Classe de palavras
As classes de palavras nos ajudam a categorizar os vocábulos de acordo com sua
função morfológica no enunciado, podendo variar ou não em gênero, número, grau e
tempo.
As classes de palavras ou classes gramaticais são categorias nas quais as
palavras são distribuídas de acordo com a sua natureza e função gramatical no
enunciado. Existem dez classes de palavras, sendo elas:
Substantivo
Artigo
Adjetivo
Numeral
Pronome
Verbo
Advérbio
Preposição
Conjunção
Interjeição
Tipos de classes de palavras
Entre as classes de palavras, existem dois tipos:
Palavras variáveis: são aquelas que mudam de acordo com o gênero
(masculino ou feminino), o número (singular ou plural), o grau
(aumentativo ou diminutivo) ou o tempo (passado, presente ou futuro).
Palavras invariáveis: permanecem sempre iguais, independentemente do
gênero, do número, do grau ou do tempo.
Substantivo
Os substantivos são palavras utilizadas para nomear seres, objetos,
sentimentos, cores, entre outras coisas. Costumam ser variáveis e são
subdivididos em algumas categorias:
Comum: é o nome genérico que se dá a uma mesma categoria de seres
ou de coisas. É escrito em letra minúscula:
“O meu gato dorme muito.”
Próprio: é o nome específico que se dá a um indivíduo particular de uma
categoria de seres ou de coisas. É escrito em letra maiúscula:
“O meu gato Tomás dorme muito.”
Concreto: é aquele cuja existência independe do pensamento de outro
ser. Pode ser real ou imaginário, no entanto apresenta existência própria.
“O portão é azul.”
“Imagino um dragão azul.”
Abstrato: é aquele cuja existência depende de outro ser concreto, sem o
qual não é possível produzir o substantivo abstrato.
“Qual será a verdade?”
“O amor desses dois é lindo.”
Simples: possui apenas um radical, ou seja, é formado por apenas um
elemento.
“Parece que teremos chuva.”
“A planta precisa de Sol.”
Composto: possui mais de um radical, formando uma única palavra a
partir da junção de mais de uma palavra.
“É melhor levar um guarda-chuva.”
“Você tem um girassol?”
Primitivo: é o substantivo cujo nome não se origina de outro nome, ou
seja, é sua própria origem.
“Não ponha muito açúcar.”
“Ele toca piano muito bem.”
Derivado: é o nome que tem origem (deriva) em outro substantivo,
estando normalmente relacionado a ele.
“Traga-me o açucareiro, por favor.”
“Ele é um ótimo pianista.”
Coletivo: são nomes dados para um grupo muito grande de seres ou de
objetos de uma mesma categoria.
“Ele viu um enxame se aproximando de nós.”
Artigo
O artigo é a palavra que costuma anteceder o substantivo, sendo adjunto
adnominal. Varia em gênero e número de acordo com o substantivo a que se
refere. Pode ser classificado em:
Artigo definido: usado para indicar um ser ou coisa já conhecido ou
específico.
“O homem veio aqui.”
“As garças estão imóveis.”
Artigo indefinido: usado para indicar um ser ou coisa não específico e
não mencionado anteriormente.
“Um homem veio aqui.”
“Umas garças estão imóveis.”
O adjetivo é usado para caracterizar o substantivo, atribuindo
qualidades a ele. É uma palavra variável que concorda em gênero e número com
o substantivo a que se refere. Pode ainda variar em grau.
“O meu filho é bonitinho.”
“As minhas filhas são bonitonas.”
Adjetivos pátrios: estão relacionados à origem geográfica.
“Eu sou paulista e ela é goiana. Nós somos brasileiros.”
Adjetivos primitivos: não se originam de substantivos.
“Ela tem um espírito livre.”
Adjetivos compostos: possuem mais de uma raiz.
“Meu boné é verde-escuro.”
Locução adjetiva: ocorre quando há junção de uma preposição e um
substantivo (ou equivalente) com valor de adjetivo.
“Eu sou uma mulher de fibra.” (ou seja, uma mulher forte)
Numeral
O numeral é a classe de palavras utilizada para quantificar algo, definindo
valor numérico.
Cardinal: indica a quantidade de seres ou coisas.
“Eu preciso de sete tomates.”
“Este prédio tem mais de vinte andares.”
Ordinal: indica a ordenação, hierarquia, entre seres ou coisas em uma
série.
“Pegue o terceiro livro da estante.”
“Fui a primeira colocada.”
Multiplicativo: exprime a multiplicidade dos seres ou coisas. Os mais
comuns são “dobro”, “duplo” e “triplo”.
“Tinha o dobro da idade e o triplo da disposição.”
Fracionário: indica a fração de seres ou coisas. Os mais comuns são
“meio”, “metade” e “terço”.
“Pediu metade do valor adiantado.”
Coletivo: é o substantivo que indica um número exato de seres ou coisas
de determinada categoria.
“Eu gostaria de uma dúzia de ovos, por favor.”
“Havia algumas centenas de pessoas no evento.”
Pronome
Pronome é a classe de palavra que representa ou acompanha um
substantivo. Pode ser classificado em:
Pessoal: refere-se às pessoas do discurso, podendo ser do caso reto, do
caso oblíquo tônico ou átono, ou de tratamento.
“Ele era um grande amigo.”
“Não se fez de rogada.”
Possessivo: indica posse ou relação de afeto, estando associado ao
pronome pessoal.
“Meu caro amigo, me perdoe por favor.” (Chico Buarque)
“Todas as nossas meias estão espalhadas pela casa.”
Demonstrativo: indica algo ou alguém que se aproxima ou se distancia
no tempo e no espaço.
“Lia coisas incríveis para aquele lugar e aquele tempo.” (Augusto dos Anjos)
Indefinido: aplica-se especificamente à 3ª pessoa quando há efeito vago
ou indeterminado.
“Ninguém me viu entrando.”
“Há algo a ser feito?”
“Está ciente de tudo.”
Interrogativo: é usado para fazer uma pergunta de maneira direta ou
indireta.
“Quantos anos você tem?”
“Quem vem lá?”
Relativo: refere-se ao antecedente, ou seja, ao termo anterior no
enunciado. Pode ser variável ou invariável.
“Fui eu que escrevi essa história.”
“Passeias onde não ando.” (Fernando Pessoa)
Verbo
O verbo expressa uma ação, um estado, um desejo, um acontecimento ou
um fenômeno natural. Ele é dividido em modo e tempo, isto é, os modos verbais
(indicativo, subjuntivo e imperativo) e os tempos verbais (passado, presente ou
futuro em relação ao momento da fala).
Indicativo: verbos no modo indicativo correspondem a ações tidas como
reais ou certas de se acontecer ou de terem acontecido. Podem ser
conjugados no presente, no passado (pretérito perfeito, pretérito
imperfeito e pretérito mais-que-perfeito) e no futuro (futuro do presente
e futuro do pretérito).
Subjuntivo: verbos no modo subjuntivo são aqueles cuja ação verbal não
é tida como certa, isto é, não temos certeza se a ação ocorreu ou ocorrerá.
Podem ser conjugados no presente, no passado (pretérito imperfeito) e no
futuro.
Imperativo: verbos no modo imperativo são usados para expressar ordem
ou conselho, tanto no afirmativo como no negativo.
Os verbos são classificados de acordo com a conjugação, podendo ser
regulares, irregulares, anômalos, defectivos ou abundantes.
Regular: apresenta conjugação que segue o mesmo padrão que a maioria
dos outros verbos.
Eu estudo
Tu estudas
Ele estuda
Nós estudamos
Vós estudais
Eles estudam
Irregular: apresenta conjugação irregular, ou seja, que não segue o
padrão mais frequente dos outros verbos.
Eu venho
Tu vens
Ele vem
Nós vimos
Vós vindes
Eles vêm
Anômalo: apresenta conjugação que modifica profundamente o verbo,
inclusive no próprio radical.
Eu vou
Tu vais
Ele vai
Nós vamos
Vós ides
Eles vão
Defectivo: não pode ser conjugado em todas as formas existentes para a
maioria dos outros verbos; portanto, não é regular e nem irregular. O
verbo falir, por exemplo, só apresenta conjugação nas pessoas a seguir:
Nós falimos
Vós falis
Abundante: algumas de suas conjugações apresentam mais de uma
forma aceita na norma-padrão da língua portuguesa. É o caso do particípio
passado do verbo imprimir: imprimido ou impresso (as duas formas
existem).
Advérbio
Os advérbios são palavras que complementam o sentido de verbos,
adjetivos e de advérbios.
Lugar: serve para complementar o sentido de lugar ao qual o verbo se
refere.
“Eu venho de longe.”
Tempo: complementa o sentido de tempo ou de período referido pelo
verbo.
“Nós nos veremos amanhã.”
Intensidade: serve para tornar a ação do verbo mais ou menos intensa.
“Eles falam demais.”
Modo: ajuda a transmitir o modo ou a maneira como a ação do verbo
ocorreu.
“Elas se arrumaram rapidamente.”
Afirmação: complementa ou reforça o sentido de afirmação do verbo.
“Certamente tentou de tudo”
Negação: complementa ou reforça o sentido de negação do verbo.
“Não quis nenhum.”
Dúvida: complementa ou reforça o sentido de dúvida do verbo.
“Talvez eu volte.”
Preposição
Palavra invariável, a preposição serve para relacionar dois termos em um
enunciado, gerando sentido entre eles. São elas:
a – ante – após – até – com – contra – de – desde – em – entre – para – per –
perante – por – sem – sob – sobre – trás
“Voltei para casa cedo.”
“Estive em algumas praias.”
Locução prepositiva: ocorre quando há junção de duas ou mais
preposições.
“Passou por trás de uma igreja.”
Conjunção
Conjunções são palavras invariáveis que reúnem dois ou mais elementos
ou orações no mesmo enunciado, estabelecendo sentido. Quando os elementos
conectados criam relação de dependência, ou seja, precisam estar juntos para o
discurso fazer sentido, dizemos que há subordinação entre eles. Nesse caso, as
conjunções que ligam esses elementos são chamadas de conjunções
subordinativas e podem ser classificadas como:
Causal: inicia uma oração subordinada dando sentido de causa.
“Ele não sabia o conteúdo, porque faltou naquela aula.”
Concessiva: inicia uma oração subordinada dando sentido de oposição à
ação principal (sendo, porém, incapaz de impedi-la).
“Eles não se davam bem, embora fossem da mesma família.”
Condicional: inicia uma oração subordinada que é condição ou hipótese
para a realização da ação da oração principal.
“Nós iremos se for perto daqui.”
Final: inicia uma oração subordinada indicando finalidade.
“Arrumou-se por horas para ser o destaque da festa.”
Temporal: inicia uma oração subordinada que indica circunstância de
tempo.
“Parava de fazer qualquer coisa quando ficava cansado.”
Consecutiva: inicia uma oração subordinada estabelecendo relação de
consequência.
“A fila demorou tanto que eu desisti de comer.”
Comparativa: estabelece comparação entre dois elementos.
“O projeto delas foi mais premiado do que fora previsto.”
Integrante: inicia uma oração que tem função de sujeito, objeto direto,
objeto indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto da oração
principal.
“Eu pensei que nós iríamos sair logo.”
Caso os elementos conectados sejam independentes, ou seja, o discurso
continua compreensível mesmo que os elementos apareçam isoladamente, as
conjunções que os conectam são chamadas de conjunções coordenadas e
podem ser classificadas como:
Aditivas: estabelecem sentido de adição, soma entre elementos ou
orações.
“Era uma companhia agradável e divertida.”
Alternativas: estabelecem sentido de alternância entre elementos ou
orações.
“Podia ser uma companhia agradável ou divertida.”
Adversativas: estabelecem sentido de oposição entre elementos ou
orações.
“Era uma companhia agradável, mas não divertida.”
Conclusivas: estabelecem sentido de conclusão e/ou consequência entre
orações.
“Podia ser uma companhia divertida e, portanto, agradável.”
Explicativas: ligam uma oração que explica ou justifica outra.
“Era uma companhia agradável, porque era muito divertida.”
Interjeição
Interjeições são expressões autônomas que, por si só, tendem a ser
consideradas enunciados completos, muitas vezes exclamativos. Traduzem
estados emocionais ou desejos, podendo ser apenas sons vocálicos espontâneos,
palavras isoladas ou locuções interjetivas:
“Ai! Está doendo muito!”
“Psiu! Silêncio!”
“Viva! Que maravilha essa notícia!”
“Ai de mim!”
ANÁLISE SINTÁTICA
A análise sintática é o estudo da função de cada termo de uma oração.
Um termo, ou palavra, pode ser classificado de forma diferente de acordo
com a função que desempenha na oração. Assim, é preciso entender o papel de
cada um deles para fazer a sua análise sintática.
Os termos da oração são classificados em: essenciais (quando a estrutura
da oração é feita em torno desses termos), integrantes (quando completam o
sentido de outros termos presentes na oração) e acessórios (quando a sua
remoção não prejudica o sentido da oração).
Termos essenciais da oração
Os termos essenciais são os termos que servem de base na construção da
oração, motivo pelo qual são chamados de essenciais.
Os termos essenciais são dois: sujeito e predicado.
1. Sujeito
O sujeito é alguém ou alguma coisa sobre a qual é dada uma informação.
Por exemplo: Uma pessoa ligou, mas não quis se identificar. (Sujeito: uma pessoa)
O sujeito pode ser: determinado ou indeterminado, simples ou composto
e inexistente.
Os sujeitos podem ser determinados ou indeterminados, mediante a
condição de poder ser ou não ser identificados. Quando identificados, são
sujeitos determinados (A Ana acabou de chegar. - sujeito determinado: A Ana).
Quando não identificado, são sujeitos indeterminados (Estão chamando aí à
porta.).
Quando o sujeito determinado pode ser facilmente identificado pela sua
forma verbal, ocorre sujeito determinado oculto (Agi conforme suas
orientações. - sujeito determinado oculto: eu (eu agi...).
Os sujeitos determinados podem ser simples ou compostos, conforme
contenham um ou mais núcleos - termos mais importantes do sujeito. Quando
apresenta apenas um núcleo, são sujeitos determinados simples (Os livros estão
na prateleira. - sujeito determinado simples: os livros, cujo núcleo é “livros”).
Quando apresenta dois ou mais núcleos, são sujeitos determinados compostos
(O Caderno, três lápis e uma borracha estão na mochila. - sujeito determinado
composto: O Caderno, três lápis e uma borracha, cujos núcleos são “caderno,
lápis, borracha”).
Os sujeitos podem ser inexistentes quando a oração é composta apenas
pelo predicado (Está um calor! - oração sem sujeito).
2. Predicado
O predicado é a informação que se dá sobre o sujeito. Ao identificar o
sujeito da oração, todo o resto faz parte do predicado. Por exemplo: Uma pessoa
ligou, mas não quis se identificar. (Sujeito: uma pessoa. Predicado: ligou, mas não
quis se identificar.).
O predicado pode ser: verbal, nominal e verbo-nominal.
O predicado pode ser verbal quando o seu núcleo (parte principal do
predicado) é um verbo que expressa uma ação (O velhinho contou uma história.
- predicado: contou uma história, cujo núcleo é “contou”).
Quando o verbo, ou núcleo do predicado verbal, tem sentido completo e
não precisa de complemento, ele é verbo intransitivo (A vítima morreu. -
predicado: morreu, cujo núcleo é “morreu” - predicado verbal: verbo intransitivo).
Quando o verbo, ou núcleo do predicado verbal, precisa de complemento,
porque não tem sentido completo, ele é verbo transitivo (Vou preparar o jantar.
- predicado: preparar o jantar, cujo núcleo é “preparar” - predicado verbal: verbo
transitivo).
O predicado pode ser nominal quando o seu núcleo (parte principal do
predicado) é um nome e o seu verbo é de ligação, ou seja, liga o sujeito e suas
características (Esta matéria é extensa. - predicado: é extensa, cujo núcleo é
“extensa”).
O predicado pode ser verbo-nominal quando apresenta dois núcleos
(parte principal do predicado), um núcleo verbal e um núcleo nominal (As crianças
chegaram felizes. - predicado: chegaram felizes, cujo núcleo é “chegaram” (e
“estavam”) e felizes).
Termos integrantes da oração
Os termos integrantes são os termos que servem para completar o sentido
de outros termos da oração.
Os termos integrantes são três: complementos verbais, complemento
nominal e agente da passiva.
1. Complementos verbais
Com a função de completar o sentido dos verbos, os complementos verbais
podem ser: objeto direto e objeto indireto.
Os complementos verbais podem ser objeto direto, quando o complemento
NÃO é ligado ao verbo através de preposição obrigatória (O poeta recitou
poemas. - predicado verbal: recitou poemas, cujo núcleo é “recitou” -
complemento verbal objeto direto: poemas).
Os complementos verbais podem ser objeto indireto, quando o complemento
é ligado ao verbo através de preposição obrigatória (O doente precisa de
cuidados. - predicado verbal: precisa de cuidados, cujo núcleo é “precisa” -
complemento verbal objeto indireto: de cuidados).
2. Complemento nominal
O complemento nominal é o termo utilizado para completar o sentido de um
nome, que pode ser um substantivo, um adjetivo ou um advérbio. Por exemplo:
Os idosos têm necessidade de afeto. (Complemento nominal: "de afeto", pois
completa o sentido do substantivo “necessidade".)
3. Agente da passiva
O agente da passiva é o termo que indica quem executa a ação, na voz passiva,
e vem, geralmente, acompanhado de preposição. Por exemplo: O bolo foi feito
por mim. (Agente da passiva: por mim)
Classificar as palavras sintaticamente significa conhecer a função que elas
exercem na frase e isso tem a ver com a relação que têm umas com as outras.
Veja:
(1) «O moço abraçou o pai quando o encontrou.»
Na frase acima, os dois primeiros ‘o’(s) antecedem, respectivamente, os
substantivos ‘moço’ e ‘pai’. A classe gramatical que pertencem é «artigo definido
masculino singular». E, sintaticamente, por estarem junto (antecedendo/ao lado)
de substantivos, esses termos exercem a função de ‘adjunto adnominal’. No
entanto, o terceiro ‘o’, é um pronome pessoal oblíquo, mas sintaticamente é um
objeto direto, pois complementa o sentido do verbo transitivo direto ‘encontrar’.
Vamos analisar toda a frase sintaticamente:
«O moço abraçou o pai quando o encontrou.»
Período composto por duas orações:
Oração principal: «o moço abraçou o pai»
Oração subordinada adverbial temporal: «quando o encontrou»
FORMAS VERBAIS
As formas verbais são as diferentes maneiras que os verbos podem ter.
Elas dependem da pessoa, do tempo e do modo. Amo, amei, comia, comerei,
partiu e partira são exemplos de formas verbais que os verbos amar, comer e
partir apresentam.
Há várias formas verbais, e elas surgem quando os verbos são
conjugados, ou seja, quando as pessoas, os tempos e os modos verbais mudam.
As pessoas verbais são: EU (1.ª pessoa do singular), TU (2.ª pessoa do
singular), ELE/ELA (3.ª pessoa do singular), NÓS (1.ª pessoa do plural), VÓS (2.ª
pessoa do plural), ELES/ELAS (3.ª pessoa do plural). Elas indicam as pessoas do
discurso que falam, com quem se fala e de quem se fala.
Os tempos verbais são: presente, pretérito (passado) e futuro. Eles
indicam quando ocorre a situação manifestada pelo verbo.
Os modos verbais são: indicativo, subjuntivo e imperativo. Eles indicam
se os verbos manifestam certezas, possibilidades ou ordens.
Veja os exemplos
AMO é a forma verbal da 1.ª pessoa do singular no presente do indicativo do
verbo amar.
COMO é a forma verbal da 1.ª pessoa do singular no presente do indicativo do
verbo comer.
PARTO é a forma verbal da 1.ª pessoa do singular no presente do indicativo do
verbo partir.
TEMPO
O tempo é a categoria gramatical que indica o momento em que ocorre a ação,
acontecimento ou estado expressos pelo verbo.
Existem três tempos naturais: presente, passado e futuro. O tempo presente
indica que a ação expressa pelo verbo ocorre no momento exato da
enunciação (ex.: ando); o tempo passado indica que a ação expressa pelo
verbo ocorre num momento anterior ao da enunciação (ex.: andei) e o tempo
futuro refere que a ação expressa pelo verbo é posterior ao momento da
enunciação (ex.: andarei).
Presente do indicativo – situa a ação expressa pelo verbo no momento atual.
Ex.: Estou em casa.
Outros valores:
– exprime uma ação habitual. Ex.: Leio jornais.
– exprime o futuro próximo. Ex.: Amanhã vou ao teatro.
– indica ações ou estados permanentes e intemporais. Ex.: A
primavera antecede o verão.
– usa-se nas narrativas, para lhes conferir maior expressividade e atualidade.
Ex.: Nesse momento, o homem levanta-se e sai da sala.
Pretérito perfeito simples do indicativo – situa no passado uma ação pontual
e já concluída.
Ex.: A Laura encontrou um cão abandonado.
Pretérito perfeito composto do indicativo – exprime a repetição ou
continuidade de uma ação, que se prolonga até ao momento presente.
Ex.: Tenho ido de autocarro para o trabalho.
Pretérito imperfeito do indicativo – situa no passado uma ação prolongada
no tempo.
Ex.: Quando éramos solteiros, íamos muito ao teatro.
Outros valores:
– exprime um desejo (em vez do condicional). Ex.: Gostava de visitar esse
país.
– exprime delicadeza (em vez do presente). Ex.: Queria a conta, por favor.
Pretérito mais-que-perfeito simples e composto do indicativo – exprimem
um facto passado anterior a outro também passado:
Ex.: Quando chegámos ao auditório, o concerto acabara/tinha acabado.
Futuro simples do indicativo – situa a ação expressa pelo verbo num
momento posterior ao da enunciação.
Ex.: No próximo ano, o marido da Sofia mudará de emprego.
Futuro composto do indicativo – indica uma ação futura, mas anterior a outra
ação também futura já realizada.
Ex.: Quando tu chegares a casa, eu já terei saído.
Presente do conjuntivo – exprime uma dúvida ou um desejo no momento da
enunciação.
Ex.: Hoje talvez possamos ir ao teatro. Por isso, espero que não te atrases.
Pretérito imperfeito do conjuntivo – exprime uma dúvida ou um desejo, com
valor de passado.
Ex.: Talvez ele tenha conseguido apanhar o comboio.
Ex.: Espero que ele tenha conseguido apanhar o comboio.
Pretérito imperfeito do conjuntivo – exprime um desejo ou uma condição,
com valor de passado ou de futuro.
Ex.: Seria bom que ele estudasse mais.
Ex.: Se ele estudasse mais, teria melhores resultados.
Pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo – exprime uma ação anterior a
outra ação passada.
Ex.: Desejámos que quando chegássemos à reunião, ainda não tivesse sido
lida a ata.
Futuro simples do conjuntivo – exprime um futuro dependente de uma
condição.
Ex.: Se a Sofia mudar de emprego, eles não farão a viagem.
Futuro composto do conjuntivo – indica uma ação futura, mas perspetivada
enquanto ação passada.
Ex.: Quando tiverem terminado o exame, os alunos poderão sair.
MODO
O modo é a categoria gramatical que exprime a atitude (de certeza, de dúvida,
de suposição, de ordem, etc.) da pessoa que fala em relação ao facto que
enuncia. Em português, distinguem-se os seguintes modos:
Indicativo – exprime uma ação factual, uma certeza.
Ex.: A Mariana faz um bolo todos os sábados.
Conjuntivo – exprime uma ação não factual, hipotética.
Valores:
– dúvida: Talvez a Mariana faça um bolo no sábado.
– desejo: Seria tão bom que a Mariana fizesse um bolo!
– condição: Se a Mariana fizer um bolo, a irmã convidará alguns amigos.
Imperativo – expressa uma ordem, um pedido ou um conselho.
Ex.: Não faças mais do que um bolo!
Infinitivo – apresenta, de uma forma genérica e abstrata, a ideia da ação.
Ex.: Fazer exercício físico faz bem à saúde.
Condicional – exprime uma hipótese dependente de uma condição.
Ex.: Se ela tivesse dinheiro, viajaria pelo mundo inteiro.
Outros valores:
– exprimir uma dúvida, uma incerteza.
Ex.: Quem seria aquele homem?
– exprimir delicadeza (em vez do presente).
Ex.: Se não fosse muito incómodo, poderia dar-me uma ajuda?
Infinitivo impessoal – apresenta, de uma forma genérica e abstrata, a ideia da
ação.
Ex.: Comer é um prazer para muitas pessoas. (= A comida é um prazer para
muitas pessoas.)
Infinitivo pessoal – exprime também a ideia da ação em abstrato, mas
distingue-se do infinitivo impessoal, pois tem flexão em todas as pessoas.
Ex.: Chegámos mais cedo para arranjarmos um bom lugar.
Gerúndio – apresenta o decorrer da ação ou processo expresso pelo verbo.
Ex.: Só fazendo exercício regularmente é que se conseguem bons resultados.
Particípio passado – apresenta o resultado da ação ou processo expresso
pelo verbo. Entra, regra geral, na formação dos tempos compostos formados
com os verbos auxiliares ter e ser.
Ex.: As crianças já tinham arrumado os brinquedos antes de a educadora pedir.
FORMAÇÃO DE PALAVRAS
As palavras que compõem o léxico da língua são formadas principalmente por
dois processos morfológicos:
Derivação (prefixal, sufixal, parassintética, regressiva e imprópria)
Composição (justaposição e aglutinação)
Palavras Primitivas e Derivadas
Antes de mais nada, vale ressaltar dois conceitos importantes para o estudo de
formação das palavras.
Os vocábulos “primitivos” são as palavras que originam outras. Já as palavras
“derivadas” são aquelas que surgem a partir das palavras primitivas
Exemplos:
dente (primitiva) e dentista (derivada)
mar (primitiva) e marítimo (derivada)
sol (primitiva) e solar (derivada)
Afixos
Além do conceito de palavras primitivas e derivadas, temos os afixos. Eles são
morfemas, ou seja, as menores partículas significativas da língua.
Juntos a um radical, os afixos formam uma palavra, por exemplo, pedra (palavra
primitiva) e pedreira (palavra derivada). Nesse exemplo, foi acrescentado o sufixo
-eira.
Os afixos são classificados de acordo com sua localização na palavra. Assim, os
sufixos vêm depois do radical, por exemplo, folhagem e livraria.
Já os prefixos são acrescentados antes do radical, por exemplo, desleal e ilegal.
Além deles, há ainda os “infixos” que aparecem no meio da palavra, sendo
representados por uma consoante ou vogal, por exemplo, cafeteria e cafezal.
Veja também: Prefixo e Sufixo
Radical e Prefixo
Antes de analisar uma palavra e o processo pelo qual ela foi formada, faz-se
necessário o conhecimento de seu radical e de seus prefixos.
Processos de Derivação
Os processos de derivação de palavras ocorrem de cinco maneiras, sempre com
um radical e os afixos (sufixos e prefixos):
Derivação Prefixal (Prefixação): inclusão de prefixo à palavra primitiva,
por exemplo: infeliz, antebraço, enraizar, refazer, etc.
Derivação Sufixal (Sufixação): inclusão de sufixo à palavra primitiva, por
exemplo: felicidade, beleza, estudante, etc.
Derivação Parassintética (Parassíntese): inclusão de um prefixo e de um
sufixo à palavra primitiva, de forma simultânea, por
exemplo: entardecer, emagrecer, engaiolar, etc.
Derivação Regressiva: redução da palavra derivada por meio da retirada
de uma parte da palavra primitiva, por exemplo: beijar-beijo, debater-
debate, perder-perda, etc.
Derivação Imprópria: ocorre a mudança de classe gramatical da palavra,
por exemplo, O jantar estava muito bom (substantivo); Fui jantar ontem
à noite com Luís. (verbo)
Processos de Composição
Os processos de composição de palavras envolvem mais de dois radicais de
palavras, sendo classificadas em:
Justaposição: Na união dos termos, os radicais não sofrem qualquer
alteração em sua estrutura, por exemplo, surdo-mudo, guarda-chuva,
abre-latas, etc.
Aglutinação: Na união dos termos, pelo menos um dos radicais sofre
alteração em sua estrutura, por exemplo, planalto (plano alto), vinagre
(vinho e acre), etc.
Neologismo
O neologismo é um processo de formação de palavras em que são criados novos
termos para suprir alguma lacuna de significação. Podemos citar como exemplo
a palavra "internetês", que se refere à linguagem da internet.
Hibridismo
O hibridismo também é um processo de formação de palavras. Esses termos são
formados com elementos de idiomas diferentes, por exemplo, “sociologia” (do
latim, “sócio” e do grego “logia”).
Leia também: Processos de formação de palavras
Exercícios de Vestibular com Gabarito
1. (CESGRANRIO-RJ) As palavras esquartejar, desculpa e irreconhecível foram
formadas, respectivamente, pelos processos de:
a) sufixação - prefixação - parassíntese
b) sufixação - derivação regressiva - prefixação
c) composição por aglutinação - prefixação - sufixação
d) parassíntese - derivação regressiva - prefixação
e) parassíntese - derivação imprópria - parassíntese