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Diagnóstico e Tratamento da Criptococose

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Criptococose

Serviço de Infectologia - setembro/24


Doutorandas Amanda e Letícia
Referências
Criptococose
⇒ Micose invasiva

⇒ Se manifesta mais frequentemente como meningoencefalite ou pneumonia

⇒ Tipicamente adquirida por inalação do ambiente

⇒ Cryptococcus gattii e Cryptococcus neoformans são responsáveis pela maioria


dos casos
Cryptococcus gattii
⇒ Endêmico em regiões climáticas tropicais e subtropicais

⇒ Infecção associada à exposição a certas árvores

⇒ Perfil do hospedeiro: imunocompetente (defeito subclínico da imunidade?)

⇒ Mais propenso a afetar pulmões e causar lesões em massa (criptococomas)


no cérebro ou no pulmão
Cryptococcus neoformans
⇒ Encontrado em amostras de solo de todo o mundo em áreas frequentadas por
pássaros, especialmente pombos e galinhas (abrigam a levedura no TGI)

⇒ Perfil do hospedeiro: imunocomprometido

● AIDS
● Tratamento prolongado com glicocorticoides
● Transplante de órgãos
● Malignidade
Criptococose pulmonar
⇒ Inalação → pneumonite focal (sintomática ou não) → disseminação
sintomática (evolução depende do estado imunológico, da carga de exposição e
da virulência da cepa)

⇒ Quadro clínico:

● Variável (assintomático a insuficiência respiratória aguda)


● Tosse produtiva, hemoptise, dor no peito, febre, sudorese noturna, perda de
peso
● Pacientes com HIV: apresentação mais aguda e grave
Criptococose pulmonar
Diagnóstico

⇒ Cultura

⇒ Imagem (nódulos solitários, bem definidos, não calcificados)

⇒ Antígeno criptocócico no soro

⇒ Indicações de punção lombar: sintomas neurológicos, imunossupressão ou


título de antígeno criptocócico > 1:512
Criptococose pulmonar
Tratamento

⇒ Doença leve a moderada: fluconazol 400 mg/dia por 6 a 12 meses

⇒ Doença grave: igual ao da meningoencefalite


Neurocriptococose em paciente sem HIV

⇒ Tropismo pelo SNC - hipóteses:

● LCR é meio de crescimento favorável (diferente do soro, no qual ocorre


ativação da via alternativa do complemento, que inibe o crescimento
criptocócico)
● Níveis de dopamina - substrato para produção de melanina (aumenta
virulência)
● Produção de manitol pelo criptococo pode contribuir para o edema
cerebral e inibir a função fagocitária
Neurocriptococose em paciente sem HIV

⇒ Epidemiologia: pacientes imunocomprometidos (glicocorticoide, transplante,


câncer, sarcoidose, insuficiência hepática)

⇒ Clínica: meningoencefalite subaguda (evolução em 2 a 4 semanas)

● Febre em 50% dos casos


● Cefaleia, letargia, alteração de consciência
Neurocriptococose em paciente sem HIV

Diagnóstico

⇒ Suspeita:

● Imunossupressão + febre + cefaleia e outros sinais/sintomas relacionados


ao SNC
● Imunocompetentes com meningite subaguda ou crônica

⇒ Exames: punção lombar, antígeno criptocócico no soro, imagem (maioria sem


alteração, mas pode existir hidrocefalia ou lesões em massa - 10% dos casos)
Neurocriptococose em paciente sem HIV

⇒ Punção lombar:

● Pressão de abertura elevada


● Aumento da celularidade com predomínio linfomononuclear
○ Com HIV: 0 a 50
○ Sem HIV: 20 a 200
● Glicose baixa
● Proteínas elevadas
● Tinta da china: leveduras encapsuladas
● PCR
● Cultura
● Antígeno criptocócico (alta sensibilidade e especificidade no líquor)
Neurocriptococose em paciente sem HIV

Tratamento

● Terapia antifúngica:
○ Indução: anfotericina B + flucitosina por no mínimo 2 semanas
○ Consolidação: fluconazol 400 a 800 mg VO por 8 semanas
○ Manutenção: fluconazol 200 mg VO por 12 meses
● Controle da pressão intracraniana
● Redução da terapia imunossupressora
Neurocriptococose em paciente com HIV

⇒ Letalidade varia entre 13% e 73%

⇒ 90% dos casos ocorrem em pacientes com contagem de CD4 < 100

⇒ Clínica:

● Início indolente (1 a 2 semanas): febre, mal-estar e cefaleia


● Rigidez de nuca, fotofobia e vômitos são observados em 25 a 30% dos
pacientes
● Perda visual e auditiva também podem ocorrer
Neurocriptococose em paciente com HIV

Diagnóstico

⇒ Suspeita: pacientes com CD4 < 100 + febre + cefaleia

⇒ Exames: punção lombar e antígeno criptocócico no soro

Obs.: se lesões em massa na imagem, considerar diagnóstico diferencial


(toxoplasmose, tuberculose, linfoma)
Neurocriptococose em paciente com HIV

⇒ Punção lombar:

● Pressão de abertura elevada


● Celularidade < 50 com predomínio linfomononuclear
● Glicose baixa ou normal
● Proteínas ligeiramente elevadas
● Tinta da China: leveduras encapsuladas
● PCR
● Cultura
● Antígeno criptocócico
Neurocriptococose em paciente com HIV

Tratamento
Neurocriptococose em paciente com HIV

Tratamento

⇒ Repetição da punção lombar e cultura do líquor após 2 semanas de terapia de


indução (mesmo se melhora clínica)

⇒ Estender terapia de indução se não houver melhora clínica ou em caso de


cultura positiva

⇒ A fase de manutenção deve ser mantida até que o CD4 esteja acima de 200 e
a carga viral indetectável
Neurocriptococose em paciente com HIV
Quando iniciar a TARV?
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos – Módulo 1:
Tratamento. Brasília: 2024.

Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos – Módulo 2:
Coinfecções e Infecções Oportunistas. Brasília: 2024.

CHEN, S.; SORRELL, T. (2024). Cryptococcus gattii infection: Microbiology, epidemiology, and pathogenesis. UpToDate. Acesso em
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Referências
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HIV. UpToDate. Acesso em setembro de 2024.
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COX, G. PERFECT, J. (2024). Cryptococcus neoformans: Treatment of meningoencephalitis and disseminated infection in patients
without HIV. UpToDate. Acesso em setembro de 2024.
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Referências
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patients with HIV. UpToDate. Acesso em setembro de 2024.
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COX, G. PERFECT, J. (2022). Cryptococcus neoformans meningoencephalitis in persons with HIV: Treatment and prevention. Acesso em
setembro de 2024.
<[Link]
on?search=criptococose&source=search_result&selectedTitle=7%7E137&usage_type=default&display_rank=7#H7361661>.
Obrigada pela
atenção!

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