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Importância do Ciclo Circadiano e Sono

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Tays Areide dos Santos Andrade

O autor Mattew Walker traz em seu livro “Porque nós dormimos” informações
surpreendentes sobre a importância do sono em nossas vidas. O mesmo alerta que
dois terços dos adultos em todos os países desenvolvidos não seguem a
recomendação de ter oito horas de sono por noite. Este comportamento traz
consequências para o sistema imunológico, aumentando em mais do que o dobro o
risco de câncer. É fator decisivo para o desenvolvimento de doenças como Alzheimer e
eleva a probabilidade de as artérias coronárias ficarem bloqueadas e quebradiças,
abrindo assim o caminho para doenças cardiovasculares, derrame cerebral e
insuficiência cardíaca congestiva. No que diz respeito ao campo da saúde mental, a
perturbação do sono também contribui para todas as principais enfermidades
psiquiátricas, incluindo depressão, ansiedade e tendência ao suicídio. Diante das
consequências acima citadas, o autor destaca: “Quanto mais breve é o seu sono, mais
breve será a sua vida”.

O livro faz uma relação entre a redução das horas de sono em países industrializados e
o crescente número de doenças físicas e de transtornos mentais. Além disso, destaca
que existem duas situações onde a privação de sono pode levar à morte. A primeira
condição diz respeito a um transtorno genético muito raro que começa com uma
insônia progressiva que surge na meia-idade. A segunda ao número de acidentes
causados por sonolência ao volante. Este excede os números dos causados por álcool
e drogas combinados.

O autor acredita que o fracasso histórico da ciência em explicar por que precisamos do
sono explica a apatia da sociedade em relação a sua importância e vasta gama de
funções. Dentre estas, ele destaca, que no nosso cérebro o sono aumenta a nossa
capacidade de aprender, memorizar, tomar decisões e fazer escolhas lógicas. Além
disso, ao reparar nossa saúde psicológica, o sono equaliza nossos circuitos cerebrais
emocionais, permitindo-nos enfrentar os desafios sociais e psicológicos do dia seguinte
com sereno autocontrole. No que diz respeito ao mundo dos sonhos, neste é possível
apaziguar lembranças penosas e um espaço de realidade virtual em que o cérebro
mescla conhecimento presente e passado, sendo fonte de inspiração para a nossa
criatividade. Como se já não fosse muito, o sono ainda contribui para o bom
funcionamento do nosso sistema imune, auxilia no controle das taxas de glicose e de
insulina, regula o apetite e ajuda no microbioma intestinal. Vale destacar, “dormir é a
ação isolada mais eficaz que se pode fazer para restaurar o cérebro e o corpo todos os
dias”.

Mattew cita que tinha várias perguntas para serem respondidas e que foi isso que o
motivou a estudar sobre o assunto. No segundo capítulo do seu livro, ele menciona
como alguns estudiosos descobriram o ciclo circadiano. Primeiro verificou-se em uma
espécie de planta que ela possuía esse “relógio interno” que motivava o seu
comportamento. Muitos anos depois, outros pesquisadores verificaram que o mesmo
acontecia com os seres humanos- existe um relógio interno, o ciclo circadiano, que
transmite o ritmo a todas as regiões do corpo. Ele controla a preferência de horário
para comer e beber, os estados de ânimo e emoções, a quantidade de urina produzida,
a temperatura corporal central, a taxa de metabolismo e a liberação de diversos
hormônios. Além do sol, o cérebro pode usar outros artifícios externos para servir de
orientação para reajustar as 24 horas do ciclo como: comida, exercício físico,
flutuações de temperatura e até interação social programada com regularidade. São os
chamados zeitgeber- sincronizadores do tempo.

Em termos anatômicos, a região do cérebro responsável pelo controle do ciclo


circadiano se chama núcleo supraquiasmático. O autor traz que ele fica localizado em
um ponto de cruzamento formado pelos nervos ópticos provenientes dos globos
oculares, provando o sinal luminoso enviado para cada olho. Ele usa essa informação
luminosa confiável para reajustar sua inexatidão temporal (nosso ritmo circadiano
natural é inatamente mais longo do que um dia — cerca de 24 horas e quinze minutos).
É importante salientar que não funcionamos de maneira igual. Existem seres diurnos e
outros noturnos. Esse cronotipo é determinado pela genética como um benefício
evolutivo para redução da vulnerabilidade quando possivelmente vivíamos em tribos.
O livro ainda traz informações sobre a melatonina. Hormônio, liberado na corrente
sanguínea a partir da glândula pineal, que ajuda a regular o momento em que o sono
ocorre, enviando o sinal de escuridão de forma sistemática para todo o organismo.
Entretanto, ela tem pouca influência sobre a geração do sono. Depois que o sono se
inicia, a concentração de melatonina diminui lentamente ao longo da noite e pela
madrugada. Quando amanhece, a glândula pineal é acionada e interrompe a liberação
da melatonina.

Outro tema importante dentro do sono é o jet lag. O autor o define da seguinte maneira:
“você se sente cansado e sonolento durante o dia no novo fuso horário porque o
relógio corporal e a biologia associada ainda “pensam” que é noite. À noite, você em
geral não consegue dormir bem porque o ritmo biológico ainda acha que é dia”. O
mesmo alerta que o corpo por sorte se adequa ao novo ritmo, porém de forma lenta.

Além do ritmo circadiano de 24 horas, outro fator determina a vigília e o sono, a


pressão do sono. Ela é ritmada por uma substância chamada adenosina. Uma das
maneiras de driblar o seu mecanismo é por meio do consumo de cafeína. Esta ocupa
os receptores que seriam utilizados para ligar-se com a adenosina e possui o tempo de
meia vida (tempo que o corpo leva para remover 50% da concentração de uma droga)
de 5-7 horas. Vale salientar que descafeinado não significa não cafeinado. Uma xícara
de café descafeinado contém de 15% a 30% da dose de uma xícara de café normal.
Além de questões genéticas, o envelhecimento também afeta a velocidade da remoção
da cafeína. Outro fato curioso, é que quando os receptores ficam vazios com a
decomposição da cafeína realizada pelo fígado, a adenosina que ficou concentrada e
sem receptores, volta depressa e os ocupa. Quando isso acontece, vem uma grande
onda de vontade de dormir causada por esse acúmulo (pressão do sono elevada).

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