Transtornos de Personalidade: Guia Completo
Transtornos de Personalidade: Guia Completo
T H A L E S T H A U M A T U R G O
T R A N S TO R N O S D E P E R S O N A L I DA D E
PSIQUIATRIA Prof. Thales Thaumaturgo | Transtornos de personalidade 2
APRESENTAÇÃO:
PROF. THALES
THAUMATURGO
Seja muito bem-vindo, Estrategista e futuro Residente!
Sou o professor Thales Thaumaturgo, de Foz do Iguaçu, Paraná,
médico formado pela Universidade do Planalto Catarinense –
UNIPLAC, em Lages, Santa Catarina, e especialista em Psiquiatria
pelo Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina – IPq - SC.
Como muitos de vocês, estudei em uma faculdade particular,
em uma cidade pequena (muito fria) do interior, localizada na serra
catarinense. Ao mesmo tempo que isso me distanciou um pouco
dos grandes polos acadêmicos, dos centros de pesquisa e das
instituições mais renomadas do país, também me deu a chance
de colocar “a mão na massa”. Isso aconteceu porque os alunos
da faculdade em que estudei prestavam assistência médica para
quase toda a cidade, com muitas oportunidades de aprendizado
na “vida real”, associadas a uma ótima carga teórica de ensino
e grandes professores, que se tornaram amigos e colegas de
profissão.
Após minha formação na faculdade, resolvi partir logo
para a Residência Médica. Prestei muitas provas, em diversos
estados do país, e conheci inúmeras bancas organizadoras
durante minha preparação para entrar na Residência Médica. Vou
contar para você: quando saí da faculdade, não tinha certeza de
que carreira médica deveria seguir, por isso prestei provas para
diversas especialidades. Na época, fui aprovado em Psiquiatria,
Neurologia, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, além de
Clínica Médica.
Entre todas as opções em que havia sido aprovado, escolhi
a especialidade que considerava a mais cômoda para os meus
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Estratégia
MED
PSIQUIATRIA Prof. Thales Thaumaturgo | Transtornos de personalidade 3
planos de vida: Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Era Estava muito triste por abandonar um curso de que não gostava,
na minha cidade, eu estaria perto da minha família, dos meus mas senti que finalmente tinha feito o que era preciso. Demorei
amigos, com o hospital a poucos quilômetros da minha casa, na alguns meses para perceber que tudo o que tinha vivido não
cidade onde eu já tinha contatos profissionais e onde já estava fora uma perda de tempo. Aprendi muito profissionalmente, mas
trabalhando em plantões nas emergências dos serviços de toda aprendi muito mais pessoalmente. O desconforto fez-me crescer,
a região. Na verdade, já estava aprovado e prestes a iniciar a e isso não tem preço. A partir de então, voltei a dar plantões,
Residência de Psiquiatria, quando um amigo me perguntou estudei por algumas semanas na minha casa e encarei novamente
durante um plantão: “você vai prestar a prova para Radio?” — as provas, dessa vez decidido: queria entrar na Residência de
eu nem sabia que, naquela altura, meados de fevereiro, ainda Psiquiatria. Entrei.
haveria uma prova de Residência Médica na cidade. Resolvi tentar. Durante minha Residência em Psiquiatria, conheci uma outra
Poderia ter escolhido entre tentar a Radio, Gineco ou Anestesio. realidade e tive a oportunidade de trabalhar em grandes hospitais
Passei em segundo lugar em Radio. Mas, rapidamente, descobri na região de Florianópolis, como o Hospital Universitário da UFSC
na prática que o comodismo pode ser um grande erro. E, para e meu querido IPq – SC, hospital de internação psiquiátrica, com
mim, foi. cerca de 300 leitos, onde fiz grandes amigos, conheci profissionais
Não havia escolhido o que, de fato, queria fazer. Havia sido incríveis, atendi pacientes que marcaram minha vida, aprendi o
seduzido por uma aparente comodidade. Após a empolgação belo ofício da Psiquiatria (que hoje tenho o prazer de ensinar).
inicial, quando a fase da novidade já havia acabado, estava Foi lá onde, finalmente, descobri o que gostaria de fazer para o
vivendo uma rotina que não me agradava e logo percebi que resto de minha vida. Foi ali, a duras penas, que percebi que minha
não estava feliz. Tive ainda mais certeza disso lá pelo meio do faculdade tinha me preparado à altura para encarar esse grande
R1, quando estava dando um plantão noturno de ultrassom no desafio profissional.
hospital. Só pensava nas minhas possibilidades, culpava-me Hoje, sou muito realizado com as minhas escolhas e muito
constantemente pelo meu “erro”, achava que tinha “jogado um grato por tudo que aprendi na faculdade e nos meus anos de
ano inteiro da minha vida fora”, que tinha “ficado para trás”. Nessa Residência Médica, seja em Radio ou Psiquiatria. Acredite em
noite, procurei um dos meus preceptores, que estava no plantão mim, uma boa Residência faz toda a diferença em nossa carreira,
da tomografia, e perguntei de maneira direta: “professor, quando nossa vida e no que podemos proporcionar a nossos pacientes!
você percebeu que fez a escolha certa com a Radiologia?” Ele Por isso, estou aqui para ajudá-lo a conquistar sua sonhada vaga
me respondeu: “desde o meu primeiro dia na Residência. Eu me e espero que, em alguns anos, você também possa olhar sua
encontrei nisso aqui. Minha mãe não entende direito o que eu trajetória e sentir orgulho dela.
faço, fala que eu sou ‘raio-xizeiro’”. Então, digo por experiência própria, siga o caminho que
Depois disso, ainda levei uns meses para criar a coragem lhe trará realização profissional, mas, acima de tudo, que lhe
necessária para recomeçar. Mas, um dia, pela manhã, lá pelo fim dê satisfação pessoal, que o faça feliz. Não tenha medo de
do ano, fui até a direção do hospital e pedi meu desligamento recomeçar, sempre valerá a pena.
da Residência. Foi um dos dias mais estranhos que tive na vida.
@estrategiamed
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Estratégia
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/estrategiamed
PSIQUIATRIA Transtornos de personalidade Estratégia
MED
SUMÁRIO
1.0 INTRODUÇÃO 7
1.1 TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE (TP) 7
2.0 AGRUPAMENTO A 9
2.1 TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOIDE (TPEZ) 9
3.0 AGRUPAMENTO B 13
3.1 TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL (TPAS) 13
4.0 AGRUPAMENTO C 24
4.1 TRANSTORNO DE PERSONALIDADE DEPENDENTE (TPD) 24
Estrategista, os transtornos de personalidade (TP), conteúdo desta aula, representam apenas cerca de 1% das
questões de Psiquiatria das provas, embora essas patologias afetem cerca de 20% da população.
Observe abaixo a engenharia reversa dos temas de Psiquiatria nas provas de R1 entre 2014 e 2023:
5° Psicofarmacologia 9,30%
Total 100,00%
Dessa forma, seremos objetivos, focando as características gerais dos principais TP, com destaque para a personalidade borderline.
Agora, vamos começar!
Estrategista, fique atento, pois raramente a banca cobrará apenas conhecimento sobre os TP. As questões apresentarão um caso
em que uma das hipóteses é um transtorno de personalidade.
CAPÍTULO
1.0 INTRODUÇÃO
A personalidade é a “marca registrada” de cada pessoa, diz respeito a um conjunto estável de características que denota tendências e
padrões de comportamentos e experiências internas de um indivíduo.
Uma das principais teorias da formação da personalidade leva em conta um modelo bidimensional, em que o caráter e o temperamento
interagem para seu estabelecimento.
Fonte: Shutterstock
Os transtornos de personalidade são padrões duradouros população. Além disso, cerca de 50% dos pacientes com transtornos
e inflexíveis de comportamento, que tornam o funcionamento do psiquiátricos apresentam um transtorno de personalidade
indivíduo mal adaptado ao meio em que se vive. Por definição, o comórbido. Seu diagnóstico é baseado na avaliação clínica, levando
desvio do padrão esperado de comportamento surge precocemente em consideração a história de vida do indivíduo. Portanto, não é
e mantém-se estável por boa parte da vida. necessário exames complementares.
Estima-se que sua prevalência aproxime-se de 20% da
Segundo o DSM-5-TR, existem 10 transtornos de personalidade, que estão divididos em três categorias distintas, chamadas de
“agrupamentos” ou “clusters”:
A B C
Antissocial
Esquizoide Dependente
Borderline
Esquizotípica Evitativa
Histriônica
Paranoide Obsessiva - compulsiva
Narcisista
CAPÍTULO
2.0 AGRUPAMENTO A
O transtorno de personalidade esquizoide (TPEZ) atinge cerca de 5% da população, sendo caracterizado pelo desinteresse em manter
relacionamentos interpessoais ou sexuais e pela redução da expressão afetiva, assemelhando-se aos sintomas negativos da esquizofrenia,
Fonte: Shutterstock
que distingue o paciente com TPEZ de um paciente com ansiedade social é que, no TPEZ, há falta
de interesse pela interação social e interpessoal, associada à indiferença, enquanto, na ansiedade social, os
pacientes sofrem com suas baixas habilidades sociais, nutrindo o desejo de relacionar-se com outras pessoas.
CAI NA PROVA
(AMRIGS - 2021) Entre os critérios diagnósticos do DSM-5 para Transtorno de Personalidade Esquizoide descritos abaixo, assinale o que NÃO
reproduz corretamente esse transtorno.
A) Não deseja nem desfruta de relações íntimas, inclusive ser parte de uma família.
B) Quase sempre opta por atividades solitárias.
C) Mostra-se indiferente ao elogio ou à crítica de outros.
D) Apesar de dificuldades, tem amigos próximos ou confidentes.
COMENTÁRIOS
Incorreta a alternativa D. Pacientes com esse transtorno dificilmente têm amigos próximos ou confidentes.
Fonte: Shutterstock
Especialmente em situações de estresse, esses pacientes podem apresentar sintomas psicóticos, geralmente de curta duração.
Psicoterapia e psicofármacos são possibilidades terapêuticas. O uso de antidepressivos pode reduzir a sensação de indiferença, e os
antipsicóticos diminuem os sintomas “positivos”.
A terapia cognitivo-comportamental pode ser útil no tratamento, ajudando o indivíduo a compreender seu comportamento paranoico
e a corrigir automatismos e falsas premissas. Antipsicóticos podem ser utilizados, auxiliando alguns pacientes na redução da desconfiança.
CAI NA PROVA
(HASP - 2022) L.J.F., 20 anos, é trazida para avaliação ambulatorial pelos pais. Relatam que a filha é, desde sua infância, uma pessoa de poucos
amigos e interesses. Tais comportamentos se intensificaram na adolescência e, atualmente, L. passa a maior parte do tempo em seu quarto,
lendo ou usando o computador. Não manteve contato com os amigos de infância e não tem interesse em fazer novos amigos. Nunca teve um
relacionamento íntimo e parece não ter interesse sexual. Os pais de L. estão bastante preocupados já há muito tempo, mas não buscaram
auxílio profissional porque a filha constantemente recusava ida ao psiquiatra. Ao contato, L. não se mostra incomodada com a situação,
demonstrando frieza emocional e distanciamento afetivo.
Qual a principal hipótese diagnóstica para o caso?
A) Transtorno de personalidade de esquiva.
B) Transtorno de personalidade antissocial.
C) Transtorno de personalidade borderline.
D) Transtorno de personalidade esquizoide.
COMENTÁRIOS
Estrategista, observe que, neste caso, é possível definir um3.0 funcionamento específico de isolacionismo e desinteresse pela vida
social, afetiva e sexual desde a infância. Note que tais características não causam aparente sofrimento na paciente e mantêm-se estáveis ao
longo do tempo.
Agora vamos às alternativas!
Incorreta a alternativa A. Os pacientes com esse transtorno de personalidade apresentam sintomas ansiosos crônicos, retração e inibição
social e, por isso, sofrem de maneira intensa. Também são muito sensíveis às críticas.
Incorreta a alternativa B. Os indivíduos antissociais são inescrupulosos, desdenham de leis, ignoram as convenções sociais e os bons costumes,
sempre agindo em benefício próprio.
Incorreta a alternativa C. Os pacientes borderline são instáveis afetivamente, impulsivos, raivosos, possuem medo do abandono e limite baixo
de tolerância às frustrações.
Os pacientes esquizoides são embotados e isolados, mantêm um afastamento da vida social e não
Correta a alternativa D.
demonstram interesse por se relacionar social ou afetivamente com outras pessoas. Se comparados aos
pacientes com esquizofrenia, poderiam ser considerados como portadores de “sintomas negativos”, sem a presença de sintomas positivos,
como alucinações e delírios.
CAPÍTULO
3.0 AGRUPAMENTO B
3.1 TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL (TPAS)
Fonte: Shutterstock
O TPAS também pode ser referido como psicopatia, sociopatia e transtorno de personalidade dissocial.
Embora os sintomas precisem estar presentes antes dos 15 anos, caracterizando o chamado
transtorno de conduta (TC), condição antecessora considerada menos grave, o diagnóstico desse TP é o
único que só pode ser firmado a partir dos 18 anos.
O tratamento adequado raramente ocorre, pois esses pacientes não aderem voluntariamente a métodos psicoterápicos e não se
submetem a tratamentos farmacológicos. Alguns estudos mostram que o emprego de estabilizadores de humor pode reduzir a agressividade
e a impulsividade.
CAI NA PROVA
(USP 2019) Homem, 38 anos de idade, funcionário público, recusou promoção, pois é relutante a assinar cheques
ou escrever qualquer coisa em público. Ele também pensa que o seu chefe está controlando o que está fazendo, ainda que ele saiba que
não há motivo para isso. De fato, ele é um ótimo funcionário. Ele percebe que não há motivo para agir assim. Ultimamente ele tem evitado sair
com os seus pares e bebe para poder lidar com a situação. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
COMENTÁRIO:
Incorreta a alternativa . Transtorno de personalidade antissocial é marcado por desrespeito às regras e convenções sociais, falta de pudor e
remorso.
Incorreta a alternativa B. Agorafobia é um medo desproporcional de expor-se a lugares públicos ou movimentados, com medo de passar mal
e não poder receber ajuda.
Incorreta a alternativa C. Transtorno de personalidade paranoide é marcado pelo comportamento paranoide e desconfiado, quando o
indivíduo acredita que os outros querem prejudicá-lo, mesmo sem qualquer razão aparente. Nesse caso, o motivo de o paciente sentir-se
“controlado” dá-se pelo desconforto em ser avaliado e/ou monitorado em situações públicas, e ele reconhece que não há motivos para
desconfianças, crítica que normalmente não está presente no comportamento paranoide. Destaca-se que tal padrão de comportamento
inicia-se precocemente, é difuso e estável durante a vida.
Fobia social é caracterizada por ansiedade ou medo desproporcionais de avaliações, observações e escrutínios
Correta a alternativa D.
de outras pessoas. Muitas vezes, o paciente utiliza substâncias de abuso para aliviar seu sofrimento. Nesse
caso, o paciente é merecedor de uma promoção, contudo fica tenso e incomodado quando se sente observado ou tem que falar em público.
(HMASP 2019) Escola particular convoca os pais de menino de 6 anos, pois ele vem apresentando, nas atividades escolares, comportamento
frequentemente irritadiço quando contrariado, agressivo com os colegas e com dificuldades em acatar ordens dos professores. Assistente
social relata que foi observado, durante atividade ao ar livre, a criança colocando fogo em gato e, quando confrontado sobre ser errado esse
tipo de ação, não demonstrou nenhum tipo de arrependimento. Qual o diagnóstico correto para o caso relatado acima?
COMENTÁRIO:
Incorreta a alternativa C. Transtorno de personalidade antissocial é marcado por desrespeito às regras e convenções sociais, falta de pudor
e remorso, atitudes criminosas ou violentas, contudo é o único transtorno de personalidade exclusivo de adultos, só podendo ser assinalado
após os 18 anos.
Incorreta a alternativa B. A característica essencial da piromania é a presença de vários episódios de provocação deliberada e proposital de
incêndios, que envolvem prazer ou grande curiosidade em relação ao fogo. Não é considerada piromania quando esses eventos acontecem
“dentro” de um transtorno de conduta ou transtorno de personalidade. Além disso, os incêndios não têm como finalidade ganhos materiais.
Incorreta a alternativa C. No transtorno explosivo intermitente, a característica central do diagnóstico consiste em “explosões de raiva” em
reação desproporcional a um acontecimento, envolvendo agressão verbal e/ou física e danos ou destruição de objetos ou propriedades
alheias. Como o próprio nome diz, não é “contínuo” e normalmente causa desconforto ao paciente.
Incorreta a alternativa D. Principal diagnóstico diferencial do caso, o transtorno de oposição e desafio caracteriza-se por um padrão de
comportamento irritável, em que o indivíduo desafia figuras de autoridade, fica facilmente contrariado e ressentido e, com frequência,
“perde a calma”. Nesse transtorno, não há associação comum com crueldade contra animais ou pessoas, roubo ou destruição de propriedade.
O transtorno de conduta é caracterizado como um padrão persistente de desrespeito às regras sociais,
Correta alternativa E.
agressões, ameaças, destruição de propriedade, crueldade com animais, entre outros sinais e sintomas. Os
problemas comportamentais do transtorno de conduta são considerados mais graves do que do comportamento opositor e desafiante.
Fonte: Shutterstock
CAI NA PROVA
(UFCSPA - 2023) Paciente do sexo feminino, de 21 anos, é trazida pela sua mãe à consulta em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A
mãe da paciente diz-se extremamente preocupada com a filha; conta que esta teve relacionamentos extremamente conturbados com três
namorados, e nos três relacionamentos apresentou intenso medo de ser abandonada e que essas relações haviam sido intensas e instáveis,
com muitas brigas e agressões. Relata, ainda, que, quando a filha termina os namoros, costuma se automutilar com objetos cortantes em seus
pulsos. A menina chora durante a consulta e diz sentir um vazio crônico e, ao mesmo tempo, uma raiva intensa. Culpa os namorados e a mãe
de não a compreenderem. Diante desse quadro, a hipótese diagnóstica CORRETA é:
A) Transtorno depressivo maior.
B) Transtorno de personalidade narcisista.
C) Transtorno de personalidade borderline.
D) Transtorno de personalidade histriônica.
COMENTÁRIOS
Estrategista, observamos neste enunciado uma mulher jovem levada pela mãe ao atendimento médico. Esta relata que sua filha possui
um histórico longo de relacionamentos "conturbados", medo do abandono, instabilidade afetiva, sessões de automutilações em resposta à
frustração, além de sentimentos de raiva e vazio constante.
Dessa forma, a mãe da jovem descreve um quadro longitudinal característico de um transtorno de personalidade borderline ou, ainda,
emocionalmente instável. Esse transtorno da personalidade denota um padrão contínuo de instabilidade nas relações interpessoais, na
autoimagem e no afeto, com aumento da impulsividade e baixa tolerância a frustrações, compatível com a descrição da paciente do quadro.
Seu tratamento é baseado em psicoterapia.
Incorreta a alternativa D. Os pacientes com esse transtorno de personalidade são dramáticos e teatrais, querem ser o centro da atenção.
Muitas vezes são insinuantes sexualmente para conseguirem seu objetivo. Psicoterapia pode ser útil nesse transtorno de personalidade.
(UFSC - 2022) Considere uma paciente feminina, 48 anos, internada devido à tentativa de suicídio por meio da ingesta de 20 comprimidos de
clonazepam 0,5 mg. Foi inicialmente internada em unidade de terapia intensiva devido ao risco de rebaixamento do nível de consciência, mas
evoluiu clinicamente bem e após 48 horas foi liberada para seguir internação em enfermaria. Em sua primeira avaliação, ainda sem a presença
de um familiar, a paciente relata ser a sua terceira tentativa de suicídio. Todas as três tentativas ocorreram no contexto de discussão com o
seu cônjuge e foram por meio de ingestão de medicamentos. Relata estar “deprimida” e ainda persistir com ideação suicida, que tem plano
de usar método diferente em nova tentativa, porém não relata qual seria tal método. Já em avaliação subsequente com psicólogo, a paciente,
acompanhada de sua filha e muito bem humorada, relata estar arrependida de ter tentado pôr fim à própria vida e que não tem intenção de
nova tentativa, relatando que essa é uma questão resolvida para ela. Por fim, em avaliação com o psiquiatra, a paciente, acompanhada de seu
cônjuge, relatou em tom agressivo que não tem intensão de nova tentativa de suicídio, mas que não está arrependida da tentativa atual, pois,
segundo ela, o seu cônjuge “mereceu tomar esse susto”.
Assinale a alternativa correta com relação ao caso.
A) A flutuação intensa do humor em um período tão curto de tempo é característica do delirium, que pode ser hiperativo quando o humor
é mais eufórico e hipoativo quando o humor é mais embotado.
B) A flutuação intensa do humor em um período tão curto de tempo levanta suspeita de transtorno de humor bipolar como provável quadro
psiquiátrico de base, com evolução de uma fase depressiva para uma fase maníaca.
C) Os diferentes relatos com relação à atual tentativa de suicídio podem ser caracterizados como delírios bizarros, levantando a hipótese
diagnóstica de esquizofrenia de início tardio.
D) Tentativas de suicídio relacionadas a atos impulsivos são de baixo risco para novas tentativas, sendo dispensada uma boa rede de apoio
familiar ou social para a alta hospitalar e seguimento da paciente.
E) O padrão de instabilidade em relacionamentos interpessoais, variações extremas de humor e impulsividade nas tentativas de suicídio
levantam a suspeita de transtorno de personalidade borderline como o provável quadro psiquiátrico de base.
COMENTÁRIOS
Incorreta a alternativa A. O delirium é um transtorno que envolve alteração flutuante do nível de atenção e consciência.
Incorreta a alternativa B. O transtorno bipolar é caracterizado por fases de depressão e de mania, que normalmente duram semanas a
meses, de maneira contínua, e associa-se a diversos outros sintomas, como grandiosidade, redução da necessidade do sono, taquipsiquismo,
envolvimento em atividades perigosas etc.
Incorreta a alternativa C. Delírios são alterações patológicas do conteúdo do pensamento. Ou seja, trata-se de acreditar, de maneira inalterável,
em uma ideia que não se sustenta em fatos.
Incorreta a alternativa D. Tais tentativas impulsivas representam um grande fator de risco para nova tentativa, portanto é fundamental
acionar o círculo familiar da paciente.
e baixa tolerância a frustrações, compatível com o enunciado. Seu tratamento é principalmente psicoterapêutico.
(UNAERP 2019) Entre pessoas que se suicidam, muitas delas têm transtornos de personalidade. Os mais associados ao suicídio são os
transtornos de personalidade
A) histriônico e narcisista.
B) de esquiva e dependente.
C) anancástico e antissocial.
D) borderline e antissocial.
E) paranoico e emocionalmente instável.
COMENTÁRIO:
Apesar dos poucos estudos confiáveis quanto à prevalência de suicídios em cada transtorno de personalidade (pela dificuldade
metodológica que inviabiliza essa análise), classicamente se associa mais ao suicídio o transtorno de personalidade borderline, devido, entre
outras características, à sua baixa tolerância às frustrações e à sua alta impulsividade. Transtorno de personalidade antissocial também está
associado a maiores taxas de suicídio, devido ao emprego de métodos violentos.
Correta a alternativa D
(SMS-SJP 2014) Uma mulher de 23 anos é hospitalizada na unidade psiquiátrica por ter cortado ambos os pulsos quando o seu terapeuta saiu
em férias por uma semana. Os cortes foram superficiais e não precisaram de pontos. A paciente diz que está zangada com o psiquiatra por
"abandoná-la". Relata que esse tipo de comportamento é frequente e ocorre sempre que se sente contrariada ou frustrada com algo. Informa
que, ao realizar esses atos automutilatórios, sente um alívio dos seus sentimentos negativos. Afirma que se deprime frequentemente, embora
as depressões durem "apenas algumas horas". Relata que as pessoas não a compreendem, pois queixam-se que ela é muito instável. Quando
foi hospitalizada, disse ao psiquiatra que ouvia uma voz lhe dizendo que "ela nunca seria nada", mas subsequentemente negou ter ouvido a
voz. Esta é sua 4ª hospitalização, e todas foram por tentativa de suicídio que ocorreu após a partida de alguém que fazia parte da sua vida.
Depois de três dias na unidade, o psiquiatra discute com a equipe de enfermagem. Ele afirma que a paciente está se comportando muito bem,
respondendo à terapia e merece alta. Já as enfermeiras afirmam que ela não tem seguido as regras da unidade, dorme durante os encontros
de grupo e ignora os limites estabelecidos. O médico conclui com hipótese diagnóstica:
COMENTÁRIO:
Incorreta a alternativa A. O transtorno bipolar é caracterizado por um estado de aumento de energia, redução da necessidade do sono,
euforia, impulsividade, desinibição social ou sexual, pensamento acelerado, fala rápida e diminuição da capacidade crítica do paciente, com
os sintomas devendo durar ao menos sete dias na sua forma clássica. Durante a vida, os pacientes com transtorno bipolar desenvolvem
diversos quadros de depressão, intercalados por períodos de mania e períodos assintomáticos.
(SES-GO 2016) J., de 27 anos, vem à consulta com seu namorado querendo ajuda para "seu estado de nervos". Diz que sempre foi muito
irritada, brigona, instável nos relacionamentos. Inicialmente, deposita muita confiança nas pessoas, mas, por pequenos motivos, discute,
fala palavrões e acaba rompendo o vínculo com elas. "Mudo de humor de uma hora para outra", diz. Conta ainda que, na mesma hora em
que está bem, ela "explode" por motivo banal e fica mal-humorada. Tem dificuldade de controlar a raiva e já tentou suicídio inúmeras vezes,
sempre de forma impulsiva, quando passava por alguma discussão. Apresenta baixa autoestima e sentimento de vazio na maior parte do
tempo. Esse quadro é mais compatível com:
A) Transtorno de personalidade borderline.
B) Transtorno bipolar tipo 1.
C) Transtorno bipolar tipo 2.
D) Transtorno de ansiedade generalizada.
COMENTÁRIO
tolerância a frustrações, compatível com a descrição da paciente do quadro. Seu tratamento é baseado em psicoterapia.
Incorreta a alternativa B: Para o diagnóstico da bipolaridade, é necessário um episódio de mania (sintomas intensos por pelo menos sete
dias, como aumento da energia, redução da necessidade do sono, euforia, impulsividade, pensamentos acelerados, desinibição social ou
sexual, entre outros), para tipo 1.
Incorreta a alternativa C: Para o tipo 2, é necessário um episódio de depressão mais um episódio de hipomania (sintomas de “mania” menos
intensos) por pelo menos quatro dias. Tanto para a bipolaridade do tipo 1 quanto para a do tipo 2, o tratamento é feito com estabilizadores
do humor, como lítio e ácido valproico, ou com o antipsicótico atípico quetiapina.
Incorreta a alternativa D: Transtorno de ansiedade generalizada caracteriza-se por um estado permanente de tensão, preocupação e
ansiedade, presente na maior parte do dia do paciente, que considera difícil controlar esses sentimentos.
(UFT 2016) Segundo a 10ª Edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), os transtornos de personalidade são estados e tipos de
comportamento clinicamente significativos, que tendem a persistir e são a expressão característica da maneira de viver do indivíduo e de seu
modo de estabelecer relações consigo próprio e com os outros. Qual padrão a seguir corresponde ao transtorno de personalidade borderline?
A) Retraimento dos contatos sociais, afetivos ou outros, preferência pela fantasia, atividades solitárias, reserva introspectiva e incapacidade
de expressar seus sentimentos e experimentar prazer.
B) Tendência nítida a agir de modo imprevisível sem consideração pelas consequências; humor imprevisível e caprichoso; tendência a
acessos de cólera e uma incapacidade de controlar os comportamentos impulsivos; tendência a adotar um comportamento briguento e
a entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados.
C) Sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrupulosidade, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez
excessivas. O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos, não atingindo a gravidade de um
transtorno obsessivo-compulsivo.
D) Tendência sistemática a deixar a outrem a tomada de decisões importantes ou menores; medo de ser abandonado; percepção de si
como fraco e incompetente; submissão passiva à vontade do outro (por exemplo, de pessoas mais idosas) e uma dificuldade de fazer
face às exigências da vida cotidiana; falta de energia que se traduz por alteração das funções intelectuais ou perturbação das emoções;
tendência frequente a transferir a responsabilidade para outros.
Prof. Thales Thaumaturgo | Curso Extensivo | 2024 20
PSIQUIATRIA Transtornos de personalidade Estratégia
MED
E) Desprezo pelas obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais
estabelecidas, que não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à
frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência.
COMENTÁRIO:
Incorreta a alternativa A. A personalidade esquizoide é marcada por distanciamento afetivo, isolacionismo, falta de interesse por vida familiar
ou social, incapacidade de expressar sentimentos.
Fonte: Shutterstock
O transtorno de personalidade histriônica (TPH) atinge provocadora ou sedutora para estarem no “centro dos holofotes”,
entre 1% e 3% da população geral, sendo mais frequente no sexo são carentes e facilmente sugestionáveis. No contato com o outro,
feminino. Sua característica central é o comportamento teatral, tentam agir de forma mais íntima do que de fato são. Quando
dramático ou exagerado, motivado pela busca da atenção. Muitas não conseguem receber a atenção esperada, apresentam ataques
pacientes vestem-se com roupas sensuais e agem de maneira teatrais de raiva ou expressam emoções desproporcionalmente.
CAI NA PROVA
(AMRIGS - 2021) Os transtornos de personalidade (TP) são comuns e crônicos e ocorrem em 10 a 20% da população geral. Pessoas com TP
apresentam uma propensão muito maior a recusar auxílio psiquiátrico e negam seus problemas. Entre os TP, um caracteriza-se por usar a
aparência física para atrair a atenção para si, apresentar um padrão difuso de emocionalidade, buscar a atenção em excesso, possuir um
estilo de discurso que é excessivamente impressionista e carente de detalhes e considerar as pessoas mais íntimas do que na realidade o são.
Assinale a seguir a qual transtorno de personalidade se refere essa descrição.
A) Narcisista.
B) Esquizoide.
C) Histriônica.
D) Limítrofe (borderline).
COMENTÁRIOS
Incorreta a alternativa A. Uma personalidade narcisista envolve um sentimento de superioridade e o desejo de ser tratado de forma
diferenciada.
Incorreta a alternativa B. Os esquizoides são isolados, mantêm um afastamento da vida social e sequer demonstram interesse em se
relacionar social ou afetivamente com outras pessoas.
Os pacientes com esse transtorno de personalidade são dramáticos e teatrais, querem sempre ser o centro da
Correta a alternativa C.
atenção. Muitas vezes são insinuantes sexualmente para conseguirem seu objetivo.
Incorreta a alternativa D. Os pacientes borderline são instáveis afetivamente, impulsivos e possuem um limite baixo de tolerância às
frustrações.
(UNAERP 2016) Mulher de 22 anos é admitida no hospital devido à anestesia da mão direita, que se desenvolveu após uma discussão com
seu irmão. Ela está bem-disposta e parece despreocupada quanto ao seu problema. Não há história de trauma físico. O exame neurológico
é negativo, exceto pela sensibilidade à dor diminuída em uma distribuição de luva sobre a mão direita. Sua família inteira está presente e
expressando grande preocupação e atenção. Ela ignora seu irmão e parece alheia ao ciúme e à rivalidade crônica descrita por sua família. O
diagnóstico mais provável é:
A) Transtorno dismórfico corporal.
B) Transtorno de personalidade histriônica.
C) Tumor cerebral parietal.
D) Transtorno de conversão.
E) Histeria.
COMENTÁRIO:
A questão fala sobre uma jovem de 22 anos, que possui uma “rivalidade crônica”, com desenvolvimento súbito de um sintoma
somático — diminuição da sensibilidade à dor com padrão em luva na mão direita —, sem histórico prévio de doenças neurológicas ou outras
comorbidades. Sua família, mobilizada, comparece em peso ao hospital, demonstrando grande preocupação. Apesar disso, a paciente parece
ignorar o contexto e não se preocupa com seu sintoma físico.
Incorreta a alternativa A.: O transtorno dismórfico corporal é caracterizado pela preocupação exagerada com a percepção de defeitos ou
falhas na aparência física, que não são observáveis por outras pessoas. Por exemplo, uma pessoa magra que acredita estar acima do peso.
Incorreta a alternativa B.: A característica essencial do transtorno de personalidade histriônica é o padrão contínuo de busca por atenção,
teatralidade e expressão exagerada de emoções. Nesse caso, apesar de ser um diagnóstico possível, o enunciado não deixa claro que há um
padrão desse comportamento, assim como teatralidade. Além disso, a paciente parece ignorar a presença dos familiares no hospital.
Incorreta a alternativa C.: O sintoma neurológico é súbito, sem outros indícios compatíveis com um tumor cerebral, como cefaleias,
convulsões, sendo o exame físico e neurológico sem outras alterações características.
Transtorno conversivo é diagnosticado quando um ou mais sintomas neurológicos surgem sem que haja
Correta a alternativa D:
evidências de alteração de exame físico ou exame clínico, ou seja, sem uma evidência fisiopatológica de
doença. Nesse caso, a redução da sensibilidade não é explicada por uma condição neurológica ou outra comorbidade. Muitas vezes, esses
sintomas surgem após um “trauma emocional”, como no caso da paciente. Alguns pacientes podem apresentar sintomas conversivos como
“convulsão psicogênica”, tremores, desmaios, entre outros.
Incorreta a alternativa E. ”Histeria” é o termo médico atualmente em desuso pelos manuais diagnósticos, como CID-10 e DSM-5. Antigamente,
referia-se aos pacientes “histéricos” como aqueles que tinham sintomas físicos decorrentes de “conflitos internos”.
Fonte: Shutterstock
O tratamento costuma ser muito difícil, pois seria preciso abdicar do seu próprio narcisismo, o que, para muitos pacientes, é inaceitável.
Alguns autores propõem o uso de estabilizadores do humor ou antidepressivos.
CAPÍTULO
4.0 AGRUPAMENTO C
A psicoterapia cognitivo-comportamental demonstra bons resultados clínicos. O uso de antidepressivos ou ansiolíticos pode auxiliar no
controle de sintomas ansiosos e depressivos, que com frequência associam-se a esse TP.
(SES-DF 2021) Um estudante de 29 anos de idade é levado pela mãe à unidade de saúde mental, encaminhado pela emergência. Tem história
de várias tentativas de suicídio. Há três dias, após briga com a namorada, sentiu-se desesperado e quebrou os dentes no meio-fio da calçada.
Também conseguiu pegar um revólver da família e deu um tiro na própria mão. A mãe relata que ele costuma automutilar-se, cortando
os braços e o abdome, ou enfia agulhas na sola dos pés, pois assim ninguém vê o ferimento e não lhe “enchem o saco” com reprovações.
Tem uma sensação de “vazio” interno, como se não tivesse sentimentos, e precisa “preencher o vazio, mesmo que seja com a dor física”.
Demonstra muita dificuldade para finalizar seus planos de vida, como os próprios estudos.
Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Com base nas características de apresentar dificuldade em iniciar projetos ou de fazer coisas por conta própria, assim como ir a extremos para
obter carinho e apoio de outros, como voluntariar-se para fazer coisas desagradáveis, o provável diagnóstico de transtorno de personalidade
do paciente é do tipo borderline.
A) Certo.
B) Errado.
COMENTÁRIOS
Pegadinha!
Estrategista, fique ATENTO.
O provável diagnóstico do paciente APRESENTADO é, sim, detranstorno de personalidade borderline. CONTUDO, as características da pergunta
em si não são relativas ao paciente em questão. Veja que o próprio enunciado diz que a resposta depende de "conhecimentos médicos
correlatos".
Dessa forma, as características citadas na pergunta são referentes à personalidade dependente.
Portanto, INCORRETO!
Pode haver boa resposta à terapia cognitivo-comportamental ou interpessoal. O emprego de antidepressivos e ansiolíticos pode
diminuir os sintomas ansiosos e auxiliar na retomada da participação em uma vida social ativa e produtiva.
CAI NA PROVA
(PUC - SOROCABA - 2022) Cássio é estudante do curso de Direito do último ano. Procura o psiquiatra porque está preocupado com o fato de
que sua noiva irá deixá-lo como o fez anteriormente. Ela alega que é impossível manter o relacionamento porque ele é inflexível, quer tudo
do seu jeito. Está sempre conferindo o que a noiva faz, não delegando nem mesmo o cuidado de coisas simples do cotidiano. Não bastasse
isso, ele tem um armário com coisas que ninguém pode mexer, mas que não são úteis e a que ela quer dar um fim. Ele não deixa, mas não
quer perdê-la. Cássio apresentatranstorno de personalidade:
A) Antissocial.
B) Evitador.
C) Anancástico.
D) Histriônico.
COMENTÁRIOS
Incorreta a alternativa A. Os indivíduos antissociais são inescrupulosos, desdenham de leis, ignoram as convenções sociais e os bons costumes,
sempre agindo em benefício próprio. Normalmente, um paciente antissocial foi uma criança com um transtorno de conduta, considerado um
“embrião” para esse TP.
Incorreta a alternativa B. A personalidade esquiva ou evitativa é marcada por um padrão de inibição social, sentimentos de inadequação e
hipersensibilidade à avaliação negativa.
Incorreta a alternativa D. Os pacientes com essetranstorno de personalidade são dramáticos e teatrais, querem ser o centro da atenção.
Muitas vezes são insinuantes sexualmente para conseguirem seu objetivo.
(FHEMIG - 2021) Mulher, 46 anos de idade, foi enfermeira por cinco anos. Relata que após estupro ficou incapacitada para o trabalho.
Foi levada ao serviço de emergência de um hospital em função de tentativa de autoextermínio por intoxicação exógena (“tomei todos os
comprimidos que tinha em casa. Não suporto os homens. Eles só querem sexo, são violentos e não me respeitam. Falam que eu sou difícil,
que demando muita atenção, que estou sempre insatisfeita se não tenho o que quero. Se bebo alguma coisa, piora... falo em morrer, quebro
as coisas... Eu sei que é assim desde a adolescência... Brigo por pouca coisa, me sinto sempre abandonada e tenho vontade de me cortar. Eu
me corto e me alivio. Não suporto frustração, em especial, na vida amorosa. Tenho um “vazio” no peito desde a juventude e às vezes fico
furiosa e agrido quem está por perto. Não bastasse isso tudo, eu tenho uma tristeza enorme... não é coisa de hoje, isso já dura mais de dois
anos... e tudo piorou assim.”).
Quais são os diagnósticos mais prováveis?
A) Transtorno de personalidade histriônica e depressão a esclarecer.
B) Transtornos de personalidade borderline e depressão a esclarecer.
C) Transtorno de personalidade antissocial e transtorno de abuso de substância.
D) Transtorno de personalidade dependente, abuso de substância e depressão a esclarecer.
COMENTÁRIOS
Estrategista, observamos, nesta questão, uma mulher de 46 anos que apresenta um comportamento "difícil", demanda atenção, está
sempre insatisfeita, envolve-se em episódios de autoagressão, tem baixo limite a frustrações e é instável afetivamente. Note que a própria
paciente relata que "é assim desde a adolescência".
Dessa forma, podemos observar um padrão longitudinal e disfuncional de comportamento, que a acompanha por toda a vida,
caracterizando um transtorno de personalidade.
Vamos às alternativas!
Incorreta a alternativa A. As pacientes com esse TP são dramáticas e teatrais, querem ser o centro das atenções. Muitas vezes, são insinuantes
sexualmente para conseguir seu objetivo. Psicoterapia pode ser útil nesse transtorno de personalidade. A hipótese da depressão está correta
e deve ser investigada.
As pacientes borderline são instáveis afetivamente, impulsivas, raivosas, possuem medo do abandono e um
Correta a alternativa B.
limite baixo de tolerância às frustrações. Têm um risco elevado de morte por suicídio. Medicamentos como
estabilizadores do humor e antipsicóticos atípicos podem ser úteis no tratamento. Psicoterapia também pode ser indicada. A hipótese da
depressão está correta e deve ser investigada.
Incorreta a alternativa C. Transtorno de personalidade antissocial é marcado por desrespeito às regras e convenções sociais, falta de pudor e
remorso, atitudes criminosas ou violentas. A hipótese de abuso de substância não pode ser descartada e deve ser investigada.
Incorreta a alternativa D. Os pacientes com personalidade dependente são submissos e necessitam de uma aprovação frequente de sua
figura de apego, demonstrando uma necessidade excessiva e desproporcional de cuidados. Psicoterapia e ansiolíticos podem ser úteis nesse
transtorno. Abuso de substância e depressão devem ser investigados.
CAPÍTULO
[Link]
CAPÍTULO
Chegamos ao fim desta aula, e espero que ela tenha sido proveitosa para você.
Em casos de dúvidas ou sugestões, não hesite em utilizar o fórum ou em nos contactar por meio das redes sociais.
Até breve,
Professor Thales Thaumaturgo!
CAPÍTULO
1. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision. Washington, DC,
American Psychiatric Association, 2022.
2. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais [recurso eletrônico]. Tradução: Maria Inês
Corrêa Nascimento et al. Revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
3. BECK, Aaron T.; DAVIS, Denise D.; FREEMAN, Arthur. Terapia cognitiva dos transtornos da personalidade [recurso eletrônico]. Tradução:
Daniel Bueno. Revisão técnica: Cristiano Nabuco de Abreu. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. e-PUB.
4. CHENIAUX, E. “Psicopatologia: questões gerais”. In: CHENIAUX, E. Manual de Psicopatologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015,
p.1-3.
5. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamentos da CID- 10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1993.
6. DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed; 2019.
7. International Classification of Diseases, Eleventh Revision (ICD-11), World Health Organization (WHO) 2019/2021 [Link]
browse11. Licensed under Creative Commons Attribution-NoDerivatives 3.0 IGO licence (CC BY-ND 3.0 IGO).
8. Kaplan, Sadock BJ, Sadock VA et al. Contribuições das ciências socioculturais In: Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P. Compêndio de Psiquiatria:
ciência do comportamento e Psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017. p139-45.
9. MELEIRO, Alexandrina Maria Augusto da Silva. Psiquiatria: estudos fundamentais. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.