0% acharam este documento útil (0 voto)
16 visualizações1 página

Odeio: Reflexões sobre Emoções e Vínculos

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato TXT, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
16 visualizações1 página

Odeio: Reflexões sobre Emoções e Vínculos

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato TXT, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Eu odeio.

Odeio o fato de que tudo é descontado de alguma forma em mim, odeio que,
sobra tudo para mim, como se eu fosse a culpada de tudo. Odeio como parece que
ninguém se importa com o que está acontecendo dentro de mim, com as tempestades que
enfrento em silêncio. Eles se preocupam com o que eu visto, com o que aparento, mas
nunca com o que sinto. Odeio brigar com eles, odeio os desconfortos que essas
discussões trazem, o peso que elas depositam sobre meus ombros.
Odeio o fato de que estou crescendo, que o tempo está passando rápido demais e me
afastando de tudo o que um dia foi simples. Odeio quando me dizem que eu não dou
valor a eles, como se fosse uma falha minha, como se eu fosse incapaz de entender
ou sentir. E aquelas palavras... "Você só vai dar valor quando nós morrermos"...
como isso dói. Por que tem que ser assim? Por que o amor precisa ser medido pela
dor? Odeio essa manipulação velada, essa chantagem emocional que me sufoca.
Odeio que, muitas vezes, eu choro calada, escondida, para não ser um peso maior
para eles, para não atrapalhar, como se meus sentimentos fossem menos importantes.
Odeio que eu me cale, que eu me impeça de falar sobre o que realmente me aflige.
Odeio quando meu corpo me trai, quando as lágrimas ameaçam cair, quando as mãos
começam a tremer, e eu não consigo conter. Odeio essa vulnerabilidade que parece
escapar entre meus dedos, mesmo quando eu tento segurar tudo junto.
Odeio o fato de que tudo é comparado ao meu corpo, como se a forma como eu pareço
fosse mais importante que qualquer outra coisa. Odeio que eu tenha que dar valor a
roupas que eles compram, como se esses pedaços de tecido fossem mais significativos
do que o que eu realmente sinto ou preciso. Odeio o peso dessas expectativas
irreais, de parecer perfeito, de vestir a imagem que eles querem que eu projete,
enquanto por dentro eu me sinto cada vez mais sufocada.
Odeio o fato de que, às vezes, faço algo só para passar mais tempo com ela, para
talvez ouvir um elogio, para ser reconhecida... mas nada acontece. Fico esperando
uma reação que nunca vem, e isso me corrói por dentro. Odeio o fato de que sempre
me autosaboto, sacrifico meus desejos, meus sonhos, apenas para ver eles felizes,
como se minha felicidade não importasse.
Odeio que algumas palavras, simples para quem as diz, cravem fundo em mim, trazendo
angústia, tristeza, um vazio inexplicável. Odeio o fato de que, muitas vezes, eu me
submeto a certos assuntos ou situações, apenas para agradá-los, para ver um sorriso
no rosto deles, mesmo que isso me custe pedaços de mim.
Eu odeio te amar. Odeio amar você em todas as circunstâncias, odeio sentir esse
sentimento preso dentro de mim, como uma prisão sem saída. Odeio não poder te
contar as coisas que queimam dentro de mim, odeio-me por não poder mais te tocar,
por não mais sentir sua pele. Odeio meu orgulho, que me impede de ceder, odeio
minha vaidade, que me separa de você. Odeio não ser capaz de simplesmente deixar
tudo de lado e falar tudo o que está dentro de mim, mas ao mesmo tempo odeio a
ideia de me expor, de me entregar. Meu Deus, como eu odeio! Odeio o quanto isso me
consome por dentro, o quanto me desgasta, o quanto me faz questionar se ainda
consigo continuar suportando tudo isso. Não sei se aguentarei por muito mais tempo.
Sinto-me sufocada, presa numa armadilha que não sei como escapar.

Você também pode gostar