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Culturas de Rendimento em Moçambique

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Culturas de rendimento

Tradicionalmente, o algodão e o tabaco constituem as duas principais culturas de rendimento. Devido a


sua rentabilidade financeira, o cultivo de tabaco está em expansão. Um estudo realizado no vale do
Zambeze conclui que os produtores de tabaco possuem, em média, lucros anuais no valor de cerca de
$731 dólares americanos, o que representa cerca de metade de todo valor de produção de culturas
(Benfica, 2006)2 . Mas existem diferenças na rentabilidade do cultivo segundo algumas características
dos agregados familiares. Por exemplo, o mesmo estudo conclui que a rentabilidade é
consideravelmente menor no seio de agregados familiares chefiados por uma mulher. Apesar da
rentabilidade do cultivo do tabaco, deve-se tomar atenção a sustentabilidade da expansão do seu
cultivo (Benfica, 2006). Isto porque a secagem do tabaco é muito exigente em termos de calor, e
geralmente usa-se lenha para o efeito. O abate de árvores para a secagem do tabaco pode a longo prazo
provocar problemas ambientais caso não haja reposição das árvores.

A produção do algodão enfrenta problemas de baixa produtividade agrícola e baixos preços do produto
(Benfica, 2006; Benfica, 2007; Pitoro et al., 2009). Não obstante os esforços do Instituto do Algodão de
Moçambique em aumentar a produtividade e a rentabilidade da produção do algodão, Pitoro et al.
(2009) afirmam que produtores de algodão não possuem rendimentos superiores aos dos seus vizinhos
não produtores de algodão. Esta constatação explica o abandono do cultivo desta cultura por parte de
muitos produtores, e sua substituição por outras culturas de rendimento, tais como o gergelim.

Actualmente, culturas de rendimento “não tradicionais” estão a ser promovidas, como é o caso do
gergelim. A CLUSA (Credit League of the United States of America), uma ONG Americana de poupança e
crédito, está a apoiar um pouco mais de 3 mil produtores de gergelim na província de Nampula (Buss,
2007). Cabo Delgado, Tete, Manica e Zambézia constituem outras províncias com maior produção do
gergelim. Durante a campanha agrícola 2008-09 Moçambique produziu cerca de 37 mil toneladas de
gergelim (FAO/WFP, 2010).

Recentemente, a maior parte de investimentos em agro-processamento destina-se a cana-deaçúcar,


tabaco e chá (Benfica, Tschirley & Sambo, 2002). A área colhida da cana-de-açúcar na campanha
2010/11 foi de 35 376 hectares, o que representa um aumento de 9%, em relação à campanha anterior.
A produção obtida em 2010/11 foi a maior desde a independência, representando um crescimento de
12%, em relação a campanha anterior. Ademais, espera-se que se aumente a área de cultivo para 40 000
hectares na campanha 2011/12 em virtude do aumento na procura deste produto pelas 4 açucareiras
nacionais que actualmente se encontram em pleno funcionamento (Esterhuizen & Zacarias, 2011).
Agricultura e Pecuária

Agricultura e pecuária são atividades que constituem o setor primário da economia. A agricultura
refere-se ao cultivo de produtos agrícolas, e a pecuária, à criação de espécies animais.

Agri
cultura e pecuária designam duas importantes atividades econômicas do setor primário.

Agricultura e pecuária são atividades econômicas pertencentes ao setor primário e representam,


respectivamente, o cultivo de espécies vegetais e a criação de espécies animais. Essas atividades
podem ser desenvolvidas de diversas maneiras e para diversos fins. Desempenham importantes
papéis na economia, produzindo alimentos (de origem vegetal e animal) para atender à demanda
alimentícia mundial.
Diferenças entre agricultura e pecuária

O que é agricultura?

A agricultura representa o cultivo de espécies vegetais. Pode ser realizada em latifúndios e voltar-se
para a exportação.

Agricultura corresponde ao conjunto de técnicas usadas para o cultivo de espécies vegetais. O


responsável por realizar a agricultura é o agricultor. O que é produzido na agricultura destina-se
ao mercado alimentício ou às indústrias como matéria-prima para outros produtos, como o
algodão, que é transformado em tecido.
A agricultura pode ser realizada de diferentes maneiras, adequando-se às características do local
onde é realizada e também ao mercado que consumirá os produtos cultivados. Divide-se em dois
tipos segundo a extensão da área e a produtividade alcançada:

1. Agricultura intensiva: prática agrícola com muito capital investido, alta produtividade, mão
de obra qualificada e alto nível de mecanização. É realizada em áreas de grande extensão, e a
produção é destinada para a exportação.

2. Agricultura extensiva: prática agrícola com pouco capital investido, baixa produtividade,
mão de obra rudimentar, além de não haver emprego de tecnologias avançadas. É realizada em
pequenas propriedades rurais geralmente, e a produção destina-se ao mercado interno.

Outros tipos de agricultura

Agricultura familiar: é realizada por famílias, e a produção volta-se para a subsistência. A mão
de obra é rudimentar, e o terreno é normalmente pequeno. A agricultura familiar é extremamente
importante para a economia, pois representa 80% da produção de alimentos.

A agricultura familiar realiza em uma pequena propriedade rural diversos cultivos.


→ Agricultura comercial: também conhecida como agricultura moderna, representa o cultivo
de um único produto agrícola cuja produção é voltada para o mercado externo. É realizada em
grandes extensões de terra, possui alta mecanização e alta produtividade. Está associada a
grandes impactos ambientais, como desmatamento, exaustão do solo e perda de biodiversidade.

A agricultura comercial é realizada em grandes propriedades rurais, com produção


voltada para a exportação.

Agricultura sustentável: corresponde a uma prática agrícola que visa à preservação do meio
ambiente, gerando poucos danos a ele. Desenvolve ações como a diminuição do uso de
agrotóxicos e de fertilizantes e captação e reúso da água.
O que é pecuária?

Pecuária corresponde à criação de animais, geralmente com finalidade comercial. A criação


desses animais, além de abastecer o mercado alimentício, gera também matéria-prima, como a lã
e o couro, para a produção e obtenção de subprodutos.

A pecuária pode ser realizada de duas maneiras:


1. Pecuária extensiva: consiste na criação de rebanhos numerosos em pastos sem tratamento
especial, geralmente em áreas de grande extensão. Pode ser realizada tanto em áreas rurais
familiares como em grandes latifúndios. Não há grandes investimentos de capital e tecnologia
nesse tipo de pecuária. No caso da criação de gado, os animais são criados soltos e com certa
liberdade, como é o caso do gado de corte.

A pecuária extensiva representa a criação de grandes rebanhos em grandes áreas, em um regime


livre e sem tratamento especial.
2. Pecuária intensiva: consiste na criação de pequenos rebanhos em confinamento e apresenta
tratamentos especiais. Essa prática utiliza diversas técnicas modernas, como manipulação
genética e inseminação artificial, além de haver grande produtividade.

A pecuária intensiva consiste na criação de animais em confinamento e dá tratamento


especial ao rebanho

" O que é pecuária?

A pecuária é uma actividade económica pertencente ao sector primário que diz respeito à criação
de animais para a comercialização directa, para o fornecimento de matérias-primas empregadas
em outros sectores produtivos (como couros, lãs e peles) e, principalmente, para a produção de
alimentos como carnes, leites, ovos e mel.

Tipos de pecuária
Quando falamos em pecuária, a primeira coisa que nos vem à mente é a criação do gado bovino.
No entanto, todo e qualquer tipo de criação de animais com fins económicos e para a
alimentação estão inclusos no escopo da pecuária. Existem, portanto, diferentes tipos em que
essa actividade pode ser dividida, e até mesmo dentro dessa separação são identificadas
finalidades distintas.

A primeira forma de se categorizar a pecuária é com base na criação propriamente dita, ou seja,
de acordo com a espécie animal envolvida nos processos. Tem-se, com isso, as pecuárias:

 bovina (bois e vacas);


 suína (porcos);
 caprina e ovina (cabras, bodes e ovelhas);
 equina (cavalos);
 bufalina (búfalos);
 avicultura e aquicultura, que se tratam, respectivamente, da criação de aves, como
galinhas, frangos, patos e gansos, e de peixes e demais espécies de pescados e animais
aquáticos.

A pecuária pode ser classificada também conforme a sua finalidade produtiva, dividindo-se em:

Pecuária de corte: destinada à produção exclusiva de carnes para o consumo. O destaque nessa
categoria são as carnes bovina e suína, mas elas não são as únicas geradas pela pecuária de corte.

Pecuária leiteira: voltada à produção de diversos tipos de leite, o qual pode ser direcionado sem
intermediários ao consumidor final ou ainda se tornar matéria-prima para a indústria de
laticínios, que produz queijos, manteiga, creme de leite, iogurte, leite pasteurizado e outros
produtos derivados.

Pecuária de lã: a produção de animais se volta para a obtenção de lãs, as quais são derivadas de
ovinos e caprinos.

A pecuária pode ser classificada, de acordo com a sua finalidade de produção, em: de corte,
leiteira ou de lã.

Modalidades da pecuária
As modalidades da pecuária dizem respeito à maneira pela qual se dá a criação dos animais,
como a utilização do espaço e as técnicas empregadas no manejo dos rebanhos.

Pecuária extensiva: a criação é feita em extensas áreas, por isso o seu nome, nas quais os animais
ficam soltos para circularem e para se alimentarem da pastagem disponível. A tecnologia
empregada nessa modalidade é baixa, da mesma forma como os investimentos necessários para o
estabelecimento da produção e de manutenção. Com isso, a pecuária extensiva apresenta baixos
níveis de produtividade comparativamente à pecuária intensiva.

Pecuária intensiva: diferentemente da primeira, na pecuária intensiva os animais são criados em


confinamento, com condições adaptadas, alimentação balanceada e enriquecida e cuidados
veterinários necessários, preocupando-se assim com a qualidade do produto final. Observa-se
nessa modalidade o emprego intensivo de tecnologia e mão de obra, assim como há a demanda
de um alto grau de investimentos, o que lhe confere alta produtividade.

Pastoreio nômade: essa modalidade se assemelha à pecuária extensiva. No entanto, é um tipo de


produção destinado à subsistência do produtor e de seus familiares, com a comercialização dos
excedentes nos circuitos comerciais locais.

Importância da pecuária

A criação de animais para a alimentação e a obtenção de peles está presente na história da


humanidade há muitos séculos, sendo importante para a subsistência de agrupamentos humanos.
No decorrer do tempo, a relevância dessa atividade deixou de ser atrelada exclusivamente à
sobrevivência e se tornou econômica, representando assim uma fonte importante de receitas para
economias locais e nacionais, além de gerar diversos empregos direta e indiretamente.

Os produtos derivados da pecuária, como as carnes (destacando-se a bovina), os leites e as peles


e os couros, ocupam uma posição de destaque na cesta de exportação de muitos países, como
Brasil, Austrália, Argentina, Estados Unidos e Índia. Além do mercado externo, a atividade
pecuária é responsável pelo abastecimento dos mercados internos com alimentos (carnes, leites,
ovos, mel) e matérias-primas que serão utilizadas principalmente na produção de outros gêneros
alimentícios, calçados e vestuário.
Problemas ambientais causados pela pecuária

Um dos problemas ambientais causados pela pecuária é a substituição de vegetação nativa por
pastagem.

A criação de animais pode gerar um conjunto de problemas ao meio ambiente, especialmente a


pecuária bovina. Listamos os principais deles abaixo.

Desmatamento e queimadas: a criação de animais em espaços abertos pode ocasionar a remoção


da vegetação nativa para a instalação da pastagem, causando alterações no solo, afetando os
corpos d’água e destruindo os habitat da fauna local. Entre as técnicas utilizadas para a abertura
de áreas, estão as queimadas, altamente prejudiciais para o meio ambiente.

Compactação do solo: o pisoteio do gado intensifica a pressão sobre o solo e modifica a sua
estrutura física por meio do processo de compactação, que reduz a porosidade e aumenta seu
grau de impermeabilização. Como consequência, a água das chuvas não consegue infiltrar no
solo e há o aumento do escoamento superficial, que potencializa os processos erosivos. A
circulação dos nutrientes e gases necessários ao desenvolvimento dos cultivos e da cobertura
vegetal é também dificultada, o que altera a composição química desse solo e prejudica futuros
plantios.

Emissão de gases poluentes na atmosfera: como resultado do processo digestivo, os animais,


especialmente os bovinos, emitem o gás metano (CH4) — um tipo de gás poluente que contribui
diretamente para a intensificação do efeito estufa e, por conseguinte, para o aquecimento global.

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