Criptococose
1. Introdução → Produção de enzimas (fosfolipase, proteinase,
urease e lacase)
A Criptococose é uma importante infecção fúngica, → Cápsula polissacarídica
que afeta tano animais quanto humanos. Pode causar
micose sistêmica, principalmente em gatos.
A levedura pode ser corada pela Tinta de Nanquim.
2. Etiologia
3. Epidemiologia
→ Classe Bastomycetes (Basidiomicetos)
→ Família Cryptococcaceae O fungo possui distribuição mundial.
→ Gênero Cryptococcus
O C. neoformans var. neoformans é a mais comum,
→ Espécie Cryptococcus neoformans
sendo frequentemente isolada de excretas de aves,
Variedades: C. neoformans var. neoformans e C. principalmente pombos (Columbia livia).
neoformans var. gattii
O C. neoformans var. gattii ocorre principalmente
É uma levedura que pode se apresentar na forma emregiões de climas tropicais e subtropicais, sendo
arredondada, ovalada ou elipsoide. Possui uma cápsula encontrada em fezes de morcegos e também em
de mucopolissacarídeo, sendo importante para a restos vegetas de Eucalyptus camaldulensis.
proteção desse fungo, garantindo sua patogenicidade
Ambas a variedades já foram verificadas em
no organismo animal. Faz reprodução do tipo
excrementos de aves e madeiras em decomposição. O
brotamento.
fungo permanece viável por muito tempo na matéria
orgânica, podendo chegar até a 2 anos, sendo esta
considerada como um reservatóriode partículas
infectantes passíveis de inalação (esporos).
É uma zoonose, sendo mais certamente designada
como uma saprozoonose, visto que o agente passa por
transformações no ambiente externo.
As fezes secas/envelhecidas é o substrato orgânico
O fungo possui alguns fatores de virulência: mais favorável para seu crescimento, visto que há uma
menor quantidade de bactérias e, consequentemente,
→ Produção de melanina
→ Capacidade de crescimento a 37oC
uma menor competição pelos recursos. Dessa forma, o A disseminação do fungo para o organismo depende
fungo consegue se desenvolver melhor. da imunidade do hospedeiro (nutrição, FIV e FeLV e
tratamento com corticoides).
Apesar do fungo ser eliminado nas fezes de aves, estas
raramente desenvolvem a doença, visto que possuem Em felinos, predomina a forma localizada, pois eles
a temperatura corporal mais elevada do que a de possuem seios nasais com uma filtragem mais
mamíferos, ultrapassando a temperatura ótima para o eficiente de pequenas partículas.
desenvolvimento do fungo.
O agente etiológico da criptococose possui predileção
A transmissão ocorre pela inalação do agente, pela cavidade nasal, por serem aerógenos, causando
presente no solo ou em excrementos. Quando as uma rinite e situsite granulomatosas crônicas.
leveduras e/ou esporos são inalados, eles atingem o
5. Sinais clínicos
trato respiratório superior. Entretanto, algumas
partículas menores podem atingir os alvéolos,
Existem diferentes formas da criptococose, dentre elas
causando uma infecção pulmonar (mais comum em
estão a forma: respiratória, tegumentar, nervosa e
humanos; pouco comum em gatos).
ocular.
Além da infecção pelo trato respiratório pode haver
Síndrome respiratória:
inoculação cutânea direta, causando a doença,
entretanto essa forma é muito rara. → Estertores respiratórios
→ Corrimento nasal (mucopurulento, seroso ou
4. Patogenia
sanguinolento)
→ Dispnéia inspiratória
A presença da cápsula diminui a função plasmocítica
→ Espirros
(inibe ligação de IgG), a atividade fagocitária, a
→ Tosse em cães
migração de leucócitos e impede a ação das moléculas
do sistema de complemento. Dessa forma, há uma
diminuição da resposta imunológica do animal.
Normalmente, o trato respiratório superior é a região
mais afetada, entretanto, caso o fungo chegue aos
pulmões, pode haver sua disseminação por via
hematógena para o restante do organismo, pois nos
pulmões é fagocitado por macrófagos, os quais
circulam no organismo levando o fungo. Entretanto, o
Cryptococcus pode se transformar em uma célula
gigante, por meio do processo de endorreplicação Essa síndrome é a forma mais frequente nos felinos
(forma elevado número de cópias do genoma), nos domésticos. Neles, há a formação de massas firmes ou
pulmões e não ser fagocitado pelos macrófagos. pólipos no tecido subcutâneo, especialmente na região
nasal, quadro clínico conhecido como nariz de palhaço.
Pode haver infecção do SNC por extensão direta
através da lâmina cribiforme do osso etmoide da
cavidade nasal ou então por via hematógena,
passando pela barreira hematoencefálica.
Síndrome neurológica: *Meio: Ágar-dextrose de Sabouraud
→ SNC e olhos são os mais afetados *Crescimento demorado (dias à 6 semanas)
→ Nos cães: meningoencefalite
→ Humanos: meningite (comum em Citopatológico
imunossuprimidos) *Material: lesões nasais, cutâneas, aspirados de
→ Pode haver ceratouveíte granulomatosa linfonodos, líquor e fluido de lavado broncoalveolar
*Impressões da amostra em uma lâmina para
posterior coloração e visualização
*Corantes: Wright, Azul de metileno, coloração de
gram, Giensa e Panótico
*Usado para diferenciar da Esporotricose
Síndrome cutânea
→ Ocorre especialmente nos felinos
→ Lesões de pele no pescoço e cabeça que
podem ulcerar
→ Úlceras: focinho, língua, palato, gengiva, lábios
e patas
→ Pode ocorrer de forma disseminada também
→ Lesões nodulares em cães
Biópsia ou histopatológico
*Material: amostras teciduais
*Cápsula: halo claro -> não cora
DD: Esporotricose Sorológico
6. Diagnóstico *Pouco utilizado
Exame microscópico *Material: soro, líquor ou urina
*Preparações a fresco ou tintura de nanquim -> *Teste de aglutinação para Ag (mais usado) ou ELISA
observa-se a capsula do fungo
PCR
Cultura e isolamento
*Pouco utilizado
*Material: lesões nasais, cutâneas, aspirados de
linfonodos, líquor e fluido de lavado broncoalveolar
7. Diagnóstico diferencial
→ Esporotricose
→ Encefalite viral
→ Encefalite bacteriana
→ Meningoencefalite protozoária e ricketsia
→ Meningoencefalite granulomatosa
→ Neoplasias: carcinoma de células escamosas
8. Tratamento
Cetoconazol:
→ Eficiente em alguns felinos
→ Inapetência, vômito, diarréia, perda de peso
→ Aumento nas atividades das enzimas hepáticas
→ Eficácia terapêutica contra criptococose
cutânea
→ Pouco efetivo no tratamento de micose ocular
e do SNC
Itraconazol:
→ Tratamento inicial de escolha para cães e
gatos
→ Usado quando não há envolvimento do SNC,
nem risco iminente de morte
→ Mais efetivo que o cetoconazol, com menos
efeitos colaterais
→ Custo mais elevado
Fluconazol:
→ Alternativa quando o sistema nervoso está
envolvido -> melhor penetração no SNC do
que o itraconazol
→ Eliminado por excreção renal–cuidado com
pacientes com prejuízo da função renal
→ Desvantagem: preço elevado
Flucitosina:
→ Utilizada para induzir sinergismo à anfotericina
B, no tratamento de criptococose
→ Usada quando há envolvimento do SNC
→ Uso isolado pode induzir resistência fúngica
Anfotericina B:
→ Como medicação única é moderadamente
efetivo contra criptococose
→ Nos casos de doença disseminada com risco à
vida
→ Nefrotoxicidade