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Fontes e Modalidades da Arbitragem Comercial

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28/02/2024

Aula de reposição – data a definir

As fontes da arbitragem comercial – continuação :

No que toca a fontes internas/domésticas temos a própria CRP no art.219 faz referência à
existência de tribunais arbitrais.

LAV – Lei da arbitragem voluntária (lei 63/2011 de 14 de dezembro) ;

Art.1139º CPC

LAV é o principal diploma com o qual vamos trabalhar pois estão aqui previstos os principais
elementos.

Quanto às fontes internacionais temos a convenção de Nova Iorque de 1958 , esta convenção
é especialmente importante no âmbito da arbitragem comercial internacional. Temos também
a ICSID.

Para além destas fontes legais quer domesticas quer internacionais também existem as fontes
não vinculativas , estas que se afastam do sentido tradicional de fontes. Estas fontes de “soft
law” como é evidente não têm caracter obrigatório , ou seja , não vinculam as partes , então ,
devido a isto , este tipo de instrumentos são cada vez mais importantes não só no direito
internacional mas também em certas áreas de colaboração. Estas fontes funcionam através da
persuasão e não através da vinculação , podem funcionar como forma de no futuro os países
chegarem a acordo relativamente a regras comuns estas que sim , irão acabar por ser
vinculativas.

Temos aqui como “soft law” o UNCITRAL , este que em 1985 elaborou uma lei modelo , esta lei
modelo foi alterada em 2006 , ou seja , foi aqui atualizada. A lei modelo não é um tratado
internacional , este é um modelo legislativo que diz respeito à arbitragem comercial , ou seja ,
em vez de impor um tratado internacional a comissão das nações unidas e muitas outras
recorrem cada vez mais à lei modelo.

Esta lei modelo é um formulário do quê que uma lei de arbitragem comercial pode parecer ,
podendo os países basear-se nesta.

Esta lei modelo tem sido bastante bem sucedida e diversos países a seguem , incluindo
Portugal. A lei modelo é apenas um “standard/template”.

A lei modelo contribuiu muito para a popularização da arbitragem comercial internacional. Um


dos princípios fundamentais da arbitragem em geral estão consagrados nesta lei modelo o que
de certa forma contribui para a harmonização das leis de arbitragem.

Dentro da categoria de “soft law” também existem outras regras que foram adotadas , que são
as regras de arbitragem da UNCITRAL.

Regras de arbitragem =/= Lei modelo

A UNCITRAL elaborou estas regras para regular as arbitragens “ad hoc”, aquela que não é
regulada por nenhuma instituição.
Normalmente cada centro de arbitragem tem as suas próprias regras de arbitragem o que se
vai diferenciar da LAV , estas regras são institucionais e que detalham com grande nível de
precisão como é que decorre o processo arbitral desde o principio até ao fim.

A UNCITRAL decidiu criar estas regras para as arbitragens “ad hoc”.

Os centros de arbitragem não promulgam leis.

Este direito não vinculativo é uma outra forma de gerarem consenso na comunidade
internacional.

Estas regras vêm de diferentes fontes e podem ser aplicadas nas arbitragens comerciais.

Na arbitragem internacional não existe um sistema de precedente vinculativo.

A principal fonte de regulamentação de uma arbitragem é a vontade das partes , porque a


arbitragem voluntária é uma criação das partes. A arbitragem vai ser tudo que as partes
quiserem , as partes podem designar a arbitragem como bem conhecerem , sendo o único
limite normas imperativas.

A arbitragem vai decorrer da forma que as partes quiserem , mas a maior parte das vezes as
partes têm uma convenção de arbitragem muito sucinta.

O regulamento (que é soft law) é onde vamos muitas vezes encontrar soluções para o que as
partes não referiram.

A Lei de Arbitragem que falamos aqui vai regular o processo arbitral , por exemplo , a LAV é
uma lei de arbitragem.

Arbitragem privada

Regulamento (Soft Law)

Lei arbitragem (lex arbitrae)

Vantagens e desvantagens do recurso na arbitragem :

A celeridade é uma das vantagens , tradicionalmente é suposta a arbitragem ser mais rápida
do que os tribunais judiciais , mas , apesar disto , a própria arbitragem também se pode
arrastar.

A menor burocratização da arbitragem.

Uma grande vantagem é a especialização dos árbitros , pois as partes podem escolher
especialistas na matéria.

Flexibilidade da arbitragem , pois as regras processuais e materiais podem ajustar-se melhor às


circunstâncias do caso.

Confidencialidade , pois salvo acordo em contrário , os processos de arbitragem não costumam


ser públicos.

Temos também a neutralidade como fator positivo/vantagem.


Quanto às desvantagens podemos questionar os custos e a rapidez o que vai depender muito
de caso a caso.

A falta de poder coercivo dos tribunais arbitrais é aqui identificado como outra desvantagem.

06/03/2024

Vantagens e desvantagens da arbitragem – continuação :

Os aspetos da celeridade e dos custos tanto podem ser vistos como vantagens ou como
desvantagens dependendo dos pontos de vista.

Arbitragem voluntária e arbitragem necessária :

A arbitragem comercial é voluntária , o que quer dizer que as partes têm que optar ativamente
pela arbitragem. Aqui as partes podem , querendo , submeter o litigio a tribunal arbitral.

A arbitragem necessária é extremamente excecional e só existe em poucos casos. Se as partes


pretendem solucionar o litigio têm necessariamente , submete-lo a arbitragem (ex: arbitragem
necessária no âmbito do desporto – Tribunal Arbitral do Desporto , Lei nº74/2013 de 6 de
setembro).

Arbitragem institucionalizada e arbitragem ad hoc :

Na arbitragem institucional o processo é basicamente administrado por um centro de


arbitragem que pré-existe antes de o litigio ser iniciado , esta instituição apenas dá apoio e não
decide o litigio , pois quem o faz são os tribunais arbitrais.

Ainda que os árbitros façam parte de uma lista , estas normalmente são meramente
indicativas , logo as partes podem escolher um arbitro dessas listas , ou até mesmo um que
não consta lá.

Em qualquer um dos casos não é a instituição que profere o acórdão de arbitragem.

Cada centro tem um regulamento que pode ser aplicável , atribuindo ao seu presidente poder
para decidir algumas questões.

Na arbitragem ad hoc é aquela que não decorre perante nenhum centro de


arbitragem/instituição. O tribunal arbitral administra o caso diretamente ,por vezes com apoio
de secretários. A arbitragem pode ser realizada num centro de arbitragem e continuar a ser ad
hoc.

Na arbitragem ad hoc não há um registo central , pois esta ocorre de uma forma ainda mais
confidencial

A distinção importante na prática está prevista no art.36º/6 e 7 da LAV


A convenção de arbitragem :

Negócio jurídico mediante o qual as partes acordam que o litigio , atual ou futuro ,
determinado ou determinável , será decidido por um tribunal arbitral.

Art.1º/1 da LAV – descreve alguns dos seus elementos essenciais , não a define ;

Art.7º/1 da Lei Modelo : “Convenção de arbitragem” é o acordo pelo qual as partes decidem
submeter à arbitragem todos ou alguns dos litígios surgidos entre elas com respeito a uma
determinada relação jurídica , contratual ou extra-contratual”.

Se o interesse é vincular a outra parte temos que utilizar linguagem o mais ampla possível.

A convenção de arbitragem tem que dizer respeito a uma relação jurídica especifica.

[Link]/nº1 da convenção de Nova Iorque “Cada Estado Contratante reconhece a convenção


escrita pela qual as Partes se comprometem a submeter a uma arbitragem todos os litígios ou
alguns deles que surjam ou possam surgir entre elas relativamente a uma determinada relação
de direito , contratual ou não contratual , respeitante a uma questão suscetível de ser
resolvida por via arbitral”

A convenção de arbitragem tem na sua base a autonomia da vontade , e tem por objeto a
resolução de um litigio , atual ou eventual , cometendo a sua solução a terceiros a quem são
atribuídos poderes jurisdicionais.

Esta é uma convenção bastante curta na qual foi fácil reunir o consenso dos estados.

Tem na sua base a autonomia da vontade porque é um contrato propriamente dito. Logo , está
sujeita às regras que regulam os negócios jurídicos.

É um contrato entre as partes que confere a terceiros a capacidade de resolver a questão


entre eles , ou seja , o poder de aplicar a lei e resolver aquele caso como se fossem juízes.

A arbitragem no fundo é a combinação destas duas grandes vertentes : o contrato

Modalidades da convenção de arbitragem :

 Compromisso arbitral – tem por objeto um litigio atual , que poderá estar ou não já
submetido a tribunal estadual (art.1º/3 , primeira parte , da LAV). É o submission
agreement.
 Cláusula compromissória – este é o tipo mais comum de convenção de arbitragem e
tem por objeto um litigio eventual e futuro (art.1º/3 , segunda parte , da LAV). É o
arbitration clause. Os contratos incluem frequentemente cláusulas compromissórias.

O cenário do compromisso arbitral primeiro aparece a convenção de arbitragem e clausula


compromissória e só depois é que aparece o litigio. No caso do compromisso arbitral temos o
contrário.
Conteúdo da convenção de arbitragem :

 Critérios de arbitrabilidade (objetiva)

A autonomia da vontade tem limites : alguns litígios são considerados tão relevantes para a
ordem jurídica de um Estado que são reservados aos tribunais estaduais.

Art.1º/1 da LAV : podem ser submetidos a arbitragem “litígios que sejam respeitantes a
interesses de natureza patrimonial e que não estejam por lei submetidos exclusivamente aos
tribunais estaduais (e.g. insolvência) ou a arbitragem necessária – critério da patrimonialidade

Art.1º/2 da LAV : admite-se ainda a convenção de arbitragem relativamente a litígios e


situações que , embora não envolvam interesses de natureza patrimonial , sejam passiveis de
celebração de transação pelas partes – critério da transigibilidade

Não há duvidas que alguns litígios não são arbitráveis :

 Litígios de cariz familiar (e.g. , emergentes da filiação , adoção , divórcio , etc...) ;


 Litígios respeitantes a direitos de personalidade (se o litigio respeitar a aproveitamento
económico dos direitos de personalidade ou uma indemnização decorrente da sua
violação – direitos relativamente aos quais é possível celebrar transações , exercício de
um direito de personalidade indisponível)

A convenção de arbitragem tem de observar os requisitos legais essenciais :

 O litígio ou questão objeto da convenção tem de ser definida (art.2º/n6 da LAV) e deve
ser determinável , sob pena de nulidade (art.280º/1 cc) ;
 O seu objeto deve ser física e legalmente possível , não contrário à lei nem à ordem
pública nem ofensivos aos bons costumes (art.280º/1 e 2 cc) ;
 Deve resultar claramente da convenção a intenção de recorrer à arbitragem (as partes
devem deixar bem claro que querem recorrer à arbitragem) ;

A convenção de arbitragem é um negócio jurídico bilateral , logo , ambas as partes devem


manifestar inequivocamente a sua vontade.

A convenção também pode incluir elementos eventuais.

Não são necessários para a arbitragem decorrer mas são uteis :

 Exemplos – local de arbitragem , lei aplicável à convenção de arbitragem , língua


utilizada no processo , árbitros que constituirão o tribunal arbitral , submissão a
arbitragem institucionalizada ou ad hoc , as regras processuais adotadas , etc...

Os elementos essenciais são definir muito bem que tipo de litígios e remeter isso para
arbitragem , sem isto a cláusula não funciona.

Se as partes acordarem na arbitragem institucionalizada , poem adotar uma convenção cuja


redação é sugerida pelo próprio centro (cláusula modelo)

Por regra , nessas cláusulas há uma remissão para as regras previstas no regulamento do
centro de arbitragem , deixando-se maior ou menor amplitude para alguns elementos.
13/03/2023 – Aula T/O.T.

O compromisso arbitral deve determinar o objeto do litigio.

Na clausula compromissória ainda não existe litigio nenhum.

A convenção de arbitragem não pode ser um “cheque em branco” , pois o litigio em questão
tem que ser identificado.

Deve-se identificar de que relação jurídica procede este litigio. Deve ser especificada.

O mais importante é delimitar o objeto da arbitragem , o que que vai para arbitragem , isto as
partes têm mesmo que fazer. Ao fazê-lo devem utilizar linguagem o mais ampla possível. Em
seguida , na remissão para arbitragem deve utilizar-se linguagem descritiva/obrigatória de
forma a demonstrar que as partes têm mesmo que ir para arbitragem , desta forma
impossibilitando qualquer tipo de “desvios/fugas” à mesma.

Gera-se a obrigação de a outra parte se submeter à arbitragem.

Se nós estamos a utiliza linguagem fraca , isto pode possibilitar que se interprete que a
arbitragem é uma opção , dai tem que se utilizar esta linguagem mais descritiva.

Uma clausula que deixe implícito que a arbitragem é uma alternativa , qualquer uma das
partes pode escolher não optar pela mesma.

A forma da convenção de arbitragem

É importante aqui o art.2º da LAV.

A convenção deve adotar forma escrita , mas há uma outra opção mais liberal que está no
art.219º CC onde se pode dizer que se segue o principio da liberdade de forma.

O nosso principio geral é o da liberdade de forma , exceto quando a lei o exigir. É claro que
muitas vezes a lei estabelece que os negócios são formais para facilitar a prova , que é o que
acontece neste caso.

O legislador aqui existe forma escrita só que depois vai ser bastante flexível no que toca ao que
constitui forma escrita como podemos ver pelo art.2º/2 LAV , é possível neste caso entender
como forma escrita , por exemplo , uma troca de emails , embora em rigor não conste a
assinatura das duas partes como vemos nos documentos tradicionais.

Muitas vezes , coloca-se a questão se um determinado email que foi enviado pode ser
imputado a uma pessoa ou não , por exemplo , nos casos dos advogados existe a assinatura
eletrónica , ou seja , há uma certificação informática de que tal informação veio daquela
pessoa em questão. O mais importante aqui é que fique prova para que um dia uma das
partes possa demonstrar em tribunal que , por exemplo , enviou um determinado email. O
legislador é bastante liberal quanto a este propósito.

O n4 do art.2º da LAV acrescenta a incorporação por referência.

A convenção de arbitragem pode constar de um contrato de adesão.

Vale como convenção de arbitragem a remissão feita para um documento que contenha uma
clausula compromissória , isto é a tal incorporação por referência.
Se a convenção de arbitragem consta nesse documento , isso pode ser perfeitamente válido ,
desde que esse tal documento revista a forma escrita e a remissão seja feita de modo a fazer
dessa clausula parte integrante do mesmo , ou seja , esta clausula que é feita aqui tem que
utilizar linguagem que cumpra este requisito.

Essa incorporação por referência é possível desse que a remissão utilize linguagem suficiente.

O art.2º/5 da LAV diz o seguinte “Considera -se também cumprido o requisito da forma escrita
da convenção de arbitragem quando exista troca de uma petição e uma contestação em
processo arbitral, em que a existência de tal convenção seja alegada por uma parte e não seja
negada pela outra” , isto é uma convenção de arbitragem tácita , em teoria é possível o A
começar uma arbitragem contra o B pesa embora nunca ter celebrado nenhuma convenção de
arbitragem com ele. Se na contestação não se opor está a aceitar a arbitragem.

Remissão do art.2º/5 para o art.18º/4 , ambos da LAV.

O art.1º e 2º da LAV são essenciais para se redigir a convenção de arbitragem de forma válida.

Art.2º/1 da LAV , a convenção de arbitragem deve adotar forma escrita , sob pena de nulidade
(art.3º LAV).

O art.5º LAV chama-se efeito negativo da convenção de arbitragem. O art.5º/1 é


simetricamente idêntico ao art.18º/4 , este último que fala da competência do tribunal arbitral
o que significa que as partes foram para a arbitragem.

20/03/2024 – Aula T/O.T.

Efeitos da convenção de arbitragem :

Confere às partes um direito potestativo (dar inicio ao processo arbitral) e , correspetivamente


uma sujeição (a outra parte fica vinculada a que a questão seja apreciada por tribunal arbitral)

 Efeito positivo – atribui ao interessado o poder de provocar a constituição do tribunal


arbitral que terá competência para decidir o caso ;
 Efeito negativo – retirada de competência aos tribunais estaduais para apreciar esse
mesmo litigio – art.5º/1 da LAV

Art.5º da LAV – Efeito negativo da convenção de arbitragem

Art.96º CPC – Casos de incompetência absoluta

Ambos estes artigos têm haver com a relação entre os tribunais arbitrais e os estaduais.

Remissão do art.5º da LAV para o 96º do CPC.

Art.97º CPC – Regime de arguição Legitimidade e oportunidade

Art.99º CPC – Efeito da incompetência absoluta

Art.578º CPC – Conhecimento das exceções dilatórias

Ainda que a convenção de arbitragem tenha sido celebrada após a ação ter sido intentada , os
efeitos positivo e negativo continuam a verificar-se , isto de acordo com o art.280º CPC.
Na apreciação do compromisso arbitral , o juiz (art.280º/2 CPC) deve ter em atenção que a
competência para apreciar a convenção de arbitragem cabe em primeira linha ao tribunal
arbitral.

Apenas nos casos em que a convenção de arbitragem seja manifestamente inválida (art.5º/n1
da LAV) deve o juiz manter a distância e não a extinguir – de outro modo estaria em causa o
principio da Kompetenz-Kompetenz.

A preterição do tribunal arbitral determina a incompetência absoluta do tribunal estadual mas


não é uma exceção dilatória de conhecimento oficioso (art.5º/1 da LAV , art.97º/1 e 578º CPC).

Ou seja : as partes podem revogar a convenção tacitamente – basta que o demandante intente
ação judicial e o demandado não invoque a existência da convenção.

A convenção de arbitragem cria um direito potestativo de recorrer à arbitragem mas as pates


podem revogar este negócio por acordo (autonomia da vontade).

O facto de o tribunal estadual estar a discutir a convenção de arbitragem não impede que o
processo arbitral se inicia ou prossiga (art.5º/2 LAV).

Caso seja proferida sentença judicial transitada em julgado em que se decida pela
incompetência do tribunal arbitral , o processo arbitral cessa ou deixa de produzir efeitos
(art.5º LAV).

O principio da competência – incompetência está no nº do art.18º da LAV

Art.5º/3 LAV

Art.5º/4 LAV – Outra manifestação da regra Kompetez-Kompetenz , esclarece que não são
admissíveis anti-arbitration injuctions.

Art.46º/n3 LAV – temas para os trabalhos

O exame final vai ser sobre a matéria das aulas e não sobre os temas que foram apresentados

Autonomia da cláusula compromissória :

A convenção de arbitragem é um contrato autónomo daquele em que se insere , mesmo


quando assume a forma de cláusula compromissória – art.18º/2 LAV.

Mesmo que o contrato em que está incluída a clausula de arbitragem seja inválido , a clausula
compromissória não é necessariamente inválida (art.18º/3 LAV).

A autonomia da clausula compromissória é relevante independentemente da vicissitude de


que o contrato venha a padecer – invalidade ab initio , resolução do contrato , caducidade ,
etc...

Mesmo quando a convenção de arbitragem é uma clausula num contrato principal , este
“mini-contrato” é como se fosse um contrato totalmente separado do contrato principal ,
mesmo que o contrato principal seja inválido , não significa que a cláusula compromissória o
seja.

Isto é o principio da separabilidade.

21/03/2024 – Aula T/O.T.

Na cláusula compromissória existe um contrato que é um contrato substantivo e que calha


conter uma clausula muito especial , que é a compromissória.

Esta clausula tem como qualquer contrato obrigações , sendo que as partes submetem-se aqui
à arbitragem.

Natureza jurídica da convenção de arbitragem

Trata-se de um negócio jurídico bilateral , mas com que natureza?

 Processual - Apesar de ser um ato praticado fora da sequência processual , pode


conduzir a uma exceção de dirieto processual , embora fique na exclusiva
disponibilidade da parte que visa impedir a jurisdição do tribunal estadual. É um
negócio jurídico processual , produz efeitos jurídicos constitutivos e extintivos ;
 Substantiva – Produz efeitos substantivos , criando obrigações para as partes ,
incluindo o dever de agir de modo a permitir o procedimento arbitral ;
 Mista – civil e processual ;

Constituição do tribunal arbitral

A autonomia privada também se manifesta aqui : as partes podem definir , dentro dos termos
da lei , como é que o tribunal é constituído e quem serão os árbitros.

As partes podem especificar , na própria convenção de arbitragem ou em convenção


posterior , o número de árbitros que constituirá o tribunal arbitral , sua identificação ,
requisitos para ser árbitro , prazo para a designação dos árbitros , etc...

No silêncio das partes , são seguidas as regras supletivas previstas na lei.

03/04/2024 – Aula T/O.T.

Requisitos dos árbitros :

Art.9º/1 LAV : os árbitros devem ser pessoas singulares e plenamente capazes.

Capacidade – art.6º e seguintes do CC , art.25º CC (árbitros estrangeiros)

Os árbitros podem ser juristas ou não.

Não discriminação em função da nacionalidade – art.9º/2 - esta regra destina-se


principalmente às entidades com poderes para nomear árbitros.

Art.10º/6 – nacionalidade neutra pode ser importante na arbitragem internacional


Independência e imparcialidade dos árbitros :

Art.9º/3 LAV

Independência – característica objetiva / Imparcialidade – característica subjetiva

Requisitos exigidos de todos os árbitros , indicados ou não pelas partes

Dever de revelação – art.13º LAV

Quem for convidado para exercer funções de arbitro deve revelar todas as circunstâncias que
possam suscitar fundadas dúvidas sobre a sua imparcialidade e independência.

10/04/2024 – Aula T/O.T.

Códigos deontológicos sem carácter vinculativo mas de grande relevância prática.

A incorreção material da decisão ou mesmo o erro grosseiro não são fundamento para colocar
em causa a imparcialidade ou independência dos árbitros.

Porem , a falta de imparcialidade ou independência dos árbitros ou das qualificações


acordadas pode levar a:

 Anulação da decisão arbitral (art.46º/nº3/a/iv LAV) ;


 Oposição à execução (art.48º/nº1 e 46º/3º/a LAV) ;

Natureza do contrato do arbitro:

 Negócio de natureza substantiva – as partes acordam com os árbitros os termos em


que o processo arbitral será conduzido ;

Dificuldades de qualificação: os contratos de prestação de serviços , mandato , agência ou


trabalho não captam o essencial deste acordo : conduzir o processo arbitral e proferir uma
decisão , sem estar sujeito a instruções das partes

Este contrato atribui a alguém a função de julgar – negócio sui generis ou atípico

 Negócio de natureza processual (por ter o efeito de atribuir competência jurisdicional


a um particular) ;
 Negócio de natureza híbrida ;
 Dúvidas sobe a natureza contratual esta situação jurídica ;

Deveres e direitos dos árbitros :

Resultam da autonomia das partes e da lei aplicável.

Principal obrigação: conduzir o processo , participar em audiências e deliberações , assinar a


decisão , procurar que a decisão não seja inválida , etc...
Os árbitros devem ainda respeitar as indicações que cabem dentro da autonomia da vontade
das partes (e.g., regras processuais acordadas m direito aplicável , etc...).

Dever de confidencialidade – art.30º/nº5 LAV

Abrange , salvo indicação das partes em contrário , a própria sentença arbitral , deliberações ,
depoimentos de testemunhas , documentos , etc...

Alguns autores entendem que um arbitro que não concorde com a decisão da maioria não
pode lavrar público voto vencido.

Direitos dos árbitros : receber honorários pela atividade desenvolvida , reembolso de despesas
que tiveram realizado no âmbito do processo.

Nas arbitragens institucionalizadas o valor dos honorários é frequentemente fixado numa


tabela , variando consoante tribunal singular/coletivo e valor da ação.

Caso não se apliquem estas tabelas (seja por acordo em contrário , seja por se tratar de
arbitragem ad hoc) – art.17º LAV

Composição do tribunal :

Art.8º - Número de árbitros :

1. O tribunal arbitral pode ser constituído por um único arbitro ou por vários , em
número impar.
2. Se as partes não tiverem acordado no número de membros do tribunal arbitral , é este
composto por três árbitros.

Tribunais coletivos

Processo de designação – art.10º

Acordo das partes – nº1

Cada uma das partes deve indicar um arbitro e que os árbitros indicados pelas partes devem
escolher um terceiro que atua como arbitro Presidente – nº3

Pluralidade de demandantes ou demandados – se não chegarem a acordo sobre o arbitro que


lhes cabe designar , o tribunal estadual pode , se se demonstrar que as partes não
conseguiram nomear conjuntamente um arbitro têm interesses conflituantes , nomear a
totalidade dos árbitros e designar de entre eles quem é o presidente , ficando nesse caso sem
efeito a designação do arbitro que uma das partes tiver entretanto efetuado –

Acórdão Ducto : 2 dos demandados tiveram de sob protesto e reserva , escolher um árbitro.
No entanto , a demandante tinha indicado um árbitro. A Cour de Cassation francesa anulou a
decisão arbitral com base no desigual tratamento dado às partes na constituição do tribunal.
Aceitação ou recusa do encargo – art.12º LAV

1- Ninguém pode ser obrigado a atuar como árbitro (...) ;


2- A menos que as partes tenham acordado de outro modo , cada árbitro designado deve
, no prazo de 15 dias a contar da comunicação da sua designação , declarar por escrito
a aceitação do encargo a quem o designou;

Ou seja , a aceitação pode ser tácita.

Art.12º/nº1 LAV – “(…) se o encargo tiver sido aceite , só é legitima a escusa fundada em causa
superveniente que impossibilite o designado de exercer tal função ou na não conclusão do
acordo a que se refere o nº1 do artigo 17º” (honorários e despesas dos árbitros).

Art.12º/nº3 LAV – “O arbitro que , tendo aceitado o encargo , se escusar injustificadamente ao


exercício da sua função responde pelos danos a quer da causa.”

Danos causados quer às partes , quer a outros árbitros

Responsabilidade distinta da prevista no art.9º/nº4 e 5 da LAV (danos decorrentes das


decisões proferidas) em que se remete para o regime de responsabilidade dos magistrados
judiciais e a responsabilidade apenas pode ter lugar perante as partes

Art.14º LAV – Processo de recusa

As partes podem acordar sobre o processo de recusa – art.14º/nº1; Caso

Incapacitação , inação e renúncia do árbitro – art.15º

Situações de incapacidade de facto ou de direito , não limitadas às previstas no CC – renúncia


ou acordo das partes – nº1 ;

Se o árbitro renunciar ou as partes aceitarem que cesse funções se alegadamente se encontrar


numa das situações previstas no art.14º/nº2 , tal não implica o reconhecimento da
procedência dos motivos de destituição – nº4

Nomeação de árbitro substituto – art.16º

Esta possibilidade conciliado com o art.8º/nº1 : o tribunal é constituído por um único árbitro
ou por vários , mas sempre em número ímpar

17/04/2024 – Aula T/O.T.

Nomeação do árbitro substituto – art.16º

Esta possibilidade deve ser conciliada com o art.8º/nº1 LAV.

Responsabilidade dos árbitros – art.9º/nº4 e 5 LAV

Lei nº67/2007 de 31 de Dezembro – responsabilidade civil extracontratual do Estado e


pessoas coletivas de direito público
Competência do tribunal arbitral

Na arbitragem voluntária a extensão da competência do tribunal arbitral é , no essencial ,


definida pela convenção de arbitragem.

Só é retirada competência aos tribunais estaduais e atribuída aos tribunais arbitrais na medida
em que a convenção de arbitragem o determinar – art.1º/nº1 LAV

A redação da convenção de arbitragem é decisiva.

Quem pode ou deve apreciar a validade da convenção de arbitragem?

Art.18º/nº1 – “o tribunal arbitral pode decidir sobre a sua própria competência , mesmo que
para esse fim seja necessário apreciar a existência , a validade ou a eficácia da convenção de
arbitragem ou do contrato em que ela se insira , ou a aplicabilidade da referida convenção”

Art.5º/nº1 – “o tribunal estadual no qual seja proposta ação relativa a uma questão abrangida
por uma convenção de arbitragem deve , a requerimento do réu deduzido até ao momento
em que este apresentar o seu primeiro articulado sobre o funda da causa , absolve-lo da
instância , a menos que verifique que , manifestamente , a convenção de arbitragem é nula , é
ou se tornou ineficaz ou inexequível”

Advérbio “manifestamente” – a invalidade da convenção de arbitragem deve ser evidente a


um primeiro exame sumário , um controlo prima facie

Se for necessário entrar em questões materiais (e.g. , interpretação da vontade das partes) já
não se estará perante uma convenção manifestamente nula.

Regra Kompetenz-Kompetenz (competência da competência) – os tribunais arbitrais têm


competência para apreciar a sua própria competência , incluindo a própria validade da
convenção de arbitragem.

Previne recurso aos tribunais estaduais com fins dilatórios.

Intrinsecamente relacionado , mas diferente: regra da autonomia da convenção de arbitragem

Art.18º/nº2 – para os efeitos do disposto no número anterior , uma clausula compromissória


que faça parte de um contrato é considerada como um acordo independente das demais
cláusulas do mesmo.

Art.18º/nº3 – a decisão do tribunal arbitral que considere nulo o contrato não implica , só por
si , a nulidade da cláusula compromissória.

Naturalmente , o princípio da autonomia da cláusula compromissória não significa que esta


nunca possa ser inválida.

15/05/2024 – Aula T/O.T.

Apresentações ;

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