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Processo Civil II: Petição Inicial e Requisitos

Apostila com conteúdo de processo civil I, na faculdade Universo

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Aline Vitória
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Processo Civil II: Petição Inicial e Requisitos

Apostila com conteúdo de processo civil I, na faculdade Universo

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PROF. MS.

MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

MATERIAL DIDÁTICO DE

PROCESSO
CIVIL II

PROF: MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA


VERSÃO 2023-2
PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

PROCESSO CIVIL II

DO PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTO DE SENTEÇA


DO PROCEDIMENTO COMUM

DISPOSIÇÕES GERAIS

Utilidade do procedimento comum:


Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento
comum, salvo disposição em contrário deste Código
ou de lei.
Parágrafo único: O procedimento comum aplica-se
subsidiariamente aos demais procedimentos
especiais e ao processo de execução

Uma grande mudança se operou neste conteúdo: não existe mais o


procedimento sumário.
Destaca-se também a não aplicabilidade deste procedimento nos
procedimentos de jurisdição voluntária, consoante o disposto nos arts. 318 e 719 do
NCPC.

FASE POSTULATÓRIA
Da petição Inicial:
Requisitos:
Art. 319. A petição inicial indicará:
I - o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a
existência de união estável, a profissão, o número de
inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço
eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do
réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a
verdade dos fatos alegados;
VII - a opção do autor pela realização ou não de
audiência de conciliação ou de mediação.
§ 1o Caso não disponha das informações previstas no
inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao
juiz diligências necessárias a sua obtenção.
§ 2o A petição inicial não será indeferida se, a
despeito da falta de informações a que se refere o
inciso II, for possível a citação do réu.
§ 3o A petição inicial não será indeferida pelo não
atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a
obtenção de tais informações tornar impossível ou
excessivamente oneroso o acesso à justiça.
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

Juntada de documentos, outro requisito:


Além dos indicados no art. 319 deve o autor cumprir o disposto no art. 320 do
NCPC:

Art. 320. A petição inicial será instruída com os


documentos indispensáveis à propositura da ação.

Indeferimento da inicial por não cumprimento dos arts. 319 e 320 do NCPC,
possibilidade de emenda à inicial:

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não


preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que
apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento de mérito, determinará que o
autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a
complete, indicando com precisão o que deve ser
corrigido ou completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência,
o juiz indeferirá a petição inicial.

Considerações sobre o pedido


O pedido deve ser certo e determinado (arts. 322 e 324 do NCPC)
Pedido certo é aquele feito pelo autor e que indica com precisão o que
pretende em termos de tutela jurisdicional. A regra é a de que o magistrado não
pode conceder nada além e nem diferente do que foi pedido e pelas razões que foi
pedido. É o princípio da vinculação do Juiz ao pedido (art. 492 do NCPC).
Pedido determinado é aquele que deve indicar a quantidade e a qualidade do
que pretende o autor (caput do art. 324 do NCPC).
Há exceções à regra do pedido determinado, contido no caput do art. 324, e
que se encontra nos seus §§ e incisos.
Compete ao magistrado levar em consideração o conjunto da postulação e
não apenas o que se encontra na petição no local indicado como “do pedido”, bem
como o princípio da “boa-fé”. É a regra estampada no § 2º do art. 322 do NCPC.
Pedidos implícitos ou efeitos anexos das decisões judiciais para
SCARPINELLA: são os dispostos no § 1º do art. 322 e no art. 323 ambos do NCPC.

Alteração do pedido ou da causa de pedir pelo autor: sem o


consentimento do réu até antes da citação; com o seu consentimento até o
saneamento do processo (art. 329 do NCPC)
Vide artigos 322 ao 329 do NCPC sobre o pedido e suas particularidades.

JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DA PETIÇÃO INICIAL


Após as providências cartorárias, o magistrado realizará o juízo de
admissibilidade da petição inicial.
Para fins didáticos haverá três hipóteses a saber: a) a petição preenche
adequadamente seus requisitos, resultando na determinação da citação do réu; b) a
petição não preenche seus requisitos e é cabível emenda; c) a petição será
indeferida liminarmente, isto é, desde logo.
Chamaremos respectivamente de: juízo de admissibilidade positivo; juízo de
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

admissibilidade neutro; juízo de admissibilidade negativo.

Juízo de admissibilidade positivo:


Pressupõe que a petição inicial seja considerada adequada do ponto de vista
formal, pelo magistrado.

Juízo de admissibilidade neutro:


Quando a petição inicial não cumpre os requisitos legais exigidos e que seja
possível (mais que isto, que seja desejável), que seus vícios sejam supridos,
viabilizando o desenvolvimento válido e regular do processo, com a citação do réu.
OBS: deverá o magistrado indicar com precisão o que precisa ser corrigido ou
completado, (art.321 do NCPC), no prazo de 15 dias.

Juízo de admissibilidade negativo:


O juízo de admissibilidade negativo pode ser proferido por razões de cunho
processual (art. 330 e 331) e também por razões de mérito (art. 332)

Hipótese de cunho processual


- Indeferimento da inicial (art. 330)
- recurso cabível para o indeferimento da inicial: apelação, cabível retratação
pelo magistrado em 5 dias (caput do art. 331 do NCPC).

Hipótese de razões de mérito


- improcedência liminar do pedido (art. 332 do NCPC)
Neste caso o juiz proferirá decisão de mérito antes de citar o réu.

AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO OU DE MEDIAÇÃO (art. 334 do NCPC)


Contida no ato seguinte do juízo de admissibilidade positivo da petição inicial.
Em regra a citação será para chamar o réu para audiência de conciliação ou
mediação. A audiência será marcada com antecedência mínima de 30 dias e a
citação do réu será feita com pelo menos 20 dias antes da audiência.
Regra diversa ocorria no CPC 73 em que o réu era citado para responder em
quinze dias.
Só não ocorrerá em duas situações: quando ambas as partes manifestarem
no desinteresse na composição amigável, ou, quando não se admitir a
autocomposição. (§ 4º do art. 334 do NCPC)

CONTESTAÇÃO, RECONVENÇÃO, REVELIA E OUTROS COMPORTAMENTOS


DO RÉU
A defesa, compreendida desde o “modelo constitucional do direito
processual”, é o direito subjetivo público de o réu resistir á pretensão do autor
tendente à obtenção, em seu favor, de tutela jurisdicional consistente na rejeição do
pedido autoral. É a contraface do direito de ação.

Contestação:
“É a contraposição formal ao direito de ação tal qual exercido pelo autor e
materializado na petição inicial”. Se justifica em face dos princípios da ampla defesa,
do contraditório, bem como da isonomia e do acesso á justiça.
Princípios orientadores:
- princípio da concentração da defesa (toda matéria de defesa deve ser
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trazida pela contestação, seja de cunho processual ou substancial);


- princípio da eventualidade (a possibilidade e a recomendação de o réu
arguir toda a defesa possível caso uma ou alguma delas seja rejeitada pelo
magistrado);
- princípio da impugnação especificada (que se relaciona com a defesa de
mérito e que exige que o réu se manifeste especificamente, precisamente, sobre
todos os fatos alegados pelo autor) OBS: Fato não controvertido é fato tido como
verdadeiro, e como tal passível de ser acolhido pelo magistrado.

Prazo
- 15 dias de acordo com as hipóteses do art. 335 do NCPC

Preliminares
Dizem respeito à higidez do processo e ao escorreito exercício do direito de
ação, e devem ser arguidas antes das defesas relativas ao mérito. (art. 337 do
NCPC).

Alguns conceitos relativos às preliminares:


- perempção: hipótese de o autor ter formulado o mesmo pedido, com base
na mesma causa de pedir em face do réu por três vezes anteriores e ter dado ensejo
à extinção do processo sem resolução de mérito por abandono de causa em cada
uma delas.
- litispendência e coisa julgada: litispendência se volta para a existência de
duas demandas idênticas e em curso concomitantemente; a coisa julgada trata de
demandas idênticas mas uma já transitou em julgado.
- OBS: perempção, litispendência e coisa julgada são pressupostos negativos
(devem estar ausentes para viabilizar o desenvolvimento válido do processo)

- conexão: é fator que modifica a competência. Hipótese em que duas


demandas, por terem em comum o pedido ou a causa de pedir, devem tramitar no
mesmo juízo.

- continência: dá-se a continência entre duas ou mais ações quando houver


identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais
amplo, abrange o das demais (art. 56 do NCPC). Ou se profere sentença sem
resolução de mérito na ação contida ou se reúnem as ações no juízo prevento (arts.
57 e 58 do NCPC)

Defesas de mérito (defesas substanciais)


Se voltam ao conflito de interesses ao direito material arguido pelo autor.
Defesa de mérito direta e defesa indireta:
- direta é aquela que nega o fato constitutivo do direito do autor ou que nega
as consequências jurídicas pretendidas pelo autor. Dirige-se à própria pretensão do
autor visando ao desfazimento dos fundamentos de fato e/ou de direito e,
consequentemente, de seu pedido.
- indireta caracteriza-se pela aceitação dos fatos e das consequências
jurídicas trazidas pelo autor pelo réu. Só que o réu ao fazê-lo leva ao processo
novos fatos que têm o condão de extinguir, impedir ou modificar os fatos e/ou as
consequências jurídicas pretendidas pelo autor. São chamadas de exceções
substanciais que tem o condão de ampliar a matéria cognitiva do magistrado.
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

- fatos impeditivos: são os que querem obstacularizar ou retardar a


projeção dos efeitos pretendidos pelo autor em sua inicial. Exs. exceção de contrato
não cumprido; todas as nulidades ou anulabilidades dos atos jurídicos em geral; a
transação que fixou novo prazo para pagamento da dívida.
- fatos modificativos: são aqueles que buscam alterar as
consequências jurídicas do direito do autor. Exs. compensação; redução do valor
pedido; alegação de culpa concorrente; parcelamento da dívida; cessão de crédito.
- fatos extintivos: são todos aqueles cuja eficácia elimina o direito do
autor. Exs. com o pagamento; com a existência de outros consortes no período da
concepção; com a remissão (perdão) da dívida e com a prescrição.
A defesa de mérito, seja direta ou indireta, busca tornar controvertidos os
fatos narrados pelo autor.
OBS: o parágrafo único do art. 341 retira do advogado dativo, do defensor
público e do curador especial a aplicação do princípio da impugnação especificada,
sendo legítima a “negativa geral”.

Matérias que devem ou não ser acolhidas ex officio


Dispõe o § 5º do art. 337 do NCPC:
§ 5º Excetuada a convenção de arbitragem e a
incompetência relativa, o juiz conhecerá de
oficio das matérias enumeradas neste artigo.

OBS: vide arts. 9º, 10º, e parágrafo único do art. 487 do NCPC.

Retificação do polo passivo


O NCPC retirou do seu texto a nomeação à autoria, mas a sua essência
continua viva quando estabeleceu a substituição do réu do polo passivo, quando
este não for parte legítima para responder. É o que se vê nos artigos 337 e 338 do
NCPC.

Da alegação de incompetência relativa ou absoluta


A alegação de incompetência relativa ou absoluta permite que a contestação
seja protocolada no foro de domicílio do réu. Ao recebê-la o juiz deverá comunicar
imediatamente ao juiz da causa, preferencialmente por meio eletrônico. (Art. 340 do
NCPC)

Manifestação do réu sobre os fatos alegados na petição inicial


Arts. 341 e 342. Novidade foi a retirada do MP que podia fazer contestação
genérica, e no NCPC não pode mais.

DA RECONVENÇÃO
Trata-se da possiblidade de o réu, no mesmo processo em que demandado,
demandar o autor, pedindo em face dele tutela jurisdicional de qualidade diversa
daquela que pretende obter com a rejeição do peido do autor. (SCARPINELLA)
Novidade é que a reconvenção não é mais em peça autônoma e em apenso à
contestação e inicial, mas na própria peça de contestação, em capítulo próprio.
Requisito básico para reconvenção: seja conexa com a ação principal ou com
o fundamento da defesa.

Reconvenção sem contestação


DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

Pode o réu propor reconvenção independentemente de oferecer contestação,


conforme disposto no § 6º do art. 343 do NCPC.
Proposta reconvenção o autor será intimado para responder em 15 dias, na
pessoa do seu advogado.

Reconvenção à reconvenção
Não há proibição. Se isto acontecer o réu será intimado em 15 dias, na
pessoa de seu advogado para responder. Vedado este procedimento na ação
monitória (§ 6º do art. 702).

Desistência ou extinção da ação


A desistência ou extinção da ação não obsta o prosseguimento da
reconvenção (§ 2º do art. 343 do NCPC)

Reconvenção e terceiro
A novidade do NCPC está nos §§ 3º e 4º do art. 343.

Valor da causa
Deve a reconvenção informar o valor da causa, conforme disposto no art. 292
do NCPC.

Estabilização da lide reconvencional


As mesmas regras da lide. (parágrafo único do art. 329 do NCPC)

Anotações no distribuidor
Não significa numeração própria e nem mesmo autuação em separado ou em
apenso. (art. 286 do NCPC)

Despesas processuais e honorários advocatícios


Não há previsão de pagamento de custas pelo fato do réu estar reconvindo,
todavia, os honorários sucumbências são de responsabilidade do perdedor (§ 1º do
art. 85 do NCPC)

REVELIA
Quando citado não se manifesta, ou quando ocorre manifestação a destempo,
o réu será considerado revel e, diante deste estado processual (de revelia), é
possível que os fatos alegados pelo autor sejam presumidos verdadeiros (art. 344 do
NCPC).
A presunção será afastada se ocorrer as hipóteses previstas no art. 345 do
NCPC.
Outros comportamentos do réu
Além do comportamento esperado do réu para contestar (arts. 335 a 342),
reconvir (art. 343) ou ser revel (arts. 344 a 346), poderá ainda, no prazo de que
dispõe para contestar e/ou reconvir: requerer o desmembramento de litisconsórcio
(art. 113, § 2º); denunciar à lide (art. 126); chamar ao processo (art. 131); requerer a
falsidade de documento apresentado pelo autor (art. 430); requerer a exibição de
documentos ou coisa em face do autor e/ou terceiro (arts. 397 e 401) e, por fim,
reconhecer a procedência do pedido (art. 487, III, “a”), o que, aliás, é incentivado nos
termos do § 4º do art. 90 com a redução pela metade dos honorários advocatícios.
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

DaTutela Provisória

Requisitos da petição inicial: disposto no art. 303 do NCPC.


Art. 303. Nos casos em que a urgência for
contemporânea à propositura da ação, a petição
inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela
antecipada e à indicação do pedido de tutela final,
com a exposição da lide, do direito que se busca
realizar e do perigo de dano ou risco ao resultado útil
do processo.
OBS: o art. 303 não pode ser visto de forma isolada. É imperativo o
cumprimento do disposto no art. 300 do NCPC, com a demonstração do periculum in
mora e do fumus boni iuris, por meio de cognição sumária pelo juízo do feito.

Dever de aditar a petição após a concessão da liminar


Vide §§ 1º ao 5º do art. 303 do NCPC.

Do indeferimento da tutela pretendida


Disposto no § 6º do art.303, em face de entendimento do magistrado de que
não há elementos para a concessão da tutela antecipada, este determinará a
emenda da inicial em cinco dias, sob pena de indeferimento e de extinção de
processo sem resolução de mérito.

Da estabilidade da tutela antecipada: art. 304 do NCPC.


- se concedida total ou parcial e não houver recurso pelo réu (agravo de
Instrumento), a decisão que era momentânea se torna estável (algo firme, inalterável
ou invariável). Se não for interposto em tempo hábil o processo será extinto. OBS:
esta regra só se aplica nos casos de tutela preparatória.
- o disposto incentiva o uso de agravo de instrumento.
- no caso de competência originária o recurso cabível é de agravo interno.
- no caso de indeferimento não há que se falar em estabilização e nem de
aplicação do art. 304 do NCPC.
- enquanto não revista, reformada ou invalidada, a tutela concedida conserva
os seus efeitos. E como deve proceder a parte que quiser modificar de alguma
forma, a tutela antecipada preparatória com seus efeitos já estabilizados? Deve
propor uma ação em até dois anos, sob pena de decadência, sendo lícito o pedido
de desarquivamento dos autos pra instruir a ação. O juízo que deferiu a tutela
antecipada é prevento para a ação de alteração que se pretende.
- a decisão que concede a tutela antecipada antecedente não fará coisa
julgada. Seus efeitos, no entanto, estarão estabilizados até que surta a ação do § 2º
do art. 304. Se a ação não for proposta no prazo de dois anos, então, aí sim,
poderemos falar em coisa julgada.

PROCEDIMENTO DA TUTELA CAUTELAR REQUERIDA EM CARÁTER


ANTECEDENTE
Requisitos da petição inicial: disposto no art. 305 do NCPC:
Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação
de tutela cautelar em caráter antecedente indicará a
lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito
que se objetiva assegurar e o perigo de dano ou o
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

risco ao resultado do processo.


Parágrafo único: Caso entenda que o pedido a que
refere o caput tem natureza antecipada, o juiz
observará o disposto n art. 303.

OBS: em que pese não constar de forma expressa, deve ser demonstrado o
fumus boni iuris e o periculum in mora.

Fungibilidade da tutela de urgência


Como a tutela de urgência é uma só, mas apenas com a possibilidade de ter
caráter antecipatório ou cautelar, cujos requisitos são os mesmos, deve o
magistrado aplicar o princípio da fungibilidade e receber uma ação por outra.

Citação, contestação e provas


Citação em cinco dias para contestar o pedido e indicar as provas que
pretende produzir (art. 306 do NCPC).

Ausência de contestação
Gera a confissão e revelia, presumindo-se aceitos pelo réu como verdadeiros
os fatos narrados pelo autor. (art. 307 do NPC)

Procedimento aplicável
Se houver contestação, o juiz deverá observar o procedimento comum.
(parágrafo único do art. 307 do NPC)

Da apresentação do pedido principal após a efetivação da tutela cautelar


Nos mesmos autos da medida cautelar, sem necessidade de recolhimento de
novas custas, em trinta dias após efetivada a medida. (art. 308 do NPC).

Da apresentação do pedido principal após a efetivação da tutela


Art. 308 do NCPC.

Cessação da eficácia da tutela cautelar preparatória


Disposto no art. 309 do NCPC.

Independência relativa entre tutela cautelar e a tutela definitiva


“O indeferimento da tutela cautelar não obsta a que a parte formule o pedido
principal, nem influi no julgamento desse, salvo se o motivo do indeferimento for o
reconhecimento da decadência ou da prescrição”, conforme disposto no art. 310 do
NCPC.

TUTELA DE EVIDÊNCIA
A tutela de evidência, nada mais é, do que a tutela de urgência sem que seja
necessária a demonstração do periculum in mora, mas desde que, pelo menos uma
das hipóteses elencadas no art.311 do NCPC, estejam ocorrendo no processo.
Ressalte-se que a expressão “liminarmente”, constante do parágrafo único do
art. 311 do NCPC, que dizer “inaudita altera pars”.

Requisitos da tutela de evidência:


a) necessidade de ocorrência de uma das hipóteses descrita nos incisos I a
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

IV do art. 311;
imprescindibilidade de que o autor demonstre o fumus boni iuris.
FASE ORDINATÓRIA
DAS PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES E DO SANEAMENTO
Da não incidência dos efeitos da revelia
Se o réu não contestar a ação e o juiz verificar que não ocorreu os efeitos da
revelia (art. 344), ordenará ao autor que especifique as provas que pretende
produzir, se não as tiver indicado (art. 348 do NCPC).
O NCPC permite ao réu revel a produção de provas, contrapostas às
alegações do autor, desde que faça a tempo de praticados atos indispensáveis a
essa produção (art. 349 do NCPC).

Da impugnação á contestação
O autor será intimado para oferecer impugnação á contestação apenas se o
réu apresentou alguma preliminar (art. 337) podendo produzir prova. (art. 351 do
NCPC)
Quando ocorrer a alegação pelo réu de fato impeditivo, modificativo ou
extintivo do direito do autor, este será ouvido no prazo de 15 dias, podendo produzir
prova (art. 350 do NCPC) OBS: defesa de mérito indireta (alegação de fato novo).
Havendo irregularidades ou vícios sanáveis estas devem ser supridas em ate
30 dias, por ordem do juiz. OBS: obrigatório indicar o vício a ser sanado e, qual a
consequência do seu não atendimento, com vista ao modelo de processo
cooperativo imposto pelo art. 6º do NCPC.
Cumpridas as providências preliminares ou não havendo a necessidade
delas, o Juiz proferirá julgamento conforme o estado do processo. (art. 353 do
NCPC)

DO JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO


Da extinção do processo
A extinção do processo ocorrera conforme as hipóteses previstas nos artigos
485 (julgamento sem resolução de mérito) e 487, incisos II e III (falsa sentença de
mérito).
OBS: a decisão do caput pode dizer respeito a parte do processo. (Parágrafo
único, art. 354 do NCPC). OBS: recurso cabível: agravo de instrumento

Do Julgamento Antecipado do Mérito


Vide art. 355.

Do Julgamento Antecipado Parcial do Mérito


Vide art. 356.

Do Saneamento e da Organização do Processo


Trata-se de o magistrado – em ampla cooperação com as partes e com
eventuais terceiros – preparar o processo para início da fase instrutória, no que é
claro o caput do art. 357, inclusive quanto à hipótese de incidência do dispositivo de
acordo com a não ocorrência dos eventos previstos nos arts. 354 a 356.

FASE INSTRUTÓRIA
DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

Importa afirmar que a fase instrutória d procedimento comum pressupões o


saneamento e a organização a que se refere o art. 357 e, antes disto que o caso não
seja de extinção do processo, nos moldes do art. 354, nem de julgamento
antecipado do mérito, como permite o art. 355. Nos casos de julgamento antecipado
parcial de mérito (art. 356), a fase instrutória se desenvolverá com relação ao que
ainda não foi julgado.

Abertura e adiamento da audiência


A abertura é formal, consoante dispõe o art. 358 do NCPC. Em dia e horário
marcados, será apregoada, ou seja, seu início será dado a conhecer às partes, seus
advogados, ao membro do MP e ao defensor público, na medida da sua
participação, bem como aos demais partícipes, como perito, assistentes técnicos e
testemunhas.

Tentativa de conciliação
Após declarada aberta a audiência o Juiz, sendo o caso, tentará conciliar as
partes, ou convencê-las a buscarem soluções alternativas para o conflito, como, a
mediação ou a arbitragem. (art. 359 do NCPC) OBS: pode ser que o direito não
permita autocomposição.

Adiamento da audiência (art. 362 do NCPC)


- por convenção entre as partes;
- se qualquer dos partícipes justificar a ausência;
- quando o início da audiência atrasar injustificadamente por mais de trinta
minutos do horário em que foi marcada (novidade)
OBS: com relação ao não comparecimento, a justificativa deve ser
apresentada até antes do início da audiência, sob pena da sua realização. (art. 362,
§ 1º)
OBS: as provas requeridas pela parte cujo advogado estiver ausente podem
ser dispensadas pelo magistrado, bem como quanto às requeridas pelo membro d
MP ausente. (art. 362, § 2º)
OBS: havendo adiamento as despesas correrão por conta de quem deu
causa (art. 362, § 3º)
OBS: sempre que houver adiamento ou antecipação da audiência de
instrução e julgamento, os advogados das partes serão intimados.

Instrução e debates
Não havendo composição ou não podendo haver, terá início a produção das
provas que justificam a designação da audiência.
Estas provas e o que elas versam já foi decidido anteriormente quando do
saneamento e organização do processo. (art. 357, II a IV do NCPC)
OBS: não há mais o que existia no CPC 1973 regra que exigia do magistrado,
no início da audiência “fixar os pontos controvertidos sobre os quais incidirá a prova”.
Com vistas ao modelo cooperativo de processo, as partes sabem claramente
e de antemão qual é a função de cada uma das partes (e de eventuais terceiros), na
audiência e nas provas a serem produzidas.

Ordem preferencial de produção de prova oral


O art. 361 do NCPC estabelece a ordem de preferencial para a produção da
prova oral:
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

- perito e assistente técnico, se houver, caso não tenham respondido


por escrito aos quesitos;
- depoimento pessoal do autor e depois do réu;
- testemunhas arroladas pelo autor e depois pelo réu;
OBS: enquanto depuserem os indicados anteriormente, não poderão os
advogados e o Ministério Público intervir ou apartear, sem licença do Juiz (parágrafo
único do art. 361 do NCPC). Regra que evidencia o poder de polícia do magistrado
estampada no art. 360 do NCPC.
OBS: o magistrado poderá alterar a ordem, dependendo das particularidades
do caso, ouvidas previamente as partes. Trata-se de aplicação do art. 139 o NCPC.

Dos debates orais (art. 364 do NCPC)


Colhidas as provas, têm início os debates orais em que cada advogado,
primeiro o do autor, e se houver o membro do MP, faz uso da palavra por até 20
minutos, prorrogáveis por mais 10 minutos a critério do juiz.
Se houver litisconsórcio ou terceiro interveniente, o prazo será somado, e
divido entre os do mesmo grupo, se não convencionarem de modo diverso.
Se a causa for complexa o debate oral poderá ser substituído por razões
finais escritas (memoriais), que serão apresentadas pelo autor e réu, e pelo membro
do MP quando houver, em prazos sucessivos de 15 dias, assegurada vista dos
autos.

Do Julgamento (art. 366 do NCPC)


Encerrados os debates orais o juiz proferira sentença na própria audiência, ou
em trinta dias quando oferecidos memoriais (art. 366 do NCPC).
O princípio da identidade física do Juiz, que deriva do princípio da oralidade
na sua concepção original, de inspiração Chiovendiana, orienta que o Juiz que
dirigiu a audiência de instrução de Julgamento deve proferir a sentença.
Tal princípio expresso n CPC 73 no art. 139, não está expresso no CPC 2015.
Todavia deve ser aplicado pois encontra-se no rol dos princípios implícitos do NCPC.
Há exceções como no caso do Juiz que dirigiu a audiência ter sido
convocado, licenciado, afastado por qualquer motivo, promovido ou aposentado.

Audiência deve ser documentada


Toda audiência deverá ser detalhada, sob ditado do juiz, mediante termo
redigido por servidor, que conterá em resumo, o ocorrido na audiência, bem como,
por extenso, os despachos, as decisões e a sentença, se proferida no ato. (art. 367
do NCPC)
Quando não for em meio digital o juiz rubricará todas as folhas do termo que
serão encadernadas em volume próprio.
Subscreverão o termo: o juiz, os advogados, o membro do MP e o escrivão ou
chefe da secretaria. As partes só o farão se houver ato de disposição para cuja
prática os advogados não tenham poderes.
O escrivão ou chefe e secretaria transladará para os autos cópia autêntica do
termo de audiência.
A audiência poderá ser integralmente gravada em imagem e em áudio.
A gravação poderá ser feita por qualquer das partes, independentemente de
autorização judicial.
A audiência será pública, com as devidas ressalvas legais (segredo de
justiça).
DIREITO CIVIL III – PROF. MS. MARCOS JOSÉ DE OLIVEIRA

DIREITO PROBATÓRIO
Princípios
- “atipicidade das provas”: de estatura constitucional, com previsão no art.
5º, LVI da CF e disposto no art. 369 do NCPC.
- “convencimento motivado do juiz” e do “aquisição da prova”: é o que
extrai do art. 371 do NCPC.
- “máxima eficiência dos meios probatórios”: disposto nos arts. 139, IV e
370, ambos do NCPC.
Na avaliação da prova o Juiz aplicará as regras de experiência comum e as
regras de experiência técnica, ressalvada a necessidade de realização de perícia
(art. 375 do NCPC).
Inova o CPC 2015 quando prevê no art. 370 caput, que cabe ao magistrado,
sem prejuízo da iniciativa das partes, “determinar as provas necessárias ao
julgamento do mérito”. Para enaltecer a regra de poder-dever do magistrado, o
parágrafo único dispõe de prerrogativa para o indeferimento de diligências inúteis ou
protelatórias, fazendo-o em decisão fundamentada. Trata-se de função a ser
cumprida por ocasião do saneamento e organização do processo (art. 357), para
otimizar a fase probatória.

Dever de colaboração para o descobrimento da verdade


Descobrimento da verdade significa formação do livre convencimento do Juiz,
em vista da verdade formal que orienta o CPC e NCPC.
O dever das partes está elencado no art. 379, que resguarda o direito da
parte em não produzir prova contra si mesmo.
Já o art. 380 dirige-se a terceiros, que impõe verdadeiro dever, que inclusive
respondem pela aplicação de multa, e outras medidas indutivas, coercitivas,
mandamentais ou sub-rogatórias, pelo descumprimento do preceito.

Prova emprestada
Inovação do NCPC permite a utilização de prova produzida em outro
processo, sempre que respeitado o contraditório na origem tanto quando no
processo que a utiliza (art. 372 do NCPC)

Princípio da mediação ou imediatidade da colheita de prova


Estabelece que o Juiz colhe diretamente a prova. Tal princípio foi mitigado
pelo NCP, visto que a colheita de provas não é feita diretamente pelo Juiz mas pelos
procuradores das partes, reservado o direito-dever ao Juiz de intervir para evitar
perguntas impertinentes, capciosas ou vexatórias (art. 459, § 2º do NCPC)

Ônus da prova
Deve ser compreendida de forma dupla: primeiro como regra dirigida às
partes de como se comportarem no processo frente às provas e suas alegações
(regra de procedimento); segundo como regra dirigida ao Juiz para que lhe permite
verificar e que medida as partes desincumbiram-se adequadamente de seu ônus
quando ainda não tenha se convencido acerca das alegações de fato relevantes
para a prática daquele ato (regra de julgamento).

Regra do ônus da prova entre as partes


O art. 373 dispõe que compete o ônus da prova ao autor de fato constitutivo
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de seu direito; e ao réu quando alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do


direito do autor.

Modificação do ônus da prova


Inovação do NCPC ao possibilitar ao magistrado disciplinar de modo diverso o
ônus da prova entre as partes, desde que devidamente fundamentada suas razões
(§§ 1º e 2º do art. 373 do NCPC) e, desde que não seja impossível ou
excessivamente oneroso o cumprimento do encargo. OBS: a modificação pode ser
legal ou judicial. OBS: A regra é de procedimento e não de julgamento.

Distribuição do ônus da prova por convenção entre as partes


Há previsão legal de distribuição do ônus da prova por convenção entre as
partes, salvo quando recair sobre direito indisponível da parte, ou tornar
excessivamente difícil a uma parte o exercício do seu direito (incisos I e II, § 3º do
art. 373 do NCPC)
A convenção entre as partes pode ser celebrada antes ou durante o processo.
Trata-se de regra de procedimento e não de julgamento.

Objeto da prova
Não é qualquer fato que precisa ser provado em Juízo, mas apenas os
relevantes e os pertinentes para a formação da convicção do Juiz.
Alguns fatos sequer precisam de prova. São os indicados pelo art.374 do
NCPC.

Dinâmica da prova
Há quatro estágios em relação à prova, em geral aceitos pela doutrina, que
merecem destaque.
- a prova em si mesma considerada não pode ser confundida com o
requerimento ou a determinação de sua produção (proposição);
- o deferimento de sua produção (deferimento);
- a sua efetiva produção (produção);
- e a sua análise, isto é, sua valoração pelo magistrado.

Produção antecipada de prova


Mediante os ditames do art. 381 do NCPC, que, ressalte-se, aboliu todos os
processos cautelares específicos, dentre eles os voltados à produção (conservação)
de provas.
Novidade as que viabilizam a autocomposição ou outro meio adequado de
solução de conflito, ou dar conhecimento dos fatos para justificar ou evitar o ingresso
no judiciário (incisos I e II do art. 381 do NCPC).

Ata Notarial
Deve ser compreendido como meio de prova em que o tabelião atesta ou
documenta a existência e/ou o modo de existir algum fato, mesmo que sejam dados
representados por imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos. (art. 384 do
NCPC)

Depoimento pessoal
De forma genérica é o meio pelo qual as próprias partes são ouvidas pelo
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magistrado a respeito dos fatos controvertidos. Ela é produzida, em regra, na


audiência de instrução e julgamento.
Pode o depoimento pessoal assumir a feição de interrogatório (inciso VIII do
art. 139 do NCPC), vedado a aplicação da pena de confesso.
Outra forma admitida para depoimento pessoal das partes é a possibilidade
da parte dirigir-se a juízo para narrar ou esclarecer o que ocorreu ou deixou de
ocorrer. (forma atípica)

Produção do depoimento
O depoimento pessoal na sua feição tradicional tem por objetivo obter a
confissão da parte contrária, isto é, a admissão, como verdadeiros, de fatos que lhe
são prejudiciais (art. 385, § 1º, e art. 389)
A parte deve responder às perguntas que lhe forrem feitas pessoalmente,
sem a ajuda de escritos, salvo para complemento das informações, mediante notas
breves.
Há perguntas que a recusa é lícita e que estão dispostas no art. 388.
O depoimento por vídeo conferência é novidade que será aplicada (§ 3º do
art.385 do NCPC).

Confissão
Meio de prova pelo qual uma parte admite verdade de fato contrário ao seu
interesse e favorável ao adversário (art. 389 do NCPC).
OBS: por decorrer da própria parte não é mais importante que as demais,
visto que não há hierarquia entre as provas.
Não é admissível confissão para direitos indisponíveis (art. 392, caput do
NCPC), sendo ineficaz quando feita por quem não for capaz de dispor do direito a
que se refere o fato confessado (art. 392, § 1º do NCPC).
Se feita por representante só tem eficácia dentro dos limites da representação
(art. 392, § 2º do NCPC).
A confissão é irrevogável, todavia, pode ser anulada por erro de fato ou de
coação (art. 214 do CC). OBS: a anulação só pode ser requerida pelo confitente
(aquele que confessa) e pelos seus herdeiros, se ele falecer após o início do
processo em que se pretende a anulação.
OBS: havendo dolo ou coação, simulação ou colusão entre as partes (art.
966, III), ou quando a decisão baseia-se nela, provada falsa nos termos do inciso VI
do art. 966, o objetivo da tutela jurisdicional será o desfazimento da coisa julgada e
não propriamente a invalidação da confissão pelos motivos autorizadores do art.
393.
A confissão é indivisível. A parte não pode tomar uma parte que lhe traga
benefícios e deixar outra que não lhe satisfaça. Todavia, a cisão é admitida quando
houver fatos novos, capazes de constituir fundamento de defesa de direito material
ou de reconvenção.
Espécies e regime jurídico
Judicial ou extrajudicial (espécies da confissão real).
A judicial pode ser espontânea ou provocada.
Será espontânea quando feita por ato da parte ou seu representante com
poderes para confessar a pratica, reconhecendo verdadeiro um fato (art. 390, § 1º
do NCPC). Será reduzida a termo.
Será provocada quando for o resultado do “depoimento pessoal” (art. 390, §
2º, e art. 385, § 1º), constante da audiência de instrução e julgamento ou outra que a
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substitua.

A confissão ficta: é aquela que resulta, como sanção, da recusa da parte


cujo depoimento foi requerido, a comparecer ou a depor. "Consiste numa
consequência jurídica de ônus processual não cumprido. Se a parte, regularmente
intimada ao depoimento pessoal, deixa de comparecer ou se furta às perguntas,
aplica-se-lhe a consequência da presunção de confissão, admitindo-se como
verdadeiros os fatos, a respeito dos quais esta deveria depor. Admite-se,
evidentemente, a contraprova." Nessa modalidade de confissão não existe o
elemento intencional, ou seja, vontade de a parte confessar, nem mesmo qualquer
manifestação desta capaz de permitir a conclusão de que aceitou os fatos alegados
pelo adversário.
É, portanto, uma confissão sem palavras (tácita), que decorre de três
situações específicas:
- 1. ausência injustificada da parte à audiência em que deveria prestar
depoimento pessoal;
- 2. recusa, sem justificativa legal, em responder às perguntas que lhe são
formuladas;
- 3. fazer uso de desculpas ardilosas, ao responder às perguntas (arts. 385,
parágrafo 1ª, e 386, CPC).
A confissão judicial faz prova contra o confitente, contudo, não prejudica
eventuais litisconsortes, salvo se houver concordância de todos.
Confissão de cônjuge ou companheiro não vale sem a do outro, quando o
litígio versar sobre imóveis ou sobre direitos reais sobre imóveis alheios, salvo, no
primeiro caso, se casados sob o regime de separação total de bens.
A confissão extrajudicial realizada oralmente (única regra) só terá valor
quando a lei não exigir forma específica (art. 394, caput)

Exibição de documento ou coisa


Como tratada no NCPC é, ao mesmo tempo, meio de prova e meio de
obtenção de prova.
Exibição em face da parte contrária
O art. 397 do NCPC indica os requisitos a serem observados na formulação
do requerimento.
O requerido será intimado em cinco dias para responder. OBS: no caso de
processo em curso. Se for preparatória exige-se citação.
Em caso da parte contrária afirmar que não possui o documento ou a coisa,
será possível o requerente produzir prova em contrário. (parágrafo único do art. 398
do NCPC).
Há motivos que tornam injusta a recusa do requerido em entregar o
documento ou coisa. O art. 399 do NCPC traz a regra. Todavia, há motivos que
tornam justa a recusa (art. 404 do NCPC).
Não apresentado o documento ou a coisa, não justificado porque não o fez ou
sendo considerada injusta a recusa (vide arts. 399 e 404 do NCPC), o magistrado
proferirá decisão na qual “admitirá como verdadeiros os fatos que, por meio do
documento ou da coisa, a parte pretendia provar” (art. 400, caput). OBS: nem
sempre será gerada a presunção indicada no caput do art. 400 do NCPC. Isto se
dará quando a presunção não indicar nenhum substrato fático mínimo de ser. OBS:
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A decisão pode ser enfrentada com Agravo de Instrumento por expressa autorização
(inciso VI do art. 1.015 do NCPC).

Exibição requerida em face de terceiro


Documento ou coisa na posse de terceiro, este será citado (porque não
participava do processo), para responder no prazo de 15 dias, com pedido feito nos
moldes do art. 397 do NCPC.
Se o terceiro negar que possui o documento ou a coisa ou se negar que tem o
dever de exibi-lo (a), o magistrado designará audiência (chamada de especial) para
tomada de seu depoimento e das partes e, se for o caso, das testemunhas, para em
seguida decidir (art. 402 do NCPC).
Se não houver motivo justo para a recusa do terceiro, o juiz ordenará que
deposite o documento ou a coisa em cartório, ou em outro lugar designado, em cinco
dias, impondo ao interessado que o ressarça pelas despesas eu tiver.
Descumpria a ordem o juiz expedirá mandado de busca e apreensão, sem
prejuízo da responsabilidade por crime de desobediência, multa e outras medidas
(parágrafo único do art. 403 do NCPC).

Exibição de documento de ofício


Dispõe o at. 397 do NCPC que:
“O juiz pode ordenar que a parte exiba documento ou
coisa que se encontre em seu poder”
Vide a perspectiva dos arts. 420 e 438, ambos do NCPC, que reforçam a tese
da possibilidade de exibição de documento ou coisa de ofício pelo magistrado.
O procedimento a ser observado nestes casos será o dos arts. 397 e 401 do
NCPC, distinguindo-se, apenas, a necessária intimação da parte para manifestação
em cinco dias, da citação do terceiro, que disporá de quinze dias para, querendo,
manifestar-se.

Prova documental
Há três classificações que auxiliam na compreensão da prova documental.
A primeira é a que distingue documentos públicos de particulares.
A segunda conduz à distinção entre documentos autênticos e os não
autênticos.
A terceira leva em consideração a distinção entre autoria material e autoria
moral.

Documentos públicos e privados


São públicos quando emanados de quaisquer autoridades públicas,
independentemente da função por elas exercidas (administrativas, legislativas ou
jurisdicionais).
Serão privados os documentos cujo suporte tenha origem em pessoas
particulares.

Documentos autênticos e não autênticos


São autênticos aqueles documentos que se tem certeza quanto ao seu autor
material, isto é, aquele que o confeccionou.
São não autênticos aqueles documentos em que não é possível identificar o
seu autor.
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Documentos por “autoria material” e por “autoria intelectual”.


São documentos autógrafos quando o autor é aquele em que houver
coincidência entre aquele que confecciona o suporte do documento e o autor de seu
conteúdo. São documentos heterógrafos aqueles em que não há coincidência entre
o autor material e o autor intelectual.

Arguição de falsidade
A falsidade assume duas feições: formar documento não verdadeiro e alterar
documento verdadeiro.
Deve ser suscitada na contestação, na réplica ou no prazo de 15 (quinze)
dias, contado a partir da intimação da juntada do documento nos autos.
Após arguida de falsidade o juiz decidirá como questão incidental, salvo se
houver requerimento para decisão como questão principal, nos termos do inciso II do
art. 19 do NCPC (ação declaratória de autenticidade ou falsidade de documento).
A parte deverá expor os motivos em que funda a sua pretensão e os meios
com que provará o alegado.
Após ouvida a parte contrária será realizado exame pericial, que não será
realizado se a parte que produziu o documento concordar em retirá-lo.
Quando requerida como questão principal constará da parte dispositiva da
sentença e sobre ela incidirá também a autoridade da coisa julgada.

Da produção da prova documental


Os documentos são produzidos pelo autor junto da inicial e com o réu na
contestação.
Pode-se proceder à juntada de documentos no curso do processo desde que
sejam destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para
contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.
Admite-se também a juntada posterior de documentos que foram produzidos
após a inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos,
acessíveis ou disponíveis após esses atos.
A parte intimada deverá falar sobre os documentos e poderá utilizar do que
consta dos inciso do art. 436 do NCPC.
O réu manifestar-se-á na contestação sobre o documentos juntados com a
inicial e o autor sobre os documentos juntados com a contestação na Réplica.
Sempre que uma parte requerer a juntada d documento a outra será intimada
a se manifestar no prazo de 15 dias, que poderá ser dilatado, mediante
requerimento da parte, levando-se em conta a quantidade e a complexidade de
documentos.
Quando a parte for pessoa jurídica de direito público ou entes da
administração pública indireta, o juiz requisitará às repartições públicas, em qualquer
tempo ou grau de jurisdição, certidões necessárias à prova das suas alegações e
autos de processo administrativos.

DOCUMENTOS ELETRÔNICOS
Novidade no NCPC os artigos 439 a 441 tratam do assunto de forma clara e
explícita.

DA PROVA TESTEMUNHAL
Um dos meios de prova mais comum, pelo qual as testemunhais relatam
oralmente ao juiz as suas lembranças sobre os fatos ocorridos à medida que sejam
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questionados a seu respeito.

Admissibilidade e valor da prova testemunhal


É sempre admitida (art. 442 NCPC), não dispondo a lei de modo diverso, e
quando o fato já se encontra provado por documento, confissão da parte; o que
somente pode ser provado por documento ou perícia (art. 443 do NCPC).
OBS: o inciso II do art. 1.072 revogou expressamente o caput do art. 227 do
CCB.
Outra exceção à vedação da prova testemunhal é “quando o credor não pode
ou não podia, moral ou materialmente, obter a prova escrita da obrigação, em casos
como o de parentesco, de depósito necessário ou de hospedagem em hotel ou em
razão das práticas comerciais do local onde contraída a obrigação” (art. 445 do
NCPC), bem como a contida no art. 444 do mesmo diploma. OBS: ressalte-se que
as regras aqui mencionadas não tem razão de ser - a não ser para reforçar tal
pressuposto-, em virtude de que o NCPC consagrou a regra da prova
exclusivamente testemunhal para qualquer tipo de contrato.
Podem depor como testemunhas todas as pessoas, salvo incapazes,
impedidos ou suspeitos:
São incapazes: o interdito por enfermidade ou deficiência mental; o que,
acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os
fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a
transmitir as percepções; o que tiver menos de 16 anos; o cego e o surdo, quando a
ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam (§ 1º do art. 447).
São impedidos: o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente
em qualquer grau, e o colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por
consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou, tratando-se
de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder obter de outro modo a prova
que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito; o que é parte na causa; o que
intervém em nome de uma parte, como tutor, o representante legal da pessoa
jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes (§
2º do art. 447).
São suspeitos: o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo; o que tiver
interesse no litígio (§ 3º do art. 447).
OBS: os incisos I, II e IV do § 1º do art. 447 devem ser interpretados em
consonância com as regras estabelecidas pela Lei 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa
com Deficiência), e art. 228 do CCB, ofertando tratamento isonômico para que
possam testemunhar, inclusive viabilizando recursos tecnológicos de assistência ou
ajuda técnica.
OBS: pode o juiz admitir o depoimento das pessoas menores, impedidas ou
suspeitas, quando necessário, como informantes, isto é, sem que prestem o
compromisso de dizer a verdade nos molde do art. 458, valorando a prova em conta
desta especial circunstância.

Local da oitiva das testemunhas: na sede do juízo (art. 449); e na audiência de


instrução e julgamento (art. 361 caput, e 453 caput), exceto se ouvida
antecipadamente (art. 453, I), por carta (art. 453, II), vídeo conferência ou meio
similar de comunicação (§§ 1º e 2º do art. 453), a depender do estado de saúde ou
por outro motivo relevante não puder comparecer mas puder depor (parágrafo único
do art. 449).
Ainda serão ouvidas fora do juízo, em sua residência ou onde exerçam sua
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função: o presidente e o vice-presidente da República; os ministros de Estado; os


ministros do STF, conselheiros do CNJ, ministros do STJ, do STM, do TSE, do TST
e do TCU; o procurador-geral da República, o procurador-geral do Estado; o
procurador-geral do Município, o defensor público-geral federal e o defensor público-
geral do Estado; os senadores e deputados federais; os governadores dos Estados
e do DF; o prefeito; os deputados estaduais e distritais, os desembargadores dos
TJs, dos TRFs, dos TRTs e dos TREs e os conselheiros dos TCEs dos Estados e do
DF; o procurador-geral de justiça; o embaixador de pais que indique dia, hora e local
a fim de ser inquirida, remetendo-lhe cópia da petição inicial ou da defesa oferecida
pela parte que a arrolou como testemunha (art. 454, incisos I a XII e § 1º).

Fatos que as testemunhas não precisam depor


Contidos no art. 448, são só seguintes: fatos que lhes acarretem grave dano,
bem como ao seu cônjuge ou companheiro e aos seus parentes consanguíneos ou
afins, em linha reta ou colateral, até terceiro grau; a cujo respeito, por estado ou
profissão deva guardar sigilo.

Produção da prova testemunhal


O rol de testemunhas será apresentado ao ensejo do “saneamento e
organização do processo”. O § 6º do art. 357, limita em dez o número de
testemunhas, sendo no máximo de três para cada fato.
Novidade é quanto ao fato do advogado da parte que arrolou a testemunhar
poder informa-la ou intima-la da audiência via AR (§ 1º, art. 455), devidamente
comprovado nos autos em até três dias antes da audiência sob pena de desistência
(§ 3º, art. 455).
Poderá ainda a parte se comprometer em levar a testemunhas à audiência
independentemente de intimação, presumindo desistência a ausência da
testemunha.

Intimação da testemunha pelo órgão jurisdicional


Excepcionalmente será intimada pelo órgão jurisdicional. Será nos seguintes
casos: frustrada a intimação feita pelo advogado via AR; necessidade comprovada
pela parte; testemunha servidor público ou militar; testemunha arrolada pelo MP ou
Defensoria Pública; testemunhas indicadas no art. 454.

Condução coercitiva da testemunha


Indicada no § 5º do art. 455 do NCPC, quando devidamente intimada (§§ 1º
ou do 4º do art. 455) deixar de comparecer sem motivo justo, será conduzia “debaixo
de vara” e responderá pelas despesas do adiamento da audiência.

Alteração do rol de testemunhas


Após apresentado o rol a testemunha somente poderá ser substituída
quando: falecer, estiver enferma e não estiver em condições de depor, não for
encontrada por ter mudado de residência ou local de trabalho.

Magistrado arrolado como testemunha, enquanto juiz da causa.


Declarar-se-á impedido se tiver conhecimento dos fatos, sendo vedado á
parte que o inseriu no rol desistir do seu depoimento. Se nada souber mandará
excluir seu nome.
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Ordem da oitiva das testemunhas


Primeiro as do autor depois as do réu, separada e sucessivamente e
providenciará para que uma não ouça o depoimento das outras (caput do art. 456).
Poderá inverter a ordem de as partes concordarem (parágrafo único do art.
456)

Qualificação, contradita e compromisso


A testemunha será qualificada antes de depor, bem como informará se tem
parentesco ou interesse na causa (caput 457).
A contradita será oferecida no momento da qualificação da testemunha,
quando será arguido pela parte a sua incapacidade, ou impedimento, ou suspeição,
que em caso diante da negativa pelas testemunhas dos fatos narrados, possibilita a
utilização de prova documental ou mesmo testemunhal em até três (§ 1º do art. 457).
Provados ou confessados ou fatos a testemunhas será dispensada ou ouvida
como informante (§ 2º do art. 457).
Pode a testemunha se escusar de depor alegando os motivos previstos no
CPC (§ 3º do art. 457).
O compromisso será prestado após a qualificação e resolvido a contradita,
nos casos em que esta não surtiu efeito. O compromisso consiste em a testemunha
ser advertida das sanções se fizer afirmações falsas (art. 458), incorrendo na
tipificação do art. 342 do CP (crime de falso testemunho).

Forma de direcionamento das perguntas


São feitas pela parte (advogado) diretamente à testemunha, primeiro por
quem arrolou (caput art. 459). O juiz pode inquiri a testemunha antes ou depois das
partes (§ 1º do art. 459).
As perguntas que o Juiz indeferir serão transcritas no termo, se a parte o
requerer (§ 3º do art. 459).

Forma de documentar o depoimento das testemunhas


Por meio escrito (digitado, registrado por taquigrafia, estenotipia ou outro meio
idôneo) será assinado pelo juiz, pelo depoente e pelo procurador, ou por meio
digital.

Ordenação de oitiva de testemunhas


Pode o juiz, de ofício ou a requerimento da parte, ordenar a oitiva de
testemunha referida nas declarações das partes ou das testemunhas, ou mesmo
efetivar a acareação (art. 461)

Requerimento de pagamento de despesas pela testemunha


Pode a testemunhas requere o pagamento das despesas que teve para depor
(art. 462).

Equivalência de depoimento a serviço público


O depoimento prestado em juízo é equiparado a serviço público não podendo
prejudicar testemunha, não perdendo salário e nem tempo de serviço (art. 463)

DA PROVA PERICIAL
A perícia é um meio de prova que pressupõe que a matéria sobre a qual recai
o objeto de conhecimento do magistrado seja técnica, isto é, que se trate de matéria
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que, para sua perfeita e adequada compreensão, exige conhecimentos


especializados que o magistrado não possui ou que não domina. (SCARPINELLA)
Não será deferida a prova pericial quando: a prova do fato não depender de
conhecimento especial ou técnico; for desnecessária em virtude da existência de
outras provas produzidas; a verificação for impraticável (§ 1º do art. 464).
No mesmo sentido não se produzirá a prova pericial nos casos em que os
pontos controvertidos forem de menor complexidade, momento que a prova “técnica
será simplificada”. Poderá ser requerida pelas partes ou determinada de ofício pelo
magistrado (§ 2º do art. 464) OBS: novidade no NCPC
A prova técnica simplificada consiste na inquirição de especialista sobre o
ponto controvertido que demande conhecimento técnico (§ 3º do art. 464).
A prova pericial pode ser dispensada pelo magistrado quando as partes
apresentarem na inicial ou na contestação, sobre as questões de fato, pareceres
técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes (art. 472 do NCPC)

Espécies de perícia
Disciplinada no caput do art. 464 que indica a perícia nas modalidades de
exame, vistoria ou avaliação;
- exame: tem por objeto pessoas ou coisas;
- vistoria: tem por objeto a constatação de imóveis;
- avaliação: tem por finalidade a fixação de valor de mercado de determinado
bem.

Perito, assistente técnico e atos preparatórios da perícia


O perito é considerado auxiliar do juízo e, por isto podem as partes, em
quinze dias da sua nomeação questionar a sua parcialidade, arguindo seu
impedimento ou suspensão, caso em que será nomeado outro perito (art. 467,
parágrafo único)
Sua atuação independe de qualquer compromisso, devendo cumprir seu
encargo, com zelo e profissionalismo (arts. 157 e 466, caput), assegurando que os
assistentes técnicos tenha acesso e acompanhe as diligências e os exames que
realizar. Para tanto deverá comunica-los com antecedência mínima de cinco dias,
comprovando que o fez nos autos (art.466, § 2º), a começar pela necessária
comunicação do início dos trabalhos (art. 474).
O perito será nomeado pelo juiz a partir dos nomes e instituições constantes
no cadastro formado e mantido nos termos dos §§ 1º a 3º do art. 156. Somente
quando não houver cadastro que a nomeação será livre, mas com observância das
exigências do § 5º do art. 156.
A especialidade do objeto deve ser levada em conta na nomeação do perito.
Dispõe o caput do art. 478 que em se tratando de autenticidade ou falsidade de
documento ou de natureza médico-legal, o perito será escolhido, de preferência,
entre os técnicos dos estabelecimentos oficiais especializados, cabendo a
magistrado a remessa dos autos, bem como o material sujeito a exame ao diretor do
estabelecimento (§§ 1º e 2º do art. 478).
Pode ser nomeado mais de um perito, quando a complexidade do objeto o
exigir. Igual direito tem as partes de nomear, neste caso mais de um assistente (art.
475)
Na nomeação do perito o magistrado fixará desde logo prazo para entrega do
laudo (art. 465, caput), que pode ser prorrogado, mediante pedido justificado, uma
vez pela metade do prazo originário (art. 476).
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O perito nomeado pode escusar-se de cumprir o encargo (art. 157, caput e §


1º). Se aceitar terá cinco dias para apresentar sua proposta de honorários, seu
currículo, as comprovações de sua especialidade e declinar seus contatos
profissionais para fins de intimação (art. 465, § 2º).
Inova o NCPC quando estabelece que os honorários serão pagos metade
antes do inicio a da perícia e a outra metade ao final, já com laudo entregue e
esclarecimentos feitos (art. 465, § 4º) bem como quando permite ao magistrado
reduzir a proposta inicial quando a perícia for inconclusiva ou falha (art. 465, § 5º).
As partes intimadas da nomeação do perito tem 15 dias para arguir sua
suspeição ou impedimento, indicar assistente técnico e apresentar quesitos (art. 465,
§ 1º). Durante a perícia poderão apresentar quesitos suplementares a serem
respondidos desde logo pelo perito, ou na audiência, devendo a parte contrária ter
ciência sobre eles (art. 469). Terão também cinco dias para se manifestarem sobre a
proposta de honorários (art. 465, § 3º).
O magistrado também poderá formular quesitos a serem respondidos pelo
perito e pelos assistentes técnicos e indeferirá os impertinentes (art. 470).
Perícia feita por carta permite que todas as considerações acima sejam feitas
pelo juízo a quem a perícia foi requisitada (art. 465, § 6º).
O perito será substituído quando: não possuir conhecimento técnico ou
científico ou quando, sem justificativa, não cumprir o prazo que lhe foi fixado,
considerando até mesmo eventual dilação. Neste caso arcará com as
consequências profissionais e pessoais inclusive as relativas aos seus honorários,
consoante o disposto nos três §§ do art. 468.

Produção da prova pericial


A conclusão dos trabalhos do perito será documentada em um laudo.
O NCPC inova ao estabelecer o que deve conter o laudo. É o que dispõe o
art. 473.
O laudo será protocolado pelo perito no prazo anteriormente fixado pelo juiz,
com antecedência mínima de 20 dias antes da audiência de instrução e julgamento
(art. 477, caput).
Em seguida serão as partes intimadas pata, querendo, se manifestarem sobre
o laudo no prazo comum de 15 dias. O mesmo prazo será utilizado para que os
assistentes utilizem para manifestação de suas conclusões, chamadas pelo § 1º do
art. 477 de “parecer”.
Eventual divergência ou dúvida será esclarecida pelo perito em 15 dias (§ 2º
do art. 477)
Se ainda houver necessidade de esclarecimento compete à parte interessada
requerer o seu comparecimento (bem como dos assistentes técnicos) em audiência
de instrução e julgamento para o fim de que sejam ouvidas e supridas as dúvidas,
formulando, desde já, quesitos (§ 3º do art. 477).
O perito e os assistentes técnicos serão intimados de todos os atos por meio
eletrônico, observando-se a antecedência mínima de 10 dias (§ 4º do art. 477),

Avaliação da perícia
A avaliação do laudo pericial e dos pareceres é feita pelo magistrado que a
eles, a despeito do tecnicismo da questão, não está Adstrito. Aplica-se aqui o
princípio do convencimento motivado do juiz.
Pode o juiz entender pertinente a realização de uma segunda perícia, que
será requerida por qualquer das partes ou até mesmo de ofício pelo magistrado (art.
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480, caput).

Perícia consensual
Inovação do CPC 2015, consiste na possibilidade das partes escolherem o
perito de comum acordo, quando elas forem plenamente capazes e quando o objeto
do litígio admitir autocomposição (art. 471, caput).
Substitui a prova pericial, com perito nomeado pelo juiz de forma tradicional.

Inspeção Judicial
Último meio de prova elencado pelo NCPC.
O juiz de ofício ou a requerimento das partes pode inspecionar pessoas ou
coisas a fim de se esclarecer sobre fato que interesse á decisão da causa (art. 481)
O juiz pode ser assistido por um ou mais peritos.
O art. 483 trata das hipóteses em que o magistrado pode realizar inspeção
judicial.
As partes têm sempre o direito de assistirem à inspeção judicial, prestando
esclarecimentos e fazendo as observações que julgarem necessário.
Da inspeção se lavrará auto circunstanciado.
Deverá o magistrado dar ciência prévia da inspeção às partes?

QUESTIONÁRIO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL II – V1

1. Quais os requisitos obrigatórios devem se fazer presentes em uma


petição inicial?
2. A petição inicial quando não cumpre os requisitos do inciso II
deverá ser indeferida pelo magistrado? Justifique a resposta.
3. “Documentos indispensáveis à propositura da demanda podem ser
anexados a qualquer tempo no processo”. A presente assertiva é
falsa ou verdadeira? Justifique a resposta.
4. O que deve fazer o Magistrado quando recebe uma petição inicial que
não cumpre os requisitos dos artigos 319 e 320 ou que apresenta
defeitos ou irregularidades capazes de dificultar o julgamento do
mérito?
5. Quais as características do pedido em face da determinação do CPC?
6. O que é pedido alternativo?
7. A cumulação de pedidos é justificada pelo princípio da economia
processual. Quais os critérios da cumulação de pedidos?
8. “Não pode haver cumulação de pedidos quando seus procedimentos
são distintos”. A presente assertiva é falsa ou verdadeira? Justifique
a resposta.
9. Há hipótese legal que permite pedido genérico?
10. O CPC permite ao Autor alterar o pedido ou a causa de pedir
depois que protocolizou a petição inicial? Justifique a resposta.
11. Indique 3 hipóteses que permitem o indeferimento da petição
inicial.
12. O que é petição inepta?
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13. Qual o recurso utilizado pelo Autor quando a petição inicial for
indeferida?
14. Pode o Magistrado, diante da interposição de Apelação pelo
Autor recuar da sua decisão? Explique.
15. Caso a sentença que indeferiu a Apelação seja reformada pelo
Tribunal, qual é o próximo o caminho a ser seguido pelo processo,
determinado pelo Juiz?
16. Pode o Magistrado determinar liminarmente a improcedência do
pedido do autor ou deverá minimamente determinar a citação do
Réu para após o contraditório julgar o feito?
17. Caso o Magistrado indefira liminarmente o pedido do autor por
improcedência qual o recurso poderá este manejar em seu benefício?
Nesta hipótese o CPC permite a retratação da decisão pelo
magistrado?
18. Qual o primeiro ato, após a citação do Réu, deve ser realizado,
no procedimento comum, quando a petição inicial se encontra em
ordem e devidamente instruída com os documentos obrigatórios?
19. Quando a audiência de mediação, no procedimento comum, não
será realizada, estando o réu devidamente citado e a petição
cumprido todos os requisitos do processo?
20. Qual a função da peça de contestação?
21. Qual é o prazo para a sua apresentação a contar de onde?
22. O que são matérias preliminares na contestação?
23. Indique 5 matérias preliminares da contestação.
24. “As matérias preliminares na contestação podem todas serem
acolhidas pelo magistrado de ofício”. A presente assertiva é falsa ou
verdadeira? Justifique a resposta.
25. O que é reconvenção?
26. O que é revelia? Indique um de seus efeitos.
27. Pode o réu ser considerado revel sem que haja a aplicação dos
efeitos da revelia?
28. Quando o autor deverá ser intimado para se manifestar no
processo após a contestação do Réu? Qual o prazo para a réplica
(conhecida por impugnação à contestação?
29. O que é saneamento do processo?
30. O que é extinção do processo sem resolução de mérito e extinção
do processo com resolução de mérito?
31. Pode o mérito ser julgado parcial e antecipadamente pelo
magistrado ou somente no todo e ao final do processo?
32. Quem deve conduzir a audiência de Instrução e Julgamento?
33. Dentre os poderes conferidos ao magistrado temos o Poder de
Polícia. Em que consiste referido poder?
34. Qual a ordem preferencial de produção de provas na audiência
de instrução e julgamento?
35. Indique um motivo previsto no CPC que permita o adiamento da
audiência de instrução e julgamento.
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36. Qual o ônus a ser suportado por quem der causa ao adiamento
da audiência de instrução e julgamento?
37. Qual o tempo de duração da fase denominada “razões finais” em
que o magistrado dá a palavra aos advogados das partes e o membro
do MP, quando interveniente no processo?
38. Pode o Magistrado cindir a audiência de Instrução e Julgamento,
tendo em vista tratar-se de ato Uno?
39. Após as razões finais o que deve ser feito no processo pelo
Magistrado?
40. “Regra geral a audiência será privativa e nela não se poderá
adentrar sem que consista o magistrado”. A presente assertiva é
falsa ou verdadeira? Justifique a resposta.

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