NÚCLEO DE SEGURANÇA DO PACIENTE DA UNIDADE DE TERAPIA
INTENSIVA DA SANTA CASA DE VOTUPORANGA
Discentes: Ana Clara de Miranda Sartori
Bárbara Magalhães Vieira
Carolina Souza Mendes
Isadora Cucolo Oliveira
José Ricardo Carleti Monteiro
Ligia Barboza Inhan
Marcella Cristina Lopes dos Santos
Mariana Mello Ignácio Polizeli
Raiane Rodrigues Cerozi
Vinícius Bogaz Debortolli
Período: 7°
Docente: Profa. Dra. Regina Silvia Chaves de Lima
Data: 16/10/2024
1.0 INTRODUÇÃO
A persistência de práticas assistenciais inseguras configura uma
preocupação de caráter global nos serviços de saúde. A Organização Mundial da
Saúde (OMS) e o Instituto de Medicina dos EUA relatam que milhares de pessoas
são prejudicadas ou morrem devido a erros na assistência à saúde, sendo muitos
desses danos evitáveis.
Um estudo, realizado em 2013, apontou uma estimativa de mortes
prematuras associadas a danos evitáveis decorrentes ao cuidado hospitalar e
evidenciou que esses dados estariam entre 210.000 e 400.000 americanos por ano.
No Brasil, a situação é igualmente alarmante, com uma taxa de incidência de
Eventos Adversos (EA) estimada em 7,6%, sendo que 66% desses incidentes são
considerados evitáveis. Esses dados enfatizam a urgência na implementação de
medidas eficazes que visem aprimorar a segurança do paciente e mitigar os riscos
nos processos assistenciais.
Como resposta aos dados importantes, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 63, de 23
de novembro de 2013, que estabelece os Requisitos de Boas Práticas de
Funcionamento (BPF) para os serviços de saúde, dispondo os padrões mínimos
necessários para o funcionando destes serviços, visando a qualificação, a
humanização da atenção e gestão e na redução e controle de riscos aos usuários e
meio ambiente.
Em 2013, o Ministério da Saúde lançou o Programa Nacional de Segurança
do Paciente (PNSP), com foco na prevenção, monitoramento e redução de eventos
adversos, além de fomentar iniciativas que integrem a gestão de riscos e a
segurança em diversas áreas dos serviços de saúde. Como parte deste programa,
foram criados Núcleos de Segurança do Paciente (NSP), que representa uma
instância essencial nos serviços de saúde, com a finalidade de implementar ações
que garantam a segurança do paciente.
O NSP desempenha um papel crucial na coordenação entre diferentes
setores que lidam com riscos, mantendo o paciente como foco central do cuidado,
assegurando que sua segurança seja priorizada em todos os processos de
atendimento. A articulação eficaz dos processos de trabalho e das informações é
fundamental para a minimização dos riscos e a promoção de um ambiente mais
seguro para os pacientes.
Os eventos adversos, definidos como incidentes que resultam em danos à
saúde do paciente, geram impactos negativos não apenas para os pacientes e seus
familiares, mas também para o sistema de saúde como um todo. A ocorrência
desses eventos é frequentemente atribuída a falhas em processos ou estruturas de
assistência, e, portanto, o PNSP visa promover melhorias significativas relacionadas
à segurança do paciente e à qualidade dos serviços de saúde no Brasil.
Na sequência, foram publicados e preconizados pelo Ministério da Saúde,
Anvisa e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), seis protocolos básicos voltados à
segurança do paciente. Esses protocolos abordam práticas essenciais, como a
higiene das mãos, a segurança na prescrição e administração de medicamentos, a
identificação adequada dos pacientes, bem como a prevenção de quedas, úlceras
por pressão e a realização de cirurgias seguras.
Em 2015, a Anvisa lançou o Plano Integrado para a Gestão Sanitária da
Segurança do Paciente em Serviços de Saúde, com o objetivo de identificar e
minimizar riscos, prevenindo danos aos pacientes. Esse plano e as
regulamentações nacionais reforçam o papel dos Núcleos de Segurança do
Paciente (NSP) na prevenção, controle e mitigação de incidentes, especialmente
eventos adversos nos serviços de saúde.
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivos Gerais
Implantação do Núcleo de Segurança do Paciente na Unidade de Terapia
Intensiva, com enfoque em higiene das mãos, segurança na prescrição, uso e
administração de medicamentos, identificação dos pacientes, prevenção de quedas
e úlceras por pressão.
2.2 Objetivos Específicos
● Planejamento e orientação sobre higiene das mãos para os prestadores de
serviço da Unidade de Terapia Intensiva;
● Planejamento e orientação sobre a identificação dos pacientes para os
prestadores de serviço da Unidade de Terapia Intensiva;
● Planejamento e orientação sobre segurança na prescrição, no uso e na
administração de medicamentos para os prestadores de serviço da Unidade
de Terapia Intensiva;
● Planejamento e orientação sobre prevenção de quedas para os prestadores
de serviço da Unidade de Terapia Intensiva.
● Planejamento e orientação sobre prevenção de úlceras por pressão para os
prestadores de serviço da Unidade de Terapia Intensiva.
3. PARTICIPANTES
O Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) deve ser formado por uma equipe
multiprofissional, incluindo pelo menos um médico, um farmacêutico e um
enfermeiro coordenador. Os integrantes precisam ter um conhecimento profundo
dos processos de trabalho, habilidades de liderança e estar conectados às áreas de
controle de infecção e gestão de riscos. Além disso, outras unidades dentro dos
serviços de saúde podem colaborar como consultores do NSP, como o Núcleo de
Saúde do Trabalhador, a Gerência de Resíduos, a Comissão de Biossegurança, a
Comissão de Padronização de Materiais, a Comissão de Proteção Radiológica, a
Comissão de Mortalidade Materna e Neonatal, o Comitê Transfusional, a Comissão
Interna de Prevenção de Acidentes, o Escritório da Qualidade e a Comissão de
Controle de Infecção Hospitalar
4. MONITORAMENTO
4.1. MONITORAMENTO DO PROTOCOLO DE HIGIENE DAS MÃOS
Este monitoramento começa com uma avaliação inicial, onde se observa a
adesão da equipe de saúde às práticas de higienização em momentos críticos,
como antes e depois do contato com os pacientes, antes de procedimentos e após a
remoção de luvas.
Auditorias regulares são conduzidas para avaliar como as diretrizes de
higiene das mãos estão sendo seguidas. Profissionais designados, como
enfermeiros ou membros da equipe de controle de infecções, fazem observações
diretas durante o cotidiano da UTI. Essas auditorias podem ser programadas ou
não, focando em garantir que as práticas estejam sendo cumpridas rigorosamente.
Durante essas auditorias, checklists são frequentemente utilizados para
assegurar que todos os aspectos do protocolo sejam verificados. Esses checklists
podem incluir itens como a disponibilidade de produtos para higiene das mãos, a
técnica de lavagem e a frequência de higienização. Após as observações, é
fundamental fornecer feedback à equipe sobre o desempenho. Relatórios são
elaborados com os dados coletados, destacando tanto as áreas em que o protocolo
está sendo seguido quanto aquelas que necessitam de melhorias. Esse feedback é
compartilhado em reuniões de equipe, permitindo discussões sobre a importância
da higiene das mãos e estratégias para aumentar a adesão.
Além disso, o NSP organiza treinamentos regulares e sessões educativas
para reforçar a importância da higiene das mãos. Essas atividades são direcionadas
a toda a equipe, abordando técnicas adequadas e momentos críticos em que a
higienização é necessária, assim como a relevância dessas práticas para a
prevenção de infecções.
O NSP também monitora indicadores de qualidade relacionados à higiene
das mãos, como taxas de infecções associadas à assistência à saúde (IAAS).
4.2 MONITORAMENTO DO PROTOCOLO DE IDENTIFICAÇÃO:
Inicialmente, o monitoramento começa com a observação da implementação
do protocolo. Profissionais designados, como membros da equipe de enfermagem e
segurança do paciente, realizam auditorias regulares, onde observam diretamente a
prática de identificação dos pacientes. Essas auditorias podem ser programadas ou
aleatórias e visam garantir que a equipe esteja utilizando os métodos corretos de
identificação, como a verificação de braceletes com informações essenciais, como
nome completo e data de nascimento.
Durante as auditorias, são utilizados checklists que ajudam a verificar se
todos os passos do protocolo estão sendo seguidos. Esses checklists incluem a
confirmação de identidade em momentos críticos, como antes da administração de
medicamentos, realização de procedimentos e transfusões. Além disso, a equipe é
avaliada quanto à sua adesão ao uso de duas identificações distintas para confirmar
a identidade do paciente.
Após a coleta de dados, é fundamental fornecer feedback à equipe.
Relatórios são elaborados, destacando as áreas de conformidade e aquelas que
necessitam de melhorias. Esse feedback é discutido em reuniões de equipe, onde a
importância da identificação correta é reforçada e estratégias para melhorar a
adesão são debatidas.
A educação contínua é um pilar essencial do monitoramento. O NSP
organiza treinamentos regulares para a equipe de saúde, enfatizando a importância
da identificação precisa dos pacientes e as melhores práticas a serem seguidas.
Além disso, os pacientes e suas famílias são educados sobre a importância de
confirmar suas informações e utilizar os braceletes de identificação.
O NSP também monitora indicadores de segurança relacionados à
identificação dos pacientes, analisando dados sobre incidentes que possam ter
ocorrido devido a erros de identificação. Essa análise permite identificar padrões e
tendências, ajudando a aprimorar o protocolo continuamente.
4.3 MONITORAMENTO DO PROTOCOLO DE SEGURANÇA NA PRESCRIÇÃO E
ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS
O monitoramento do protocolo de segurança na prescrição e administração
de medicamentos dos pacientes na UTI, conduzido pelo Núcleo de Segurança do
Paciente (NSP), é uma prática fundamental para garantir que as terapias
medicamentosas sejam seguras e eficazes. Esse processo envolve várias etapas
interligadas que visam minimizar erros e garantir a segurança dos pacientes.
O monitoramento inicia-se com a definição clara de protocolos que orientam
tanto a prescrição quanto a administração de medicamentos. A equipe de saúde é
instruída a seguir diretrizes específicas quanto à verificação de alergias, interações
medicamentosas e dosagens corretas. Auditorias devem ser realizadas para
verificação das etapas seguidas pelos profissionais, além disso, a utilização de
checklists que cobrem aspectos como a verificação da identidade do paciente, a
conferência de medicamentos antes da administração e a documentação adequada.
Após cada auditoria, feedback detalhado é fornecido à equipe, destacando os
pontos fortes e as áreas que precisam de melhorias.
Por fim, o protocolo de segurança na prescrição e administração de
medicamentos é revisado regularmente. A equipe é incentivada a contribuir com
sugestões e experiências que possam melhorar o protocolo. A revisão é baseada
em novas evidências científicas, feedback das auditorias e análise de dados,
garantindo que as práticas estejam sempre atualizadas.
4.4 MONITORAMENTO DO PROTOCOLO DE SEGURANÇA NA PREVENÇÃO DE
QUEDAS
O monitoramento do protocolo de segurança na prevenção de quedas dos
pacientes na UTI, conduzido pelo Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), é um
processo crítico que visa minimizar os riscos e garantir a segurança dos pacientes
em um ambiente onde a vulnerabilidade é alta.
Inicia-se com a identificação de pacientes em risco de quedas. Isso
geralmente é feito por meio de uma avaliação inicial que utiliza escalas de risco,
como a escala de Morse ou a escala de Hendrich. Essa avaliação é realizada no
momento da admissão e periodicamente ao longo da internação, considerando
fatores como idade, estado de mobilidade, medicamentos e condições clínicas.
Após a identificação dos pacientes em risco, o NSP implementa estratégias
de prevenção. Isso pode incluir a personalização do ambiente, como a remoção de
objetos que possam causar tropeços, a utilização de calçados adequados e a
instalação de barras de apoio.
O NSP organiza treinamentos regulares para a equipe de saúde sobre as
melhores práticas na prevenção de quedas, abordando tópicos como avaliação de
risco, intervenções adequadas e a importância da comunicação com os pacientes e
familiares sobre os riscos de quedas. Além disso, o NSP acompanha indicadores de
segurança relacionados a quedas, analisando dados sobre incidentes ocorridos.
Isso permite identificar padrões, causas e áreas de risco, ajudando a desenvolver
estratégias de mitigação mais eficazes.
Finalmente, o protocolo de prevenção de quedas é revisado regularmente,
com base nas auditorias, feedback da equipe e novas evidências científicas. A
equipe é incentivada a contribuir com sugestões e experiências que possam
melhorar o protocolo, criando uma cultura de segurança onde todos se sintam
responsáveis pela prevenção de quedas.
4.5 MONITORAMENTO PROTOCOLOS DE SEGURANÇA NA PREVENÇÃO DE
ÚLCERAS POR PRESSÃO
O monitoramento começa com a avaliação inicial dos pacientes, utilizando
escalas de risco, como a escala de Braden ou a escala de Norton. Essa avaliação é
realizada no momento da admissão e periodicamente durante a internação,
considerando fatores como mobilidade, estado nutricional, umidade da pele e
presença de comorbidades. Essa triagem ajuda a identificar pacientes suscetíveis
ao desenvolvimento de úlceras por pressão.
Com base na avaliação, são implementadas intervenções preventivas
personalizadas. Isso pode incluir a mudança frequente de posição dos pacientes, o
uso de colchões e superfícies que redistribuem a pressão, bem como cuidados
adequados com a pele, como limpeza e hidratação. A equipe de saúde é treinada
para seguir essas diretrizes e para realizar a documentação adequada das práticas.
Auditorias regulares são realizadas para verificar a adesão ao protocolo de
prevenção. Profissionais designados, como enfermeiros e membros da equipe de
controle de infecções, observam as práticas no dia a dia e utilizam checklists para
garantir que todas as intervenções necessárias estão sendo realizadas. Após cada
auditoria, feedback detalhado é fornecido à equipe, destacando áreas de
conformidade e aquelas que precisam de melhorias. Esse feedback é discutido em
reuniões de equipe, promovendo uma cultura de aprendizado contínuo.
O NSP organiza treinamentos regulares sobre a prevenção de úlceras por
pressão, abordando tópicos como avaliação de risco, técnicas de posicionamento e
cuidados com a pele. Além disso, os pacientes e suas famílias são informados
sobre a importância da mobilização e do cuidado com a pele. Além disso, o NSP
também acompanha indicadores de qualidade relacionados às úlceras por pressão,
analisando dados sobre a incidência de novas lesões e a eficácia das intervenções.
5. AVALIAÇÃO
Após a implementação dos métodos sugeridos, é imprescindível que sejam
submetidos a uma avaliação rigorosa no setor de Unidade de Terapia Intensiva
(UTI) pelo chefe responsável. Esta avaliação tem como objetivo verificar a correta
execução dos protocolos estabelecidos e analisar a adesão dos profissionais de
saúde à sua implementação. Ao assegurar a observância adequada dessas
diretrizes, busca-se, por conseguinte, reduzir a incidência de infecções hospitalares,
contribuindo assim para a melhoria da qualidade dos serviços prestados, tanto para
os pacientes quanto para os profissionais envolvidos.
Os resultados da avaliação são documentados em relatórios que devem ser
compartilhados com a equipe de saúde. O feedback é fundamental para:
● Aprimorar as práticas: As informações obtidas ajudam na revisão e no
aprimoramento contínuo dos protocolos.
● Capacitação da equipe: O conhecimento sobre os resultados permite que os
profissionais se capacitem e se conscientizem sobre a importância da
segurança do paciente.
A avaliação não é um processo pontual, mas sim contínuo. Os protocolos são
revisados periodicamente para incorporar novas evidências e melhorar as práticas
de segurança. Essa reavaliação garante que os protocolos permaneçam atualizados
e eficazes.
6. PLANEJAMENTO
6.1 PROTOCOLO DE HIGIENE DAS MÃOS
A higiene das mãos nos serviços de saúde do país previne e controla
infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), garantindo a segurança dos
pacientes, dos profissionais de saúde e de todos os envolvidos nos cuidados.
Essa ação é regulamentada pelo Protocolo para a Prática de Higiene das Mãos em
Serviços de Saúde.
Um Ponto de Assistência é o local onde estão presentes o paciente, o
profissional de saúde e a assistência ou tratamento que envolva contato com o
paciente ou seu ambiente. O protocolo de higiene das mãos deve ser aplicado em
todos esses pontos, assegurando que a higienização ocorra exatamente onde o
atendimento é realizado. Para isso, é essencial que haja fácil acesso a produtos de
higienização das mãos, com preparações alcoólicas, que devem estar ao alcance
do profissional de saúde no local de tratamento, evitando a necessidade de
deslocamento.
Existem formas de higienização das mãos: Higiene simples das mãos,
higiene antisséptica das mãos, Fricção antisséptica das mãos com preparação
alcoólica.
Momentos que devem ser higienizadas as mãos: antes de tocar no paciente,
antes de realizar o procedimento limpo/asséptico, após o risco de exposição a
fluidos corporais ou excreções, após tocar no paciente e após tocar superfícies
próximas ao paciente.
A seguir será descrito a técnica correta de higienização das mãos para serem
utilizadas no momento da capacitação e divulgações com as estratégias que serão
apresentados a seguir.
● Duração mínima de 40-60 segundos;
● Retirar todos os adornos, molhar as mãos com água;
● Aplicar na palma da mãos quantidade suficiente de sabonete líquido para
cobrir toda a superfície da mão;
● Ensaboar as palmas das mãos friccionando-as entre si;
● Esfregar a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda,
entrelaçando os dedos e vice-versa;
● Entrelaçar os dedos e friccionar os espaços interdigitais;
● Esfregar o dorso dos dedos de uma mão com a palma da mão oposta,
segurando os dedos, com movimentos de vai-e-vem e vice-versa;
● Friccionar as polpas digitais e unhas da mão direita contra a palma da mão
esquerda, fazendo movimento circular e vice-versa;
● Enxaguar bem as mãos com água;
● Secar as mãos com papel toalha descartável;
● No caso de torneiras de fechamento manual, para fechar sempre utilize o
papel toalha;
● Em caso de indisponibilidade de água e sabão, realizar fricção antisséptica
com álcool 70% utilizando a mesma técnica.
Para monitorar a adesão, será utilizado como indicador mínimo mensal:
● Volume de sabonete líquido associado ou não a antisséptico para cada mil
pacientes/dia, pela fórmula: (Consumo em litros de sabonete com ou sem
antisséptico/número de pacientes total por dia) x 1000;
● Volume de preparação alcoólica para as mãos utilizada para cada mil
pacientes/dia, pela fórmula: (Consumo em litros de preparação alcoólica para
mãos por dia/número de pacientes total por dia) x 1000.
A implementação será realizada por meio de capacitações da equipe
multidisciplinar local, utilizando panfletos com a técnica de lavagem simples das
mãos, campanhas, treinamentos, reforço das medidas previstas pela NR 32 e visitas
periódicas para promover a adesão às práticas de higienização das mãos.
Espera-se uma boa adesão dos profissionais; caso contrário, haverá necessidade
de intensificar os treinamentos.
Os indicadores serão divulgados através de grupos informativos no
WhatsApp, reuniões mensais de equipe e folders em todo local que apresentar um
lavatório de higiene de mãos.
6.2 PROTOCOLO DE SEGURANÇA NA IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE
O protocolo de segurança de identificação na Unidade de Terapia Intensiva
(UTI), desenvolvido pelo Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), é uma
abordagem abrangente que garante a segurança dos pacientes e a qualidade dos
cuidados prestados. A identificação correta é importante em um ambiente de alta
complexidade como a UTI, onde os pacientes frequentemente estão sob cuidados
intensivos e são vulneráveis.
O primeiro passo no protocolo envolve a utilização de braceletes de
identificação, que devem ser colocados em todos os pacientes. Esses devem conter
informações fundamentais, como nome completo, data de nascimento e número do
registro do paciente. A equipe de saúde deve confirmar a identidade do paciente
antes de qualquer procedimento, medicamento ou intervenção, utilizando pelo
menos duas identificações (nome e a data de nascimento). Essa prática ajuda a
prevenir erros.
A comunicação eficaz entre os membros da equipe é outro aspecto central do
protocolo, reuniões diárias devem ser realizadas para discutir o estado dos
pacientes e suas necessidades. Isso assegura que todos os profissionais envolvidos
estejam cientes das informações e possam agir de forma coordenada.
Os registros dos pacientes devem ser mantidos de maneira detalhada e
atualizada, incluindo todas as informações relevantes em prontuários eletrônicos.
Os procedimentos devem ser verificados utilizando checklists que incluem a
confirmação da identidade do paciente antes de realizar qualquer ação, como
administração de medicamentos, realização de exames ou transfusões.
O feedback da equipe é fundamental para identificar áreas de melhoria e
implementar ajustes necessários, após os encontros realizados entre a equipe.
Além disso, é essencial realizar análise de incidentes relacionados a erros de
identificação, aprendendo com esses casos para prevenir sua recorrência no futuro.
6.3 PROTOCOLO DE SEGURANÇA NA PRESCRIÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE
MEDICAMENTOS
A promoção de práticas seguras na administração de medicamentos na
Unidade de Terapia Intensiva (UTI) deve ser realizada por médicos, enfermeiros e
farmacêuticos que atuam nesse ambiente crítico. A investigação e a prevenção de
erros de medicação são essenciais para reduzir a frequência e a gravidade dos
eventos adversos, que podem ter consequências severas para os pacientes. É
fundamental minimizar os riscos e eventos adversos durante a administração de
medicamentos na UTI.
Ações para prevenir a prescrição e o uso inadequados de medicamentos incluem:
● Monitorar rigorosamente a identificação do paciente, garantindo que ele não
receba medicamentos indevidos.
● Verificar sempre o peso corporal e a estatura do paciente, evitando doses
excessivas.
● Questionar se o paciente tem histórico de alergias a fármacos.
● Registrar todas as informações pertinentes sobre o paciente no prontuário
eletrônico.
● Aplicar os 7 certos (paciente certo, medicação certa, via certa, dose certa,
hora certa, documentação certa e razão certa) na administração de
medicamentos.
● Confirmar informações sobre alergias, mesmo que não conste no prontuário,
e considerar as comorbidades do paciente.
Indicadores: A fórmula do indicador é:
A verificação deve ser feita mensalmente, com o farmacêutico responsável
pela análise.
Esses indicadores permitem a visualização da ocorrência de erros ao longo
do mês e devem ser utilizados para promover a melhoria contínua, visando sempre
a redução do número de erros. A divulgação dos indicadores acontece por meio de
grupos informativos no WhatsApp, reuniões mensais de equipe e folders em
quadros de aviso.
6.4 PROTOCOLO DE SEGURANÇA NA PREVENÇÃO DE QUEDAS
Tem a finalidade de reduzir a ocorrência de quedas de pacientes na Unidade
de Terapia Intensiva (UTI) e os danos decorrentes dessas, por meio da
implementação de medidas que contemplem a avaliação de risco do paciente,
garantam cuidado multiprofissional em um ambiente seguro e promovam a
educação do paciente, familiares e profissionais.
As quedas de pacientes na UTI podem aumentar o tempo de permanência
hospitalar, elevar os custos e gerar ansiedade na equipe, além de impactar a
credibilidade da instituição. Essa situação também pode interferir na continuidade do
cuidado e aumentar o risco de morbimortalidade dos pacientes.
As seguintes ações devem ser realizadas:
● Orientação dos profissionais responsáveis pela admissão do paciente na UTI.
● Capacitação de enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, farmacêuticos clínicos
e membros da equipe multidisciplinar para a prevenção de quedas desde a
admissão até a alta do paciente.
Procedimentos:
● Avaliação do risco de queda para pacientes internados.
● Orientar pacientes e familiares sobre medidas preventivas, fornecendo
material educativo específico quando disponível.
● Implementar medidas específicas para a prevenção de quedas, conforme os
riscos identificados.
● Reavaliar o risco diariamente e sempre que houver transferências, mudanças
no quadro clínico, episódios de queda durante a internação e, se necessário,
ajustar as medidas preventivas.
● Colocar sinalização visual para identificação de risco de queda.
● Registrar no prontuário do paciente todos os procedimentos realizados.
● Prestar pronto atendimento ao paciente sempre que solicitado ou necessário.
● Avaliar e tratar pacientes que sofreram quedas, investigando o evento.
O protocolo busca manter ambiente de cuidado seguro, conforme a legislação
vigente, utilizando pisos antiderrapantes, mobiliário e iluminação adequados,
corredores livres de obstáculos, uso de vestuário e calçados apropriados e
movimentação segura dos pacientes. Para pacientes pediátricos, deve-se garantir a
adequação das acomodações e do mobiliário à faixa etária, além de orientar sobre o
risco de quedas e como preveni-las.
Seus indicadores permitem a avaliação do risco de queda, sendo calculados pela
relação entre o número de quedas com danos e o número de quedas sem danos,
utilizando o Índice de quedas.
6.5 PROTOCOLOS DE SEGURANÇA NA PREVENÇÃO DE ÚLCERAS POR
PRESSÃO
A prevenção de úlceras por pressão (UPP) é essencial e é abordada por
meio de um protocolo de segurança elaborado pelo Núcleo de Segurança do
Paciente (NSP).
A avaliação do paciente inclui identificação de risco pelas escalas de risco,
como a de Braden; e a avaliação regular, que consiste em avaliações periódicas da
pele, especialmente em áreas de pressão. Deve-se incentivar a mudança de
decúbito a cada 2 horas em pacientes acamados. É adequado utilizar almofadas,
colchões e outros dispositivos que redistribuam a pressão local.
A higiene adequada é mandatória, feita por limpeza da pele diariamente e
após episódios de incontinência. Além disso, cremes hidratantes podem ser
aplicados para manutenção da integridade da pele.
A monitorização da alimentação do paciente, deve garantir uma dieta
equilibrada rica em proteínas e micronutrientes, bem como considerar a
suplementação nutricional em pacientes com risco elevado.
Treinamentos teóricos e práticos precisam ser aplicados, incluindo a
avaliação de risco com a Escala de Braden, técnicas de reposicionamento e manejo
da pele. É adequado demonstrar, na prática, como realizar corretamente as
manobras de reposicionamento, utilizar dispositivos de alívio de pressão e aplicar
produtos de barreira para proteção da pele.
A equipe deve ser ensinada sobre a importância de prevenir úlceras por
pressão e como a vigilância ativa pode reduzir significativamente a morbidade
associada. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e cuidadores devem participar
ativamente na prevenção de UPP. Cada um desses profissionais tem um papel
importante, desde a mobilização até o cuidado com a pele.
É importante o estímulo da comunicação efetiva entre os membros da equipe
para compartilhar informações sobre o estado de risco do paciente e ajustar o plano
de cuidados conforme necessário.
Checklists diários de prevenção de UPP que envolvam a inspeção da pele,
reavaliação de risco e mudança de decúbito, como parte da rotina de cuidado na
UTI devem ser aplicados.
É instituída a prática de auditorias periódicas para verificar a adesão ao
protocolo de prevenção de UPP e identificar áreas que precisam de melhoria, se
deve também fornecer feedback regular à equipe sobre o desempenho no controle
de UPP e compartilhar resultados de sucesso na redução de casos.
Simulações clínicas devem ser realizadas para reforçar a resposta rápida em
casos de sinais precoces de UPP, com intervenções coordenadas por toda a equipe,
promovendo também discussões sobre casos reais de UPP, destacando os fatores
de risco e a importância da prevenção precoce.
Ao identificar lesões iniciais, é indicada intervenção imediata, além de se
fazer necessária a comunicação rápida à equipe de saúde.
6.6 CONCLUSÃO
A conclusão acerca dos protocolos de segurança do Núcleo de Segurança do
Paciente ressalta a relevância desses procedimentos para a promoção de um
ambiente seguro e de qualidade na assistência à saúde. Esses visam identificar e
minimizar riscos, garantir a integridade do atendimento e proteger os direitos dos
pacientes. A implementação efetiva dessas diretrizes não só reduz a incidência de
eventos adversos, mas também melhora a comunicação entre a equipe de saúde e
promove uma cultura de segurança. Além disso, a revisão contínua e a capacitação
das equipes são fundamentais para adaptar os protocolos às novas realidades e
desafios do setor. Em síntese, os protocolos de segurança do Núcleo de Segurança
do Paciente são essenciais para assegurar um cuidado mais seguro e eficaz,
refletindo o compromisso com a saúde e o bem-estar dos pacientes.
REFERÊNCIAS
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Saúde/Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Implantação do Núcleo de
Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Caderno 6. Brasília: Ministério da
Saúde, 2016. Disponível em:
[Link]
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de-saude. Acesso em: 16 out. 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Núcleo de Segurança do Paciente. Protocolo de
Prevenção de Quedas. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em:
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Higiene das Mãos em Serviços de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
Disponível em: [Link] Acesso em: 16 out.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Núcleo de Segurança do Paciente. Protocolo de
Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos. Brasília:
Ministério da Saúde, 2013. Disponível em:
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BRASIL. Ministério da Saúde. Núcleo de Segurança do Paciente. Protocolo de
Identificação do Paciente. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 16 out. 2024.
Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa. Formulário de Avaliação
das Práticas de Segurança do Paciente nos serviços de saúde com leitos de UTI do
Brasil (FormSUS) [Internet]. 07/04/2022]. Disponível em:
[Link]