Funções e Atribuições do Poder Executivo
Funções e Atribuições do Poder Executivo
PODER EXECUTIVO
PONTOS MAIS COBRADOS – Os gráficos abaixo demonstram, entre os tópicos dessa ma-
téria, quais são os pontos mais cobrados do terceiro capítulo.
PODER EXECUTIVO
350 ÁudioAula
300
250
200
150
100
50
0
Conselho da República e Conselho Imunidade, Crimes Comuns, Presidente da República, Vice-
de Defesa Nacional Crimes de Presidente da
Responsabilidade (Lei n° 1.079 de República e Ministros de Estado
1950)
VídeoAula
A função típica do Poder Executivo está ligada à prática de atos de Chefia de Estado, Chefia de Governo e da
Administração Pública. A grosso modo, o Executivo governa e implementa políticas públicas, respeitando as
diretrizes traçadas pela lei. Além disso, de forma atípica, o Poder Executivo também exerce função legislativa
(ex.: edição de medida provisória) e correlata à função jurisdicional (ex.: julgamento de Processo Administrativo
Disciplinar).
ATENÇÃO: O Poder Executivo não exerce função jurisdicional propriamente dita, uma vez que suas decisões não estão sujeitas
aos efeitos da coisa julgada.
Conforme estudado, no sistema presidencialista (adotado pelo Brasil), as funções de Chefe de Estado e Chefe de
Governo se concentram nas mãos da mesma pessoa: o Presidente da República. No Parlamentarismo, por sua
vez, teremos o Presidente da República (República Parlamentarista) ou o Monarca (Monarquia Parlamentarista)
exercendo a função de Chefe de Estado, enquanto o Primeiro Ministro exerce a função de Chefe de Governo.
No Brasil, o Presidente da República atua como Chefe de Estado quando representa a unidade federativa (o Es-
tado brasileiro e não apenas a União) nas relações internacionais e, por outro lado, age como Chefe de Governo
quando gerencia a máquina política-administrativa e elabora políticas públicas, econômicas e sociais.
Para se candidatar ao cargo de Presidente ou Vice-presidente é necessário:
– ser brasileiro nato;
– gozar plenamente de direitos políticos;
– realizar o alistamento eleitoral;
– estar filiado a algum partido político;
– possuir domicílio na circunscrição eleitoral (ou seja, ter domicílio no Brasil!);
– ser maior de 35 anos;
– ser alfabetizado;
– não apresentar nenhuma das condições de inelegibilidade previstos na Constituição Federal.
O Brasil adota o sistema majoritário de dois turnos, considerado eleito o candidato que
obtiver a maioria absoluta dos votos válidos. O primeiro turno das eleições para Presi-
dente acontece no primeiro domingo de Outubro do ano anterior ao do término do mandato
presidencial. Nos termos do art. 77 da CF/88, será eleito Presidente quem obtiver a maioria
absoluta de votos, isso é, mais da metade dos votos válidos. Entretanto, caso nenhum candi-
dato alcance essa maioria, em até 20 dias após a divulgação do resultado será realizado um
segundo turno, para o qual concorrerão os dois candidatos mais votados. Esse turno ocorre
no último domingo de Outubro. Aquele que obtiver a mais votos, será eleito presidente. Questões
147
Destaca-se que caso entre o primeiro e segundo turno, ocorrer a morte, desistência ou im-
pedimento legal de um dos candidatos ao cargo, o mais votado dentre os candidatos rema-
nescentes será convocado, de forma a viabilizar a realização da nova votação em 2º turno.
Em qualquer caso, caso houver empate entre os candidatos, será escolhido o mais idoso
O mandato presidencial se inicia no primeiro dia do ano subsequente à eleição e tem du-
ração de quatro anos, sendo permitida uma ÚNICA reeleição por igual período. Conforme ÁudioAula
determinação do art. 78 da CF/88, o Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão
posse em sessão do Congresso Nacional e se, decorridos dez dias da data fixada para tanto, não o fizerem, o
cargo será declarado vago, salvo motivo de força maior.
cargo será declarado vago, salvo motivo de força maior.
ATENÇÃO
Caso um candidato eleito a Presidente morra antes da expedição do seu respectivo diploma, o Vice-presidente será eleito.
FICA A DICA
A Constituição Federal Brasileira não admite a candidatura autônoma (candidato desvinculado de um partido político), nem a can-
didatura avulsa (Presidente e o Vice-Presidente integram chapas eleitorais diferentes).
Por que Rodrigo Maia, mesmo nascido no Chile, pode ser presidente do Brasil?
Apesar de ter nascido em Santiago, capital do Chile, Rodrigo Maia é o Presidente da Câmara dos Deputados e, por consequência,
encontra-se na linha sucessória para a Presidência da República. Como isso é possível? Afinal, sabemos que só os brasileiros natos
podem assumir o cargo de Presidente!
Rodrigo é filho de um brasileiro (o político César Maia) e foi registrado no consulado brasileiro quando nasceu, razão pela qual também
é brasileiro nato. E isso nós já estudamos, não é mesmo?
As atribuições do Presidente da República estão listadas no art. 84 da Constituição Federal, como veremos a
seguir:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
ATENÇÃO II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a QUESTÃO CESPE
direção superior da administração federal; Compete privativamente ao
A enumeração das atribuições
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos ca- presidente da República dis-
do Presidente da República não
sos previstos nesta Constituição; por, mediante decreto, sobre a
é exaustiva, mas sim meramente
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, extinção de funções ou cargos
exemplificativa.
bem como expedir decretos e regulamentos para públicos quando estes estiverem
vagos.
sua fiel execução;
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente; Correto
VI – dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 32, de 2001) QUESTÃO QUADRIX
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar Uma das atribuições do presi-
aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (Incluída pela dente da República no Brasil é
Emenda Constitucional nº 32, de 2001); dispor, mediante decreto, sobre
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (Incluída pela Emenda extinção de órgão ou cargos
Constitucional nº 32, de 2001); públicos, quando vagos.
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes Errado
diplomáticos;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Na-
cional;
IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio;
X - decretar e executar a intervenção federal;
XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da
sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessári-
as;
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em Questões
148
lei;
QUESTÃO CESPE
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas,
A Constituição Federal dispõe que compete nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da
privativamente ao presidente da República
Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-
celebrar tratados, convenções e atos inter-
los para os cargos que lhes são privativos; (Redação
nacionais, sujeitos a referendo do Congres-
so Nacional. Ao fazê-lo, o presidente exerce
dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 02/09/99)
as funções de chefe de Estado. XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os
Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais
Correto ÁudioAula
Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República,
o presidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando deter-
minado em lei; QUESTÃO CESPE
XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas Compete privativamente ao
da União; presidente da República declarar
XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advog- guerra em caso de agressão
estrangeira e celebrar a paz, desde
ado-Geral da União;
que, em ambos os casos, ocorra
XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;
prévia autorização do Senado
XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa
Federal.
Nacional;
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso
Errado
Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões
legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;
XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou
nele permaneçam temporariamente;
XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de
orçamento previstos nesta Constituição;
XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as
contas referentes ao exercício anterior;
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;
XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;
XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV,
primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que obser-
varão os limites traçados nas respectivas delegações.
FICA A DICA
As atribuições enumeradas no art. 84 da Constituição Federal são indelegáveis, ou seja, somente poderão ser exercidas pelo Presi-
dente da República, entretanto, o parágrafo único do mesmo artigo permite que o Presidente delegue aos Ministros de Estado, ao
Procurador Geral da República e ao Advogado Geral da União as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV.
Em decorrência do Princípio da Simetria Federativa, as competências elencadas acima são extensíveis aos
Chefes do Poder Executivo Estadual (Governador), Distrital (Governador) e Municipal (Prefeito), com as
devidas adaptações. Destaca-se que nos territórios federais, o Poder Executivo deverá ser chefiado por um
Governador nomeado pelo Presidente da República. O mandado dos prefeitos e governadores também tem du-
ração de quatro anos, sendo permitida uma única reeleição.
Nos Estados e nos Municípios com mais de duzentos mil eleitores, serão considerados eleitos para Governador
e Prefeito, respectivamente, os candidatos que obtiverem a maioria absoluta dos votos. Caso esse quórum
não seja atingido, deve haver um segundo turno de votação, assim como ocorre nas eleições
para Presidente da República. Contudo, nos Municípios com até duzentos mil eleitores, será
eleito o candidato que obtiver o maior número de votos, independentemente de atingir ou
não a maioria absoluta. Ou seja, a eleição dos prefeitos, nesse caso, respeita o sistema
majoritário simples.
VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Questões
149
O art. 79 da CF/88 define como atribuições do Vice-presidente: (I) a substituição do Presi-
dente, no caso de impedimento; (II) a sucessão do Presidente, no caso de vacância da
presidência; (III) o auxilio do Presidente sempre que for convocado por ele para missões
especiais.
Caso o Vice não possa suceder o presidente, serão convocados para o exercício da Presidên-
cia da República, sucessivamente, o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado
Federal e o do Supremo Tribunal Federal. ÁudioAula
ATENÇÃO Importante destacar que o Presidente e seu Vice NÃO poderão, sem licença do Congresso Nacional, ausentar-se do
país por período superior a 15 dias.
Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos
políticos;
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:
I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da
administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decre-
QUESTÃO CESPE
tos assinados pelo Presidente da República; Os ministros de Estado são escol-
hidos pelo presidente da República
II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
sem a necessidade de aprovação da
III - apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no
escolha pelo Senado Federal. Não
Ministério;
se exige que eles sejam brasileiros
IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou del- natos, mas que sejam maiores de 35
egadas pelo Presidente da República. anos de idade e estejam no exercício
de seus direitos políticos.
ÓRGÃOS CONSULTIVOS Errado
O Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional são órgãos
de consulta da Presidência da República, que emitem manifestações meramente opinativas. Nesse sentido,
compete ao Conselho da República se pronunciar sobre: intervenção federal, estado de de-
fesa, estado de sítio e sobre outras questões relevantes para estabilidade das instituições
democráticas. O art. 89 da CF elenca os integrantes desse órgão:
Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele
participam:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal; Questões
150
IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI - o Ministro da Justiça;
VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomea-
dos pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos
Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.
Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre:
I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;
ÁudioAula
II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas
§ 1º O Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para
participar da reunião do Conselho, quando constar da pauta questão rela- QUESTÃO FCC
cionada com o respectivo Ministério. O Conselho da República é órgão superior
§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da de consulta do Presidente da República, e
República. dele NÃO participa o
a) Vice-Presidente da República.
O Conselho de Defesa Nacional, por sua vez, deve se pronunciar so- b) Presidente da Câmara dos Deputados.
bre questões relativas à soberania nacional e a defesa do Estado c) Presidente do Senado Federal.
democrático, tais como declaração de guerra e de paz, interven- d) Presidente do Supremo Tribunal Federal.
ção federal, estado de defesa e o estado de sítio. Esse órgão tam- e) Ministro da Justiça.
bém pode propor medidas de melhoria da defesa do território nacional, Resposta: D
com o propósito de garantir a independência nacional e a defesa do
Estado Democrático. O artigo 91 da CF traz o rol de membros natos desse órgão:
Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da República nos assuntos relacionados com
a soberania nacional e a defesa do Estado democrático, e dele participam como membros natos:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
IV - o Ministro da Justiça;
V - o Ministro de Estado da Defesa; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999)
VI - o Ministro das Relações Exteriores;
VII - o Ministro do Planejamento.
VIII - os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 23, de 1999) QUESTÃO CESPE
§1º Compete ao Conselho de Defesa Naciona: O Conselho de Defesa Nacional é
órgão de consulta do presidente da
I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos
República ao qual compete pronun-
termos desta Constituição;
ciar-se sobre intervenção federal,
II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da inter-
estado de defesa e estado de sítio.
venção federal; Errado
III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segu-
rança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com
a preservação e a exploração dos recursos naturais
FICA A DICA
de qualquer tipo;
1. Conselho da RePública - P de PRONÚNCIA
IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimen-
2. Conselho de Defesa NaciOnal - O de OPINA
to de iniciativas necessárias a garantir a independên-
Além disso, REPÚBLICA tem 9 letras igual à PRONÚNCIA 9 letras
cia nacional e a defesa do Estado democrático.
§2º A lei regulará a organização e o funcionamento
do Conselho de Defesa Nacional.
PODER REGULAMENTAR
O Poder Regulamentar em sentido amplo pode ser compreendido como o Poder da
Administração Pública Direta para fins de editar atos normativos de qualquer natureza (De-
creto, Portaria, Resolução), em outras palavras, é sinônimo de Poder Normativo. O Poder
Regulamentar em sentido estrito, por sua vez, é o poder do Chefe do Executivo para
editar regulamentos, cuja forma é, necessariamente, o Decreto. Trata-se, portanto, de uma
espécie de Poder Normativo. Questões
151
Notem, contudo, que alguns autores utilizam a expressão “Poder Regulamentar”, ora como
sinônimo de Poder Regulamentar em sentido amplo (Poder Normativo), ora como sinônimo
de Poder Regulamentar em sentido estrito.
Maria Sylvia Zanella di Pietro critica a utilização do termo “Poder Regulamentar” como sinôn-
imo de “Poder Normativo”, pois esse último não se resume à edição de regulamentos. Por-
tanto, quando utilizarmos a expressão “Poder Regulamentar” nesse capítulo, estaremos nos
referindo ao Poder Regulamentar em sentido estrito. ÁudioAula
FICA A DICA
O regulamento é o ato normativo privativo do Chefe do Poder Executivo, enquanto o decreto é a forma do ato. Assim, podemos dizer
que o Regulamento é expedido por meio de um decreto.
Conforme estudado, a Administração Pública não poderá criar, por força própria, obrigações que não tenham
sido previstas em lei. Destaca-se, nesse sentido, que o exercício do Poder Normativo se dará secundum legem,
ou seja, em conformidade com o conteúdo da lei e nos limites que esta impuser. Portanto, o poder regu-
lamentar será desempenhado com vistas a clarificar/facilitar a fiel execução da lei, isto é, o ato normativo irá
minudenciar o texto legal. Desse modo, dispõe o art. 84, IV da CF:
“Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...) IV – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem
como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.”
Conforme estudado, o Poder Executivo poderá editar decretos para a fiel execução da lei, haja vista que com-
pete ao Poder Legislativo inovar no ordenamento jurídico. Entretanto, segundo preceito constitucional transcrito,
o chefe do Poder Executivo poderá, nessa hipótese específica do art. 84, editar decretos que dispõem sobre
a organização e funcionamento da administração federal em SUBSTITUIÇÃO À LEI. Trata-se de Decreto
substituto da lei, tendo em vista que são editados sem contemplar lei anterior.
ATENÇÃO: Os decretos editados para clarificar e garantir a fiel execução da lei são denominados Regulamentos Executivos, atos
estes que não inovam no ordenamento jurídico. Contudo, os regulamentos previstos no art. 84, VI são editados em substituição
à lei, denominados REGULAMENTOS AUTÔNOMOS. Esses últimos estabelecem normas sobre matérias não disciplinadas em lei.
Devemos lembrar que os referidos regulamentos autônomos serão editados para tratar unicamente sobre or-
ganização e funcionamento da Administração Pública quando não implicar em aumento de despesa, nem
criação ou extinção de órgãos públicos.
Ademais, conforme estudado em tópico anterior, a edição de regulamentos executivos é INDELEGÁVEL, entre-
tanto, o parágrafo único do art. 84 da Constituição Federal 1988 estabelece a possibilidade de:
“O presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos
MINISTROS DE ESTADO, AO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA OU AO ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO, que
observarão os limites traçados nas respectivas delegações.”
Destaca-se, ainda, que pelo Princípio da Simetria Constitucional, os Chefes do Poder Executivo em âmbito munici-
pal e estadual também podem editar Regulamentos Autônomos.
Questões
152
REGULAMENTOS AUTÔNO-
REGULAMENTOS EXECUTIVOS
MOS
153
Esse juízo de admissibilidade é
conhecido como Licença Prévia.
03) As acusações Em várias oportunidades,
criminais ou políti- Art. 86, CF. Admitida a acusação contra o o STF já se manifestou
cas contra o Presi- Presidente da República, por dois terços da pela constitucionalidade de
dente da República Câmara dos Deputados, será ele submetido a dispositivos das constituições
estão sujeitas ao julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, estaduais que exijam Licença
juízo de admissibi- nas infrações penais comuns, ou perante o Prévia da Assembleia Legislativa
lidade da Câmara Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.” para que a acusação de crimes
do Deputados. comuns e ou de responsabilidade ÁudioAula
contra os Chefes dos Executivos
estaduais fosse admitida.
Presidente da República
Crime comum STF (art. 102, I, b, CF) Por expressa determinação da Constituição Federal, as
leis orgânicas municipais devem garantir prerrogativa
Crime de Responsabi- Senado Federal (art. 52, I, de foro ao Prefeito (perante os Tribunais de Segunda
lidade CF.) Instância):
Governador “Art. 29, CF. O Município reger-se-á por lei orgânica [...]
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição,
Crime comum STJ (art. 105, I, CF) na Constituição do respectivo Estado e os seguintes
preceitos:
Salvo disposição em sen-
tido contrário na Consti- X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;”
tuição Estadual, a com-
petência é de Tribunal Súmula 702 do STF: A competência do Tribunal de
Especial composto de cin- Justiça para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de
competência da justiça comum estadual; nos demais ca-
Crime de Responsabi- co membros do Legislativo
e de cinco desembarga- sos, a competência originária caberá ao respectivo tribu-
lidade dores, sob a presidência nal de segundo grau.
04) Possuem prer-
do Presidente do Tribunal
rogativa de foro de Justiça local, que terá A competência não será necessariamente dos
para as ações direito de voto apenas no Tribunais de Justiça. A título de exemplo, se um Prefeito
criminais caso de empate (art. 78 da praticar crime militar, ele será processado e julgado
Lei nº 1.079/1950) originariamente perante o STM, pois essa é a segunda
instância na esfera militar.
Prefeito Destaca-se que os Governadores possuem prerrogativa
de foro por expressa previsão constitucional (art. 105, I,
Crime comum e
Crime de Respon- CF).
sabilidade Impróprio Tribunal de Segunda
(aqueles que podem
Instância FICA A DICA
ser sancionados com
penas privativas de
liberdade) A prerrogativa de foro prevista em nossa Constituição é
apenas política e criminal. Não há prerrogativas de foro
para o julgamento em sede de ação trabalhista, divórcio,
Crime de Respon-
sabilidade Próprio adoção etc.
(aqueles que podem Câmara Municipal (art. 4º
ser sancionados com do Decreto-Lei 201/1967)
a cassação do man-
dato)
Importante destacar que essas prerrogativas não tratam de vantagens pessoais, decorrem do cargo e tem o
escopo de proteção da Democracia.
FICA A DICA
O artigo 86 da CF tem grande incidência nas provas! É importante que você o leia mais de uma vez!
154
extinção apenas reconhece o fato (morte, renúncia), razão pela qual tem natureza de-
claratória.
– Declaração de vacância do cargo pelo Congresso Nacional: quando os candidatos
eleitos não comparecerem para tomar posse dentro do prazo de l0 dias a partir da desig-
nação (art. 78);
– Ausência do país, por mais de 15 dias, sem licença do Congresso Nacional (83,
CRFB/88): a ausência do país por período superior a 15 dias, sem a licença do Congresso ÁudioAula
implica a perda do mandato, ressalvadas as hipóteses de força maior (ex.: doença súbita no exterior).
Segundo o entendimento mais atual do STF, a perda do mandato não é automática com a condenação crimi-
nal transitada em julgado, salvo quando o parlamentar for condenado a pena privativa de liberdade em regime
fechado, por mais de 120 dias. Nesse caso, haverá automática perda do mandato do deputado ou senador,
porque ele necessariamente faltará à terça parte das sessões ordinárias em uma sessão legislativa (Ação Penal
694 - 02/05/2017).
A condenação do Presidente da República por crime de responsabilidade depende da aprovação por maioria
qualificada de dois terços dos membros do Senado Federal. No caso de condenação, o Presidente estará
sujeito à perda do mandato e não poderá exercer qualquer função pública pelo período de oito anos.
ATENÇÃO
Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a jul-
gamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsa-
bilidade.
§ 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.
§ 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento
do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.
§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente da República não
estará sujeito a prisão.
§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estra-
nhos ao exercício de suas funções.
Questões
155
PROCESSO DE IMPEACHMENT
Conforme estudado, os crimes de responsabilidade são infrações político-administrati-
vas definidas em lei especial federal, que poderão ser cometidas no desempenho da
função pública e que poderão resultar no impedimento para o exercício da função.
Destaca-se que qualquer cidadão pode realizar denúncia contra o Presidente da República
por crime de responsabilidade, perante a Câmara dos Deputados. Contudo, o pedido de im-
peachment deve: (I) estar assinado pelo denunciante, inclusive, com firma reconhecida; (II) ÁudioAula
acompanhado de documentos que comprovem a teor da denúncia e, se possível, de rol de
testemunhas. Todo o procedimento é norteado pela Lei nº 1.079/50.
Em seguida, o Presidente da Câmara dos Deputados realizará um juízo prévio de admissibilidade, admitindo ou
não o prosseguimento da denúncia. Nessa fase, o Presidente da República não tem direito a defesa prévia. Uma
vez recebida, a denúncia será lida no expediente da sessão seguinte e será eleita uma comissão especial, da
qual devem participar representantes de todos os partidos. Em seguida, o Presidente da República apresentará
sua defesa, a comissão emitirá parecer e o Plenário da Câmara dos Deputados decidirá se autoriza ou não a
abertura do processo de impeachment por decisão de 2/3 de seus membros. Esse juízo de admissibilidade tem
natureza política e discricionária.
QUESTÃO CESPE
Autorizada a abertura do processo por meio de resolução, o Senado irá
Sempre que for instaurado, no Senado
receber a denúncia e instaurar, ou não, o processo.
Federal, processo por crime de responsa-
Caso o Senado não admitir a denúncia, haverá a extinção anômala bilidade contra o presidente da Repúbli-
do processo. Contudo, caso o Senado admitir a denúncia, o processo ca, este ficará suspenso de suas funções
até o julgamento definitivo do processo
será formalmente instaurado e o Presidente da República será suspen-
so do exercício de suas funções, somente retornando ao exercício da Errado
Presidência se for absolvido ou se, decorrido o prazo de cento e oitenta
dias, o julgamento não estiver concluído, conforme estabelece o art. 86, §1º, da CF
Art. 86, § 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime
pelo Supremo Tribunal Federal ;
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo
Senado Federal;
§ 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver
concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular
prosseguimento do processo.
A condenação do Presidente da República pela prática do crime de responsabilidade será proferida pelo voto
de dois terços dos membros do Senado Federal, em votação aberta e nominal, e acarretará a perda do cargo,
inabilitação por 8 anos para o exercício da função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.
A sentença deverá ser formalizada por meio de Resolução.
156