespecíficas são diagnosticadas por
cultura.
Microscopia:
Hifas: leveduras; aspecto arboriforme.
Clue cells: células em alvo, células epiteliais com bacilos ao redor.
Trichomonas: protozoários flagelados.
OBS.: corrimento em aspecto de clara de ovo com pH < 4,5 e KOH -: causa fisiológica.
CANDIDÍASE
2ª maior causa de vulvovaginite.
Candida albicans (85%), C. tropicalis e C. Glabrata.
75% das mulheres terão 1 episodio, 40-45% 2 ou mais.
Não é DST, mas pode ser transmitida sexualmente
Riscos – climas quentes, obesidade, imunossupressão, DM, gravidez, uso de
ATB e ACO, contato oral/genital.
Fatores de risco:
Gravidez: alterações hormonais e alterações de microbiota.
Por vezes, desenvolve até mesmo candidíase de repetição.
DM descompensado: alterações no nível de açúcar pode
implicar alterações na microbiota.
Obesidade
Uso de ATBs, corticóides, imunossupressores, quimioterapia,
radioterapia
Aumento da umidade e calor local: absorvente interno,
biquini molhado durante muito tempo favorecem.
Contato com substâncias alergênicas: alguns materiais de
látex favorecem.
Alteração de resposta imunológica (HIV)
Clínica da candidíase
Prurido vulvovaginal: é o principal sintoma! É intenso e marcante. A vulva
geralmente fica avermelhada, inchada ou até mesmo inchada.
Edema vulvar e/ou vaginal com escoriações
Corrimento branco, grumoso e com aspecto caseoso (leite coalhado): é o
segundo sintoma principal.
Fica bem aderida! “Queijo cottage”, “leite coalhado”.
“Leucorréia branca em grumos e aderida”. Vista pelo exame especular.
Dor: disúria e dispareunia.
Hiperemia e edema vulvar: decorrente do prurido.
Placas brancas ou acinzentadas recobrindo vagina e colo: quando passa o
espéculo, vê uma cobertura branca na parede vaginal e no colo.
Fissuras e maceração da vulva
Diagnóstico da candidíase
Sem microscópio:
pH < 4,5: pegar a fita colorida do pH e coloca a secreção em contato.
Teste do KOH (Whiff Test) negativo: “teste das aminas”. Caso haja
produção de aminas, sente um odor desagradável (o que seria o teste
positivo).
Com microscópio:
Exame a fresco (colocar secreção vaginal + salina em uma lâmina):
quando olhar, verificará leveduras e hifas/pseudo-hifas (40-60%).
Presença de leveduras e pseudo-hifas.
Cultura (ágar-Saboraud): especialmente para casos complicados e/ou
resistência.
OBS.: A função da citologia é prevenir Ca de colo de útero!
Tratamento da candidíase
Parceiro tratado apenas em caso de candidíase recorrente
Profilaxia: 1 cp de fluconazol, dose única ou 3 dias consecutivos.
Candidíase não complicada:
CDC (2015)
MS (2015)
OBS.: Miconazol é creme vaginal 2% por 7 dias (um aplicador por dia à
noite).
Candidíase complicada (a partir do 4º episódio):
Mesmo tratamento (tópico) por 14 dias; ou
Fluconazol 150 mg VO nos dias 1, 4 e 7, seguido de manutenção
semanal por 6 meses.
Alguns autores sugerem uso de óvulos vaginais com 600mg de ácido
bórico manipulado.
Na gravidez
Tratamento somente por via vaginal.
TRICOMONÍASE
É considerada uma IST. Causada por um protozoário flagelado (Trichomonas vaginalis)
cujos reservatórios são o colo uterino, a vagina e a uretra. É uma das principais infecções não
virais sexualmente transmissíveis.
3ª maior causa de vulvovaginites (20%).
DSTs associadas.
Facilita transmissão de HIV.
Transmissão quase que unicamente sexual.
Clínica da tricomoníase
Corrimento abundante, amarelado, amarelo-esverdeado, bolhoso, mau
cheiro: só isso já diferencia da candidíase (branco e grumoso) e da VB (branco
ou amarelo, fluido, com odor desagradável).
Prurido ocasional, irritação vulvar: como na cândida.
Sintomas urinários (disúria, polaciúria): intensos.
Dor pélvica, dispareunia.
Sinais inflamatórios: hiperemia da mucosa (colpite difusa ou focal – colo em
framboesa): ao passar o espéculo, verifica-se esse colo em framboesa
(pontilhado e avermelhado). Hemorragias puntiformes.
Edema também.
70-80 % são assintomáticas ou sintomáticas leves.
Homem é o vetor.
Diagnóstico da tricomoníase
Sem microscópio:
pH > 4,5: como na VB.
pH elevado (5-6).
Com microscópio (bacterioscopia por coloração de Gram):
Visualização dos protozoários flagelados móveis em material
ectocervical
Exame bacterioscópico a fresco ou pela coloração de Gram, Giemsa,
Papanicolaou etc.
Podem ser observados por esfregaço do Papanicolau, porém
preconiza-se a confirmação.
Cultura: meio de cultura especial (meio Diamond).
Teste de amplificação de ácido nucleico: muito sensíveis, acesso difícil.
Tratamento da tricomoníase
CDC (2015) e Febrasgo (2018) – mais recomendado:
MS (2015)
Na gravidez:
MS:
1º T: Clindamicina 300 mg, 12/12h, 7 dias.
2º T e 3º T: Metronidazol 250 mg, 8/8h por 7 dias.
CDC:
Metronidazol 2g, dose única (mas pode causar problemas!).
HIV:
Metronidazol 500 mg, 12/12h, 7 dias.
PLANEJAMENTO FAMILIAR
Planejamento familiar: atividade de saúde que visa oferecer informações e meios para
que as pessoas possam decidir livre, consciente e responsavelmente a respeito do número e
época de terem seus filhos.
Métodos contraceptivos no Brasil
70% da população usa algum método
21% anticoncepcionais orais
41% laqueadura tubária (LT)
Critérios de elegibilidade da OMS
Categoria 1: método pode ser usado sem restrição.
Categoria 2: vantagens superam os riscos.
Categoria 3: em geral, riscos superam vantagens.
Categoria 4: risco inaceitável.
Índice de Pearl
Índice que mede o número percentual de gestação com um determinado método no
tempo de um ano. É a “falha” do anticoncepcional no tempo de 1 ano. É a falha do
anticoncepcional; quantos % de mulheres engravidam em um ano enquanto utilizam
determinado método.
Classificação dos anticoncepcionais
Hormonais: pode ser em pílulas, injetáveis e outras vias.
Pílulas: conjugadas (estrogênio + progesterona) ou somente com
progesterona.
Injetáveis: conjugados (estrogênio + progesterona) ou somente com
progesterona.
Outras vias: DIU mirena, anel vaginal (conjugado), transdérmica e
subdérmica.
Não hormonais
DIU de mirena
Anel vaginal
Intradérmica/ subdérmico
Pílulas conjugadas: junção de estrogênio com progesterona.
A contracepção hormonal combinada pode ser ofertada de forma: oral,
injetável, vaginal (anel de silicone- nuvaring), transdérmica (“adesivo de pele” -
EVRA).
A contracepção somente de progesterona podem ser: pílulas (de emergência,
minipílulas), injetáveis, DIU de mirena e implante subdérmico.
Contracepção hormonal combinada
Pode ser oral, injetável, vaginal (anel de silicone – no Brasil, só existe o Nuvaring) e
transdérmico (no BR, só o Edra).
Contracepção hormonal só com progesterona
Existem as pílulas (que englobam as de emergência e as minipílulas), injetáveis, DIU
mirena e implante subdérmico (bastão com progesterona).
Métodos hormonais
São constituídos por progestagênios (promovem a anovulação e inibição do muco
cervical; é quem faz o efeito contraceptivo!) e por estrogênio (não precisa dele para o efeito
contraceptivo; potencializa o efeito do progestagênio e, principalmente, dá estabilidade ao
endométrio, determinando mais regularidade nas perdas sangüíneas). O uso da pílula
combinada dá maior regularidade e conforto para a mulher.
Progestagênios: promovem a anovulação e inibição do muco cervical; a
mulher não tem controle do ciclo menstrual (pode ter spotting).
Estrogênio: potencializa o efeito do progestagênios e dá estabilidade ao
endométrio, determinando mais regularidade nas perdas sanguíneas
Estrogênios mais utilizados (combinados)
Etinilestradiol (orais)
Estradiol: valerianato, ciprionato e enantato (são seus tipos).
Progestagênios mais utilizados
Derivados da Nortestosterona:
Noretisterona
Linestrenol
Norgestrel
Levonorgestrel (2ª geração): muito comum.
Desogestrel (3ª geração): também muito comum.
Norelgestromina
Derivados da Espironolactona:
Drospirenona: hormônio de ação diurética.
Pregnana:
Acetato de ciproterona (4ª geração): efeito antiandrogênico muito
grande.
Medroxiprogesterona (1ª geração)
Acetofenido de diidroxiprogesterona
Derivados da norpregnana
Nomegestrol (4ª geração)
Trimegestona (4ª geração)
Divisão conforme as ações
Vai observar conforme a clínica; em paciente com acne ou hirsutismo, por exemplo,
prescreve um anti-androgênico. Paciente com acne tomar um androgênico causa maleficios.
É baseado na progesterona, e não no estrogênio, que se faz a escolha do ACO
da paciente! Ex.: paciente com face acnéica, hirsutismo, cabelo oleoso, queda
de cabelo 🡪 ANTIANDROGÊNICO.
Paciente com muita retenção hídrica no período menstrual 🡪 ANTIMINERAL
CORTICÓIDE.
O acetato de medroxiprogesterona é encontrado nos anticoncepcionais
injetáveis de forma trimestral; não deve ser usada por muito tempo por conta
dos efeitos adversos (retenção hídrica, pera de massa óssea, DM etc.)
Paciente puérpera só pode usar progesterona 🡪 minipílulas ou injeção com
metroxiprogestorona
Outros métodos
Nuvaring
É um anel vaginal; contém anticoncepcional combinado (todos os dias libera a mesma
quantidade de estrogênio e progesterona); a troca é mensal e feita pela paciente. A paciente
pode apresentar dificuldade de colocar pela resistência a se tocar.
Nactali (desogestrel)
Contém desogestrel, isto é, progesterona de última geração. Muito usado no
puerpério.
Sayana
É um glicocorticoide; de uso trimestral e injetável; também pode ser usado na
puérpera.
OBS.: O estrogênio etinilestradiol é o que está presente na maioria dos anticoncepcionais. Na
maioria dos casos, o que muda é a progesterona usada. As dosagens também variam.
OBS. 2.: A clormadinona é uma progesterona que também tem efeito anti-androgênico, mas
mais leve.
1. MÉTODOS HORMONAIS
1.1. Métodos hormonais combinados
Efeitos colaterais: mal estar, náuseas, aumento do peso, diminuição da libido,
cefaleia, tontura e mudanças de humor.
Índice de Pearl 0,5% (muito seguro)
Risco de TEV:
> 39 anos: 100:100.000
< 39anos: 25:100.000
Fatores que interferem na ação dos anticoncepcionais
Variam muito conforme o paciente! Reações variam conforme a pessoa.
Idade
Função renal/hepática
Percentual de gordura corpórea: se for maior, por ex., vai precisar de dosagem
maior.
Enzimas bacterianas intestinais (quando de forma oral)
Contraindicações dos combinados (nível 4 OMS)
Gravidez, risco cardiovascular, neoplasia hormônio dependente (ex.: CA da
mama e CA de endométrio), hepatopatias, lactação inferior a 6 meses (pode
progesterona pura, mas não pode o estrogênio), fumantes, acima de 35 anos,
doenças tromboembólicas, enxaqueca com aura.
Benefícios dos combinados
Proteção contra CA de ovário e endométrio.
Diminui o fluxo menstrual e regulariza o ciclo menstrual.
Alivia a dismenorreia/cólicas e melhora a endometriose.
Apesar de que a progesterona pura também seja usada no tratamento.
Índice de Pearl
0,5%.
Risco de TEV
Gravidez tem risco 5x maior que os ACs combinados
Bem triada, não deve ter! Deve ser bem escolhido!
> 39 anos: 100:100.000
< 39 anos: 25:100.000
1.2. Métodos hormonais apenas com progestagênio
Índice de Pearl: 0,5%
Vias: oral, injetável trimestral, implante subdérmico, DIU de mirena (contém
apenas progesterona).
Contracepção de emergência: feita somente com progesterona
Alta dose de levonorgestrel 750 microgramas 1 cp 12/12 h até 72
horas após a relação sexual, ou dose única.
Se o óvulo já tiver sido liberado, não consegue fazer efeito. O intuito é
impedir a ovulação.
Índice de Pearl 3% (em 1 ano 3 mulheres em 100 engravidam)
DIU de mirena
Sistema liberador de levonorgestrel (mirena) – “SIL”
Dispositivo em forma de T com reservatório de levonorgestrel (52mg)
Duração de 5 a 7 anos.
Índice de Pearl: 0,1% (método bastante seguro).
Ação: torna o muco hostil ao espermatozóide e tem efeito antiproliferativo do
endométrio.
Não é abortivo! Age sobre o espermatozóide, não sobre o oócito
fecundado/zigoto.
OBS.: Kyleena é um novo tipo de DIU que contém metade da quantidade de levonogestrel;
tem tamanho menor; foi desenvolvido para as nulíparas (útero menor). Contém a metade de
levonogestrel.
Anticoncepcionais não hormonais
DIU de cobre
Não contém hormônio.
Corpo estranho que produz endometrite asséptica com efeito espermicida de
alta eficácia, potencializado pelo cobre.
Índice de Pearl: 1 a 3% (perde o efeito quando sai do local); é menos seguro
que o hormonal.
Tem 10 anos de eficácia.
Vantagens: segurança, baixo custo, alta disponibilidade (tem no SUS), tempo
prolongado.
Desvantagens: colocação desconfortável, aumenta o fluxo menstrual, provoca
cólicas uterinas. Com o passar do tempo os sintomas tendem a melhorar.
Métodos comportamentais
[Link] (a partir do 10º dia a partir da menstruação entra no período fértil), analisar o muco
cervical (ovulando 🡪 muco cervical fluido e abundante, parecido com catarro; quando não
está, fica mais endurecido), coito interrompido, medida da temperatura basal.
Vantagens: sem contraindicação.
Desvantagens: altíssimo índice de falha (20 a 35%). Não são confiáveis para
serem indicados para as pacientes.
Métodos de barreira
Camisinhas masculina e feminina (2 a 12% IP) e diafragma (6 a 20% IP). Como método
único, não devem ser confiadas!
Vantagens: não tem contraindicação (categoria 1 da OMS), proteção para ISTs.
Desvantagens: significativa taxa de falha (20 a 30%).
O diafragma é colocado no colo do útero, com espermicida nele. É pouco prático, pois
tem que fazer isso antes da relação sexual.
Esterilização
Vasectomia (masculina) e laqueadura tubária (feminina).
Laqueadura tubária:
Só pode ser feita em pacientes > 25 anos com 2 filhos ou mais.
40% dos métodos usados no Brasil.
Arrependimento frequente.
Aumenta fluxo menstrual (após alguns anos).
Índice de Pearl: 0,1 a 0,5%.
OBS.: A salpingectomia é a retirada das tubas; é mais segura.
Vasectomia:
Não há aumento de CA de testículo.
Corresponde a 1,2% dos métodos utilizados.
Pode levar dor testicular.
Tem que haver confirmação de azoospermia.
Índice de Pearl 0,5%.
SANGRAMENTO UTERINO DISFUNCIONAL
Descontrole neuroendócrino que afeta o endométrio. Não se refere só a grandes
perdas de volume sanguíneo. SUD = não orgânico = afastar origens orgânicas = DDxD com
estas é essencial.
Trata com hormônios 🡪 se não melhorar, não é SUD.
Classificação dos sangramentos orgânicos
Regra mnemônica PALM COEN. PALM = causas orgânicas; COEN = causas endócrinas e
coagulopatias. São DDxD.
Pólipo endometrial: área vascularizada 🡪 sangramento. Contração uterina, por ex.
Adenomiose: crescimento do endométrio dentro da musculatura do útero.
Leiomiomatose: neoplasias benignas na camada externa, interna ou intramural do
útero. “Mioma benigno”. Sangramento é mais se dentro do útero.
Malignidade: principalmente CA de endométrio.
COagulopatias: 🡪 sangramento maior na menstruação. Familiar (já inicia na menarca;
não tem início brusco).
Endometriais:
Não classificadas
OBS.: Hipotálamo (GnRh), hipófise (FSH e LH), sistema límbico: estresse 🡪 sangramento
disfuncional. Perda do equilíbrio de FSH e LH. Estrogênio, LH e progesterona estão associados
ao endométrio; se manda informações atrasadas ou adiantadas, o endométrio poderá sangrar.
SUD
10% dos casos de sangramento; mais nas extremidades da vida.
Fluxo menstrual normal: 2 a 6 dias; 20 a 80 ml; intervalo entre 21 e 35 dias.
Alteração 🡪 sangramento disfuncional.
Volume: “duas colheres de sopa por ciclo” = 80 ml. Copinho de café =
50 ml. Se acha que tem mais, investigar.
Alterações do sangramento normal
Opsomenorréia, espaniomenorréia, amenorréia, prolomenorréia, polimenorréia,
hipermenorréia, hipomenorréia, oligomenorréia, menorragia, metrorragia, menometrorragia.
OBS.: para diferenciar o uterino do normal. Quando é um sangramento mais lento (orgânico),
não acumula 🡪 borra de café; quando tem sangramento maior (descamamento em bloco),
acumula. Investigar se aconteceu mais vezes (mais de uma vez, persistente, acíclico 🡪
disfuncional).
Etiologia
A partir daqui, só origem disfuncional!
Forma anovulatória: 90%. Comum nos extremos; imaturidade do eixo
hipotalâmico-hipofisário-ovariano ou falência ovariana.
Primeiros anos: “aprendendo” 🡪 não ovula.
Forma ovulatória: estrogênio e progesterona inapropriados 🡪 afeta receptores
endometriais para esses hormônios.
ACOs de baixa dosagem: acaba só ativando os receptores deles,
estimula prostaglandinas 🡪 vasoespasmo, isquemia e necrose.
Deixa de produzir progesterona 🡪 sangramento antes da hora.
Endométrio pode se apresentar de várias maneiras (proliferativo, hiperplásico), o que
indica se tem ação estrogênica ou de progesterona. Ex.: Estrogênica na menopausa 🡪 falta 🡪
endométrio fino, “careca” 🡪 expõe vasos e sangra.
Estudar causas orgânicas!
Fisiopatogenia do SUD
Por ruptura estrogênica: ovulatória. ↓ dos níveis estrogênicos logo antes da
ovulação. Emoções, estresse.
Por supressão estrogênica: não há estrogênio! No longo prazo; menopausa.
Anovulatória. Endométrio fino.
Por ruptura progestacional: produzia e caiu progesterona 🡪 ↓ abrupta. Ex.:
corpo lúteo insuficiente, que não se sustenta. Vasoconstrição endometrial 🡪
prostaglandinas 🡪 sangramento.
Insuficiência de corpo lúteo 🡪 reduz progesterona 🡪 não ovula 🡪
endométrio descama.
Por supressão progestacional: anovulatório. Não há produção de
progesterona. Longo prazo (casos de amenorréia). Ex.: s. de ovários
policísticos.
OBS.: Spotting e spot. Spotting é mancha; spot é o aparelho que faz mamografia.
Diagnóstico
Anamnese, teste de gravidez, hemograma/coagulograma completo, função
tireoidiana (se a história indicar), ultrassonografia (abdominal/pélvica se for
virgo; transvaginal para quem não é), histeroscopia (com biópsia – para quem
não é virgo).
DDx é feito após exclusão de outras causas de sangramento uterino.
Tratamento
Tratamento clínico:
Dieta: o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano se relaciona muito à
alimentação, especialmente ↑ carbs.
Suplementação oral ou injetável de ferro (melhor o ferro quelato que
o sulfato ferroso).
Dosagem depende de cada caso.
Em média 3 meses.
Ferro a ser injetado: 15 – hemoglobina do paciente em g/dL x
peso corporal x 3
Desmopressina: distúrbios da coagulação.
Estrogênios conjugados: fase aguda dos anovulatórios. Não ovula pq
não tem estrogênio 🡪 usa estrogênios.
AINEs: ovulatórios.
Progestágenos: fase crônica. Suprir falta da progesterona. Etinil
estradiol + dienogeste (Qlaira).
Tratamento cirúrgico: se prole definida. Podem levar a infertilidade.
Curetagem endometrial.
Ablasão de endométrio (eletrocirurgia).
Ablasão por laser: “queimagem”.
Ablasão por balão térmico.
Histerectomia.
Algoritmo do SUD
Literatura indicada: Freitas, Febrasgo
TPM e DISMENORRÉIA
Hipotálamo liga-se ao sistema límbico, responsável pelas interações sociais; e é
o hipotálamo que regula os hormônios sexuais.
Toda menstruação tem sangramento, mas nem todo sangramento é
menstruação.
Cultura de que menstruação “limpa purezas”; mas, na verdade, é a
constatação da falha na reprodução.
TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL (SÍNDROME PRÉ MENSTRUAL)
Moléstias relacionadas às alterações hormonais femininas. Associa-se a diversos
fatores; 70% da sintomatologia é comportamental.
Absenteísmo: ausência ou menor rendimento profissional.
Diagnóstico
Exclusivamente clínico. Não existem valores de referência para a variação hormonal!
Presença de pelo menos um sintoma afetivo ou somático, cinco dias antes da
menstruação e em três ciclos prévios.
Sintomas afetivos: evento depressivo, irritabilidade, ansiedade,
retração social, confusão e explosão de raiva.
Sintomas somáticos: mastalgia, edema abdominal, cefaléia, edema de
extremidades.
Alívio dos sintomas em quatro dias após o início da menstruação.
Ocorrência reprodutível dos sintomas durante dois ciclos de observação
prospectiva.
Disfunção identificável do desempenho social ou econômico.
Cuidado com os critérios muito engessados!
Diagnóstico diferencial
Doenças endócrinas, psiquiátricas.
Tratamento
Redução dos sintomas.
Melhora nas atividades social e profissional.
Melhora da qualidade de vida.
Não farmacológico: equilibram o sistema límbico 🡪 equilibram hipotálamo 🡪
FSH e LH regulados 🡪 estrogênio e progesterona também.
Abordagem mente/corpo.
Modificações dietéticas.
Suplementação nutricional (repor!).
Vitaminas A, B, D e E.
Exercícios.
Farmacológico:
Drogas serotoninérgicas: as 3 primeiras durante o dia (pra não perder
sono).
Fluoxetina 20 mg/dia. Se usar só na fase lútea, vai dar resposta
do mesmo jeito.
Sertralina 50-150 mg/dia.
Paroxetina 10-30 mg/dia.
Citalopram 10-30 mg/dia.
Manipulação do ciclo menstrual:
Anticoncepcionais combinados:
Ciproterona: hipoestrogenismo (sangramento uterino
e alterações neoplásicas do endométrio), osteoporose,
e é caro.
Diuréticos:
Espironolactona 25 mg 4x/dia durante a fase lútea
(após 14º dia/ovulação).
Clortalidona 12,5-25 mg/dia nos últimos 10 dias da
menstruação.
Benzodiazepínicos:
Alprazolam 0,375-1,5 mg/dia durante a fase lútea.
Buspirona 25 mg/dia 12 dias antes da menstruação.
DISMENORRÉIAS
É a dor para menstruar.
Primária: é a dor para menstruar sem alguma causa direta (sem problema no
útero). Significa que está liberando muita prostaglandina, tem muito fator
inflamatório.
Secundária: provocada por outra causa. Pode levar a dor pélvica crônica.
Muito prevalente.
Alimentação relacionada com liberação de prostaglandinas (carboidratos e
industrializados, por ex.).
Fatores de risco: idade menor que 20 anos (sistema hipotálamo-hipófise-
ovário está imaturo 🡪 inflamação no endométrio por maior liberação de
prostaglandinas), depressão, ansiedade, nuliparidade, intenso fluxo menstrual,
tabagismo, separações sociais.
Etiopatogenia
Supressão do estrogênio está envolvida.
Diagnóstico e diagnóstico diferencial
Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis: aderências em “cordas de violino” no fígado.
Sinéquias: são “ligamentos” dentro do útero. Síndrome de Ashermann. Etiologia
iatrogênica (curetagem, por ex.). Causa dor.
Gravidez ectópica: muita dor, com ou sem sangramento, menacme. Massa anexial no
USG 🡪 há algo alterado. Se tiver beta-HCG positivo e massa anexial na trompa, no ovário ou
paraovariana = gravidez ectópica. Tratamento clínico (tamoxifeno – até 2,5 cm, sem
batimentos cardíacos e sem sinais de ruptura) ou cirúrgico.
Tratamento
AINES: primária. Reduz inflamação e prostaglandinas.
ACOs: podem ser associados no tratamento da primária (para controlar a
menstruação).
Medroxiprogesterona: uma dosagem a cada 3 meses. Fica na fibra muscular e
faz liberação lenta; bloqueia ciclo por 3 meses.
Secundária: tratar a causa + associar AINEs, ACOs.