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Fundamentos do Direito Fiscal em Portugal

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Direito Fiscal – 1ª frequência

1. Objeto do direito fiscal

Direito fiscal é o direito dos impostos. Este direito integra-se dentro do direito tributário.

Direito tributário: conjunto de normas jurídicas que regula a matéria dos tributos públicos,
das receitas coativas que o estado pode impor unilateralmente às empresas e aos
cidadãos.
E este direito tributário integra o direito financeiro.

Direito Financeiro: direito que regula a matéria de despesa pública, da receita pública e da
administração ou gestão financeira. Dentro deste direito financeiro temos direito das
receitas patrimoniais no qual se regula as receitas geradas pelo uso ou pela venda do
património mobiliário ou não do estado ou das pessoas coletivas públicas, direito dos
créditos públicos que regula a obtenção de receitas através de empréstimos que o estado faz
e o direito tributário.

2. Estado Fiscal

O estado português é um:


​ Estado fiscal, o que prova que estamos perante liberdade económica. Assim, o
nosso suporte financeiro é absolutamente suportado por receitas fiscais (impostos).
Todos estes impostos são receitas. Assim o estado fiscal gera receitas.
​ Estado Social, estado que presta serviços públicos, pelo menos sociais, tais como a
educação, saúde, ciência, etc. Todos estes serviços são despesas. Assim o estado
social gera despesas.
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Direitos de um estado fiscal:


Direito de não pagar impostos a não ser aqueles que haja sido criados nos termos da
constituição, não tenham natureza retroactiva ou cuja liquidação e cobrança se faca nos
termos da lei.

Direito de exigir que todos os outros membros da comunidade também contribuam para o
seu suporte financeiro.

Direito à eficiência da despesa pública, ou seja, o dever fundamental de pagar impostos


apenas se conterá dentro dos seus limites constitucionais se a despesa pública assegurar
um adequado retorno à sociedade.

Deveres fundamentais do estado fiscal:


​ Dever de prestar serviço à pátria através do serviço militar
​ Dever de pagar impostos.

Desvantagem dos empréstimos: os empréstimos irão auxiliar a geração atual, contudo o


seu ónus recairá sobre a geração futura.

Vantagem dos impostos: auxiliam e são cobrados aos contribuintes atuais.

Portanto é importante percebermos que o estado fiscal é o instrumento de realização do


estado social. Os direitos fundamentais são suportados pelos impostos uma vez que têm
custos. Assim, os impostos são o preço a pagar para termos um estado civilizado.

Sempre que o Estado pondera auxiliar uma empresa privada este tem de entrar em ampla
articulação com a Direção Geral da Comissão Europeia para controlar estas ajudas. O estado
não pode estar em permanente concorrência com privados.

Contudo, tem-se vindo a verificar uma crise do estado fiscal:


Diminuição do lucro: os agentes privados movem-se pelo lucro, contudo como é o estado
que o absorve, assiste-se à diminuição do consumo privado e também de investimento.
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Tributação de património: a riqueza, noutros tempos, era associada a quem tinha


propriedades. Hoje em dia, já não. A riqueza revela-se muito mais pelo património
mobiliário, como jóias. Contudo, nisso não existe tributação, apenas nos imóveis (que por
vezes de nada valem).

Fenómenos de globalização: trabalho e capital são fatores de produção, contudo o capital é


mais móvel. Se houver um agravamento de impostos sobre o capital, o mesmo foge. No
trabalho, aquele que for mais especializado é mais móvel. Portanto, a tributação sobre o
trabalho especializado incentiva a emigração para locais em que a tributação é mais
baixa.

Então surgiram algumas soluções para evitar estes sintomas:


​ Impostos sobre fortuna: invadir a intimidade dos contribuintes para averiguar a
propriedade móvel que possuem (pouco realizável).

​ Impostos sobre ações: taxa de Robin – tributar as transações financeiras feitas na
bolsa (teria de ser feito caso fosse uma medida europeia).

​ Mais taxas, menos impostos.

Contudo, também com estas soluções surgiram problemas:
​ Núcleo clássico da estadualidade composto por tarefas que assentam em bens públicos:
insuscetibilidade de individualização de vantagens (p.e, segurança a um povo e não
segurança individual, se não pressupunha uma taxa acrescida).

​ Bens públicos por imposição constitucional: Existem bens semipúblicos como a
universidade no qual satisfaz uma necessidade coletiva, contudo necessita de uma
realização individual. Contudo, existem bens semipúblicos que são juridicamente
públicos (74/2 CRP, tendencialmente gratuito, 63 CRP, pago por impostos).

​ Dificuldade de institucionalizar algumas taxas: portagem eletrónica não é possível de
ser realizada uma vez que impunha a todos terem uma conta bancária. O mesmo
seria com a portagem manual nas cidades que implicaria um grande
congestionamento.

Tributos
Existem diferentes tipos de tributos consagrados no art.º 3 LGT. Podem ser fiscais e
parafiscais e podem ser estaduais, regionais e locais. Compreendem impostos, incluindo
os aduaneiros e especiais, e outras espécies tributárias criadas por lei, designadamente as
taxas e demais contribuições financeiras a favor de entidades públicas.
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3. Impostos
Os impostos, tributos unilaterais, assentam essencialmente na capacidade contributiva,
revelada nos termos da lei através do rendimento ou da sua utilização e do património –
art. 4 LGT.

Capacidade contributiva revelada através do rendimento: IRS (imposto sobre o rendimento


das pessoas singulares) e IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas). São
impostos que visam tributar uma concreta manifestação da capacidade contributiva das
pessoas, o rendimento.

Capacidade contributiva revelada através da utilização do rendimento: IVA (imposto sobre


valor acrescentado) e imposto sobre o pecado (álcool, tabaco, etc.) Impostos que recaem
sobre a despesa, com o gasto. Quanto menor o gasto, menor a despesa tributária.

Capacidade contributiva revelada através do património: IMI (imposto municipal sobre o


imóvel) e IUC (imposto de circulação). São impostos pagos pela detenção de um
determinado bem.

Os impostos estão em todo o lado, sendo os mais perigosos aqueles que se encontram
camuflados. Os impostos indiretos são considerados os impostos mais injustos uma vez
que são completamente cegos. Por exemplo, o IVA são injustos uma vez que são
integrados no valor do produto. É também socialmente indiferente para as pessoas com
maiores rendimentos. Sendo um imposto cego terá uma maior carga fiscal para as pessoas
com menor rendimento.
Os impostos direitos são pelo contrário aqueles mais justos, como por exemplo o IRS uma
vez que permite tributar a pessoa em função da sua concreta situação pessoal e familiar.

Objetivos essenciais do impostos: financiamento das funções estaduais e redistribuição


do rendimento

Os impostos, do ponto de vista objetivo:


Em que se traduz objetivamente os impostos?

O imposto é uma prestação (1) pecuniária (2), unilateral (3), definitiva (4) e coativa (5).
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Impostos propter rem: impostos que seguem algo (por exemplo, IMI)

Os impostos, do ponto de vista subjetivo:


O imposto é exigido a (ou devido por) detentores individuais ou coletivos da capacidade
contributiva a favor de entidades que exerçam funções ou tarefas públicas (6). art 103/1,
104/1/4 CRP e art 4/1 LGT

Os impostos, do ponto de vista teleológico:


O imposto é exigido pelas entidades que exerçam funções públicas para a realização
dessas funções (7) conquanto que não tenham caráter sancionatório (9).
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Quem pode criar impostos?


Segundo o artigo 165 é da exclusividade da Assembleia da República criar impostor, salvo
autorização ao governo.

5. Momentos da vida do imposto


Há um plano puramente estático para a criação do imposto e que só nos preocupamos
com esse estabelecimento normativo, contudo tem de ser aplicado através dessa máquina
administrativa que só vive da sua aplicação.

Momento da criação do imposto


1. Facto gerador: facto, atividade ou situação que dá origem ao imposto.
2. Sujeitos: ativos e passivos da obrigação do imposto (contribuinte, responsáveis,
substitutos)
3. Montante do Imposto: definição da matéria coletável, da taxa e das deduções à coleta.
4. Benefícios fiscais: não há lugar a imposto ou há lugar a menos imposto.

Momento de aplicação do imposto


1. Lançamento: identificação do contribuinte e a determinação da matéria coletável (ou
tributável), isto é, o valor relevante para efeitos de aplicação da taxa e do montante de
imposto a pagar.
2. Liquidação: ato tributário por excelência que determina autoritariamente a coleta a
pagar pelo contribuinte, através da aplicação da taxa à matéria coletável. Se for o caso,
procede-se ainda a deduções à coleta, para determinar assim o montante de imposto a
pagar.
3. Cobrança: o imposto entra nos cofres do estado, através do pagamento voluntário ou da
cobrança coerciva. Existe cobrança voluntária, isto é, pagamento dentro do respectivo
prazo (“à boca do cofre”). Já a cobrança coerciva dá lugar ao chamado processo de execução
fiscal.

Processo de execução fiscal: Processo executivo mais eficaz em Portugal, porque não carece
da intervenção de qualquer juiz para congelar as contas. O mais importante é que ele
corre num tribunal tributário, mas estranhamente há atos que são da competência da
própria administração pública de praticar e não ao juiz.
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6. Espécie de Impostos

Imposto periódico Imposto de obrigação única

Assentam num facto tributário duradouro e a Assentam no facto tributário isolado, mesmo
liquidação é efetuada periodicamente. Não incide quando são recorrentes ou repetidos. Ele nasce
sobre cada rendimento mensal. Por exemplo, IRS, sempre que ocorre o facto tributário. O seu
IMI e IRC. apuramento e pagamento obedece a uma
periodicidade trimestral. Por exemplo, IVA

Conta-se a partir do momento em que termina um Conta-se a partir da data da ocorrência do facto
determinado ano civil. tributário
Exceção: IVA e impostos sobre o rendimento quanto
a tributação seja efetuada por retenção na fonte de
título definitivo.

Esta distinção é importante para efeitos do regime da caducidade e da prescrição das dívidas
tributárias – art.º 45 (4 anos) e 48 LGT (8 anos).

Imposto reais Imposto pessoais

Não tomam em consideração a situação económica Tomam consideração, em maior ou menor grau, a
e pessoal do contribuinte, incidindo objetivamente situação económica e pessoal do contribuinte:
sobre a matéria dada. Apesar disso, toma em conta o - tem em consideração o rendimento global do
facto tributário. Por exemplo, IMT e IVA. contribuinte.
- admitem a redução de encargos sociais de
natureza pessoal (art 78 CIRS)
- taxa progressiva, aumentando com o aumento do
rendimento.
- quociente conjugal que neutraliza o efeito
penalizador do casamento ou da vida em comum do
casal (art.º 69 CIRS)
- Exclui-se mínimo de existência deixando um
rendimento disponível não inferior a um valor
estipulado (art.º 70 CIRS).

Impostos diretos Impostos indiretos


Critérios da distinção
Contabilidade nacional Critério de repercussão Critério da relação jurídica de
económica base do imposto
Os impostos indiretos são aqueles Os impostos diretos não são Os impostos indiretos são aqueles
que integram custos de produção repercutidos nos adquirentes que têm por base um facto ou ato
de empresas, enquanto que os finais do bem (art 37 CIVA) isolado. Já os impostos diretos têm
impostos diretos não têm esses relações mais ou menos
custos integrados. duradouras.
Os critérios mais utilizados são o da relação jurídica de base do imposto e da repercussão económica.
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Imposto de cota fixa Imposto de cota variável

A lei indica concretamente o O montante do imposto a pagar varia consoante o valor da matéria
montante fixo a pagar, por coletável.
exemplo, as portagens.

Impostos proporcionais Impostos progressivos Impostos regressivos

Têm apenas uma taxa. Taxa aumenta à medida que aumenta Taxa diminui à medida que
a matéria coletável. aumenta a matéria coletável.

global escalões

Várias taxas, mas Várias taxas, mas


apenas uma se é necessário
aplica. dividir a matéria
coletável em
partes no qual
tem de
corresponder ao
escalão em causa.

Imposto estadual Imposto não estadual

Estado é sujeito ativo da relação jurídica fiscal. Estado não é sujeito ativo da relação jurídica fiscal.

Impostos europeus comuns: pauta aduaneira

Impostos gerais Impostos especiais


Aplicam-se a um conjunto de factos tributários Casos em que o legislador seleciona um
semelhantes. determinado facto tributário e submete-o a um
regime especial de tributação.

Impostos principais Impostos acessórios


Não dependem, na sua existência, nem nos seus Dependem de outros impostos (impostos principais)
elementos essenciais de outros impostos. São a Adicionamento: incidem sobre a matéria coletável
generalidade dos impostos. dos impostos principais (valor sobre o qual incide a
taxa do imposto).
Adicionais: incidem sobre a coleta dos impostos
principais (montante a pagar).
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7. Taxas
Tributos públicos impostos unilateralmente pelo estado e pela sua legislação.
Assentam na prestação concreta de um serviço público, na utilização de um vem do
domínio público ou na remoção de um obstáculo jurídico ao comportamento dos
particulares. Comparativamente aos impostos, as taxas geram receitas muito inferiores
(2%).

Tipos de contraprestação:
​ Prestação concreta de um serviço público: financiar as prestações divisíveis e
individualizáveis de serviços públicos, desde que a necessidade do serviço tenha
sido gerada pelo sujeito passivo. Exemplos: taxa pela recolha do lixo; propinas do
Ensino Superior Público.
​ Utilização de um bem do domínio público: compensar a comunidade por um
uso/aproveitamento individualizado de um bem do domínio público Exemplos: as
taxas das portagens.
​ Remoção de um obstáculo jurídico ao comportamento dos particulares: remunerar um
encargo específico ocasionado pela remoção de um obstáculo jurídico. Exemplos:
taxas de publicidade, licenças de uso e porte de arma, de caçar, de ter cão.

Como saber se estamos perante taxas?


- Bilateralidade: tem de haver uma causa para a taxa que se revela numa de três
contraprestações.

- Proporcionalidade: proporção do que se gasta e do que se recebe. Verifica-se através do


custo do serviço e do benefício proporcionado pelo serviço ao sujeito passivo. Se violar
este princípio é inconstitucional.
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O TC já foi chamado a pronunciar-se e a recorrer ao teste da proporcionalidade nas taxas


por infraestruturas urbanísticas, portagens e propinas universitárias pagas nas
universidades públicas.

Quem pode criar taxas?


Segundo o artigo 165 é da exclusividade da Assembleia da República criar o regime geral
das taxas, salvo autorização ao governo.

8. Contribuições especiais
As contribuições especiais que assentam na obtenção pelo sujeito passivo de benefícios
ou aumentos de valor dos seus bens em resultado de obras públicas ou da criação ou
ampliação de serviços públicos ou no especial desgaste de bens públicos ocasionados pelo
exercício de uma atividade são consideradas impostos.
​ Contribuições de melhoria: é devida uma prestação em virtude de uma vantagem
económica particular resultante do exercício de uma ação pública.
​ Contribuições por maiores despesas: é devida uma prestação em virtude de as coisas
possuídas ou de a atividade exercida pelos particulares darem origem a uma maior
despesa das autoridades públicas.

9. Contribuições financeiras
Aplica-se o mesmo regime das taxas. Equivalência de grupo e utilidade presumida.
Os tributos compreendem os impostos, incluindo os aduaneiros e especiais, e outras
espécies tributárias criadas por lei, designadamente as taxas e demais contribuições
financeiras a favor de entidades públicas.

Requisitos das contribuições financeiras


​ Homogeneidade de grupo: grupo unido pela partilha de interesses, podendo a mesma
ser concorrentes.
​ Responsabilidade de grupo: a cada membro só pode ser imposto 1 contribuição
financeira pela qual o próprio grupo seja responsável em termos jurídicos.
​ Utilidade de grupo: só projeta benefícios de grupo.

Acórdão 539/2015 TC admitiu-se contribuições financeiras por mero decreto-lei.

Estas contribuições financeiras são intituladas de tributos parafiscais. Não são impostos,
porque não são uma participação nos gastos gerais da comunidade, mas também não são
uma retribuição de um serviço concretamente prestado por uma entidade pública ao
sujeito passivo.
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Porque não são taxas?


Não se dirigem à compensação de prestações efetivamente provocadas ou aproveitadas
pelo sujeito passivo, mas à compensação de prestações que apenas presumivelmente são
provocadas ou aproveitadas pelo sujeito passivo, correspondendo a uma relação de
bilateralidade genérica.

10. Sistema fiscal português


Artigo 104 – impostos de Portugal

Imposto sobre o rendimento pessoal


Visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as
necessidades e os rendimentos do agregado familiar. Temos o exemplo do IRS, IRC e
imposto especial sobre o jogo.

Tributação das empresas


Incide fundamentalmente sobre o seu rendimento real.

Tributação do património
Deve contribuir para a igualdade entre os cidadãos, tributando-se a titularidade ou a
transmissão de valores pecuniários líquidos. Por exemplo, o IMI, IMT e IS.
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Tributação do consumo
Visa adaptar a estrutura do consumo à evolução das necessidades do desenvolvimento
económico e da justiça social, devendo onerar os consumos de luxo. Assim, tributa-se o
rendimento ou o património utilizado no consumo. Por exemplo, o IVA e o IECs.

11. Princípios jurídicos constitucionais de direito fiscal

Incidiu com os estados liberais. Na altura destes estados havia dois bens jurídicos
especialmente relevantes que deveriam ter tutela forçada: liberdade, que se enquadra no
direito penal, no qual estabelece regras que têm de ser ponderadas para se considerar
privar alguém da sua liberdade. A propriedade que é do direito fiscal, impostos que mais
facilmente agridem a nossa propriedade. Surgiu para estabelecer as regras que se devem
estabelecer as regras que se devem observar na cobrança de impostos. Não poderá haver
se não tiver na lei.

Princípio da legalidade administrativa: a atividade administrativa só é legítima se estiver


fundada na lei, ou seja, se tiver habilitação legal (reserva de lei) e não contrariar a lei
(primado da lei).
Princípio da legalidade fiscal: fundamento democrático e não liberal, através da ideia da
auto-tributação – art 165/1/i CRP. O princípio da legalidade fiscal só vale para os impostos.
Para a taxa aplica-se o princípio da legalidade administrativa.

Estes dois princípios aproximam-se no que diz respeito ao primado da lei, isto é, também
a atividade tributária está sempre sujeita à lei, deve sempre respeitar a lei, seja ela qual
for. Não respeitando, será ilegal. A diferença está na reserva de lei, desde a magna carta
britânica em que devem ser os próprios contribuintes, através dos seus representantes, a
decidir qual é a carga fiscal que pretendem para o seu sistema.
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Reserva de lei formal


1. Os impostos só podem ser criados com a intervenção legislativa da AR ou por
decreto-lei autorizado. Este subprincípio apenas vale para os tributos que
materialmente devam ser considerados impostos, não vale para as taxas.
As taxas não estão no princípio da legalidade fiscal, apenas estão na legalidade
administrativa. O que significa que o governo pode perfeitamente criar taxas, e esse
regime pode ser desenvolvido e executado por regulamentos.

2. Não devemos ficar com a ideia de que a intervenção da AR é apenas no momento


da criação do imposto, mas sim em todos os momentos uma vez que o fundamento
para este princípio é democrático e não liberal. Se apenas houvesse a ideia de
proteger os contribuintes das investidas fiscais do estado, então poderia dizer-se
que a intervenção dos contribuintes era sempre necessária no momento de criação
do imposto, mas não seria necessária nos outros momentos.

3. Este princípio só abrange elementos essenciais dos impostos, aqueles que se


encontram dispostos no art 103/2 2ª parte CRP. Assim este princípio não vale para
todo o direito fiscal, só apenas para a alteração ou distinção do imposto,
nomeadamente para as regular e disciplinar aspetos relativos:
- incidência: normas que se destinem a desenhar a realidade sobre que incide o
imposto. A incidência divide-se em incidência pessoal (a pessoa que sobrecai o
imposto - o que implica uma definição de sujeito passivo e ativo) e real (definição
da realidade material, isto é, a matéria constitutiva onde recai o imposto - imposto
sobre o rendimento ótimo, ou seja, aquele que está realmente no imposto (realidade
quantitativa). Depois temos a realidade espacial, onde é que existe o imposto e a
realidade temporal, o surgimento num determinado tempo.

- taxa: alíquota aplicada à chamada matéria coletada (%)


- Benefícios fiscais: art.º 2 Estatutos dos Benefícios Fiscais. Medidas de caráter
excecional instituídas para tutela de interesses públicos extrafiscais relevantes que
sejam superiores aos da própria tributação externa. Por exemplo: na profissão de
maior desgaste há um IRS mais baixo.
- garantias dos contribuintes: qualquer mecanismo de tutela de direitos e interesses
dos contribuintes.
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4. Sempre que o parlamento assim o entender poderá, sob lei de autorização


legislativa, delegar o exercício do poder no governo, uma vez que se trata de uma
reserva da assembleia legislativa. As leis fiscais são espécies altamente técnicas, e
por isso normalmente o poder fica para o governo. Estas autorizações têm de ter um
conteúdo mínimo que está identificado no art 165/2 CRP. A lei deve conter as regras
essenciais na matéria dos elementos do imposto, nomeadamente o objeto,
extensão, duração e sentido. O governo tem de aprovar o decreto-lei que dê
cumprimento a estes elementos.

5. As regiões autónomas e autarquias locais dispõem de poderes tributários


próprios. As regiões autónomas têm a possibilidade de exercer poderes tributários
próprios nos termos da lei, com o poder de adaptar o plano fiscal nacional, às
exigências e especificidades, segundo o art.º 227/1/i. Ou seja, de acordo com os
próprios estatutos de cada região autónoma. Ou seja, a autorização é dada pela
própria lei. Assim, há um pequeno desvio ao princípio da legalidade fiscal na
medida em que a matéria concreta do imposto será de uma lei, mas sem a
formalidade de lei da autorização legislativa. As autarquias locais também podem
segundo a CRP - 238/4 CRP - exercer alguns poder tributários próprios, contudo o
desvio ao princípio ainda é mais acentuado, não dispondo do poder legislativo
(apenas administrativo) podem as autarquias criar regulamentos das autarquias
locais em matéria dos elementos essenciais do imposto (e não a AR), ou seja, atos
normativos administrativos em matéria fiscal - 112/5 e 238/4 CRP.

Reserva material de lei


Aqui falamos do princípio da tipicidade no qual se aproxima o direito fiscal no direito
penal, uma vez que é mais precioso e há mais possibilidade de fraude fiscal. A lei deve
conter a disciplina tão completa quanto possível da matéria reservada, deve conter uma
disciplina densa e precisa dos elementos essenciais (EE) dos impostos. Contudo, importa
mencionar que neste princípio não se impede a utilização de conceitos indeterminados.
Este princípio existe para se evitar a fuga fiscal, nomeadamente elisões fiscais agressivas.
No art 38/2 LGT estão os mecanismos para tal.
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Princípio da segurança jurídica


As pessoas devem poder confiar que os seus atos aos seus comportamentos se associam
aos efeitos jurídicos que estão em vigor no ordenamento jurídico quando estes atos foram
adotados ou praticados esses atos. As pessoas devem poder confiar no direito.

Existem dois grandes valores no direito: segurança, através da estabilidade do e no


direito, é isso que dá confiança às pessoas o facto das leis não serem sistematicamente
alteradas, porque isso cria instabilidade, insegurança e risco; justiça, realiza-se pelo
oposto - pela alteração e atualização do direito. A estagnação do direito significa a pouca
adaptabilidade do direito aos novos problemas.

Ou seja, o direito tem de ser atualizado, mas ao mesmo tempo deve permanecer estável.
Como sabemos a lei fiscal altera quase todos os anos e não poderá ser considerada
inconstitucional. Contudo, traz perturbação para a segurança jurídica.

Podem estas alterações em matéria de lei fiscal constituir uma violação ao princípio da segurança
jurídica? Para isso será necessário falar sobre os princípios normativos.

Princípios normativos
Normas, mas normas com regras distintas, uma vez que são mais adaptáveis não se
prescrevendo uma lógica rígida de “tudo ou nada”. Assim, não prescrevendo diretrizes
claras podem os princípios compatibilizar-se e harmonizar-se na prática. Ou seja, para se
ver violado esse princípio é necessário que algo de muito grave ocorra uma vez que existe
espaço de livre conformação e de evolução de direito sem que isso represente uma
violação do princípio da segurança jurídica (mesmo que isso signifique instabilidade).

Regras
As regras, ao contrário dos princípios, prescrevem exigências de tudo ou nada e no
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domínio estrito desta não se aplica o princípio. Por exemplo, 103/3.

12. Retroatividade art 12º normas tributárias


Retroatividade autêntica, própria ou perfeita: pretensão legal de nova regulação de factos
tributários ocorridos e extintos ao abrigo da lei antiga. Anteriormente referimos que as
obrigações fiscais ocorrem por força direta da lei. Ou seja, basta que se verifique um facto
tributário para que se subsume a uma norma de incidência fiscal e surgir uma obrigação.
Assim, a retroatividade autêntica existe quando a lei nova pretende regular um facto
tributário que nasceu, se desenvolveu e extinguiu-se ao abrigo da lei antiga. O facto não
está em vigor quando surge a lei nova.

Retroatividade inautêntica, imprópria ou imperfeita: nova regulação de facto que nasceram,


desenvolveram-se, mas ainda não se extinguiram, ou seja, perduram à data de entrada em
vigor da nova lei.

*Assim:
(1) evolução dos tempos levou à evolução do direito
(2) não há um direito dos contribuintes à não frustração das suas expectativas jurídicas
(3) qual o grau dessas expectativas e o grau de lesão e afetação patrimonial
(4) balança entre a essencialidade ou não do bem e da lesão
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O TC considera que as alterações à lei fiscal que ocorram entre o encerramento do facto
tributário e a liquidação desse imposto corresponde a um caso de retrospetividade e diz
que estes casos não estão abrangidos pela proibição constitucional.

Se a lei nova entrar em vigor durante o período de formação do facto tributário…


1. …pode a lei entrar em vigor durante o período de formação do facto, mas
estabelecer-se nela mesma como regime transitório que ela só se aplica ao imposto
do ano seguinte. Assim o direito evolui sem causar grande perturbação à segurança
jurídica (haverá conhecimento e previsibilidade pelos contribuintes).
2. … e estabelece-se nela mesma que ela se aplica a todo o período de formação do
facto tributário, p.e. retrospectiva inautêntica.
3. …e nada se estabelecer

Princípio da igualdade fiscal


Aferir o que vale na capacidade contributiva. Portanto, deve haver imposto para os que
disponham para a capacidade contributiva. Este princípio basta-se na proporcionalidade
de existência de impostos (impostos progressivos associados a justiça social elevada). A
capacidade contributiva afasta a relevância de qualquer benefícios das prestações
estaduais, pessoas não pagam face aos benefícios que retiram da prestação estadual. Essa
capacidade serve como fator de universalidade de tributação. Para além disso, a
capacidade contributiva serve para além de universalizador como uniformizador, o que
implica a proibição de diferenciações do montante em função de categorias.
art.º 6 e 7, consagra tudo isto do ponto de vista fiscal, mas não extrafiscal.

Operatividade do princípio da capacidade contributiva


Afasta o arbítrio do legislador que só pode atribuir significado fiscal a factos reveladores
de capacidade contributiva.
- ilegitimidades - 73 LGT

13. Titularidade ativa da relação jurídica


Primeiramente é necessário encontrar a definição para quatro conceitos:
Poder tributário: poder constitucionalmente conferido ao legislador para criar impostos e
intervenção nos seus elementos essenciais. Do ponto de vista fiscal pouco importa uma
vez que é uma relação obrigacional. Existe ainda o originário que pertence à Assembleia
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da República. O derivado é aquele que a constituição admite que seja exercido com outros
sujeitos que não a AR, mas sempre por devolução/autorização da AR. Tais são as
autarquias locais (freguesias e municípios), regiões autónomas através das suas
assembleias legislativas regionais e governo.

Competência tributária: titularidade do poder administrativo de proceder ao lançamento,


liquidação e cobrança do imposto. Tem assim o direito subjetivo ao crédito do imposto.
Assim é definido o procedimento tributário. Assim, estamos a falar do órgão que tem a
competência para efetuar o lançamento, liquidação e cobrança.

Crise da capacidade tributária:


- globalização
- profissão de rápido desgaste
- atividade de valor acrescido (72/6 CIRS)
- nível de evasão de certos atividades económicos

Capacidade tributária ativa: credor da relação jurídica fiscal, ou seja, é a qualidade do


sujeito ativo da relação crédito em que se consubstancia a relação fiscal. É aquele que tem
direito à prestação fiscal e que tem direito a exigir o cumprimento da prestação fiscal.

A capacidade contributiva é também um pressuposto de tributação, ou seja, os impostos


só podem ter por objeto bens fiscais.

Pressupostos/corolários para se tratar de tributação:


● Exclusão da tributação quando esteja em causa um mínimo de existência: 70 CIRS, isto
é, quando da aplicação da lei fiscal resultar para um sujeito um rendimento inferior
a um certo valor não se aplica a lei fiscal.
● Exclusão do máximo confiscatório: se à medida que aumentam as taxas estas deixar
de ser um imposto e passam a ser um confisco (subtração de bens sem
indemnização)

Titularidade da receita do imposto: pessoa a favor da qual está subjetivamente consignada


por imposição constitucional ou por imposição legal da receita do imposto quando esta
pessoa não dispõe da qualidade de credor do imposto.

No meio destes quatro quem é o credor? É uma entidade que tem capacidade tributária ativa.
Como sei quem é o credor do imposto? Qual o critério que me permite afirmar quem é o credor
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numa relação jurídica fiscal? Critério é a competência tributária.

Fora do direito fiscal, há uma relação jurídica de direito financeiro. É aqui que aparece o
estado e os municípios (como credores).
Ou seja, o contribuinte paga ao estado o IMI ficando com dinheiro nos cofres. Contudo
terá de entregar aos municípios. É esta relação (entre estado e municípios) que se dá o
estado como devedor e os municípios como credores da relação jurídica do direito
financeiro.

14. Integração, Integração e eficácia das normas jurídico-fiscais


Integração de lacunas das normas fiscais
A lacuna é uma imperfeição/falha de regulação contrária ao plano/sistema jurídico.
Lacuna não é uma inexistência de regulação, porque o direito não regula se as pessoas
devem cumprimentar-se, como, quando e onde se encontram. Assim, não é o facto de não
haver disciplina, mas de essa disciplina ser contrária ao plano, ser contrária ao sistema
jurídico. Assim, quando existe uma lacuna ela terá de ser integrada, resolvendo o vazio
legal que se sente.

Interpretação das normas fiscais


Lei é um processo que visa apurar o sentido de um preceito legal.
Elemento literal: se o elemento literal da lei fosse suficiente, esta seria clara. A norma que
se esconde por detrás da letra da lei está bastante escondida e deve ser interpretada.
Elementos que utilizamos para interpretar (art.º 11 LGT, remissão para o 9):
● Elemento ratio legis
● Elemento histórico: quais os trabalhos preparatórios e em que contexto surge a lei.
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● Elemento espiritual.

Interpretação extensiva: fato de se concluir pelo processo hermenêutico que a lei disse
menos do que realmente pretendia e portanto alargamos a letra da lei para fazer
corresponder o seu espírito e ao pensamento legislativo.

Interpretação ou extensão analógica: aplicação de uma regra/lei/solução que está


prevista para um caso que é um caso análogo, a um caso omisso. É nisso que se traduz a
analogia, é transpor para um caso omisso, o tal caso que não tem solução, a solução que
está prevista para um caso análogo.

Problema: existem dois princípios que se contrariam nesta matéria. A favor da integração
analógica estaria normalmente o princípio da igualdade fiscal, uma vez que para casos
iguais se deveriam aplicar soluções iguais. Contra esta ideia está o princípio da tipicidade
fiscal no qual só os factos que estão escritos na lei é que são factos capazes de gerar a
obrigação de pagar imposto. Se não há lei, não há imposto. Ainda se poderia convocar o
princípio da segurança jurídica, pois se o imposto fosse preferível não admitia-se a
integração de lacunas quando em causa estivessem integrações contra o contribuinte
(malem partem). Se fosse a favor não haveria problema em integrar.

Quando os elementos não são suficientes, o direito fiscal recorre à eliminação do facto
jurídico e o legislador olha para a substância económica da relação. Até porque o que
interessa neste direito é a substância económica dos factos - interpretação económica
(exclusiva do direito fiscal).
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15. Eficácia espacial da lei fiscal


Aqui vale de forma muito vincada o princípio da territorialidade (art.º 13/1 LGT), ou seja,
apenas se aplicam aos factos ocorridos no território do respectivo sistema jurídico,
independentemente do fator da nacionalidade, domicílio ou residência do sujeito passivo.
As leis fiscais em Portugal aplicam-se em todos os factos tributários que ocorram no
território do respectivo sistema jurídico (ou seja, Portugal).
nº2 - Na tributação sobre o rendimento a regra difere. Existe o problema do rendimento
dos residentes (nota: não dos portugueses!) e do rendimento dos não residentes.

Em relação ao problema dos residentes vigora o princípio do rendimento mundial, isto é


World Wide Income Principle, ou seja, pagam IRS pelos rendimentos que pagam em
Portugal e pelos rendimentos que obtenham em qualquer parte do mundo, ou seja o
rendimento global do sujeito passivo.

Em relação ao problema dos não residentes vigora o princípio da fonte do rendimento, isto
é Source Principle, aqueles que não residam mas que detenham rendimento em Portugal
pagam IRS, mas apenas pelos rendimentos que obtiveram em Portugal.

16. T

Em relação sobre os impostos do patrimônio aplica-se a lex rei sitae, o sistema jurídico no
local em que estão as coisas. Por exemplo, o IMI aplica-se aos imóveis que estão em
Portugal.
Em relação aos impostos sobre o consumo, a regra é a tributação do país do ato do
consumo.
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81 CIRS . Qual o fator que mais perturba a eficácia? Treaty Shopping (conhecido como os
paraísos fiscais), isto é, normalmente os operadores econômicos tomam muitas vezes as
suas decisões numa análise muito cuidadosa com os impactos fiscais dos atos que querem
adotar. Por exemplo, deslocação de imóveis para locais onde não há IMI. Ou seja,
averiguar onde se paga menos imposto. Também é possível se deslocar de residência com
o mero objetivo de seleção de sistema fiscal mais vantajoso. Tudo isto faz com que haja
concorrências fiscais internacionais. Isto é uma das maiores injustiças fiscais.

A OCDE tem dedicado muito tempo através de estudos que é a action six, para combater a
treaty shopping. É muito difícil solucionar mesmo assim uma vez que são apenas 34
países e têm de entrar em acordo os EUA, Rússia e China. Ou seja, não se vai solucionar.

16. Titularidade passiva da relação jurídica


Sujeito passivo, em sentido amplo: esse sujeito passivo tanto pode ser sujeito passivo da
obrigação de imposto, como pode ser de uma qualquer outra obrigação fiscal. A obrigação
jurídica fiscal é complexa, ou seja, é feita de um nexo variado e heterogêneo de
obrigações.
Sujeito passivo, em sentido estrito:
Devedor de imposto em sentido amplo: sujeito adstrito à obrigação de efetuar a prestação de
imposto perante o credor (estado, normalmente). Dentro deste conceito encontramos
também o devedor de imposto em sentido estrito ou contribuinte e outros devedores de
imposto.

O contribuinte é a pessoa em cuja esfera jurídica se verifica o facto tributário. Por


exemplo, no IMT é a transação de um imóvel. Ou, noção mais ampla, o titular da
manifestação contributiva que por isso deve suportar o desfalque patrimonial inerente à
carga fiscal. Normalmente são a mesma pessoa, mas nem sempre.
Esta noção de devedor de imposto em sentido estrito ou contribuinte abrange duas
realidades (art.º 18 LGT):
- contribuinte de facto: pessoa cuja esfera jurídica o facto jurídico
- contribuinte de direito: pessoa em que a relação não se verifica o facto jurídico, mas
a pessoa é titular da capacidade contributiva que o legislador pretende onerar com
a carga do imposto (repercussão legal - repercutir os meus custos para alguém e
acresço a minha margem de remuneração).

Por exemplo, o IVA incide sobre os prestadores de serviço e comerciantes de bens.


Contudo, não tem de suportar o desfalque porque está incluído no preço. Por exemplo, a
FNAC ao vender um computador tem de entregar ou dinheiro ao estado, então coloca esse
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valor ao preço do computador. Quem suportará o desfalque patrimonial é o consumidor.


NOTA: quem suporta é aquele que se quer que legalmente suporte. Não é a FNAC que
decide, mas sim o legislador que quer que seja incluído esse valor.

Apesar de a pessoa de direito não for o sujeito passivo - nº4 - este poderá ter um direito de
reação. Poderá impugnar caso seja aplicado um imposto legalmente previsto, tanto a nível
administrativo como judicialmente.

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