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Fundamentos do ECG na Cardiologia

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MD VI - Cardiologia

 O ECG representa um valioso registro do funcionamento cardíaco (atividade elétrica). Ele registra os impulsos elétricos que estimulam a
contração cardíaca.
 O traçado do ECG é baseado na teoria física do dipolo (conjunto formado por duas cargas de mesmo módulo, porém sinais ou polaridades
diferentes).
 A atividade elétrica do coração provém das diferenças na composição ou concentração iônica entre os meios intra e extracelular. Na, K,
Ca, Mg e Cl são as principais responsáveis pela atividade elétrica do coração.
 Potencial de repouso  Concentração de K+ maior no MIC e Na+ maior no MEC A saída de K+ da célula, até que a força elétrica (para
dentro) e a força difusional (para fora) sejam equivalentes, cria uma ddp entre o meio intra e o meio extra de cerca de -90mV,
mantendo o meio intra – e extra +.
 Potencial de ação: Quando ocorre a ativação do potencial de membrana, há uma diminuição da resistência e aumento da condutância dos
íons, gerando inversão da polaridade e, consequentemente, a despolarização. Lembrar que esse potencial de ação é o de resposta
rápida (células contráteis). O potencial de ação de resposta lenta é encontrado no nó sinusal e no nó atrioventricular (sistema de
condição cardíaco).
 O sistema de condução cardíaco segue a seguinte sequência:
1. Nó sinusal: encontra-se posteriormente ao ângulo de junção da VCS com o átrio direito.
2. Feixes intermodais: responsáveis pela propagação do estimulo nos átrios e no nó atrioventricular.
3. Nó atrioventricular: responsável por um retardo na condução do estímulo proveniente dos átrios antes de seu acesso ao
ventrículo.
4. Feixe de His.
5. Ramos e sistema His-Purkinje

Bianca G. B. Santos | 1
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 São pontos de referencia que permitem a captação, estudo e a análise da atividade elétrica do coração. As derivações são divididas em
2 grupos:
 Derivações no Plano Frontal/vertical (MEMBROS)  Pode ser E ou D, para cima ou para baixo: D I, D II, D III, aVR, aVL e aVF.

 3 derivações bipolares 3 derivações unipolares


 D I: BD -, BE +  aVR: BD
 D II: BD -, PE +  aVL: BE

 D III: BD -, PE +  aVF: PE

 Derivações no Plano Horizontal (PRÉ-CORDIAIS)  Pode ser E ou D, frente ou trás: V I, V2, V3, V4, V5, V6.

 Derivações
 V1: 4º EIC paraesternal D
 V2: 4º EIC paraesternal E
 V3: Entre V2 e V4
 V4: 5º EIC na linha hemiclavicular E
 V5: Entre o V5 e V6
 V6: 5º EIC E na linha axilar anterior

Bianca G. B. Santos | 2
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 Interpretação das derivações  Para verificar o local do infarto anatomicamente pelas derivações no ECG.
 Relembrando anatomia:

 Correlações (???)
 D1 e aVL: Parede Lateral Esqueda
 D2, D III e aVF: Região diafragmática (parede inferior)
 V1 e V2: Região septal
 V3 e V4: Parede anterior
 V5 e V6: Parede Posterior (?)
 aVR: NÃO mostra nada.

( )

 O eixo normal do coração se localiza entre -30º e +90º. É importante estar atento para as seguintes observações sobre os eixos
elétricos: Os eixos são só nas
 D I é perpendicular a aVF derivações dos MEMBROS!
 D II é perpendicular a aVL
 D III é perpendicular a aVR

Bianca G. B. Santos | 3
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 Na ocorrência de desvio para a esquerda, o eixo cardíaco vai variar entre -30º a -90º (desvio para o lado NEGATIVO).
Exemplos:
 Hipertensão Severa
 Estenose Aórtica
 Na ocorrência de desvio para direita, o eixo cardíaco varia entre +90º a +180º (desvio para o lado POSITIVO).
Exemplos:
 Estenose Pulmonar
 Estenose Tricúspide
 Para determinar o eixo elétrico, seguir os seguintes passos:
1. Olhar as derivações D 1 e aVF.
2. Determinar o quadrante do vetor
3. Pegar uma derivação fora do quadrante  D III ou aVL.
4. Achar a perpendicular de D III  aVR
 Quando isoelétrica o eixo se localiza em cima da perpendicular.
 Quando apresenta polaridade o eixo se desloca no sentido da polaridade.
5. Caso apresente um intervalo maior que 30º, pode usar a outra derivação que não está no quadrante do eixo e sua perpendicular.
 Como já analisou D III, pode usar aVL com sua perpendicular D II.

Bianca G. B. Santos | 4
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 Eixos
 Vertical
 Quadrado maior = 0,5mV de amplitude
 Quadrado menor = 0,1mV de amplitude
A velocidade do traçado é de 25 mm/s:
 Horizontal
 Quadrado maior = 0,20 segundos
 Quadrado menor = 0,04 segundos
 Frequência Cardíaca

Qtd de quadradinhos por minuto.

 Para evitar cálculos, escolhe-se uma onda R que caia sobre uma linha grossa e usa-se a seguinte sequência até a próxima
onda R: 300 / 150 / 100 / 75 / 60 / 50 / 43 / 38 bpm

 Quando o ritmo é irregular, verifica-se a quantidade de complexo QRS em 6 segundos e faz o cálculo:
FC = n° de complexos QRS em 6s x 10  6s = 30 quadrados

Bianca G. B. Santos | 5
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 Onda P o Quando a onda P


cresce em amplitude:
 Representa a despolarização Atrial. Problema no AD
o Quando a onda P
 Morfologia: Arredondada e monofásica cresce no tempo:
Problema no AE
 Normal:
 Duração: Até 0,1s ou 2,5 quadradinhos
 Amplitude: Até 0,25 mV/ 2,5 mm ou 2,5 quadradinhos
 Particularidades:
 SEMPRE negativa em aVR.
 Bifásica em V1.
 Orientação espacial – SÃP – o a 90°
 Intervalo PR
 Tempo gasto pelo impulso elétrico desde sua origem no nó sinusal até alcançar os ventrículos.
 Alteração no iPR indica retardo na condução do impulso ou sua formação alterada.
 Duração: 0,12s a 0,20s
 < 0,12s
 Pré-excitação ventricular
 Síndrome de WPW (Woy-parkinson-white)  Feixe anômalo
 > 0,20s
 BAV de 1º grau
 Hipocalemia
 Intoxicação por digitálicos

Bianca G. B. Santos | 6
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 Complexo QRS  Q (septo) R(ventrículo) S (parte basal)


 Despolarização ventricular
 Morfologia: Polimórfica
 Duração: Até 0,12s (2,5 quadradinhos)
 > 0,12s: Bloqueio de ramo
 Amplitude
 Frontal: 20 mm
Aumento de amplitude é indicativo de sobrecarga ventricular.
 Pré-cordial: 30 mm
 Orientação espacial – SÂQRS – 30° a 120°
 Segmento ST
 Início da repolarização ventricular
 Ponto J: ponto que marca o término do QRS e o início do segmento ST
 Morfologia: isoelétrico
 Pode haver desnivelamento para + ou para – de no máximo -0,5 a +1mm sendo considerado variação de
normalidade.
 Lesão subepicárdica: Supradesnivelamento  Infarto
 Lesão subendocárdica: Subdesnivelamento/infradesnivelamento  Angina
 Onda T
 Representa a recuperação ventricular ou repolarização.
 É uma onda de maior duração e menor voltagem.
 Morfologia: arredondada e assimétrica.  SIMETRIA É PATOLÓGICO!
 1ª porção (ascendente): mais lenta.
 2ª porção (descendente): mais rápida
 Particularidades
 SEMPRE NEGATIVA em aVR
 SEMPRE POSITIVA em D II

Bianca G. B. Santos | 7

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