Ensino da Oralidade no Português
Ensino da Oralidade no Português
UniCV – 2010
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MARIA INDIRA GOMES LOPES
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“O Júri”
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Praia, 2010
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DEDICATÓRIA
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AGRADECIMENTOS
Agradeço à minha orientadora Maria Verúcia de Sousa Melo, por me mostrar que era
possível.
Agradeço a Deus por me ter dado a vida e saúde para chegar até aqui.
Agradeço aos professores, pela convivência afectiva, pela colaboração, por me ensinarem
tanto.
Enfim, a todos aqueles que durante estes cinco anos de formação me foram úteis;
companheiros e verdadeiros amigos
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“A insuficiente capacidade para nos apresentarmos oralmente aos
que nos rodeiam coloca-nos numa posição difícil no período da
adolescência e na nossa vida adulta. Uma vez que a comunicação
compreende tanto o falar como o ouvir, as crianças devem ser
despertadas para a importância destes domínios nas suas vidas, não
só no presente, mas também em termos do seu sucesso no futuro (…)
a comunicação oral deve ser mantida nestes anos de adolescência,
por pouca que possa ser.”
Sandra Rief e Julie Heimburge
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ÍNDICE
INTRODUÇÃO................................................................................................................ 9
CAPÍTULO I
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................. 16
CAPÍTULO II
O DESENVOLVIMENTO DA PRÁTICA DA ORALIDADE NO CONTEXTO
CABO-VERDIANO....................................................................................................... 38
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CAPÍTULO III
DA TEORIA Á PRÁTICA............................................................................................. 57
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INTRODUÇÃO
É normal ouvir nos corredores e na sala dos professores que os alunos não
sabem apresentar trabalhos e que são péssimos perante o público.
Actualmente, na realidade escolar cabo-verdiana constata-se que muitos alunos
têm dificuldades em responder às exigências comunicativas do seu dia - a - dia, como
por exemplo, apresentação dos trabalhos escolares, exposição de ideias e opiniões na
sala de aula, entrevista de emprego, realização de provas orais para o ingresso na
universidade, exercício da profissão, etc. Ainda, os alunos apresentam fragilidades
numa comunicação pública formal dirigida pela escola, para além de uma fraca
participação activa nas actividades socioculturais e políticas do país, que exigem o
domínio das competências sócio - discursivas em Língua Portuguesa.
Considera -se preocupante, porque os alunos terminam o ensino secundário,
estando provavelmente disponível para a entrada na universidade, no entanto,
continuam com o fraco domínio da oralidade, apresentando dificuldades na
comunicação e expressão oral. Perante esta situação pergunta-se alguém já os ensinou
de forma apropriada como organizar um seminário, uma palestra, um relatório oral de
uma observação, técnicas para a realização de uma boa entrevista de emprego, etc.
Constata-se que em relação à oralidade ainda falta muito por fazer nas escolas
cabo-verdiana. Pois, os professores e os alunos têm a tendência a utilizar
prioritariamente a modalidade escrita, talvez carecem de recursos e técnicas que
favoreçam a correcta aprendizagem da oralidade. Nessa perspectiva exige pensar que
antes, os professores devem adoptar uma atitude reflexiva de forma a terem maior
domínio e clareza do conteúdo para que possam valorizar todas as possibilidades de
produção oral.
Estamos cientes de que, se por um lado, os alunos pouco trabalham para
melhorar a sua competência comunicativa (falar muito, escutar e procurar compreender
aquilo que ouvem, utilizar a Língua Portuguesa em qualquer contexto de comunicação,
praticar a oralidade), por outro lado, parece-nos necessário analisar e reflectir sobre as
estratégias e abordagens de ensino das várias competências, particularmente, a que nos
interessa neste trabalho, a competência da expressão e compreensão oral.
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Assim seleccionamos o seguinte tema para efectivação do trabalho de fim de
curso: “A oralidade como objecto de ensino e aprendizagem na aula de Português”.
2ºciclo do ensino secundário. Com este tema visa contribuir para um maior êxito no
ensino e aprendizagem da oralidade, apresentando e discutindo teorias, abordagens e
métodos de ensino da mesma, propor estratégias que possam incentivar alunos e
professores à prática e valorização da modalidade oral dentro ou fora da sala de aula.
A intenção da presente pesquisa é também, e não menos importante, a de
mostrar a importância do ensino e aprendizagem da oralidade de forma a proporcionar
bagagens para a entrada na universidade e inserção no mercado de trabalho,
promovendo deste modo a Língua Portuguesa.
Tomaremos como alvo de análise turmas do 9º e 10º ano de escolaridade por
constituírem o segundo ciclo do ensino secundário, sendo que, geralmente, os alunos
nessa fase provavelmente estarão mais capacitados para desenvolverem competências
comunicativas que lhes permitem responder às exigências comunicativas do seu
quotidiano e participar numa comunicação pública formal.
Terminada esta breve introdução passaremos a apresentar os motivos que nos
levou a escolher este tema, os objectivos traçados, e as perguntas de pesquisas.
2. Justificativa do tema
O motivo da escolha do tema deve-se ao facto de reconhecermos que no ensino
secundário, a oralidade na sala de aula, muitas vezes restringe-se às intervenções
espontâneas por parte dos alunos. E mesmo quando solicitados pelo professor não se
compreende quais as estratégias de planificação e de avaliação utilizadas pelo mesmo.
Outro motivo é o facto de que no decorrer do nosso curso tivemos a disciplina
Didáctica do Português que aborda a questão da oralidade na escola e na aula de
Português, o que nos despertou uma certa curiosidade e interesse para o estudo desse
assunto. Sendo assim tem-se um duplo interesse nessa empreitada, ou seja, por um lado
aprofundaremos os nossos conhecimentos e por outro enriqueceremos as nossas
bagagens para o exercício da futura profissão.
Em Cabo Verde, a Língua Portuguesa tem o estatuto de língua segunda, é a
língua de ensino ou de escolaridade, por isso torna-se importante o domínio dessa
língua, nas várias formas de linguagem, mais concretamente, o oral. Provavelmente
muitos alunos apresentam fragilidades nas situações comunicativas do [Link]
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isso viu-se que é necessário um trabalho de reflexão para a prática da oralidade,
facilitando a aprendizagem da Língua Portuguesa.
É de referir que a pouca prática de uma língua, constitui-se como um dos
maiores entraves para a competência quer oral, quer escrita nessa mesma língua e
ninguém foge à regra. Aprende-se a falar falando, aprende-se a escrever escrevendo e
no contexto cabo-verdiano não será diferente. A componente oral em língua é tão pouca
explorada nas salas de aula cabo-verdianas precisa ter visibilidade e não só, pois precisa
de facto ser praticada sob bases sólidas.
É neste sentido que avançaremos com o nosso estudo e na sequência daremos a
conhecer os objectivos e perguntas de partida.
3. Objectivos
Objectivos Gerais
Objectivos Específicos
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4. Perguntas de pesquisa
Será que os professores que leccionam 9º e 10º anos têm estado a utilizar
métodos e abordagem de ensino que promovem a oralidade?
Será que as estratégias de abordagens da oralidade nesses níveis preparam o
aluno para a entrada na universidade e a inserção na vida profissional?
Qual é a importância da prática da oralidade nesse ciclo e na promoção da língua
Portuguesa?
5. Relevância do estudo
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Perante esta situação entra a relevância deste estudo. O estudo sobre ensino e
aprendizagem da oralidade, no contexto sala de aula, no segundo ciclo do ensino
secundário cabo-verdiano é de extrema relevância, visto que os alunos e professores
enfrentam todos os dias uma série de dificuldades a nível da compreensão e expressão
oral. Essas dificuldades devem ser colmatadas se querermos que os nossos alunos sejam
competentes na língua portuguesa.
Durante muito tempo a oralidade não ocupou um espaço privilegiado na sala de
aula de língua portuguesa, pois o estudo da gramática e da escrita foi mais privilegiado.
Ao longo dos tempos, graças aos estudos e pesquisas feitas por alguns teóricos, a
oralidade vem ocupando pouco a pouco um espaço que lhe é devido. Apesar de alguns
avanços pressupomos que os professores de língua portuguesa não valorizam muito a
oralidade nas suas práticas lectivas.
A Didáctica da língua portuguesa é uma das áreas que aborda a questão da
oralidade na aula de português, no entanto esta questão é pouco aprofundada no curso
de formação dos professores, por isso achamos relevante fazer um estudo que possibilita
aos professores algum conhecimento teórico que contribua para o ensino-aprendizagem
da oralidade na sala de aula.
Concluindo, a oralidade revela-se como uma modalidade importante a ter em
consideração na aprendizagem da língua portuguesa, possibilitando assim o
desenvolvimento da competência comunicativa dos nossos alunos.
6. Metodologia
Num primeiro momento fizemos a pesquisa e recolha dos documentos, livros
nas bibliotecas e na Internet que servirão de base teórica para a efectivação do presente
trabalho; num segundo momento, aplicamos questionários a alguns docentes de Língua
Portuguesa, segundo ciclo do ensino secundário para detectar o nível de conhecimento
que possuem sobre o ensino e aprendizagem da oralidade e como se organizam na
prática os conhecimentos que possuem nas salas de aula. Para a análise e tratamento de
dados utilizamos como instrumentos de trabalho o programa SPSS.
Traçamos também como exigências metodológicas: a observação de aulas de
Língua Portuguesa, que inicialmente foram planeadas para serem observadas no 9º e 10º
anos, mas por força das circunstâncias observou-se apenas em turmas do 9º ano, em
duas escolas secundárias, situadas na Praia: Escola Secundária Amor de Deus e na
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escola secundária Manuel Lopes. Tal permitirá constatar in loco em que moldes se
processa o ensino da oralidade.
7. Estrutura do trabalho
O presente trabalho encontra-se organizado da seguinte forma: Introdução
inicial que apresenta os seguintes pontos: apresentação do tema, justificação, objectivos,
relevância do estudo, metodologia e estrutura do trabalho.
A seguir a introdução, temos três capítulos. O primeiro, intitulado
“Fundamentação Teórica”, subdivide-se em três tópicos: no primeiro tópico fizemos o
enquadramento teórico, apresentando opiniões sobre a oralidade na perspectiva de
distintos teóricos, no segundo tópico tentamos fazer um apanhado geral das concepções
acerca da oralidade em que se apresenta o conceito de oralidade, o papel da oralidade no
processo ensino/ aprendizagem da Língua Portuguesa, e as teorias e abordagens sobre o
ensino-aprendizagem da oralidade com destaque para a abordagem comunicativa que
determinou uma viragem no ensino da oralidade. No terceiro tópico reflectimos sobre a
oralidade e a sua relação com outras modalidades da língua (a escrita e a leitura).
O segundo capítulo, denominado de “O Desenvolvimento da prática da
oralidade no contexto cabo-verdiano”, subdivide-se em três tópicos: no primeiro
tópico pretendemos caracterizar o contexto de ensino-aprendizagem da oralidade em
Cabo Verde, fazendo a descrição e análise de aulas observadas nas turmas do 9º ano de
escolaridade reflectindo sobre como é que os professores exploram, a nível de
estratégias e de objectivos de aprendizagem, a competência da expressão e compreensão
oral. Ainda descrevemos como é que os professores e os alunos praticam a oralidade
dentro e fora da sala de aula. Já no tópico seguinte reflectimos sobre o papel da escola,
dos professores e dos alunos no processo de ensino e aprendizagem da oralidade. No
último tópico pretendemos mostrar algumas estratégias de avaliação da oralidade que
podem ser utilizadas no contexto sala de aula.
O terceiro capítulo, designado “Da teoria à prática” destina-se à caracterização
da amostra, e à análise e tratamento de dados recolhidos através de questionário
aplicado aos professores de língua portuguesa e por fim apresentamos propostas de
actividades que se bem planejadas e conduzidas podem dinamizar a aula, contribuindo
desse modo para uma maior optimização do ensino da oralidade.
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Por fim apresentamos as considerações finais sobre o estudo, a bibliografia
consultada e seguem no anexo os questionários aplicados aos professores e o guião de
observação das aulas.
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CAPÍTULO I
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1. Fundamentação teórica
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Para Magalhães:
A linguagem é uma forma de interacção – mais do que possibilitar uma transmissão de
informações de um emissor a um receptor, a linguagem é vista como um lugar de
interacção humana: através dela o sujeito que fala pratica acções que não conseguiria
praticar a não ser falando; com ela o falante age sobre o ouvinte, constituindo
compromissos e vínculos que não pré-existem antes da fala.
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A Lei de Bases do Sistema Educativo cabo-verdiano traça como objectivos para
o Ensino Secundário:
Promover o domínio da língua portuguesa reforçando a capacidade de
expressão oral e escrita; permitir os contactos com o mundo do trabalho visando a
inserção dos diplomados na vida activa; propiciar a aquisição de conhecimento com
base na cultura humanística, científica e técnica visando nomeadamente, a sua ligação
com a vida activa.
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Em termos de conhecimento o aluno deve conhecer o funcionamento oral e
escrito da língua portuguesa e as regras desse funcionamento e conhecer as condições
de uma comunicação eficaz, em situações diversificadas; em termos de capacidade e
competência o aluno deve usar correctamente as regras de funcionamento da língua
portuguesa; manter uma comunicação eficaz, em situações diversificadas e utilizar
registos diferentes em várias situações de comunicações.
Deste modo, a forma como o programa traça o perfil de saída do segundo ciclo,
exige do aluno o desenvolvimento da competência comunicativa, mais concretamente a
oralidade, conceito chave do presente trabalho.
No quadro desta temática, agora passaremos a reflectir sobre os seguintes
aspectos: conceito de oralidade, o papel da oralidade no processo ensino/aprendizagem
da língua portuguesa, e teorias e abordagens sobre o ensino/aprendizagem da oralidade.
Neste tópico explicitar-se-ão os conceitos chave da presente monografia, em
torno dos quais o seu desenvolvimento muito irá depender, além de permitir desmontar
e aclarar o tema da investigação. Começa-se pelo conceito da oralidade por constituir
este a base teórica para a compreensão do tema do nosso trabalho.
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Assim, utilizar a oralidade somente para a transmissão de conhecimentos é uma
atitude tradicional e distorcida da realidade linguística. Assim percebemos o porquê de
ser necessário tomar uma postura crítica mediante o ensino/aprendizagem da oralidade
no ensino secundário.
O professor precisa mostrar aos alunos que a aprendizagem da língua portuguesa
requer a prática da oralidade além da prática da escrita. Dessa forma, esse seria um dos
desafios a serem enfrentados pelo professor na sala de aula, pois nas escolas cabo-
verdianas privilegia-se a modalidade escrita na avaliação e ensino da língua portuguesa,
visto que o professor avalia, maioria das vezes, os resultados dos testes sumativos
escritos. Torna-se necessário adoptar uma concepção moderna de ensinar a língua
portuguesa, levando os alunos a saberem usar a língua em diversas situações
comunicativas através da fala.
Amor (2001) afirma que:
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no campo linguístico - discursivo, patentes em qualquer situação. Ainda nota-se que os
alunos também têm dificuldades no plano da construção e coerência discursivas e
dificuldades respeitantes ao uso da palavra.
Amor (2001) afirma que é necessário um todo trabalho: “a aprendizagem
sistemática do oral, nas suas diferentes modalidades; especialização dos discursos, e o
domínio instrumental das técnicas de comunicação e a tomada de consciência desse
saber, com vista ao seu aperfeiçoamento e à sua actualização em novas situações, na
perspectiva da realização plena do indivíduo”.
Isso quer dizer que o professor para ensinar a oralidade deve ter o domínio das
técnicas de comunicação, conhecer diferentes modalidades e estar sempre actualizado
em relação aos conhecimentos teóricos e só assim ele estará em condições de exercer o
papel de mediador no processo de ensino-aprendizagem da oralidade.
O oral é o que expõe de imediato o emissor, não só perante as significações e
sentidos da sua mensagem, mas obrigando-o também à uma interacção com o receptor
que exige posicionamento e comportamento social ou individual.
A fala (manifestação da prática do oral) tem a posição privilegiada no que tange
à questão histórica e cronológica, o uso da escrita quando arraigada numa dada
sociedade impõe-se com uma violência inusitada e valor social até superior à oralidade.
Podemos dizer que a oralidade é um importante exercício de reflexão e
entendimento do mundo e do primeiro gesto de expressão das ideias e concepções que
se tem sobre um determinado assunto.
Esta modalidade pode ser compreendida como uma prática interactiva com
finalidade de viabilizar a comunicação, perpetuar e modificar valores, construir
conhecimentos, expressar sentimentos, transmitir princípios culturais, crenças e
ideologias.
A oralidade está em toda parte. É através dela que os professores comunicam
com os seus alunos, que lhes transmitem conhecimentos e valores e que interagem com
a turma.
“O acto de interagir oralmente de forma correcta exige uma auto
consciencialização, quer sobre o trabalho mental que este processo implica, quer sobre
técnicas e os processos de ensino-aprendizagem que são possíveis pôr em prática na sala
de aula” (MENDONÇA et al, 2003). Deste modo, os alunos para interagirem oralmente
de forma correcta devem ter primeiramente, a consciência sobre as técnicas que
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envolvem este acto. Cabe ao professor ajudá-los a reflectir sobre o contexto de
interacção.
Dado que oralidade é frequentemente, espontânea, aberta e evolutiva, numa
situação de oralidade é necessário compreender o essencial de uma informação e
apreender o seu sentido de acordo com o contexto, com as intenções comunicativas,
com o posicionamento do emissor e com as relações entre os interlocutores. As
condições de produção de um enunciado oral e dos interlocutores são importantes para
que se determine correctamente o conteúdo, o sentido, o objectivo e a finalidade de
qualquer mensagem.
Pois, a oralidade é uma modalidade da língua complexa, visto que a realização
oral exige competência linguística bem como as atenções diversas para que a
descodificação da mensagem seja correcta.
Segundo MOREIRA e PIMENTA (s/d) a oralidade é a integração do discurso na
voz e no corpo e deste no discurso. O que é dito e o tom em que se diz são inseparáveis
e igualmente importantes. Desta forma podemos dizer que a voz e o gesto (com todas as
expressões faciais) são fundamentais para a clareza de uma mensagem e para a
identificação da sua intenção comunicativa.
Na expressão oral não está em causa somente a entoação, a voz, a pronúncia, a
adequação do vocabulário, mas também a construção do enunciado e os diferentes tipos
que este assume.
De facto, alguns alunos mostram-se tão hesitantes em intervir oralmente na sala
de aula que raramente pronunciam qualquer palavra, pois preferem estar calados do que
falar frente aos seus pares.
No quadro desta temática RIEF e HEIMBURGE (2000) afirma que embora
respeitando a personalidade de cada aluno, o seu enquadramento cultural e o seu estilo
de aprendizagem, os professores devem lutar para incentivar cada aluno a envolver-se
activamente no processo de comunicação oral.
A insuficiente capacidade para nos apresentarmos oralmente aos que nos
rodeiam coloca-nos numa posição difícil no período da adolescência e na nossa vida
adulta. Uma vez que a comunicação compreende tanto o falar como o ouvir, os alunos
devem ser despertados para a importância destes domínios nas suas vidas, não só no
presente, mas também em termos do seu sucesso no futuro (Cf. RIEF e HEIMBURGE
2000).
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Por isso a comunicação oral na Língua Portuguesa deve estar desenvolvida na
adolescência especialmente no segundo ciclo do ensino secundário.
No quadro desta temática, ALBUQUERQUE (2006) salienta que numa aula:
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mais formal nos mais variados contextos de uso (MARCUSCHI (2001b) citado por
MORESCHI ANTONIO (2004).
Posto esta apresentação sobre os conceitos de oralidade, passaremos a apresentar
e reflectir sobre o papel da oralidade no processo de ensino-aprendizagem da Língua
Portuguesa.
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competência comunicativa em língua portuguesa. O desenvolvimento da competência
comunicativa em língua portuguesa, permite aos alunos integrar-se e socializar-se mais
facilmente na sociedade actual.
Para reforçar esta ideia citamos MOREIRA e PIMENTA (s/d) que afirma que “
oralidade é um importante instrumento de comunicação, é através dela que mais
facilmente o homem se relaciona e se integra na sociedade”.
Segundo esses autores:
A prática da expressão oral favorece a convivência entre as pessoas, enriquece
o vocabulário, aperfeiçoa a locução, permite a aprendizagem da coordenação da voz e
da expressão corporal, ajuda o controlo das emoções e alerta para a necessidade de
respeitar os que falam”.
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A abordagem é uma filosofia de trabalho, um conjunto de pressupostos
explicitados, princípios estabilizados ou mesmo crenças intuitivas quanto à natureza da
linguagem humana, de aprender e de ensinar línguas, da sala de aula de línguas e de
papéis de aluno e de professor de uma outra língua. (ALMEIDA FILHO, (1998)
citado por HENNING e CITTOLIN (2007)
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interacção professor/aluno era praticamente inexistente. O controlo da aprendizagem
era, geralmente, rígido e não era permitido errar.
Podemos afirmar que ainda na Antiguidade, a escrita teve um papel
preponderante, mas apenas para as consideradas “grandes línguas”. Pois, os gramáticos
achavam impossível escrever as línguas vulgares, ou seja, as línguas romanas populares,
logo, para eles, as línguas vulgares baseavam-se sobre o uso falado. Ao longo dos
tempos, a escrita foi tomando espaço cada vez maior, havendo uma inversão de valores
com a valorização da escrita e consequente desvalorização da língua falada. Estes
conceitos / preconceitos influenciaram directamente o ensino / aprendizagem de línguas
nas escolas (cf. BLANCHE-BENVENISTE, (2000) citado por TANGI e GARCIA
(2007)).
Como considera TANGI e GARCIA (2007):
A oralidade tinha muito pouco espaço e quando existia, partia de textos escritos
(…) a língua falada é frequentemente ligada à vertente negativa por haver erros, por ser
inacabada, por estar ligada a diferentes grupos sociais, etc. A oralidade adquiriu aspecto
científico que não conhecia anteriormente, somente a partir da realização do alfabeto
fonético internacional (1880-1890).
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previsão dos erros. Deste modo, com as diferenças apontadas, facilitava-se a
aprendizagem e não se cometeria erros na produção de LE.
A abordagem estrutural surgiu com base no estruturalismo americano, na análise
contrastiva e na psicologia behaviorista em meados de 1950. O termo estruturalismo
segundo o dicionário electrónico HOUAISS (2007) é “toda abordagem de análise que
define os factos linguísticos a partir das noções saussurianas de estrutura e de sistema”.
É de realçar que a oralidade ganhou uma nova importância a partir da década de
40 com a influência da visão estruturalista defendida por Ferdinand de Saussure. A
abordagem estrutural tem como base a teoria behaviorista que considera a língua como
um instrumento de comunicação, adquirida através de estímulos como resultado de um
condicionamento: estímulo → resposta (correcta) → recompensa (reforço). Para
reforçar esta ideia podemos dizer que os princípios básicos desta abordagem eram: a) a
língua é fala e não escrita, restabelecendo assim a ênfase na língua oral); b) a língua é
um conjunto de hábitos, isto é, a língua era vista como um conjunto de hábitos
condicionados que se adquiria através de um processo mecânico de estímulo e resposta
como está representado no esquema acima. As respostas certas dadas pelo aluno
deveriam ser imediatamente reforçadas pelo professor.
O ensino da língua baseava essencialmente na apresentação gradual de
estruturas, por meio de exercícios estruturais. Para fundamentarmos melhor esta ideia
citamos TANGI e GARCIA (2007):
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tecnologias da época: as gravações que poderiam ser ouvidas e repetidas através das
fitas K-7, com gravadores e a criação dos laboratórios de línguas.”
Com isso, podemos confirmar que o laboratório de línguas passou a constituir
um elemento de extrema importância, onde o aluno repetia oralmente as estruturas
apresentadas na sala de aula, a fim de serem totalmente memorizadas e automatizadas.
As palavras das autoras acima citadas confirmam a ideia de que com a
abordagem estrutural ou áudio-lingual a gramática era apresentada aos alunos, não por
regras mas através de uma série de exemplos ou modelos, os modelos, as formas
gramaticais e o vocabulário eram apresentados não através de listas, mas em frases
completas. A aquisição de uma língua era considerada como um processo mecânico de
formação de hábitos, rotinas. Logo, o objectivo principal da abordagem áudio-lingual
era o de levar o aluno a comunicar-se na língua alvo através da formação de novos
hábitos linguísticos, dando prioridade ao falar e ao ouvir. Apesar disso, o professor
continuou no centro do processo do ensino-aprendizagem, dirigindo e controlando o
comportamento linguístico dos alunos para que o aluno não errasse. Pois, o erro era
considerado nocivo, logo se o aluno errasse, podia acabar por aprender o próprio erro e
não a forma linguística correcta.
Depois de alguns anos, alguns teóricos afirmaram que os exercícios estruturais
propostos pela abordagem estrutural aborreciam os alunos e consequentemente sentiam
desmotivados para a aprendizagem da língua em estudo. Ainda criticam esta
abordagem, afirmando que todo o estudo sistemático da gramática através de exercícios
do tipo estruturais não é um ensino implícito da língua em estudo, mas um ensino
implícito das regras da descrição da gramática desta língua.
Na sequência transitaremos pela abordagem comunicativa que contribui para a
viragem do ensino-aprendizagem da língua.
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circunstâncias em que o texto era produzido e interpretado. A língua é, então, analisada
como um conjunto de eventos comunicativos.
Com a chamada abordagem comunicativa, o ensino da língua centraliza-se na
comunicação. “A comunicação é a forma de interacção social, é a construção de
conhecimentos e uma troca de informação.” (ALMEIDA FILHO, 1998 citado por
HENNING e CITTOLIN, 2007).
A língua enquanto meio de comunicação ou fenómeno de interacção social
resulta das interacções constantes entre os indivíduos e a situação de comunicação. Por
isso, a aquisição e desenvolvimento de uma língua deve ser analisada no seio das
situações de comunicação em que ocorre, pois, a compreensão e a análise das situações
interactivas em que o sujeito participa poderá explicar o sentido da evolução da sua
competência comunicativa.
O conceito de competência comunicativa foi desenvolvido por Hymes (1991)
baseado em reflexões críticas sobre a noção de competência e performance de Chomsky
e Hymes, cujo objecto de trabalho é a etnografia da comunicação, afirma que os
membros de uma comunidade linguística possuem uma competência de dois tipos: um
saber linguístico e um saber sociolinguístico, ou seja, um conhecimento conjugado de
formas de gramática e de normas de uso.
A partir dos trabalhos de Hymes, a noção de competência comunicativa foi
rapidamente utilizada na Didáctica. Para falar é preciso também saber utilizar a língua
de maneira apropriada numa grande variedade de situações.
Note-se que na citação de MAINGUENEAU, 1997:
A competência comunicativa é largamente implícita e adquire-se através de
interacções. Esta inclui regras que incidem sobre aspectos variados: saber gerir o uso da
palavra, saber de que falar numa determinada situação, saber sincronizar a mímica com
as palavras que se pronunciam e com as do coenunciador, saber gerir as faces do
outro… e dominar claramente os comportamentos requeridos por diversos géneros de
discursos…Esta competência modifica-se constantemente, em função das experiências
de cada um. Além disso, um mesmo indivíduo dispõe de diversas competências
comunicativas quando entram em interacção com comunidades variadas.
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padronizadas de linguagem não conseguiam explicar as características fundamentais da
língua que são a criatividade e a exclusividade das falas do ser humano.
A partir dos anos 80, os pesquisadores desenvolvem estudos sistemáticos sobre
as línguas faladas e se interessaram em fazer gravações e transcrições de um corpus
significativo, a partir das quais tentavam descrever as gramáticas das línguas.
BLANCHE-BENVENISTE, (2000), citado por TANGI e GARCIA (2007)
expõe de forma sucinta as razões que estiveram na base do desenvolvimento dos
estudos sobre as línguas faladas:
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Utiliza-se a prática de criação de conceitos, levando o aluno a descobrir, por si só, as
regras de funcionamento da língua, através da reflexão e elaboração de hipóteses, o que
exige uma maior participação do aprendiz no processo de aprendizagem.
A abordagem comunicativa dá muita importância à produção dos alunos no
sentido em que ela tenta favorecer estas produções, dando ao aluno a ocasião múltipla e
variada de produzir na língua em estudo, ajudando-o a vencer seus bloqueios, não o
corrigindo sistematicamente. A aprendizagem é centrada no aluno, não só em termos de
conteúdo como também em termos de técnicas usadas na sala de aula. Nessa
perspectiva, o erro é visto como um processo natural da aprendizagem, através do qual,
o aluno mostra que está a testar continuamente as hipóteses que levanta sobre a língua.
O professor deixa de ocupar o papel central no processo ensino-aprendizagem,
de detentor do conhecimento, para assumir o papel de orientador, “organizador”
“facilitador” das actividades na sala de aula. Um outro factor importante e que facilita a
aprendizagem é o clima que reina na sala de aula, e este depende, em grande parte, do
professor. Ele precisa ser caloroso, sensível, tolerante, paciente e flexível a fim de que
possa inspirar confiança e respeito nos seus alunos.
Baseando na exposição acima podemos afirmar que a abordagem comunicativa
dá ênfase ao processo de comunicação, interacção (usar a língua adequando-a a cada
situação de comunicação), a autonomia do aprendente e a aprendizagem
individualizada.
A teoria sócio-interaccionista, denominada também de sócio-construtivista ou
histórico-cultural, defendida por Vigotsky, concebe a aprendizagem como um fenómeno
que se realiza na interacção com o outro. Segundo este teórico, para que a aprendizagem
ocorra é necessário que haja oportunidade de interacção a partir de um contexto, isto é,
os processos de compreensão e aprendizagem aconteceriam em meio a interacções
sociais entre os indivíduos historicamente constituídos.
Como já se referiu a abordagem comunicativa sustenta-se na ideia de interacção
social. Desta forma, é de notar-se que a teoria sócio-interaccionista é a que mais se
aproxima dos princípios defendidos por esta abordagem, visto que é na interacção com
os colegas e com o professor que o aluno desenvolve a sua competência comunicativa.
Actualmente, dentre as abordagens existentes no ensino de Língua, a que mais se
destaca, é a Abordagem Comunicativa devido ao favorecimento da interacção dos
participantes que esta abordagem proporciona, o que traz maiores resultados no ponto
de vista do envolvimento e construção mútua de conhecimento linguístico, além da
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descontracção que promove a baixa da ansiedade e que faz com que a aprendizagem
aconteça tranquilamente. (BROWN 2001 citado por HENNING e CITTOLIN 2007)
Ao analisar as abordagens de ensino e aprendizagem da língua aqui citadas,
verifica-se que todas privilegiam o estudo da língua. Ora vista como um conjunto de
palavras de vocabulário, ora de estruturas gramaticais, de noções ou funções. O
professor representa a autoridade e o modelo a ser seguido, excepção feita à abordagem
comunicativa em que o professor tem múltiplos papéis, mas não é visto como
autoridade. No que diz respeito ao aluno, verifica-se que nas abordagens analisadas ele
passa de um papel passivo a um mais activo, com tendência a desenvolver uma
independência e uma certa autonomia face à aprendizagem.
Diversos elementos se conjugam a fim de dar conta da aprendizagem de uma
língua, mas considera-se que o “estar motivado para aprender”, constitua a melhor
forma de aprendizado, independente da abordagem a ser utilizada. Acredita-se que para
manter a motivação pela língua em estudo, o aluno precisa se engajar no processo, tem
de “aprender a aprender” e ser capaz de assumir uma parte de responsabilidade por sua
aprendizagem.
É de salientar a importância da oralidade em cada fase e abordagem. De acordo
com exposição feita sobre as diferentes abordagens da oralidade, podemos afirmar que
com o advento da abordagem comunicativa, nos anos 80 “deu-se maior ênfase à
comunicação oral e isso fez ocorrer um grande desenvolvimento da compreensão oral e
do trabalho sobre a qualidade sonora do enunciado global, dos esquemas melódicos”.
Inicialmente houve uma preocupação maior com a competência de compreensão para
que pudesse acontecer a competência da produção. (cf. TANGI e GARCIA (2007))
Fica evidente que há elementos em comum entre as abordagens e que também há
teorias adversas. Também é certo que ao professor de língua portuguesa cabe
reconhecer os processos que marcaram e envolveram a história do ensino de L2,
inteirando-se a respeito de suas semelhanças e disparidades, pois ao se conhecer
diferentes pontos de vista, nesse caso diferentes teorias e abordagens. Conhecendo o
ponto de vista de cada teórico o professor deve reconhecer as vantagens de cada uma
delas, adoptando as que mais se adequam no processo de ensino e aprendizagem da
oralidade na aula de língua portuguesa.
Assim, no que tange, particularmente, ao desenvolvimento da oralidade, TANGI
e GARCIA escreve:
33
A comunicação oral desperta controvérsia entre pesquisadores, professores e
aprendizes de língua estrangeira. Ora rejeitada como sendo “popular e vulgar” e não
merecedora de estudos, ora vista como a “expressão natural da linguagem” e, portanto,
merecedora de estudo aprofundado para a compreensão da linguagem humana. Estas
diferentes formas de valorização da língua falada influenciaram e influenciam
directamente o espaço institucionalizado: o ensino de língua estrangeira na sala de aula.
Seria bom que a ciência da linguagem nos lembrasse que não haveria língua
escrita se primeiro não houvesse a língua falada, e que aquela, imperfeitamente
representa esta, a escrita “sinal de sinal”. A escola deveria cuidar primariamente da fala
34
dos alunos, único meio de comunicação que a imensa maioria deles terá pela vida toda.
Uma adequada terapia da fala (e do pensamento nela expresso) quem sabe encaminharia
para uma natural terapia da escrita.
35
Mais importante do que discutir a superioridade entre as duas modalidades da
linguagem, que se estabeleceu apenas por uma primazia cronológica da oralidade ante a
escrita, é a tarefa de desvendar a natureza das práticas envolvidas na oralidade e na
escrita, de uma maneira geral, como uso da língua. Com isso, a questão da relação entre
a oralidade e a escrita será transportada ao eixo de um contínuo sócio-histórico de
práticas, que, para esse autor, pode ser traduzido como "uma forma de uma gradação ou
de uma mesclagem. (MORESCHI ANTONIO, 2004).
Considera-se que qualquer estudo que visa estudar a relação entre a oralidade e a
escrita deve fazê-lo a partir do uso da língua, observando o contínuo de variação entre
estas duas modalidades da língua. A oralidade e a escrita constituem práticas e usos da
língua, que, por sua vez, possuem características próprias. Porém estas características
não as tornam dicotômicas, pois, ambas permitem a construção de textos coesos e
coerentes, ambas permitem a elaboração de raciocínios abstratos e exposições formais e
informais na sala de aula.
A relação que existe entre a oralidade e a escrita não é uma relação de
dependência da primeira à segunda, mas antes uma relação de interdependência, pois
ambas influenciam-se igualmente.
Tendo em consideração o que foi descrito acima constatou-se que a oralidade e a
escrita se complementam. Cabe ao professor utilzar estratégias que capacitem os alunos
a responder as diferentes exigências da oralidade e adequação às características próprias
de diferentes gêneros do oral que por conseguinte contribui para o desenvovimento da
competência comunicativa na língua portuguesa, mais concretamente no nível da
oralidade que é o objecto de estudo do nosso trabalho.
Terminadas as reflexões sobre a relação entre a oralidade e a escrita passaremos
agora a apresentar a relação que existe entre a oralidade e a leitura.
36
professor pode utilizar outras estratégias para ensinar a oralidade, estas estratégias
podem estar intimamente relacionadas com as práticas da leitura. Pois, essas actividades
são complementares.
Para reforçar a ideia passamos a citar DELGADO MARTINS (1992) que
escreve:
É necessário, muitas vezes, no processo de aprendizagem da leitura, ter,
primeiro, um tempo de leitura silenciosa para interiorizar essa estrutura do texto e a
seguir proceder à sua leitura em voz alta. Este processo também pressupõe que o leitor
tenha já adquirido um domínio do oral em si, em situações formais. Se não tiver esse
domínio, colocar a voz, respirar sem ruído, controlar a entoação, ser-lhe-á muito difícil
ler em voz alta.
37
CAPÍTULO II
39
Os alunos que frequentam esta escola residem nas zonas próximas da escola
como: Calabaceira, Achadinha, Achada Eugénio Lima, Pensamento, Vila Nova,
Safende, Ponta d´Água, São Martinho Pequeno, Trindade e João Varela. A maioria dos
habitantes dessas zonas são pessoas com baixo nível de escolaridade.
Quanto ao nível económico, um grande número de alunos é oriundo de uma
família monoparental, assumida pela mãe e alguns pertencem a uma família numerosa.
A maioria dos encarregados de educação dos alunos dessa escola são mães que se
dedicam à vendas ambulantes e a actividade do sector secundário, outras são
empregadas domésticas e um número muito reduzido trabalha nos baixos cargos da
função pública. Por isso, pressupõe-se que estão limitados em termos de acesso aos
meios socio-culturais e económicas que lhes permitem desenvolver o hábito de praticar
e falar a língua portuguesa.
Tomando como referencia o espaço físico da escola, assim como já foi referido
anteriormente, a escola é composta por dois agrupamentos educativos: uma sede e um
anexo, a escola central (sede) tem dezoito salas de aula, com equipamentos novos e
modernos, duas salas de directoria, uma secretaria, um auditório, um posto de saúde
equipado com materiais para primeiros socorros, uma sala de informática, uma cozinha,
uma arrecadação, um laboratório para Física e Química, oito casas de banho distribuídas
para professores e alunos, biblioteca, um pátio (com mesas e cadeiras para o recreio dos
alunos permitindo grande liberdade e circulação dos mesmos) e um pavilhão desportivo,
totalmente equipado.
A escola apresenta excelentes condições de trabalho, mas o número de salas de
aula revela-se insuficiente para o universo dos alunos que procuram o ingresso neste
estabelecimento de ensino, o que faz com que a Escola Regina Silva seja utilizada como
anexo.
40
Tomado como referência as características sociais e ambientais é de realçar que
a escola Amor de Deus começou a funcionar em regime de experimentação desde o ano
lectivo 1999/2000 com uma turma de Educação do Pré-Escolar e outra do Ensino
Básico Integrado. Ela proporciona aos alunos actividades curriculares aprovados
oficialmente e outros não -curriculares de âmbito formativo que considera importantes.
No ano lectivo 2004/05, a escola funcionou com todos os ciclos de ensino desde o
básico ao secundário, com aproximadamente 800 alunos, distribuídos por vários níveis
de ensino: educação pré-escolar, ensino básico e ensino secundário.
Actualmente a escola acolhe alunos desde o berçário até ao 12º ano de
escolaridade. É uma escola pública de gestão privada sem fins lucrativos. Entre a Escola
e o Ministério da Educação existe um contrato de patrocínio em que a Congregação
coloca ao dispor do Ministério da Educação o seu espaço físico e equipamentos para
acolher os alunos e o Ministério por seu lado, disponibiliza professores e subsidia o
pessoal auxiliar e a manutenção do edifício.
Os alunos que frequentam esta escola residem em todas as zonas da Cidade da
Praia (Prainha, Terra Branca, Calabaceira, Bela Vista, Vila Nova, Achada Eugénio
Lima, Pensamento, Palmarejo e Tira Chapéu.
Quanto ao nível económico, desmistificando a crença de que a escola Amor de
Deus acolhe apenas alunos, filhos de pais com boas condições económicas, salienta-se o
facto de a maior parte dos alunos estarem num escalão médio. Notou-se que alguns
alunos têm boas condições financeiras, o que facilita na aprendizagem dos alunos.
Referindo-se ao espaço Físico da escola é de salientar que a Escola Amor de
Deus ocupa uma área de 55 metros quadrados, conforme consta do Alvará n.º 15/1999
de Setembro de 1999. As salas de aula em funcionamento têm uma dimensão de 31 a 50
metros quadrados. Possui cinco pisos, a saber, o rés-do-chão, o 1.º andar, o 2.º andar, o
3.º andar e o 4º andar.
No rés-do-chão encontra-se um salão comum/ pátio interno onde os alunos do
E.B.I vão fazer Educação Física quando há muito sol. Esse espaço é utilizado para
várias actividades, uma cantina para os alunos, professores e todos os funcionários, três
casas de banho, dois campos desportivos devidamente equipadas.
Acha-se no 1.º andar uma secretaria, uma sala de espera, uma arrecadação, uma
sala de reunião, Direcção, cinco casas de banho, três salas de jardim, duas salas do
Ensino básico e Integrado (E.B.I) e um salão comum.
41
O 2.º andar tem nove salas de aulas, uma sala de professores, quatro casas de
banho, sendo duas destinadas para professores e duas para os alunos e uma para os
contínuos.
No 3.º andar encontra-se uma sala de informática, uma biblioteca, uma sala de
estudo, cinco salas de aulas, sendo duas destinadas para os alunos do E.B.I e três para o
Ensino Secundário, uma sala de multimédia, um Laboratório de Biologia, Química e
Física e quatro casas de banho. O 4.º andar tem uma capela, uma sala de reunião e três
casas de banho.
Actualmente esta escola é uma das mais procuradas pelos pais, encarregados de
educação devido aos princípios e normas religiosas que a mesma defende. A mesma
abarca crianças desde berçário até ao ensino secundário. É uma escola aberta à
comunidade educativa, estimulando a participação activa dos pais. De destacar a acção
da associação de pais, que tem contribuído para o desenvolvimento da vida escolar,
sempre em diálogo aberto com a direcção. Para além de apresentar boas condições de
trabalho.
Apresentando o contexto de intervenção passaremos à descrição e à análise
reflexiva das aulas observadas.
Numa das aulas observadas na escola Manuel Lopes fez-se a leitura silenciosa
de texto “ A carta de um jovem”, acompanhada da escuta do áudio do mesmo texto.
Depois disso, a professora pediu aos alunos que fizessem resumo do texto numa frase,
através de questões orais. De seguida escreveram no quadro frases sobre a droga, dado
42
que a carta falava de um jovem que se envolveu com a droga. Posto isso, fez-se a leitura
em voz alta. Utilizou-se como recursos folhetos, cartaz, rádio CD e quadro. O objectivo
da aula foi ler e interpretar o texto “ A carta de um jovem” e produzir um texto escrito
sobre a droga.
A aula seguinte foi dedicada à leitura em voz alta dos contos seleccionados de
Dina Salústio. Antes da leitura o professor apresentou os dados bibliográficos da
referida autora. Primeiramente fez-se a leitura do conto “liberdade adiada”, seguida do
resumo oral do assunto do texto. De seguida, os alunos escolheram os outros contos
para a leitura em voz alta, sempre faziam o resumo oral dos referidos contos.
Com a observação constatamos que a maioria dos alunos desta turma apresenta
dificuldades na pronúncia. Pois, os alunos não pronunciam correctamente as palavras e
quando falam por iniciativa própria insistem em falar na língua cabo-verdiana. Eles
mostraram uma certa insegurança na expressão oral, lêem baixo, não respeitam a
pontuação e muitas vezes falam somente quando questionados pela professora.
Viu-se que nas duas aulas, as actividades de expressão e compreensão oral
realizadas tinham como objectivos de aprendizagem a leitura e interpretação de textos e
a produção escrita. A actividade de escuta utilizada numa das aulas foi pertinente, no
entanto as estratégias mais utilizadas foram a leitura em voz alta e questões orais.
Constatou-se ainda que não foi disponibilizadas aulas exclusivamente para o ensino e
aprendizagem da oralidade.
Das nove aulas observadas na escola Amor de Deus, somente nas três é que
surgiram actividades de expressão oral. Estas actividades consistiram numa exposição
oral sobre os significados e história dos nomes de alguns alunos. De seguida, realizaram
o trabalho de grupo que consistia na leitura e interpretação de contos de Teixeira de
Sousa. Cada grupo era responsável pela leitura e apresentação oral de um conto do
referido autor. A professora pediu que relacionassem os títulos dos contos com o
assunto do texto. Retomando a história dos nomes, também foram solicitados que
relacionassem os nomes das personagens dos contos com as suas características físicas e
psicológicas apresentadas nos contos.
As duas aulas seguintes foram dedicadas à apresentação oral dos trabalhos de
grupo. Cada grupo dispunha de dez minutos para a exposição oral dos seus trabalhos.
Todos os alunos tinham que estar preparados, porque todos deviam falar e responder as
possíveis questões colocadas pela turma ou pela professora. Após a exposição oral, a
professora fez a avaliação dos trabalhos através de questões orais. A professora atribui
43
somente cinco valores para apresentação oral e os restantes quinze valores seriam para o
trabalho escrito.
Constatou-se que ao contrário dos alunos da turma da escola Manuel Lopes, a
maioria tem um nível razoável de português. A professora incentiva a participação de
quase todos os alunos, corrigindo-os com cuidado quando estes pronunciam de forma
errada as palavras. Os alunos pedem esclarecimentos sobre os conteúdos, questionando
a professora quando necessário. No entanto, sugeríamos que a professora deveria
disponibilizar mais tempo para apresentações orais dos trabalhos, dado que dez minutos
são insuficientes para avaliar a expressão oral de todos os elementos do grupo. De
acordo com as observações feitas destas aulas viu-se que a professora privilegiou a
escrita na avaliação dos alunos, visto que ela atribui quinze valores para o trabalho
escrito e só cinco valores para a exposição oral. Esta situação veio confirmar a opinião
de Amor (2001) ao afirmar que as práticas de observação e de avaliação formativa das
aprendizagens do oral têm sido quase inexistentes.
Durante as observações das aulas verificou-se que o desenvolvimento da
competência oral foi relegado para o último plano. Isso demonstra que não há um
ensino sistemático e progressivo, da expressão e compreensão oral, isto é, esta é
rejeitada enquanto objecto de ensino-aprendizagem. Essa situação vai na mesma linha
de pensamento de Amor ao realçar que não há um ensino intencional e sistemático do
oral mesmo quando se estabelecem objectivos no programa ou nos textos subsidiários.
Por ser a oralidade um processo que exige muita prática, deveriam existir
momentos significativos dedicados ao seu ensino. Assim os alunos podem
consciencializar-se progressivamente, dos mecanismos que envolve a oralidade e
passam a interagir de forma adequada e espontaneamente.
Retomando o que Amor (2001) afirma o se encontra por fazer é a aprendizagem
sistemática do oral, nas suas diferentes modalidades, a especialização dos discursos e o
domínio instrumental das técnicas de comunicação.
Parece-nos que falar da oralidade sem reflectir sobre a sua prática entre os
docentes, entre docentes e alunos e finalmente entre os alunos seria um pouco
inconveniente. Por isso, consideramos pertinente reflectir sobre a prática da oralidade,
ainda que breve, levando em conta o contexto de pesquisa. Assim, ocupar-mos-emos no
da prática da oralidade no contexto educativo cabo-verdiano.
44
1.4 A prática da oralidade entre os docentes
45
1.5 A prática da oralidade entre docentes e alunos
AMOR (op. cit) afirma que a comunicação que se pratica na sala de aula é
caracterizada pelo artificialismo e o diálogo pedagógico caracteriza-se por um total
monologismo em que o professor fala mais do que os alunos. Nas aulas observadas
nota-se que os espaços de interacção são baseados em perguntas e respostas. Segundo
AMOR (op. cit) esta estratégia não é suficiente porque o professor ao perguntar já tem
possíveis respostas, que não podem ser consideradas diálogos. Diante desta situação, o
aluno quase não fala, só fala quando é questionado, portanto, poucas vezes que ele fala
não é por iniciativa própria.
Pelo que foi observado nas salas de aula, o professor é que mais questiona. Ao
questionar o professor exige uma resposta de imediato, isso dificulta a reflexão sobre a
46
pergunta. Se por acaso o aluno questionado responder de forma errada a questão o
professor rejeita a opinião do aluno, inibindo desta forma a sua intervenção.
47
2. O papel da escola, dos professores e dos alunos no processo de
ensino-aprendizagem da oralidade
48
Com base na exposição acima, podemos afirmar que o sistema escolar a tem a
tarefa essencial de oferecer ao aluno, no tocante ao ensino da oralidade, os instrumentos
necessários para que ela possa adequar seu ato verbal às necessidades reais que lhe
impõe a situação, isto é, da escola espera-se o ensino de padrões lingüísticos de
prestígio para as situações mais formais, ao lado das formas coloquiais adequadas para
as situações que se co-relacionam. A escola deve aperfeiçoar os comportamentos sociais
da interação verbal, multiplicando as experiências de actividades discursivas para
diferentes finalidades, sobre diferentes temas, em diferentes condições de produção e
interlocução.
Antes disso, a escola tem um papel importante na elaboração dos currículos, de
forma a valorizar mais a componente oral. Se a escola conseguir ser realmente um
espaço de rica interação social, promovendo actividades sociais e culturais , ela estará a
criar as condições para a experiência de linguagem pública para que os alunos se
tornem locutores confiantes e críticos e comunicativos.
A escola deve proporcionar ao aluno a oportunidade de conviver com a grande
variedade de usos da língua do mais coloquial ao mais formal. Desse modo, o próprio
aluno poderá reconhecer que a questão não é falar “certo” ou “errado”, e sim saber o
que utilizar, de acordo com as características do contexto de comunicação, isto é, saber
adequar o registo às diferentes situações comunicativas.
É de realçar que a escola tem o papel de oferecer ao aluno a oportunidade de
aprender a coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo, considerando a quem
e por que se diz determinada coisa.
Segundo os programas curriculares nacionais brasileiros considerados no estudo
de MESSIAS,
Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral no planejamento e
realização de apresentações públicas: realização de entrevistas, debates, seminários,
apresentações teatrais etc. Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas
atividades façam sentido de fato, pois é descabido treinar um nível mais formal da fala,
tomado como mais apropriado para todas as situações. A aprendizagem de
procedimentos apropriados de fala e de escuta, em contextos públicos, dificilmente
ocorrerá se a escola não tomar para si a tarefa de promovê-la. (PARÂMETROS
CURRICULARES NACIONAIS do BRASIL, (1998) citado por
MESSIAS (s/d))
49
Aproveitando o contributo desta autora consideramos que as escolas cabo-
verdianas devem promover actividades como realização de entrevistas, debates,
seminários e apresentação teatrais. Pois como afirma a autora estas actividades
permitem aos alunos o treino da fala nas situações formais.
Para concluir, podemos afirmar que cabe às escolas cabo-verdianas definir e
assumir com todo o corpo docente uma política de promoção da oralidade, tendo em
vista incutir nos alunos o hábito de falar e de praticar a oralidade.
50
O contributo desta citação é muito importante para os professores do segundo
ciclo, visto que o professor realmente deve ser um facilitador, pesquisador, facilitando
desta forma o processo de ensino-aprendizagem da oralidade.
No quadro desta temática LUZ (s/d) afirma que professor deve ser criativo ao
escolher dinâmicas para trabalhar a prática da oralidade. A oralidade é uma “arma” de
defesa oral que nos protege em diversas circunstâncias.
Nesta mesma perspectiva, MESSIAS salienta que além de proporcionar ao aluno
o número maior possível de formas alternativas de expressão verbal, o professor poderá
torná-lo capaz de distinguir entre uma e outra, colocando-as em situações diversas de
comunicação, para que o indivíduo discente possa aprender a selecionar sem a
imposição do certo-e-errado, pondo-se de acordo, unicamente, com o grau de
formalidade relativa da situação.
CRISTOVÃO (1996) ao citar BROWN (1980) diz que “o professor embora não
precise ser linguista, não pode ensinar uma parte específica da língua sem saber como
essa parte se encaixa no todo. O conhecimento sobre a língua, ensino e aprendizagem
são de suma importância para que a escolha ou priorização de uma abordagem, método
ou técnicas de ensino seja feita consciente e eficiente.”
Corroborando com a idéia de Cristovão, podemos afirmar que o professor de
língua portuguesa deve ter bagagem ou conhecimentos teóricos sobre a oralidade a fim
de desenvolver nos seus alunos a competência de comunicação oral. Neste sentido, ele
deve saber escolher as abordagens ou técnicas que mais favoreçam o desenvolvimento
da competência oral dos seus alunos. Pois, ele deve introduzir na sua prática pedagógica
estratégias criativas, utilizando a oralidade para estimular a autonomia pessoal e para
buscar o desenvolvimento integral dos alunos.
51
objectivos que emergem do que aprende e das interacções com o grupo, os
procedimentos e as actividades”. Neste sentido podemos afirmar que o aluno tem um
papel preponderante na aprendizagem do oral, pois ele ao interagir com os colegas e
com os professores está praticar a sua fala.
As autoras reforçam a ideia ao afirmar que o aluno deve contribuir tanto quanto
recebe e aprender de uma maneira independente. O que importa nessas actividades é
que os alunos devem ter o desejo de comunicar algo. Pois, o aluno deve se concentrar
no conteúdo que ele está a dizer ao invés de uma forma linguística em particular. Ele
deve usar uma variedade de linguagem ao invés de apenas uma estrutura.
Dado que actualmente o aluno é o centro das aprendizagens, o professor deve
estimular e motivar os seus alunos a praticarem a oralidade dentro e fora da sala de aula.
Para isso é fundamental que o professor conheça as características dos seus
alunos, das suas culturas de modo a aproveitar os conhecimentos prévios e as
experiencias que possuem para promover actividades de promoção da oralidade. Neste
sentido, nas discussões na sala de aula o professor de língua portuguesa deve dar a todos
os alunos a oportunidade de falar.
Ainda devemos ressaltar que o professor deve conhecer as dificuldades e as
necessidades do aluno a fim de saber quais as estratégias adequadas para ensinar a
oralidade na sua sala de aula.
Para concluir este tópico importa sublinhar que é fundamental para o sucesso da
aprendizagem da oralidade um trabalho de continuidade e colaboração entre a escola, o
professor e os alunos. Pois, juntos contribuirão para melhoria do processo de ensino-
aprendizagem da oralidade.
Terminadas as reflexões sobre o papel de diversos intervenientes no processo de
ensino-aprendizagem da oralidade, pretendemos no tópico que se segue apresentar as
estratégias de avaliação da oralidade segundo alguns teóricos.
aula
52
os objectivos previamente definidos, mediante o recurso a actividades, instrumentos e
processos adequados para o efeito”.
Segundo os mesmos autores o professor deve procurar as estratégias que se
mostram mais indicadas para que os alunos atinjam os objectivos definidos, de acordo
com os recursos disponíveis e circunstâncias como por exemplo a realidade do meio e
da turma.
As estratégias adequadas devem favorecer a interacção entre professor;
possibilitar melhor rendimento dos recursos disponíveis; exigir o ajustamento às
diferenças individuais dos alunos, em termos de motivação e de ritmo de aprendizagem;
permitir um melhor desenvolvimento das capacidades dos alunos.
Antes de apresentarmos as estratégias de avaliação importa-nos apresentar o
conceito de avaliação. Avaliação é um processo que consiste em buscar a certeza de que
o aluno aprendeu, de que alcançou os objectivos. O professor deve avaliar para
conhecer o potencial de aprendizagem dos alunos. Ele deve avaliar sempre, observando
as dificuldades e as capacidades dos alunos. O aluno também deve auto-avaliar e
reflectir sobre as suas capacidades e suas dificuldades com a orientação do professor.
Passando a citar PINTO (2009):
a avaliação é um momento privilegiado de diálogo e trocas de saber sobre
variados aspectos, tornando mais transparente a relação pedagógica nas suas múltiplas
dimensões, assim como clarifica as regras de jogo garantindo assim o rigor e a
objectividade da avaliação.
53
TAVARES (2007) aponta de forma sucinta diferentes tipos de avaliação:
-Avaliação de diagnóstico - é a primeira avaliação formativa. Permite ao
professor estabelecer o perfil inicial do aprendente, dando a este informações sobre as
suas necessidades específicas e formas de trabalho adequadas.
- Avaliação formativa e formadora - na segunda etapa, a avaliação
pretende levar os aprendentes a identificar as causas dos erros. Trabalhar no sentido da
avaliação formativa significa dar aos alunos meios para estes poderem armazenar meios
para remediarem as suas dificuldades. O erro é assim considerado como instrumento de
aprendizagem e é aproveitado para outras aquisições. O tipo de avaliação em que o
aluno se envolve de forma activa transforma-se assim em avaliação formadora. O aluno
tem a consciência da sua progressão, registando os seus progressos em instrumentos
adequados.
-Auto e hetero- avaliação – processo descritivo e reflexivo.
-Avaliação sumativa - terceira etapa do processo. Balanço (qualitativo e
quantitativo) da aprendizagem de cada aluno. Permite a atribuição de uma classificação
ou certificação.
Conforme escreve a autora, “desta compartimentação emerge muitas vezes, por
um lado, alguma dificuldade em professores se aperceberem do continuum da
escolaridade dos seus alunos e, por outro lado, alguma responsabilização dos agentes do
ciclo anterior pela falta de saberes dos alunos”.
Citando ainda TAVARES (op. cit.):
a avaliação das competências é a mais complexa do que a avaliação dos
conteúdos. Para avaliar as competências é necessário acompanhar o processo do aluno,
recolher elementos da sua progressão, seguir o aluno para detectar os seus pontos fracos
e fortes, identificar as razões das suas dificuldades, dos seus erros.
54
Ainda no que diz respeito à avaliação da comunicação oral não podemos deixar
de citar RIEF e HEIMBURGE (2000) que considera que avaliação no domínio oral é
complexa, por isso, os professores devem orientar-se pelos padrões definidos pela área
educativa a que pertencem.
Dado que “a comunicação oral é algo complexo de avaliar de modo formal, os
professores devem proceder a uma avaliação de carácter mais informal através da
observação e de breves registos à medida que se desenrola o processo de ensino-
aprendizagem”. (cf. RIEF e HEIMBURGE, 2000). Já que falar/ouvir constitui um dos
domínios do programa da língua, as autoras defendem que podem ser introduzidas
alterações no processo de avaliação das múltiplas competências a ter em conta num
continuum. Sendo assim, o professor pode seleccionar um pequeno grupo-alvo de
alunos e avaliar as várias realizações em cada um dos períodos de avaliação do ano. Ele
pode levar em conta somente uma parte das competências (falar ou ouvir) definidas para
a área de conhecimento em causa e abranger um maior grupo de alunos.
RIEF e HEIMBURGE, (2000) defendem também o envolvimento dos alunos no
processo de avaliação, através de auto e hetero-avaliação. Desta forma, os alunos podem
recorrer a uma câmara de vídeo ou a um gravador áudio, com isso eles têm a
possibilidade de se ouvirem a si próprios e de verem e observar o seu desempenho,
comparando-se com os outros. Para além da auto-avaliação, os alunos devem ser alvo
da avaliação dos seus colegas e dos professores em todos os aspectos da comunicação
oral. As autoras ainda reforçam que “avaliação das apresentações orais realizada pelos
pares é igualmente útil. Quando os alunos são alvo de uma boa modelação, podem
desenvolver as suas aptidões de comunicação oral e transformarem-se em
comunicadores bem sucedidos”.
TAVARES (2007) considera que:
a avaliação constitui uma parte integrante da aprendizagem, exigindo do aluno
uma consciência do que é capaz de fazer e do que é capaz de melhorar na sua acção, e
exigindo do professor tomadas de decisão constantes sobre o percurso ou percursos a
seguir para melhorar a comunicação e acção dos seus alunos.
Nesta perspectiva torna-se importante que o professor integre nas suas práticas
estratégias diversificadas de avaliação, adequando-as com o perfil de saída do 2º ciclo
previsto pelo currículo.
55
Sabemos que no contexto cabo-verdiano os professores privilegiam a avaliação
sumativa que tem como ferramenta os testes escritos. Esta situação é preocupante, visto
que os testes não permitem ao professor avaliar a oralidade. Cabe ao professor e outras
entidades educativos procurarem a solução para esta situação, buscando melhor forma
de avaliar a oralidade.
Posto isto, pretendemos no capítulo que segue analisar os dados recolhidos
através de questionários aplicados aos professores de língua portuguesa do segundo
ciclo do ensino secundário e de seguida apresentaremos propostas de actividades.
56
CAPÍTULO III
DA TEORIA Á PRÁTICA
57
2. Tratamento, análise e interpretação dos dados
58
13% histórias, debates, dramatização, e as restantes percentagens distribuem-se em
exposição oral, entrevista; contar histórias; debates e exposição oral respectivamente.
Na sala de aula as estratégias que prevalecem são aquelas que alguns teóricos
como Peixoto e Albuquerque consideram como actividades orais reduzidas a mera
verbalização do escrito. Pois, a abordagem da oralidade deve ser feita sem reduzi-la
apenas à verbalização da escrita. Não utilizam frequentemente actividades que
envolvem situações espontâneas ou simuladas de comunicação e nem apostam no contar
histórias que segundo Albuquerque (2006) “é um meio de comunicação muito
poderoso, um talento (…) muito poucas são as actividades que conseguem cativar uma
audiência de qualquer dimensão ou idade de forma tão completa como a que se prende
com o contar (não ler) uma boa história”.
59
O gráfico 3 dá-nos conta de que os que disseram que não justificaram que os
objectivos propostos no programa estão mais voltados para o ensino da gramática e da
escrita(15%); a oralidade exige muito mais tempo e os 50 min. não chegam para praticar
a oralidade(8%); o programa de língua portuguesa é muito extenso (38%), a oralidade
devia ser ensinada durante todo o ano(8%); tem que cumprir os conteúdos do programa
(15%).
60
Na sala de aula, o professor deve saber gerir o tempo, isto é, ele é responsável
pelas decisões de planificação sobre o que deve ser ensinado, sobre o tempo que se deve
dedicar a cada tópico. Em todo o processo de planificação uma boa gestão do tempo é
fundamental para responder à questão “ quanto tempo vou gastar?”. Segundo
SARAIVA (1999) “o tempo dedicado a cada actividade deve respeitar a natureza das
tarefas, as diferenças de estilos e de tempo de aprendizagem dos diferentes alunos, a
progressão nas aprendizagens.
Ainda segundo a autora “propor um tempo escasso para as actividades mais
complexas pode desmotivar os alunos e ao contrário também pode ser o mesmo.
Prolongar demasiado uma actividade porque a considera importante pode ser prejudicial
se os alunos não aderirem a ela”.
Nesta perspectiva podemos considerar que o professor deve saber gerir o tempo
de forma equilibrada, de forma a reservar um espaço para a prática da oralidade. Pois, a
oralidade sendo uma modalidade que merece um espaço e um tempo, ela deve estar
como objecto de ensino na aula de língua portuguesa. Com o resultado da pesquisa
podemos concluir que realmente o tempo dedicado ao ensino da oralidade não é
suficiente para o desenvolvimento da competência oral.
61
de novas tecnologias de informação no ensino-aprendizagem das línguas é importante
ao permitir o desenvolvimento da competência linguística dos alunos.
É importante realçar que as escolas cabo-verdianas têm recursos limitados. A
grande carência de equipamentos adequados, a falta de material de apoio na
aprendizagem da língua portuguesa é uma situação que deve ser mudada. É necessário
ajudar os professores a desenvolverem as competências para reinventar recursos e
promover a confiança no seu trabalho mesmo quando as desenvolvem em escolas com
falta de recursos didácticos.
62
actividades relacionadas para a oralidade (20%) e que cabe a eles seleccionar aquelas
actividades que permitem a prática da oralidade.
Ainda afirmaram que consultam manuais portugueses que são ricos em
estratégias da oralidade conforme nos mostra o gráfico 7.
63
comunicativa. Por isso, pensamos que é fundamental que as entidades educativas
reflictam sobre a qualidade dos manuais didácticos colocados à disposição dos
professores e dos alunos.
Segundo os dados apurados nota-se que há uma certa confusão nas afirmações
dos professores em relação à avaliação. Pois, a maioria dos professores afirmam que
fazem a avaliação da oralidade, no entanto, ao responderem a questão nº 15
demonstraram uma certa imprecisão e incerteza na apresentação das estratégias de
avaliação da oralidade. Dos inquiridos 63% dizem que fazem a avaliação da oralidade
através de questões orais, leitura em voz alta, através da recitação de poemas e
dramatização 37% dizem que apreciam o rítmo, a entoação e a clareza do discurso;
avaliam a produção oral dos alunos e atribuem notas de 0 a 20 para a apresentação oral
dos trabalhos (cf. gráfico 10)
64
Quanto às estratégias de avaliação da oralidade podemos constatar que os
professores necessitam de directrizes claras que lhes permitem fazer a avaliação da
competência oral dos alunos. Dado que a avaliação desta modalidade da língua é um
processo complexo, é fundamental que os professores e formandos sejam preparados
durante a formação no que tange à avaliação do oral. Geralmente, os professores
privelegiam a avaliação sumativa.
Segundo PINTO (1999) esta concepção de ensino assenta-se na enunciação dos
saberes e da aprendizagem como memorização/reprodução do que é ensinado. Nesta
perspectiva a avaliação é vista como exterior ao processo pedagógico, ocorrendo apenas
no final de determinados períodos de tempo ou unidade lectiva. Os instrumentos
frequentemente utilizados são os testes escritos. Pensamos que o professor ao utilizar os
testes escritos como instrumentos de avaliação no final de um determinado período está
a por em causa a aprendizagem da língua. Pois, a competência oral é algo que deve ser
avaliado continuamente e não no final. O professor deve observar a progressão dos
alunos em todas as aulas.
65
costuma realizar actividades como contar histórias e anedotas , debates e dramatização
conforme nos mostra o gráfico 11.
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Os professores inquiridos tentaram justificar as respostas com as seguintes
informações: Há falta de tempo, os alunos sentem-se pouco à vontade, há muita
interferência da língua cabo-verdiana, pois muitos preferem comuincar-se na língua
cabo-verdiana; Alguns alunos não conseguem formar uma frase correctamente, por isso
as lacunas precisam ser trabalhadas (cf. gráfico 13).
67
A escola reúne todas as condições básicas para que os alunos pratiquem a
oralidade?
Questionados sobre esse assunto, 56% dos professores responderam que não
38% disseram que sim (cf. gráfico14).
Segundo SARAIVA (1999) “a escola continua a ter um papel central na
educação, o que pressupõe uma reflexão sistemática e aprofundada por parte de todos os
que constituem as comunidades educativas.” De acordo com os dados apurados
podemos constatar que as escolas não possuem condições suficientes para a prática da
oralidade. Cabe as entidades educativas criar mais condições nas escolas, condições
essas que permitirão o desenvolvimento da competência oral. O professor como
mediador do processo tem de possuir ideias claras sobre a escola, compreender a sua
posição face às necessidades dos alunos, de modo a tornar a aprendizagem da oralidade
mais eficaz.
68
“Contribui para o sucesso dos alunos.”
69
portuguesa, a fim de facilitá-los na inserção cultural do seu país assim como noutros
países de língua portuguesa.
No que tange à compreensão do oral, TAVARES, (2007) põe em destaque uma
reflexão sobre o sentido de ouvir, escutar, compreender. TAVARES afirma que nem
todos nós escutamos da mesma forma todos os sons e discursos a que somos expostos,
já que a audição é um dos sentidos do homem. Nesta perspectiva, a autora distingue
diferentes tipos de escuta:
Escuta- “tapete”- é o tipo de escuta que fazemos quando ouvimos rádio
ou som da televisão, ou ainda a comunicação contínua de uma sala de aula, sem
prestarmos atenção ao que ouvimos, da mesma forma que não prestamos atenção ao
tapete ou ao quadro a decorar a sala de aula em que nos encontrarmos.
Escuta global – Quando se pretende descobrir o sentido geral de uma
determinada conversa, de um programa de rádio ou da televisão.
Escuta selectiva - Quando temos um projecto de escuta, quer dizer
quando sabemos o que queremos ouvir, por exemplo, uma notícia sobre um facto que
nos interessa, avaliação que o professor faz de uma determinada resposta do aluno.
Escuta sistemática - Quando se quer reconstituir tudo o que é dito,
palavra a palavra.
Ainda de acordo com a mesma autora, podemos proceder com diferentes tipos
de escuta, conforme as situações e os nossos objectivos. “Podemos distinguir as
situações de escuta em situação de face a face, em que o sujeito compreende o que é
dito tendo em conta o contexto e o conhecimento que se tem dos seus interlocutores, de
situações marcadas por dispositivos à distância, registo áudio ou audiovisual de
programas da rádio, de canções, de conversas.” No quadro desta temática, TAVARES
(op. cit) propõe as seguintes actividades que permitem desenvolver diferentes tipos de
audição:
- Audição de documentos sonoros: criação de projecto de audição através
de chuva de ideias ( brainstorming);
-Audição de documentos/ discurso do professor com observação de
comportamentos de recepção dos alunos;
-Audição acompanhada de desenho, mímica, etiquetas com textos;
-Audição precedida pela leitura de uma grelha que será preenchida
durante a audição;
-Exercícios de completamento de espaços;
70
Exploração de canções.
É de salientar que a comunicação oral envolve não só a compreensão oral, mas
também a expressão oral. No que diz respeito a este último TAVARES (2007) propõe
actividades que proporcionam participação eficaz dos alunos, baseando nos dispositivos
descentralizados:
-Jogos de apresentação (Brasão, imagens, entrevista);
-Jogos programados de comunicação;
-Simulações ou role playing;
-Brainstorming
ALBUQUERQUE (2006) propõe actividades orais que estão sempre presentes
na sala de aula. Essas actividades subdividem-se em três grupos: primeiro é constituído
por perguntas; segundo tem a ver com a narração de acontecimentos, o terceiro que tem
a ver com a introdução da discussão e argumentação.
Na sala de aula de 2º ciclo, os alunos necessitam de oportunidades para falarem
frente de um grupo. Pois, falar em público constitui um dos grandes receios que os
professores podem ajudar os alunos a ultrapassar. É importante que lhes sejam dadas
oportunidades de praticarem esta competência. Para que isso aconteça, os alunos devem
desenvolver a confiança nos seus colegas e no seu professor. Para estimular a
comunicação oral na sala RIEF e HEIMBURGE (2007) apresentam uma série de
exercícios agradáveis. Passaremos agora a apresentar esses exercícios:
Breves produções orais – neste tipo de exercícios os alunos podem falar sem
parar durante 15, 30 ou 45 segundos, num ambiente cómico de alívio. Os alunos devem
manter uma comunicação activa durante todo o tempo definido, falando rapidamente
sobre um assunto.
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áudio para gravações das apresentações. Ainda o professor juntamente com a turma
pode promover festas de poesias, estas festas podem ter lugar no exterior da sala, em
que a turma senta-se num tapete ou mantas, servindo-se bebidas e alimentos leves.
72
parece mais simples, quando se tem um boneco na mão. Os alunos que pouco falam na
turma parecem perder medo no palco, quando se podem esconder por trás de uma
marioneta ou de um teatro de marionetas.
Para finalizar estas actividades e os exercícios devem ser adaptados à realidade
de cada turma. O importante é saber seleccionar aquelas que mais servem na sala de
aula. Pois, estas actividades não são receitas prontas a serem praticadas na aula, mas sim
apresentamos somente orientações que tornam a oralidade mais presente nas aulas.
Supomos que quando mais envolvido estiver o aluno com actividades orais, mais
eficiente será a aprendizagem.
Terminada a apresentação das propostas passaremos expor as nossas
considerações finais.
73
74
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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De um modo geral, os autores referidos nesse trabalho partilham a ideia de que a
oralidade deve ser ensinada e valorizada como outras modalidades da língua. Dado que
a disciplina de língua deixa muito a desejar no que diz respeito à preocupação do aluno
para o desempenho comunicativo na sociedade. Atribuímos à escola e às entidades
educativas e à sociedade a culpa de sobrevalorizarem a escrita, pois tanto na escola
como na sociedade a escrita tem prioridade sobre a oralidade. Neste contexto, sugerimos
que sejam valorizadas as actividades de interacção e comunicação no lugar do ensino
das regras da gramática. Nos estudos feitos, revela-se que a escola tem se apegado à
gramática e à metodologia de exigir fichas de leituras sobre obras. Considera-se que a
função do professor é ensinar aos alunos o que é língua portuguesa, suas prioridades e
usos e fazê-los falar oralmente sobre obras dos autores que fazem parte da realidade dos
alunos.
Com as contribuições da abordagem comunicativa, a qual passou a ter maior
difusão no ensino-aprendizagem de uma língua. A língua passou a ser vista não apenas
a partir de suas estruturas, mas também em termos de funções comunicativas. Neste
sentido, a oralidade passou a ser mais valorizada e adequada a cada situação de
comunicação. Mesmo com o advento da abordagem comunicativa e os seus
pressupostos teóricos, os professores, de um modo geral, tem pouco conhecimento
sobre as novas tendências, por isso continuam a dar mais valor ao ensino da gramática e
da escrita, deixando o oral para o segundo plano.
Actualmente, considera-se que é necessário valorizar a oralidade na
aprendizagem da língua portuguesa. Apesar do estudo da gramática ser importante para
a aprendizagem da língua, não é ele que determina a comunicação e a fluência na
mesma língua. Para comunicar-se correctamente na língua portuguesa não é necessário
dominar exclusivamente a gramática. Do estudo realizado sobre a relação entre as
modalidades da língua, considera-se desta forma que o professor deve equilibrar os
exercícios de leitura, escrita e funcionamento da língua com os da oralidade. Pois, não
há aprendizagem significativa da língua portuguesa se não houver intenso contacto com
a sua forma oral. Só se aprende a falar uma língua, falando mesmo.
Dado ao estatuto atribuído à língua portuguesa em Cabo Verde e a sua
importância no mundo actual mencionado nesse trabalho, o estudo da oralidade deve
ocupar um lugar de destaque. Resgatando as perguntas iniciais que são: Será que os
professores que leccionam 9º e 10ºanos têm estado a utilizar métodos e abordagem
de ensino que promovem a oralidade? Será que as estratégias de abordagens da
76
oralidade nesses níveis preparam o aluno para a entrada na universidade e a
inserção na vida profissional? Qual é a importância da prática da oralidade nesse
ciclo e na promoção da língua Portuguesa? Após as análises e reflexões feitas
diremos que os professores de língua do 2º ciclo do ensino secundário têm
representações da oralidade ligadas às outras modalidades da língua, pois não se nota
nas suas práticas a oralidade como objecto de ensino e aprendizagem na aula de língua
portuguesa. Acreditamos serem muitas lacunas no processo de ensino-aprendizagem da
oralidade. É neste sentido que achamos necessário uma reflexão crítica sobre as práticas
do professor, realçando que a oralidade pode e deve ser ensinada, isto é, ela deve estar
sempre presente na sala de aula como objecto de ensino e aprendizagem. Na
aprendizagem de uma língua é fundamental a focalização no oral, visto que aprende-se
uma língua falando.
Do estudo feito, consideramos que é necessário que os professores estejam
munidos de conhecimentos e saberes que lhes ajudem a capacitar os alunos a
produzirem e a compreenderem os textos orais com os quais se defrontam em diferentes
situações de participação social. O ensino da oralidade está relacionado com as
concepções que os professores têm da componente oral. Os professores devem
incentivar os alunos a interpretarem correctamente os textos orais, inferindo as
intenções de quem os produzem. Pois, o objectivo central é formar cidadãos que saibam
usar a língua em diferentes esferas comunicativas, a fim de terem acesso aos bens
culturais e alcançarem a participação plena no mundo actual.
Como já tínhamos referido no início do trabalho os professores devem
proporcionar aos alunos do 2º ciclo momentos de muita prática da linguagem oral para
que possam responder às exigências comunicativas as quais eles se confrontam. É
fundamental ensiná-los a organizar um seminário, uma palestra, um relatório oral de
uma observação. Pois, eles devem estar preparados para ingressarem no mercado de
trabalho, para uma entrevista de emprego, entrevista de selecção para entrada na
universidade, apresentação de trabalhos orais.
Ao longo da nossa pesquisa, verificamos que os autores referidos partilham a
ideia que a oralidade merece uma atenção especial e apresentam opiniões que
contribuem para melhoria do ensino-aprendizagem da oralidade.
No fim desse trabalho apresentamos propostas de estratégias para trabalhar a
oralidade, enriquecendo deste modo as práticas dos professores. As actividades e os
exercícios apresentados devem ser adaptados à realidade de cada turma. Implica
77
seleccionar aquelas que mais servem na sala de aula. Pois, estas actividades não são
receitas prontas a serem praticadas na aula, mas sim apresentamos somente orientações
que tornam a oralidade mais presente nas aulas.
Várias práticas podem ser experimentadas na sala: o debate, o diálogo, trava-
línguas, declamação de poesias, simulação de contactos telefónicos, anúncios notícias,
entrevistas, contar histórias, perguntas que desmontam as frases feitas entre outras.
Concluímos, sabendo que ficou muito por falar sobre a oralidade. Partimos da
ideia que a renovação do ensino da língua portuguesa como língua segunda passa a dar
mais ênfase na comunicação oral, à interacção nas aulas de língua portuguesa. É de
realçar que considerar o oral apenas como a interacção do aluno na sala de aula, não é
suficiente, porque o aluno vai deparar com outros tipos de orais formais. O professor de
língua portuguesa deve determinar seus objectivos relativos à prática da oralidade,
privilegiando uma prática que tenha por fim a reflexão.
Não podemos reflectir sobre o ensino da oralidade e a sua prática na sala de aula,
sem questionar quais as formas mais adequadas para facilitar a aprendizagem dessa
modalidade da língua.
A escolha da abordagem de ensino da oralidade, o papel que os professores,
alunos, escolas desempenham representa o factor importante no sucesso da
aprendizagem da oralidade.
De um modo geral, não podemos deixar de chamar atenção de todas as entidades
educativas a capacitar melhor os professores, proporcionando formações contínua que
permitem a renovação e reciclagem dos saberes em relação à pedagogia do oral e as
práticas didácticas.
Com a realização deste trabalho esperamos trazer algumas reflexões que possam
levar a uma renovação metodológica nas aulas de língua portuguesa, a fim de
contemplar realmente uma prática que valorize a oralidade como conteúdo estruturante
previsto no programa. Nestas breves considerações finais, gostaríamos de salientar que
gostámos muito de pesquisar sobre este tema. Ajudou-nos imenso a conhecer as nossas
dificuldades e enriquecer os nossos conhecimentos sobre a oralidade. O maior obstáculo
foi seleccionar a informação mais importante, de modo a apresentar os pontos de vista
sobre a oralidade da forma mais clara possível.
Esperamos realizar mais trabalhos como este, dado que este é só mais um
contributo para o ensino e aprendizagem da língua portuguesa.
78
BIBLIOGRAFIA
ALBUQUERQUE (2006), “Em busca do sentido perdido: Para uma didática possivel da
oralidade” in AZEVEDO, Fernando (2006). Língua Materna e Literatura Infantil-
Elementos Nucleares para professores do ensino Básico, Lisboa, LIDEL edições
técnicas, lda.
79
PIMENTA, Maria de Lourdes et al, (1999). Dimensões de Formação na Educação-
Contributos para Manual de Metodologia Geral, Portugal, CE/ Fundação Calouste
Gulbenkian.
RIEF, Sandra e HEIMBURGE, Julie A.(2000). Como Ensinar todos os Alunos na Sala
de Aula Inclusiva- Estratégias Prontas a usar, Lições e actividades concebidas para
ensinar Alunos com necessidades de aprendizagem Diversas Vol II, Porto, Porto
Editora.
80
WEBGRAFIA
LUZ, Mary Neiva Surdi da (s/d), O Espaço da Oralidade no Ensino Médio. Artigo
consultado no site [Link]/paginas/ensino/pos/linguagem/cd/Port/[Link], no
dia 24 de Novembro de 2009, às 13h 30 mn.
81
ANEXOS
11. Acha que o tempo dedicado ao ensino da oralidade é suficiente para desenvolver nos
alunos a competência de comunicação e expressão oral?
a)Sim b)Não
82
______________________________________________________________________
a)Sim b)Não
___________________________________________________________________
18. Como caracteriza o desempenho dos alunos na comunicação e expressão oral na aula de
língua portuguesa?
a)Fraco b)Razoável c)Bom
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Guião de observação das aulas
Ano lectivo – 2009/2010 3º trimestre
9º ano classe Turma A5__________ Professor________________________
Pronuncia as palavras
linguagem corrente
Média do trimestre
Encadeia as ideias
Reage com frases
com facilidade
correctamente
e adequado
adequadas
Nºs Nomes em
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
84
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
Correcção do
discurso
Fluência
Riqueza do
vocabulário
Expressividade
Participação
Respeito pelos
colegas
Progressão das ideias
O/A aluno/a:
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
85
86