Cocos GRAM +
Caso disparador 02 – “Pneumonia”
Aula 01 – profa. Mercia
- Coagulase: enzima que converte o
fibrinogênio em fibrina, coagulando o plasma.
Os cocos G+ podem ser dos gêneros: Ela é importante para essa bactéria porque o
S. aureus se utiliza dessa rede de fibrina para
• Staphylococcus
se proteger contra as células imunológicas do
• Streptococcus organismo,
• Enterococcus
- Fibrinolisina ou estafiloquinase: enzima
que dissolve o coágulo (originado pela
coagulase), a fim de que a bactéria continue
O gênero abriga mais de 30 espécies, sendo exercendo sua atividade,
que as mais envolvidas em patologias - Hialuronidase: enzima que degrada o ácido
humanas são: hialurônico presente nos tecidos, auxiliando o
• S. aureus processo de invasão da bactéria,
• S. epidermidis - β-lactamases: enzimas que inativam os
• S. saprophyticus antibióticos β-lactâmicos,
- Toxinas: funcionam como super-antígenos,
que desencadeiam uma super resposta
imunológica. Exemplos:
a) Toxina da síndrome do choque tóxico: é
produzida por algumas cepas de S. aureus.
Foi descrita pela primeira vez em mulheres
que faziam uso de absorventes internos por
Cocos G+ arranjados em cachos de uva na longo tempo, o que proporciona um meio de
coloração de Gram é sugestivo de bactérias do cultura favorável para a reprodução de
gênero Staphylococcus microrganismos, entre eles, o S. aureus, que
produzia esse tipo de toxina que repercutia de
Um fator de virulência comum a todos os
forma sistêmica.
integrantes desse gênero é a enzima catalase
ou peroxidase, que degrada o peróxido de Obs.: essa síndrome também pode ocorrer em
hidrogênio, formando água e oxigênio gasoso. feridas infectadas por S. aureus.
Esse fator de virulência é muito importante,
porque as nossas células de defesa utilizam o b) Enterotoxinas termoestáveis: causam
peróxido de hidrogênio no combate aos Ag. infecções alimentares, nas quais os sintomas
Nesse sentido, esse composto não será tóxico (ex. diarreia, vômitos) são manifestados em
às bactérias do gênero Staphylococcus poucas horas após ingestão de alimentos
porque elas possuem a catalase. contaminados.
c) Síndrome da pele escaldada: doença
também causada por toxinas de S. aureus,
Fatores de virulência: que agem quebrando as junções celulares.
- Cápsula: é uma forma de escape das Após se instalarem nas superfícies plásticas,
defesas do hospedeiro e de aderência da as bactérias conseguem se destacar do
bactéria em superfícies, biofilme e migrarem para o sangue.
- Peptideoglicano e ácidos teicoicos: Obs.: os ATBs não conseguem atravessar o
favorecem a adesão da bactéria nas biofilme e exercer atividade bactericida. Por
estruturas do hospedeiro, isso, em casos de infecções em cateteres,
esses devem ser removidos e trocados.
- Proteína A: se liga à porção Fc do Ac,
dificultando a ação dessa imunoglobulina.
Esses diversos fatores de virulência permitem
Também faz parte da microbiota da pele, mas
que o S. aureus cause inúmeros tipos de
na região periuretral. Dessa forma, S.
doenças:
saprophyticus é o 2ª agente etiológico
1) Doenças superficiais e profundas: importante de ITU comunitária em mulheres
jovens sexualmente ativas (o 1º é a E. coli).
- Furúnculos ou carbúnculos (furúnculos com
vários pontos de drenagem), Fatores de virulência:
- Celulite, impetigo (infecções da pele), - Adesina: presente na superfície da bactéria,
favorece a aderência na mucosa,
- Bacteremia (bactérias presentes no sangue)
que pode culminar em endocardite, meningite, - Urease: enzima que degrada a ureia da
pneumonia, artrite, osteomielite, urina (que é tóxica para a maioria dos
microrganismos). Com a degradação da ureia,
- ITU (de origem hospitalar*), abscesso renal. o pH da urina se torna alcalino, quebrando
* Já que a principal bactéria causadora de ITU essa barreira de defesa do organismo.
de origem comunitária é a E. coli.
2) Síndromes toxigênicas:
As bactérias do gênero Streptococcus fazem
- Síndrome de choque tóxico, parte da microbiota normal, entre as espécies:
- Síndrome da pele escaldada, • S. pyogenes (grupo A)
- Intoxicação alimentar. • S. agalactiae (grupo B)
• S. bovis (grupo D)
• S. pneumoniae (“pneumococo”)
• S. do grupo viridans
É o principal constituinte da microbiota da pele
(presente em 85-100% da extensão da pele).
O S. epidermidis está muito relacionado com
bacteremias de origem hospitalar (IRAS –
Infecções Relacionadas a Assistência em
Saúde), em serviços de oncologia e
neonatologia, onde há grande frequência de
cateteres de longa duração (por onde essa
bactéria consegue adentrar a corrente Cocos G+ arranjados em cadeia na coloração de
sanguínea). Gram é sugestivo de bactérias do gênero
Streptococcus
Principal fator de virulência: capacidade de
crescimento em biofilme. O S. epidermidis
produz e secreta substâncias poliméricas que
favorecem sua aderência em superfícies lisas É constituinte da microbiota da orofaringe.
(ex. cateter) e sua proteção (biofilme envolve O S. pyogenes é agente etiológico de:
essas bactérias).
• ITU,
- Faringite (principal agente etiológico, após • Endometrite.
agentes virais) e que pode culminar em otite,
- Amigdalite (principal agente etiológico, após
agentes virais), É constituinte da microbiota da boca.
- Escarlatina (faringite associada a erupção Uma das espécies desse gênero é a S.
cutânea): causada pelas toxinas eritrogênicas mutans, que, por algum desequilíbrio da
de cepas de S. pyogenes mais virulentas, microbiota ou falta de correta higienização,
causa cáries.
- Impetigo (principalmente em crianças),
Se a S. mutans atingir a corrente sanguínea
- Fasciite necrosante: toxinas do S. pyogenes
(bacteremia), pode migrar para o coração e
digerem tecidos,
causar endocardite infecciosa.
- Sequelas imunológicas ou não-supurativas
Obs.: na anamnese de pacientes suspeitos de
(causadas devido a respostas imunes
endocardite infecciosa, deve-se investigar se
exageradas que, além de atacar as bactérias,
os mesmos realizaram procedimentos
também atacam tecidos self. Ex. febre
reumática, glomerulonefrite aguda). odontológicos recentemente.
Fatores de virulência:
- Parede celular: auxilia na aderência, É constituinte da microbiota da nasofaringe e
orofaringe (microbiota do TRS) da maioria das
- Cápsula de ácido hialurônico: não é pessoas. Caso o indivíduo aspire ou inspire o
imunogênica (porque há ácido hialurônico nos
conteúdo orofaríngeo, a S. pneumoniae se
tecidos humanos), então auxilia no escape dirige aos pulmões e causa a pneumonia.
das defesas imunológicas,
Principal fator de virulência: cápsula
- Proteína M: participa de aderência e de (antifagocitária).
escape das defesas imunológicas,
- Enzimas estreptoquinase: semelhantes às
estafiloquinases do S. aureus, auxilia na
dissolução de fibrina,
- Hialuronidase (semelhante à produzida
pelo S. aureus),
- Toxina eritrogênica (causa da escarlatina).
Diplococos G+ lanceolados (em forma de chama
de vela) na coloração de Gram é sugestivo de S.
pneumoniae
É constituinte da microbiota do intestino.
Principais doenças:
O S. agalactiae está muito relacionado a
- Meningite bacteriana,
infeções neonatais, porque pode colonizar a
vagina de gestantes e, frequentemente, - Pneumonia comunitária (principal agente
ascender e atingir o endométrio e infectar o etiológico)
feto, ou contaminar o feto no momento do
parto normal. - Sinusite,
Obs.: por volta da 37ª semana de gestação há - Otite média.
investigação se a gestante apresenta S. Obs.: a coleta de escarro não é um exame
agalactiae na vagina (forma de profilaxia). Se eficiente para diagnóstico de pneumonia
for identificado, há protocolos com ampilicina pneumocócica, porque o S. pneumoniae é
intraparto. constituinte da microbiota do TRS. Dessa
Outras doenças: forma, se essa bactéria for encontrada na
cultura de escarro, não necessariamente veio
dos pulmões, pode ter vindo do TRS, onde
não é patogênica.
É constituinte da microbiota intestinal.
S. bovis é importante agente etiológico de
bacteremia associada a lesões colônicas
(tumores no cólon).
É um gênero que fazia parte do grupo D do
gênero Streptococcus.
As bactérias desse gênero são constituintes
da microbiota intestinal, e são de duas
espécies:
• E. faecalis (mais comum),
• E. faecium (mais resistente)
São importantes causas de infecções
hospitalares (IH), e são naturalmente
resistentes a ATB.
Fatores de virulência:
- Citolisina: enzima que realiza lise de
células,
- Adesina: favorece a adesão (semelhante à
do S. saprophyticus),
- Cápsula (antifagocitária).