O Rolamento – Sua História
Da Antiguidade Aos Tempos Atuais
A primeira utilidade do “rolamento” que nos vem à cabeça é servir
como elemento auxiliar no transporte (até por causa dos carrinhos de
“rolimã” da infância). E nisso os “rolamentos” são bem antigos. Alguns
situam o início do seu uso por volta do ano 4.000 A.C., ajudando os
Scandinavos a deslizar com seus trenós. Através de pictografias
existentes na Noruega podemos ver uma estrutura formada por madeiras
com rodas que se assemelhava a um trenó. Outros historiadores preferem
apontar o seu início por volta de 3.500 A.C., quando os Sumérios
utilizaram um cubo de roda construído em madeira montado sobre um
eixo também de madeira, conforme uma ilustração de uma biga usada
por este povo.
Já os egípcios apresentam diversas provas do seu uso. A construção de
seus inúmeros monumentos foi muito facilitada quando passaram a usar
rolos de madeiras para transportar pedras de grande peso. Há inclusive
uma ilustração datada de cerca de 1.800 A.C., que mostra um egípcio na
ponta da pedra entornando um lubrificante no chão. Essa ilustração é
freqüentemente referida como a mais antiga figura de um “engenho de
lubrificação” trabalhando.
Nas civilizações clássicas, Grécia e Roma, temos grandes aplicações de
“elementos rolantes”. Em muitos escritos gregos encontramos
referências ao uso de “rolimãs” ou “esferas” e sobre as vantagens do
uso de objetos esféricos para propósitos geométricos e para aplicações de
engenharia, como em suas catapultas. Porém é na civilização Romana
onde os mais espetaculares desenvolvimentos são encontrados. Cerca de
30 quilômetros de Roma há um lago chamado Nemi, onde, no início deste
século, arqueologistas descobriram duas embarcações. Entre os inúmeros
objetivos encontrados, temos “duas esferas” que representam dois
pontos de sumo interesse: um é o uso de metal nessas esferas, uma
transição do uso de madeira para metal em “rolamentos”, e outro é o
fato de que representa uma das mais antigas formas de “rolamentos”
propriamente dito, apesar de que as esferas ou bolas não tinham livre
rotação como nos modernos “rolamentos”. Na mesma época dos
Romanos, os Celtas também mostram evidências do uso de
“rolamentos”.
Ao longo do período da idade média, o chamado “período negro” em
termos de desenvolvimento tecnológico, existe pouca evidência do uso ou
desenvolvimento continuado de “rolamentos”. Isto é, na verdade, uma
realidade para vários aspectos da tecnologia e da cultura em geral, de
modo que somente no início do século XVI voltamos a falar de
“rolamentos”.
Por volta do ano 1.500 é que Leonardo da Vinci consubstanciou um dos
sonhos mais antigos da humanidade, o de possuir um veículo que se
locomove sem o emprego de força muscular, em idéia concreta, fixando
suas concepções em desenhos técnicos. Não há qualquer dúvida a
respeito de que foi Leonardo da Vinci também quem primeiro pensou num
veículo de locomoção por força própria. Comprova-se isto por uma
ilustração sua e pelo projeto de um carro, impulsionado por um sistema
de molas que possui até uma transmissão com diferencial.
Provavelmente, Leonardo nunca chegou a realizar seu carro de
autopropulsão, no entanto, cabe-lhe o mérito de ter tido a idéia de utilizar
a energia armazenada num sistema de molas para locomover um veículo.
Este carro, que pode ser considerado como o percursor do automóvel
moderno, provavelmente representa o último estágio de um processo de
desenvolvimento de Leonardo da Vinci. Isto se depreende claramente de
seus desenhos. Vários dos componentes essenciais do automóvel de hoje
podem ser atribuídos diretamente a Leonardo. Assim, por exemplo,
Leonardo foi o primeiro a idealizar e desenhar um sistema de transmissão
para um veículo com caixa de redução e volante de direção. Em outro
projeto de veículos, também tinha previsto rodas dirigíveis.
A força motriz neste projeto era proporcionada por “8 homens” acionando
manivelas, sendo transmitida para as rodas através de uma caixa
redutora. Finalmente, idealizou para o veículo autopropulsionado o
sistema de tração individual das rodas, e um engrenamento epicíclico,
que pode ser considerado como precursor do diferencial moderno.
São perfeitamente identificáveis essas peças do veículo nos seus
desenhos. Em compensação, não é muito nítida a representação daquela
parte que se refere ao sistema de acionamento com molas, o qual deveria
suprir o veículo com a necessária força motriz. Conclui-se que foi a falta
de um “motor” adequado que obrigou Leonardo a renunciar á
concretização de seu “veículo autopropulsionado”.
Como é notório, o gênio universalista de Leonardo da Vinci se ocupou
com inúmeras coisas e idéias. Mesmo um assunto hoje tão atual quanto a
economia de energia pode ser atribuído a ele, pois que Leonardo estudou
muito intensamente o princípio do fenômeno do atrito. Deve-se a ele a
clara e completa distinção entre o atrito deslizante e rolante entre corpos
sólidos. Suas pesquisas teóricas e práticas abrangeram também as
diferenças de magnitude do atrito conforme espécie dos materiais em
contato e também, conforme a utilização de meios lubrificantes entre as
superfícies.
Leonardo da Vinci dedicou especial atenção á questão da redução da
resistência de atrito, utilizado na sustentação de corpos rotativos. Para
tanto, muitas vezes ele previu cilindros, conforme os mostrados no
desenho de seu projeto.
Estes rudimentares projetos de “rolamento” provam que Leonardo da
Vinci já tinha descoberto a maneira de reduzir a resistência de giro,
mediante o auxílio de cilindros que servem como “corpos rolantes”.
As idéias de um veículo autopropulsionado e as concepções de mancais
com baixo índice de atrito já existiam lá pelo ano de 1.500. Entretanto,
até a concretização destes projetos dever-se-iam passar ainda alguns
séculos. Somente no século XVIII surgiu uma fonte de energia razoável,
com a máquina movida a vapor, que facultou James Watt em 1.759 a
construir um pequeno modelo de um veículo autopropulsionado, próprio
para locomover-se pelas ruas. Um certo desenvolvimento técnico destes
veículos a vapor ocorreu nos séculos XVIII e XIX. Mas só com a descoberta
do motor á combustão foi dada uma base decisiva para o advento do
automóvel como nós o conhecemos hoje.
A história dos primeiros “rolamentos” se assemelha á do
desenvolvimento do automóvel. Da idéia até a condição de fabricação
industrial foi um longo e difícil caminho. Sob o enfoque do princípio
fundamental, já na mais remota antiguidade foram empregados rolos
cilíndricos de madeira para o transporte de pedras pesadas, que podemos
considerar, de certa forma, os rústicos ancestrais dos “rolamentos de
rolos”, sem levar em consideração, é claro, a concepção técnica e as
aplicações modernas dos “rolamentos” de nossos dias. Do mesmo
modo como aconteceu a Leonardo da Vinci, o sucesso prático foi negado
aos inventores do fim do século XVIII e início do século XIX. A
transformação das idéias em prática esbarrava, segundo as evidências,
na impossibilidade de se produzir “esferas” com a precisão necessária.
A idéia fundamental da redução do atrito e a conseqüente economia de
energia com a utilização do “rolamento” permanece até hoje. A
concretização técnica deste princípio básico foi imposta com o surgimento
das bicicletas em meados do século XIX, quando a necessidade de se
economizar força podia ser sentida no próprio corpo.
O desenvolvimento dos primeiros “rolamentos de esferas” recebeu um
grande impulso graças à bicicleta. Após algumas mutações nos projetos,
desenvolveu-se o assim chamado “rolamento tipo cone”. Eram
“rolamentos de esferas” em que seus anéis formavam a figura de um
cone. Foram considerados como a solução adequada para cubos de rodas
e pedaleiros. Não admira, portanto, que um “rolamento tipo cone
ajustável“ tenha, no fim do século passado, substituído o mancal
deslizante até então utilizado nas rodas dos veículos. O baixo índice de
atrito e a maior segurança de funcionamento foram os fatores
determinantes para a introdução dos “rolamentos”.
Na Europa, inicialmente, o desenvolvimento concentrou-se nos
“rolamentos de esferas”. As experiências com “rolamentos de
rolos” não foram as melhores. Nos Estados Unidos o desenvolvimento da
indústria automobilística se baseou mais nos “rolamentos de rolos” e,
em especial, nos “rolamentos de rolos cônicos”. Na mesma época, na
Europa, desenvolveu-se o “rolamento de rolos cilíndricos” e o
“rolamento autocompensador de uma carreira de rolos esféricos”.
Bem, aqui já ingressamos nos tempos modernos. E o desenvolvimento do
“rolamento” continua até hoje. A pesquisa é contínua e novos produtos
mais adequados às necessidades dos clientes vão surgindo. É importante
ressaltar também a pesquisa de novas matérias-primas, como poliamida
e cerâmica. Enfim o “rolamento” do século XXI, já está entrando nas
pranchetas de hoje.
“Todo o texto deste artigo é cópia fiel do Capítulo II, do Livro: “A
Indústria de Rolamentos no Brasil”, que gentilmente nos foi
cedido pela Srta.Cíntia Gordo, da NSK do Brasil Ltda, para ela
nossos agradecimentos..”
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