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Faqui Bacar Age
Cooperação Sul-Sul
Curso de Licenciatura em Ensino de História com habilitação em documentação
Universidade Rovuma
Extensão de Cabo Delgado
2022
Faqui Bacar Age
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Cooperação Sul-Sul
Trabalho de carácter avaliativo a ser
apresentado no departamento de
Letras e Ciências Sociais, na cadeira
de HA IV, leccionado pelo: Msc.
Mouzinho Manhalos
Universidade Rovuma
Extensão de Cabo Delgado
2022
Índice
Introdução..........................................................................................................................4
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1. Cooperação Sul-Sul.......................................................................................................5
1.1. Conceito......................................................................................................................5
1.2. O surgimento histórico do termo CSS........................................................................5
1.3. Objectivo da CSS.......................................................................................................6
2. Perspectivas sobre processos de desenvolvimento........................................................7
3. Cooperação e desenvolvimento no âmbito das relações Sul-Sul..................................9
Conclusão........................................................................................................................10
Referencias Bibliográficas...............................................................................................11
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Introdução
O contexto do desenvolvimento do capitalismo contemporâneo constitui o pano de
fundo sobre o qual se assenta o presente trabalho. Para tanto, toma como referência as
últimas décadas do século XX, momento em que ocorrem intensas mudanças tanto nas
economias centrais como naquelas dos países considerados periféricos a este sistema,
em razão do estágio menos avançado de industrialização destes últimos.
Objectivos gerais
Analisar a fiação da CSS
Objectivo específico
Conhecer as principais mudanças;
Abalizar os objectivos da CSS.
Metodologia
Para consumação do presente trabalho, não se prescindira o uso de pesquisas
bibliográficas, consulta de manuais electrónicos devido a acessibilidade e
disponibilidade na internet. O uso de livro em formato pdf também será de forma geral
indispensável.
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1. Cooperação Sul-Sul
1.1. Conceito
Segundo Besharati (2012), define Cooperação Sul-Sul como sendo o
intercâmbio de recursos, tecnologia, habilidades e conhecimentos técnicos entre os
países do Sul para promover o desenvolvimento social, económico, cultural e científico.
Patrícia Soares Leite, afirma que o conceito de CSS (cooperação Sul-Sul) ganhou
projecção na RI (Relações Internacionais) depois da conferência de Bandung (1955),
como meio de promover uma maior articulação entre países do Sul com vista a
estimular o seu próprio desenvolvimento (Leite, 2011).
A autora acrescenta ainda, a CSS emergiu para atender a necessidade de uma maior
cooperação entre os países da África e Ásia, encorajando-os a estreitarem as trocas
comercias e o intercambio de experiencias (Ibid., 2011).
As análises da autora, baseiam-se na noção de que os PED (Países em via de
desenvolvimento) haviam identificado determinados interesses e problemas comuns que
afectavam o Sul global dentre elas, a descolonização comércio desfavorecido e
dependência aos países desenvolvidos, cuja magnitude ultrapassava as capacidades
internas individuais de cada Estado e, a partir dai, deviam-se articular entre si a fim de
resolve-los de forma solidária.
Deste modo, Oliveira et al (2006), considera as CSS,
Um conjunto de acções iterativas entre Passeis Em Via de Desenvolvimento (PED),
manifestas por meio de formação de coalizões de geometria múltipla, barganhas
colectivas e negociações multilaterais, arranjos regionais de integração, assistência para
o desenvolvimento, intercâmbio de políticas, fluxo de comércio e de investimentos
privados visando o desenvolvimento dos países do Sul.
Assim como não existe uma abordagem uniforme para a cooperação para o
desenvolvimento Norte-Sul, a CSS também é extremamente heterogénea, e diferentes
parceiros do Sul lidam com a prestação de assistência aos seus vizinhos e colegas de
maneiras muito diferentes.
1.2. O surgimento histórico do termo CSS
Em perspectiva histórica, o termo CSS é realmente recente. Este emerge nos meados
das RI na década de 1970, não obstante as primeiras iniciativas de cooperação lato
sensu surgirem nos finais dos anos 50 e no decurso dos anos de 1960. Com advento dos
movimentos de descolonização dos países afro-asiáticos, dos debates Norte-Sul, da
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publicação das teses cepalinas, da ascensão do Terceiro Mundo como actor uno e
organizado que passa a questionar nos fóruns internacionais o modus vivenidi e modus
operandi do sistema internacional (SI) vigente. (Punete, 2010).
A principal dicotomia identificada em tal sistema estava nas diferenças de prioridades
entre Norte e Sul. Os países do Norte, sob a liderança dos Estados Unidos, encontravam
se preocupados com o rumo das relações Lste-Oeste e enxergava o eixo Norte-Sul como
componente importante a ser usado estrategicamente na confrontação Leste-Oeste,
lógica também entendida pelo bloco leste, encabeçada pela extinta URSS- União das
Republicas Socialistas Soviéticas (Ibid.).
1.3. Objectivo da CSS
A preocupação inicial dos países do Sul era a reafirmação e a manutenção de suas
soberanias, ao mesmo tempo em que tentavam buscar o reconhecimento de seu status e
inclusão nas organizações internacionais, sobretudo na ONU. Portanto, acreditavam
que, com o seu reconhecimento e a consequente participação activa em foros
multilaterais, seria possível criar uma nova visão para as RI que fossem alem dos limites
estabelecidos pelos conflitos Leste-Oeste das grandes potências. Foi nesse período, pois,
que nasceu a ideia do debate Norte-Sul, que seria aprofundado nas décadas
subsequentes (Castilo, 2012).
Castilo (2012) areenta,
Com a realização da conferência das Nações Unidas para o Comércio e
Desenvolvimento (UNCTAD) em 1964 em genebra, os PED passaram a ter um fórum
de articulação política no qual discutiam sobre as assimetrias do comércio mundial bem
como as estratégias a adoptar para a mudança da tal realidade em nome do
desenvolvimento do Sul.
Da UNCTAD, os países latino-americanos se juntaram aos países asiáticos e africanos,
o que resultou na formação do Grupo dos 77 (G77)1. Esse grupo congrega os PED
interessados em reforçar sua posição nas barganhas colectivas vis-a-vis os países
desenvolvidos mediante a identificação de pontos de interesses convergentes e da
proposição de medidas concretas que pudessem alterar as condições em que se
assentavam do comercio internacional especialmente desvantajosas para o Sul.
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O grupo 77 foi fundado após a assinatura da Declararão Conjunta dos setenta e sete países em 1964, na
conferência das Nações Unidas sobre comércio e desenvolvimento.
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Como mostram os factos, parece razoável afirmar que a CSS surgiu da tomada de
consciência dos PED de que deveriam ser parceiros integrais de si mesmos no processo
de solução de seus problemas e não apenas recebedores passivos de ajuda externa
provenientes dos países Norte. Porem, foi a conferência de Buenos Aires 2, balizada em
1978, o marco institucional das CSS (Leite, 2012; Lopes, 2008). Nessa conferência,
foram produzidas e adoptadas por consenso, importante normas reunidas no chamado
Plano de Acção de Buenos Aires cujos objectivos podem ser resumidos em quatro:
1) Promover e reforçar a autonomia colectiva dos PED através de trocas de
experiencias, colocação em comum a partilha dos respectivos recursos técnicos,
bem como ao desenvolvimento de suas capacidades complementar.
2) Dar aos PED a possibilidade de identificar e analisar os problemas e as
estratégias na conduta das relações recíprocas.
3) Melhorar a cooperação técnica no seu conjunto (reforçar as capacidades técnicas
existentes nos PED).
4) E, garantir o fluxo comunicativo entre os PED no campo de conhecimento
técnico e torna-lo mais aptos a absorver a adaptar-se as técnicas adequadas para
enfrentar suas necessidades particulares em matéria de desenvolvimento.
2. Perspectivas sobre processos de desenvolvimento
Para Thomas (2000) discursa,
O tema da expansão e do crescimento económico é perpassado por questões que não são
novas. Suas raízes estão incadas de modo mais sistemático desde a emergência da
sociedade industrial moderna, no século XVIII. A ideia relativa ao processo de
desenvolvimento económico, entretanto, não é consensual. Envolve disputas de sentido
em três aspectos principais: a visão ou medida do que deve ser uma sociedade desejável;
a visão do processo histórico de mudança social; e a visão de quais devem ser os
esforços deliberados de melhoria a serem efectuados por agências ou agentes de
desenvolvimento (p. 48).
A ideia do desenvolvimento é vista como um sistema de crenças organicamente
relacionado à expansão mundial de sistemas de mercados integrados e como o “slogan
mobilizador de um movimento social que criou organizações e práticas messiânicas”.
Ainda ao analisar sobre perspectivas de um possível desenvolvimento, Thomas enfatiza
o seguinte,
Há uma série de abordagens concorrentes sobre o que se entende por “desenvolvido”.
Estas se assentam sobre diferentes pontos de vista da história, de como a mudança
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Capital da argentina, local que abrigou a reunião que tinha com objectivo traçar nos objectivos dos
membros dos países da CSS.
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social e o crescimento económico devem ocorrer em relação ao sistema capitalista em
geral. Por isso, trazem diferentes prescrições sobre quem deve ser o agente condutor do
processo de desenvolvimento económico e sobre como alcançá-lo. Entre elas, pelo
menos três grandes vertentes têm preponderado no cenário do debate contemporâneo.
Cada uma ancorada em pressupostos teóricos, morais e éticos distintos, os quais têm
implicações sobre nossa visão de mundo (Ibid., p. 42)
Apesar de possuírem visões contrárias em muitos aspectos analíticos e normativos,
contêm semelhanças entre si em duas importantes áreas. Primeiro, elas vêem o
desenvolvimento, sobretudo, em termos de ampla mudança social e histórica sem, no
entanto, oferecer prescrições detalhadas sobre o que as agências de desenvolvimento
devem fazer para atingi-lo. Segundo, as duas vêem a industrialização como o único
caminho realista para alcançar o crescimento económico necessário à melhoria nos
padrões de vida das pessoas, em especial dos pobres. Admitem, para tanto, algum grau
de intervencionismo para atender às necessidades humanas ou enfrentar a crise global.
A produção do conhecimento sobre o desenvolvimento requer o abandono das noções
epistemológicas de centros e periferias, para afirmar outras perspectivas a partir de uma
rede descentralizada de nós. Nessa rede, teóricos e teorias, bem como usuários em todos
os níveis, se movem, confrontam, compartilham e contestam o espaço epistemológico
da investigação de alternativas, onde ao fim e ao cabo encontram a diferença cultura,
assim, Thomas salienta,
As diferenças culturais incorporam possibilidades para transformar a própria vida social
e económica. Significa dizer que das situações culturais híbridas ou minoritárias podem
surgir outras formas de construir a economia, de lidar com as necessidades humanas
básicas e de se organizar em grupos sociais. Nesse sentido, elas se caracterizam por ser
uma reacção contra o mainstream do desenvolvimento capitalista, especialmente no que
tange à industrialização em grande escala e à suposição de que os países considerados
desenvolvidos precisariam tutelar os demais para atingir o processo de desenvolvimento
(2000, pp. 47-48).
Em síntese, a perspectiva sobre o desenvolvimento implica embates hegemónicos e
contra-hegemónicos pela afirmação e legitimação de sentidos e, portanto, de direcção
do processo de mudança social em larga escala. As distintas possibilidades dependem
da correlação de forças e de poder, configuradas nas redes de instituições consorciadas
no âmbito dos diferentes países que são inseridos na ordem capitalista moderna na
actual quadra da história.
3. Cooperação e desenvolvimento no âmbito das relações Sul-Sul
As mudanças e realinhamentos na geopolítica mundial, notadamente a partir do final do
século XX, criaram espaço para que potências emergentes como China, Índia e ”Brasil
expandissem suas áreas de influência e de cooperação para outros países não
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industrializados, entre eles os da África. Este movimento, ao lado do próprio
ressurgimento da África, passou a chamar a atenção da mídia internacional, assim como
das tradicionais potências do Ocidente.
Neste cenário, Brasil, Rússia, China e Índia emergem na cena internacional
como protagonistas aliados na busca por mudanças na ordem internacional pós-guerra
fria, baseadas na Cooperação Sul-Sul. Da articulação destes países, em Junho de 2003,
surgiram os chamados BRICS, que tenderam a avançar no sentido da
maior concertação e unificação do Sul. Tal articulação tem como objectivo. Criar novas
relações de forças num mundo multipolar mediante coalizões esporádicas para
conseguir objectivos comuns entre latino-americanos, asiáticos e africanos” (Kabunda,
2011, p. 27).
Com a entrada dos BRICS3 no palco internacional, a cooperação para o
desenvolvimento ganhou novos ímpetos, na medida em que esses países firmam-se cada
vez mais como vectores das tecnologias, ideias e produtos. Comparecem, assim, como
novos protagonistas no cenário internacional, criando e fortalecendo redes de
intercâmbio Sul-Sul, sobretudo aquelas voltadas para a realização de investimentos
directos nas economias do referido eixo, notadamente nos países africanos.
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BRICS – ”Brasil, Rússia, China e Índia
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Conclusão
A CSS resultou de um ressentimento e frustração dos PED com o modelo de
cooperação tradicional Norte-Sul dos anos 1960-1970. A partir de então, o
compromisso dos governos do Sul era garantir amor aproximação e coerção entre si de
modo a ter eco nos fora mutilareis e nos seus programas de desenvolvimento. Sobre os
temas do desenvolvimento, da cooperação externa para o desenvolvimento e dos
investimentos estrangeiros directos nos países que passaram a ser integrados aos
processos de globalização contemporâneos buscou pontuar os principais aspectos
políticos, económicos e sociais que comparecem imbricados nas relações assimétricas
estabelecidas com os países que içaram fora dos circuitos pretéritos do desenvolvimento
industrial moderno.
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Referencias Bibliográficas
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2006) dissertação de doutorado em ciências políticas. USP-FELCH departamento de
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