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Microbiologia Clinica - Unidade 3

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MICOBACTÉRIAS, ANTIBIÓTICOS E TESTES DE

SUSCETIBILIDADE A ANTIMICROBIANOS

UNIDADE 3 BIOMEDICINA - UNIASSELVI


Tutora Alana Serrano
MICOBACTÉRIAS, ANTIBIÓTICOS E TESTES DE
SUSCETIBILIDADE A ANTIMICROBIANOS

UNIDADE 3 – TÓPICO 1: MICOBACTÉRIAS


Gram Positivos e imóveis
Doença infecciosa que mais mata no
mundo, superando as mortes
causadas pela AIDS, que apresenta
coincidência de 10% dos casos de TB
(ou seja, o paciente com AIDS
desenvolve TB). Estimou-se uma
incidência de 10,6 milhões de casos
em 2016, concentrando 87% de
casos em 30 países.
Em 2021, dos 68.271 casos novos de
TB diagnosticados no Brasil
O Brasil está entre os 30 países de
alta ocorrência para tuberculose,
segundo a OMS
É mais comum em
crianças
Manifestação Clínica
TB pulmonar pós-primária/secundária
✓ Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum no adolescente e no adulto jovem.
✓ Tem como característica principal a tosse, seca ou produtiva.
✓ A expectoração pode ser purulenta ou mucoide, com ou sem sangue.
✓ A febre vespertina, sem calafrios, não costuma ultrapassar os 38,5º C.
✓ A sudorese noturna e a anorexia são comuns.
✓ O exame físico geralmente mostra fácies de doença crônica e emagrecimento, embora indivíduos com bom
estado geral e sem perda do apetite também possam ter TB pulmonar.
✓ A ausculta pulmonar pode apresentar diminuição do murmúrio vesicular, sopro anfórico ou mesmo ser normal.

TB miliar
✓ A denominação é vinculada ao aspecto radiológico pulmonar.
✓ É uma forma grave de doença e ocorre em 1% dos casos de TB em pacientes HIV soronegativos, e em até 10% dos
casos em pacientes HIV soropositivos, em fase avançada de imunossupressão.
✓ A apresentação clínica clássica é a aguda, mais comum em crianças e em adultos jovens.
✓ Os sintomas são febre, astenia e emagrecimento, que, em associação com tosse, ocorrem em
80% dos casos.
✓ O exame físico mostra hepatomegalia (35% dos casos), alterações do sistema nervoso central
(30% dos casos) e alterações cutâneas do tipo eritemato-máculo-papulo-vesiculosas
BACILOSCOPIA DE ESCARRO
• A baciloscopia de escarro deve ser realizada em duas amostras: uma no primeiro momento e,
independentemente do resultado desta primeira, deve ser coletada a segunda amostra no dia seguinte,
preferencialmente ao despertar.

• Em casos suspeitos nos quais as duas amostras tenham sido negativas, amostras adicionais podem ser
solicitadas.

• O método de coloração específico adotado no Brasil e de custo mais baixo é o de Ziehl-Neelsen

• Esse método é fundamental tanto para o diagnóstico quanto para o controle do tratamento

• O exame direto permite descobrir as fontes mais importantes de infecção


BACILOSCOPIA DE ESCARRO
• A sensibilidade da baciloscopia é superior a 80% na primeira amostra, com aumento de 12% com a segunda
amostra.

• O resultado é fornecido baseando-se na quantidade de bacilos encontrados por campo observado:

Negativo: nenhum bacilo em 100 campos observados.


Positivo +: 10 a 99 BAAR em 100 campos observados.
Positivo ++: 1 a 10 BAAR por campo em 50 campos observados.
Positivo +++: em média mais de 10 BAAR por campo em 20 campos observados
CULTURA PARA MICOBACTÉRIAS
• O mais utilizado no Brasil e aprovado pela OMS é o meio de cultura de Löwenstein-Jensen.

• As principais indicações de cultura para micobactérias são:


a) Casos suspeitos de TB pulmonar com exame direto persistentemente negativo.
b) Diagnóstico de formas extrapulmonares (meningoencefálica, renal, pleural, óssea ou ganglionar).
c) Suspeita de resistência micobacteriana às drogas, seguida do Teste de Sensibilidade (TS).
d) Tecidos e cavidades em que a baciloscopia é rara ou ausente, assim, solicita-se cultura sempre em urina,
líquidos cavitários (pleural, pericárdico, peritoneal e líquor) e secreções não pulmonares.
Os meios líquidos de cultura têm-se tornado cada
vez mais frequentes. Apesar do alto custo
comparado ao Löwenstein, esses métodos são
mais rápidos, com crescimento em média de 15
dias em comparação ao anterior, que leva até 60
dias para observar algum crescimento.
A - Mycobacterium tuberculosisos meios líquidos irão substituir o
Provavelmente,
B e C - Mycobacterium Löwenstein em médio prazo. Em caso de
não-tuberculosis
suspeita de TB de vias urinárias, lembrar-se de
solicitar pelo menos cinco amostras de urina em
dias alternados, utilizando toda a urina da manhã
(após a centrifugação, pode ser feita baciloscopia
e cultura)
TESTE MOLECULAR RÁPIDO PARA TUBERCULOSE

• GeneXpert®.

• Implantado pelo Ministério da Saúde.

• Esse teste consiste na utilização de escarro do paciente, permitindo a identificação da micobactéria com
sensibilidade de 90%.

• É um teste de amplificação de ácidos nucleicos, utilizado para detecção de DNA do M. tuberculosis. O teste
fornece, ainda, através da técnica de PCR, se o bacilo é resistente à rifampicina (ATB para tratamento de TB),
com sensibilidade de 90% no resultado.

• O principal objetivo é facilitar o diagnóstico, principalmente em áreas onde há dificuldade técnica para realizar a
baciloscopia tradicional

• Uma limitação deste método é que como é capaz de detectar bacilos mortos ou inviáveis, não deve ser
utilizado para casos de retratamento (reingresso pós-abandono e recidiva), sendo recomendado para infecções
primárias.

• A técnica pode ser utilizada em diferentes amostras, como: escarro, lavado broncoalveolar e líquor.
MICOBACTÉRIAS, ANTIBIÓTICOS E TESTES DE
SUSCETIBILIDADE A ANTIMICROBIANOS

UNIDADE 3 – TÓPICO 2: TESTES DE SENSIBILIDADE A ANTIMICROBIANOS


(TSA) E ANTIBIÓTICOS
✓ Tambem conhecido como Teste de Sensibilidade a Antimicriobianos (TSA), é um teste utilizado para
identificar qual antibiótico usar e sua concentração adequada para determinada patologia. É um
método realizado in vitro, que consiste no cultivo de microrganismos em presença de determinados
antibióticos e posterior verificação da presença ou ausência do crescimento microbiano.
• A amostra sempre
vem pura?
• Todos os m.o. que
✓ Para a realização da técnica, é necessário ter cresceram na placa
material clínico, neste caso, é utilizado cultura tem importância?
pura de microrganismos isolados.
✓ Uma cultura pura é aquela em que se observa
apenas um tipo de microrganismo em
crescimento na placa.
✓ Estas culturas devem ser recentes, também
denominamos de culturas novas ou jovens.
✓ Assim que o material for coletado e semeado em
meio de cultura, ele será incubado e ocorrerá o
crescimento, esse é o momento adequado para
a realização da técnica.
✓ O tempo de incubação destas culturas varia de
18 a 24 horas
✓ A realização do antibiograma e sua interpretação é uma tarefa difícil, visto que hoje há muitas
bactérias, que são muito parecidas, e que são resistentes a diferentes tipos de antibióticos.

✓ Necessário realizar a escolha dos antimicrobianos: essa escolha deve ser realizada de acordo
com a realidade do ambiente hospitalar e das condições do paciente. É necessário ter
conhecimento se o medicamento é utilizado via oral ou injetável, pois a diferença das vias de
administração interfere na farmacocinética do medicamento

✓ No momento da leitura do resultado, deve-se ter cuidado em reportar


resistências, pois podem ocorrer erros no momento das medições e na
execução da técnica, o que automaticamente irá interferir nos resultados.

✓ Sempre manter-se atualizados aos manuais das Organizações Internacionais


diante dos grupos microbianos, seus halos e interpretações

✓ As amostras mantem-se adequadas e viáveis para a execução das análises por 24 horas após o cultivo
em meio não seletivo. Se passar desse prazo, deve-se realizar novo repique da cepa e cultivar por mais
24 horas em meio não seletivo para depois proceder ao exame.
✓ É o mais utilizado e apresenta algumas vantagens como as múltiplas alternativas na escolha dos
antimicrobianos;
✓ Seu baixo custo e sua fácil interpretação pelos clínicos.
✓ Limitação: os resultados que fornece são qualitativos, ou seja, o microrganismo é definido como sensível,
intermediário (isto é, com valor de MIC entre o que define como sensível e resistente) ou resistente aos
antimicrobianos testados
✓ Técnica:
- preparo de uma suspensão de bactérias de cultivo recente, esta suspensão deve ser semeada em uma
placa contendo Ágar Mueller-Hinton. Obter densidade equivalente a 0,5 escala MacFarland
- os discos de papel contendo os antimicrobianos devem ser adicionados com o auxílio de uma pinça, que
deve ser flambada a cada troca de disco
- a placa deve ser incubada em estufa e analisado o padrão de crescimento ou inibição ao redor de cada
disco, sendo então necessário realizar a medição de cada halo.
- após a medição, os valores devem ser comparados a tabelas apropriadas de acordo com a espécie
bacteriana testada

[Link]
3&source=lnms&tbm=vid&sa=X&ved=2ahUKEwj-_fqUxJX-
AhWblJUCHYwCC80Q_AUoA3oECAMQBQ&biw=1536&bih=714&dpr=1.25#fpstate=ive&vld=cid:43ee05fe,vid:m_dPeQmcgDw disco
difusão
✓ Escala Mac Farland:

• A realização de testes de sensibilidade exige inóculos padrões.


• É uma suspensão tem por finalidade padronizar a concentração bacteriana do inóculo a
ser utilizado durante um processo.
• É o padrão de turvação mais frequentemente utilizado nos laboratórios de
microbiologia, para determinar a intensidade da multiplicação em meios de cultivo
líquidos.
• Esta multiplicação se manifesta nos meios líquidos por um aumento das partículas
(bactérias) que se opõem a livre passagem da luz, provocando turvação ou opacidade
no meio.
• Quanto maior o número de bactérias, maior será a opacidade do meio de cultura e
menor será a sensibilidade do teste.

[Link]
A:1680793939761&source=lnms&tbm=vid&sa=X&ved=2ahUKEwjyguGtxZX-
AhULt5UCHcgXCWwQ_AUoBHoECAEQBg&biw=1536&bih=714&dpr=1.25#fpstate=ive&vld=cid:3a20dbe6,vid:cnpzXoTdT6o uso da escala
Mac Farland
Interpretação dos resultados
[Link] antibiograma 2
Vanco: para Staphylococcus
Colistina: para Escherichia coli aureus resistente a antibióticos
betalactâmicos – meticilina
(MRSA)
DILUIÇÃO OU CONCENTRAÇÃO INIBITÓRIA MÍNIMA
(CIM): MÉTODO QUANTITATIVO
✓ Método de diluição em tubos - foi uma das primeiras a serem desenvolvidas e atualmente ainda é
considerado como método de referência;

✓ são empregados para determinar a menor concentração do antimicrobiano necessária para inibir o
crescimento de determinado microrganismo ou destruí-lo (MIC= concentração inibitória mínima e CBM=
concentração bactericida mínima).

✓ Informam qual o MIC dos antimicrobianos é ativa em relação ao microrganismo testado;

✓ Os testes de diluição podem ser realizados tanto em meio sólido (Agar) como em meio líquido.

✓ Os antimicrobianos são testados em diluições seriadas e a menor concentração que inibe o


crescimento visível do microrganismo testado é relatado como sendo o MIC. A escolha do número de
concentrações a serem testadas varia de acordo com antimicrobiano, com a espécie do microrganismo
e, eventualmente, com o local da infecção
DILUIÇÃO OU CONCENTRAÇÃO INIBITÓRIA MÍNIMA
(CIM): MÉTODO QUANTITATIVO
✓ Fornece resultados qualitativos e quantitativos.

✓ Desvantagens: *dificuldade na detecção de contaminação no caso de teste com materiais clínicos,


*tempo de preparo para a execução é aumentado, *geração de grande quantidade de resíduos e
*interpretação dos resultados ocorre pela densidade da turbidez provocada pelo crescimento microbiano
E-TESTE (TESTE DE GRADIENTE DE CONCENTRAÇÃO)

✓ Nova concepção de testes quantitativos de sensibilidade, em que se adota gradiente pré-definido do antimicrobiano,
incorporado numa fita plástica.

✓ É usado para determinar o MIC de antimicrobianos ou de antifúngicos em relação a diversas espécies de


microrganismos, incluindo bactérias anaeróbias, micobactérias e fungos.

✓ A técnica é parecida com a difusão do disco em Agar, no entanto, em vez de os discos de papel de filtro serem aplicados
sobre a placa do meio de cultura inoculada com o microrganismo, colocando-se as fitas de E- TEST, obtendo-se assim o
valor do MIC do antimicrobiano testado.

✓ A fita contém concentrações diferentes de antibióticos ao longo dela

✓ Vantagens: *simples execução que não necessita de equipamento especial, *grande utilidade em laboratórios que não
dispõe de sistemas automatizados, *bom para avaliação mais precisa da resistência a determinados antimicrobianos.
E-TESTE (TESTE DE GRADIENTE DE CONCENTRAÇÃO)

✓ Técnica:

▪ Após a preparação do inóculo, com o auxílio de um


swab a amostra, estando na escala 0,5 de Mac
Farland, é semeada sobre a superfície da placa de
Ágar.
▪ Após 15 minutos, em média, as fitas de Etest® são
dispensadas sobre o ágar.
▪ Em placas de 150 mm de diâmetro, deve-se aplicar
no máximo 5 fitas e, em placas de 90 mm, 2 fitas.
▪ Em seguida as placas são incubadas.
▪ Após o período de incubação, a determinação da
CIM é lida como o ponto de intersecção entre a fita
de Etest® e a zona de inibição do crescimento do
microrganismo a qual assume a forma elíptica,
dando origem ao nome do teste “Episilometer test”
MICOBACTÉRIAS, ANTIBIÓTICOS E TESTES DE
SUSCETIBILIDADE A ANTIMICROBIANOS

UNIDADE 3 – TÓPICO 3: NOÇÕES GERAIS SOBRE A AÇÃO DOS


ANTIMICROBIANOS
Inibição da Síntese da Parede Celular:
✓ Para que um antimicrobiano possa exercer sua ação inibindo ou destruindo um microrganismo ele deve
atravessar a parede e a membrana celular da bactéria e então fixar-se ao seu alvo.

✓ A ação farmacológica dos antibióticos interfere na síntese de peptideoglicano que é responsável por
manter a integridade da parede celular da bactéria.

✓ Penicilina, Cefalosporina, Monobactâmicos e Carbapenemas: antibióticos betalactâmicos que


são estruturalmente semelhantes à transpeptidase enzima que permite a obtenção da rigidez da parede.

✓ Estes antibióticos por competição substituem a atividade da transpetidase e interferem principalmente


na rigidez da parede levando a célula a lise osmótica.

✓ De maneira geral as bactérias gram positivas são mais sensíveis.

✓ Bacitracina, Cicloserina, Fosfomicina e a Vancomicina: Interferem na síntese da parede celular


interferindo nos percursores da parede celular
Inibição da Síntese da Parede Celular:
Inibição da Síntese de Proteínas:
✓ A síntese proteica é iniciada pelo processo de transcrição. Esse processo ocorre com a presença do complexo
enzimático RNA-polimerase.

✓ As rifamicinas agem inibindo a RNA polimerase das bactérias, bloqueando a formação da molécula de RNA-m. Isso
leva ao comprometimento da síntese proteica e morte da bactéria.

✓ Diversas drogas interferem na síntese proteica sem interferir nas células eucarióticas, principalmente pela variação das
subunidades ribossomais.

✓ Os ribossomos de mitocôndrias são semelhantes e por esta razão alguns antibióticos podem
apresentar hepatotoxidade, nefrotoxidade, toxicidade vestibular no 8° nervo craniano entre outras interferências.

✓ O ribossomo é o destino de diversos antibióticos, entre eles, aminoglicosídeos, tetraciclinas e macrolídeos, que
interferem em processos essenciais da síntese de proteínas.

✓ Bactérias afetadas: Haemophylus influenza, Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis, Clostridium difficille,
Enterococcus.
Alteração da membrana citoplasmática:
• A permeabilidade seletiva é uma característica fundamental da membrana citoplasmática. É por meio dela que a bactéria controla
a passagem de substâncias para o interior das células e a saída de dejetos provenientes do catabolismo celular.

• Quando a permeabilidade seletiva é rompida ocorre a morte bacteriana, pois essa alteração leva à saída de substâncias essenciais
da célula, como ácidos nucleicos, fosfatos, purinas e íons, ou facilita a entrada de elementos nocivos ao metabolismo celular
bacteriano.

✓ A toxicidade seletiva torna-se mais crítica pela semelhança das membranas celulares entre eucariotos e procariotos.

✓ As Polimixinas são polipeptídios cíclicos e agem como detergentes catiônicos rompendo a estrutura fosfolipídica
das membranas.

✓ Estas drogas possuem melhor eficácia contra bactérias gram negativas, especialmente Pseudomonas aeruginosa.
Alteração da membrana citoplasmática:
✓ A Anfotericina B e Nistatina são anti-fúngicos que apesar de agirem sobre as membranas celulares dos fungos, possuem
também toxidade ao hospedeiro.

✓ A anfotericina B é administrada sob monitoramento hospitalar.

✓ Os Cetoconazóis inibem a síntese do ergosterol e são utilizados no tratamento de micoses superficiais e sistêmicas.
Inibidores da Síntese de Ácido Nucleico: DNA girases: controlam
processo durante a replicação
✓ Quinolonas: Bactericidas que inibem a ação das DNA girases bacterianas. do DNA nas células.

✓ As girases de células eucarióticas são diferentes das células procarióticas e portanto apresentam toxicidade seletiva.

✓ As girases impedem o enrolamento do DNA.

✓ Consequentemente à ação sobre a síntese do DNA, as bactérias deixam de se reproduzir, e o bloqueio da síntese do
RNA causa inibição da formação de proteínas.

✓ Com isso, essas classes promovem um efeito bacteriostático.

✓ Norfloxacina, Ciproflaxicina entre outras quinolonas.

✓ Utilizada em infecções respiratórias, intestinais, urinárias, tecidos esqueléticos e moles.

✓ O ácido nalidíxico é o menos eficaz e pela sua propriedade de se concentrar na urina é usualmente utilizado no
tratamento de infecções urinárias.
Alteração do mecanismo de ácido fólico:
✓ O sulfametoxazol associado com o trimetoprim é o antimicrobiano mais amplamente utilizado dessa classe.

✓ Cada uma dessas drogas causa o bloqueio de uma etapa do metabolismo do ácido fólico.

✓ Sulfonamidas/Sulfametazol - bloqueia a enzima di-hidropteroatosintetase, presente somente em bactérias e


interfere na produção de ácido fólico, principal doador de carbono na síntese de nucleotídios.

✓ Utilizada no tratamento de infecções urinárias por [Link], otites por S. pneumoniae ou H. influenza em
crianças, shigeloses, nocardiose e cancro mole. É também utilizada no tratamento da toxoplasmose e
pneumonias. Raramente causa febre medicamentosa, exantemas e supressão da medula óssea.

✓ Trimetropim - Inibe a síntese do ácido fólico em etapa posterior desta via de síntese (inibe a enzima dihidrofolato
redutase). Usualmente utilizado em associação com sulfonamida, pois resulta em efeito sinérgico. Com espectro e
funções semelhantes das sulfonamidas a combinação é utilizada também na profilaxia de infecções oportunistas em
pacientes granuloleupênicos.
RESISTÊNCIA NATURAL

• A resistência natural ou intrínseca é comum a uma determinada espécie bacteriana, sendo transmitida
verticalmente como herança cromossômica. Existem três principais mecanismos para que haja uma
resistência natural:

1. Ausência de receptor para o antibiótico, como pode ser observado em espécies de Mycoplasma sp. e
Ureaplasma sp. que são naturalmente resistentes a β-lactâmicos por não possuírem parede celular.

2. Impermeabilidade a drogas, impedindo-as de alcançar o alvo da ação, como ocorre em bacilos gram-
negativos em relação à penicilina G, devido à presença de uma membrana externa à parede celular.

3. Produção de enzimas que degradam o antibiótico, como as β-lactamases produzidas pela Klebsiella,
Enterobacter e Serratia que possuem resistência intrínseca à ampicilina. Obs: As β-lactamases também
podem ser produzidas por mutação cromossômica ou plasmidial adquirida.
RESISTÊNCIA ADQUIRIDA

• A resistência adquirida ocorre pela aquisição de mutações cromossômicas ou extracro-mossômicas (por


meio de plasmídeos ou transposons), responsáveis por alterar estruturas-alvo ou impedir as drogas de
alcançar seus alvos de ação.

• O resultado dessas mutações é a diminuição ou perda por completo da sensibilidade a determinado


antibiótico.

• Existem quatro grandes mecanismos de resistência aos antibióticos que são: a alteração da
permeabilidade, a alteração do sítio de ação, a alteração da estrutura química do antibiótico por
mecanismos enzimáticos e a bomba de efluxo.
RESISTÊNCIA MEDIADA POR CROMOSSOMOS

• A resistência cromossômica é mais comumente encontrada em mutações de genes que codificam o alvo de um fármaco.

• Em geral, a resistência cromossômica é um processo seguido por várias mutações em um mesmo gene; logo, há um
gradativo aumento na resistência a cada mutação adquirida.

• Por isso, altas doses do antimicrobiano podem controlar o crescimento da nova cepa resistente apenas no início do
processo mutagênico.
RESISTÊNCIA MEDIADA POR PLASMÍDEO

• Os plasmídeos de resistência (ou fatores de resistência, fatores R) são moléculas de DNA de dupla fita extracromossômicos
e circulares que carreiam genes de uma variedade de enzimas capazes, principalmente, de degradar antibióticos e
modificar os sistemas de transporte de membrana.

• A frequência de aquisição de plasmídeos resistentes é maior do que mutações cromossômicas. Para isso, os fatores R
possuem propriedades importantes que garantem maior sucesso no processo de resistência:

a. Os plasmídeos podem replicar-se independentemente do cromossomo bacteriano.

b. Os plasmídeos podem mediar resistência a múltiplos fármacos.

c. Os plasmídeos possuem alta taxa de transferência de uma célula para outra, geralmente por conjugação, podendo,
inclusive, ocorrer troca de plasmídeos entre espécies e gêneros diferentes.
MECANISMOS DE RESISTÊNCIA - ALTERAÇÃO DE
PERMEABILIDADE

• A permeabilidade do antibiótico por meio da membrana celular é essencial para sua ação, seja bacteriostática ou
bactericida.

• As bactérias gram-negativas apresentam uma característica natural que confere menor permeabilidade (resistência
intrínseca), pois sua parede celular apresenta, além da camada de peptidoglicanos, uma membrana externa composta por
fosfolipídeos, lipoproteínas, proteínas e lipopolissacarídeos (LPS)

• Por isso, há uma maior seletividade para fármacos hidrossolúveis, que dependem de estruturas chamadas porinas para
penetrar na célula bacteriana. Pode-se citar como exemplo desses fármacos os β-lactâmicos, as fluoroquinolonas e as
tetraciclinas.

• A resistência adquirida por alteração da permeabilidade adquirida em gram-positivos já foi descrita em alguns lugares do
mundo, com em cepas de Staphylococcus aureus resistentes à vancomicina diante do espessamento da parede
celular, limitando o influxo da droga.
MECANISMOS DE RESISTÊNCIA - MECANISMOS
ENZIMÁTICOS

• A inativação enzimática de antimicrobianos é o mecanismo de resistência bacteriano mais importante e frequente.

• As principais enzimas que atuam nesse mecanismo são as β -lactamases, as quais possuem como função
hidrolisar a ligação amida do anel β-lactâmico, sítio ativo do fármaco que se ligaria às PBPs bacterianas.

• Essas enzimas são codificadas em cromossomos ou sítios extracromossômico


Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Penicilinas – interferem na síntese da parede celular

✓ Espectro de ação: bactérias Gram-positivas não produtoras de penicilinase, cocos Gram-negativos, anaeróbios e
espiroquetas.

✓ Penicilinas naturais: Penicilina V e a Penicilina G, sendo a G amplamente utilizada.

✓ A forma cristalina, de uso exclusivamente parenteral, possui meia-vida de 30 minutos a 2 horas, sendo indicada para
meningite por Streptococcus pneumonie, Neisseria meniingitidis e sífilis.

✓ Pode ser utilizada em infecções por certos anaeróbicos e associada a aminoglicosídeos para tratar endocardites.

✓ Procaína: uso intramuscular e possui uma meia-vida de 12 horas, sendo utilizada para tratar infecções de menor
gravidade, como faringoamigdalite, erisipela e gonorreia.

✓ Benzatina (Benzetacil®) é de uso intramuscular com meia-vida de 21 a 28 dias, sendo utilizada para profilaxia de
febre reumática, tratamento de faringoamigdalite e sífilis
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Penicilinas – interferem na síntese da parede celular

✓ Oxacilina (sintética): meia-vida é de 30 a 60 min e a eliminação é renal. A principal característica da droga é a


resistência à ação das penicilinases produzidas por Staphylococcus aureus

✓ As indicações clínicas limitam-se ao tratamento de infecções ocasionadas por Staphylococcus aureus sensíveis à
Oxacilina (MRSA), independentemente da gravidade da doença.

✓ A Meticilina se enquadra no mesmo grupo, porém, não é utilizada rotineiramente

✓ Aminopenicilinas: bastante conhecidos e amplamente utilizados, sendo elas a ampicilina e a amoxilicina.

✓ A ampicilina apresenta estabilidade tanto para utilização oral quanto parenteral, sua meia-vida é de 50 a 60 min, com
eliminações renal e hepática.

✓ É eficaz contra bactérias aeróbias GP, anaeróbias GP, algumas aeróbias GN (Escherichia coli, Proteusmirabilis,
Haemophilus influenza, Salmonella typhi e não typhi, e Neisseria meningitidis) e anaeróbias GN (Bacteroides spp.,
exceto Bacteroides fragilis e Fusobacterium spp.). É indicada para o tratamento de infecções de vias aéreas
superiores (sinusite, otite, faringoamigdalite), infecções pulmonares, infecções urinárias, salmoneloses e meningites
por Listeria monocytogenes e Streptococcus agalactiae
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Penicilinas – interferem na síntese da parede celular

✓ Aminopenicilinas: bastante conhecidos e amplamente utilizados, sendo elas a ampicilina e a amoxilicina.

✓ A amoxicilina é semelhante a ampicilina, mas com absorção oral mais efetiva, levando à permanência de concentrações séricas 2 vezes
maiores.

✓ A meia-vida é de 1 hora e sua única apresentação é oral.

✓ Em comparação com a ampicilina, apresenta maior ação contra infecções por Haemophilus sp.

✓ As indicações terapêuticas incluem o tratamento do Helicobacter pylori (droga adjuvante) e da doença de Lyme. A amoxicilina é a
aminopenicilina mais utilizada para tratamentos pela via oral por ter boa ação contra bactérias da cavidade oral, trato respiratório
superior e inferior, seja sozinha ou conjugada com clavulanato
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Penicilinas – interferem na síntese da parede celular
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Cefalosporinas - interferem na síntese da parede celular
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Cefalosporinas - interferem na síntese da parede celular

✓ PRIMEIRA GERAÇÃO: são indicadas para o tratamento das infecções por Staphylococcus aureus meticilina sensível
(abscessos cutâneos, foliculite, celulite), determinados Streptococcus sp. (erisipela) e alguns BGN entéricos (Escherichia
coli, Klebsiella spp. e Proteus mirabilis).

✓ Entre as bactérias GP, as cefalosporinas (de todas as gerações) não apresentam atividade contra MRSA, Enterococcus sp.,
cepas de Pneumococo totalmente resistentes a penicilina e Listeria monocytogenes.

✓ São utilizadas, habitualmente, na antibioticoprofilaxia cirúrgica e podem ser usadas durante a gestação

✓ SEGUNDA GERAÇÃO: apresentam maior ação contra as cefalosporinases (betalactamases).

✓ Apresentam ação, também, contra bactérias anaeróbias GP (semelhante à cefalosporina de primeira geração), cocos GN,
Haemophilus e enterobactérias.

✓ Pseudomonas aeruginosa não é sensível ao uso das cefalosporinas de segunda geração


Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Cefalosporinas - interferem na síntese da parede celular

✓ TERCEIRA GERAÇÃO: têm maior resistência às betalactamases e podem ser utilizadas no tratamento de infecções no sistema
nervoso central, como meningites.

✓ Não possuem boa atividade contra a Pseudomonas

✓ Apresentam atividade contra cocos GP inferior às cefalosporinas de primeira geração, bem como baixa atividade contra o
pneumococo.

✓ A ceftazidima deve ser reservada para infecções por Pseudomonas aeruginosa, como pneumonias, pielonefrites, meningoencefalites e
osteomielites.

✓ Deve-se observar o perfil de sensibilidade, uma vez que o surgimento de cepas resistentes de Pseudomonas sp. é bastante comum

✓ QUARTA GERAÇÃO: foram desenvolvidas com o intuito de conservar a boa atuação contra BGN (incluindo a P. aeruginosa) e
ampliar o espectro na tentativa de recuperação da atividade contra bactérias GP, em especial o Staphylococcus sp.
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Carbapenêmicos - interferem na síntese da parede celular

✓ Antibióticos de espectro mais abrangente, com estrutura química semelhante à penicilina e substituição no
anel tiazolidínico do ácido 6-aminopenicilânico do enxofre por carbono, com presença de dupla-ligação.

✓ O mecanismo de resistência contra carbapenêmicos envolve a produção de carbapenemases, principalmente


por enterobactérias como Klebsiella sp (KPC)

✓ Além disso, há resistência por meio da produção de metalobetalactamases, principalmente para


Pseudomonas sp. e Acinetobacter sp.
TESTE DE HODGE – PARA KPC

✓ Usado para identificar bactérias produtoras de carbapenases (KPC).

✓ Faz-se uma suspensão em NaCl 0,9% de 0,5 na escala Mac Farland


da cepa de Escherichia coli ATCC 25922.

✓ Essa suspensão é diluída em 1:10 e espalhada sobre a placa de Agar


Mueller Hinton.

✓ Coloca-se no centro da placa, um disco de meropenem ou ertapenem e


ao redor do disco fazer estrias com a cepa padrão e com as amostras
suspeitas.

✓ Incuba-se a placa e no dia seguinte observa-se se houve crescimento


da E. coli, na região próxima ao disco.

✓ Isso significa que a cepa analisada é uma produtora de carbapenase e


facilitou o crescimento da E. coli.

Presença da distorção de halo de inibição indica produção de


carbamepenase pela KPC
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Glicopeptídeos - interferem na membrana citoplasmática e na síntese de RNA

✓ São agentes bactericidas que atuam inibindo a síntese e o agrupamento do peptidoglicano da parede celular e alterando a permeabilidade
da membrana citoplasmática e a síntese do RNA.

✓ Principais drogas: vancomicina e a teicoplanina.

✓ Vancomicina: as principais indicações clínicas envolvem infecções por agentes etiológicos, como o MRSA, Enterococcus resistente à
ampicilina, pneumococo resistente à penicilina, Clostridium difficile e Staphylococcus epidermidis

✓ A associação a aminoglicosídeos (gentamicina/estreptomicina) no tratamento de infecções por Enterococcus é utilizada para o tratamento
em casos graves.

✓ A administração da vancomicina é realizada por via intravenosa, reservando-se a via oral, exclusivamente, aos casos de colite por C.
difficile.

✓ A teicoplamina tem mecanismo de ação, espectro e a eliminação semelhantes aos da vancomicina.

✓ Possui meia-vida mais longa e pode utilizar dose única diária intramuscular.

✓ As indicações são semelhantes às da vancomicina, é alternativa terapêutica para reações de hipersensibilidade à vancomicina.
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Polimixina – interferência nas funções de membrana

✓ As polimixinas são antimicrobianos polipeptídios com mecanismo de ação distinto dos demais antimicrobianos
utilizados atualmente.

✓ Dessa forma, a possibilidade de resistência cruzada com outros antimicrobianos é muito remota, permitindo que as
polimixinas sejam ativas contra muitas espécies de bactérias multirresistentes.

✓ As polimixinas interagem com a molécula de polissacarídeo da membrana externa das bactérias GN, retirando cálcio e
magnésio, necessários para a estabilidade da molécula de polissacarídeo.

✓ Esse processo é independente da entrada do antimicrobiano na célula bacteriana e resulta no aumento da


permeabilidade da membrana, com rápida perda do conteúdo celular e morte da bactéria.

✓ Os dois representantes dessa classe são a Colistina e a Polimixina B. O uso desses antibióticos é restrito e deve ser
avaliado o custo-benefício, uma vez que a nefrotoxicicidade é um efeito colateral importante
✓ As indicações incluem doença de Lyme (Borrelia burgdorferi), brucelose (terapia combinada), granuloma inguinal
(Calymmatobacterium granulomatis), infecções por Chlamydia trachomatis (linfogranuloma venéreo, tracoma), Chlamydophila
pneumoniae (pneumonias), Helicobacter pylori, doença inflamatória pélvica aguda, rickettsioses, espiroquetas (leptospirose e sífilis) e
cólera.
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Cloranfenicol – inibe síntese de proteínas

✓ O Cloranfenicol inibe a síntese de proteínas devido ao bloqueio específico dos ribossomas bacterianos

✓ É um dos antimicrobianos com maior espectro entre os demais, que inclui bactérias Gram-positivas aeróbias, como Streptococcus
(pneumococo, Enterococcus, grupo viridans), Staphylococcus aureus (meticilinossensível) e epidermidis, Listeria monocytogenes e Coryne
bacterium diphtheriae.

✓ Bactérias Gram-negativas, como Haemophilus influenzae, Salmonella, Shigellaspp., Escherichia coli, Proteus mirabilis, Citrobacter spp. e
Klebsiella spp., também apresentam sensibilidade.

✓ O cloranfenicol possui atividade contra anaeróbios, como Clostridium e Bacteroides fragilis, e outros patógenos, como Chlamydia,
Mycoplasma, Rickettsia e Bartonella

✓ A utilização do cloranfenicol é restrita a determinadas situações específicas, como abscesso cerebral (excelente penetração liquórica e
atividade contra anaeróbios), salmonelose e meningite por Haemophilus em crianças.

✓ É eficaz no tratamento de rickettsioses (febre Q, febre maculosa, tifo epidêmico), bartoneloses e infecções por anaeróbios, como
Bacteroidesfragilis (apendicite, pelviperitonite, aborto séptico, perfuração de vísceras, abscessos.
Principais Grupos de Drogas Antimicrobianas
Imidazólicos – inibe replicação de DNA

✓ É ativo contra a maioria dos anaeróbios Gram-negativos, incluindo bacteroides e espécies de Clostridium sp.

✓ Também é ativo contra protozoários e parasitas, como Trichomonas vaginalis, Giardia lamblia e Entamoeba
histolytica.

✓ As indicações clínicas abrangem perfuração intestinal, peritonites e pelviperitonites, apendicite perfurada, aborto
séptico, abscessos (hepático, cerebral etc.) e colite pseudomembranosa.

✓ O metronidazol também pode ser utilizado no tratamento combinado da úlcera por Helicobacter pylori e é o tratamento
preferido para colite pseudomembranosa

✓ Pode ser utilizado contra protozoários e fungos


Obrigada!
Bons estudos e até a
próxima disciplina!

Common questions

Com tecnologia de IA

As cefalosporinas de primeira geração possuem ação principalmente contra Staphylococcus aureus sensível à meticilina e algumas bactérias gram-negativas . A segunda geração é mais eficaz contra bactérias anaeróbias e possui resistência aumentada às beta-lactamases em comparação com a primeira . As de terceira geração oferecem resistência elevada às beta-lactamases e atuam contra infecções no sistema nervoso central, mas não são eficazes contra Pseudomonas . Já a quarta geração foi desenvolvida para melhorar a resistência contra gram-negativos, incluindo Pseudomonas, e recupera parte da atividade contra gram-positivos .

O Teste de Hodge apresenta desafios como a potencial dificuldade de interpretação devido à subjetividade na leitura dos halos de inibição, o que pode levar a falsos positivos ou negativos na detecção de cepas produtoras de carbapenemases . Essa variabilidade pode impactar o manejo clínico, já que a identificação precisa dessas cepas é crucial para guiar o uso adequado de antibióticos e evitar a disseminação de resistência em ambientes hospitalares .

A escala de MacFarland é crucial nos testes de sensibilidade a antimicrobianos, pois padroniza a concentração bacteriana do inóculo, garantindo consistência e confiabilidade nos resultados . Esta escala auxilia em determinar a densidade bacteriana através da turvação da suspensão bacteriana, que deve corresponder a uma determinada concentração para assegurar que os resultados do teste de sensibilidade, tais como halos de inibição no teste de difusão em ágar, sejam precisos e comparáveis . Usar uma concentração inadequada pode levar a resultados incorretos, comprometendo a eficácia da terapia antimicrobiana escolhida .

O E-TEST melhora a avaliação da eficácia antibiótica ao oferecer uma quantificação precisa da concentração inibitória mínima (MIC) do antimicrobiano, ao contrário do método de difusão em disco que fornece apenas resultados qualitativos . A técnica do E-TEST aplica um gradiente de antibiótico em uma fita, permitindo a determinação exata do ponto de crescimento microbiano ao longo do gradiente, sendo útil para determinar a resistência a antimicrobianos específicos e facilitar ajustes terapêuticos individualizados .

As polimixinas atuam interagindo com o polissacarídeo na membrana externa das bactérias gram-negativas, promovendo a remoção de cálcio e magnésio necessários para a estabilidade da membrana . Isso resulta em um aumento da permeabilidade celular, causando perda de conteúdo celular e morte bacteriana. No entanto, o uso de polimixinas é limitado devido à sua nefrotoxicidade e à necessidade de avaliar cuidadosamente o custo-benefício, sendo reservadas para infecções por bactérias multirresistentes .

As principais indicações para a cultura de micobactérias incluem casos suspeitos de tuberculose (TB) pulmonar com exame direto persistentemente negativo, diagnóstico de formas extrapulmonares (como meningoencefálica, renal, pleural, óssea ou ganglionar), suspeita de resistência micobacteriana às drogas, e em tecidos e cavidades onde a baciloscopia é rara ou ausente, sendo recomendada a cultura sempre em urina, líquidos cavitários e secreções não pulmonares . O meio de cultura de Löwenstein-Jensen é o mais utilizado no Brasil, embora os meios líquidos que permitem um crescimento mais rápido estejam se tornando cada vez mais populares .

O Teste Molecular Rápido GeneXpert® melhora o diagnóstico da tuberculose ao detectar DNA do M. tuberculosis com uma sensibilidade de 90%, utilizando a técnica de PCR em amostras como escarro e líquor . Isso facilita o diagnóstico principalmente em áreas com dificuldades técnicas para baciloscopia tradicional . Contudo, o GeneXpert® não deve ser utilizado para retratamento de casos devido à detecção de bacilos mortos ou inviáveis, limitando seu uso a infecções primárias .

O teste de sensibilidade a antimicrobianos (TSA) auxilia na escolha da terapia antimicrobiana ao identificar quais antibióticos são eficazes contra o microrganismo responsável pela infecção, determinando a concentração mínima efetiva. No entanto, este teste possui limitações, sendo qualitativo, classificando o microrganismo como sensível, intermediário ou resistente, sem fornecer informações quantitativas precisas . Além disso, a interpretação pode ser complexa devido à resistência crescente de muitos microrganismos e a variação de respostas dependendo das condições do ambiente hospitalar e paciente .

O mecanismo de resistência mais significativo em bactérias gram-negativas é a inativação enzimática por β-lactamases, que hidrolisam a ligação amida do anel β-lactâmico dos antibióticos, inativando-os antes de alcançarem as PBPs (Penicillin Binding Proteins) bacterianas . Este mecanismo afeta diretamente a eficácia dos β-lactâmicos, limitando seu uso contra muitas infecções por gram-negativos. Como resposta, tem-se buscado o desenvolvimento de inibidores de β-lactamase e a introdução de novos β-lactâmicos capazes de evitar essa degradação enzimática .

A permeabilidade da membrana celular bacteriana é fundamental na resistência a antibióticos, especialmente em bactérias gram-negativas que possuem uma membrana interna e outra externa, dificultando a penetração de certos antibióticos . Essa barreira seletiva, em que fármacos hidrossolúveis dependem de porinas para entrar, impacta diretamente na escolha de tratamentos. Por exemplo, β-lactâmicos e fluoroquinolonas só conseguem adentrar quando as porinas estão presentes e funcionais, limitando assim as opções terapêuticas contra essas bactérias devido à possível resistência intrínseca e seletividade para antibióticos específicos .

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