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Legislação Educacional Brasileira: Hierarquia e Impactos

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UNIDADE 1- LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL BRASILEIRA

As DCNs e a formação de profissionais de


Pedagogia

Significados e hierarquias (AULA


1)
 Nesta unidade, vamos estudar a legislação educacional
brasileira, com ênfase nos seus significados e hierarquias;
faremos uma recuperação histórica dessa legislação desde
o Brasil Colônia e, por fim, centraremos a análise no
contexto mais contemporâneo, estudando os impactos do
capitalismo neoliberal sobre as políticas públicas, em
especial, as políticas educacionais.
 Ao longo desta unidade de ensino, o objetivo de
aprendizagem é identificar, compreender e analisar o que é
a legislação educacional brasileira; como ela se estrutura no
sistema educacional brasileiro; a importância desse
conhecimento para a atuação do pedagogo; historicamente,
como se desenrolou a legislação da educação no Brasil; e
quais as políticas que são pano de fundo para a legislação
educacional que se desenhou no final do século XIX até os
dias atuais.
 O sistema educacional brasileiro é resultado das mudanças
que ocorreram e ocorrem ao longo da história da educação
no país, com seu início lá no período da colonização do
Brasil. O sistema e a legislação educacional são
influenciados pelo contexto político, econômico e social de
cada período histórico. A compreensão do sistema
educacional brasileiro exige que não se perca de vista a
totalidade social da qual o sistema educativo faz parte
(SAVIANI, 1987).
 A ideia de uma lei para regular o sistema educacional
brasileiro apareceu já na Constituição de 1934, mas só se
consolidou em 1961, ano da primeira Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional (LDB). Versando sobre
organização dos níveis de ensino, formação de professores
e financiamento, a LDB original foi quase totalmente
revogada pela versão mais atual, de 1996. Entre as
principais conquistas da lei, podemos citar: a ampliação dos
direitos educacionais; o reconhecimento da educação
infantil como pertencente à educação básica; o conceito da
gestão democrática e participativa que, aos poucos, vem
sendo disseminado e trabalhado em toda a educação
nacional; a institucionalização do financiamento da
educação no Brasil por meio do Fundo de Manutenção do
Ensino Fundamental (FUNDEF) e, mais tarde, o Fundo de
Manutenção da Educação Básica (FUNDEB); entre outras.
 É importante ressaltar que muitas contradições estiveram e
estão presentes nessa LDB. No geral, é uma lei que trouxe
muitas inovações e conquistas para a educação brasileira,
mas ainda ineficiente em muitas propostas para o sistema
educacional. Sua maior eficiência encontra-se na regulação
do sistema de ensino brasileiro.
 As mais antigas leis escritas de que se tem conhecimento
são as leis que constituem o que foi denominado de Código
de Hamurabi (Hamurabi, rei da Babilônia), escritas em,
aproximadamente, 1772 a.C. (SEGAL, 2007).
 A Legislação em um Estado democrático é originária de
processo legislativo que se constrói por meio de atos,
decisões e interesses políticos, sociais e econômicos,
mediados pelo poder legislativo.
 A palavra legislação deriva do
latim legislatio (estabelecimento da lei) e em seu sentido
etimológico designa o conjunto de leis dadas a um povo. A
legislação é composta por um conjunto de leis e normas
legais. No caso da legislação educacional, todas as leis e
normas que oferecem base legal à educação no país,
normatizando as relações entre os elementos que a
constituem, têm por finalidade a garantia do direito à
educação (TOLEDO, 2016).
 A legislação educacional pode ser de natureza reguladora
ou regulamentadora. É reguladora quando é descritiva e se
refere a leis, sejam federais, estaduais ou municipais, ou
seja, as normas que regulam o sistema nacional de
educação.
 A legislação é regulamentadora quando é prescritiva, ou
seja, está voltada à práxis da educação. Podemos citar,
como exemplo, os decretos, as diretrizes e as resoluções
que prescrevem como serão executadas as regras jurídicas
ou disposições legais contidas no processo de regulação da
educação nacional.
 A legislação educacional brasileira não é recente e, de
acordo com Saviani (2008), pode-se considerar que o
primeiro documento de política educacional que vigorou no
Brasil foram os “Regimentos” de D. João III, editados em
dezembro de 1548. Esses “Regimentos” orientaram as
ações do primeiro governador geral do Brasil, Tomé de
Souza, e a obra educativa centrada na catequese iniciada
pelos jesuítas, cumprindo um mandato delegado pelo rei de
Portugal. Já a legislação educacional do Brasil, enquanto
nação independente, só teve início na Constituição Imperial
de 1824.
 Antes de prosseguirmos nosso estudo, é importante
conhecer a hierarquia da legislação educacional brasileira,
isso porque somos uma nação com uma legislação bastante
extensa e, portanto, compreender as orientações e normas
corretas exige entender essa hierarquia.
 A hierarquia das leis nacionais adotada no processo
democrático brasileiro pode ser desenhada da seguinte
forma:

A relação entre a legislação


educacional e a Constituição
 O Brasil está na sua oitava constituição, promulgada em
1988. As constituições anteriores tiveram início de vigência
nos seguintes anos: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e
1969. A Constituição Federal é a lei suprema de um país, é
o documento que reúne as leis fundamentais de
estruturação do Estado, formação de poderes, formas de
governo e direitos e deveres do cidadão de um país
(TOLEDO, 2016, p. 10). Dessa forma, toda a legislação do
país deve estar subordinada e em consonância com a
Constituição.

 A Constituição Federal de 1988 é considerada a


constituição cidadã e da redemocratização. Isso porque a
Constituição de 1988 foi elaborada e aprovada após vinte e
quatro anos de ditadura militar, num período de
redemocratização do Estado brasileiro, em meio a muitas
lutas de diferentes setores sociais por uma educação
democrática, de qualidade, gratuita, laica e pública. O
texto da Constituição de 1988 prevê que o Estado, em
conjunto com a família, deve responsabilizar-se em criar
condições para que todo cidadão tenha acesso à educação
pública e gratuita, em idade adequada.
 Entre 1988 até os dias atuais, houve várias Emendas
Constitucionais. A Emenda Constitucional acontece devido
a necessidades posteriores de regulamentação e que não
foram contempladas no texto da versão original.
 “O texto constitucional, por si só, não garante que os
objetivos sejam alcançados [..]. Há que se normatizar, criar
normas legais para que as alternativas sejam criadas,
como a implementação de sistemas de cooperação entre
as diversas esferas do sistema educacional. Entra em cena
aqui o poder legislativo, cujo papel é propor projetos de lei
que concretizem os compromissos constitucionais, de
acordo com as possibilidades de cada esfera do sistema,
seja ele federal, seja estadual ou municipal.” (TOLEDO,
2016, p. 14)
 Em hierarquia similar à da Constituição, porém, em
jurisdição própria, encontram-se as Constituições Estaduais
e as Leis Orgânicas dos Municípios (as Leis Orgânicas
funcionam à semelhança de uma Constituição para o
Município).
 Derivam da Constituição Federal de 1988 a LDB n.
9.394/1996, decretos, resoluções, pareceres, que definem
a estrutura legal da educação brasileira. Essa legislação
que deriva da Constituição Federal é chamada de Lei
Complementar, pois complementa as normas
institucionais. A Lei Complementar foi introduzida na
hierarquia da legislação brasileira após a Constituição de
1967 e tem sido usada com maior frequência após a
Constituição Federal de 1988.
 Atualmente, é possível identificar um campo vasto de leis
complementares e ordinárias, superpostas, que ora se
anulam, ora se reforçam, abrindo espaço para várias
leituras.

Lei de Diretrizes e Bases da


Educação Nacional
 A LDB n. 9.394/1996 passou por um longo período entre o
início de sua discussão, em 1988, até a sua aprovação, em
1996. Foram oito anos de “gestação” marcados por muitas
disputas político-ideológicas. Uma das principais críticas ao
projeto aprovado é “[..] o fato de pautar-se em uma política
neoliberal segundo a qual o Estado não se apresenta
diretamente responsável pela garantia das proposições da
lei, ficando a cargo do próprio cidadão grande parte da
responsabilidade pelo sucesso ou fracasso dentro do sistema
educacional.” (TOLEDO, 2016, p. 20)
 Em um terceiro nível hierárquico, também consideradas leis
complementares, na área educacional são comuns os
decretos, pareceres, resoluções, portarias e instruções
normativas. Para compreender melhor tudo isso, a seguir,
encontramos uma síntese das finalidades sobre as principais
leis, de acordo com a estrutura legal da educação brasileira.
 Na hierarquia da legislação educacional existem também as
instruções normativas, atos e portarias para permitir a
execução das leis. São sempre o detalhamento de como
executar, cobrar, dispensar serviços, verificar aplicação legal
ou execução de obrigações paralelas.
 Toda a hierarquia da legislação aqui citada para o nível
Federal serve igualmente para os níveis Estadual e
Municipal. Cada Estado tem uma Constituição própria e um
conjunto de leis estaduais, que devem sempre estar de
acordo com as leis federais. Da mesma forma, nos
Municípios, suas leis orgânicas e as demais leis devem estar
de acordo com a Lei Estadual e a Federal.
 A LDB n. 9.394/1996 prevê uma gestão do sistema
educacional de forma compartilhada entre os entes
federativo, estadual e municipal. Ou seja, a gestão do
sistema educacional passa a ser descentralizada,
compartilhada, com maior autonomia aos sistemas estaduais
e municipais.

A importância do estudo das leis para


profissionais da Pedagogia
 O estudo da legislação educacional na formação de
profissionais da Pedagogia é imprescindível por
vários motivos. Entre eles, estão:

 a educação brasileira é regulada e regulamentada


por leis nas quais são estabelecidas a sua
finalidade, os seus princípios, organização,
modalidades, entre outros, e em que são
expressos os interesses políticos, econômicos e
sociais;
 são leis que expressam os direitos e deveres dos
sujeitos, instituições e Estado com relação à
educação brasileira;
 é a partir das leis que são estabelecidas as
orientações curriculares, metodológicas e de
conteúdo que influenciam diretamente o trabalho
no cotidiano escolar;
 a legislação educacional normatiza o
financiamento da educação, incluindo o
investimento no aluno, na infraestrutura, no
profissional da educação, entre outros.
 Como citado, existem vários motivos para o estudo da
legislação educacional fazer parte da formação de
profissionais da Pedagogia, tema que não esgotamos nesta
seção. Nesse momento, a intenção maior é iniciar um
processo de reflexão sobre a importância do estudo da
legislação educacional para a formação de profissionais da
Pedagogia, seja atuando como docente, na coordenação
pedagógica ou na gestão escolar.
 De acordo com Azevedo (2008, p. 3), no caso específico de
profissionais da Pedagogia, cuja formação habilita a atuar
na gestão do ensino, da educação, da escola ou de outras
formas de organização, seu relacionamento com as leis não
é apenas de leitura e entendimento, mas também, de
aplicação e de redação. Para que essa pessoa realize com
eficiência estas tarefas, é essencial que domine os
conhecimentos sobre a estrutura, elaboração, redação e
interpretação das leis.
 Quem se torna profissional de Pedagogia deve ter
conhecimento para lutar pela emancipação dos indivíduos,
proporcionando às crianças, adolescentes e jovens uma
educação básica de qualidade.
 Pessoas que atuam na coordenação pedagógica - para
proporcionar a docentes, alunos e comunidade o repensar
contínuo do projeto educativo e do processo de ensino e
aprendizagem na escola em que atua - necessitam de uma
compreensão maior da educação, certo? Ou seja, precisa
compreender, entre outras, a LDB e suas intenções, as
políticas educacionais em vigência e as orientações para a
educação, a fim de promover reflexões, mudanças,
orientações no contexto escolar, contribuindo para uma
educação de qualidade e emancipadora.
Conclusão
o Podemos sintetizar o que vimos até aqui da seguinte
maneira. A Constituição Federal e as Emendas
Constitucionais encontram-se na primeira hierarquia da
educação brasileira. Em seguida, temos as leis
complementares, como a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação. Na hierarquia de terceiro grau, encontramos um
conjunto de leis complementares e ordinárias que, muitas
vezes, se sobrepõem ou se anulam. São também leis
ordinárias as medidas provisórias do governo para casos
urgentes e relevantes. A medida provisória possui um
instrumento com força de lei. Um exemplo bem atual é a
Medida Provisória do Novo Ensino Médio.
o Em seguida, os Decretos Legislativos e, hierarquicamente,
as Resoluções e Decretos Administrativos. As Resoluções
dão origem a uma série de documentos legais de
explicitação e execução. Como exemplo de Resolução,
podemos citar as Leis que são diretrizes para o ensino da
educação básica e superior. Exemplo: Resolução CNE/ CP n.
1, de 15 de maio de 2006, que institui as Diretrizes
Curriculares Nacionais para o curso de graduação em
Pedagogia, licenciatura. E, para finalizar, temos a hierarquia
de instruções normativas, instruções administrativas, atos e
portarias, que permitem a execução das leis.

Breve histórico da legislação


educacional brasileira(AULA 2)
 Primeiramente, é importante lembrar que a
educação em cada período histórico é totalmente
influenciada pelo seu contexto. Dessa forma,
realizar uma análise de alguns períodos históricos
brasileiros nos exige compreender a estrutura
social, política e econômica de cada momento.
Nesta seção, vamos traçar um panorama geral da
legislação educacional brasileira, destacando suas
principais características em diferentes momentos,
como no Brasil Colônia, Império e República,
Estado Novo, Período Ditatorial, décadas de 1980 e
1990, até o início do século XXI.

A legislação educacional no
Brasil Colônia
 Desde que os jesuítas chegaram ao Brasil, já iniciaram suas
práticas educativas. Eles possuíam como principal objetivo
disseminar e preservar a cultura portuguesa e religiosa, que
era católica. O jesuíta Inácio de Loyola foi o fundador da
Ordem dos Jesuítas.
 Com os primeiros colégios jesuíticos, uma pedagogia
religiosa foi sendo implantada. Mesmo com todas as disputas
diárias pela posse dos territórios, a educação e catequização
organizada pelos jesuítas impactaram os conflitos sociais e
contribuíram com a doutrinação dos escravos, mediante
ameaças de castigos divinos, promessas de obtenção de
indulgências plenárias e vida celestial. A religião e a
educação influenciaram não apenas a escola, mas a moral, a
ética, os direitos e os deveres do homem colonial. Tratou-se
de uma educação e religião que doutrinou e castigou em
nome da fé, em espaços públicos e privados.
 O processo educacional colonial desenhou-se com modelos
educacionais diferentes. De um lado, uma educação formal,
longa e diversificada para ingressar no sacerdócio, nas
fileiras das ordens religiosas ou complementar os estudos
em Portugal. Esse tipo de educação era destinado aos
portugueses e seus descendentes, ministrada nos colégios,
nos seminários e na Universidade de Coimbra. De outro lado,
uma educação para a prática dos serviços subalternos e para
cumprir os deveres para com Deus, para com o Estado e
para com os senhores. Esse modelo educacional, por sua
vez, estava destinado aos índios, negros, mestiços e cristãos
novos, a maioria da população, ministrada nas missões, nos
engenhos e nas igrejas.
 Logo, o plano normativo e as regras apareceram por meio
das constituições eclesiásticas e do conceito de “direito
divino”, porém com uma concepção de justiça diferenciada,
entre senhor e escravo, com justificativas legais, políticas e
espirituais.
 As primeiras regras normativas educacionais foram as
Constituições da Companhia de Jesus (1547-1551) e a Ratio
Atque Institutio Studiorum Societatis Iesu (1548-1599).
 A redação das Constituições da Companhia de Jesus foi
realizada por Inácio de Loyola. Fundamentadas nos
“exercícios espirituais”, as constituições tratam da educação
escolar e das instituições educativas a fim de assegurar
uniformidade devido ao acelerado crescimento da Ordem e
atender às exigências culturais específicas dos locais onde
os colégios foram instalados, com base nas primeiras
experiências pedagógicas e dos estatutos portugueses já
existentes (CASIMIRO, 2007).
 Por esta expressão, exercícios espirituais, entende-se
qualquer modo de examinar a consciência, de meditar,
contemplar, orar vocal ou mentalmente, e outras atividades
espirituais [...] porque, assim como passear, caminhar,
correr são exercícios corporais, também se chamam
Exercícios Espirituais os diferentes modos de a pessoa se
preparar e dispor para tirar de si todas as afeições
desordenadas, e, afastando-as, procurar e encontrar a
vontade de Deus, na disposição da própria vida para o bem
da mesma pessoa (KLEIN, 1997, p. 26 apud CASIMIRO, 2007,
p. 92, grifo do autor).
 A Ratio Studiorum representou a versão final das
constituições, ou seja, da missão da Companhia de Jesus
fundada por Inácio de Loyola. Esse documento é o conjunto
de normas pedagógicas, com seiscentas regras, que vão
permitir a prática educativa, religiosa e missionária. Esse
material tratou de forma mais específica as razões da
educação na concepção da Companhia de Jesus e influenciou
a educação escolar e a pedagogia em muitos lugares do
mundo. Não trouxe uma concepção pedagógica, no sentido
de uma sistematização educacional completa, mas
aconselha um ordenamento para as atividades, funções,
metodologias e modos de avaliação na Companhia de Jesus.
Dentre as mais importantes inovações da Ratio, há que se
destacar o planejamento do ensino por metas e objetivos e a
avaliação constante, que se tornaram fatores básicos da
educação moderna (CASIMIRO, 2007). A Companhia de Jesus
é expulsa apenas em 1759 e é obrigada a sair do Brasil em
1760, com a política pombalina. Em meados do século XVII,
com Portugal em crise econômica e política, o então rei de
Portugal, D. José I, nomeou Sebastião José de Carvalho e
Melo, o Marquês de Pombal, como seu ministro. Pombal
tinha como missão recuperar a economia e modernizar a
cultura portuguesa, por meio do que se denominou como
Reformas Pombalinas. “A ideia de pôr o reinado português
em condições econômicas tais que lhe permitissem competir
com as nações estrangeiras era talvez a mais forte razão das
reformas pombalinas.” (SECO; AMARAL, 2006, p. 3)
 A reforma educacional pombalina tirou o comando da
educação das mãos dos jesuítas e passou para as mãos do
Estado, substituindo o único sistema de ensino existente no
país, que era a proposta pedagógica jesuítica. As reformas
pombalinas iniciaram com o Alvará Régio de 28 de junho de
1759, acabando com as escolas jesuíticas de Portugal e de
todas as colônias e criando as aulas régias ou avulsas de
Latim, Grego, Filosofia e Retórica (primeira experiência de
ensino promovida pelo Estado na história brasileira); foi
idealizada a figura do “Diretor Geral dos Estudos” (para
uniformizar a educação na Colônia, fiscalizar a ação dos
professores e do material didático, evitando afrontas às
determinações da Coroa). Em 1767, é criada a Real Mesa
Censória, que assume a administração e direção dos estudos
das escolas menores de Portugal e suas colônias, e, em
1772, os estudos menores ganharam amplitude e
penetração com a instituição do chamado “subsídio literário”
para a manutenção dos ensinos primário e secundário.
 Subsídio literário: imposto que, além do pagamento dos
ordenados aos professores, para o qual ele foi instituído,
poderia ainda obter as seguintes aplicações: 1) compra de
livros para a constituição da biblioteca pública, subordinada
à Real Mesa Censória; 2) organização de um museu de
variedades; 3) construção de um gabinete de física
experimental; 4) ampliação dos estabelecimentos e
incentivos aos professores, dentre outras aplicações
(CARVALHO, 1978, p. 128).
 Um novo sistema educacional é implantado, pior que o
anterior, devido às precárias condições de trabalho dos
professores, de um ensino fragmentado e da falta de um
currículo regular. Além disso, há continuidade na
escolarização baseada na formação clássica, ornamental e
“europeizante” dos jesuítas.
 “A preocupação básica era de formar o perfeito nobre,
simplificando os estudos, abreviando o tempo do
aprendizado de latim, facilitando os estudos para o
ingresso nos cursos superiores, além de propiciar o
aprimoramento da língua portuguesa, diversificar o
conteúdo, incluir a natureza científica e torná-los mais
práticos.” (SECO; AMARAL, 2006, p. 8)

A legislação educacional no
Brasil Imperial
 O Estado Imperial no Brasil começou a se desenhar em 1808,
com a transmissão da família real portuguesa para cá. O
ensino nesse período continuou com resquícios do período
colonial, atendendo prioritariamente as classes dominantes,
sem nenhum compromisso com as classes populares.
 A situação da instrução pública e particular, nas Províncias
do Império, passava pelos seguintes problemas: o número de
escolas existentes em todo o Império não satisfazia às
necessidades de ensino para a população; as escolas
funcionavam, na sua grande maioria, em casas alugadas,
mal situadas, sem condições higiênicas e pedagógicas; não
se admitia a coeducação dos sexos; o período de
escolaridade formal iniciava apenas a partir dos sete anos; a
frequência nas escolas era muito pequena; os professores
não possuíam as necessárias habilitações para lecionar no
magistério primário, nem vencimentos dignos; muitas
disciplinas indispensáveis deixaram de ser ensinadas, como a
educação física, intelectual e moral dos alunos; e, a
intolerância religiosa fechou as escolas aos não católicos.
 A partir de 1822, com a Declaração da Independência do
Brasil, novas questões e preocupações surgem para a
organização do Estado brasileiro. A elite dirigente do país
tinha algumas prioridades, que eram enfrentar lutas
armadas, tanto internas quanto externas, atreladas à
consolidação do Estado nacional. A educação fica totalmente
de lado, como é possível perceber na Carta Constitucional de
1824, outorgada por D. Pedro I, que tratou da questão do
ensino apenas no Art. 179, limitando-se a estabelecer a
gratuidade da instrução primária a todos os cidadãos. Em
1827, em forma de lei, a criação de escolas de primeiras
letras passa a ser orientada em todas as cidades, vilas e
lugares populosos do Império, o que, na prática, não se
efetivou.
 Por meio do Ato Adicional, de 6 de agosto de 1834, houve um
processo de “descentralização” das responsabilidades com a
escola pública, já naquela época. O Ato instituiu as
Assembleias Legislativas provinciais com o poder de elaborar
o seu próprio regimento, o qual deveria estar de acordo com
as imposições gerais do Estado, repassando ao poder local o
direito de criar estabelecimentos próprios, além de
regulamentar e promover a educação primária e secundária.
E, bem ou mal, foi por meio da descentralização instituída
por meio desse Ato Adicional que, em 1835, foi criada a
primeira Escola Normal do país, em Niterói, para atender à
demanda de docentes. Em seguida, outras Escolas Normais
foram criadas: em 1836 a da Bahia, em 1845 a do Ceará e,
em 1846, a de São Paulo.
 De forma geral, no período imperial, a escola pública foi
negligenciada, com pouco (ou nenhum) investimento e
atenção por parte do governo, e seus problemas se
agravaram. Em 1885, algumas modificações aconteceram
por meio do Plano Geral de Reforma, que deu atenção
especial aos aspectos da fiscalização do ensino e, além disso,
determinava que os alunos não católicos pudessem
frequentar as escolas públicas, sendo tolerada a liberdade
individual e de culto.
A legislação educacional no
Período Republicano
 A República, inaugurada em 1889, é consolidada pela
Constituição, adotando o regime presidencialista e
representativo, com opção pelo sistema federativo. O
modelo de Estado era oligárquico, em que o poder
vinculou-se à oligarquia cafeeira da região Sudeste do
Brasil.
 A Constituição Republicana trouxe a permissão do
funcionamento de classes mistas; definiu que cada estado
organizaria sua educação, mantendo como base um
regime democrático sendo o ensino, público é leigo; o
Estado com a responsabilidade de manter e legislar sobre
a instrução pública; defendeu a liberdade de culto, a
coeducação dos sexos, a laicidade e a gratuidade; a
duração do curso primário e secundário de oito anos.
 Porém, por contrariar os interesses das classes
dominantes, as reformas não produziram os resultados
esperados; nenhum conceito ou ideia pedagógica foi criado
nesse período e o sistema educacional continuava a ser
orientado pelas ideias das escolas jesuíticas. Somente o
ensino superior teve uma atenção maior por parte do
Governo e, portanto, recebeu incentivos para o seu
desenvolvimento.
 A organização dos dois sistemas escolares permanece. A
dualidade do ensino, com origens no Brasil Colônia, foi
ganhando força!
 [...] a dualidade de sistema que deu lugar ao regime de
descentralização, o sistema federal constituído do ensino
secundário e superior, e os estaduais com possibilidades
de instruírem escolas de todos os graus e tipos, não se
manteve e acentuou a linha de demarcação entre as
profissões liberais e as atividades manuais e mecânicas,
como também facilitou reprodução, pelos estados, da
organização escolar tradicional [...] (AZEVEDO, 1976,
130).

A legislação educacional do Estado


Novo ao Golpe Militar
 No final do século XIX e início do século XX, com o
crescimento populacional, a urbanização, a industrialização e
a sociedade que passa a ser ativamente produtora e,
consequentemente, consumidora, novas necessidades e
movimentações acontecem. A educação ainda é orientada
por concepções tradicionais do ensino, porém mudanças
significativas começam a ocorrer do ponto de vista intelectual
brasileiro, principalmente devido a conflitos de ordem política
e social.
 Na década de 1920, o movimento educacional conhecido
como Escola Nova ganhou força no Brasil, propondo novos
caminhos à educação. Em 1932, foi publicado o Manifesto dos
Pioneiros da Educação Nova: A reconstrução educacional no
Brasil. Escrito por Fernando de Azevedo e assinado por vários
intelectuais da época, como Carneiro Leão, Hermes Lima e
Anísio Teixeira.
 O documento teve como principais orientações a educação
essencialmente pública, obrigatória, gratuita, leiga e sem
qualquer segregação de cor, sexo ou tipo de estudo, com
estreita vinculação com as comunidades; educação única, de
vários graus e com multiplicidade – adaptar-se às
características regionais; educação funcional e ativa, com os
currículos adaptados aos interesses naturais dos alunos –
centro da educação; todos os professores, mesmo os de
ensino primário, com formação universitária (ROMANELLI,
1991).
 A atuação desse movimento de educadores estendeu-se
pelas décadas seguintes, influenciando ideias e práticas de
uma nova geração de educadores.
 O período de 1930 a 1945 é marcado e denominado como
Era Vargas. O governo de Vargas apresentou características
nacionalistas, de autoritarismo e incentivo por parte do
Estado ao desenvolvimento industrial e populista. Uma
grande conquista social na Era Vargas foi a concessão da
legislação trabalhista. Em 1937, Vargas deu um golpe, tomou
o poder e consolidou um governo autoritário no Brasil,
período que foi denominado de Estado Novo.
 Nesse período, foram promulgadas duas Constituições, a de
1934 e a de 1937. A Constituição de 1934 assumiu como
responsabilidade elaborar o Plano Nacional de Educação. A
gratuidade do ensino primário, fora dos centros escolares,
tornou-se dever das empresas industriais ou agrícolas com
mais de cinquenta trabalhadores; essas teriam de oferecer
educação aos funcionários e a seus filhos; pela primeira vez,
foi fixada a aplicação de receitas de cada ente da Federação,
estipulando porcentagem mínima da renda resultante dos
impostos para a manutenção e desenvolvimento dos
sistemas educativos e auxílio aos alunos necessitados;
garantiu a liberdade de cátedra e a realização de concurso
público de provas e títulos para provimento de cargos no
magistério oficial (TEIXEIRA, 2008).
 A Constituição de 1937 vincula a educação a valores cívicos e
econômicos, fortalece a centralização dos sistemas
educacionais, mantém a gratuidade do ensino primário,
considera a obrigatoriedade da educação física, do ensino
cívico e dos trabalhos manuais, e torna facultativo o ensino
religioso.
 Nesse período, ainda acontecia a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945), que envolveu a maioria das nações do mundo.
Com o fim da guerra e a crise do Estado Novo, a sociedade
brasileira passou à luta pela redemocratização. Uma nova
Constituição era necessária.
 A nova Constituição foi aprovada em 1946 e, no que se refere
à educação, respeitou a exigência de concurso de títulos e
provas para o preenchimento de cargo no magistério; propôs
a descentralização administrativa e a orientação pedagógica,
mas não deixava de atribuir à União o papel de ditar as linhas
gerais para a organização da educação nacional; e estabelece
recursos aplicados à educação: não menos de 10% da
arrecadação da União, e 20% da renda resultante dos
impostos dos Estados e Municípios.

O período de 1946 a 1964


volta a ter características
populistas
 Em 1948, é apresentado à Câmara Federal um projeto de
reforma geral da educação nacional, elaborado por três
subcomissões, do Ensino Primário, do Ensino Secundário e do
Ensino Superior, para apreciação e discussão. Foi desse
projeto que nasceu a primeira Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB), em 1961. O projeto versava sobre
centralização e descentralização da educação, o ensino
primário gratuito e obrigatório, gratuidade e escolas públicas
nos demais níveis de ensino, bem como normatização e
regulamentação desta obrigatoriedade.
 O projeto foi transformado então em Lei – a primeira Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 4.024 –, pelo
Presidente João Goulart, com veto a 25 dispositivos, que foram
posteriormente aprovados pelo Congresso Nacional. Essa LDB,
quando foi aprovada, já possuía uma base “velha”, devido ao
seu longo período de discussão.
 A primeira LDB trouxe como novidades: a maior liberdade das
escolas na elaboração de programas e no desenvolvimento de
conteúdos de ensino; proporcionar a criação de setores
especializados nas escolas para coordenar suas atividades; a
equivalência entre os cursos propedêutico e profissionalizante,
abrindo-se, também esse, para o Ensino Superior; e ênfase
sobre o ensino da ciência como superação da religião.
 Esse período da história brasileira caracterizou-se por muitas
transformações e conflitos sociais e políticos.
 Em 1950, apesar de alguns setores sociais se oporem a
Vargas, esse venceu a eleição presidencial. Seu governo foi
marcado significativamente pelo nacionalismo e
desenvolvimento econômico a partir da industrialização. Em
1954, coagido por uma forte oposição e, diante de algumas
denúncias de corrupção em seu governo, Vargas foi
pressionado a renunciar. Mas, ao invés disso, ele se suicidou,
deixando grande parte da população a seu favor. Assumiu a
presidência Café Filho, e, posteriormente, mais dois interinos.
 O próximo presidente eleito foi Juscelino Kubitschek (1956-
1961), que deu continuidade ao governo populista. No
governo de Kubitschek, também conhecido como JK, foi
proporcionada a abertura para o capital estrangeiro, com a
entrada de multinacionais ligadas ao setor de bens de
consumo duráveis – a automobilística e de eletrodomésticos –
que, progressivamente, passaram a controlar setores
importantes da economia. A base do governo de JK foi a ação
estatal, empréstimos e investimentos internacionais. No final
do Governo JK, o Fundo Monetário Internacional (FMI) negou
empréstimos para o Brasil, argumentando que o país tinha
ultrapassado a capacidade de honrar com os compromissos de
dívida.
 Em 1961, Jânio Quadros venceu as eleições, porém não tinha
maioria no congresso. No mesmo ano, com o seu governo
bem enfraquecido e sem apoio, renunciou à presidência.
Militares, empresários, União Democrática Nacional (UDN) e
governo dos EUA se articularam para impedir a posse de João
Goulart (conhecido como Jango), vice-presidente de Jânio
Quadros. No entanto, não obtiveram sucesso.
 João Goulart, então, assumiu o governo no período de 1961 a
1964. Jango tentou retomar o populismo no Brasil, porém a
elite queria o poder – a burguesia ligada ao capital
estrangeiro. O Populismo entra em colapso. Inúmeras greves e
protestos aconteceram no Brasil até 1964, movidos pela
insatisfação dos impactos negativos na qualidade de vida
gerados pela inflação e queda do ritmo do crescimento
econômico. Os setores conservadores conspiravam a favor de
um golpe.

Ditadura Militar
 O golpe militar se efetivou em 1º de abril de 1964 e deu
início à implantação da ditadura militar no Brasil, com
duração entre 1964 e 1985. Esse Estado iniciou com a
aliança política entre os militares, as empresas norte-
americanas e os tecnoburocratas, apoiados pela tradicional
classe dos latifundiários.
 A partir dessa aliança política, são realizados os acordos
MEC-USAID – acordos entre o Ministério da Educação (MEC),
do Brasil, e a Agência dos Estados Unidos para o
Desenvolvimento Internacional (United States Agency for
International Development – USAID), dos Estados Unidos.
Esses acordos, assinados e executados principalmente entre
1964-1968, mas que se estenderam até 1976, embasaram
as reformas educacionais que aconteceram no período da
ditadura militar.
 A compreensão sobre os acordos MEC-USAID é fundamental
para entender o sistema e a legislação educacional no
período da ditadura militar.
 “Os [acordos] MEC-USAID inseriram-se num contexto
histórico fortemente marcado pelo tecnicismo
educacional da teoria do capital humano, isto é, pela
concepção de educação como pressuposto do
desenvolvimento econômico. Nesse contexto, a ‘ajuda
externa’ para a educação tinha por objetivo fornecer as
diretrizes políticas e técnicas para uma reorientação do
sistema educacional brasileiro, à luz das necessidades
do desenvolvimento capitalista internacional. Os
técnicos norte-americanos que aqui desembarcaram,
muito mais do que preocupados com a educação
brasileira, estavam ocupados em garantir a adequação
de tal sistema de ensino aos desígnios da economia
internacional, sobretudo aos interesses das grandes
corporações norte-americanas. Na prática, os MEC-
USAID não significaram mudanças diretas na política
educacional, mas tiveram influência decisiva nas
formulações e orientações que, posteriormente,
conduziram o processo de reforma da educação
brasileira na Ditadura Militar.” (MINTO, 2006, p. 58)
 A Lei 4.440/1964 institucionalizou o salário-educação, que
regulamentou a contribuição das empresas industriais e
agrícolas com mais de 100 trabalhadores, obrigando-as a
manter o ensino primário para seus empregados e seus
filhos ou transferindo uma taxa dos impostos ao governo.
Elas só seriam isentas caso estabelecessem convênios com
escolas particulares por meio do “sistema de bolsas”. Os
recursos do salário-educação eram distribuídos da seguinte
forma: 50% eram destinados aos governos das Unidades da
Federação para o desenvolvimento do Ensino Fundamental e
50% controlados pela União, por meio do Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE), para serem aplicados
nas unidades federativas menos privilegiadas.
 Nesse período, muitas foram as facilidades, por meio de leis,
para as escolas particulares, como a Lei 4.917 de 17 de
dezembro de 1965.
 Os acontecimentos de destaque no período foram:
 1966: organização do Projeto Rondon a partir do I
Seminário de Educação e Segurança Nacional.
 1966: organização da Confederação Nacional de
Educação (CNE).
 orientações a partir do Plano Decenal de Educação
da Aliança para o Progresso (prestação de contas
sobre os avanços educacionais exigidos por órgãos
liderados pelos Estados Unidos, como o Conselho
Interamericano Econômico e Social –CIES).
 Lei 5.370/1967: criação do Mobral, para erradicar o
analfabetismo no Brasil em dez anos, com foco na
faixa etária dos 15 aos 35 anos de idade.
 Plano de Desenvolvimento Educacional (PDE) com
vigência entre 1967 e 1976. A teoria do capital
humano e a conceituação econômica da educação
eram os fundamentos para acelerar o processo de
desenvolvimento educacional.
 fim da vinculação constitucional de recursos para a
educação (Legislação de Ensino – Constituição
Federal).
 Decreto 60.897/1967 (programa de expansão e
melhoramento do ensino técnico industrial). O
governo lança mão de empréstimo externo para a
expansão do ensino técnico.
 política educacional visava à formação técnico-
profissional do ensino médio e aumentar vagas no
ensino superior para capacitar pessoas com foco
no desenvolvimento do país.
 Decreto 869/1968, pela Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra,
determina a disciplina Educação Moral e Cívica
como obrigatória aos currículos escolares de todos
os níveis e os Estudos de Problemas Brasileiros
para o Ensino Superior.
 Lei 5.537/1968: cria o Fundo Nacional de
Desenvolvimento Educacional (FNDE).
 Lei 5.540/1968: Reforma Universitária
(racionalização administrativo-pedagógica).
 Decreto 477/1969: um dos mais importantes
instrumentos de repressão, atribuiu às autoridades
universitárias e educacionais do Ministério da
Educação e Cultura (MEC) o poder de, em caso de
atitudes consideradas subversivas pela ditadura
militar, suspender estudantes por até três anos,
expulsar e impedir matrícula durante cinco anos e
demissão de funcionários e professores,
impedindo-os de trabalhar no ensino superior por
cinco anos.
 Lei 5.692/1971: regulamentou o ensino de primeiro
e segundo graus e ampliou a obrigatoriedade
escolar de quatro para oito anos, juntando o antigo
primário com o ginasial, acabando com o exame
de admissão e criando a escola única
profissionalizante. Reforma do ciclo médio de
profissionalização compulsória e generalizada de
todos os alunos.
 Parecer 2.018/1974: o Conselho Federal de
Educação (CFE) instituiu normas e procedimentos
que regulamentam a implantação dos programas
dirigidos às populações de educação pré-escolar,
além de recomendar que fossem buscadas novas
fontes de recursos financeiros para subvencionar a
educação pré-escolar.
 O CFE, por meio do Parecer 1.600, recomendou a
necessidade de habilitação ao nível de 2º grau
para os professores que atuassem na pré-escola.
 Plano Quinquenal (1975-1979): o objetivo principal
era atingir 100% de escolarização da faixa etária
de 7 a 14 anos até 1980: expandir a oferta de
vagas do ensino médio e superior; capacitar
recursos humanos para incrementar a
produtividade do ensino; reformular o currículo nos
três níveis de ensino; promover a interação de
escola e comunidade; implantar e expandir as
universidades; eliminar gradativamente o
analfabetismo de adolescentes e adultos; prestar
assistência técnica e financeira às instituições
particulares de ensino, visando à expansão
quantitativa e melhoria do ensino.
 1976: o CFE determinou, por meio da Resolução
58, a inclusão obrigatória de Língua Estrangeira
Moderna, no currículo de 2º grau,
predominantemente a língua inglesa.
 1982: por meio da Lei 7.044/1982, aconteceu a
reformulação da Lei 5.692/1971, com mudanças na
proposta curricular e dispensando as escolas da
obrigatoriedade da profissionalização.
 Toda a política educacional nesse período esteve ligada ao
ajuste ideológico necessário às metas da ditadura militar
que promoveu a democratização do acesso à educação no
Brasil, porém com concepções voltadas aos interesses do
mercado e de estímulo e favorecimento à privatização do
ensino.

Décadas de 80 e 90
 Entre 1983-1984, o Brasil organizou-se em torno de um dos
maiores movimentos de massa da história do país, as
“Diretas Já”.
 Em 1985, terminou o período ditatorial. A organização de
diferentes movimentos sociais, lutando pela
redemocratização do país e reivindicando o retorno de um
Estado de direito, certamente contribuiu para a elaboração
de uma nova Constituição Federal, a de 1988.
 Na educação, dois destaques são fundamentais quando
olhamos para a década de 1980: a educação para a
democracia e a educação para a cidadania.
 A década de 1990 inicia com mudanças significativas em
função da abertura do mercado, o fenômeno chamado
globalização, inovações tecnológicas, enfim, novas
exigências sobre os indivíduos. A escola é convocada pelos
governos, organismos internacionais e empresários para
promover uma educação de qualidade para todos.
Novamente, o que determina a educação é o Estado e o
Mercado. Esses conceitos serão discutidos na próxima
seção de estudo.
 É durante essa década que a segunda Lei de Diretrizes e
Bases n. 9.394/1996 é discutida e aprovada, buscando
conciliar as reivindicações de movimentos sociais populares
e de educadores, que buscavam uma educação
democrática e cidadã, e os interesses políticos e
econômicos das classes dominantes, que buscavam uma
formação educacional que atendesse às novas exigências
do mercado, nacional e internacional.

Século XXI
 As transformações ocorridas na década de 1990
impactaram diretamente a situação educacional do país nos
anos 2000, ou seja, o início do século XXI.
 Na educação, podemos citar o Plano Nacional de Educação
(2001-2010), institucionalizado na LDB; as avaliações
externas dos sistemas educacionais; a descentralização das
responsabilidades com a educação entre os entes
federativos e a sociedade civil; a gestão democrática; entre
outros.
 A educação na Constituição Brasileira de 1988 e na LDB
9.394/1996 discutiremos de forma mais aprofundada na
próxima unidade de ensino. De qualquer forma, é
importante destacar a importância das duas leis para a
educação brasileira.
 Até o momento, é possível identificar um percurso histórico
da legislação educacional intenso, porém com muitas
descontinuidades entre um governo e outro. Além disso,
poucos foram os avanços significativos com foco em uma
educação de qualidade para emancipação dos indivíduos.
Temos, ainda, caminhando com o dualismo educacional,
presente desde o período colonial, ou seja, a educação
sempre foi diferenciada entre os trabalhadores e os “donos
do poder” (classes capitalistas).
 Saviani (2008) destaca que uma característica estrutural da
política educacional brasileira é a descontinuidade das
políticas. As reformas se apresentam num movimento que
pode ser reconhecido pelas metáforas do zigue-zague ou do
pêndulo. A metáfora do zigue-zague indica o sentido
tortuoso, sinuoso das variações e alterações sucessivas
observadas nas reformas; o movimento pendular mostra o
vaivém de dois temas que se alternam sequencialmente
nas medidas reformadoras da estrutura educacional.

Conclusão
 A legislação educacional pode ser considerada como uma
fonte histórica imprescindível para compreender a educação
brasileira? Essa fonte deve ser olhada e estudada
observando os seus conteúdos, as informações,
interpretando os conflitos e identificando os diferentes
pontos de vista?
 É estudando e compreendendo toda a história da educação,
incluindo as políticas, a legislação e as práticas, que é
possível entender o que acontece no presente, assim como
as tentativas que já foram feitas em determinados
momentos históricos.
 Porém, é possível interpretar a legislação sem compreender
o contexto político, social e econômico? Com certeza, não.
Vimos, durante a retrospectiva desta seção, como a
educação sempre esteve associada e foi utilizada para
atender a interesses políticos e econômicos de alguns
setores sociais.
 Observando a história, percebemos que, infelizmente, pouco
avançamos em relação a uma mudança de concepções, de
olhar a educação de outra perspectiva. Portanto, conhecer a
legislação, sua história, seus limites, avanços e perspectivas,
faz do pedagogo um profissional consciente, crítico e capaz
de promover mudanças significativas na sua atuação.

A política neoliberal para a


América Latina (AULA 3)
Globalização impactando na
educação brasileira

 No final da década de 1980 e início da década de 1990, o


cenário político-econômico da América Latina era a busca
pela superação da crise do modelo capitalista vigente, a
saber, o desenvolvimentismo.
 Os ciclos do Estado Desenvolvimentista no Brasil ocorreram
entre as décadas de 1930 e 1980. O conceito central do
desenvolvimentismo é a transformação da sociedade
brasileira a partir do projeto de desenvolvimento
econômico e social – seu elemento-chave – composto dos
seguintes pontos fundamentais:
“(i) A industrialização integral é a via de superação
da pobreza e do subdesenvolvimento brasileiro;

(ii) Não há meios de alcançar uma industrialização


eficiente e racional no Brasil por meio das forças
espontâneas de mercado, por isso, é necessário
que o Estado a planeje;

(iii) O planejamento deve definir a expansão


desejada dos setores econômicos e os
instrumentos de promoção dessa expansão;

(iv) O Estado deve ordenar também a execução da


expansão, captando e orientando recursos
financeiros, e promovendo investimentos diretos
naqueles setores em que a iniciativa privada seja
insuficiente.” (SILVA, 2013, p. 10-11)

 Esse modelo de Estado entra em crise, e isso se expressa no


aumento da inflação e do endividamento público, na queda
ou no lento crescimento da produção, no aumento do
desemprego que se constituiu num forte apelo à maior
penetração das ideias liberais (defesa da propriedade
privada, da economia de mercado, laissez-faire etc.),
especialmente, de matriz neoclássica (RAMOS, 2003).
 Dentre os projetos políticos em disputa naquele contexto, foi
se consolidando o projeto neoliberal, com reformas
estruturais no modelo de Estado. O discurso dos defensores
dessa concepção era o da necessidade de reduzir os gastos
públicos, tornando o Estado mais dinâmico, e eficaz, como
única forma de garantir estabilidade e crescimento
econômico.
 O capitalismo neoliberal defende a concepção de “Estado
Mínimo”, entendido como aquele que atua de forma mínima
nas questões sociais, políticas e econômicas, promovendo
as privatizações. O Estado, nessa concepção, desvincula-se
de garantir a efetivação dos direitos sociais da população
(PINTO, 2011).

Neoliberalismo e a expansão
educacional na América Latina
 “Durante o Consenso de Washington, conferência do
International Institute for Economy (IEE), realizada na capital
americana, em novembro 1989, funcionários do governo dos
EUA, dos organismos internacionais e economistas latino-
americanos discutiram um conjunto de reformas essenciais
para que a América Latina superasse a crise econômica e
retomasse o caminho do crescimento. Formou-se a ideia
hegemônica de que o Estado – sobretudo nos países
periféricos – deveria focar sua atuação nas relações
exteriores e na regulação financeira, com base em critérios
negociados diretamente com o Fundo Monetário
Internacional (FMI) eo Banco Mundial.” (YANAGUITA, 2011, p.
2)
 O neoliberalismo é uma ordem social que se refere à
redefinição do liberalismo clássico, influenciado pelas teorias
econômicas neoclássicas. De maneira bem geral, podemos
dizer que seus princípios básicos são os do Estado mínimo,
privatização, livre circulação do capital, abertura da
economia, ênfase na globalização e princípios econômicos
do capitalismo (como a produção de mais-valia).
 É na América Latina que o neoliberalismo se desenvolveu de
forma mais intensa, alterando de forma significativa os
investimentos públicos em áreas como a saúde, a educação
e a segurança social, reorientado para a criação de
condições de investimento e de garantias aos investimentos
privados. Os investimentos na educação não diminuíram,
mas foram reorientados, a partir de novas políticas
educacionais, provocando o enfraquecimento da escola
pública latino-americana (GENTILI, 2006).
 A América Latina é composta por 20 países: Argentina,
Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El
Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua,
Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e
Venezuela.

 Na América Latina, apesar das diferenças de sistemas


educacionais de cada país, pode-se dizer, de maneira bem
generalizada, que ocorreu uma expansão do sistema
educativo, atendendo um número crescente de crianças e
jovens, que procuravam a escola e o alargamento do
período de escolarização. Porém, vivenciou-se também a
retração do investimento dessa oferta, com a deterioração
da qualidade do serviço prestado, infraestrutura cada vez
mais inadequada, contratação de professores com um
vínculo cada vez mais precário, num contexto de
degradação das condições de trabalho, diminuição do
salário real e a intensificação da sua jornada de trabalho.
Trata-se de um sistema educativo que negligencia o direito
à educação, sujeitando crianças e jovens a um processo de
exclusão existente no interior do próprio sistema escolar,
resultante de uma massificação educativa sem direitos – é a
denominada “inclusão excludente” (GENTILI, 2006).
 As reformas das políticas educacionais tiveram como
orientação os relatórios e receituários de organismos
multilaterais de financiamento e órgãos técnicos com base
em princípios produtivistas e da teoria do capital humano.
Essas orientações, de forma geral, pregaram a
desburocratização do Estado, novas formas de gestão da
esfera pública, autonomia gerencial para as unidades
escolares e incrementos nos índices de produtividade dos
sistemas.
 Organizações internacionais são formadas por diversos
governos nacionais com a finalidade de promover
determinado objetivo comum aos países membros, a
exemplo da Organização das Nações Unidas, Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura,
Fundação das Nações Unidas para a Infância, Fundo
Monetário Internacional, Banco Mundial, Organização Pan-
Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde
(PINTO, 2011).
 A Teoria do Capital Humano (TCH) foi desenvolvida por
Theodore W. Schultz, nos anos de 1956-1957, e difundida na
década de 1970. Essa teoria é retomada na década de 1990
pelos neoliberais, com um caráter mais humanista, mas com
a característica principal, que é a subordinação da
capacidade humana ao capital e, portanto, a educação como
solução para as desigualdades econômicas, como
mecanismo de ascensão social. Essa lógica parte das
competências individuais para lidar com a nova realidade.
“Ao invés do ‘homem boi’ admitido no ‘chão de fábrica’ da
empresa taylorista/fordista, no paradigma flexível, que se
constrói neste período, apregoa-se a necessidade de
polivalência.” (FIDALGO; FIDALGO, 2007, p. 89)
 Polivalência se refere a trabalho mais variado, apresenta
caráter flexível e obedece a uma racionalização de tipo
pragmático, utilitarista e instrumental, que exige do
trabalhador, principalmente, capacidades de abertura, de
adaptação às mudanças e de lidar com situações
diferenciadas (PINTO, 2011).

Os impactos da década de 90 na
educação brasileira
 Na década de 1990, as reformas educacionais estavam
pautadas em orientações dos organismos multilaterais para
formar um trabalhador que dominasse os conhecimentos e
habilidades exigidos na sociedade moderna. O trabalhador,
nesse contexto, precisa adaptar-se a uma nova realidade
econômica e social e à nova dinâmica da organização e
produção do trabalho, que exige domínio de habilidades e
conhecimentos diferenciados (PINTO, 2011).
 Nesse sentido, vários conceitos passam a ser incorporados
nos documentos educacionais, como: autonomia,
individualidade, descentralização, competências,
empregabilidade, eficiência, eficácia, entre outros.
 Os conceitos de eficiência e eficácia são do campo da
administração, derivados da teoria da qualidade total.
 Eficiência significa fazer certo as coisas.
 Eficácia significa fazer as coisas certas.
 Assim, cumprir uma tarefa na sua totalidade faz com que
um indivíduo seja eficaz, ou seja, cumpriu e executou algo
de acordo com o esperado. Porém, se alguns aspectos
deixam a desejar ou porventura houve algum contratempo,
o indivíduo não foi eficiente.
 A autonomia, difundida pelas políticas de cunho neoliberal,
referia-se à necessidade de um trabalhador capaz de tomar
iniciativas e não apenas de um cumpridor de ordens e
executor de tarefas. Porém, na prática, o que se identificou
foi a responsabilização do indivíduo no desenvolvimento de
posturas garantidoras da eficácia e da eficiência. O indivíduo
passa a ser responsável pelo seu sucesso e fracasso,
precisando adquirir capacidade adaptativa. Mesmo com um
discurso de coletividade, o que passou a ser valorizado
foram as competências individuais, aumentando a
competição entre os indivíduos. O projeto educacional da
capital apresentou-se com concepções de pragmatismo,
tecnicista e economicista.
 Um importante acontecimento que influenciou de forma
intensa as políticas educacionais dos países com as maiores
taxas de analfabetismo na década de 1990, foi a
Conferência Mundial de Educação para Todos – Financiada
pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura, Fundo das Nações Unidas para a
Infância, Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento e, destaque-se, pelo Banco Mundial –,
realizada em Jomtien (Tailândia) em 1990.
 Nesse encontro, os países se comprometeram a assegurar
uma educação básica e de qualidade a crianças, jovens e
adultos. A princípio, não parece haver nada de errado com
esse compromisso. Entretanto, é necessário explicitar que a
motivação que o sustentou relaciona-se com pressões para
que os países garantam a elevação dos níveis instrucionais
de suas populações, de modo a favorecer as relações com o
trabalho: o trabalhador mais qualificado ou menos
desqualificado de que as empresas multinacionais
necessitavam (PINTO, 2011).
 Dito de outro modo, a difusão dos novos conhecimentos e
habilidades exigidos pela sociedade moderna deveria ser
realizada pela escola, preparando os indivíduos para as
novas formas de organização do trabalho e necessidade de
produção.
 Ao longo da década de 1990, outros organismos
multilaterais irão reiterar as recomendações de reformas
educacionais atendendo às exigências da nova economia e
organização do trabalho. Um exemplo é a UNESCO – criada
pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, com o
objetivo de coordenar as políticas de desenvolvimento dos
países da América Latina – que convoca especialistas do
mundo inteiro para compor a Comissão Internacional sobre
Educação para o século XXI, coordenada por Jacques Delors.
O objetivo dessa comissão foi preparar trabalhadores para
empregos existentes e desenvolver capacidade de
adaptação a empregos inimagináveis (SHIROMA, 2000).
 Nesse artigo, você poderá ampliar seus estudos com relação
às reformas educacionais latino-americanas nos anos de
1990. O autor faz uma discussão, mostrando como a
educação mais tem servido aos interesses da acumulação
do capital e pouco tem proporcionado a emancipação
humana.

 No Brasil, nessa mesma década, é elaborada e promulgada


a segunda Lei de Diretrizes e Bases da Educação de número
9.394/96, que incorpora muitas das orientações dos
organismos internacionais: gestão descentralizada entre os
entes federativos e escola, educação que prepare para o
trabalho, estratégias de avaliação do sistema educacional,
reformas curriculares, promoção de instrumentos de
competitividade interna entre as instituições em função de
critérios de produtividade e rendimento, entre outros.
 Neste momento, é importante ressaltar e concluir que as
economias não se tornam necessariamente mais
competitivas, mas, antes, cresceram a desigualdade e a
injustiça social, com a consequente diminuição dos direitos
sociais dos cidadãos (GENTILI, 2006).
 Frigotto (2001) afirma que a educação brasileira busca
“conformar um cidadão mínimo, que pensa minimamente e
que reaja minimamente”, mas produza maximamente. Ou
seja, é possível identificar, por meio da legislação e políticas
educacionais, que o foco da educação brasileira não está no
incentivo ao pensamento, à reflexão, à crítica, à
criatividade, mas sim à melhor forma de adaptação à
organização do trabalho para uma eficiência e eficácia,
visando sempre maior produtividade.
 Podemos traduzir o pensamento de Frigotto com um
exemplo: o trabalhador que hoje possui acesso a um ensino
com currículo mínimo, com políticas e práticas educacionais
que não promovem a reflexão e pensamento amplo e crítico,
mas que deve produzir e fazer cada vez mais e mais, para
atender a práticas mercadológicas competitivas.

Conclusão
 Durante o estudo, foi possível conhecer e refletir sobre as
políticas neoliberais que ganham força e orientam as
políticas educacionais da América Latina, a partir de uma
reestruturação do sistema capitalista mundial que entra em
crise, no final da década de 1970 e durante toda a década
de 1980, guardando as devidas especificidades políticas e
econômicas de cada país.
 As políticas educacionais e sociais que, no discurso
neoliberal, eram defendidas como recurso para acabar com
o analfabetismo, trazer qualidade, eficiência e eficácia à
educação na educação básica para promover maior/melhor
educação aos indivíduos, promoveram, na verdade, uma
expansão da oferta de uma educação sucateada, com
condições precárias de escolarização, professores
desvalorizados, mal pagos, uma educação mínima para um
indivíduo que precisava apenas atender às exigências de
produção do capital.
 Confirmando essa análise, Demo (2008, p. 5) afirma que “as
habilidades do século XXI não nos tornam,
necessariamente, ”mais hábeis” para nós mesmos, mas
mais “bem encaixados” no ritmo da produtividade
neoliberal”.
Na prática (AULA 4)

Profissionais de Pedagogia e a
educação nacional
 A LDB n. 9.394/1996 contempla no Título II os Princípios e
Fins da Educação Nacional. No artigo 2º, consta que: “A
educação, dever da família e do Estado, inspirada nos
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade
humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do
educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho”.
 Para responder a essa indagação, é necessário colocar-se
no papel de alguém que se formou em Pedagogia que,
atuando como docente, na área de coordenação ou gestão,
deve compreender que a educação não é responsabilidade
apenas da escola, mas também da família e do Estado e
que, juntos, devem garantir os princípios de liberdade (de
expressão, de opinião, entre outros), de solidariedade
humana (o respeito ao próximo, a tolerância, a convivência
com as diferenças, entre outros), prezando pelo
desenvolvimento pleno do educando (todas as suas
aprendizagens, cultura, entre outros, devem ser
considerados para o desenvolvimento do indivíduo), o
exercício da cidadania (conhecer seus direitos e deveres,
atuando de forma consciente e crítica enquanto cidadão)
e, também, preparar os indivíduos para o trabalho
(identificar as necessidades de conhecimentos e
habilidades para atuar nos novos mercados e com as
novas organizações de trabalho).

A Lei de Diretrizes e Bases da


Educação
 Exatos 35 anos antes de o presidente Fernando Henrique
Cardoso (PSDB/SP) sancionar a atual Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, João Goulart (PTB/RS), então
recém-alçado à presidência do país sob o arranjo do
parlamentarismo, promulgava a primeira LDB brasileira. A
assinatura de Goulart saiu estampada na edição de 21 de
dezembro de 1961 do Diário Oficial da União, mais de 13
anos após a apresentação do primeiro projeto da lei
educacional ao parlamento brasileiro. Nesse longo intervalo
entre a apresentação do anteprojeto enviado à Câmara
Federal em outubro de 1948 pelo então ministro da
Educação, Clemente Mariani (UDN/MG), e sua aprovação,
nove diferentes cidadãos se sentaram na cadeira de
presidente da República, seis deles efetivos e três interinos
(BARROS, 2016).

 A reflexão proposta pode levar a discussão para diferentes


lugares. Um deles, por exemplo, dá-se com a análise de que
a aprovação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da
Educação no Brasil trouxe, apesar de tudo, pela primeira
vez, uma lei sistematizada para orientação e legalização da
educação brasileira. As LDBs revelam facetas e tensões não
só da educação nacional, mas que estão presentes em toda
a sociedade brasileira.
 Na primeira LDB, foram incorporados os interesses de três
grupos distintos: os ‘liberais-idealistas’, grupo que tinha
como epicentro o jornal O Estado de S. Paulo, instituição-
chave para a fundação da Universidade de São Paulo; os
‘liberais-pragmatistas’, os históricos educadores da Escola
Nova (decisivos com a apresentação do manifesto ‘Mais uma
vez convocados’, documento aglutinador apresentado por
Fernando de Azevedo em 1959); a corrente de ‘tendência
socialista’, capitaneada pelo sociólogo Florestan Fernandes,
também da USP” (BARROS, 2016).
 As reformas que aconteceram no período ditatorial, por sua
vez, foram utilizadas para legitimar o poder e a ideologia dos
militares.
 Já a Nova Lei de Diretrizes e Bases, aprovada em 1996,
expressa as lutas democráticas que se efetivaram na década
de 1980, mas também um viés neoliberal das políticas
públicas presentes na década de 1990.
 Esses acontecimentos direcionaram a concepção de
educação de cada período, assim como as orientações e
prescrições para a educação em nível nacional.

As políticas educacionais
 a análise da intervenção do Banco Mundial nas políticas
educacionais brasileiras evidencia a expansão das políticas
mais convenientes aos interesses do capital. Essas políticas
contam com o apoio decisivo dos governos e das elites
nacionais que viabilizem sua inserção e operacionalização,
conforme as orientações das agências que monitoram, por
meio do mecanismo das condicionalidades, as metas
acertadas nos ditos acordos de cooperação internacional.
Nesse sentido, a propalada “cooperação” consiste, de fato,
em estratégia de expansão das políticas e interesses do
capital internacional, sendo que a educação, nessa
perspectiva, restringe-se ao papel de reproduzir a força de
trabalho para o capital, formar ideologicamente conforme
os interesses do mesmo e servir como segmento do
mercado a ser explorado comercialmente pelo setor
privado.” (LOPES, 2008, p. 89).Ao ler o texto acima, que
aborda as políticas educacionais com viés neoliberal
o Dentre os impactos negativos das políticas neoliberais para
a educação, podemos destacar a formação de um sistema
educacional voltado para atender ao mercado, à
competitividade e às necessidades pontuais das
organizações empresariais de cada momento político e
econômico e, deixando para segundo plano, a formação e
construção dos indivíduos em cidadãos emancipados e
livres.

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