GRUPO MADRE TEREZA
Jennifer Caroline Ferreira Sá
CONCEPÇÕES DOCENTES SOBRE O USO DAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
Santana, Ap
2023
Grupo Madre Tereza
Faculdade de Pedagogia
Disciplina: Cibercultura e TICs
Professora: Marcela Dias
Aluna: Jennifer Caroline Ferreira Sá
Turno: Tarde
CONCEPÇÕES DOCENTES SOBRE O USO DAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
O artigo discute a importância da integração das tecnologias digitais no setor educacional e a
necessidade de formação de professores nessa área. Ressalta a importância do uso da
tecnologia como recurso pedagógico que vai além do domínio técnico, mas que abrange a
capacidade de leitura e compreensão dos mecanismos de comunicação e informação. O artigo
argumenta que é necessário combinar a formação ética e humanística com os desafios
tecnológicos para criar uma sociedade produtiva e humana. Os desafios impostos pela
tecnologia também afetam a profissão docente, sendo necessário integrar a tecnologia ao
processo educacional para estimular o pensamento crítico, reflexivo, criativo e inovador entre
professores e alunos.
A prática não deve se limitar a apenas uma função executiva e prático-utilitária da educação, é
preciso formar professores para uma realidade educacional marcada pelas novas tecnologias.
No ano 2000, o Ministério da Educação já apontava para a necessidade de redimensionar a
formação de professores, preparando-os para as mudanças propostas para a educação básica.
De acordo com o documento, no mundo contemporâneo, o papel do professor está sendo
questionado e redefinido de várias maneiras. Novas concepções sobre educação, revisões e
atualizações das teorias do desenvolvimento e da aprendizagem, o impacto das tecnologias de
informação e comunicação nos processos de ensino e aprendizagem, suas metodologias e
materiais de apoio contribuem para conformar um cenário educacional com demandas pelas
quais os professores não estiveram, nem estão estar preparado. (Brasil, 2000, p.5). Nesse
contexto, o objetivo deste trabalho foi conhecer e analisar as concepções dos professores
sobre o uso das (TIC) na educação visando promover uma formação docente a partir da
vivência de novos modelos pedagógicos, habilidades e modos de organização que possam ser
incorporados ao ensino.
O estudo foi realizado com duas turmas do curso “Tecnologia na Infância” da pós-graduação
“Alfabetização e Alfabetização” em Educação do Centro Universitário Adventista de São Paulo
(UNASP) nos anos de 2017 e 2018. Para coleta de dados, questionários foram aplicados aos
professores. Assim, buscamos responder as seguintes questões que nortearam o estudo: qual
a concepção do professor sobre o uso da tecnologia nas ações educativas? De que forma uma
formação de professores, baseada em procedimentos didáticos inovadores, pode levar a uma
mudança de paradigma e auxiliar na mudança de práticas pedagógicas? Dentro desse cenário,
foi criado o desenho da disciplina “Tecnologia na Infância” com atividades desafiadoras e um
modelo pedagógico baseado em metodologias ativas de aprendizagem, conforme as
contribuições de Bergmann & Sams (2017), Bacich & Moran (2018), Filatro & Cavalcanti (2018),
proporcionando experiências metodológicas que visavam capacitar professores para integrar
as (TIC) em diversas atividades pedagógicas desenvolvidas no contexto escolar. Como ponto
inicial, entendemos que seria necessário analisar e refletir sobre as concepções desses
professores sobre o uso da tecnologia em sala de aula com o objetivo de obter informações
que nos permitissem identificar como essa concepção se reflete no trabalho pedagógico
(Tardif, 2002; Gautier, 2006). Saberes Docentes: Concepções inseridas na prática pedagógica
Entre as questões mais frequentes que encontramos nas investigações sobre a formação de
professores, algumas se tornam mais relevantes: que saberes são necessários para o
desenvolvimento do professor para ele poder ensinar e para que seu ensino possa levar ao
aprendizado do aluno? Como um curso de formação voltado para professores pode provocar
mudanças de paradigmas que se reflitam em novas práticas pedagógicas? Como os
professores aprendem a ensinar? Segundo Tardif (2002), o saber docente é um “saber plural
formado pela amálgama mais ou menos coerente dos saberes derivados da formação
profissional e dos saberes disciplinares, curriculares e experienciais” (p.54). A autora destaca a
existência de 1 As turmas eram formadas por alunos que ocupavam o cargo de professores no
ensino privado.
Neste texto, são apresentados quatro tipos diferentes de saberes que estão envolvidos na
atividade docente: saber profissional, saber disciplinar, saber curricular e saber experimental.
Esses saberes são influenciados pela formação inicial dos professores, pelos diferentes campos
do conhecimento, pelos programas escolares e pela experiência profissional. Entre esses
saberes, Tardif destaca os saberes experienciais, sendo construídos a partir da prática
pedagógica cotidiana e que permitem ao professor lidar com situações inusitadas e de conflito,
desenvolver habilidades de interpretação e improvisação, e decidir qual a melhor estratégia a
seguir diante do evento apresentado.
Os autores também enfatizam a importância do saber da ação pedagógica, sendo o repertório
de conhecimentos de ensino que direcionam as ações do docente diante das diversas
situações de sala de aula. Esse saber é resultado da relação estabelecida entre os demais
saberes do professor e é constituído pelas representações que cada professor possui da
escola, do professor, dos alunos, dos processos de ensinar e aprender, entre outros aspectos.
Nesse contexto, o estudo busca compreender como os saberes da ação pedagógica e os
saberes experienciais influenciam, ou não, a prática docente no uso pedagógico das
tecnologias como ferramentas fecundas para o processo de ensino e aprendizagem. A
investigação dessas experiências pode fornecer pistas para melhorar os cursos de formação
continuada dos professores, permitindo que eles reflitam sobre sua ação pedagógica e avaliem
novos modos de ensinar e aprender na contemporaneidade.
Gráfico 2 — Fluência Digital dos Participantes Revista Novas Tecnologias na Educação Fonte:
Gráfico extraído do Questionário 1, bloco II, feito no aplicativo Google Formulários. No Bloco III
— Usabilidade das (TIC) na Educação, a maioria dos participantes (80,6%) considerou
importante o uso das (TIC) na educação e afirmou que as utiliza em sala de aula, porém com
pouca frequência (50%). Dentre as atividades desenvolvidas com o uso das (TIC), as mais
citadas foram: pesquisa na internet, atividades de jogos educativos e apresentações em Power
Point. Apenas 5,6% dos participantes afirmaram nunca ter utilizado as (TIC) em sala de aula.
Gráfico 3 — Usabilidade das (TIC) na Educação Revista Novas Tecnologias na Educação Fonte:
Gráfico extraído do Questionário 1, bloco III, feito no aplicativo Google Formulários. Com base
nos dados coletados no Q1, foi possível identificar que os participantes possuíam habilidades
tecnológicas e uma percepção positiva em relação ao uso das (TIC) na educação. Entretanto,
utilizavam algumas dessas tecnologias em suas práticas pedagógicas. A partir dessa análise
inicial, foi possível planejar atividades que oportunizassem aos participantes (experiências)
metodológicas que as capacitassem a usar as TIC de forma mais efetiva e divertida em suas
atividades pedagógicas.
Gráfico 2 — Fluência digital dos participantes Revista Novas Tecnologias na Educação Fonte:
Gráfico extraído do Questionário 1, bloco II, feito no aplicativo Google Formulários. Por fim, no
Bloco III — Usabilidade das (TIC) na Educação, o gráfico 3 mostra que 91,6% dos participantes
concordam que o uso das (TIC) na educação é importante; 97,2% afirmam que o uso das (TIC)
enriquece as aulas e torna o ensino mais dinâmico; e 94,4% acreditam que as (TIC) ajudam a
atender às necessidades dos alunos. Além disso, 94,4% dos participantes afirmam que já
utilizam alguma ferramenta digital em sala de aula e 88,8% acreditam que o uso das TIC auxilia
no processo de aprendizagem dos alunos.
Gráfico 3 — Usabilidade das (TIC) na Educação Revista Novas Tecnologias na Educação Fonte:
Gráfico extraído do Questionário 1, bloco III, feito no aplicativo Google Formulários. Esses
dados mostram que os participantes têm fluência digital e percepção positiva em relação ao
uso das (TIC) na educação. Isso pode ser um fator importante para o sucesso do curso e para a
implementação de práticas pedagógicas inovadoras nas escolas em que as professoras
participam.
Pode ser considerado como discordante, o que indica a necessidade de uma reflexão mais
aprofundada sobre o uso das TIC na educação, de forma a possibilitar uma melhor
compreensão e, consequentemente, uma maior utilização dessas tecnologias. Em relação à
frequência de uso das TIC em atividades pedagógicas, 47,2% (17) dos participantes afirmaram
utilizar frequentemente, 33,3% (12) utilizam ocasionalmente e 19,5% (7) operam. Isso sugere
que ainda há uma parcela significativa de participantes que não utiliza as TIC de forma
frequente em suas práticas pedagógicas, o que pode indicar a necessidade de maior incentivo
e formação para o uso dessas tecnologias.
Quanto à contribuição das TIC para o processo de ensino e aprendizagem, 80,6% (29) dos
participantes concordam que essas tecnologias podem contribuir para o processo de ensino e
aprendizagem, enquanto 13,9% (5) discordam e 5,6% (2) concordam parcialmente. Isso indica
que a maioria dos participantes reconhece a potencialidade das TIC para a educação.
Ainda em relação ao uso das TIC no processo de ensino e aprendizagem, quando questionadas
sobre a contribuição dessas tecnologias para a melhoria da qualidade da educação, 77,8% (28)
concordaram que as TIC podem contribuir para a melhoria da qualidade da educação, 16,7%
(6) discordaram e 5,6% (2) concordaram parcialmente. Esse resultado reforça a importância de
se explorar o potencial das TIC na educação, visando a melhoria da qualidade do ensino.
Sobre a necessidade de formação para o uso das TIC, 97,2% (35) dos participantes
concordaram que é importante receber formação para o uso das TIC no processo de ensino e
aprendizagem, enquanto apenas 2,8% (1) discordaram. Esse resultado reforça a importância
da formação docente para a incorporação das TIC na prática pedagógica.
Por fim, quando questionadas sobre os principais desafios para a utilização das TIC no
processo de ensino e aprendizagem, 30,6% (11) dos participantes apontaram a falta de
formação para o uso dessas tecnologias, 27,8% (10) citaram a falta de recursos tecnológicos,
19,4% (7) mencionaram a falta de tempo para a utilização das TIC, 11,1% (4) destacaram a falta
de interesse dos alunos e 11,1% (4) apontaram outros desafios, como a falta de suporte
técnico e a falta de habilidade no uso das TIC. Esse resultado reforça a necessidade de
investimentos em formação, recursos tecnológicos e suporte técnico para a utilização efetiva
das TIC na educação.
Dados recolhidos por meio dos experimentadores Q1 e Q2. Como participantes do estudo
foram professores da educação básica que possuem diferentes níveis de habilidade e
conhecimento em relação ao uso das TIC em sala de aula. Os resultados indicam que a maioria
das professoras apresentou uma concepção positiva em relação ao uso das TIC como recurso
facilitador do trabalho pedagógico, mas nem todas se sentem habilidosas em utilizar essas
tecnologias.
As respostas à primeira pergunta do Q1 perceberam que a maioria dos participantes (83,3%)
considerava que as TIC são importantes para a educação. Isso pode indicar que essas
professoras reconhecem a importância das TIC no contexto educacional, seja por experiências
pessoais ou pela observação do uso dessas tecnologias em outras escolas, ou por colegas de
trabalho. No entanto, o fato de algumas professoras discordarem ou concordarem
parcialmente com essa afirmação sugere que ainda há algumas resistências ou dúvidas em
relação ao uso das TIC em sala de aula.
A segunda pergunta do Q1 revelou que nem todos os professores acreditam que as TIC podem
contribuir para o processo de ensino e aprendizagem. Enquanto a maioria dos participantes
(83,3%) considerou que as TIC podem ser usadas como recurso facilitador do trabalho
pedagógico, 13,8% discordaram dessa afirmação. Isso sugere que alguns professores ainda não
compreendem o potencial das TIC para o processo educacional ou que ainda não encontraram
formas efetivas de utilizá-las em suas aulas.
A terceira pergunta do Q1 abordou diretamente a relação entre as TIC e a aprendizagem dos
alunos. Embora a maioria dos professores tenha concordado que o uso das TIC pode contribuir
para a aprendizagem dos alunos (80,5%), houve um aumento no número de respostas de
discordância em relação à questão anterior. Isso pode indicar que os professores ainda têm
dúvidas sobre o papel das TIC na aprendizagem dos alunos ou que, mesmo reconhecendo a
importância dessas tecnologias, não sabem como utilizá-las de forma efetiva para promover a
aprendizagem dos alunos.
As questões 4 e 5 do Q1 abordam a habilidade dos professores em utilizar as TIC em sala de
aula. A maioria dos participantes (55,5%) afirmou que possui facilidade e conhecimento das
TIC para uso pedagógico, enquanto 38,8% concordaram parcialmente com essa afirmativa e
apenas 5,5% discordaram. Isso sugere que os professores possuem habilidades tecnológicas
em diferentes níveis, mas que a maioria se sente confortável em usar essas tecnologias em
suas aulas.
A última pergunta do Q1 procurou identificar se as professoras estariam dispostas a modificar
suas práticas pedagógicas para incluir o uso mais efetivo e regular das TIC após a frequência na
disciplina. A maioria dos participantes (69,4%) afirmou que concorda com essa possibilidade,
enquanto 19,4% concordaram parcialmente e 11,1% discordaram. Isso sugere que as
professoras reconhecem a importância do uso de TICS
Revista Novas Tecnologias na Educação Fonte: Gráfico extraído do Q2, feito no aplicativo
Google Formulários. Como podemos observar no Gráfico 5, a maioria dos participantes
considerou que o curso contribuiu significativamente para o desenvolvimento de suas
habilidades digitais, porém, ainda há uma parcela que apresenta uma concepção limitada e/ou
desconhecimento técnico sobre o uso das TIC em suas práticas pedagógicas. Isso evidencia a
necessidade de formação continuada e atualização constante, de forma a promover a inclusão
digital e a qualificação profissional docente.
Conclusão Diante dos resultados apresentados, podemos concluir que houve uma mudança
significativa nas concepções docentes sobre o uso das TIC em suas práticas pedagógicas após a
formação oferecida. Foi possível observar uma alteração na intencionalidade para o uso das
tecnologias, com uma forte tendência para sua incorporação mais efetiva e regular nas aulas.
No entanto, ainda há uma insegurança técnica e pedagógica latente sobre como realizar essa
prática, o que reforça a necessidade de formação continuada e atualização constante dos
profissionais docentes. Nesse sentido, a formação apresentada mostrou-se relevante para o
desenvolvimento das habilidades digitais e para a promoção da inclusão digital no contexto
escolar.
No entanto, ainda há uma considerável resistência e insegurança quanto à sua utilização de
forma mais eficaz e inovadora, que permite a integração dos recursos tecnológicos com as
metodologias pedagógicas ativas. Destacamos também a importância da formação continuada
dos professores, como um fator primordial para a promoção do uso efetivo das TIC na
educação, não apenas em termos técnicos, mas também para a compreensão de sua aplicação
didática e pedagógica. Por fim, destacamos que o presente estudo representa apenas uma
amostra de um grupo de professores de escolas adventistas da cidade de São Paulo/SP, e que
seria interessante replicá-lo em outros contextos e instituições de ensino, de forma a ampliar a
compreensão sobre as concepções e práticas docentes no que tange ao uso das TIC na
educação.
Portanto, é fundamental que as escolas e as universidades invistam na formação continuada
dos docentes, oferecendo cursos e capacitações que possibilitem a reflexão crítica e a
apropriação criativa das TIC para fins educativos. Além disso, é importante que as instituições
educacionais criem espaços e condições que favoreçam a experimentação, a troca de
experiências e o trabalho colaborativo entre os docentes, para que juntos possam inovar e
aprimorar suas práticas pedagógicas.
Por fim, entendemos que as tecnologias não são um fim em si mesmas, mas uma ferramenta
que deve ser utilizada de forma consciente e crítica, sempre em função dos objetivos
educativos e das necessidades dos alunos. É necessário, portanto, que os docentes sejam
capazes de identificar as potencialidades e limitações das TIC, avaliar sua competência e
aprender em cada situação de ensino e aprendizagem e, principalmente, integra-las de forma
significativa e inovadora em suas práticas pedagógicas.