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Fábulas Engraçadas e Morais da Vida

apresentação sobre contos

Enviado por

profricardotome
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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A cumbuca de ouro e os marimbondos

Havia dois homens, um rico e outro pobre, que gostavam


de pregar peças um ao outro. Foi o compadre pobre à casa
do rico pedir um pedaço de terra para fazer uma roça. O
rico, para fazer peça ao outro, lhe deu a pior terra que
tinha. Logo que o pobre teve o sim, foi para a casa dizer à
mulher, e foram ambos ver o terreno.
Chegando lá nas matas, o marido viu uma cumbuca de
ouro, e, como era em terras do compadre rico, o pobre não
a quis levar para a casa, e foi dizer ao outro que em suas
matas havia aquela riqueza. O rico ficou logo todo agitado,
e não quis que o compadre trabalhasse mais nas suas
terras. Quando o pobre se retirou, o outro largou-se com a
sua mulher para as matas a ver a grande riqueza.
Chegando lá, o que achou foi uma grande casa de
marimbondos; meteu-a numa mochila e tomou o caminho
do mocambo do pobre, e logo que o avistou foi gritando:
“Ó compadre, fecha as portas, e deixa somente uma banda
da janela aberta!”
O compadre assim fez, e o rico, chegando perto da janela,
atirou a casa de marimbondos dentro da casa do amigo, e
gritou: “Fecha a janela, compadre!” Mas os marimbondos
bateram no chão, transformaram-se em moedas de ouro,
e o pobre chamou a mulher e os filhos para as ajuntar.
O ricaço gritava então: “Ó compadre, abra a porta!” Ao que
o outro respondia: “Deixe-me, que os marimbondos estão-
me matando!” E assim ficou o pobre rico, e o rico ridículo.
O jabuti e a onça
Uma vez a onça ouviu o jabuti tocar a sua gaita
debicando outra onça e veio ter com o jabuti e
perguntou-lhe:
— Como tocas tão bem a tua gaita?
O jabuti respondeu: “Eu toco assim a minha gaita: o
osso do veado é a minha gaita, ih! Ih!”
A onça tornou: “A modo que não foi assim que eu te
ouvi tocar!”
O jabuti respondeu: “Arreda-te mais para lá um
pouco, de longe te há de parecer mais bonito.”
O jabuti procurou um buraco, pôs-se na soleira da
porta, e tocou na gaita: “o osso da onça é a minha
gaita, ih! Ih!”
Quando a onça ouviu, correu para o pegar. O jabuti
meteu-se pelo buraco a dentro.
A onça meteu a mãos pelo buraco, e apenas lhe
agarrou a perna.
O jabuti deu uma risada, e disse: “Pensavas que
agarravas a minha perna e agarraste a riz de pau!”
A onça disse-lhe: “Deixa-te estar!”
Largou então a perna do jabuti.
O jabuti riu-se uma segunda vez, e disse:
— De fato era a minha própria perna.
A grande tola da onça esperou ali, tanto esperou,
até que morreu.
O Menino e o Padre
Um padre andava pelo sertão e, certa vez, com muita sede,
aproximou-se de uma cabana e chamou por alguém de dentro.
Veio então lhe atender um menino muito pequeno.
– Bom dia meu filho, você não tem por aí uma aguinha aqui para
o padre?
– Água tem não senhor, aqui só tem um pote cheio de garapa
(caldo de cana) de açúcar, se o senhor quiser… – disse o menino.
– Serve, vá buscar. – pediu-lhe o padre.
E o menino trouxe a garapa dentro de uma cabaça (recipientes
para armazenamento de água feito de fruto em forma de vaso). O
padre bebeu bastante e o menino ofereceu mais. Meio
desconfiado, mas, como estava com muita sede, o padre aceitou.
Depois de beber, o padre curioso perguntou ao menino:
– Me diga uma coisa, sua mãe não vai brigar com você por causa
dessa garapa?
– Briga não senhor. Ela não quer mais essa garapa, porque tinha
uma barata morta dentro do pote.
Surpreso e revoltado, o padre atirou a cabaça no chão e esta
quebrou-se em mil pedaços, e exclamou:
– Moleque danado, por que não me avisou antes?
O menino olhou desesperado para o padre, e então disse em tom
de lamento:
– Agora sim eu vou levar uma surra das grandes, o senhor acaba
de quebrar a cabaça que a vovó usa para fazer xixi dentro!
A Onça e o Bode
Uma onça queria fazer uma casa e achou um lugar onde tirou o mato para ali
fazer a sua casa.
O bode, que também andava com vontade de fazer uma casa, foi procurar
um lugar, e, chegando no que a onça tinha aberto espaço no mato, disse:
— Bravo! Que belo lugar para levantar a minha casa!
O bode cortou logo umas palhas e fixou naquele lugar. Depois se foi embora.
No dia seguinte, a onça lá chegando e vendo as palhas, disse:
— Oh! Quem me está ajudando?! Bravo, é Deus que está me ajudando!
Começou a armar todas as palhas, e foi-se.
O bode, quando veio de novo, admirou-se e disse:
— Oh! Quem está me ajudando?! É Deus que está me protegendo.
Botou logo a armação do telhado na casa, e foi-se.
Vindo a onça, ainda mais se espantou, e botou as ripas e os enchimentos e
retirou-se.
O bode veio, e levantou a casa e foi-se. A onça veio e cobriu. O bode veio e
tapou. Assim foram, cada um por sua vez, aprontando a casa. Finalizada, veio
a onça, fez a sua cama e meteu-se dentro. Logo depois chegou o bode, e,
vendo a outra, disse:
— Não, amiga, esta casa é minha, porque fui eu quem fixei as palhas, armei o
telhado, levantei, e tapei.
— Não, amigo, respondeu a onça, a casa é minha, porque fui eu que retirei o
mato do lugar, botei as travessas, as ripas, os enchimentos, e o cobri.
Depois de um tempo, a onça, que estava com vontade de comer o bode,
disse:
— Mas não haja briga, amigo bode, nós dois podemos ficar morando na casa.
O bode aceitou, mas com muito medo. O bode armou a sua rede bem longe
da onça. No outro dia a onça disse:
— Amigo bode, quando você me vir franzir o couro da testa, eu estou com
raiva, tome sentido!
— Eu, amiga onça, quando você me vir balançar as minhas barbinhas ali nas
goteiras e dar um espirro, você fuja, que eu não estou de brincadeira.
Depois a onça saiu, dizendo que ia buscar de comer. Lá, por longe de casa,
pegou um grande bode e, para fazer medo ao seu companheiro, matou-o, e
entrou com ele pela casa adentro. Atirou-o no chão e disse:
— Está aqui, amigo bode, esfole e trate para nós comer.
O bode, quando viu aquilo, disse lá consigo: "Quando este, que era tão
grande, você matou, quanto mais a mim!"
No outro dia ele disse à onça:
— Agora, amiga onça, quem vai buscar de comer sou eu.
E largou-se. Chegando longe, avistou uma onça bem grande e gorda,
disfarçou e pôs-se a tirar cipós no mato. A onça veio chegando, e, vendo
aquilo, disse:
— Amigo bode, para que tanto cipó?
— Para quê?! O negócio é sério, trate de si... O mundo está para acabar, e é
com dilúvio...
— O que está dizendo, amigo bode?
— É verdade. E você, se quiser escapar, venha se amarrar, que eu já me vou.
A onça foi, e escolheu um pau bem alto e grosso, pedindo ao bode para que a
amarrasse. O bode amarrou-a perfeitamente e, quando a viu bem segura,
meteu-lhe o cacete, até matá-la. Depois arrastou-a.
Chegou em casa, largou-a no chão, dizendo:
— Está aqui. Se quiser esfole e trate.
A onça ficou espantada e com medo. Ambos temiam um ao outro.
Certo dia, o bode estava tomando ar fresco e olhou para a onça, ela estava
com o couro da testa franzido. Ele teve receio, abalou as barbas e largou um
espirro. Logo correram cada um para seu lado.
E ainda hoje correm de medo um do outro...
Sapo com Medo D'Água
Dois meninos pararam na beira da lagoa para descansar.
Então, viram um sapo dormindo e resolveram implicar com ele. Agarrando-o com as
mãos, disseram:
– Olha que desengonçado! – disse um deles, apertando o bicho entre os dedos.
– É nojento! – completou o outro.
Os dois resolveram fazer maldade.
– Vamos jogar no formigueiro?
Ouvindo isso, o sapo ficou com medo por dentro. Por fora, abriu um sorriso
indiferente.
– Que nada – respondeu o outro, percebendo que o sapo não estava ligando – Vamos
picar ele.
O sapo, de olhos fechados, começou a assobiar com tranquilidade.
Os dois meninos viram que aquilo não assustava o sapo. Então, tiveram outra ideia.
Disse um deles:
– Sobe na árvore e atira ele lá do alto.
E o outro:
– Pega um fósforo e acende uma fogueira.
Depois disse o primeiro:
– Vamos fazer churrasco de sapo!
O sapo espreguiçava-se, aparentando estar tranquilo. Um dos meninos teve outra
ideia:
– Já sei! Vamos afogar o sapo na lagoa!
Quando escutou isto, o sapo deu um pulo desesperado e começou a gritar:
– Tudo menos isso!
Os meninos tinham chegado onde queriam.
– Vai para água, sim senhor!
– Não sei nadar! – gritou o sapo.
– Então, vai morrer engasgado!
O sapo esperneava:
– Socorro!
– Vai sufocar de tanto engolir água!
– Não!
– Joga bem longe!
– Me acudam!
– Lá vai!
O menino jogou o sapo no fundo da lagoa.
O sapo – ploft – desapareceu nas águas.
Depois voltou risonho e mostrou a língua. Foi embora nadando, cantando e dançando
n'água.
A partir daí, a expressão "sapo com medo d'água" ficou famosa, referindo-se a alguém
que é muito esperto e finge recusar o que mais gosta...

Common questions

Com tecnologia de IA

Pride and ignorance bring downfall and fear. The onça, in both narratives with the jabuti and the bode, illustrates folly due to overconfidence in its strength and underestimating smaller opponents. It leads to unintended consequences, like being deceived or finding itself fleeing in fear. These stories caution against pride and elevate foresight and humility, where the wise and wary evade traps set by overconfident enemies who mistake strength as singular superiority .

The physical setting plays a crucial role in escalating the onça and the bode's conflict. Initially, the setting—cleared land inviting construction—represents opportunity. However, it becomes the battleground due to mutual claims over the same space. It symbolizes the misunderstanding as both the onça and the bode implicitly assume their labors are solitary and divinely aided, mirroring their miscommunication. Ultimately, the shared dwelling builds tension, shaping the narrative's conflict trajectory .

Both stories convey morals about intelligence over brute strength. The jabuti’s tale highlights clever manipulation and resourcefulness in overcoming stronger foes, reinforcing intellect as a powerful tool. Similarly, the sapo story promotes quick thinking and cunning, as the sapo uses perceived vulnerability to manipulate the boys' intentions to his advantage, ultimately doing what he loves. However, while the jabuti's story centers on deception for survival, the sapo’s narrative leans toward self-preservation through humor and feigned weakness, creating a broader understanding of cleverness .

Both stories emphasize misunderstandings due to lack of proper communication and assumptions. In the story of the onça and the bode, each builds upon the other's work unconsciously, assuming divine intervention, which leads to a dispute about ownership. Later, miscommunication and mutual distrust cause fear, ultimately driving them apart. The lapse in understanding between the acts and intentions reflects the theme of miscommunication .

The jabuti exhibits cleverness by manipulating the situation to his advantage against a stronger opponent, the onça. By deceiving the onça about his gait skill and playing dead, the jabuti cleverly evades danger and turns the onça’s aggression into an opportunity to outsmart her. The onça's lack of awareness and gullibility ultimately leaves her in a disadvantaged position until her demise .

The main theme of the story is deception and irony, highlighted by the two men's actions towards each other. The rich man tries to deceive the poor man by giving him bad land to farm, but the situation turns ironically when the poor man's good fortune with the marimbondos (hornets) turns bad for the rich man. The marimbondos transform into gold coins, benefiting the poor man instead .

The transformation of marimbondos into gold symbolizes chaotic volatility and the ephemeral nature of fortune. Initially feared, the hornets signify trouble or harm but become gold, representing the unpredictable alchemy of adversity into prosperity. This metamorphosis highlights the theme that misfortune may masquerade as fortune's catalyst, critiquing superficial judgments of value and emphasizing that opportunity sometimes cloaks itself in challenges and danger .

Irony is central to conveying the theme of unforeseen consequences and reversal of fortunes. The rich man, aiming to ridicule the poor man, grants him miserable land. However, the poor man discovers riches (the cumbuca de ouro), which he doesn't exploit due to loyalty to his friend. Ironically, the rich man's greed leads to his downfall as the marimbondos transform into wealth for the once poor man, while the rich man's plan backfires fabulously, rendering the rich man ironically ridiculous .

Humor in the story comes from situational irony and the cluelessness of the priest about the contamination of the garapa. The boy innocently offers the tainted drink, and the priest unwittingly consumes it, only to find out later about the dead cockroach. The priest’s outrage juxtaposed with the boy’s revelation about the broken vessel adds to the humor as the blame is humorously shifted to the priest, showcasing irony in its anecdotal resolution .

The fable structure, reliant on didactic narratives featuring anthropomorphic animals, effectively weaves cultural morals into storytelling. These stories distill complex themes—such as cunning over might and deception beneath appearances—into relatable and memorable anecdotes, making them accessible across generations. The fable's succinctness allows for immediate ethical engagement, facilitating internalization of values like humility, wit, and the consequences of pride, reflecting societal ideals in a digestible form [Various Sources].

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