Técnicas de Avaliação
Psicológica
Professora Mayara Cantuária da Silva
Ética na Avaliação Psicológica: Velhas Questões,
Novas Reflexões
O QUE É ETICA?
- Ética é o estudo sistemático da argumentação sobre como nós
seres humanos devemos agir, sobre aquilo que é bom para o
indivíduo e para a sociedade (MOORE, 1975).
- Ética pode ser definida como estudo do comportamento moral
dos homens em sociedade; sendo a moral, portanto, objeto de
estudo da ética (NALINI, 1997).
Ética na profissão da Psicologia e na atuação em
avaliação psicológica
A profissão do psicólogo, assim como as demais profissões, é pautada em um
código de ética profissional, esteja ele expresso ou não em códigos oficiais,
visando garantir que as relações entre os profissionais da área e destes com a
sociedade ocorram envolvendo valores tais como o respeito, a justiça e a
dignidade.
Os princípios e normas contidos nos códigos de ética pautam a conduta
profissional em prol do respeito às pessoas e aos seus direitos fundamentais,
A atuação
tendo doa felicidade
em vista psicólogo,e aincluindo
realizaçãosua prática na avaliação
delas.
psicológica, deve respeitar os princípios fundamentais e as
responsabilidades descritas no Código de Ética Profissional do
Psicólogo.
A discussão da ética na avaliação psicológica a
partir dos debates presentes em artigos
científicos
• Conhecimento do código de ética
• Elaboração de documentos
• Formação
Em todas as publicações o argumento que prevalece
para explicar as eventuais infrações éticas cometidas na
avaliação psicológica é o da formação insuficiente, que
não possibilita desenvolver as competências
necessárias para o psicólogo praticar avaliação
psicológica; consequentemente haveria maior chance
de se cometer infrações éticas.
Resolução 06/2019
RESOLUÇÃO n.º 6, DE 29 DE MARÇO DE 2019
Institui regras para a elaboração de documentos escritos produzidos
pela(o) psicóloga(o) no exercício profissional e revoga a Resolução CFP n.
º 15/1996, a Resolução CFP n.º 07/2003 e a Resolução CFP n.º 04/2019.
Art. 1.º Instituir as regras para a elaboração de documentos escritos
produzidos pela(o) psicóloga(o) no exercício profissional.
Parágrafo único. A presente Resolução tem como objetivos orientar
a(o) psicóloga(o) na elaboração de documentos escritos produzidos
no exercício da sua profissão e fornecer os subsídios éticos e
técnicos necessários para a produção qualificada da comunicação
escrita.
Art. 4.º. O documento psicológico constitui
instrumento de comunicação escrita
resultante da prestação de serviço
psicológico à pessoa, grupo ou instituição.
O que é um
§ 1.º A confecção do documento psicológico
documento deve ser realizada mediante solicitação da(o)
psicológico? usuária(o) do serviço de Psicologia, de seus
responsáveis legais, de uma(um) profissional
específico, das equipes multidisciplinares ou das
autoridades, ou ser resultado de um processo de
avaliação psicológica.
O documento psicológico deve ser escrito conter:
- Linguagem formal (na 3° pessoa)
- Princípios éticos, técnicos e científicos
- Seguir a Resolução 06/2019
Art. 8.º Constituem modalidades de documentos
psicológicos:
I - Declaração;
II - Atestado Psicológico;
III - Relatório:
a) Psicológico;
b) Multiprofissional;
IV - Laudo Psicológico;
V - Parecer Psicológico.
DECLARAÇÃO
Art. 9.º Declaração consiste em um documento escrito que tem por
finalidade registrar, de forma objetiva e sucinta, informações sobre a
prestação de serviço realizado ou em realização, abrangendo as seguinte
informações:
I - Comparecimento da pessoa atendida e seu(sua) acompanhante;
II - Acompanhamento psicológico realizado ou em realização;
III - Informações sobre tempo de acompanhamento, dias e horários.
§ 1.º É vedado o registro de sintomas, situações ou estados
psicológicos na Declaração.
Estrutura
§ 2.º A declaração deve apresentar as informações da estrutura
detalhada abaixo, em forma de itens ou texto corrido:
I - Título: "Declaração"
II - Expor no texto: a) Nome da pessoa atendida: identificação do
nome completo ou nome social completo; b) Finalidade: descrição da
razão ou motivo do documento; c) Informações sobre local, dias,
horários e duração do acompanhamento psicológico.
III - O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de
emissão e carimbo, em que conste nome completo ou nome social
completo da(o) psicóloga(o), acrescido de sua inscrição profissional e
assinatura.
MODELO DE DECLARAÇÃO
DECLARAÇÃO
Declaro que para fins de comprovação que T. B. M., inscrita no CPF nº
[Link]-XX esteve em atendimento psicológico no dia 29 de agosto
de 2024, durante o período das 16h às 17h.
Janaúba, 29 de agosto de 2024.
Mayara Cantuária da Silva
Psicóloga
CRP 04/44197
ATESTADO PSICOLÓGICO
Art. 10 Atestado psicólogo consiste em um documento que certifica, com
fundamento em um diagnóstico psicológico, uma determinada situação,
estado ou funcionamento psicológico, com a finalidade de afirmar as
condições psicológicas de quem, por requerimento, o solicita.
§ 6.º O atestado psicológico deve apresentar as informações da estrutura detalhada abaixo:
I - Título: "Atestado Psicológico";
II - Nome da pessoa ou instituição atendida: identificação do nome completo ou nome social
completo e, quando necessário, outras informações sócio demográficas;
III - Nome da(o) solicitante: identificação de quem solicitou o documento, especificando se a
solicitação foi realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou
privadas, pela(o) própria(o) usuária(o) do processo de trabalho prestado ou por outras(os)
interessadas(os);
IV - Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido;
V - Descrição das condições psicológicas do beneficiário do serviço psicológico advindas do
raciocínio psicológico ou processo de avaliação psicológica realizado, respondendo a
finalidade deste. Quando justificadamente necessário, fica facultado à(ao) psicóloga(o) o uso
da Classificação Internacional de Doenças (CID) ou outras Classificações de diagnóstico,
científica e socialmente reconhecidas, como fonte para enquadramento de diagnóstico;
VI - O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em
que conste nome completo ou nome social completo da(do) psicóloga(o), acrescido de sua
inscrição profissional, com todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a
penúltima lauda, e a assinatura da(o) psicóloga(o) na última página.
§ 2.º Diferente da declaração, o
atestado psicológico resulta de
uma avaliação psicológica. É
responsabilidade da(o) psicóloga(o)
atestar somente o que foi verificado
no processo de avaliação e que esteja
dentro do âmbito de sua competência
profissional.
RELATÓRIO MULTIPROFISSIONAL
Art. 12 O relatório multiprofissional é resultante da atuação da(o)
psicóloga(o) em contexto multiprofissional, podendo ser produzido em
conjunto com profissionais de outras áreas, preservando-se a autonomia e a
ética profissional dos envolvidos.
I - A(o) psicóloga(o) deve observar as mesmas características do relatório
psicológico nos termos do artigo 11
a) Estrutura § 1.º O relatório multiprofissional deve apresentar, no que tange à
atuação da(o) psicóloga(o), as informações da estrutura detalhada abaixo, em
forma de itens ou texto corrido
b) Identificação(Nome da pessoa ou instituição atendida; Nome da(o) solicitante;
Finalidade;Nome da(o) autora(or)).
c) Descrição da demanda (o que motivou a busca pelo processo de trabalho
prestado).
d) Procedimento (o que foi feito no processo. Ex: entrevista, testagens e etc.);
e) Análise (interpretação dos procedimentos utilizados);
f) Conclusão.
LAUDO PSICOLÓGICO
O laudo psicológico é o resultado de um processo de avaliação psicológica, com
finalidade de subsidiar decisões relacionadas ao contexto em que surgiu a demanda.
Apresenta informações técnicas e científicas dos fenômenos psicológicos, considerando os
condicionantes históricos e sociais da pessoa, grupo ou instituição atendida.
Destaca-se o caráter específico do laudo psicológico, diferenciando-o do relatório psicológico.
O laudo é fruto de um processo de avaliação psicológica diante de uma demanda
específica e deve apresentar os itens descritos no § 1.º, com destaque para o
procedimento conduzido, a análise realizada e a conclusão gerada a partir desse processo de
avaliação. Em contrapartida, o relatório não envolve um processo de avaliação psicológica.
§ 1.º O laudo psicológico deve apresentar as informações da
estrutura detalhada abaixo, em forma de itens.
I - O Laudo Psicológico é composto de seis itens:
a) Identificação;
b) Descrição da demanda;
c) Procedimento;
d) Análise;
e) Conclusão;
f) Referências.
PARECER PSICOLÓGICO
Art. 14 O parecer psicológico é um pronunciamento por escrito, que tem como finalidade
apresentar uma análise técnica, respondendo a uma questão-problema do campo psicológico ou a
documentos psicológicos questionados.
I - O parecer psicológico visa a dirimir dúvidas de uma questão-problema ou documento
psicológico que estão interferindo na decisão do solicitante, sendo, portanto, uma resposta a
uma consulta.
II - A elaboração de parecer psicológico exige, da(o) psicóloga(o), conhecimento específico e
competência no assunto.
III - O resultado do parecer psicológico pode ser indicativo ou conclusivo.
IV - O parecer psicológico não é um documento resultante do processo de avaliação
psicológica ou de intervenção psicológica.
A construção do parecer precisa ser bem fundamentada, de forma que as contestações ou ratificações apontadas no
documento analisado fiquem explícitas. Por isso, esse tipo de documento demanda uma expertise.
§ 1.º O parecer psicológico deve apresentar as informações da estrutura detalhada
abaixo, em forma de itens.
I - O Parecer é composto de cinco itens:
a) Identificação;
b) Descrição da demanda
c) Análise;
d) Conclusão;
e) Referências.
GUARDA DOS DOCUMENTOS E CONDIÇÕES DE GUARDA
Art. 15 Os documentos escritos decorrentes da prestação de serviços psicológicos,
bem como todo o material que os fundamentaram, sejam eles em forma física ou
digital, deverão ser guardados pelo prazo mínimo de cinco anos, conforme
Resolução CFP n.º 01/2009 ou outras que venham a alterá-la ou substituí-la.
§ 1.º A responsabilidade pela guarda do material cabe à(ao) psicóloga(o), em conjunto
com a instituição em que ocorreu a prestação dos serviços profissionais.
§ 2.º Esse prazo poderá ser ampliado nos casos previstos em lei, por determinação
judicial, ou em casos específicos em que as circunstâncias determinem que seja
necessária a manutenção da guarda por maior tempo.
§ 3.º No caso de interrupção do trabalho da(do) psicóloga(o), por quaisquer motivos, o
destino dos documentos deverá seguir o recomendado no artigo 15 do Código de Ética
Profissional do Psicólogo.
DESTINO E ENVIO DE DOCUMENTOS
Art. 16 Os documentos produzidos pela(o) psicóloga(o) devem ser entregues
diretamente ao beneficiário da prestação do serviço psicológico, ao seu
responsável legal e/ou ao solicitante, em entrevista devolutiva.
§ 1.º É obrigatório que a(o) psicóloga(o) mantenha protocolo de entrega de
documentos, com assinatura do solicitante, comprovando que este efetivamente o
recebeu e que se responsabiliza pelo uso e sigilo das informações contidas no
documento.
§ 2.º Os documentos produzidos poderão ser arquivados em versão
impressa, para apresentação no caso de fiscalização do Conselho Regional de
Psicologia ou instâncias judiciais, em conformidade com os parâmetros
estabelecidos na Resolução CFP n.º 01/2009 ou outras que venham a alterá-la ou
substituí-la.
PRAZO DE VALIDADE DO CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS
Art. 17 O prazo de validade do conteúdo do documento escrito, decorrente da
prestação de serviços psicológicos, deverá ser indicado no último parágrafo do
documento.
§ 1.º A validade indicada deverá considerar a normatização vigente na área em
que atua a(o) psicóloga(o), bem como a natureza dinâmica do trabalho
realizado e a necessidade de atualização contínua das informações.
§ 2.º Não havendo definição normativa, o prazo de validade deve ser indicado
pela(o) psicóloga(o), levando em consideração os objetivos da prestação do
serviço, os procedimentos utilizados, os aspectos subjetivos e dinâmicos
analisados e as conclusões obtidas.
ENTREVISTA DEVOLUTIVA
Art. 18 Para entrega do relatório e laudo psicológico, é dever da(o)
psicóloga(o) realizar ao menos uma entrevista devolutiva à pessoa,
grupo, instituição atendida ou responsáveis legais.
§ 1.º Na impossibilidade desta se realizar, a(o) psicóloga(o) deve
explicitar suas razões.
§ 2.º Nos demais documentos produzidos com base nesta
resolução, é recomendado à(ao) psicóloga(o), sempre que
solicitado, realizar a entrevista devolutiva.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
1 – Aponte quais foram as áreas do conhecimento que colaboram
diretamente para a consolidação psicológica no Brasil.
2 – De modo geral, explique o que é avaliação psicológica?
3 – Diferencie as fontes fundamentais de informação das fontes
complementares e as exemplifiquem.
4 – Apresente situações nas quais são usados os seguintes documentos
psicológicos:
- Laudo psicológico; Atestado; Declaração; Parecer
5 – Por que a ética é importante no processo de avaliação psicológica?
6- Quando e como um psicólogo deve emitir um documento psicológico?
REFERÊNCIAS
MUNIZ, M. Ética na Avaliação Psicológica: Velhas Questões, Novas Reflexões.
Psicologia: Ciência e Profissão 2018 v. 38, p. 133-146.
CONSELHO FEDERA DE PSICOLOGIA. RESOLUÇÃO Nº 6, DE 29 DE
MARÇO DE 2019. Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia, 2019.