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SUMÁRIO
GOVERNO PROVISÓRIO E GOVERNO CONSTITUCIONAL................................................................................... 2
1. O GOVERNO PROVISÓRIO DE VARGAS (1930-1934) ................................................................................. 2
1.1 A CONSTITUIÇÃO DE 1934 ................................................................................................................... 3
2. O GOVERNO CONSTITUCIONAL (1934-1937) ............................................................................................ 3
MUDE SUA VIDA!
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GOVERNO PROVISÓRIO E GOVERNO CONSTITUCIONAL
1. O GOVERNO PROVISÓRIO DE VARGAS (1930-1934)
As medidas iniciais de Vargas visaram aos desmanche do antigo regime político
oligárquico, federativo e fraudulento. Como grupo vencedor da Revolução de 1930, a Aliança
Liberal não era um partido, e, portanto, Vargas não possuía um compromisso tático de
governo com as diversas forças que empreenderam a revolução. Dessa forma, procurou
apoiar-se na única instituição que poderia de fato fazer-lhe oposição: os militares. Esta sim foi
a verdadeira base de sustentação de todo o seu governo.
Procurando reestruturar a política e a sociedade de acordo com a realidade vivenciada
nos conturbados anos 1930, Vargas adotou a prática de imobilizar as várias tendências sociais
que poderiam atentar contra o governo recém-instituído. Fez-se, então, uma composição de
medidas que, por um lado, fomentaria a economia estagnada pela Crise de 1929 e, por outro
lado, atenderia às várias expectativas criadas ao redor de seu governo.
Na formação do Governo Provisório, antes de qualquer coisa, era necessário
desconstruir as bases do poder das oligarquias. Para isso, Vargas revogou a Constituição de
1891 e fechou os Três Poderes, demonstrando a característica centralizadora deste governo.
Entre as primeiras medidas econômicas implementadas por Vargas havia a necessidade
de retribuir o apoio recebido pelo Partido Republicano Mineiro durante o pleito de 1930 e a
subsequente revolução. Como esse grupo era dominado por cafeicultores, eram necessárias
medidas específicas direcionadas a eles. Então, Getúlio criou o Estado de Compromisso com o
café, demonstrando que não poderia abandonar um grupo que representava tanto para a
economia do país. A principal medida esse “compromisso” foi a criação do Departamento
Nacional do Café em 1931, que previa a compra e a destruição dos estoques de café, além da
proibição do plantio de novos cafezais, o que reduziria gradativamente a produtividade. Ao
fazer isso, Vargas procurava atender aos cafeicultores e ao mesmo tempo recuperar a
economia nacional, visto que o café era responsável por 69% das exportações brasileiras.
Outro foco de atenção foi o intervencionismo estatal da economia com estímulo ao
desenvolvimento industrial, adotando-se medidas de caráter nacionalista e controle sobre
preços e salários. Para incentivar a industrialização, elevaram-se as taxas de importação, as
taxas de juros e a desvalorização cambial. Desde o início de seu governo, ficou claro que
Vargas voltou-se preferencialmente a uma política industrializante no país, com elementos
nacionais.
Entre as medidas de construção política do governo provisório, Getúlio nomeou
tenentes para os cargos de presidente de Estado, forma nítida de retribuição ao apoio
recebido no período da Revolução de 1930.
Logo em seguida, uma das primeiras medidas de caráter populista foi tomada, a criação
de novos ministérios, da Educação e Saúde Pública, e do Trabalho, Indústria e Comércio.
Quanto ao Ministério do Trabalho, duas interpretações historiográficas são pertinentes, a
primeira como uma forma de Vargas sustentar sua base no operariado, enquanto outros
analisam que o Governo Vargas procurou reconhecer os sindicatos e as reivindicações
operárias, trazendo-os para a esfera do governo como forma de mediar os conflitos de classe,
controlar a luta sindical e impedir manifestações da luta de classes.
Enquanto isso tudo acontecia, Getúlio tinha também uma missão ainda mais importante,
que era mostrar que o novo governo estaria fazendo de tudo em prol da democracia. Para isso,
existia a proposta de elaboração de uma nova Constituição. Essa questão acabou se agravando
em 1932, quando a oligarquia paulista, principalmente por ter caído e por estar de fora do
novo governo, questionou a nomeação do Interventor para o Estado, o tenente João Alberto.
Seguiram-se passeatas e manifestações, as quais culminaram com a guerra civil. No dia 9 de
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julho de 1932, eclodiu a Revolução Constitucionalista, sendo a pior guerra civil do país. Quase
seis meses depois, o governo venceu, mas, sem rancor, permitiu aos paulistas escolherem o
seu próprio presidente do Estado e convocou uma Assembleia Constituinte.
1.1 A CONSTITUIÇÃO DE 1934
Inspirada na Constituição alemã de Weimar, a segunda republicana, promulgada a 15 de
julho do mesmo ano, mantinha o Brasil como uma república federativa, presidencialista e
representativa. Havia três poderes independentes e os mandatos eletivos tinham validade de
quatro anos para presidente e deputados e oito anos para senadores. O voto passou a ser
secreto, excluindo-se os analfabetos, ou seja, dois terços da população, além de militares de
baixa patente e indigentes. Quanto às mulheres, era permitida sua participação, desde que
apresentassem um atestado de capacidade, que deveria ser elaborado por seus patrões.
Entre os elementos fundamentais dessa Constituição, estavam a criação do serviço
militar obrigatório e elementos que fundamentalmente iriam determinar o futuro da Era
Vargas: o nacionalismo econômico e o trabalhismo.
2. O GOVERNO CONSTITUCIONAL (1934-1937)
Nesse novo momento do governo varguista, era fundamental ao presidente agora eleito
apagar a imagem de ditador criada com a Revolução de 1930. O respeito às instituições, o
cumprimento das regras constitucionais e todo o processo democrático viriam à tona nessa
segunda fase da Era Vargas. Se essa era uma reivindicação das massas, cabia ao líder populista
atendê-la.
A relação entre o governo e o operariado passou a ser mediada por órgãos oficiais como
o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e as Juntas de Conciliação e Julgamento. Além
disso, alguns direitos para os trabalhadores foram estabelecidos como jornada semanal de 48
horas, direito ao descanso semanal remunerado, criando um equilíbrio entre trabalhadores e
Getúlio, visto de forma positiva por essa classe social, pelo menos por enquanto.
Porém, nesse período, podemos dizer que o Brasil viveu também um momento de
radicalização ideológica.
A Ação Integralista Brasileira (AIB) de tendência de extrema direita, foi fundada pelo
escritor Plínio Salgado em 1932, com o apoio do Partido Fascista Brasileiro. A AIB defendia
um regime político ditatorial, fascista, antiliberal e antidemocrático, nacionalista e
anticomunista. Sua atuação teve apoio dos elementos empobrecidos da classe média, setores
mais conservadores da sociedade, com o lema “Deus, Pátria e Família”.
A Aliança Nacional Libertadora (ANL), foi o primeiro movimento de massas no país e
não deve ser considerada um partido, mas sim, a exemplo das frentes populares antifascistas
e anti-imperialistas europeias, uma frente de oposição, uma aliança de diversos setores
políticos com fins em comum, aglutinando ex-tenentes reformistas e esquerdizantes, liberais,
comunistas, socialistas e líderes sindicais. O presidente da ANL era o capitão Hercolino
Cascardo, participante da Revolta Tenentista de 1924, e o presidente de honra, Luís Carlos
Prestes, do Partido Comunista Brasileiro. Entre suas propostas, estavam: suspensão definitiva
do pagamento da dívida externa, nacionalização de empresas estrangeiras, reforma agrária e
proteção para os pequenos proprietários, com a instauração de um governo popular.
Em razão do rápido crescimento da ANL e do conservadorismo católico anticomunista
do século XX, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Segurança Nacional em 1935, permitindo
ao governo prender lideranças e dissolver instituições que atentassem contra a segurança
nacional. No dia 11 de julho de 1935, o governo fechou os núcleos nacionais da ANL e
reprimiu simpatizantes e afiliados.
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A reação da ANL ficou conhecida como Intentona Comunista (ou Insurreição de
Novembro de 35), a qual preparava uma ação militar contra o governo Vargas. A ação de
agentes infiltrados na ANL e o despreparo dos revoltosos causaram o fracasso do movimento
e desencadearam uma onda de perseguição, prisão e deportação de seus integrantes.
Com a proximidade do final do mandato presidencial e pretendendo permanecer no
poder, Vargas e seus ministros militares articularam um golpe de estado para que se pudesse
dar continuidade ao projeto modernizador do país.
Contando com o apoio de simpatizantes do fascismo, dos principais governadores e dos
integralistas, foi criada a farsa do Plano Cohen, em que supostamente os comunistas estariam
tramando tomar o poder.
Mediante a divulgação pela imprensa do Plano Cohen (arquitetado pelo então cap.
Olympio Mourão Filho) e o clima de temor criado pela ameaça dos comunistas de assumirem
o Estado, o Congresso decretou “estado de guerra” permitindo a Vargas adotar medidas de
exceção. Em 10 de novembro de 1937, Vargas decretou o Estado Novo e outorgou nova
Constituição, previamente aprovada pelo governador de Minas, pelo integralista Plínio
Salgado e pelos ministros militares. O Congresso foi fechado e os políticos liberais, temerosos
de seu destino, pediram exílio nas embaixadas.
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