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História da Plataforma Apple Macintosh

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capítulo

6
Plataformas Apple
Macintosh

Leva-se muito tempo para ser jovem


Pablo Picasso

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


Muitos acham que foi a Microsoft quem “inventou” a interface gráfica com o Devido à aparência de rato de cartum que os três botões e o rabo de cobre e
usuário. Mesmo sendo muito importante na popularização da computação em borracha davam à traquitana, os cientistas a apelidaram de rato (mouse), e,
ambiente visual, a gigante de Redmond está longe de ter patrocinado a inova- como sabemos, o apelido vingou...
ção nessa área. Meia década antes da explosão de vendas do Windows 3.x, a
Apple lançava, em 1984, o Macintosh. Revolucionário por apresentar ao usuá-
rio uma interface gráfica operada por um periférico esquisito chamado mouse
Alto, muito alto...
Corria o ano de 1970. O governo estadunidense andou cortando gastos do ARPA
(em português, rato), definiu as bases para a computação pessoal que perdu-
e muitos cientistas ficaram desempregados. Nesse mesmo ano, uma grande empre-
ram até hoje.
sa de fotocopiadoras e equipamentos de escritório estava planejando entrar no
Mesmo o Macintosh é produto de tecnologias desenvolvidas a princípio fora
negócio de computadores, que era a coqueluche do momento. Essa empresa era a
da Apple, mais precisamente o PARC (Palo Alto Research Center), um laborató-
Xerox, que instalou provisoriamente muitos dos desempregados em laboratórios
rio de inovações patrocinado pela Xerox. As primeiras interfaces gráficas de
que ficavam na 3180 Porter Drive em Palo Alto,
que se tem notícia datam de 1963 e são “filhotes” do PARC e do ARPA (Advanced
California, precisamente no 1° de Julho daquele ano
Research Project Agency, uma divisão do Departamento de Defesa norte-ameri-
(mais tarde, o PARC mudou-se para suas próprias
cano). Conta a lenda - e isso foi retratado no filme Pirates of Silicon Valley, que
instalações no 333 Coyote Hill Road, também em
romanceia a rivalidade entre Steve Jobs e William Gates III, respectivamente os
Palo Alto, e está lá até hoje).
homens-fortes da Apple e da Microsoft - que Jobs e asseclas tiveram acesso
franqueado ao PARC e carta branca para copiar e usar - gratuitamente - quais-
quer idéias e tecnologias que julgassem úteis. O PARC era um lugar administrado à moda dos cientistas e portanto comple-
De qualquer forma, a usabilidade e o aspecto sempre agradável dos sistemas tamente estranho para os executivos de então (e mesmo para os de hoje). Não
operacionais Apple sempre encontrarão adoradores e entusiastas. O harwdare havia a obrigação de sair nada de rentável dali. Pelo contrário, a Xerox os paga-
é outro ponto favorável da plataforma: a Apple sempre fez questão de usar va regiamente apenas para pesquisar.
processadores e controladores de ponta - ao contrário dos PCs, cujo mote é Usando as idéias de Engebart e Bush, um dos maiores projetos do PARC era um
compatibilidade com hardware legado. A grande desvantagem das plataformas sistema computacional no qual, em vez
Apple, desde a época do finado Apple ][, é o preço elevado. de linhas de comando, era criado um am-
biente de fantasia similar às escrivaninhas
em que as pessoas trabalham há séculos.
O início da computação Nessas mesas manipulamos, na maioria

gráfica das vezes, documentos. E, para tal, usamos


canetas ou máquinas de escrever, papéis,
livros e cadernos, não é? Na escrivaninha
Voltemos a 1945. Um pesquisador norte-americano chamado Vanaver Bush ima- simulada do pessoal do PARC, cada docu-
ginou um sistema computacional chamado memexmemex, no qual os usuários interagiriam mento ou tarefa sendo executada era uma
com a máquina não por meio de comandos ou instruções, mas em um ambiente “folha de papel”. Essas folhas poderiam
visual. Nos anos 50, outro engenheiro, Douglas ficar umas sobre as outras, e a ordem em
C. Engelbart, que trabalhava no ARPA, gostou que apareciam podia ser controlada pelo
das idéias de Bush e iniciou o desenvolvimento usuário por meio de um mouse, que era
de um sistema desse tipo. Seu time de cientistas uma evolução do modelo desenvolvido no
- todos notáveis - desenvolveu ao longo dos anos ARPA: mais barato e fácil de usar. Uma
algumas tecnologias interessantes. A mais estra- versão operacional desse sistema saiu em
nha- datada de 1963 e que se mostrou revoluci- 1973 - três anos depois de iniciado o de-
onária com o passar dos meses - era um disposi- senvolvimento no PARC, e obviamente
tivo apontador que possuía três botões em uma aproveitando os quase 20 anos de pesqui-
extremidade, e um cabo na outra. sas do ARPA.

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


Chamado simplesmente ALTO, o computador pos- Nesse mesmo ano, o PARC também anunciava
suía algumas características no mínimo curiosas para a primeira impressora a Laser, chamada EARS
a época. Por exemplo, qualquer coisa (incluindo tex- (que, sim, usa a tecnologia de fotocopiadoras da
to simples) era mostrado na tela como gráficos. Para Xerox, fato que muitos pensam ser inverdade), a
manipular os gráficos, era usado um mouse pareci- computação distribuída, o modelo cliente/servi-
do com o desenvolvido pelo ARPA, só que mais fácil dor em oposição ao modelo mainframe, a pala-
de operar e de fabricação mais barata. Outro concei- vra Ethernet era usada pela primeira vez para
to revolucionário era o de ser um computador para descrever uma incipiente tecnologia de redes
ser usado por apenas uma pessoa - o primeiro com- locais e um tal de Superpait Frame Buffer, que
putador pessoal da história. A resolução da tela era uma década mais tarde daria à Xerox um prê-
de 808x606 pontos, só recentemente (por volta de mio Emmy pelo uso da tecnologia em animações
1995) foi igualada pelos computadores pessoais do cinematográficas.
mercado - uma antecipação de mais de 20 anos!
Apple: o início
A tecnologia que permite isso é chamada de bit O desenvolvimento dos sistemas da Apple sempre é fortemente norteado pelo
mapping, e é usada até hoje por todas as plata- hardware da empresa. Com o Macintosh não foi diferente: baseado originalmente
formas, seja Mac, PC, PowerPC ou qualquer outra. no processador Motorola 68000, o MacOS evoluiu a partir da evolução do hardware.
Cala elemento de imagem ou pixel é efetivamente Voltemos para 1974, dez anos antes do lançamento do Macintosh. Havia um
um bit em uma memória de vídeo. Com isso, qual- clube para aficionados em computadores, o Homebrew Computer Club. Era fre-
quer programa que controle os bits dessa memó- qüentado tanto por garotos de 12 anos quanto por engenheiros de computação
ria controla o que aparece na tela. Na tela aposentados, todos com o objetivo de trocar experiências e programas. Muitos
monocromática de então (monitores a cores e deles construíam seus próprios equipamentos, mas a maioria possuía (ou almeja-
mesmo aparelhos de TV coloridos eram caríssimos va possuir) um modelo chamado Altair 8800, baseado no processador Intel 8080
nessa época) um bit “1” ou “aceso” representava e muito popular. O interpretador da linguagem Basic de Bill Gates e Paul Allen,
um ponto branco e um bit “0” ou apagado repre- software que deu origem à Microsoft, foi desenvolvido para esse sistema.
sentava um ponto preto. Hoje, com o advento das Entre os freqüentadores dessas reuniões esta-
cores e duas décadas depois, usa-se até 32 bits para vam alguns dos próprios engenheiros que desen-
representar um único ponto, mas naquele tempo volveram o ALTO, que contribuíam com idéias
um único bit era suficiente. O resultado era im- para o clube e, ao mesmo tempo, ficavam fasci-
pressionante para a época, de qualquer forma. nados com a capacidade que certos programa-
Voltando ao ALTO, a interface gráfica já possuía então todos os elementos que dores possuíam de extrair gráficos maravilhosos
conhecemos hoje e que nem Mac OS X nem Windows XP conseguiram subverter de hardware muito mais espartano que o do
ou substituir: um ponteiro controlado pelo mouse, menus de contexto, janelas que ALTO, ligado em uma TV preto-e-branco.
podiam ser movidas e redimensionadas, várias janelas, uma para cada tarefa... Um dos sócios do clube era um garoto chamado Steve. Irriquieto, gênio e não
O ALTO, entretanto, pagou o preço da inovação: para ser colocado em produ- muito bem de vida, não tinha dinheiro para comprar um Altair. Conta a lenda que
ção, custaria, ao consumidor final, 40 mil dólares (um preço, sem trocadilhos, ele se uniu com um amigo também chamado Steve, e ambos venderam uma calcu-
alto...), e, apesar de o projeto não ter sido abortado pela Xerox, o ALTO nunca lador HP científica e uma Kombi para fundar nada mais nada menos que a Apple
chegaria a ser um produto. Especula-se que a Xerox poderia reinar absoluta, Computer Inc. O primeiro Steve (o da HP) chamava-se Steve Wozniak, e era o
hoje em dia, no mercado de computadores pessoais se houvesse tido a coragem cérebro da empresa. O segundo (o do fusca), chamava-se Steve Jobs e era o cora-
de lançar tal equipamento. Quando entrou nesse mercado, muitos anos depois, ção - e o garoto-propaganda - da recém formada Apple. Com o dinheiro da venda
não conseguiu emplacar nenhum produto - mesmo o notável Xerox STAR 8010 e algum esforço, projetaram e construíram um computador baratíssimo e com
Information System, baseado no ALTO, não decolou. capacidades gráficas espantosas, que ficou conhecido como Apple II.

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


O Apple I não era nada mais que um kit para
montar um computador em casa, não possúía
sequer gabinete - os próprios compradores os
colocaram em caixas de madeira...

Mesmo assim venderam algumas dezenas


de unidades, contrataram funcionários e de-
senvolveram para ele um interpretador
Basic chamado Integer Basic. Uma cópia
do manual original do Apple I pode ser
obtida em [Link]/apple1/ma-
nual/[Link].

Depois que o pequeno sucesso do Apple I co-


meçou a arrefecer, Woz (como era chamado) ini-
ciou o desenvolvimento do aclamado e saudoso
Apple ][
][.

Sucesso instantâneo: vinha já instalado em


uma caixa de fibra de vidro para acomodar as
placas, que eram fixas por encaixe; possuía slots
de expansão para que fosse possível colocar
placas novas e extender a capacidade ou a fun-
cionalidade do produto; e possuía uma arquite-
tura fácil de ser entendida, o que encorajava
hobbistas de eletrônica a “inventar” uma infinidade de dispositivos malucos
para ele. Mas as grandes inovações foram, sem dúvida, o vídeo colorido (apro-
veitando a popularidade das TVs em cores, que estavam baixando de preço) e o
acionador de disquetes, conhecido como Disk ][ Drive. O Apple ][ ganhou inú-
meras versões e melhoramentos e vendeu centenas de milhares de unidades até
1993, quando o último modelo em produção, o Apple IIe Platinum, foi
descontinuado. É até hoje o maior sucesso conceitual da empresa, que possibi-
litou seu crescimento e sobrevivência durante muitos anos - mesmo na era
Macintosh.

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


O Apple IIe teve ainda uma reencarnação, em forma de uma placa de expansão
para o Macintosh LCII. Era um Apple IIe completo em um chip que fazia um
“dowgrade” no Mac. Com isso, os saudosos podiam rodar seus velhos programas
como o VisiCalc ou o AppleWorks no Macintosh. Mas, no fundo, era apenas uma
curiosidade inútil que manteve o Apple II no catálogo da Apple até 1995.

Wozniak então reprojetou -


quase sem alterações, deve-
mos dizer - seu computador
para usar o 6502 em lugar do
6800. Os computadores pesso-
ais de então não possuíam te-
clados, mas chaves para ali-
mentar o sistema com dados
e programas em forma biná-
ria: veja a foto do Altair.
Wozniak queria um computa-
dor que fosse fácil de operar,
Mordendo a maçã então dotou o equipamento de
Como dissemos, a Apple norteia o desenvolvimento de seus produtos pr imei-
primei- um teclado simples e uma
ro pensando no hardware e depois escrevendo software para ele. A única ex- interface de RF para usar um
ceção a ocorreu justamente nos primórdios da empresa: Steve Wozniak já havia aparelho de TV como monitor.
escrito (à mão...) o interpretador BASIC do Apple I muito antes de sequer pen- A cof igur
cofigur ação de har
iguração harddwar e do Apple I er
are eraa bem simples:
sar em projetá-lo. De fato, Woz projetou o hardware do Apple I com o único e CPU: MOS Technology 6502, rodando a 1 MHz, sem co-processador
exclusivo objetivo de ter onde rodar o programa que existia apenas em papel. aritmético.
Coisas de gênio... Barramento: 8 bits, com velocidade de 1 MHz
Memória: 8 kbytes, expansíveis até 32 kbytes.
Apple I e II Vídeo:
Quando Wozniak escreveu seus programas Monitor e BASIC, tinha o processador - Memória: 1 kbyte (shif registers improvisados como memórias)
Motorola 6800 em mente - havia trabalhado com ele na faculdade e o conhecia - Máxima resolução: somente texto, 40 colunas por 24 linhas
razoavelmente bem. Assim como escreveu “de cabeça” os programas para o Consumo: 58W
processador, também projetou - apenas no papel, sem protótipo - um computa- A interface de fita cassete era vendida separadamente. Não era oferecida
dor baseado no 6800. qualquer opção de gabinete - o comprador deveria construir seu próprio para
Mas ao tentar passar para a prática, percebeu que o 6800 era muito caro: acomodar o computador. O preço sugerido inicialmente para venda direta ao
custava por volta de 175 dólares. Comentando com Allan Baum, um colega de consumidor era de 666,66 dólares. Perguntado porque desse valor, uma vez
faculdade, Woz foi informado de que havia um processador de uma empresa que o sistema custava menos de 300 dólares para ser construído, Woz respon-
menor que possuía quase todas as intruções do 6800 ou equivalentes e era deu: “Não tem nada haver com satanismo ou o número da besta (666). É apenas
muito mais barato: o 6502, da Mostec, que custava por volta de US$ 25. meu número da sorte (7), decrescido de 1, repetido 5 vezes”. Ah, tá...

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


Com alguns melhoramentos e um ano depois do lançamento do Apple I, a Steve Jobs também fez sua parte, insistindo em
empresa lançou o Apple ][ (na verdade, é dois em algarismos romanos, mas acomodar o circuito em uma caixa plástica bonita
o pessoal de marketing achou que escrever com colchetes seria uma “saca- e deixar o computador com cara de produto aca-
da legal”). Já não era mais um kit para curiosos, mas um computador com- bado e não de kit para nerds. Para contrabalançar,
pleto, que já vinha com teclado (no Apple I era adquirido separadamente), o número de slots para expansões foi aumentado
interfaces para cassete e TV e, o mais importante, vinha acondicionado numa de um para oito, e todos os circuitos e
caixa plástica elegante e pequena, do tamanho de uma máquina de escrever especificações do computador estavam descritas
- perfeita, portanto, para ficar na escrivaninha das pessoas e não mais em no manual: os nerds ainda poderiam divertir-se a
suas garagens ou oficinas. valer. A interface para gravador cassete, disponível
Lembram-se da história do Unix, que foi desenvolvido para que Ken Thompson como placa separada para o Apple I e custando
pudesse jogar seu Space Travels? Bem, antes de se incomodar com seu BASIC e 107 dólares, estava agora integrada à placa mãe,
projetar o Apple I, Wozniak trabalhou, já acompanhado por Jobs, no desenvol- deixando todos os oito slots livres para os usuários. A tampa, ao invés de ser
vimento do joguinho Breakout para o telejogo Atari (o avô do Atari 2600, muito parafusada e possuir o manjadíssimo aviso CA UTION! NO SER
CAUTION! VICEABLE
SERVICEABLE
popular no Brasil no início da década de 80). Anos mais tarde, o Apple ][ foi PAR TS INSIDE
ARTS INSIDE, era apenas encaixada e dava fácil acesso ao hardware da má-
concebido por Wozniak com o intuito secreto de, simplesmente, portar o quina: um convite oficial da empresa para hackear alguma coisa!
Breakout para ele. Em uma entrevista (retirada do site www.apple2histor
www.apple2histor
.[Link]
.com),
anos depois, Woz revelou o segredo: A configuração de hardware do Apple ][ era muito sim-
“Quase todas as características agendadas para incorporação no Apple ][ ples, bem parecida com a do Apple I, mas com melhora-
foram imaginadas simplesmente porque eu havia desenvolvido o Breakout mentos. Dois anos mais tarde, a Apple introduzia o Apple
para o Atari. Eu o havia feito puramente por hardware - desta vez eu queria II plus, que incorporava na própria ROM muitas das roti-
fazê-lo puramente por software. Esta era a única e exclusiva razão para nas anteriormente carregadas via cassete, além de pro-
adicionar cores ao Apple - para possibilitar a programação de jogos. Uma porcionar mais alguns mimos ao usuário. Seu hardware
noite, sentei-me no laboratório e tentei ‘enfiar’ as novas funções gráficas e era, então:
de cor no BASIC. Como fui eu mesmo quem o escreveu, bastou queimar
algumas ROMs novas com os comandos de desenho de linha e mudança de
cor. Depois disso, rodei o Breakout e pensei, ‘humm, isso precisa de som’, e CPU: MOS Tec hnolog
echnolog y/SynerT
hnology/SynerT ek
y/SynerTek
portanto adicionei um alto-falante ao Apple ][. Nada disso foi planejado, 6502 rodando a 1 MHz e sem co-
tudo foi estritamente acidental... Obviamente, para jogar são necessários processador matemático.
controladores, então coçei a cabeça e desenvolvi um paddle com um míni- Barramento: 8 bits, 1 MHz
mo de peças e minúsculos circuitos na placa mãe para recebê-los. Portanto, ROM: 12 kbytes, contendo o Monitor, o Applesoft, o
a maioria dos melhoramentos que fizeram o Apple ][ ser o melhor em seus Integer Basic e os Progrmming Aids.
dias de glória vieram todos de um jogo, e as características bacanas do sis- RAM: 48 kbytes, expansíveis até 64 kbytes por
tema surgiram apenas de meu pet project , que era criar uma versão em complicados esquemas de paginação. O slot 0 era
BASIC do meu jogo Breakout e mostrá-lo no clube.” reservado para a expansão de memória.
Mas não foram apenas esses melhoramentos de hardware e software a serem Vídeo:
incorporados ao Apple ][. O processador usado era o mesmo do Apple I. A - Resolução gráfica máxima: 280x192 e seis cores
capacidade de memória era, agora, de 8 kbytes expansíveis até 48k, contra os - Texto: 40 linhas x 48 colunas, 16 cores
32k do Apple I. O vídeo agora possuía uma memória só para ele, e não aquele 1 Alto-falante para sinalização e programável pelo usuário.
kbyte de shift registers improvisados por Woz no Apple I. Em adição ao Integer Expansão: 8 slots (marcados de 0 a 7)
BASIC de Wozniak, residente na ROM do equipamento, um novo interpretador Haviam inúmeros opcionais, todos inseridos nos slots de expansão, como
BASIC chamado AppleSoft - desenvolvido por ninguém menos que Bill Gates e mais memória, acionador de disquetes (Disk ][ Drive) e interfaces seriais. O
Paul Allen e que suportava expressões e valores em ponto flutuante - estava sistema vinha montado cuidadosamente numa caixa plástica branca muito ele-
disponível em fita cassete. gante e robusta, e já possuía um teclado.

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


O Apple ][ e seus clones
O Apple ][ foi sucesso em todos os países do mundo onde havia interesse na
computação pessoal - e isso não foi diferente no Brasil. Como a Apple era uma
empresa pequena e não podia estar presente em todos os lugares, criou uma A Milmar também chegou a
política que mostrou-se feliz na época do Apple ][ e desastrosa quando foi esten- fabricar o Apple IIc (desta vez
dida aos Macs: os clones. Woz, Jobs e companhia licenciavam a tecnologia do não com licenciamento ofici-
Apple ][ para firmas ou indivíduos interessados em reproduzí-lo com seu pró- al, tanto que o produto era
prio nome, muitas vezes melhorando o próprio projeto original. É óbvio que chamado de Milmar Laser IIc)
existiam muitos clones piratas e o Macintosh, sob o singelo
que não pagavam nada à Apple, nome de “Mac” - depois disso,
mas a estratégia acabou sendo foi processada pela Apple por
lucrativa, além de “demarcar o pirataria. Nessa época, a em-
território” para a plataforma. presa americana tinha um
A primeira empresa norte-ame- comportamento estranho
ricana a fabricar clones do Apple ][ foi a Bell&Howell, especializada no merca- quanto ao nosso país, uma vez
do educacional. que os Macintoshes eram an-
O Brasil era especialmente fértil em clones devido à reserva de mercado de siosamente esperados aqui:
infor
infor mática imposta pelo governo militar. A Apple, impedida de entrar oficial-
ormática não licenciavam a fabricação
mente aqui, licenciou uma meia dúzia de empresas para fabricar o para nenhuma empresa naci-
microcomputador. Na esteira dessas, vieram centenas de piratas, e a oferta de onal mas também não expor-
computadores compatíveis com o Apple ][ era impressionante. Nomes como o tavam o original para cá. Com
Unitron apII, o Craft IIplus, o Maxxy da Polymax, o CCE Exato, o Spectrum isso, a introdução do
Microengenho e a dupla TK2000/TK3000 da Microdigital (sendo o TK2000 Macintosh no Brasil foi adia-
não lá muito compatível...) ainda ecoam nas cabeças dos saudosistas. da por quase uma década.

O crepúsculo de um herói
O Apple ][ teve inúmeros avanços. Sua memória “de fábrica” chegou a 128k em
1983 com o Apple IIe e 256k em 1986 com o IIgs, mas expansível até 8 Mbytes!

Todos eles era 100% compatíveis com o Apple ][ plus original - à exceção do
TK2000, não se sabe porque cargas d’água a Microdigital conseguiu fazer um
Apple incompatível com o original (que era, diga-se de passagem, de arquitetu-
ra aberta) - embora a maioria fosse de clones piratas. Havia apenas um deles
que era, oficial e inequivocamente, autorizado pela Apple. Fabricado pela Milmar,
era um Apple ][ plus original, só que manufaturado no Brasil sob licença da
Apple Computer. Tanto era oficial que a Milmar não precisou colocar nele um
nome de fantasia: chamava-se Apple ][ Plus e era idêntico ao original em tudo,
incluindo as etiquetas. Veja o anúncio na página seguinte, publicaad na revista
Micro Sistemas de dezembro de 1983.

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


À medida que os componentes foram ficando menores, mais e mais interfaces A conf igur
configur ação de har
iguração dwar
hard aree do Apple IIgs ereraa a seguinte:
externas (que antes eram acomodadas nos slots) foram sendo inseridas na pró- CPU: Western Design Center 65SC816, de 16 bits, rodando a 2,8 MHz,
pria placa-mãe. O expoente máximo dessa prática é o Apple IIc, um Apple II com co-processador aritmético integrado.
(quase) compatível com o IIe, só que com tudo integrado na placa mãe (como Barramento: 16 bits a 1 MHz.
o drive de disquete e diversas placas de expansão). O gabinete não possuía os ROM: 128/256 kbytes, contendo toda a parafernália de sistema desenvol-
famosos oito slots e sequer podia ser aberto. Mas o IIc era tão compacto que vida para a família até então - inclusive o já decano Integer BASIC.
desempenhava com galhardia o papel de computador móvel, possuindo inclu- Onboard RAM: 256 kb, expansível até 8 Mbytes.
sive baterias acopláveis e uma tela de cristal líquido (LCD) vendida separada- Video:
mente, fazendo dele um dos primeiros laptops da história - e seguramente o - Resolução máxima: 640x200 a 4 cores, 320x200 a 16 cores
primeiro da Apple. - Texto 80 colunas x 48 linhas
Acionadores de disquete Disk ][ de 5¼” ou Sony 3½” de 800 kbytes.
Porta de comunicação:
-ADB (precursora, entre outras coisas, do USB): 1
- Serial: DB-19
- Video: DB-25
Alto-falante mono
Os mesmos oito slots de sempre estão presentes para expansão. Uma
placa de expansão muito popular era a interface SCSI, que permitia ao IIgs
receber um disco rígido desse padrão. O IIgs possuía ainda o sistema
operacional GS/OS, em aparência muito semelhante ao MacOS, embora
internamente seja completamente diferente.

Você pode saber mais sobre o velho guerreiro (histórias, esquemas, progra-
mas, onde comprar um usado) nos sites especializados e em grupos de
usuários. Os lugares mais quentes na Internet são:
A primeira parada (obrigatória) é a Sociedade Brasileira de Colecionado-
res do Apple2:
[Link]
O mais respeitado site americano sobre o Apple ][: [Link]
O último modelo, o Apple IIgs,
Apple ][ Brasil: [Link]/~lode/apple2/[Link]
possuía inclusive um sistema
Apple II History: [Link]
operacional chamado GS/OS
Diversos emuladores de Apple IIgs para Macintosh:
que era, em aparência, exatamen-
[Link]/apple2
te igual ao MacOS de então - com
Diversos emuladores de Apple ][ para PC:
a diferença de que o GS era co-
[Link]/[Link]
lorido e barato, enquanto o
Gabriel Torres ensina como rodar um emulador de Apple II no PC:
Macintosh era preto-e-branco e
[Link]/[Link]
caríssimo. Apesar dos avanços, o
Emulador de Apple ][ para o Pocket PC (atenção, o link é grande!):
mesmíssimo 6502 (ou um de
[Link]/
seus descendentes, como o
[Link]?siteId=75&homePath=MICROSOFT&platform
65816) ainda estava lá, servindo
Id=2&productType=2&catalog=0&sectionId=0&productId=16444
de cérebro para esse veterano
Chris, Mark & Terry’s Apple ][ Home Page: [Link]/[Link]
notável da computação pessoal.

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


Clube Old Bits - diversos computadores da década de 80, incluindo
Apple][ e clones nacionais: Os dois produtos voltados para o mercado empresa-
[Link] rial eram o Apple III e o Lisa. O primeiro , baseado no
Apple ][ Reunion: [Link]/features/apple2/[Link] Apple ][ mas completamente incompatível, teve vida
Temas do Apple ][ para Windows 95/98/ME: [Link]/ curtíssima. Cheio de problemas, lento e feio, possuía
windowsbbs/[Link] um sistema operacional próprio, drive de disquete em-
Para criar contas de email com o domínio @[Link]: butido e, opcionamente, uma unidade de disco rígido.
[Link]/email Além disso, rodava os programas do Apple ][ por um
bugado e lento emulador. Havia, inclusive, armadilhas
Mas apesar de ter sobrevivido até 1995, o destino do Apple ][ estava selado de hardware e software para tornar aplicativos do ][
desde 1979, quando a profissionalização mudou radicalmente a mentalidade incompatíveis com o III - de propósito! O que se reve-
dos executivos e o rumo da empresa. Numa visão que sabe-se hoje ser míope, a lou um tiro no pé, uma vez que aplicativos nativos para
Apple queria ser identificada como empresa “séria”, que fabricava equipamen- o novo modelo demoraram a aparecer.
tos “sérios” para pessoas e empresas “sérias”. Ocorre que, lá por 1979, a Apple É consenso quase unânime de quem viveu na época de que a Apple errou feio: se
reinava absoluta (ambora não sozinha) no mercado de computadores pessoais. tivesse adaptado o Apple ][ para aplicações “sérias” em vez de desprezá-lo, teria
Concorria com nomes como Atari, Commodore, Tandy Radio Shak e Sinclair, sido um sucesso pelo seu poder aliado ao preço baixo. Depois de lutar muito por
mas a relação custo/benefício de seu pequeno Apple ][ era imbatível. Não era uma causa perdida, a Apple encerrou a produção do Apple III em 1985.
tão barato como um Sinclair, mas era muito mais útil - um ZX80 não passava de Mas o Apple III era, na verdade, um “tapa-buraco”. A grande aposta de Steve
uma calculadora anabolizada. Jobs e companhia era em um novo e inovador conceito: a GUI, ou Interface
Quando quis concorrer no mercado corporativo, enfrentou nomes como IBM e Gráfica com o Usuário. As visitas ao PARC em 1979 mudaram a visão da Apple
Digital Research - era uma nanica em uma briga de cachorro grande. A Apple pas- sobre o que as pessoas iria querer dos computadores no futuro.
sou por altos e baixos até a volta de Steve Jobs nos anos 90, e só a partir de então Interfaces baseadas em texto estão por aí há muito tempo, quase 60 anos.
começou a colher os frutos tortuosamente enxertados no fim da década de 70. Consultando os apêndices de História da Informática, vemos que os primeiros
softwares eram ultra-especializados. O usuário não possuía uma maneira de
interagir com eles. Os dados eram “codificados” junto com a lógica, para alterar
Lisa algum deles, era necessário reescrever o programa.
Em 1979 - apenas dois anos após o lançamento do Apple II - os executivos da Para introduzir alguma interatividade, os dados passaram a ser inseridos por
empresa (então já transformada em uma companhia de verdade e não mais um meio de comandos. Logo surgiram outros que interagiam com o processamento
bando de malucos que contruíam computadores em uma garagem) desses dados. As pessoas tinham que lembrar de uma quantidade muito grande de
encasquetaram na cabeça a idéia de que o negócio não era a computação pes- comandos e instruções e isso as amedrontava. Operar um computador demandava
soal, mas sistemas computacionais monousuários para se usar nas empresas. treinamento e pesquisa, e isso reduziu o número de pessoas que podiam usá-lo.
Os anos 90 mostraram que o consumidor mais voraz, impulsivo e gastador do Posteriormente, os programadores começaram a fazer programas com me-
mercado é o jovem, especialmente o jovem ligado em tecnologia. Uma indústria nus interativos. Como havia um cardápio mostrando na tela todas as opções
de entretenimento e bens de consumo foi montada para atender a esse público disponíveis, as pessoas não precisavam mais lembrar-se dos comandos. Mesmo
especial e consumista, e o nicho de informática é a estrela desse mercado. estruturas complexas de menus e submenus eram facilmente aprendidas e
Isso era visível já em 1979, e as vendas do Apple II e descendentes ratificaram digeridas pelo usuário médio. Programas desenvolvidos para computadores de
o cenário por mais de dez anos. Mas os dirigentes de então não pensavam assim, grande porte (mainframes) usavam e até hoje usam sistemas cuja tela mostra
numa época em que a estatística nem sempre era levada em conta. Desejosos de apenas texto puro e que são baseados em menus.
que a Apple fosse “levada a sério” pelos grandes da indústria, decidiram voltar O Apple III possuía um sistema operacional (ironicamente, chamado de Simple
seus esforços para o mercado corporativo. Portanto, entre 1979 e 1983, nenhum Operation System, cuja sigla era S.O.S...) baseado completamente em
engenheiro da Apple trabalhava no desenvolvimento do Apple ][ - que era, diga-se [Link] grande idéia, usada até mesmo pelo seu concorrente direto, o IBM
de passagem, a vaca leiteira da empresa e continuou sendo até o fim da década PC, mas que chegou muito tarde para a computação pessoal. O S.O.S. era pródi-
de 80, sustentando inclusive os Macintoshes por muitos anos. go em bugs, mas era visual e estruturalmente muito bem resolvido.

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O antigo Apple ][ As características do harware eram:
era para usuários, di- CPU: Motorola MC68000, rodando a 5 MHZ, sem co-processador aritmético.
gamos,“avançados”: Barramento: 16 bits a 5 Mhz
estudantes, ROM: 16kbytes contendo software de diagnósticos e um rudimentar siste-
hobbystas, profissi- ma de boot.
onais com conheci- RAM: 1 Mbyte,
mento técnico... Monitor: 12" (720 x 360 pontos) embutido no gabinete.
Não era um compu- Slots de expansão: 3 (propietários)
tador para as mas- Disquetes: 2 internos de 871k 5.25" (apenas um de 3.5" e 400k, fabricado
sas - para a dona de pela Sony, nos modelos Lisa2 e MacXL).
casa ou o motorista Disco Rígido: 5 MB externo (10MB opcionais no Lisa 2 e no MacXL)
de táxi, por exem- Portas de comunicação e saídas: duas seriais RS-232, Audio com sintetizador
plo. Embora o S.O.S de som CVSD, um alto-falante mono. Havia uma porta paralela para impressora
do novo Apple III no Lisa original, que curiosamente não entraram no Lisa 2 nem no MacXL.
mostrasse de uma Consumo: 150 W
maneira muito mais fácil para as pessoas como o computador realmente era, não Peso: 48 lbs.
era isso o que “o povo” queria. O usuário comum de informática (sua tia que é Dimensões: 15.2" altura x 18.7" largura x 13.8" profundidade
dentista, por exemplo) não quer aprender algo de maneira fácil. Do contrário, Sistema operacional: LisaOS, originalmente conhecido como LisaDesk. No
quer um ambiente de fantasia para esquecer que está num computador. MacXL, o LisaDesk trabalhava em conjunto com o MacWorks para simular um
Nesse meio-ambiente nasceu o Lisa. Era uma máquina com monitor integra- ambiente Macintosh.
do, por isso mais fácil de instalar e por isso também muito mais cara. Possuía
também um acionador de disquetes integrado, dirco rígido externo de 5 ou 10
Os executivos da Apple viam no Lisa algo que ele nunca foi: “a nova onda”
Mbytes (um exagero para a época!) além de outros avanços tecnológicos. Mas
do mercado, “the next big thing”. Devido à GUI, a Apple anunciava que o Lisa
o principal item, realmente, era a interface com o usuário: a Apple Computer
era o primeiro computador realmente fácil de usar, e direcionou o marketing
Inc. finalmente rende-se à GUI!
para grandes corporações - afinal, ninguém usava o Apple ][ em casa para
nada sério, mas as empresas deveriam ter interesse em um sistema
computacional que até o encarregado da limpeza soubesse usar. Ledo enga-
no. O preço de cada unidade em 1983, ano do lançamento, era de pornográfi-
cos US$ 9.995,00 - uma verdadeira facada. A GUI não era tão intuitiva assim,
e por esse preço o pessoal da limpeza ia ficar sem micros, mesmo. Um ano
O codinome do projeto (que viria a se tornar depois, com o lançamento do Macintosh, que fazia a mesma coisa por menos
o nome oficial) vinha de uma época onde os de três mil dólares, o pouco de credibilidade que o Lisa pudesse ter foi por
engenheiros e executivos da Apple batizavam água abaixo. Em 1985 foi lançado o Lisa 2, com um drive de 3,5" em vez de
o sistema ou partes dele com os nomes de seus dois de 5,25" e com um disco rígido de 10 Mbytes vendido à parte mas quase
cônjuges, parentes, filhos ou animais de esti- sempre “empurrado” pelo vendedor - e tudo isso pela metade do preço do
mação. Ocorre que Steve Jobs havia reconheci- Lisa original. Numa última tentativa, o Lisa2 chegou a ser vendido (pasmem!)
do recentemente uma filha ilegítima cujo nome como um Macintosh, sob o nome de MacXL e com o software MacWorks, que
é Lisa Nicole. Não precisa dizer mais nada... fazia o LisaDesk ficar parecido visualmente e rodar os programas do
Macintosh. Não houve jeito: o MacXL e toda a linha Lisa foi descontinuada em
O projeto do Lisa era ambicioso. Deveria integrar novas tecnologias de 1986, no mais vergonhoso fracasso comercial e tecnológico da empresa, e um
hardware e software, uma GUI bonita e funcional e um processador de 16 bits dos maiores de toda a indústria da informática. Um Apple ][ anabolizado teria
que era uma evolução do velho 6800 (e, por “parentesco”, do 6502): o 68.000. feito melhor. De qualquer forma, é o fim da era Lisa - que a terra os coma!

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Macintosh
É complicado decidir quem é o pai do Macintosh. Apesar de o press-release antecedência. Tendo anteriormente sido pesquisador no PARC e tomado conta-
do lançamento, em 1984, apontar Steve Jobs como o criador do produto, sabe- to com coisas como o Ethernet, Raskin sabia que as redes fariam parte da vida
se que o embrião do projeto e mesmo alguns estágios mais avançados de desen- cotidiana de todas as pessoas, em casa ou no trabalho. Para colocar a Apple na
volvimento estavam nas mãos de um importante engenheiro e diretor executi- liderança, as telecomunicações eram parte fundamental do projeto do Macintosh.
vo da Apple: Jef Raskin. Ou, como o próprio Raskin escreveu em um de seus relatórios, “The Macintosh
Como o leitor deve recordar, o Lisa era um projeto co-liderado por Steve Jobs is a communications device”. O sonho de Raskin era maior que o hardware: em
e mais alguns engenheiros. Ocorre que seu poder na empresa já não era o sua visão, a Apple deveria ser vista, no futuro, não como fabricante de computa-
mesmo. Desde 1977, a empresa tinha um presidente contratado, que cuidava da dores, mas como uma comunidade de serviços à distância baseada em uma
parte executiva da empresa. Em 1979, o presidente era Mike Markulla. grande rede. Para Raskin, no futuro, a Apple seria um provedor de conteúdo.
Jobs era, no início, o maior acionista da empresa, e tinha poder de influenciar Um documento, do punho do próprio Jef Raskin, é o “The Apple Network”
qualquer decisão. Mas esse poder foi caindo à medida que vendia suas ações libr
librar
(libr ar
[Link]
.stanfor [Link]/mac/pr
[Link]/mac/pr imar
[Link]/mac/primar y/docs/bom/[Link]
imary/docs/bom/[Link]
y/docs/bom/[Link]). Nele, Raskin
diretamente, ou que a Apple vendesse mais ações na bolsa de valores. Em 1981, fala sobre a inutilidade de computadores stand alone e prega a interconectividade
e com apenas 11% das ações com direito a voto, Jobs como uma tecnologia a ser liderada pela Apple. Palavras como ARPA net, Ethernet
foi chutado por Markulla para fora do projeto Lisa - e Compuserve foram utilizadas nesse documento da década de 70, numa época
que era o xodó da empresa. em que ninguém ouvia falar delas ou sabia o que significavam.
Steve Jobs é um homem conhecido por seu Mas tudo mudou em 1981. Steve Jobs, chutado do projeto Lisa, quis fazer do
egocentrismo. Com o orgulho ferido e com espírito de Macintosh tudo o que o Lisa deveria ser - e, fazendo isso, afastou em muito o
vingança, decidiu tomar - à força - o projeto que estava, Macintosh do projeto original de Raskin. Em vez de um computador de rede, um
no momento, nas mãos de Jeff Raskin. O projeto, cujo centro de computação pessoal autônomo. Em vez de uma interface funcional mas
codinome era uma variedade de maçã espartana, pouco dependente do mouse, uma GUI bonita mas discutivelmente fácil
que cresce na Califórnia, era nada mais de usar. O Mac, previsto para sair em 1982, viu a luz do dia apenas em 1984 - com
nada menos que o Macintosh. muita fanfarra, um comercial dirigido por Ridley Scott e exibido na caríssima final
do Superbolw. Mas, principalmente, espezinhando o fracasso do Lisa.
Raskin escreveu um ensaio intitulado A gênese e a histór ia do A pple
história
Macintosh, em reação à atitude despótica de Jobs. Tal documento pode ser en-
Voltemos a três anos antes, em 1979. O Apple ][ Plus acabava de ser lançado
contrado em [Link]/mac/primary/docs/[Link]. Outros do-
com relativo sucesso, mas o mercado de computadores pessoais “para nerds”
cumentos sobre os primeiros dias do Mac (pré-Jobs) podem ser encontrados
estaria saturado em dois anos. Ao mesmo tempo, ainda em 79, Raskin propôs a
em [Link]/mac. Raskin continuou como projetista e consultor de
Mike Markulla o projeto de um computador que custasse menos de 500 dóla-
software do projeto Macintosh após a entrada de Jobs, e continuou na mesma
res, que não possuísse os problemas legais e de concorrência de clones do
função na Apple até 1991, quando foi demitido.
Apple ][ (portanto, com arquitetura fechada) e que fosse plugado em uma rede.
O Apple ][ possuía nada menos que 12 diferentes modelos, cada um reagindo
Raskin já antevia a explosão das redes corporativas e da comunicação pessoal
de maneira diferente ao mesmo estímulo do usuário e demandando uma docu-
- que culminaria nas LANs, nas BBSs e na Internet. As premissas eram muito
mentação - manuais e prospectos - adaptada. Se um modelo apresentava na tela
simples: facilidade de uso, baixo custo e conectividade.
caracteres em caixa alta e caixa baixa, um outro diferenciava maiúsculas e minús-
Até 81, quando Jobs “tomou conta do pedaço”, Raskin trabalhava com um
culas pela cor da letra. Outros modelos sequer tinham capacidade de trabalhar
grupo muito pequeno de desenvolvedores. Na realidade, apenas três - Brian
com minúsculas. Um círculo na tela de um sistema poderia ser oval em outro. E
Howard, Burrel Smith e Budd Tribble, conhecidos como “the three bees”. A equi-
havia o problema dos clones, que estavam roendo os lucros da empresa.
pe considerava as premissas citadas como os pilares fundamentais do novo
Para resolver os problemas legais, técnicos, de documentação e de clonagem
computador, e é notória a atenção que era dada às capacidades de networking
do Apple ][, o primeiro Macintosh (e todos os outros a seguir até a década de
do bichinho. O primeiro Macintosh foi pensado, realmente, para ser um
90) não possuíam nenhuma capacidade de expansão. Tudo era integrado, e as-
computadorzinho para redes, uma espécie de Network Computer ou NC (idéia
sim evitava-se problemas técnicos e possibilitava-se fabricar máquinas baratas
posta em prática pela Sun Microsystems nos anos 90) só que com vinte anos de
para milhões de consumidores.

Plataforma Apple Macintosh Plataforma Apple Macintosh


O primeiro Macintosh possuía a seguinte configuração de hardware: rio da Apple), era baseado no processador 68020
CPU: Motorola MC68000, de 16 bits, rodando a 8 MHz, sem co-processador de 32 bits, já vinha com disquete de 3,5"/800k, 1
aritmético. (Um PC da época rodava a 4,77MHz e não possuía capacidade grá- Mbyte de RAM e um disco rígido SCSI interno de
fica - era somente texto.) 40 Mbytes. Uma máquina respeitável por menos
Barramento: 16 bits a 8 MHz. de quatro mil dólares - e muitíssimo mais potente
ROM: 64 kbytes que o Lisa, descontinuado havia apenas pouco mais
RAM: 128 kbytes, não expansíveis de um ano.
Monitor: 9" preto-e-branco, embutido no gabinete. A resolução gráfica era
de 512x384 pontos. O hardware do Mac II era composto de:
Disquete: 3.5" 400 kb CPU: Motorola MC68020, de 32 bits rodando a 16 MHz, com co-processador
Portas de comunicação e saídas: duas interfaces seriais RS-232, saída de aritmético 68881 já instalado.
audio mono (8 bits) com um alto-falante mono embutido, uma porta de diag- Barramento: 32 bits a 16 MHz.
nóstico. ROM: 256 kb
Consumo: 60 W RAM: configurável pelo comprador, não havia RAM soldada diretamente na
Peso: 16.5 lbs. placa mãe - uma novidade na Apple. Em vez disso, podia-se usar pentes SIMM de
Dimensões: 13.6" altura x 9.6" largura x 10.9" profundidade 30 pinos parecidos com os dos PC-386 existentes. Haviam 8 slots para RAM,
Sistema operacional: System 1.0, suportando até o System 6.0.5. suportanto um máximo de 20 Mbytes ou 68 Mbytes com um kit de upgrade.
Capacidade de expansão: nenhuma, por definição de projeto. Havia um cache de 256 bits para acelerar o processamento - outra novidade.
Video: Várias opções de adaptadores de vídeo e monitores, variando de
Tudo isso é muito bonito na teoria, mas a Apple pagou o preço pelo seu baixa resolução monocromática aos caríssimos monitores de 16 milhões de
egocentrismo seis anos depois. O Microsoft Windows 3.0, lançado em 1990, rodava cores - hoje corriqueiros.
em qualquer um dos PCs do mercado (incluindo a base já instalada), não importan- Slots de expansão: 6 NuBus
do a configuração. O modelo único e não expansível da Apple entrava em colapso. Disquete: 1 ou 2 3.5"x800k (aceitava upgrade para o SuperDrive, que po-
Mesmo sem o problema do Windows, a Microsoft foi criticada pelos usuários dia ler disquetes de 1,44Mbytes do PC)
pela não possibilidade de expansão. Muitos usuários nem queriam fazer expan- Disco rígido: SCSI 40 MBytes (opção para 80 MBytes) interno.
sões em suas máquinas - mas queriam mais memória, ou um disco rígido, e Portas de comunicação e saídas: 2x ADB (avó do USB), 2x serial RS-232,
teriam comprado o produto lacrado se assim fosse oferecido. Além disso, o saída de audio estéreo 8 bits, um alto-falante mono embutido,
preço oferecido - quase US$ 2500 - era muitíssimo mais alto do que os quinhen- Consumo: 230 W
tos dólares inicialmente previstos. Peso: 24 lbs.
Um ano depois do lançamento do Mac, Steve Jobs desentende-se com o atual Dimensões: 5.5" Altura x 18.7" Largura x 14.4" Profundidade
presidente da empresa, John Sculley - um ex-excutivo vindo da Pepsi Cola e que Sistema operacional: System 2.0, suportando até o System 7.5.5.
não entendia lhufas da indústria de informática. O resultado dessa guerra foi a
demissão sumária de Jobs, considerada a maior facada nas costas da história O Mac II ficou em produção até janeiro de 1990 e teve vários modelos. A partir
empresarial norte-americana. Steve Jobs foi o articulador da entrada de Sculley de 1990, uma profusão de modelos de Macintosh foi lançada, numa tentativa da
na Apple, e não esperava uma traição como essas. Com Wozniak afastado já a empresa de preencher todos os espaços do mercado. Todos os modelos - incluí-
alguns anos, a Apple ficara, em 1985, sem seus dois fundadores. dos aí servidores, estações de trabalho, máquinas para usuários domésticos e
Depois de 1985, o Macintosh teve diversos upgrades de modelos, tornou a ser notebooks - eram baseados nos processadores 68000, 68020 e 68030, em dispo-
expansível via interface SCSI em 1986 com o Mac Plus, teve suas ROMs aumentadas sitivos SCSI e no barramento NuBus. Mesmo ganhando mais memória, periféri-
várias vezes (um dos modelos nem precisava de HD, bootava diretamente o MacOS cos diferentes e mais velocidade, todos eram essencialmente, a mesma máquina.
de uma ROM) e ganhou tela colorida em 1993 com o Macintosh Color Classic. Mesmo os notebooks eram máquinas desktop adaptadas, com processadores
Em março de 1987 foi lançado o Macintosh II. Ao contrário do Mac clássico de baixo consumo. A primeira tentativa foi o feio Macintosh Portable, que saiu
(que viria a se chamar, mais tarde, exatamente Mac Classic...) o Mac II era com- em 1989 e parecia um Apple IIc com tela de cristal líquido. Logo em seguida,
pleta e absurdamente expansível. Possuía 6 slots no padrão NuBus (proprietá- em 1991, surgiu a linha PowerBook, sucesso até hoje.

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Portas de comunicação e saídas: Ethernet AAUI-15/10Base-T, 1x ADB, 2x
serial, 1x SCSI, áudio estéreo 16 bits (in e out), alto-falante mono embutido.
Consumo: 390 W
Peso: 35 lbs.
Dimensões: 17.3" altura x 9.7" largura x 17.3" profundidade
Sistema operacoinal: System 7.6.1, atualizável até MacOS 9.1.

No mesmo ano de lançamento deste modelo, Steve Jobs voltou à Apple, após
Mas a dupla Wintel, muito mais barata e oferecendo quase a mesma coisa que a compra de sua companhia, a NeXT. O NeXTStep, sistema operacional da NeXT
os Macs (embora com anos de atraso tecnológico) abocanhava bocados gigan- baseado em Unix, foi incorporado à Apple e reunido ao MacOS 8 para formar o
tescos do mercado. Enquanto um Mac médio custava enre 4 e 7 mil dólares e futuro sistema operacional da empresa, que não possuísse as limitações do
um Mac low-end não menos que 1500, um PC-Clone com Windows podia ser antigo System. Com o codinome Rapsody e uma encarnação intermediária meio-
comprado por menos de US$1200. System-meio-NeXT (o MacOS 9.1), a fusão dos serviços e ambiente gráfico do
Alguma coisa deveria ser feita para reverter o quadro, e a resposta surgiu em uma System com o kernel Unix do NeXTStep resultou no tão aclamado MacOS X,
associação com a IBM e a Motorola, fabricante da família 68000: a tecnologia RISC. provando de uma vez por todas que qualquer Unix pode ser User-Friendly,
desde que com a interface gráfica seja bem desenhada.

PowerMAC
Usando o novo processador PowerPC 604, produzido
G3 E G4
em parceria pelas três empresas, a Apple introduziu uma Jobs de volta ao ninho. Muitas mudanças.
nova linha de produtos, desenvolveu novos padrões de Os Macs tornam-se coloridos. A Microsoft,
expansão (como o PCI, que substituiu o NuBus e hoje é antiga rival no mercado e nos tribunais, inje-
usado tanto em Macs como em PCs) e reescreveu seu ta dinheiro na Apple - e a cara enorme de
MacOS para a nova plataforma. Com o novo conceito, con- Bill Gates aparece num telão em plena
seguiu alavancar as vendas - mas sempre atrás dos PC- MacWorld Expo de 1998, para desespero
Clones - e revolucionar novamente a indústria. Mesmo a dos Macmaníacos mais radicais.
Microsoft tentou portar o Windows NT para o PowerPC. No campo tecnológico, os PowerMacs são
substituídos pela tecnologia G3. Usando os
Uma infinidade de modelos apareceram no rastro da nova tecnologia. O processadores PowerPC 704 e posteriores,
último PPC (1997), antes da introdução do G3 em 1998, tinha a seguinte os G3 são pelo menos 10% mais rápidos que
configuração: seus antecessores e muito mais sofisticados.
CPU: PowerPC 604e, com vários modelos rodando a velocidades entre 200
e 350 MHz. Além do G3, 1998 traz para a luz o novo con-
Barramento: 64 bits, 50 MHz. ceito de computação pessoal da Apple: o iMac.
ROM: 4 MB A partir daí, mudanças de design e de ar-
RAM: Expansível até 1,5GBytes (isso mesmo, 1500 Mbytes) com memória quitetura são constantes. Um exemplo é o
DIMM de 168 pinos. Haviam 12 slots para pentes de memória. O cache em dois famoso iMac “abajur”, que substituiu o iMac
níveis possuía 64 kbytes de memória ultra rápida no nivel 1 e 1 Mbytes de “bolha de plástico”. O site [Link]-
memória comum no nível 2. [Link] contém as configurações e in-
Expansão: 6 slots PCI formações técnicas de todos os modelos da
Disquete: 1.4 MB SuperDrive empresa, bem como fotos, até o presente ano
CD-ROM: 24x de 2003. Pesquise-o e saiba mais sobre o
Disco Rígido: 4.0 GB IDE Ultra ATA 7200 RPM hardware da família Macintosh.

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Conhecer as entranhas do System/MacOS é difícil, uma vez que a Apple não é
SOFTWARE muito pródiga em publicar especificações. Uma dica para começar a entender
como funcionam as coisas em um System é abrir o disco rígido (que pode se
chamar MyMac, iMac, Disco Rígido/HardDisk ou mesmo System, dependendo de
LisaDesk sua versão de MacOS) e procurar pela pasta System Folder/Pasta de Sistema.
As incursões pelo PARC resultaram em um projeto que substituiria os velhos
Apple ][ da empresa: o Lisa e seu sistema operacional gráfico, o LisaDesk. Lan-
çado em Janeiro de 1983, foi o rebento de esforços iniciados em 1979 - portan-
to, de quase cinco anos de pesquisa e desenvolvimento. O LisaDesk era muito
interessante, mas o Lisa como um todo era caro, além de ser um trambolhão
pesadíssimo e desajeitado.
Em 1985, o Lisa 2-10,
equipado com LisaDesk e
MacWorks, foi renomeado
Macintosh XL.

Outra dica é procurar pelos Software Development Kits (SDK) e pelas


Application Programming Interfaces (API) publicadas para saber mais sobre
como criar programas e acessar recursos de hardware e sistema em um
Macintosh. Nessas horas, o site da Apple ([Link]) não é seu amigo,
pois a empresa não é dada a publicar esse tipo de especificação. Livros sobre
desenvolvimento ou hardware para o Apple também são mais raros, portanto,
se vir um, agarre!
System O System do Macintosh evo-
luiu desde então até a versão
7, a última a suportar os ve- Rapsody
lhos processadores 68000 e Codinome do novo sistema
descendentes. As versões 8 e 9 operacional da Apple (e quase virou
do System, rebatizadas de o nome definitivo...), o Rapsody é a
MacOS, foram talhadas para base do MacOS 9.1 e do MacOS X. É,
trabalhar com os poderosos como já dissemos, o NeXTStep, siste-
processadores PowerPC 604 ma operacional da NeXT baseado em
e 704, e embora haja uma iden- Unix, reunido ao MacOS 8 para criar
tidade visual entre todos os um sistema operacional que não pos-
MacOSs (as diferenças entre suísse as limitações e falhas do anti-
cada uma são marcadas por go System. A versão intermediária
um GestaltID) internamente (meio-System-meio-NeXT) é o MacOS
são extremamente diferentes. 9.1, modelado a partir do MacOS 8

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cru com as entranhas do NeXTStep por baixo. Mas uma melhor integração de
serviços e uma interface gráfica redesenhada, poderosa e agradabilíssima re-
sultou no tão aclamado MacOS X.
O MacOS X é, sem dúvida alguma, um Unix completo, baseado no kernel Darwin -
isso mesmo, o Darwin, kernel original do projeto GNU que a NeXT ajudou a desen-
volver. É um kernel rápido e, ao contrário do Linux e do FreeBSD, que são monolíticos
e, por isso, mais pesados, foi desenvolvido segundo a cartilha microkernel.
Se você abrir um terminal no MacOS X e navegar pelos diretórios, verá que
algumas coisas estão faltando. A mais aparente é que o diretório /etc existe,
mas está vazio - o MacOS X guarda as configurações em algum outro lugar.
Sabe-se que esse “lugar” é um arquivo comprimido a la registro do Windows.
Outra particularidade é que muitos comandos externos do shell, em vez de
implementados com os programas tradicionais, foram acondicionados em um
pequeno programa tipo “canivete suíço” chamado Busy Box. Se você possui
acesso a um Mac OS 9.1 ou X, passe algum tempo pesquisando seus órgãos
internos, e compare com seu Unix preferido. Aprender sobre os SDKs e APIs do
OS X e estudar programas open source para ele (há inúmeros no
[Link]) ajudará a entender o funcionamento do sistema. Mesmo
extremamente obscurantista, o Mac OS X ainda é bem mais “aberto” que os
sistemas operacionais da linhagem do antigo System.
Uma curiosidade sobre o MacOS 9.1: possuía a “cara” do System tradicional,
mas, ao contrário de todas as versões anteriores (incluindo a 9), era possível
abrir uma janela de terminal e examinar o sistema Unix rodando em uma cama-
da mais interna. Para os Macmaníacos tradicionalista, que execram qualquer
tipo de linha de comando, isso foi um sacrilégio, e um choque quase mortal.

Links interessantes
Site Oficial da Apple: [Link]
História do System/MacOS: [Link]/jctrotot/Perso/
[Link]
História do MacOS X na Wikipédia: [Link]/wiki/
Mac_OS_X_history
Apple Museum: [Link]/
Brasil Apple Clube: [Link]
Um site não oficial de Steve Jobs: [Link]/franktau
E, para terminar, o site pessoal dele mesmo que vocês estão pensando:
[Link]

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