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Pronúncia e Impronúncia no Júri

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Pronúncia

• Art. 413. O juiz, fundamentadamente, pronunciará o acusado, se convencido da


materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação.
o Hipóteses para pronúncia
▪ Materialidade
• Representada pelo Corpo (exame de corpo de delito)
▪ Autoria ou Participação
• Deverá haver indícios de participação ou autoria
• Decisão interlocutória, apenas irá mudar a fase do processo.
• Deverá fundamentar, apresentando qual o fundamento legal em que será julgado o
acusado.
• Da pronúncia cabe recurso em sentido estrito.
• O juiz não poderá indicar sua opinião acerca da culpa do acusado, uma vez que
poderá influenciar a decisão do Juri.

Impronúncia
• Art. 414. Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de indícios
suficientes de autoria ou de participação, o juiz, fundamentadamente, impronunciará o
acusado.
• Se o juiz não está convencido da materialidade do crime, ou da existência de
indícios da participação ou autoria do réu.
• Neste caso, o juiz indica que não há provas suficientes para que o indivíduo seja
levado a júri.
• A impronuncia não diz respeito ao mérito, ou seja, o juiz não dirá se o réu é culpado
ou não.
• Da impronúncia cabe recurso de apelação.

Absolvição Sumária
• Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando
I – provada a inexistência do fato;
II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato;
III – o fato não constituir infração penal;
IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime.
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste artigo ao caso
de inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro
de 1940 – Código Penal, salvo quando esta for a única tese defensiva.
• Aplicado quando há provas de que não há materialidade do delito ou autoria e
participação do acusado, quando o fato não é considerado crime, e quando há uma
excludente de ilicitude (ex. legítima defesa)
• Deverá haver a certeza acerca das provas que são apresentadas.
• Da absolvição sumária cabe recurso de apelação.

Art. 417 – Se houver indícios de que outras pessoas participaram do crime, o juiz deverá, na
decisão de pronúncia ou impronúncia, remeter os autos para o MP por 15 dias.
Art. 418 – O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da que consta na acusação,
porém, o acusado ficará sujeito à pena mais grave.
Art. 419 – Quando o juiz entender que o crime que o indivíduo é acusado é um crime diferente
ao da acusação, e ser incompetente, deverá remeter os autos a um juiz que seja competente. Neste
caso, o acusado ficará à disposição do novo juiz.
Art. 420 – A intimação da pronuncia será feita, diretamente ao acusado, ou ao seu defensor
nomeado, e ao MP. Também ao defensor constituído, ao querelante e ao assistente do MP. Se o
acusado estiver solto, e não for encontrado, será intimado por edital.
Art. 421 – Após a preclusão da decisão de pronúncia, os autos serão encaminhados ao juiz
presidente do Tribunal do Juri. Mesmo após a preclusão da decisão, se houver circunstância que
altere a classificação do crime, o juiz remeterá os autos ao MP e posteriormente retornarão reclusos
ao juiz para decisão.

Preparação do Processo para Julgamento em Plenário


Art. 422 – Ao receber os autos, o juiz presidente do Juri, irá intimar acusação e defesa para
que em cinco dias apresentem o rol de testemunhas que irão depor em plenário. No máximo 5
testemunhas.
Art. 423 – Após deliberar sobre os as provas a serem produzidas e apresentadas no plenário,
e adotadas as devidas providências, o juiz presidente irá ordenar as diligências necessárias para
sanar qualquer nulidade ou esclarecer possíveis dúvidas que interessam o julgamento da causa e
posteriormente fará relatório suscinto do processo, determinando sua inclusão em pauta da reunião
do Tribunal do Juri.
Art. 424 – Quando a preparação do processo para julgamento não for obrigatória ao Juiz
Presidente do Tribunal do Juri, o juiz competente irá remeter-lhe os autos preparados cinco dias
antes do sorteio dos jurados.

Do Alistamento dos Jurados


Art. 425 – Alistamento anual de jurados nas comarcas
> 1 milhão de habitantes = 800 a 1500 jurados.
> 100 mil habitantes = 300 a 700 jurados
< 100 mil habitantes = 80 a 400 jurados.
Dependendo a necessidade da comarca, o número poderá ser aumentado e ainda poderá ser
organizada uma lista de suplentes. E os juízes presidentes poderão solicitar a órgãos comunitários
a indicação de pessoas que reúnam condições para serem jurados.
Art. 426 – A lista de jurados contendo a profissão deverá ser publicada até dia 10 de outubro
de cada ano, podendo ser alterada, a ofício ou pedido de qualquer pessoa até dia 10 de novembro.
Se houver nomes e endereços iguais listados nos cartões, depois de vistoriados na presença do
MP e de advogado indicado pela OAB e de um defensor indicado pela defensoria serão guardados
em urna trancada a chave. Se um jurado tiver participado do conselho de sentença nos últimos 12
meses, ficará excluído da lista geral, sendo que a lista será completada anualmente.

Desaforamento
Art. 427 – Se houver duvidas sobre a imparcialidade do Juri, ou da segurança pessoal do
acusado, a requerimento do MP, do assistente, do querelante ou do acusado, ou mediante
representação do juiz competente, ouvido o juiz presidente, poderá o julgamento ser desaforado
para outra comarca da região onde não existam aqueles motivos, preferencia das comarcas mais
próximas.
O pedido deverá ser distribuído imediatamente e terá preferência de julgamento.
Sendo relevantes os motivos, poderá o relator, fundamentadamente, determinar a suspensão
do júri.
Não poderá ser requerido o desaforamento se ainda houver em debate recurso em sentido
estrito quanto a pronúncia.
Art. 428 – Se o julgamento não puder ser realizado em 6 meses, poderá ser requerido o
desaforamento, desde que haja excesso de serviço, ouvidos o juiz presidente e a parte contrária.
Se não houver excesso de serviço e o julgamento puder ser realizado, poderá o acusado requerer
ao Tribunal que determine a imediata realização do julgamento.

Organização da Pauta
Art. 429 – Salvo motivo relevante que autorize a mudança da ordem de julgamentos, deverão
ter preferência
Os acusados presos, primeiro os que estiverem a mais tempo presos.
Os demais pronunciados.
Deverá ser divulgado na porta do Tribunal a lista dos processos a serem julgados, antes da
data de julgamento e o juiz reservará datas na reunião periódica para inclusão de processos com
julgamento adiado.
Art. 430 – O assistente somente poderá atuar na sessão se pedir sua habilitação com 5 dias
de antecedência.
Art. 431 – Depois que o processo estiver em ordem, o juiz irá intimar as partes do processo
para instrução e julgamento.

Do Sorteio e da Convocação dos Jurados


Art. 432 – Depois da organização da pauta, o juiz irá intimar o MP, a OAB e a Defensoria para
acompanharem, em dia e hora designados, o sorteio dos jurados que atuarão na reunião periódica.
Art. 433 – O sorteio será de portas abertas, e o juiz retirará as cédulas até completar 25
jurados, para a reunião periódica ou extraordinária. Deverá o sorteio ocorrer de 10 a 15 dias antes
do julgamento, caso as partes não compareçam, não será adiada a audiência de sorteio. Se um
jurado não for sorteado, poderá participar de sorteios futuros.
Art. 434 – Os julgados sorteados serão convocados pelos correios ou qualquer outro meio
hábil, a se apresentarem em data e hora marcadas para a reunião. Devendo estar transcrito na
intimação os art. 436 a 446 do CPP.
Art. 435 – A relação de jurados convocados será divulgada na porta do Tribunal do Juri,
juntamente com os nomes do acusado e dos procuradores das partes, além do dia, hora e local
das sessões de instrução e julgamento.

Função do Jurado
Art. 436 – O serviço do júri é obrigatório aos inscritos. Podendo se alistar cidadãos maiores
de 18 anos e de notória idoneidade. Não sendo admitida qualquer discriminação no alistamento
dos jurados. A recusa do serviço de júri acarretará multa de 1 a 10 salários mínimos, de acordo
com a condição econômica do jurado.
Art. 437 – Serão isentos do Juri.
• O presidente da república e ministros de estado.
• Governadores e seus secretários
• Membros do CN, AL e Câmaras Distritais e Municipais.
• Prefeitos
• Magistrados e membros do MP e Defensoria
• Servidores do Poder Judiciário, MP e DP
• Autoridades e servidores da segurança pública.
• Militares ativos
• Cidadãos maiores de 70 anos que requeiram sua dispensa
• Aqueles que requererem e demonstrarem justo motivo para impedimento.
Art. 438 – A recusa fundada em religião, filosofia ou política, fará com que o jurado que recusa
preste serviços alternativos, quais sejam, serviços de caráter administrativo, assistência,
filantrópico ou mesmo produtivo no poder Judiciário, DP, MP ou entidade conveniada para este
fim, sob pena de suspensão dos direitos políticos. O serviço alternativo deverá ser fixado
observando razoabilidade e proporcionalidade.
Art. 439 – O exercício da atividade de jurado constitui serviço público relevante e estabelecerá
presunção de idoneidade moral.
Art. 440 – É direito do jurado, a preferência, em igualdade de condições, nas licitações e no
provimento, mediante concurso, de cargo ou função pública, bem como nos casos de promoção
funcional ou remoção voluntária.
Art. 441 – Não poderá ser descontado do salário do jurado o dia que ele estiver ausente em
virtude de audiência.
Art. 442 – Se o jurado sorteado, sem motivo justo não comparecer à audiência ou sair antes
da dispensa pelo juiz, será multado de 1 a 10 salários mínimos.
Art. 443 – Somente será aceita escusa fundada em justo motivo até o momento da chamada
dos jurados, exceto casos de força maior.
Art. 444 – O jurado somente poderá ser dispensado com decisão fundamentada pelo juiz e
registrada na ata dos trabalhos.
Art. 445 – O jurado em exercício responderá pelos mesmos crimes que os juízes togados.
Art. 446 – Aos suplentes são validas todas essas regras a partir do momento em que são
convocados.

Composição do Tribunal do Juri e Formação do Conselho de Sentença


Art. 447 – O tribunal do Juri é composto por:
• Um juiz togado (presidente)
• 25 jurados sorteados dentre os alistados, dos quais, 7 constituirão o conselho de
sentença.
Art. 448 – Não podem servir no mesmo Conselho:
• Marido e mulher, mesmo que seja em união estável.
• Ascendente e descendente
• Sogro e genro ou nora
• Irmãos e cunhados, durante o cunhadio
• Tio e sobrinho
• Padrasto, madrasta ou enteado.
Aplica-se aos jurados o disposto sobre os impedimentos, a suspeição e as
incompatibilidades dos juízes togados.
Art. 449 – Não poderá servir o jurado que tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo
processo, no caso do concurso de pessoas, houver integrado conselho de sentença que julgou
outro acusado ou tiver manifestado previamente desejo de condenar ou absolver o acusado.
Art. 450 – Se houver impedimento por conta de parentesco, conforme art. 448, servirá o que
for sorteado primeiro.
Art. 451 – Os jurados que forem impedidos, suspeitos ou incompatíveis, serão considerados
para constituição do numero mínimo de pessoas para a realização da sessão.
Art. 452 – O mesmo Conselho poderá julgar mais de um processo no mesmo dia, se as partes
aceitarem, sendo que, pra cada processo, deverá ser feito novo compromisso.

Reunião e Sessões do Tribunal do Juri


Art. 453 – O Tribunal do Juri, irá se reunir para as sessões de instrução e julgamento nos
períodos e nas formas estabelecidas pela lei local de organização judiciária.
Art. 454 – Até o momento da abertura dos trabalhos da sessão, o juiz irá analisar os casos
de isenção e dispensa dos jurados e os pedidos de adiamento de julgamento, mandando consignar
em ata as decisões.
Art. 455 – Se o MP não comparecer, será adiado o julgamento para o primeiro dia possível,
cientificadas as partes e as testemunhas. Se a ausência for desmotivada, o juiz presidente
imediatamente comunicará o Procurador-Geral de Justiça com a data designada para a nova
sessão.
Art. 456 – Se a falta for do advogado do acusado, e não houver sido constituído outro, o juiz
irá emitir o comunicado à seccional da OAB, com a data designada da nova sessão. Se a ausência
for imotivada, o julgamento será adiado apenas uma vez, devendo o acusado ser julgado na nova
sessão. Neste caso, o juiz irá intimar a defensoria pública, para atuar no novo julgamento, que será
marcado observando o prazo de 10 dias.
Art. 457 – O julgamento não será adiado pela ausência do acusado solto, do assistente ou do
advogado do querelante que tiver sido devidamente intimado. Os pedidos de adiamento e
justificativas de ausência deverão ser encaminhados ao juiz presidente antes do julgamento para
apreciação do juiz, exceto casos de força maior. Se o acusado preso não for conduzido para o
julgamento, este será adiado, exceto se houver pedido de dispensa subscrito pelo acusado e seu
defensor.
Art. 458 - Se a testemunha não comparecer, injustificadamente, o juiz irá aplicar-lhe multa,
podendo ainda ser julgado penalmente pela desobediência.
Art. 459 – As testemunhas não terão descontados de seus salários o dia que estiverem a
serviço do tribunal.
Art. 460 – Antes de o Conselho de Sentença ser constituído, as testemunhas serão recolhidas
a lugar onde umas não possam ouvir os depoimentos das outras.
Art. 461 – O julgamento não será adiado pela ausência de testemunha, exceto se uma das
partes houver solicitado sua intimação por mandado indicando sua localização, alegando que seu
depoimento é imprescindível. Se a testemunha for intimada e não comparecer, o juiz irá suspender
os trabalhos e mandar conduzi-la para o julgamento, ou adiar a sessão e ordenar a condução da
testemunha até o tribunal. Se a testemunha não for localizada e o oficial de justiça certificar, o
julgamento irá ocorrer.
Art. 462 – Após esses procedimentos, o juiz irá verificar se a urna contem as cédulas dos 25
jurados sorteados, mandando que o escrivão realize a chamada deles.
Art. 463 – Comparecendo pelo menos 15 jurados, o juiz declarará instalados os trabalhos,
anunciando o processo que será submetido a julgamento. O oficial de justiça irá fazer o pregão, ou
seja, verificar todas as diligências. Os jurados excluídos por impedimento ou suspeição serão
computados para a constituição do número legal.
Art. 464 – Não havendo 15 jurados, serão sorteados suplentes, na quantidade necessária, irá
designar-se uma nova data para a sessão do júri.
Art. 465 – Os nomes dos jurados serão constados em ata, remetendo-se o expediente de
convocação.
Art. 466 – Antes do sorteio dos membros do Conselho de Sentença, o juiz presidente
esclarecerá as causas de impedimento, suspeição e incompatibilidades. O juiz advertirá os jurados
ainda que, depois de sorteados, não poderão comunicar-se entre si, ou com terceiros, nem
manifestar sua opinião sobre o processo, sob pena de exclusão do Conselho e multa de 1 a 10
salários mínimos. O oficial de justiça irá certificar-se de que há incomunicabilidade entre os jurados.
Art. 467 – Havendo os 25 nomes na urna, o juiz procederá ao sorteio dos 7 que irão compor
o conselho de sentença.
Art. 468 – Conforme os nomes forem sorteados, poderá a defesa e a acusação recusar o
jurado sorteado, sem motivação, podendo cada um recusar 3 jurados. Desta forma, o jurado
recusado, será excluído daquela sessão de julgamento, prosseguindo-se o sorteio para
composição do Conselho de Sentença.
Art. 469 – Se for mais de um acusado, as recusas poderão ser feitas por um só defensor. A
separação dos julgamentos somente ocorrerá se, por conta das recusas, não for obtido o número
mínimo de sete jurados para compor o conselho de sentença. Determinada a separação dos
julgamentos será julgado primeiro o acusado da autoria do delito, se houver co-autor, o julgamento
seguirá a ordem de preferência estabelecida no art. 429.
Art. 470 – Se a arguição de impedimento, suspeição ou incompatibilidade não for acolhida,
contra o juiz presidente do Tribunal do Juri, órgão do MP, Jurado ou qualquer funcionário, o
julgamento não será suspenso, porém, deverá constar na ata o seu fundamento e a decisão.
Art. 471 – Se, em consequência de impedimento, suspeição, incompatibilidade, dispensa ou
recusa, não houver número para formação do Conselho de Sentença, o julgamento será adiado
para o primeiro dia sem impedimento, após sorteados os suplentes, com observância do disposto
no art. 464 do CPP.
Art. 472 – Formado o Conselho de Sentença, o juiz presidente, irá se levantar, convocar todos
os presentes a se levantar também, e fará aos jurados a seguinte exortação:
Em nome da lei, concito-vos a examinar esta causa com imparcialidade e a proferir a vossa
decisão de acordo com a vossa consciência e os ditames da justiça.
Os jurados, nominalmente chamados pelo presidente responderão:
Assim o prometo.
Após isso o jurado receberá cópia da pronuncia, e se for o caso, das decisões posteriores que
julgaram admissível a acusação, e do relatório do processo.

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