Ictiofauna do Sul do Espírito Santo
Ictiofauna do Sul do Espírito Santo
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Luisa M. Sarmento-Soares
Instituto Nossos Riachos
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Resumo – As bacias do sul do Espírito Santo incluem a bacia do rio Itapemirim, as microbacias de Marataízes e parte da bacia do rio
Itabapoana, na Região Sudeste. Neste estudo, foram amostrados 92 pontos georreferenciados nessas bacias: 23 no Itabapoana, 66 no
Itapemirim e três em Marataízes. O ambiente dos peixes foi descrito e a composição taxonômica da ictiofauna documentada. Foram
registradas 79 espécies, 31 famílias e 11 ordens, sendo 17 espécies marinhas ou estuarinas. A grande maioria dos peixes de água doce foi de
Siluriformes (29 espécies), seguidos de Characiformes (19). Rios torrenciais, protegidos pela Serra do Caparaó, apresentaram a menor
riqueza, com poucas espécies nos altos vales fluviais. Por outro lado, foi observada uma excepcional diversidade de peixes de riacho nos
baixos vales fluviais, no entorno da Serra das Torres. A presença da única população conhecida de Trichogenes claviger, uma espécie
relictual de Trichomycteridae, torna a região do rio Caxixe estratégica no planejamento de áreas para conservação da ictiofauna da Bacia do
Itapemirim. Alguns peixes do sul do Espírito Santo foram descritos a partir de amostras da histórica Expedição Thayer, que percorreu a
região em 1865. Oligosarcus acutirostris, Astyanax microschemos e Trichogenes claviger também foram descritas a partir de exemplares dos
rios do Sul. Foi observado acentuado endemismo para peixes de água doce, entre rios do sul e baixo Paraíba do Sul, sugerindo uma história
biogeográfica comum entre estes sistemas hídricos do Atlântico Sudeste.
Palavras-chave adicionais: Caparaó, ictiofauna, Mata Atlântica, riachos costeiros, sudeste do Brasil.
Abstract (Fish fauna from South Espírito Santo River Basins, Brazil) – The South Espírito Santo river basins include the Rio Itapemirim
basin, the small river basins in Marataízes and a portion of the Rio Itabapoana basin, in Southeast Brazil. Nighty-two geo-referenced sites
were sampled: 23 in Itabapoana, 66 in Itapemirim and three in Marataízes. A species list has been prepared, giving habitat details. Seventy-
nine species, in 31 families and 11 orders were, reported, 17 species being from marine or brackish-water/estuarine habitats. The great
majority of freshwater species belong to the Siluriformes (29 species), followed by the Characiformes (19). Torrential rivers, protected by the
Caparaó mountains, display the lowest richness, with only a few species recorded from the highest valleys. On the other hand, in lowland
river valleys along the Serra das Torres, an exceptional diversity of stream fishes was observed. Because of the only known population of
Trichogenes claviger, a relictual species of Trichomycteridae, in the river Caxixe, this area is highly strategic in planning conservation of the
Icthyofauna of the Itapemirim basin. Some species from southern Espírito Santo were described based on material collected on the historic
Thayer Expedition, which crossed the region in 1865. Likewise, Oligosarcus acutirostris, Astyanax microschemos and Trichogenes claviger
were also described based on fishes from southern Espírito Santo. A high endemism of freshwater species was observed between southern
Espírito Santo rivers and lower Paraíba do Sul, suggesting a common history among these rivers.
Additional key words: Caparaó, ichthyofauna, Atlantic forest, costal streams, southeastern Brazil.
“[O rio Itabapoana] navegável por dezenas de quilômetros, embora torcidíssimo de meandros. Ambas suas
margens são molhadas de extensões enormes de alagadiços de vários quilômetros de largura, sobremaneira
acentuados nas proximidades da foz, onde um pontal e terra firme atingindo o rio na margem direita, atira-o
sobre a esquerda [...]”
(Lamego 1946: 50).
Os mais antigos habitantes dos vales dos rios Atualmente, a região sul do Espírito Santo é habitada
Itabapoana e Médio Paraíba, entre os rios Pomba e principalmente por descendentes de imigrantes
Muriaé, até o século XVI, eram os Índios Goitacazes, alemães, suíços e italianos que se instalaram nos
que ocupavam as terras do litoral, e os Puris, habitantes contrafortes do Caparaó para produção agrícola,
do interior, ambos do grupo Gê (Falcão & Teixeira especialmente plantio de café. A partir do século XIX,
2010). Os Puris não tiveram contato permanente com o o sul do Espírito Santo, já então colonizado, recebeu a
colonizador até o século XVIII, tendo sido desalojados visita de naturalistas. As mais antigas informações
de suas terras em consequência da expansão das sobre a história natural da região, especialmente
fazendas de café (Freire & Malheiros 2010). plantas, remontam a Viagem à Província do Espírito
Santo, empreendida pelo naturalista francês Auguste
*
Autora para correspondência: biobahia@[Link] de Saint Hillaire, que atravessou o Itabapoana e o
Editor responsável: Alexandre C. A. Santos Itapemirim em 1818, viajando pela costa em direção a
Submetido: 1 jul. 2012; aceito: 5 mar. 2013 Vitória (Papavero 1973). Ao final do século XIX, a
Publicação inicial: 27 jul. 2013; versão final: 2 May 2014 Expedição Thayer, que atravessou o Brasil entre os
Tabela 1. Perímetros e áreas das bacias e sub-regiões hidrográficas que configuram as bacias do sul do Espírito Santo. Os perímetros e áreas
correspondem às partes das bacias no estado do Espírito Santo.
Perímetro Área
Bacia Sub-região hidrográfica Trecho
(km) (km2)
I - Alto Itapemirim Alto Itapemirim 311 3.098
(ES-MG)
II - Alto Itabapoana Alto Itabapoana 169 750
(ES-RJ-MG)
III - Médio Itapemirim Médio Itapemirim 312 2.267
IV - Médio Itabapoana Médio Itabapoana 224 1.307
(ES-RJ)
V - Baixo Bacias do Sul Baixo Itapemirim + Baixo 229 1.488
Itabapoana
(ES-RJ) + Microbacias
Marataízes
Bacia do rio Itapemirim 459 5.975
Bacia do rio Itabapoana 490 2.680
Microbacias Marataízes V - Baixo Bacias do Sul 92 255
Sul do ES 548 8.910
Figura 1. Mapa das bacias do sul do Espírito Santo (bacias do rio Itapemirim, ao norte, e do rio Itabapoana, ao sul, além das microbacias de
Marataízes, em verde, a noroeste) e a divisão em sub-regiões hidrográficas (I- Alto Itapemirim, II- Alto Itabapoana, III- Médio Itapemirim,
IV- Médio Itabapoana e V- Baixo Rios do Sul), indicando as unidades de conservação e as sedes municipais.
I-Alto Itapemirim. Os principais formadores do do Norte (ES), apesar de utilizarem as águas do rio
Itapemirim são os rios Braço Norte Esquerdo e Braço para consumo próprio. Estudos de concepção para
Norte Direito. O Braço Norte Esquerdo tem suas projetos de sistemas de esgotamento sanitário local
nascentes no Espírito Santo, no extremo norte do ainda estão em andamento (Portal da Transparência
município de Muniz Freire, próximo à divisa com 2011; CESAN 2012). Além dos resíduos de
Itatiba. Desce no sentido sudoeste até encontrar o agrotóxicos da área rural, dos efluentes domésticos e
Braço Norte Direito, formando o rio Itapemirim. O rio do lixo, o Itabapoana é vitimado pela supressão da
Braço Norte Direito nasce no limite oeste do município vegetação ciliar e consequente assoreamento e erosão
de Ibitirama (ES), quase na fronteira com o Alto das margens. A maior parte da cobertura vegetal
Caparaó (MG). Desce em sentido Oeste-Leste até Iúna, natural foi substituída por agricultura e pastagens, com
quando muda o sentido para Sudeste, recebendo o rio predomínio absoluto de áreas antropizadas (Bizerril &
Braço Norte Esquerdo, para dar início ao rio Primo 2001). As enchentes causadas pelo rio
Itapemirim. A sub-região hidrográfica Alto Itapemirim constituem um problema frequente para as cidades
inclui toda a área de drenagem dos rios Braço Norte ribeirinhas atualmente. A exploração de ouro no leito
Esquerdo e Direito e do rio Itapemirim até a jusante da do rio Itabapoana foi prática comum no passado, mas a
foz do Córrego Olho D'Água, antes da foz do rio garimpagem está proibida devido à utilização do
Castelo. mercúrio pelos garimpeiros (Alves & Barbosa 2009).
III-Médio Itapemirim. No terço médio, destaca-se a O rio Itabapoana é usado para geração elétrica
sub-bacia do rio Castelo, que nasce na divisa norte do através da Usina Hidrelétrica de Rosal, na cachoeira de
Município de Conceição do Castelo, desce no sentido mesmo nome, com dois saltos de aproximadamente 80
sul passando por Castelo e indo desaguar no rio m, cercada pela Serra do Bálsamo (RJ) e pela Serra do
Itapemirim. A sub-região hidrográfica “Médio Cachoeirão (ES), município de São José do Calçado
Itapemirim” inclui a área drenada pelo rio Itapemirim, (capacidade instalada de 55 MW). No seu curso,
desde a montante da foz rio Castelo até a jusante da foz encontram-se ainda as Pequenas Centrais
do córrego Independência, no limite leste do Município Hidroelétricas: Pirapetinga, no rio Itabapoana (20
de Cachoeiro de Itapemirim. MW); Calheiros, no rio Itabapoana (19 MW); e Franca
Rio Itabapoana (sub-regiões hidrográficas II e IV). Amaral, na Cachoeira do Inferno (4,5 MW); todas
Com uma área em território capixaba de 2.680 km2, a localizadas na divisa dos municípios de Bom Jesus de
bacia do rio Itabapoana entrecorta 20 municípios de Itabapoana (RJ) e São José do Calçado (ES); além da
três Estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Central Pedra do Garrafão, no rio Itabapoana, entre os
Santo. As cabeceiras do Itabapoana estão abrigadas nos municípios de Campos dos Goytacazes (RJ) e Mimoso
contrafortes da serra do Caparaó, e entrecortam os do Sul (ES) (19 MW).
municípios mineiros de Espera Feliz, Alto Caparaó, II-Alto Itabapoana. As atividades econômicas de
Caiana e Caparaó. O rio São João, que nasce no maior destaque no vale do Itabapoana são ligadas ao
sudeste de Minas Gerais, e o rio Preto, que nasce na café, à pecuária leiteira, à cana-de-açúcar e à
Serra do Caparaó, são os principais formadores do rio fruticultura tropical (Barros 1999). Do ponto de vista
Itabapoana. Após o encontro dos dois rios, forma-se o meteorológico, as montanhas do Caparaó favorecem a
rio Itabapoana, fazendo a divisa estadual Rio de ocorrência de chuvas orográficas. Quando a massa é
Janeiro/ Espírito Santo, com tributários na margem forçada a ascender, precipita a barlavento (no Espírito
direita em território Fluminense e na margem esquerda Santo), em muitos casos não precipita do outro lado, a
em território capixaba. A margem direita do rio sotavento (em Minas Gerais). O alto vale do
Itabapoana, em águas fluminenses, banha os Itabapoana no Espírito Santo, em Ibitirama, apresenta
municípios de Bom Jesus do Itabapoana e parte dos maiores índices pluviométricos, possivelmente ligados
municípios de Porciúncula, Varre-e-Sai, Campos dos à ascensão e condensação das massas de ar ao
Goytacazes, São Francisco do Itabapoana e São João encontrarem a barreira montanhosa. A chuva
da Barra. Em sua margem esquerda, as águas da bacia orográfica, por outro lado, é possivelmente uma das
do rio Itabapoana banham os municípios capixabas de causas da seca na outra vertente do vale fluvial, em
Dores do Rio Preto, Divino São Lourenço, Guaçuí, São Alto Caparaó, Minas Gerais. A direção do vento a
José do Calçado, Bom Jesus do Norte, Apiacá, Mimoso baixos níveis reflete a circulação dos sistemas de
do Sul, Presidente Kennedy, Itapemirim e Muqui. Os grande escala e sofre grande influência do relevo (Melo
principais afluentes do lado do Espírito Santo são os Junior et al. 2006).
rios Muribeca, São Pedro, Muqui do Sul, Preto, Altos vales fluviais entrecortam a Serra do Caparaó
Calçado, Ribeirão, Barra Alegre, Boa Vista e os e chegam a alcançar atitudes de 1.450 m, como nas
córregos São Pedro e São Bento. Do ponto de vista cabeceiras do rio Preto. O terço superior do rio
ambiental, o emprego de agrotóxicos nos altos vales Itabapoana no Espírito Santo compreende
fluviais para pulverizar, sobretudo a cultura de café, principalmente as sub-bacias do rio Preto e do córrego
contribuiu para a degradação hídrica. Mais abaixo o rio do Veado, na margem esquerda. O trecho se estende
Itabapoana recebe efluentes domésticos e urbanos sem até a montante da confluência com o ribeirão Varre-e-
tratamento na altura da cidade ribeirinha de Bom Jesus Sai, tributário da margem direita. No seu trajeto, forma
muitas cachoeiras: Santo Antônio, Inferno, Limeira e Itabapoana, na margem direita, no Rio de Janeiro
Fumaça, essa última com queda de 100 metros. A parte (Bernini et al. 2010). A margem esquerda, no Espírito
do rio onde se encontram a maior parte das cachoeiras Santo, em 1980, ainda encontrava-se preservada. Nesta
está entre a divisa de Minas Gerais e a cidade margem próxima à foz do Itabapoana, no balneário de
fluminense de Bom Jesus do Itabapoana. O terço Praia das Neves, ainda existe um complexo estuarino
superior da bacia no Espírito Santo compreende ainda com a presença de vegetação de manguezal (Soffiati
o município de Guaçuí, onde o Córrego do Veado Netto 2011). Há indicativos de que, tal como aconteceu
deságua no Itabapoana, e inicia-se o trecho médio. com o rio Paraíba do Sul, o rio Itabapoana teria perdido
IV-Médio Itabapoana. Compreende o trecho a vazão com a construção de barragens em seu leito para
jusante da confluência com o ribeirão Varre-e-Sai até a a geração de energia elétrica. Assim, o rio não teria
montante do rio Muqui do Sul. A declividade neste mais competência para enfrentar o mar e manter sua
trecho é mais suave, com assoreamento do rio em foz em posição perpendicular a ele. Em seu trecho
grandes extensões, devido às dragagens que final, o Itabapoana, sofre um desvio para o sul (Soffiati
revolveram o seu leito e a remoção da vegetação ciliar Netto 2007).
(Universidade Federal Fluminense 1996). A baixa Entre a foz do rio Itapemirim e a margem norte da
declividade facilitou a ocupação dos vales fluviais pela desembocadura do rio Itabapoana, o relevo litoral é
pecuária, e os animais ocupam inclusive o leito dos marcado pelas falésias vivas da formação Barreiras e
rios. “Antes mesmo da construção do ramal férreo essa por praias estreitas com baixa declividade (Santos
zona já era favorecida pelo porto de Limeira, onde 2005). A formação Barreiras é marcada pelo relevo
findam as quedas do Itabapoana, através do qual um suave e se estende, irregularmente, ao longo da região
ativo comércio de madeiras se fazia com o Rio de costeira, entre o litoral do Pará e o Rio de Janeiro
Janeiro. Além do jacarandá, o sobro, o vinhático, a (Bigarella & Andrade 1964). No Espírito Santo, os
peroba, o tapinhoã, o cedro e a canela saíam das depósitos terciários da Formação Barreiras encontram-
grandes selvas à margem do rio, e, juntamente com o se distribuídos por todo o litoral, sendo sua presença
café desciam até à foz” (Lamego 1963: 295–296). A mais pronunciada ao norte do rio Doce. Aí, se alarga
pesca de subsistência é praticada no trecho médio e até os limites das Minas Gerais, e rumo ao sul sofre um
inferior do Itabapoana. O pescado era comercializado decréscimo de largura, limitando-se aos vales
na residência dos próprios pescadores, nas estradas ou litorâneos, marcadamente ao sul da desembocadura do
em pequenos comércios, como a feira de Bom Jesus de rio Itapemirim (Amador & Dias 1978).
Itabapoana. As principais espécies comercializadas Neste trecho de relevo suave, entre os rios
foram cascudos, piaus e traíras (Bizerril & Primo Itapemirim e Itabapoana, encontram-se as microbacias
2001). de Marataízes. Nela existem pequenos riachos
V-Baixo Rios do Sul. Com uma área de 1.488 km2, correndo isolados, e outros que chegam a formar
inclui o baixo curso fluvial dos rios Itabapoana e microbacias independentes, mas que não conseguem
Itapemirim e as microbacias de Marataízes. Esta sub- manter suas barras permanentemente abertas por
região está incluída na região fisiográfica do litoral deficiência de vazão. Sua fisionomia se assemelha à de
oriental do Recôncavo Baiano até o sul do Espírito lagoas alongadas, como as Lagoas Funda, D’Antas, do
Santo, mas com as escarpas da Serra do Mar, ainda Siri, Lagoinha, dos Cações, das Pitas, do Mangue, de
relativamente interiorizadas e que atingem a costa, Caculucaje, da Tiririca, da Boa Vista e do Criador
próximo a região de Vitória (Silveira 1964). (Soffiati Netto 2011). A maioria destas limita-se ao
O rio Itabapoana inicia o terço inferior após receber município de Marataízes. A microbacia do córrego São
o rio Muqui do Sul, com ampla planície inundável, Salvador é a maior da região e tem suas nascentes no
marcada por lagoas, brejos e várzeas. A planície município de Presidente Kennedy e Itapemirim,
costeira do Itabapoana apresenta na porção distal um desaguando na divisa com Marataízes. Estes pequenos
amplo desenvolvimento de depósitos arenosos córregos entrecortam áreas de brejo, mata paludosa,
marinhos em forma de sucessivas cristas de praia restinga, e manguezais.
(inteiramente no estado do Espírito Santo), estando a Do ponto de vista geológico, esta área delimita uma
barra do rio localizada no limite sul deste das feições costeiras mais originais do sul do Espírito
compartimento. Isto sugere um transporte litorâneo Santo, estendendo-se até o norte do estado do Rio de
residual para o sul. Como ressaltado por Lamego Janeiro, no rio Macaé. As formações cristalinas Pré-
(1945), o rio Itabapoana era originalmente meandrado. Cambrianas descrevem um quase semicírculo tocando
O rio sofreu retificação em seu terço inferior e perdeu o mar na extremidade sul, no rio Macaé, e
parte de seus característicos meandros. O manguezal mergulhando novamente nele na extremidade norte, no
do estuário do rio Itabapoana encontra-se entre os mais rio Itapemirim. Do Terciário, existe uma unidade do
degradados regionalmente (Bernini & Rezende 2010). Grupo Barreiras, ao norte, entre a margem esquerda do
No manguezal, junto à foz do rio, observa-se uma rio Paraíba do Sul, até o rio Itapemirim. A parte mais
urbanização descontrolada, tendo sofrido com o corte externa da porção continental é constituída por
de vegetação e aterros. Ali se instalou, ainda no século restingas, a setentrional – a menor delas – na Praia das
XIX, o povoado de São Sebastião, atual Barra de Neves, no litoral capixaba (Soffiati Netto 2011).
Os rios do sul do Espírito Santo receberam a visita Taxonomia. A classificação dos exemplares seguiu
da Expedição Nathaniel Thayer, então liderada por Buckup et al. (2007) para peixes de água doce e
Louis Agassiz, em meados do século XIX. Após Carvalho Filho (1999) e Menezes et al. (2003) para
aportarem no Rio de Janeiro, em 1865, seus peixes marinhos. Os exemplares coletados durante o
participantes se dividiram entre vários roteiros para projeto foram examinados e tombados na coleção
percorrer o Brasil. Ao geólogo Frederick C. Hartt e o ictiológica do Museu de Biologia Professor Mello
voluntário Edward Copeland, coube percorrer o trecho Leitão (MBML) e do Museu Nacional, Universidade
entre o Rio de Janeiro e a Bahia. Alcançaram Bom Federal do Rio de Janeiro (MNRJ). Materiais
Jesus do Norte, e dali desceram pelo rio Itabapoana, históricos foram consultados nestas duas coleções
passando por Porto da Limeira até a desembocadura do ictiológicas e nos bancos de dados da Coleção
rio: “Dessa serra até Bom Jesus, a região é toda de Ictiológica da Universidade Federal do Espírito Santo
gnaisse, com morros baixos arredondados, tudo (CIUFES), do Museu de Zoologia da Universidade de
coberto de florestas do máximo vigor de vegetação: São Paulo (MZUSP), do Museu de Ciências da
[...] Entre Bom Jesus e Ribeirão do Jardim a terra é Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
quase sempre baixa, entremeada de morros gnáissicos (MCP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
arredondados de pouca elevação. O rio é ladeado por (UFRGS), da Coleção de Peixes do Laboratório de
terras planas de aluvião, frequentemente alagadiças, Ictiologia de Ribeirão Preto (LIRP), da Coleção de
servindo de refúgio a grande número de aves aquáticas,
Peixes do Museu de Zoologia da UNICAMP (ZUEC) e
piaçocas (Parra jacana), grous, etc. [...] Descendo o
da Harvard University Museum of Comparative
rio a partir de Porto da Limeira, deixa-se logo a região
Zoology (MCZ) (Sarmento-Soares & Martins-Pinheiro
gnáissica, e penetra-se numa região plana, na sua maior
2012c).
parte bem revestida de matas, e mais ou menos
entremeada de lagoas raras, uma das quais, a Lagoa
Feia [RJ], é realmente muito extensa. O rio é muito Análise de dados. Mapas georrefenciados dos rios
estreito e sinuoso [...]” (Hartt 1941: 76–77). Do foram elaborados usando o programa GPS Trackmaker
Itapemirim, seguiram para o norte até o lago Marobá e Professional 4.8 (Ferreira Júnior 2012), com base nas
daí até o rio Itapemirim em Itapemirim (Dick, 1977). cartas do IBGE de 1:100.000 e 1:50.000 e verificações
Ficaram registradas as amostragens da Expedição de campo. Com base nesses mapas, foram calculados
Thayer, no rio Itabapoana e no rio Itapemirim, ao sul os comprimento e áreas cartográficos e estimadas as
do Espírito Santo (Higuchi 1996). localidades históricas. Informações sobre pontos de
coletas próximas foram algumas vezes agrupadas em
Amostragem. As atividades de campo foram um único ponto para a elaboração dos mapas e tabelas.
realizadas durante o dia, pela manhã até o crepúsculo, Para caracterizar a ictiofauna, foram utilizadas
cobrindo quatro ou cinco localidades por dia. As rotas avaliações de constância, rarefação, riqueza,
de coletas do projeto foram estabelecidas com base nas
dominância, diversidade e uniformidade. Os valores de
regiões menos amostradas das bacias. Os pontos de
amostragem foram previamente planejados, levando-se Constância de Ocorrência (C) das diferentes espécies
em conta o acesso, inclusive as travessias por vias foram calculados, segundo Dajoz (1983), a partir da
menores não pavimentadas. Cada um dos pontos de equação: C p * 100 , onde C é o valor de
amostragem foi localizado por GPS (Global P constância da espécie, p é a
Positioning System), fotografado e caracterizado quantidade de pontos em que apareceu a espécie e P é
quanto às condições ambientais. Foram, ainda, o número total de pontos. As espécies foram
realizadas anotações sobre horário e artefatos de pesca consideradas constantes (C ≥ 50), acessórias (25 ≤ C < 50)
empregados. As amostragens realizadas com o uso de ou ocasionais (C < 25). As curvas de suficiência da
puçás, picarés, covos, rede de arrasto tipo trawl, redes amostragem construídas pelo método Mao Tau
de arrastos, tarrafa tipo argola, rede passaguá, tarrafa (Colwell et al. 2004) não foram utilizadas pela grande
multifilamento e redes de espera. Em cada ponto foi quantidade de dados amostrais históricos, com
usada uma combinação dos recursos de pesca de forma procedimentos de coletas muito distintos entre si.
a assegurar uma exaustiva amostragem de leito, fundo Como estimadores de riqueza foram usados os índices
e margem do local. Cada localidade foi amostrada,
de riqueza não-paramétricos Chao 2, Jackknife 1,
sempre que possível, percorrendo-se um trecho de
Jackknife 2 e Bootstrap. Esses índices estimam o
aproximadamente 50 m rio acima. Alguns exemplares
coletados foram fotografados vivos, fixados em número de espécies ainda por serem coletadas, com
formalina a 10% e transportados para o laboratório, base numa quantificação de raridade. São índices
onde foram triados, transferidos para conservação em baseados em incidência e utilizam o número de
álcool a 70%, identificados e catalogados. Alguns lotes “Uniques” e “Duplicates”, que são o número de
foram separados e conservados em álcool absoluto para espécies encontradas em somente uma e/ou duas
exame de tecidos (Sarmento-Soares & Martins- amostras, respectivamente, para as estimativas de
Pinheiro 2012b). riqueza (Colwell & Coddington 1994).
Figura 2. Mapa da área de estudo indicando os pontos de amostragem nas respectivas sub-regiões hidrográficas de amostragem
(veja o Apêndice 1 para identificação e caracterização dos pontos).
Figura 3. Pontos de amostragem no Alto Itapemirim (veja o Apêndice 1 para identificação e caracterização dos pontos).
(24,05%), e dos Perciformes, com sete famílias e Médio Itabapoana, 39; e no Baixo Rios do Sul, 61
18 espécies (22,78%); seguem os Cyprinodontiformes, (a Tabela 2 assinala a presença de cada espécie por
com uma família e três espécies (3,80%), os sub-região).
Clupeiformes, Pleuronectiformes e Gymnotiformes, Das espécies amostradas, 72 ocorrem na bacia do
com duas famílias e duas espécies cada (2,53%). rio Itabapoana, sendo 27 delas encontradas
Finalmente, com apenas uma espécie cada, estão os exclusivamente nesta bacia: Ancistrus multispinnis,
Mugiliformes, Atheriniformes, Gasterosteiformes e
Brycon insignis, Centropomus parallelus, Hasemania
Synbranchiformes (1,27%). Os peixes de hábitos
marinhos encontrados nos estuários somaram sp., Ituglanis parahybae, Loricariichthys castaneus,
17 espécies. Foram encontradas 62 espécies em Mimagoniates microlepis e Synbranchus marmoratus;
ambientes de água doce: na sub-região hidrográfica além de espécies de influência marinha com presença
Alto Itapemirim, foram encontradas 40 espécies; estuarina: Achirus declivis, Anchovia clupeoides,
no Médio Itapemirim, 41; no Alto Itabapoana, 23; no Archosargus probatocephalus, Bairdiella ronchus,
Figura 4. Pontos de amostragem no Alto e Médio Itapemirim (veja o Apêndice 1 para identificação e caracterização dos pontos).
Figura 5. Pontos de amostragem no Médio Itapemirim (veja o Apêndice 1 para identificação e caracterização dos pontos).
Pimelodella lateristriga, Poecilia vivipara, Rhamdia 43 (69,35%) (Tabela 3). As estimativas de riqueza de
sp. e Trichomycterus caudofasciatus. Apenas uma espécies para as bacias do sul do Espírito Santo
espécie foi considerada constante, com presença em considerando também os peixes marinhos
mais da metade dos pontos amostrados: Geophagus apresentaram uma variação de 34,2% entre o maior
brasiliensis (67,0%). Doze foram consideradas valor (117) calculado pelo método Jackknife 2 e o
acessórias, com presença em mais de um quarto dos menor (90) calculado pelo método Bootstrap. As
pontos amostrados e as restantes foram reconhecidas estimativas usando os outros métodos apresentaram
como ocasionais (Apêndice 2). valores intermediários a estes. Desconsiderando os
A maior riqueza de espécies foi na sub-região peixes marinhos, esta variação foi de 107,9% entre o
hidrográfica do Baixo Rios do Sul: considerando as maior valor com a aplicação do método Jackknife 2
marinhas, que frequentam o estuário, foram 60 (74) e o menor valor com a aplicação dos método
espécies (75,95% da riqueza das bacias do sul), e Bootstrap e Chao 2 (67), ficando a estimativa usando o
desconsiderando as espécies marinhas, foram método Jackknife 1 com valor intermediário (Tabela 3).
Figura 6. Pontos de amostragem no Médio Itabapoana e Baixo das Bacias do Sul (veja o Apêndice 1 para identificação e caracterização dos pontos).
A sub-região hidrográfica Alto Itabapoana apresentou As únicas espécies exóticas com registro para a
o índice de riqueza de Margalef mais baixo entre todas região foram a tilápia Tilapia rendalii, da África, e o
as sub-regiões das bacias do sul (3,09), sendo apenas barrigudinho Poecilia reticulata, do litoral norte da
46,77% do índice calculado para o conjunto das bacias América do Sul, entre a Venezuela e o estado brasileiro
(6,60). A diferença também foi elevada para os índices do Amapá (Lucinda & Costa 2007). Relatos sobre a
de diversidade de Shannon (2,10), sendo apenas presença do bagre africano Clarias gariepinnus foram
66,87% do índice calculado para o conjunto das bacias fornecidos por J.L. Helmer (com. pess.).
(3,14). Chama atenção a riqueza de espécies registrada
para o Ponto 90, no rio das Flores, região de São José
das Torres, com 27 espécies representando quase DISCUSSÃO
metade de todas as espécies dulcícolas das bacias.
Seis peixes não foram identificados no nível de Expedição Thayer. Os relevos, com escarpas
espécie: Astyanax sp.2 aff. A. lacustris, Characidium íngremes, nos contrafortes do Caparaó, chamaram a
sp., Eigenmannia sp., Hasemania sp., Imparfinis sp. e atenção de estudiosos que atravessaram o sudoeste
Rhamdia sp., e podem representar novos táxons, capixaba ainda no século XIX: “As Serras se
necessitando de mais investigações. Os espécimens interrompem ao atingir o vale do rio Paraíba [...] e
reconhecidos como Hasemania sp. estão sendo então, formando serras destacadas, afastam-se algum
investigados por nós conjuntamente com F.M.R.S. Pupo, tanto da costa, passam pelas cabeceiras dos rios Muriaé
F.R. Carvalho e J.P. Serra; Imparfinis sp. também está e Itabapuana, ligam-se a serra de Itabapuana e
sendo avaliada por nossa equipe. Itapemirim, dando origem a alguns cenários de
Figura 7. Espécies de peixes encontradas nas bacias do sul do Espírito Santo: A- Brevoortia pectinata; B- Leporinus copelandii;
C- Characidium sp.; D- Astyanax giton; E- Astyanax janeiroensis; F- Astyanax sp.2 aff. A. lacustris; G- Hasemania sp.; H- Hyphessobrycon
bifasciatus - macho; I- Oligosarcus acutirostris; J- Hoplias malabaricus; K- Ituglanis parahybae; L- Trichomycterus brunoi;
M- Trichomycterus caudofasciatus.
montanhas muito pitorescos. [...]” Hartt (1870: 65). Itapemirim (THAYER045). O material coletado
Este relato se refere ao percurso entre o Rio de Janeiro durante a expedição Thayer corresponde ao mais
e o Espírito Santo, acompanhado pela Expedição antigo registro conhecido sobre peixes de água doce do
Thayer. Higuchi (1996) reconstruiu as estações de Espírito Santo. Estima-se que as espécies provenham
coleta ictiológica da Expedição Thayer, verificando de diferentes pontos do rio Itabapoana, pois há
datas, coletores e localidades. Das bacias do sul do registros de 15 espécies eminentemente de água doce:
Espírito Santo, ficaram dois registros de coletas, uma Characiformes (Curimatidae, Characidae), Siluriformes
no rio Itabapoana (THAYER044) e outra no rio (Auchenipteridae, Loricariidae), Gymnotiformes
Figura 8. Espécies de peixes Siluriformes encontradas nas bacias do sul do Espírito Santo: A- Callichthys callichthys; B- Corydoras
nattereri; C- Harttia loricariformis; D- Hisonotus notatus; E- Hypostomus affinis; F- Neoplecostomus microps; G- Parotocinclus
maculicauda; H- Pterygoplichthys sp.; I- Rineloricaria steindachneri; J- Imparfinis sp.; K- Pimelodella pectinifer; L- Rhamdia sp.;
M- Microglanis parahybae.
Figura 9. Espécies de peixes encontradas nas bacias do sul do Espírito Santo: A- Eigenmannia sp.; B- Gymnotus carapo; C- Atherinella
brasiliensis; D- Poecilia reticulata; E- Eucinostomus melanopterus; F- Australoheros muriae; G- Crenicichla lacustris; H- Geophagus
brasiliensis; I- Awaous tajasica; J- Bathygobius soporator.
genérico formal, optou-se por colocar o nome do (ponto 92). Por outro lado, o Ponto 90, na baixada
gênero entre aspas simples, seguindo as rodeada pela Serra de São José das Torres, chama
recomendações de Reis et al. (2003), Lima et al. (2007) especial atenção pela elevada riqueza em relação a
e Pereira (2010). ‘Deuterodon’ parahybae necessita de outros pontos da bacia, podendo ser indício de uma
maiores investigações para aferir sua real identidade região com alta riqueza de espécies, e merece ser
(C.A.S. Lucena, com. pess.), e não foi encontrada por investigada em maior detalhe.
nós no presente estudo, apesar da ampla verificação de
amostras que realizamos. Todo o material colecionado Riqueza e diversidade. Rios torrenciais, protegidos
do sul do Espírito Santo durante a expedição Thayer, pela Serra do Caparaó, contrastam pela menor riqueza
incluindo tipos, encontra-se depositado no MCZ. da ictiofauna, com poucas espécies nos altos vales
Outras espécies descritas posteriormente, a partir de fluviais, cujas altitudes chegam a 1.450 m. As espécies
material coletado nos rios do Sul, são Astyanax mais comuns nos contrafortes do Caparaó foram os
microschemos, Oligosarcus acutirostris e Trichogenes Trichomycterus, conhecidos como cambevas, com duas
claviger, com localidades-tipo para a bacia do rio espécies descritas regionalmente, T. caudofasciatus e
Itapemirim. T. brunnoi. As cambevas são os únicos peixes
A Expedição Thayer desceu o rio Itabapoana, desde conhecidos pela população no alto vale do Caparaó. Os
Bom Jesus do Norte até a foz, sendo perfeitamente moradores do entorno costumam pescar cambevas
possível que muitos lotes tenham sido capturados em usando o “parão”, uma varinha de pesca com minhocas
vários trechos do rio. Como não há informação de e sem anzol. Costumam apanhá-los em uma panelinha
outras localidades, todas as amostragens do rio e depois fritam. Indivíduos de Trichomycterus chegam
Itabapoana foram catalogadas como procedentes da foz a alcançar mais de 6 cm de comprimento padrão na
Tabela 2. Espécies de peixes das bacias do sul do Espírito Santo. Espécies exóticas estão assinaladas por um asterisco (*). AIP- Alto
Itapemirim; MIP- Médio Itapemirim; AIB- Alto Itabapoana; MIB- Médio Itabapoana; BBS- Baixo Bacias do sul
CLASSIFICAÇÂO TAXONÔMICA SUB-REGIÃO HIDROGRÁFICA
Ordem Família Espécie AIP MIP AIB MIB BBS Fig.
Clupeiformes Engraulidae Anchovia clupeoides (Swainson, 1839) X -
Clupeidae Brevoortia pectinata (Jenyns, 1842) X 7A
Characiformes Curimatidae Cyphocharax gilbert (Quoy & Gaimard, 1824) X X X X X -
Prochilodontidae Prochilodus vimboides Kner, 1829 X X X -
Anostomidae Leporinus copelandii Steindachner, 1875 X X X X X 7B
Leporinus mormyrops Steindachner, 1875 X -
Crenuchidae Characidium sp. X X X X X 7C
Characidae Astyanax giton Eigenmann, 1908 X X X X X 7D
Astyanax janeiroensis Eigenmann, 1908 X X X X X 7E
Astyanax microschemos Bertaco & Lucena, 2006 X X -
Astyanax parahybae Eigenmann, 1908 X X X -
Astyanax sp. 2 aff. A. lacustris X X X X X 7F
Brycon insignis Steindachner, 1877 X X -
Bryconamericus tenuis Bizerril & Araujo, 1992 X X -
Knodus sp. aff. K. moenkhausii X X X X -
Hasemania sp. X 7G
Hyphessobrycon bifasciatus Ellis, 1911 X X 7H
Mimagoniates microlepis (Steindachner, 1876) X -
Oligosarcus acutirostris Menezes, 1987 X X X X 7I
Probolodus heterostomus Eigenmann, 1911 X X X -
Erythrinidae Hoplias malabaricus (Bloch, 1794) X X X X X 7J
Siluriformes Trichomycteridae Ituglanis parahybae (Eigenmann, 1918) X X 7K
Trichogenes claviger de Pinna, Helmer, Britski &
X -
Nunes, 2010
Trichomycterus brunoi Barbosa & Costa, 2010 X X X X X 7L
Trichomycterus caudofasciatus Alencar & Costa, 2004 X X X X 7N
Callichthyidae Aspidoras virgulatus Nijssen & Isbrüecker, 1980 X X -
Callichthys callichthys (Linnaeus, 1758) X 8A
Corydoras nattereri Steindachner, 1877 X X 8B
Hoplosternum littorale (Hancock, 1828) X X -
Scleromystax prionotos (Nijssen & Isbrüecker, 1980) X X -
Loricariidae Ancistrus multispinis (Regan, 1912) X -
Harttia loricariformis Chabanaud, 1940 X X X X 8C
Hisonotus notatus Eigenmann & Eigenmann, 1889 X X X X 8D
Hypostomus affinis (Steindachner, 1877) X X X X X 8E
Hypostomus auroguttatus Kner, 1854 X X -
Loricariichthys castaneus (Castelnau, 1855) X -
Neoplecostomus microps (Steindachner, 1877) X X X X 8F
Otothyris lophophanes (Eigenmann & Eigenmann, 1889) X -
Pareiorhaphis garbei Ihering, 1911 X X -
Parotocinclus maculicauda (Steindachner, 1877) X X X X 8G
Parotocinclus sp. aff. P. jimi X -
Pterygoplichthys sp. 8H
Rineloricaria steindachneri (Regan, 1904) X X X 8I
Ariidae Genidens genidens (Cuvier, 1829) X -
Auchenipteridae Glanidium melanopterum Miranda Ribeiro, 1918 X X -
Trachelyopterus striatulus (Steindachner, 1877) X X -
Tabela 2 (continuação)
CLASSIFICAÇÂO TAXONÔMICA SUB-REGIÃO HIDROGRÁFICA
Ordem Família Espécie AIP MIP AIB MIB BBS Fig.
Heptapteridae Imparfinis sp. X X X X 8J
Pimelodella pectinifer Eigenmann & Eigenmann, 1889 X X X X X 8K
Rhamdia sp. X X X X X 8L
Pseudopimelodidae Microglanis parahybae (Steindachner, 1880) X X X X 8M
Gymnotiformes Sternopygidae Eigenmannia sp. X X X 9A
Gymnotidae Gymnotus carapo Linnaeus, 1758 X X X X X 9B
Mugiliformes Mugilidae Mugil curema Valenciennes, 1836 X -
Atheriniformes Atherinidae Atherinella brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1825) X 9C
Cyprinodontiformes Poeciliidae Phalloceros harpagos Lucinda, 2008 X X X X X -
*Poecilia reticulata Peters, 1859 X X X X 9D
Poecilia vivipara Bloch & Schneider, 1801 X X X X X -
Gasterosteiformes Syngnathidae Microphis brachyurus (Blecker, 1853) X -
Synbranchiformes Synbranchidae Synbranchus marmoratus Bloch, 1795 X X -
Perciformes Centropomidae Centropomus undecimalis (Bloch, 1792) X -
Carangidae Caranx latus Agassiz, 1831 X -
Lutjanidae Lutjanus jocu (Bloch & Schneider, 1801) X -
Gerreidae Diapterus rhombeus (Cuvier, 1829) X -
Ulaema lefroyi (Goode, 1874) X -
Eucinostomus melanopterus (Bleeker, 1863) X 9E
Eugerres brasilianus (Cuvier, 1830) X -
Sparidae Archosargus probatocephalus (Walbaum, 1792) X -
Cichlidae Australoheros muriae Ottoni & Costa, 2008 X X X 9F
Crenicichla lacustris (Castelnau, 1855) X X X X X 9G
Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824) X X X X X 9H
*Tilapia rendalli (Boulenger, 1897) X X X X -
Gobiidae Awaous tajasica Lichtenstein, 1822 X X X 9I
Bathygobius soporator (Valenciennes, 1837) X 9J
Ctenogobius boleosoma (Jordan and Gilbert, 1882) X -
Dormitator maculatus (Bloch, 1792) X -
Eleotris pisonis (Gmelin, 1789) X X -
Gobionellus stomatus Starks, 1913 X -
Pleuronectiformes Paralichthyidae Citharichthys arenaceus Evermann & Marsh, 1900 X -
Achiridae Achirus declivis Chabanaud, 1940 X -
região. Nos baixos vales fluviais, por outro lado, foi Espírito Santo. Recentemente, foi criado o Monumento
contabilizada uma excepcional diversidade de peixes Natural (MONA) de Serra das Torres através da lei
de riacho, no entorno da Serra das Torres, entre nº 9.463, de 14 de junho de 2010, com o intuito de
Mimoso do Sul, Muqui e Atílio Vivacqua, onde as proteger as bacias hidrográficas dos rios Itapemirim e
altitudes são inferiores a 45 m. Ali, existem Itabapoana, além da beleza cênica dos picos e
remanescentes florestais em bom estado de afloramentos rochosos do local (IEMA 2012).
conservação, formando uma área de interesse para A alta diversidade no Baixo Rios do Sul, em
estudos biológicos (IPEMA 2005, 2010). A Serra das contraste com os altos vales fluviais, corrobora a teoria
Torres funciona como um divisor de águas, separando do rio contínuo, onde é esperada maior diversidade nas
os contribuintes dos rios Muqui do Norte, no baixo zonas baixas do rio, devido, principalmente, à maior
Itapemirim, e os tributários do rio Muqui do Sul, no complexidade de hábitats (Pianka 2000; Vanote et al.
baixo Itabapoana. Esta área da Serra das Torres pode 1980). A maior diversidade nas baixadas litorâneas
ser apontada como de máxima importância para a também pode ser atribuída à proximidade da região
conservação da biodiversidade de água doce no sul do estuarina, onde várias espécies marinhas eurialinas que
Tabela 3. Estimativas não paramétricas de riqueza de espécies e descritores da ictiofauna nas bacias do sul do Espírito Santo (com e sem a
presença dos peixes marinhos). Sub-regiões: AIP- Alto Itapemirim (Pontos 1–41); MIP- Médio Itapemirim (Pontos 42–59); AIB- Alto
Itabapoana (Pontos 60–67); MIB- Médio Itabapoana (Pontos 68–77); BBS- Baixo Bacias do sul (Pontos 78–92); BSU- Bacias do sul (Pontos
1–92).
COM MARINHOS
ESTIMADORES AIP MIP AIB MIB BBS BSU
Chao 2 44,6 62,2 25,6 55,3 85,5 103,8
Jackknife 1 47,8 59,9 28,3 55,3 88,9 102,7
Jackknife 2 50,8 71,0 30,2 63,9 102,9 116,5
Bootstrap 43,8 49,8 25,6 46,9 73,0 89,6
DESCRITORES
Espécies coletadas (S) 40 42 23 40 60 79
Exemplares (n) 4.610 1.184 1.251 861 3.408 11.314
Dominância (D) 0,09 0,19 0,21 0,10 0,11 0,06
Diversidade Shannon (H) 2,77 2,42 2,10 2,78 2,75 3,25
Riqueza Margalef (M) 4,62 5,79 3,09 5,77 7,25 8,36
Uniformidade (e) 0,75 0,65 0,67 0,75 0,67 0,74
SEM MARINHOS
ESTIMADORES AIP MIP AIB MIB BBS BSU
Chao 2 44,6 62,2 25,6 55,3 51,5 66,9
Jackknife 1 47,8 59,9 28,3 55,3 58,9 71,9
Jackknife 2 50,8 71,0 30,2 63,9 62,3 73,9
Bootstrap 43,8 49,8 25,6 46,9 50,8 67,2
DESCRITORES
Espécies coletadas (S) 40 42 23 40 43 62
Exemplares (n) 4.610 1.184 1.251 861 2.474 10.380
Dominância (D) 0,09 0,19 0,21 0,10 0,12 0,06
Diversidade Shannon (H) 2,77 2,42 2,10 2,78 2,60 3,14
Riqueza Margalef (M) 4,62 5,79 3,09 5,77 5,38 6,60
Uniformidade (e) 0,75 0,65 0,67 0,75 0,69 0,76
adentram os rios foram registradas. Os índices de completarem o seu ciclo de vida. Dentre as espécies
riqueza de Margalef e de diversidade de Shannon mais reofílicas, estão os grandes migradores, localmente
baixos na sub-região hidrográfica do Alto Itabapoana representados pelos gêneros Brycon Müller &
podem ser atribuídos ao fato de que apenas uma Troschel, 1844, alguns Leporinus Agassiz, 1829, e
pequena parte desta região foi considerada, pois a Prochilodus Agassiz, 1829, que têm sua rota
maior parte dela está fora do estado do Espírito Santo. migratória natural interrompida. Peixes de ambientes
de corredeiras com pedras, como cascudos
Impactos ambientais. A alta energia e o volume Loricariidae, incluindo Neoplecostomus Eigenmann &
das quedas d’água no alto e médio terços fluviais têm Eigenmann, 1888, Hypostomus Lacepède, 1803,
atraído empreendimentos de Pequenas Centrais Harttia Miranda-Ribeiro, 1939, e Loricariichthys
Hidrelétricas (PCHs) nas últimas décadas. Foram Bleeker, 1862, também são impactados pelas drásticas
construídas quatro PCHs, em trechos do médio mudanças. Durante resgate da ictiofauna na PCH Santa
Itabapoana, e ainda seis no Alto e Médio Itapemirim. O Fé (atual PCH Francisco Gros), no rio Itapemirim foi
Alto Itapemirim e Itababoapana contam ainda com registrada maior abundância de cascudos Harttia
uma usina hidrelétrica cada. A construção de barragens loricariformis, e ainda Prochilodus vimboides (Dutra et
provoca a alteração do regime hídrico de rio para lago, al. 2010). Estudos de Silva Neto et al. (2011)
com implicações decisivas sobre a fauna, em especial corroboram os resultados de Dutra et al. (2010), quanto
sobre a população de peixes (Tundisi 1993; Godoy à presença de grandes cascudos e reofílicos migradores
1995; Agostinho & Zalewski 1996). Peixes mais na área de influência da PCH Francisco Gros.
impactados pelos barramentos são os reofílicos, ou Barragens funcionam como ecossistemas artificiais, e
seja, que necessitam do ambiente lótico para podem ocasionar alterações do fluxo dos rios, do
transporte de nutrientes e de sedimentos, alterando a Astyanax nas bacias do sul do Espírito Santo: Astyanax
rota migratória natural de peixes reofílicos (Antonio et giton, A. janeiroensis, A. microschemos, A. parahybae
al. 2007). Se, por um lado, os estudos para a e Astyanax sp. 2 aff. A. lacustris. A maioria das
construção das hidrelétricas podem permitir uma espécies nominais de Astyanax referenciadas para as
ampliação do quadro sobre a distribuição das espécies, Bacias do Sul foi descrita para sistemas fluviais no Rio
por outro, as barragens têm sido consideradas a de Janeiro, em especial para o rio Paraíba do Sul, no
principal causa de impacto para a ictiofauna trecho que entrecorta o estado do Rio de Janeiro.
(Drummond et al. 2005). Convém observar, no entanto, Astyanax microschemos foi a única espécie de
que apesar dos esforços, não foi possível resgatar Astyanax originalmente descrita para bacias fluviais no
nenhum material citado nos relatórios ambientais das Espírito Santo (Bertaco & Lucena 2006). Astyanax
diferentes PCHs construídas. Estudos em outras áreas microschemos parece ser endêmica das cabeceiras do
demonstram a redução das populações de espécies rio Itapemirim, tendo sido encontrada na localidade-
migradoras diante de barramentos. Em alternativa ao tipo, em Iúna, e também uma população no córrego
isolamento genético de populações (Petrere 1996), a Mata Pau, em Muniz Freire. Astyanax giton foi uma
transposição de peixes pode ser uma solução. A das espécies mais comuns nos rios do Sul, tendo sido
influência das PCHs sobre as populações de peixes dos encontrada em todas as sub-regiões hidrográficas, em
rios tem sido discutida por vários autores e precisa ser diferentes ambientes. Por outro lado, Astyanax
analisada com cuidado (Silva Neto et al. 2011). parahybae foi registrada apenas para trechos da bacia
Outro impacto potencial é a introdução de espécies do rio Itapemirim, especialmente em rios maiores e
exóticas. Os pescadores do rio Itabapoana temem o com forte correnteza. Astyanax parahybae foi a espécie
avanço do bagre africano Clarias gariepinnus nos rios que apresentou maiores dimensões de tamanho, dentre
da região (Bernardes 2004). Contudo, essa espécie não os Astyanax da região. Os trechos onde Astyanax
conta com registros para os rios do sul, e tampouco foi parahybae foi registrada coincidiram com aqueles onde
coletada durante este projeto. A aquicultura é uma Probolodus heterostomus também foi. Populações de
fonte importante de introdução de espécies exóticas. A. janeiroensis distribuem-se por praticamente todas as
Devido às dificuldades para se evitar a fuga de peixes bacias do Sul, mas não foram registradas no Alto
dos criadoros, é provável que mais espécies venham a Itabapoana. Lambaris A. janeiroensis têm sido
se estabelecer em ambientes aquáticos naturais registrados para as planícies costeiras do Rio de Janeiro
(Drummond et al. 2005). e para o baixo rio Paraíba do Sul (Melo 2001). Seus
limites de distribuição norte possivelmente seriam nas
Characiformes. A família Characidae foi das mais drenagens litorâneas das microbacias de Serra, na
representativas nos rios do Sul, com 13 espécies região da grande Vitória (Sarmento-Soares & Martins-
reconhecidas regionalmente. Os Characidae possuem Pinheiro 2010). Uma das espécies de Astyanax
uma composição consideravelmente heterogênea reconhecida para as bacias do sul foi tratada como
quanto à morfologia e carecem de uma diagnose Astyanax sp. 2 aff. A. lacustris, sendo caracterizada
filogenética aplicável (Menezes et al. 2007). Estes pela mancha humeral ovalada conspícua e mancha
peixes, popularmente conhecidos como piabas ou escura no pedúnculo caudal, estendendo-se até a
lambaris, incluíram regionalmente uma surpreendente extremidade dos raios caudais medianos, pertence ao
diversidade de espécies de Astyanax, Baird & Girard, grupo A. bimaculatus (sensu Eigenmann 1921).
1854, e ainda, representantes de Brycon, Espécies de piabas do grupo A. bimaculatus são
Bryconamericus Eigenmann, 1907, Knodus extremamente comuns nas bacias hidrográficas
Eigenmann, 1911, Hasemania Ellis, 1911, neotropicais, e apresentam grande plasticidade
Hyphessobrycon Eigenmann, 1908, Mimagoniates ecológica, o que aumenta as dificuldades de estudos
Regan, 1907, Oligosarcus Günther, 1864, e (V. Garutti, com. pess). Garutti & Britski (2000)
Probolodus Eigenmann, 1911. Astyanax merece indicam que as formas do grupo A. bimaculatus
destaque por tratar-se de um grande gênero cuja portadoras de dente maxilar e padrão reticulado de
sistemática não se encontra bem estabelecida. Astyanax cromatóforos, ocorrem na bacia Amazônica e ao norte.
apresenta muitos problemas taxonômicos e incertezas Indivíduos de Astyanax sp. 2 aff. A. lacustris não
filogenéticas, visto que o monofiletismo do gênero é apresentam dentes no maxilar e não possuem colorido
duvidoso; existem muitas espécies descritas e não há reticulado (sensu Britski et al. 1986; Garutti 1995).
uma revisão recente (Castro & Vari 2004; Vari & Astyanax sp. 2 aff. A. lacustris foi associada a A.
Castro 2007; Bertaco & Lucena 2006; Tagliacollo et al. lacustris pela ausência de dentes no maxilar e mancha
2011). As espécies de Astyanax em geral variam escura no pedúnculo caudal estendendo-se até a
geograficamente e, para seu reconhecimento, extremidade dos raios caudais medianos, diferindo
utilizamos combinações de formato e posição dos desta pelo par de dentes simétricos na sínfise
dentes, número de cúspides, contagens de raios das mandibular, os olhos próximos ao focinho, e faixa
nadadeiras dorsal e anal, número de escamas na linha prateada conspícua nos lados do corpo. Outra espécie
lateral, e ainda diferenças morfométricas na cabeça e congênere e de distribuição parapátrica à do sul,
no tronco. Foram reconhecidas cinco espécies de Astyanax sp. 1 aff. A. lacustris, foi registrada para os
rios do norte do Espírito Santo (Sarmento-Soares & Hyphessobrycon bifasciatus pode apresentar grande
Martins-Pinheiro 2012c). Os nomes dados aos biomassa em ambientes lênticos com abundante
complexos de espécies em Astyanax, como as do grupo matéria orgânica nas baixadas litorâneas.
A. bimaculatus, necessitam maiores investigações para As espécies de Mimagoniates e Probolodus
que se possa definir com acurácia sua identidade habitam rios da Mata Atlântica ou de pequenos
taxonômica, tratando-a como uma nova espécie ou sistemas hídricos do sul do Brasil, representando
apenas variações de espécies já descritas. diferentes graus de endemismo para a ictiofauna de
Astyanax abriga espécies nectônicas de Characidae, água doce dos rios do litoral atlântico.
de hábitos onívoros, e dependem da coluna d’água para
capturar presas trazidas pela correnteza (Casatti et al. Siluriformes. Dentre os Siluriformes, a família
2009). Nos rios do Sul, espécies de Astyanax mais representativa nos rios do Sul foi Loricariidae,
apresentam registro de distribuição sintópica, como com 13 espécies. Dentre as espécies de Loricariidae
Astyanax sp. 2 aff. A. lacustris, A. giton e reconhecidas regionalmente, seis apresentam
A. janeiroensis coespecíficas em trechos do médio rio endemismo para o rio Paraíba do Sul e rios costeiros
Itabapoana; e A. microschemos e A. janeiroensis, entre o Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo. Harttia
coespecíficas em Maravilha, na sub-bacia do rio Braço loricariformis, Hypostomus affinis, H. auroguttatus,
Norte Esquerdo do Itapemirim; A. giton e Neoplecostomus microps, Otothyris lophophanes e
A. janeiroensis na sub-bacia do rio Castelo; Rineloricaria steindachneri.
A. janeiroensis, A. parahybae e Astyanax sp.2 aff. Os Loricariinae, Harttia loricariformis e
A. lacustris em trechos do baixo rio Itapemirim. Rineloricaria steindachneri, popularmente chamados
Outra espécie nectônica de Characidae é de cascudos-chata-pedra, ocupam ambientes lóticos, de
Probolodus heterostomus, que ocorreu pontualmente forte correnteza, com águas claras e frias,
para o Alto e Médio Itapemirim e ainda para o Baixo especialmente em riachos nos vales e encostas de
Itabapoana. É uma espécie com hábitos lepidófagos montanha. Apesar de ocuparem ambientes similares,
(Roberts 1970), distribuindo-se em riachos de águas estas duas espécies foram encontradas em sintopia
escuras ou claras (Menezes et al. 2007). Possuem a apenas no rio Itapemirim à jusante da foz do córrego
fileira externa de dentes no premaxilar curvados para Itaoca (P 50). A maior incidência de espécimes de
fora, e dentes no dentário decrescendo suavemente. Harttia loricariformis foi associada a rios com leito
Indivíduos jovens são morfologicamente semelhantes a pedregoso. Por outro lado, indivíduos de Rineloricaria
Astyanax parahybae, porém apresentam menor steindachneri foram encontrados principalmente em
amplitude de raios ramificados na nadadeira anal. A águas rasas, com leito de cascalho. Ghazzi (2008)
semelhança morfológica entre indivíduos de sugeriu que muitas espécies de Rineloricaria
Probolodus e Astyanax foi sugerida como sendo uma permanecem por serem descritas em diversos sistemas
forma de mimetismo agressivo por Sazima (1977), hidrográficos brasileiros, e levantou a possibilidade de
uma vez que em estudos com populações do rio que os rios Itabapoana e Doce abriguem espécies ainda
Paraíba do Sul observou-se que espécimes de Astyanax desconhecidas.
seriam a principal presa de Probolodus. Probolodus Cascudos Hypostomus têm hábitos bentônicos e
heterostomus foi registrada em sintopia com A. alimentação perifitívora ou detritívora (Casatti et al.
parahybae no Médio Itapemirim e ainda com A. giton 2009), tendo sido localizadas duas espécies nos rios do
no Itabapoana. Sul: H. affinis e H. auroguttatus, facilmente
Hyphessobrycon bifasciatus e Mimagoniates distinguidas pela cabeça alta e quatro quilhas
microlepis foram associados às porções média e baixa longitudinais no tronco de H. affinis (vs. cabeça baixa e
dos rios do Sul, tendo sido encontrados em pequenos corpo sem quilhas). Hypostomus affinis é bastante
córregos e lagoas. Mimagoniates microlepis teve comum nos rios do sul, tendo sido encontrada em todos
ocorrência em um único ponto (P 75) no Médio os trechos da bacia. Hypostomus auroguttatus teve
Itabapoana. A espécie habita riachos costeiros ocorrência restrita ao Alto e Médio Itapemirim, com
sombreados, de águas claras, rasas e de correnteza poucos registros, especialmente para a calha central do
fraca (Mazzoni & Iglesias-Rios 2002). Sua ocorrência rio.
em riachos da floresta atlântica está correlacionada à Delturus parahybae é uma espécie criticamente
presença de vegetação ripária, e justamente por esse ameaçada de extinção (Rosa & Lima 2008); os poucos
motivo teve registros esparsos nos rios do sul, fora de indivíduos conhecidos são procedentes da bacia do rio
áreas protegidas. Hyphessobrycon bifasciatus é Paraíba do Sul. Dos seis espécimens, dois são tipos
habitante de córregos, alagados e lagoas no Baixo Rios colecionados durante a Expedição Thayer, em 1865
do Sul e Médio Itapemirim. Indivíduos jovens muito (Reis et al. 2006). Registros recentes no rio Pomba, em
pequenos de Hyphessobrycon bifasciatus (machos e 2002, indicaram sua presença no terço inferior da
fêmeas) são avermelhados, mas os machos logo se bacia, em áreas de corredeiras com fundo rochoso e
tornam amarelados, e normalmente são maiores que as parcialmente cobertas por vegetação aquática (Reis et
fêmeas (F. Carvalho, com. Pess); as fêmeas continuam al. 2006; Rosa & Lima 2008). Pompeu & Vieira (2003)
avermelhadas quando adultas (Malabarba 2006). assinalaram que Delturus parahybae seja
extremamente vulnerável à degradação ambiental Espírito Santo. Duas espécies de linhagens basais
experimentada pelo terço inferior da bacia do rio foram registradas para os rios do sul do Espírito Santo:
Paraíba do Sul. Até o momento, não foram localizados Glanidium melanopterum, grupo irmão de todos os
indivíduos de Delturus parahybae nos rios do Sul do demais Centromochlinae, subfamília de
Espírito Santo. Auchenipteridae (Soares-Porto 1998), e ainda
Por outro lado, foram identificados, no Médio Trichogenes claviger (de Pinna et al. 2010), um
Itapemirim, cascudos com 11 raios ramificados na Trichomycteridae basal (sensu de Pinna 1998).
nadadeira dorsal, coloridos com numerosas máculas Glanidium é grupo monofilético com sete espécies.
escuras: estes cascudos foram reconhecidos como Corresponde ao único gênero de Centromochlinae com
Pterygoplichthys sp. Cascudos Pterygoplichthys têm representantes na bacia do rio São Francisco e
dimorfismo sexual secundário, podem alcançar grandes drenagens costeiras do Brasil, um padrão de
dimensões e geralmente habitam rios maiores distribuição disjunto em relação aos demais membros
(C. Zawadski, com. pess.). Os peixes coletados no da subfamília. Glanidium melanopterum ocorre entre o
Médio Itapemirim são jovens, tendo sido capturados Rio de Janeiro e o centro-sul do Espírito Santo,
unicamente em um afluente do córrego São Gabriel, ocupando ambientes lóticos na calha central de grandes
um tributário do rio Muqui do Norte, margem direita rios, no Médio Itabapoana e Médio Itapemirim.
do rio Itapemirim. A ocorrência de Pterygoplichthys Trichogenes é monofilético, com duas espécies, e o
sp. em um sistema hídrico da Mata Atlântica pode único gênero reconhecido dentre a subfamília
tratar-se de uma possível introdução de tanques ou Trichogeninae. Juntamente com os Copionodontinae,
poços para fins de cultivo. Pescadores da região os Trichogeninae formam o grupo irmão dos demais
nomeiam tais peixes como “acari” associando-os como Trichomycteridae. Táxons antigos são muitas vezes
distintos dos “cascudos” Hypostomus, comuns na área depauperados em número de espécies e apresentam, em
(J.L. Helmer, com. pess.). sua maioria, distribuição geográfica extremamente
Além dos cascudos, os rios do sul são habitados por limitada (Stiassny & de Pinna 1994). Trichogenes
cascudinhos, que são os loricarídeos locais de pequenas claviger, recentemente descrita para a sub-bacia do rio
Caxixe, contribuinte do Itapemirim, ocorre em setores
dimensões, raramente ultrapassando 10 cm de
sombreados de um riacho de água preta, de correnteza
comprimento padrão. Otothyris lophophanes teve sua
lenta, com substrato arenoso e aglomerações de matéria
ocorrência restrita ao baixo curso fluvial dos rios
vegetal em alguns pontos (de Pinna et al. 2010). A
Itabapoana e Itapemirim, mas sem registro para as
localidade-tipo corresponde a um pequeno córrego,
microbacias de Marataízes. Otothyris são pequenos
numa área particular entre duas unidades de
cascudinhos sem nadadeira adiposa, que vivem ocultos
conservação: os Parques Estaduais de Forno Grande e
sob a vegetação marginal de pequenos córregos de
Pedra Azul. Medidas de conservação são necessárias
correnteza moderada. Correspondem à espécie de
para garantir a sobrevivência da única população de
menor tamanho dentre os loricarídeos regionais, Trichogenes claviger conhecida. Esforços de
alcançando pouco mais de 3 cm de comprimento amostragem no entorno do local também são
padrão. Por outro lado, Neoplecostomus microps é uma desejáveis para se aferir os limites de distribuição da
espécie bastante comum em ambientes lóticos, espécie. Neste sentido, a região do rio Caxixe destaca-
encaichoeirados e torrenciais, onde se alimenta de se na preservação da ictiofauna da bacia do Itapemirim.
perifiton e larvas de insetos (Braga et al. 2008). Outros A fauna de peixes de água doce da América do Sul,
cascudinhos nos rios do Sul foram Parotocinclus composta principalmente de peixes primariamente de
maculicauda, Parotocinclus sp. aff. P. jimi e Hisonotus água doce, como os Ostariophysi, possui sua história
notatus. Parotocinclus sp. aff. P. jimi é evolutiva principal ligada à história geológica, quando
morfologicamente semelhante a P. jimi, uma espécie os sistemas hídricos no continente foram formados e
descrita para a bacia do Rio de Contas, na Bahia, pela modificados (Lundberg et al. 1998; Castro 1999). O
disposição das pequenas placas abdominais (vs. placas reconhecimento das linhagens e grupos de espécies nos
grandes em P. maculicauda). Indivíduos de permite inferir alguns resultados do ponto de vista
Parotocinclus sp. aff. P. jimi foram reconhecidos biogeográfico, diante dos marcantes padrões de
também para as microbacias de Guarapari, no sudeste distribuição geográfica destas espécies. Os sistemas
do Espírito Santo (F.O. Martins, com. pess.), e maiores hídricos da Mata Atlântica do sul do Espírito Santo
investigações são necessárias. foram pouco estudados, quando comparados com o
Biogeografia. Os sistemas hídricos do sudeste e vizinho rio Paraíba do Sul, nos trechos médio baixo e
leste do Brasil são ainda habitados por táxons baixo, no Rio de Janeiro e Minas Gerais. As bacias dos
reminiscentes de uma história biogeográfica antiga. rios do sul do Espírito Santo apresentaram acentuado
Ribeiro (2006) propos o Cretáceo, como idade inicial endemismo para peixes de água doce, e muitos táxons
da diversificação da fauna endêmica das drenagens endêmicos dos rios do sul do Espírito Santo têm a
costeiras do Brasil. Hipóteses de eventos antigos, com distribuição geográfica compartilhada com o Baixo
a presença de táxons basais podem ser extraídos dentre Paraíba do Sul. As espécies Astyanax parahybae,
os Centromochlinae e Trichomycteridae no sul do Pimelodella pectinifer, Rineloricaria steindachneri,
Harttia loricariformis e Australoheros muriae foram Antonio, R.R.; Agostinho, A.A.; Pelicice, F.M.; Bailly, D.;
reconhecidas como tendo distribuição entre o rio Okada, E.K. & Dias, J.H.P. 2007. Blockage of migration
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13 abril 2004.
AGRADECIMENTOS
Bernini, E. & Rezende, C.E. 2010. Variação estrutural em florestas
de mangue do estuário do rio Itabapoana, ES-RJ. Biotemas
Queremos deixar nossos agradecimentos aos 23(1): 49–60.
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Bacia do Itapemirim (748 lotes, sendo que 602 foram examinados, 146 foram consultados em banco de dados). Lotes examinados (602
lotes): Aspidoras virgulatus MBML 540 (3), MBML 3677 (1). Astyanax giton MBML 430 (2), MBML 563 (12), MBML 566 (17), MBML
589 (16), MBML 1019 (10), MBML 1025 (6), MBML 1090 (16), MBML 1130 (24), MBML 1162 (4), MBML 1168 (14), MBML 1194 (2),
MBML 1207 (26), MBML 1218 (8), MBML 1326 (12), MBML 1733 (3), MBML 1743 (10), MBML 1760 (35), MBML 2324 (1), MBML
2325 (5), MBML 2326 (52), MBML 2329 (2), MBML 2359 (4), MBML 2439 (1), MBML 2447 (10), MBML 2450 (8), MBML 2481 (22),
MBML 2488 (1), MBML 2497 (10), MBML 2726 (5), MBML 2754 (3), MBML 3067 (4), MBML 3096 (5), MBML 3437 (34), MBML
3440 (6), MBML 3446 (5), MBML 3451 (3), MBML 3738 (3), MBML 3993 (2), MBML 3994 (7), MBML 4475 (1), MBML 5658 (1),
MBML 5671 (4), MBML 5721 (1), MBML 5826 (16), MBML 5828 (3), MBML 5917 (31), MBML 5939 (4), MBML 5941 (2), MBML
5947 (9), MBML 5950 (6), MBML 5963 (2), MBML 5993 (12), MBML 5994 (3), MBML 6003 (1), MBML 6305 (4), MBML 6390 (66),
MNRJ 36307 (3). Astyanax janeiroensis MBML 580 (6), MBML 988 (7), MBML 1020 (4), MBML 1278 (6), MBML 1291 (1), MBML
1811 (14), MBML 2328 (1), MBML 2464 (5), MBML 2465 (6), MBML 2480 (2), MBML 2498 (9), MBML 2758 (10), MBML 2770 (9),
MBML 3443 (29), MBML 3681 (4), MBML 3695 (8), MBML 3736 (6), MBML 3995 (4), MBML 4480 (1), MBML 4580 (4), MBML 5670
(1), MBML 5746 (1), MNRJ 36313 (1), MNRJ 36314 (10), MNRJ 36323 (12), MNRJ 36332 (10), MNRJ 36341 (6), MNRJ 36348 (27),
MNRJ 36363 (2). Astyanax microschemos MBML 1116 (1), MBML 1736 (7), MBML 3442 (19). Astyanax parahybae MBML 2483 (1),
MBML 2766 (1), MNRJ 36357 (2), MNRJ 36667 (12). Astyanax sp.2 aff. A. lacustris MBML 422 (1), MBML 448 (1), MBML 1026 (3),
MBML 1110 (4), MBML 1195 (12), MBML 2442 (1), MBML 2470 (1), MBML 2746 (3), MBML 2749 (3), MBML 3682 (1), MBML 5687
(3), MBML 5918 (7), MBML 5940 (2), MNRJ 36346 (9). Australoheros muriae MBML 3435 (1), MBML 3445 (9). Awaous tajasica
MBML 3733 (1), MBML 3906 (1), MBML 5688 (1). Bryconamericus tenuis MBML 452 (1). Callichthys callichthys MNRJ 36331 (1).
Centropomus undecimalis MBML 3919 (1). Characidium sp. MBML 525 (2), MBML 560 (1), MBML 570 (1), MBML 1087 (17), MBML
1167 (4), MBML 1327 (9), MBML 1732 (17), MBML 1737 (13), MBML 2419 (1), MBML 2423 (1), MBML 2431 (1), MBML 2445 (5),
MBML 2461 (8), MBML 2478 (4), MBML 2490 (1), MBML 2492 (2), MBML 3739 (2), MBML 4152 (1), MBML 4310 (142), MBML
4331 (1), MBML 4476 (1), MBML 5689 (2), MBML 5911 (3), MBML 6394 (14), MNRJ 36302 (2), MNRJ 36315 (9), MNRJ 36333 (4),
MNRJ 36350 (3), MNRJ 36589 (2), MNRJ 36593 (3), MNRJ 36668 (3). Crenicichla lacustris MBML 2460 (3), MBML 2990 (2), MBML
3909 (2), MBML 3920 (1), MBML 5655 (1), MBML 5692 (3). Cyphocharax gilbert MBML 2747 (2), MBML 2950 (4), MBML 3911 (1),
MBML 3922 (3), MBML 5690 (1), MBML 5916 (4). Eigenmannia sp. MBML 2457 (1), MBML 3247 (5). Geophagus brasiliensis MBML
420 (2), MBML 443 (10), MBML 532 (17), MBML 545 (3), MBML 1015 (26), MBML 1017 (24), MBML 1021 (12), MBML 1078 (1),
MBML 1084 (2), MBML 1131 (2), MBML 1165 (1), MBML 1267 (33), MBML 1309 (4), MBML 1759 (6), MBML 1812 (20), MBML
2420 (2), MBML 2427 (4), MBML 2433 (2), MBML 2438 (1), MBML 2446 (3), MBML 2452 (7), MBML 2476 (3), MBML 2491 (1),
MBML 2499 (1), MBML 3093 (1), MBML 3434 (7), MBML 3449 (2), MBML 3680 (3), MBML 3692 (21), MBML 3698 (3), MBML 3734
(10), MBML 3744 (1), MBML 3752 (2), MBML 3774 (10), MBML 3908 (1), MBML 3921 (1), MBML 3929 (1), MBML 4473 (1), MBML
5659 (1), MBML 5669 (1), MBML 5686 (1), MBML 5747 (1), MBML 5827 (3), MBML 5914 (1), MBML 5959 (8), MBML 5961 (1),
MBML 5998 (3), MBML 6009 (22), MBML 6040 (1), MBML 6393 (8), MNRJ 36306 (3), MNRJ 36312 (2), MNRJ 36322 (4), MNRJ
36329 (9), MNRJ 36338 (1), MNRJ 36354 (3), MNRJ 36356 (1), MNRJ 36590 (2), MNRJ 36599 (6), MNRJ 36673 (1). Glanidium
melanopterum MBML 3913 (1). Gobionellus stomatus MBML 3743 (2). Gymnotus carapo MBML 431 (2), MBML 440 (3), MBML 509
(1), MBML 537 (3), MBML 544 (5), MBML 562 (1), MBML 568 (1), MBML 1062 (2), MBML 1065 (17), MBML 1077 (1), MBML 1085
(5), MBML 1111 (4), MBML 1161 (1), MBML 1164 (2), MBML 1268 (29), MBML 2425 (1), MBML 2882 (14), MBML 3675 (1), MBML
4478 (1), MBML 5657 (1), MBML 5719 (1), MBML 5745 (1), MBML 5964 (1), MBML 6001 (2), MNRJ 36597 (2). Harttia loricariformis
MBML 541 (1), MBML 552 (12), MBML 582 (6), MBML 987 (28), MBML 1016 (9), MBML 1018 (3), MBML 1208 (3), MBML 1209 (1),
MBML 1306 (20), MBML 1758 (19), MBML 2421 (14), MBML 2434 (2), MBML 2487 (3), MBML 2494 (3), MBML 2687 (3), MBML
3910 (2), MBML 4481 (1), MBML 5691 (1), MBML 5825 (14), MBML 5949 (5), MBML 5960 (3), MBML 6397 (5), MNRJ 36309 (2),
MNRJ 36364 (4), MNRJ 36672 (6). Hisonotus notatus MBML 1270 (70), MBML 2462 (6), MBML 2472 (5), MBML 3670 (1), MBML
3674 (8), MBML 3989 (4), MNRJ 36334 (8), MNRJ 36351 (5). Hoplias sp. aff. H. malabaricus MBML 475 (2), MBML 574 (2), MBML
1088 (1), MBML 1114 (1), MBML 2870 (4), MBML 3438 (1), MBML 3447 (1), MBML 3689 (1), MBML 3701 (1), MBML 3740 (1),
MBML 3916 (1), MBML 5751 (1), MBML 5913 (2), MBML 6039 (1), MBML 6307 (1), MNRJ 36316 (1), MNRJ 36594 (3). Hoplosternum
littorale MBML 3914 (1). Hyphessobrycon bifasciatus MBML 3750 (1). Hypostomus affinis MBML 441 (3), MBML 447 (1), MBML 520
(6), MBML 565 (13), MBML 1023 (3), MBML 1277 (1), MBML 1325 (2), MBML 1659 (6), MBML 1756 (1), MBML 2436 (1), MBML
2443 (1), MBML 2469 (2), MBML 2495 (3), MBML 2689 (2), MBML 2711 (7), MBML 2903 (1), MBML 3066 (45), MBML 3092 (1),
MBML 3672 (2), MBML 3696 (1), MBML 3735 (1), MBML 3917 (3), MBML 3924 (2), MBML 3925 (1), MBML 5717 (2), MBML 5749
(2), MBML 5909 (7), MBML 6002 (2), MBML 6041 (1), MBML 6303 (21), MNRJ 36320 (1), MNRJ 36345 (5), MNRJ 36360 (1), MNRJ
36378 (2), MNRJ 36596 (3), MNRJ 36670 (1). Hypostomus auroguttatus MBML 3216 (3), MBML 3912 (1), MBML 3918 (1), MBML 3926
(2). Imparfinis sp. MBML 2458 (2), MBML 3676 (1), MBML 5718 (1), MBML 5910 (7), MNRJ 36336 (4). Knodus sp. aff. K. moenkhausii
MBML 2428 (38), MBML 5750 (2), MNRJ 36592 (45). Leporinus copelandii MBML 476 (1), MBML 986 (1), MBML 1024 (2), MBML
1064 (2), MBML 1193 (2), MBML 1329 (3), MBML 1744 (2), MBML 1757 (2), MBML 2721 (2), MBML 3690 (1), MBML 5824 (1).
Leporinus mormyrops MBML 435 (1), MBML 1119 (1), MBML 1160 (1), MBML 1210 (1). Microglanis parahybae MBML 5660 (1).
Neoplecostomus microps MBML 419 (8), MBML 426 (5), MBML 449 (3), MBML 450 (2), MBML 535 (3), MBML 536 (32), MBML 557
(2), MBML 587 (18), MBML 1022 (2), MBML 1117 (17), MBML 1290 (1), MBML 1293 (4), MBML 1307 (15), MBML 1741 (3), MBML
2430 (3), MBML 2435 (1), MBML 3069 (1), MBML 3988 (1), MBML 4153 (2), MBML 4327 (3), MBML 4330 (10), MBML 6000 (11),
MBML 6038 (1), MBML 6396 (5), MNRJ 36301 (7), MNRJ 36310 (2), MNRJ 36591 (17), MNRJ 36674 (1). Oligosarcus acutirostris
MBML 2477 (1), MBML 2485 (1), MBML 2729 (6), MBML 3691 (7), MBML 3697 (9), MBML 3767 (2), MNRJ 36349 (1), MNRJ 36361
(1). Pareiorhaphis garbei MBML 451 (7), MBML 526 (1), MBML 558 (3), MBML 588 (2), MBML 4497 (1), MBML 6036 (2), MBML
6042 (1), MBML 6302 (1). Parotocinclus maculicauda MBML 510 (6), MBML 534 (2), MBML 564 (3), MBML 1354 (2), MBML 2449
(4), MBML 2463 (1), MBML 2496 (3), MBML 3345 (3), MBML 3673 (1), MBML 4477 (1), MBML 5656 (1), MBML 5912 (2), MBML
5948 (4), MBML 6004 (1), MBML 6395 (52), MNRJ 36327 (7), MNRJ 36335 (1), MNRJ 36671 (5). Phalloceros harpagos MBML 1271
(3), MBML 3095 (3), MBML 3436 (50), MBML 3444 (4), MBML 3742 (2). Pimelodella pectinifer MBML 1328 (1), MBML 2459 (3),
MBML 2475 (1), MBML 2489 (1), MBML 2793 (1), MBML 3684 (8), MBML 3688 (1), MBML 3741 (1), MBML 3766 (2), MBML 3907
(1), MBML 5668 (2), MBML 5720 (1), MBML 5962 (1), MNRJ 36325 (1), MNRJ 36337 (4), MNRJ 36355 (1), MNRJ 36358 (1), MNRJ
36376 (12). Poecilia reticulata MBML 442 (10), MBML 511 (6), MBML 542 (2), MBML 546 (1), MBML 1310 (12), MBML 2424 (3),
MBML 2432 (14), MBML 2437 (4), MBML 2444 (1), MBML 2454 (87), MBML 2468 (28), MBML 2479 (6), MBML 2500 (3), MBML
3094 (4), MBML 3700 (8), MBML 4154 (1), MBML 5748 (1), MBML 6037 (4), MBML 6392 (16), MNRJ 36304 (19), MNRJ 36311 (3),
MNRJ 36321 (3), MNRJ 36330 (103), MNRJ 36344 (48), MNRJ 36353 (15), MNRJ 36379 (5). Poecilia vivipara MBML 2448 (1), MBML
2455 (18), MBML 2456 (16), MBML 2471 (1), MBML 2482 (5), MBML 2484 (1), MBML 2723 (7), MBML 3068 (10), MBML 3450 (2),
MBML 3678 (9), MBML 3685 (43), MBML 3694 (102), MBML 3699 (113), MBML 3737 (1), MBML 3753 (30), MBML 3765 (25),
MBML 3783 (10), MBML 3784 (10), MBML 3927 (5), MBML 3928 (8), MBML 3930 (22), MBML 3931 (13), MBML 3932 (19), MBML
5672 (1), MBML 5722 (2), MBML 5744 (1), MBML 5915 (5), MBML 6005 (4), MBML 6007 (2), MBML 6306 (2), MNRJ 36328 (22),
MNRJ 36342 (4), MNRJ 36359 (2), MNRJ 36675 (1). Probolodus heterostomus MBML 2794 (3). Prochilodus vimboides MBML 1112 (1).
Pterygoplichthys sp. MBML 3687 (10). Rhamdia sp. MBML 444 (3), MBML 556 (1), MBML 569 (8), MBML 583 (1), MBML 1079 (5),
MBML 1089 (2), MBML 1115 (1), MBML 1163 (5), MBML 1166 (5), MBML 1269 (3), MBML 1279 (1), MBML 1292 (1), MBML 1813
(1), MBML 2440 (3), MBML 2451 (1), MBML 2466 (1), MBML 3070 (1), MBML 3439 (14), MBML 3441 (1), MBML 3448 (4), MBML
3679 (1), MBML 3693 (1), MBML 5716 (1), MBML 5958 (1), MBML 5999 (5), MBML 6008 (3), MBML 6391 (1), MNRJ 36305 (7),
MNRJ 36308 (2), MNRJ 36317 (4), MNRJ 36326 (2), MNRJ 36377 (1), MNRJ 36669 (1). Rineloricaria steindachneri MBML 2474 (1),
MBML 2486 (1), MBML 3202 (3), MBML 3683 (1), MBML 3915 (2), MBML 3923 (1), MNRJ 36352 (2), MNRJ 36362 (1). Tilapia
rendalli MBML 985 (1), MBML 3686 (2), MBML 3702 (4), MBML 3764 (36), MNRJ 36303 (7). Trichogenes claviger MBML 3289 (1),
MBML 3290 (17), MBML 3987 (23). Trichomycterus brunoi MBML 590 (1), MBML 1742 (1), MBML 2426 (1), MBML 2441 (3), MBML
2493 (1), MBML 4312 (1), MBML 4326 (4), MBML 4329 (3), MBML 4482 (1), MNRJ 36595 (2). Trichomycterus caudofasciatus MBML
427 (4), MBML 434 (2), MBML 539 (1), MBML 547 (15), MBML 559 (2), MBML 567 (1), MBML 1080 (9), MBML 1086 (4), MBML
1308 (5), MBML 1734 (25), MBML 1735 (3), MBML 2418 (3), MBML 2422 (1), MBML 2429 (20), MBML 2453 (39), MBML 2467 (4),
MBML 2473 (1), MBML 4151 (4), MBML 4311 (1), MBML 4328 (3), MBML 4332 (1), MBML 6006 (1), MBML 6304 (3), MBML 6398
(13), MNRJ 36300 (23), MNRJ 36319 (4), MNRJ 36324 (42), MNRJ 36343 (5), MNRJ 36588 (5). Ulaema lefroyi MBML 3751 (1). Lotes
consultados em banco de dados (146 lotes): Astyanax giton MCP 27737 (4), MCP 29475 (2), MCP 29476 (1), MCP 29488 (3), MCP 29503
(1), MCP 29511 (1), MNRJ 22978 (7), MNRJ 22988 (12), MZUSP 27576 (116). Astyanax janeiroensis MCP 29504 (2), MCZ 20933 (8),
MNRJ 22248 (32), MNRJ 22249 (58). Astyanax microschemos MCP 34366 (31), MCP 37569 (1). Astyanax parahybae MCP 13964 (753),
MZUSP 17059 (102), MZUSP 41737 (121), MZUSP 79631 (1). Astyanax sp.2 aff. A. lacustris MCP 27746 (2), MCP 27751 (4), MCP 29469
(2), MCP 29505 (3), MZUSP 17057 (29). Characidium sp. MCP 13773 (1), MCP 14363 (34), MCP 29472 (1), MNRJ 23806 (1), MNRJ
23816 (4), MNRJ 23819 (3), MZUSP 41740 (13). Corydoras nattereri MNRJ 22367 (3). Crenicichla lacustris MZUSP 27579 (1).
Cyphocharax gilbert MNRJ 22987 (1), MZUSP 20850 (10). Eleotris pisonis MCP 17867 (1). Geophagus brasiliensis MCP 18155 (22),
MCP 27724 (1), MNRJ 22300 (7), MNRJ 22303 (38), MZUSP 27580 (29), MZUSP 27660 (1), MZUSP 41734 (2), MZUSP 44992 (4),
MZUSP 54851 (20). Gymnotus carapo MNRJ 21046 (2). Harttia loricariformis MCP 13778 (2), MCP 27674 (4), MCP 27690 (1), MCP
27699 (7), MCP 29483 (1), MCP 29485 (3), MCP 29502 (9), MCP 29509 (7), MZUSP 41733 (1). Hisonotus notatus MCP 18096 (9), MNRJ
22984 (2), MZUSP 27583 (4). Hoplias sp. aff. H. malabaricus MNRJ 22332 (3), MNRJ 22342 (2), MZUSP 27578 (1). Hoplosternum
littorale MNRJ 22369 (3). Hyphessobrycon bifasciatus MCP 13679 (8), MZUSP 41736 (5). Hypostomus affinis MCP 27338 (2), MCP 27665
(2), MCP 27668 (8), MCP 27672 (13), MCP 29474 (1), MCP 29480 (12), MCP 29486 (1), MNRJ 21028 (1), MNRJ 21048 (2), MNRJ 22983
(2), MNRJ 22991 (1). Hypostomus auroguttatus MCP 29471 (1). Knodus sp. aff. K. moenkhausii MNRJ 21049 (1), MZUSP 17058 (1).
Leporinus copelandii MCP 17869 (10), MCP 29470 (1), MZUSP 27581 (2). Microglanis parahybae MCP 17777 (1), MNRJ 22981 (1).
Neoplecostomus microps MCP 27340 (5), MCP 27667 (34), MCP 27669 (1), MCP 27683 (3), MCP 27691 (10), MCP 27692 (9), MCP
29481 (6), MCP 29482 (2), MCP 29487 (10), MCP 34023 (7), MCP 34024 (2), MNRJ 21027 (5). Oligosarcus acutirostris MCP 17982 (2),
MNRJ 22979 (12), MNRJ 22989 (2), MZUSP 4765 (1), MZUSP 27582 (5), MZUSP 37525 (1). Otothyris lophophanes MNRJ 22985 (64).
Pareiorhaphis garbei MCP 13806 (1), MCP 27295 (1), MCP 27337 (2), MCP 27704 (10), MCP 27706 (36), MCP 29484 (1), MCP 29506
(1). Parotocinclus maculicauda MCP 27673 (1), MCP 27686 (1), MCP 29500 (16), MCP 29501 (6). Pimelodella pectinifer MCP 13761 (1),
MCP 29473 (1), MZUSP 22968 (72), Poecilia reticulata MCP 27666 (2), MCP 27687 (2), MCP 29510 (2), MNRJ 21047 (1), MZUSP
41735 (3). Poecilia vivipara MCP 18120 (11), MNRJ 22986 (41), MNRJ 22992 (99), MZUSP 54814 (10), MZUSP 64143 (1). Probolodus
heterostomus MZUSP 27577 (1). Prochilodus vimboides MZUSP 20849 (1). Rhamdia sp. MCP 27730 (2), MCP 29633 (1), MNRJ 22982
(7). Scleromystax prionotos MZUSP 22969 (1). Tilapia rendalli MNRJ 22294 (1). Trachelyopterus striatulus MNRJ 22990 (4).
Trichomycterus caudofasciatus MCP 13699 (2), MCP 13759 (1), MCP 13799 (2), MCP 27719 (8), MCP 27721 (3), MCP 27722 (6), MCP
29507 (1), MNRJ 21029 (2), MNRJ 22980 (3), MNRJ 23818 (5), MZUSP 41738 (2), MZUSP 41739 (2).
Bacia do Itabapoana (401 lotes, sendo que 219 foram examinados, 182 foram consultados em banco de dados). Lotes examinados (219
lotes): Ancistrus multispinis MBML 1776 (2). Astyanax giton MBML 2389 (1), MBML 2407 (4), MBML 3708 (2), MBML 3711 (20),
MBML 3731 (7), MBML 5680 (1), MBML 5728 (3), MBML 6311 (13), MBML 6313 (21), MNRJ 36571 (7), MNRJ 36584 (3). Astyanax
janeiroensis MBML 1765 (10), MBML 1779 (15), MBML 2371 (58), MBML 2381 (27), MBML 2387 (13), MBML 2397 (2), MBML 2414
(4), MBML 3720 (11), MBML 3996 (1), MBML 5681 (1), MBML 5725 (1), MBML 6290 (1), MBML 6319 (21), MBML 6331 (54), MNRJ
36540 (70), MNRJ 36549 (26), MNRJ 36553 (15). Astyanax sp.2 aff. A. lacustris MBML 2377 (4), MBML 2394 (1), MBML 2408 (1),
MBML 3713 (1), MBML 3992 (1), MNRJ 36541 (1), MNRJ 36542 (1), MNRJ 36562 (1), MNRJ 36567 (2). Australoheros muriae MBML
3703 (1). Bryconamericus tenuis MNRJ 36543 (86). Characidium sp. MBML 1778 (86), MBML 1810 (36), MBML 2365 (5), MBML 2375
(14), MBML 2382 (17), MBML 2392 (8), MBML 2399 (68), MBML 2400 (77), MBML 2411 (23), MBML 2412 (34), MBML 2417 (1),
MBML 5726 (1), MBML 6310 (46), MBML 6314 (12), MBML 6321 (3), MBML 6328 (10), MNRJ 36529 (6), MNRJ 36544 (14), MNRJ
36552 (17), MNRJ 36554 (10), MNRJ 36569 (78), MNRJ 36570 (89), MNRJ 36579 (23), MNRJ 36582 (33), MNRJ 36586 (1). Corydoras
nattereri MBML 3722 (9), MBML 3777 (6), MBML 1780 (1), MBML 2366 (1), MBML 5679 (2), MNRJ 36647 (1). Cyphocharax gilbert
MBML 5682 (1), MNRJ 36538 (1). Eigenmannia sp. MBML 976 (1), MBML 3723 (1). Geophagus brasiliensis MBML 1764 (1), MBML
1777 (2), MBML 2369 (3), MBML 2384 (3), MBML 3707 (13), MBML 3718 (10), MBML 3730 (1), MBML 3748 (1), MBML 5685 (1),
MBML 5727 (2), MBML 5757 (1), MBML 6318 (2), MBML 6324 (1), MBML 6325 (12), MNRJ 36530 (1), MNRJ 36535 (4), MNRJ
36559 (3), MNRJ 36565 (8), MNRJ 36578 (1). Gymnotus carapo MBML 2368 (3), MBML 2383 (4), MBML 3714 (4), MBML 5723 (1),
MBML 6315 (6), MBML 6322 (4), MBML 6330 (5), MNRJ 36536 (2), MNRJ 36557 (5). Harttia loricariformis MBML 1763 (1), MNRJ
36528 (1). Hasemania sp. MBML 2390 (17), MBML 2398 (3), MBML 2406 (27), MNRJ 36560 (20), MNRJ 36568 (7), MNRJ 36576 (31).
Hisonotus notatus MBML 1766 (3), MBML 1770 (7), MBML 3716 (1), MBML 3728 (14), MBML 3786 (10), MBML 4080 (1). Hoplias sp.
aff. H. malabaricus MBML 2374 (2), MBML 2385 (1), MBML 3725 (1), MBML 6332 (1), MNRJ 36534 (2). Hoplosternum littorale
MBML 1027 (1). Hyphessobrycon bifasciatus MBML 3747 (71). Hypostomus affinis MBML 1771 (2), MBML 2393 (10), MBML 2401 (3),
MBML 5758 (1), MBML 6316 (5), MBML 6326 (8), MNRJ 36531 (1), MNRJ 36537 (1), MNRJ 36545 (1), MNRJ 36561 (12). Imparfinis
sp. MBML 1762 (1), MBML 1769 (4). Ituglanis parahybae MBML 3717 (1), MBML 3721 (1). Knodus sp. aff. K. moenkhausii MBML 2376
(73), MBML 3710 (14). Leporinus copelandii MBML 2370 (1), MBML 3719 (1), MBML 3785 (10). Mimagoniates microlepis MBML 1768
(11). Neoplecostomus microps MBML 2380 (3), MBML 2395 (2), MBML 2403 (1), MBML 2409 (1), MBML 2415 (3), MBML 2416 (2),
MNRJ 36532 (1), MNRJ 36548 (3), MNRJ 36563 (3), MNRJ 36573 (1), MNRJ 36574 (3), MNRJ 36581 (3), MNRJ 36585 (4), MNRJ
36587 (1). Oligosarcus acutirostris MBML 1761 (1), MBML 3726 (2). Parotocinclus maculicauda MBML 1772 (2), MBML 3706 (3),
MBML 3729 (2). Parotocinclus sp. MBML 6295 (1). Phalloceros harpagos MBML 2404 (1), MBML 3715 (1). Pimelodella pectinifer
MBML 2373 (11), MBML 5684 (2), MNRJ 36539 (12). Poecilia reticulata MBML 3705 (12), MBML 3712 (7), MBML 6309 (3). Poecilia
vivipara MBML 1767 (9), MBML 2391 (2), MBML 2405 (8), MBML 3727 (6), MBML 3749 (74), MBML 5683 (1), MBML 6333 (4),
MNRJ 36533 (1), MNRJ 36547 (2), MNRJ 36558 (3), MNRJ 36577 (11). Rhamdia sp. MBML 2367 (1), MBML 2372 (1), MBML 3709 (2),
MBML 5756 (1), MBML 6317 (4), MBML 6320 (3), MBML 6327 (3), MNRJ 36550 (1), MNRJ 36566 (8). Rineloricaria steindachneri
MBML 3724 (1). Scleromystax prionotos MBML 1775 (1). Synbranchus marmoratus MBML 1774 (1), MBML 3732 (1). Tilapia rendalli
MBML 2388 (3), MBML 1773 (2), MBML 2396 (6), MBML 2410 (2), MBML 2413 (2), MBML 4325 (1), MBML 5724 (1).
Trichomycterus caudofasciatus MBML 2378 (2), MBML 2386 (1), MBML 2402 (1), MBML 3704 (1), MBML 6308 (3), MBML 6312 (47),
MBML 6323 (2), MBML 6329 (1), MNRJ 36546 (1), MNRJ 36555 (1), MNRJ 36556 (3), MNRJ 36564 (8), MNRJ 36572 (1), MNRJ 36575
(2), MNRJ 36580 (2), MNRJ 36583 (2). Lotes consultados em banco de dados (182 lotes): Achirus declivis MCZ 11436 (1). Anchovia
clupeoides LIRP 995 (2). Archosargus probatocephalus MCZ 154356 (1). Astyanax giton LIRP 6404 (10), LIRP 6413 (4), LIRP 6460 (4),
LIRP 6464 (1), LIRP 6851 (2), LIRP 6862 (2), LIRP 6871 (3), LIRP 6887 (2), MNRJ 22994 (154), MZUSP 27568 (12). Astyanax
janeiroensis LIRP 961 (1), LIRP 6405 (2), LIRP 6414 (2), LIRP 6431 (1), LIRP 6461 (4), LIRP 6462 (2), LIRP 6860 (1), LIRP 6893 (2),
LIRP 7030 (4), LIRP 7040 (2), MCZ 20899 1), MNRJ 22995 (21), MNRJ 23008 (12), MZUSP 27569 (27). Astyanax parahybae LIRP 6852
(1). Astyanax sp.2 aff. A. lacustris LIRP 6402 (1), LIRP 6412 (4), LIRP 6430 (1), LIRP 6463 (1), LIRP 6853 (1), LIRP 6857 (2), LIRP 6869
(3), LIRP 6882 (3), MCP 17750 (1), MCZ 20900 (3). Atherinella brasiliensis LIRP 996 (1). Australoheros muriae MCZ 15369 (2).
Bathygobius soporator LIRP 827 (4), LIRP 968 (6), MCZ 13093 (2). Brycon insignis MCZ 21116 (9), MZUSP 79087 (4). Caranx latus
LIRP 826 (2), MCZ 16085 (1). Characidium sp. MCP 17733 (5), MNRJ 2644 (5), MNRJ 22415 (63), MNRJ 22435 (2). Citharichthys
arenaceus LIRP 997 (2). Corydoras nattereri MNRJ 22368 (16), LIRP 6408 (1), LIRP 6427 (1), LIRP 6845 (2), LIRP 6861 (1), LIRP 6886
(1), LIRP 7034 (2), LIRP 7056 (1), MCP 18143 (2), MZUSP 27570 (1). Ctenogobius boleosoma MCZ 16059 (2). Cyphocharax gilbert LIRP
6397 (15), LIRP 6400 (2), LIRP 6411 (1), LIRP 6438 (6), LIRP 6465 (6), LIRP 6863 (2), LIRP 6868 (3), LIRP 6885 (31), LIRP 6892 (3),
LIRP 7054 (18), MCZ 20281 (2), MCZ 20282 (4), MCZ 16484 (11). Dormitator maculatus LIRP 964 (1). Eigenmannia sp. LIRP 6844 (1),
MCP 18111 (2), MNRJ 23007 (2). Eleotris pisonis LIRP 965 (2), LIRP 966 (27), LIRP 960 (1), LIRP 967 (17), LIRP 971 (4). Geophagus
brasiliensis LIRP 6399 (5), LIRP 6409 (2), LIRP 6418 (1), LIRP 6428 (1), LIRP 6867 (3), LIRP 6884 (2), LIRP 7033 (1), LIRP 7037 (5),
MCP 17854 (3), MCZ 15748 (2), MNRJ 22301 (8), MZUSP 54863 (2). Glanidium melanopterum LIRP 6406 (12), LIRP 6416 (1), LIRP
6859 (2), LIRP 7029 (8), LIRP 7036 (4). Gymnotus carapo LIRP 7038 (1), MCP 17831 (2). Harttia loricariformis LIRP 6407 (3), LIRP
6417 (1), LIRP 6870 (1). Hisonotus notatus MCP 18098 (208), MNRJ 23006 (217). Hoplias sp. aff. H. malabaricus LIRP 6458 (3), LIRP
6890 (1), LIRP 7052 (1), MCZ 21617 (2), MCZ 21618 (1). Hyphessobrycon bifasciatus MZUSP 27567 (2). Hypostomus affinis LIRP 970
(1), LIRP 6454 (4), MCP 18066 (6), MNRJ 23004 (4). Imparfinis sp. MCP 17997 (1), MNRJ 23000 (2). Leporinus copelandii LIRP 6396
(1), LIRP 6401 (1), LIRP 6410 (1), LIRP 6426 (1), LIRP 6429 (1), LIRP 6865 (1), LIRP 6889 (5), LIRP 7035 (3), MNRJ 22993 (9).
Loricariichthys castaneus LIRP 6858 (1), LIRP 830 (2), LIRP 962 (4). Microglanis parahybae MCP 18008 (5), MNRJ 22999 (23), MZUSP
27571 (2). Microphis brachyurus LIRP 972 (20). Mugil curema LIRP 828 (3), MCZ 17566 (2). Oligosarcus acutirostris LIRP 6398 (4),
LIRP 6403 (3), LIRP 6415 (1), LIRP 6437 (4), LIRP 6466 (3), LIRP 6883 (2), LIRP 6888 (3), LIRP 7028 (1), LIRP 7041 (2), LIRP 7055
(2), LIRP 7057 (2), MCZ 20605 (1), Oligosarcus acutirostris MZUSP 27573 (41). Otothyris lophophanes MNRJ 23003 (3). Parotocinclus
maculicauda MZUSP 27575 (1). Phalloceros harpagos MCP 17839 (2), LIRP 6839 (3), LIRP 7039 (1), MCP 17786 (1), MNRJ 23002 (3).
Poecilia vivipara LIRP 969 (1). Probolodus heterostomus MNRJ 22996 (2). Prochilodus vimboides LIRP 6841 (1), MZUSP 27572 (1).
Rhamdia sp. LIRP 6455 (1), LIRP 6842 (1), LIRP 6866 (1), LIRP 7032 (1), LIRP 7053 (1), MNRJ 23001 (3). Rineloricaria steindachneri
MCP 18109 (2), MNRJ 23005 (2). Scleromystax prionotos MCP 17791 (4), MNRJ 22364 (2). Trachelyopterus striatulus LIRP 6864 (3),
LIRP 6872 (2), LIRP 6891 (1), LIRP 7031 (2), LIRP 7051 (1). Trichomycterus brunoi MNRJ 22997 (1), MCP 17784 (1), MNRJ 22998 (3).
Ulaema lefroyi LIRP 829 (9).
Microbacias de Marataízes: (12 lotes examinados): Atherinella brasiliensis MBML 3759 (714). Bathygobius soporator MBML 3763 (2).
Brevoortia pectinata MBML 3760 (26). Geophagus brasiliensis MBML 3754 (13), MBML 3745 (3). Hyphessobrycon bifasciatus MBML
3755 (9), MBML 3746 (1). Phalloceros harpagos MBML 3758 (539). Poecilia vivipara MBML 3762 (14), MBML 3757 (113). Ulaema
lefroyi MBML 3761 (82), MBML 3756 (3).
Apêndice 1. Localização geográfica, condições da vegetação, água e substrato do fundo dos pontos de coleta. Característica da água: T1- transparente amarelada; T2- transparente cor de chá; T3- marrom turva.
Substrato: Ae- areia; Ai- argila; C- cascalho; Fl- folhiço no fundo do rio; L- lodo; P- pedra; R- rocha.
Prof.
Pt Fig. Localidade abreviada Coordenadas Altitude (m) Água Substrato Vegetação
amostral
(m) marginal aquática de entorno
P01 - Córrego Mata Pau em 20º18'53"S 619 0,3–0,5 T2 Ae- Ai- C Abundantes gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou agricultura
Maravilha 41º23'02"W
P02 - Córrego Bela Vista 20º27'27"S 564 0,3–0,5 T2 Ae Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
41º23'36"W
P03 - Rio Braço Norte 20º21'04"S 546 1,0–1,5 T2 Ae- Ai- Fl Moderadas gramíneas e samambaias Macrófitas e vegetação submersa Capoeira ou mata secundária
Esquerdo próximo a 41º23'51"W
Piaçu
P04 - Córrego Rico em 20º22'42"S 500 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Poucas gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira
Menino Jesus 41º24'17"W
P05 - Córrego da Vista 20º23'47"S 524 1,0–1,5 T1 Ae Moderadas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira ou agricultura
Alegre 41º25'59"W
P06 - Córrego Santo 20º25'00"S 424 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Poucas gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira
Antônio 41º26'10"W
P07 3 Rio Braço Norte 20º26'32"S 421 1,0–1,5 T1 Ae- Ai Poucas gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira
Esquerdo trecho 41º27'05"W
médio em Muniz
Freire
P08 3 Córrego Vargem 20º27'16''S 433 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Abundantes gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira
Grande 41º26'42''W
P09 - Córrego Seio de 20º25'29"S 766 1,0–1,5 T2 Ae- Ai- Fl Mata ciliar Moderada vegetação flutuante e emergente Capoeira ou mata secundária
Abraão 41º27'59"W
P10 - Córrego Cristal 20º28'09"S 535 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Abundantes gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou mata secundária
41º27'21"W
P11 3 Rio Pardo na ponte da 20º14'15"S 741 1,0–1,5 T3 Ae- Ai- C Moderadas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira ou habitação
BR262 próximo a 41º30'42"W
Ibatiba
P12 - Rio Pardinho, 20º21'47''S 693 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Moderadas gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira ou agricultura
confluência com 41º36'27''W
Córrego Santa Rosa
Apêndice 1 (continuação)
Prof.
Pt Fig. Localidade abreviada Coordenadas Altitude (m) Água Substrato Vegetação
amostral
(m) marginal aquática de entorno
P13 - Córrego Ponte Alta 20º22'40"S 824 0,3–0,5 T1 Ae- P Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira ou agricultura
41º29'44"W
P14 3 Córrego Jatobá 20º24'16''S 611 0,5–1,0 T1 Ae- P- R Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
41º30'51''W
P15 - Córrego Terra 20º26'24"S 680 0,5–1,0 T1 Ae- P- R Poucas gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira ou agricultura
Comprida 41º30'24"W
P16 3 Rio Pardo trecho 20º26'44"S 589 1,0–1,5 T1 Ae- P- R Poucas gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira
médio em Muniz 41º29'34"W
Freire
P17 3 Rio Pardo na barragem 20º27'22"S 591 1,5–2,0 T2 Ae- Ai- Fl Mata ciliar Moderada vegetação emergente Mata secundária
da Usina Hidroelétrica 41º28'45"W
P18 - Rio Braço Norte 20º28'03"S 391 1,0–1,5 T2 Ae- Ai Mata ciliar Pouca vegetação submersa Capoeira
Esquerdo na foz do 41º28'17"W
Rio Pardo
P19 Ribeirão da Boa Vista 20º32'35"W 344 1,0–1,5 T1 Ae- P- C Abundantes gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Mata secundária
41º31'27"W
P20 3 Córrego Bugarim 20º30'20''S 521 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Moderadas gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira ou agricultura
41º25'25''W
P21 3 Córrego São Simão 20º32'49"S 430 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Moderadas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
41º26'19"W
P22 3 Córrego do Travessão 20º37'37''S 244 1,0–1,5 T2 Ae- Ai Vestígios de mata ciliar Pouca vegetação emergente Capoeira ou ata secundária
41º27'54''W
P23 3 Rio Braço Norte 20º26'38"S 1.044 0,5–1,0 T1 P- R Mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata preservada
Direito no PARNA do 41º43'35"W
Caparaó
P24 3 Rio Pedra Roxa no 20º23'50"S 1.060 0,5–1,0 T1 P- R- C Mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata preservada
PARNA do Caparaó 41º44'08"W
P25 - Córrego Palmital sob a 20º17'48"S 859 1,0–1,5 T1 Ae- P- R Poucas gramíneas Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira
BR-262 41º41'29"W
Apêndice 1 (continuação)
Prof.
Pt Fig. Localidade abreviada Coordenadas Altitude (m) Água Substrato Vegetação
amostral
(m) marginal aquática de entorno
P26 3 Rio Pedregulho no 20º20'56"S 1.039 0,5–1,0 T1 P- R- C Mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata preservada
PARNA do Caparaó 41º45'19"W
P27 3 Córrego do Calçado 20º27'59''S 1.063 0,5–1,0 T1 P- R Mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata preservada
no PARNA do 41º44'01''W truticultura
Caparaó
P28 3 Córrego do Calçado 20º28'41''S 828 1,0–1,5 T1 P- R- C Mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata preservada
fora do PARNA do 41º42'14''W
Caparaó
P29 4 Córrego do Caldeirão 20º29'06''S 815 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Vestígios de mata ciliar Pouca vegetação submersa Capoeira ou mata secundária
41º42'26''W
P30 4 Ribeirão Santa Marta 20º39'19''S 854 1,0–1,5 T1 P- R- C Mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata secundária ou habitação
na cachoeira Santa 41º43'08''W
Marta
P31 - Ribeirão Cachoeira 20º46'00"S 627 0,5–1,0 T2 Ae- Ai Abundantes gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira
Alegre em Celina 41º35'36"W
P32 4 Ribeirão Vargem 20º47'23"S 381 1,0–1,5 T2 Ae- Ai Abundantes gramíneas Moderada vegetação emergente Capoeira
Alegre acima da 41º33'34"W Via não pavimentada
represa
P33 4 Ribeirão Vargem 20º47'53"S 634 0,5–1,0 T1 P- R Vestígios de mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira ou mata secundária
Alegre em Celina 41º35'17"W
P34 4 Ribeirão Arraial do 20º48'33"S 315 0,5–1,0 T1 Ai- C Moderadas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
Café 41º32'39"W
P35 4 Córrego Horizonte em 20º45'18"S 115 1,0–1,5 T2 Ae- Ai- C Abundantes gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou mata secundária
Rive 41º05'30"W
P36 4 Ribeirão São 20º46'53''S 123 0,5–1,0 T2 Ae- Ai Moderadas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira
Bartolomeu à jusante 41º27'12''W
de Cachoeira Braúna
P37 4 Ribeirão São 20º46'08"S 122 0,5–1,0 T2 Ae- Ai Moderadas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou agricultura
Bartolomeu 41º26'16"W
P38 4 Córrego Oriente em 20º42'51''S 142 0,3–0,5 T1 Ae- Ai- C Abundantes gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira ou agricultura
Oriente 41º21'55''W
Apêndice 1 (continuação)
Prof.
Pt Fig. Localidade abreviada Coordenadas Altitude (m) Água Substrato Vegetação
amostral
(m) Marginal aquática de entorno
P39 4 Rio Itapemirim entre 20º44'50"S 94 1,0–1,5 T1 P- R- C Moderadas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
Pacotuba e Coutinho 41º21'42"W
P40 4 Ribeirão Floresta em 20º41'20''S 94 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Vestígios de mata ciliar Pouca vegetação emergente Capoeira ou mata secundária
Burarama 41º20'24''W
P41 4 Rio Itapemirim sob a 20º44'59''S 59 1,5–2,0 T2 Ae- P- C Moderadas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
ponte para Castelo 41º11'19''W
P42 4 Rio Taquaraçu 20º24'02''S 706 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Vestígios de mata ciliar Moderada vegetação emergente Capoeira ou mata secundária
41º11'17''W
P43 - Córrego Desengano 20º31'29''S 404 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
41º18'19''W
P44 - Córrego Alto Chapéu 20º33'19''S 161 0,5–1,0 T2 Ae- Ai Abundantes gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira
41º15'09''W
P45 4 Córrego Picada 20º30'16"S 1120 0,5–1,0 T2 Ae- C- Fl Mata ciliar Pouca vegetação emergente ou flutuante Mata secundária
Comprida 41º02'39"W
P46 4 Cachoeira no Rio 20º32'32''S 328 0,5–1,0 T1 Ae- P- R Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
Caxixe 41º10'13''W
P47 5 Rio Caxixe 20º33'52''S 122 1,0–1,5 T1 Ae- P- R Vestígios de mata ciliar Pouca vegetação submersa Capoeira ou mata secundária
41º11'54''W
P48 - Rio Fruteiras na ES- 20º38'08"S 660 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Moderadasgramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira ou agricultura
164 41º00'46"W
P49 5 Rio Castelo, na estrada 20º42'22''S 67 1,0–1,5 T3 Ae- Ai Moderadas gramíneas Pouca vegetação emergente ou flutuante Capoeira
para São Vicente 41º11'06''W
P50 - Rio Itapemirim à 20º45'26"S 55 1,0–1,5 T3 Ae- Ai Moderadas gramíneas Moderada vegetação emergente ou flutuante Capoeira
jusante da foz do 41º08'00"W
Córrego Itaoca
P51 - Rio Itapemirim entre o 20º46'43"S 45 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
Córrego Itaoca e o 41º08'05"W
Córrego Jacaré
Apêndice 1 (continuação)
Prof.
Pt Fig. Localidade abreviada Coordenadas Altitude (m) Água Substrato Vegetação
amostral
(m) Marginal aquática de entorno
P52 - Rio Itapemirim à 20º47'48"S 39 1,0–1,5 T3 Ae- Ai Moderadas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira
montante da foz do 41º08'09"W
Córrego Jacaré
P53 - Córrego Jacaré 20º44'16"S 115 0,3–0,5 T1 Ae- C Poucas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou agricultura
próximo à nascente 41º05'30"W
P54 - Rio Itapemirim à 20º48'22"S 36 1,0–1,5 T3 Ae- Ai- C Moderadas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira
jusante da foz do 41º07'174"W
Córrego Jacaré
P55 5 Rio Itapemirim na BR- 20º55'03"S 23 1,0–1,5 T3 Ae- Ai Moderadas gramíneas Moderada vegetação emergente ou flutuante Capoeira ou agricultura
101 41º04'30"W
P56 5 Rio Muqui do Norte 20º55'20"S 214 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Moderadas gramíneas Abundante vegetação emergente Capoeira
na Estrada de Terra à 41º18'35"W
esquerda da ES-393
P57 5 Afluente do Córrego 20º53'10"S 205 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Moderadas gramíneas Moderada vegetação emergente Capoeira ou pasto
São Gabriel 41º16'10"W
P58 5 Rio Muqui do Norte 20º55'57"S 52 1,0–1,5 T3 Ae- Ai- P Poucas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou pasto
sob a ES-489 41º10'45"W
P59 5 Afluente do Rio 20º59'09"S 38 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Poucas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou pasto
Muqui do Norte sob a 41º10'02"W
ES-489
P60 5 Afluente do Córrego 20º30'12''S 1.450 0,3–0,5 T1 P- C Mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata preservada
da Forquilha no 41º48'18''W
PARNA do Caparaó
P61 5 Córrego Limo Verde 20º34'14''S 831 0,5–1,0 T1 P- R- C Vestígios de mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata preservada
41º44'59''W
P62 5 Córrego do Veadinho 20º36'04''S 845 0,3–0,5 T1 P- R- C Mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Mata preservada
41º46'37''W
P63 5 Córrego Azul 20º38'26''S 784 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Moderadas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira
41º48'23''W
P64 5 Córrego da Piedade 20º41'08''S 769 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
41º50'13''W
Apêndice 1 (continuação)
Prof.
Pt Fig. Localidade abreviada Coordenadas Altitude (m) Água Substrato Vegetação
amostral
(m) marginal aquática de entorno
P65 5 Rio Caparaozinho 20º43'11"S 796 0,5–1,0 T1 Ae- C- P Moderadas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira
41º45'33"W
P66 5 Córrego São 20º47'04"S 638 0,5–1,0 T1 P- R- C Vestígios de mata ciliar Moderada vegetação emergente Capoeira ou mata secundária
Domingos 41º45'42"W
67 5 Córrego da Cachoeira 20º48'57"S 582 0,5–1,0 T1 P- R- C Vestígios de mata ciliar Vegetação submersa algas e perifiton Capoeira ou mata secundária
41º42'14"W
P68 - Rio Itabapoana na 20º54'01"S 559 1,0–1,5 T3 P- R- C Ausente Pouca vegetação submersa Ausente
UHE Rosal 41º43'03"W
P69 - Rio Itabapoana jusante 20º55'21"S 544 1,0–1,5 T3 Ae- P- C Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
da barragem da UHE 41º43'20"W
Rosal
P70 - Reservatório da UHE 20º55'44"S 0 1,5–2,0 T3 P- R- C Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Ausente
Rosal 41º42'39"W
P71 - Rio Itabapoana jusante 20º57'19"S 375 1,0–1,5 T3 Ae- P- C Mata ciliar Pouca vegetação submersa Capoeira
da Casa de Força da 41º43'01"W
UHE Rosal
P72 - Rio Calçado 21º04'06"S 277 1,0–1,5 T1 Ae- Ai Vestígios de mata ciliar Pouca vegetação emergente Capoeira ou mata secundária
41º40'09"W
P73 - Rio Itabapoana em 21º12'03"S 21 1,0–1,5 T3 Ae- Ai Moderadas gramíneas Moderada vegetação emergente Capoeira ou agricultura
Mimoso do Sul 41º21'35"W
P74 6 Córrego Santa Marta 21º02'18"S 169 0,5–1,0 T3 Ae- Ai Moderadas gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou pasto
na ES-177 41º21'12"W
P75 - Córrego da Serra na 21º03'41"S 72 0,5–1,0 T3 Ae- Ai Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Via não pavimentada habitação
foz (Córrego Boa 41º22'04"W
Vista)
P76 6 Córrego Pratinha sob a 21º05'21"S 30 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Poucas gramíneas Moderada vegetação emergente Capoeira
ES-391 41º20'18"W
P77 6 Córrego da Braúna sob 21º06'14"S 25 0,5–1,0 T3 Ae- Ai Moderadas gramíneas Moderada vegetação emergente Capoeira ou pasto
a ES-391 41º19'21"W
Apêndice 1 (continuação)
Prof.
Pt Fig. Localidade abreviada Coordenadas Altitude (m) Água Substrato Vegetação
amostral
(m) marginal aquática de entorno
P78 6 Córrego Poço D'Anta 20º53'56"S 19 0,5–1,0 T1 P- R- C Vestígios de mata ciliar Pouca vegetação submersa Capoeira ou mata secundária
41º03'16"W
P79 - Córrego do Frade 20º53'53"S 23 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Abundantes gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira
41º01'48"W
P80 6 Córrego Manhães 21º02'02"S 46 0,5–1,0 T1 Ae- Ai Abundantes gramíneas Moderada vegetação emergente Capoeira ou agricultura
41º10'48"W
P81 6 Rio Muqui do Norte 21º01'00"S 28 1,0–1,5 T3 Ae- Ai Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira ou pasto
na ES-162 41º05'12"W
P82 - Rio Muqui do Norte 20º59'37"S 9 1,0–1,5 T3 Ae- Ai Poucas gramíneas Pouca vegetação submersa Capoeira ou pasto
trecho médio em 40º58'58"W
Itapemirim
P83 6 Rio Muqui do Norte 20º59'56"S 8 1,0–1,5 T3 Ae- Ai Poucas gramíneas Moderada vegetação submersa Capoeira ou pasto
sob a ES-490 40º56'22"W
P84 - Brejo Grande do Sul 21º01'08"S 14 0,5–1,0 T3 Ae- Ai Moderadas gramíneas Moderada vegetação emergente Capoeira ou pasto
na ES-060 40º55'57"W
P85 6 Lagoa do Siri na ES- 21º06'34"S 6 0,5–1,0 T2 Ae Mata de restinga Abundantes macrófitas, taboas e Restinga
080 40º51'13"W Praia arenosa vegetação emergente
P86 6 Lagoa Boa Vista na 21º09'56"S 12 1,5–2,0 T2 Ae- L Mata de restinga Abundantes taboas (Typha sp.) Restinga
ES-060 40º54'50"W
P87 6 Córrego São Salvador 21º04'32"S 35 0,5–1,0 T3 Ae- Ai Abundantes gramíneas Pouca vegetação emergente Capoeira ou pasto
na ES-162 41º02'45"W
P88 - Ribeirão das Flores 21º03'12"S 42 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Vestígios de mata ciliar Pouca vegetação emergente Capoeira ou mata secundária
41º13'32"W
P89 6 Ribeirão da Flores na 21º04'18"S 16 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Abundantes gramíneas Moderada vegetação submersa Capoeira ou mata secundária
Rodovia José Alves 41º13'44"W
Toledo
P90 - Ribeirão das Flores 21º04'43"S 17 0,5–1,0 T1 Ae- Ai- C Vestígios de mata ciliar Moderada vegetação submersa Capoeira ou mata secundária
41º14'02"W
Apêndice 1 (continuação)
Prof.
Pt Fig. Localidade abreviada Coordenadas Altitude (m) Água Substrato Vegetação
amostral
(m) Marginal aquática de entorno
P91 6 Afluente do Córrego 21º07'09"S 30 0,3–0,5 T2 Ae- Ai- L Mata de restinga Abundantes macrófitas e vegetação emergente Restinga ou pasto
Marobá no lado 41º01'19"W gramíneas
esquerdo da ES-162
P92 - Mangue, divisa do 21º16'08"S 2 1,5–2,0 T2 Ae- L Manguezal Abundante vegetação emergente Manguezal
Estado do Rio de 40º59'19"W
Janeiro e Espírito
Santo.
Apêndice 2. Constância de ocorrência (Dajoz 1983) das espécies nas bacias do sul do Espírito Santo. n- número de exemplares; Pts- número
de pontos onde a espécie foi encontrada; Marinho- espécies marinhas com presença nos estuários.
Espécie Pts % n Ocorrência Marinho
Geophagus brasiliensis 62 67,4% 580 Constante
Hypostomus affinis 42 45,7% 261 Acessória
Astyanax giton 41 44,6% 990 Acessória
Astyanax janeiroensis 40 43,5% 729 Acessória
Characidium sp. 36 39,1% 1185 Acessória
Poecilia vivipara 34 37,0% 927 Acessória
Rhamdia sp. 33 35,9% 135 Acessória
Trichomycterus caudofasciatus 30 32,6% 369 Acessória
Neoplecostomus microps 28 30,4% 316 Acessória
Astyanax sp. 2 aff. A. lacustris 27 29,3% 124 Acessória
Hoplias sp. aff. H. malabaricus 25 27,2% 46 Acessória
Gymnotus carapo 24 26,1% 141 Acessória
Harttia loricariformis 24 26,1% 212 Acessória
Pimelodella pectinifer 21 22,8% 150 Ocasional
Poecilia reticulata 19 20,7% 439 Ocasional
Oligosarcus acutirostris 18 19,6% 123 Ocasional
Parotocinclus maculicauda 18 19,6% 131 Ocasional
Trichomycterus brunoi 17 18,5% 63 Ocasional
Leporinus copelandii 16 17,4% 60 Ocasional
Pareiorhaphis garbei 16 17,4% 83 Ocasional
Cyphocharax gilbert 15 16,3% 122 Ocasional
Crenicichla lacustris 14 15,2% 30 Ocasional
Hisonotus notatus 13 14,1% 583 Ocasional
Phalloceros harpagos 8 8,7% 605 Ocasional
Rineloricaria steindachneri 8 8,7% 17 Ocasional
Astyanax parahybae 7 7,6% 994 Ocasional
Hyphessobrycon bifasciatus 7 7,6% 97 Ocasional
Imparfinis sp. 7 7,6% 23 Ocasional
Tilapia rendalli 7 7,6% 54 Ocasional
Eigenmannia sp. 6 6,5% 13 Ocasional
Knodus sp. aff. K. moenkhausii 6 6,5% 174 Ocasional
Hypostomus auroguttatus 5 5,4% 8 Ocasional
Microglanis parahybae 5 5,4% 44 Ocasional
Trachelyopterus striatulus 5 5,4% 13 Ocasional
Astyanax microschemos 4 4,3% 62 Ocasional
Prochilodus vimboides 4 4,3% 4 Ocasional
Ulaema lefroyi 4 4,3% 95 Ocasional Sim
Australoheros muriae 3 3,3% 13 Ocasional
Awaous tajasica 3 3,3% 3 Ocasional
Corydoras nattereri 3 3,3% 34 Ocasional
Glanidium melanopterum 3 3,3% 28 Ocasional
Hasemania sp. 3 3,3% 105 Ocasional
Hoplosternum littorale 3 3,3% 5 Ocasional
Probolodus heterostomus 3 3,3% 6 Ocasional
Scleromystax prionotos 3 3,3% 8 Ocasional
Aspidoras virgulatus 2 2,2% 4 Ocasional
Atherinella brasiliensis 2 2,2% 715 Ocasional Sim
Apêndice 2 (continuação)
Espécie Pts % n Ocorrência Marinho
Bathygobius soporator 2 2,2% 14 Ocasional Sim
Brycon insignis 2 2,2% 13 Ocasional
Bryconamericus tenuis 2 2,2% 87 Ocasional
Eleotris pisonis 2 2,2% 3 Ocasional
Ituglanis parahybae 2 2,2% 2 Ocasional
Leporinus mormyrops 2 2,2% 4 Ocasional
Otothyris lophophanes 2 2,2% 67 Ocasional
Synbranchus marmoratus 2 2,2% 2 Ocasional
Achirus declivis 1 1,1% 1 Ocasional Sim
Anchovia clupeoides 1 1,1% 2 Ocasional Sim
Ancistrus multispinis 1 1,1% 2 Ocasional
Archosargus probatocephalus 1 1,1% 1 Ocasional Sim
Brevoortia pectinata 1 1,1% 26 Ocasional Sim
Callichthys callichthys 1 1,1% 1 Ocasional
Caranx latus 1 1,1% 3 Ocasional Sim
Centropomus undecimalis 1 1,1% 1 Ocasional
Citharichthys arenaceus 1 1,1% 2 Ocasional Sim
Ctenogobius boleosoma 1 1,1% 2 Ocasional Sim
Diapterus rhombeus 1 1,1% 11 Ocasional Sim
Dormitator maculatus 1 1,1% 1 Ocasional
Eucinostomus melanopterus 1 1,1% 27 Ocasional Sim
Eugerres brasilianus 1 1,1% 1 Ocasional Sim
Genidens genidens 1 1,1% 21 Ocasional Sim
Gobionellus stomatus 1 1,1% 2 Ocasional Sim
Loricariichthys castaneus 1 1,1% 1 Ocasional
Lutjanus jocu 1 1,1% 6 Ocasional Sim
Microphis brachyurus 1 1,1% 20 Ocasional
Mimagoniates microlepis 1 1,1% 11 Ocasional
Mugil curema 1 1,1% 5 Ocasional Sim
Parotocinclus sp. aff. P. jimi 1 1,1% 1 Ocasional
Pterygoplichthys sp. 1 1,1% 10 Ocasional
Trichogenes claviger 1 1,1% 41 Ocasional